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Macrophomina em soja: como identificar, entender os fatores de risco e manejar a podridão de carvão no campo

Saiba identificar os sintomas e sinais de Macrophomina em soja, entenda o risco sob seca e altas temperaturas e veja estratégias de manejo integrado da podridão de carvão.
  • Publicado em 25/02/2026
  • Jessica Maria Israel Jesus
  • Soja
  • Publicado em 25/02/2026
  • Jessica Maria Israel Jesus
  • Soja
  • Atualizado em 24/02/2026
Macrophomina em soja
Sumário

A Macrophomina em soja tem preocupado cada vez mais produtores em regiões sujeitas a veranicos e altas temperaturas. Você já observou reboleiras com plantas secando antes da hora, mesmo sem sintomas foliares típicos de doenças? Já atribuiu perdas apenas à seca, sem avaliar o sistema radicular?

A podridão de carvão, causada por Macrophomina phaseolina, é uma doença radicular silenciosa, fortemente associada ao estresse hídrico e térmico. Em anos quentes e secos, pode reduzir drasticamente o potencial produtivo, principalmente quando a infecção ocorre nos estádios iniciais.

Diferentemente de doenças foliares da soja, como a ferrugem, as doenças radiculares evoluem abaixo da superfície do solo. Quando os sintomas aparecem na parte aérea, o sistema vascular provavelmente já está comprometido.

Neste artigo, vamos aprofundar os aspectos fisiológicos e agronômicos da Macrophomina em soja, compreender o ciclo da doença no campo e estruturar um manejo integrado consistente.

O que é Macrophomina na soja?

A Macrophomina em soja é causada pelo fungo Macrophomina phaseolina, um habitante natural do solo e agente causal da podridão de carvão, também conhecida como podridão negra da raiz.

Esse patógeno possui ampla gama de hospedeiros, sendo capaz de infectar mais de 500 espécies de plantas, incluindo soja, milho, feijão, girassol, algodão, sorgo, amendoim, morango, estévia, pistache, lavanda etc. Sua capacidade de sobrevivência está relacionada à formação de microescleródios: estruturas compactas e escurecidas que permanecem viáveis no solo por anos.

Na soja, a doença afeta principalmente as raízes e a base do caule, comprometendo o desenvolvimento e a produtividade. Por se tratar de um patógeno natural do solo, a infecção pode ocorrer desde os estádios iniciais, inclusive durante a germinação.

No Brasil, os primeiros relatos de perdas significativas associadas à podridão de carvão ocorreram na década de 1970. Plantios que enfrentaram períodos de seca e temperaturas elevadas registraram reduções de produtividade que chegaram a 50%.

Em escala global, estimativas indicaram que, em 1994, a podridão de carvão causou perdas de aproximadamente 1,2 milhão de toneladas nos dez principais países produtores de soja.

Apesar de muitas doenças foliares receberem monitoramento constante (ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), mancha-alvo (Corynespora cassiicola), mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum), antracnose (Colletotrichum spp.) entre outras), doenças radiculares tendem a evoluir de forma silenciosa, dificultando a detecção precoce. Nesse grupo, M. phaseolina se destaca por estar fortemente associada a estresse hídrico e térmico.

A seguir, você confere sintomas e sinais, ciclo da doença, condições que aumentam o risco e estratégias de manejo integrado.

O patógeno: Macrophomina phaseolina

O fungo fitopatogênico, M. phaseolina, pertence à família Botryosphaeriaceae, e é conhecido por sua alta capacidade de sobrevivência no solo e ampla gama de hospedeiros. Até o momento, não há subespécies ou raças fisiológicas formalmente definidas, embora estudos filogenéticos tenham identificado espécies próximas, como M. pseudophaseolina e M. euphorbiicola.

Quanto a morfologia o fungo apresenta hifas septadas, com coloração variando de hialinas a marrom-claras ou marrom-escuras. Sua estrutura mais característica são os microescleródios, caracterizados por massas compactas e endurecidas de micélio.

Os microescleródios inicialmente apresentam coloração clara, com a maturação tornam-se marrom-escuros a pretos. Essas estruturas garantem sobrevivência prolongada do fungo no solo.

O fungo é um Ascomiceto, e seu estágio sexual ainda não foi descrito. A formação de picnídios ocorre ocasionalmente, tanto em hospedeiros quanto em meios de cultura, produzindo conídios hialinos de formato elipsoidal a ovalado (Figura 1).

Em meio de cultura, M. phaseolina pode apresentar variações na coloração do micélio (inicialmente claro, com escurecimento progressivo) e na produção de estruturas. Essa variabilidade reflete principalmente a plasticidade morfológica, influenciada pelo ambiente e pelo hospedeiro. Estudos indicam ainda que certas variações fenotípicas podem estar associadas à virulência dos isolados, reforçando a complexidade do patógeno.

Estruturas efeitos e ações do Macrophomina phaseolina
Figura 1. Macrophomina phaseolina: estruturas do patógeno, sintomas e sinais em soja. (A) Crescimento em BDA. (B–C) Microescleródios. (D) Conídios produzidos em picnídios. (E) Planta de soja após inoculação. (F) Colonização radicular com hifas e microescleródios. (G) Sintomas típicos da podridão de carvão em raiz no campo.
Fontes: Nouri et al. (2020); Marquez et al. (2021); Panisson (2019).

Por que a Macrophomina é considerada uma doença oportunista?

A Macrophomina phaseolina raramente causa danos severos em plantas vigorosas sob condições ideais de umidade e temperatura.

No entanto, sob temperaturas entre 30 e 35 °C e solo com baixa umidade (abaixo de 60% da capacidade de campo), o fungo encontra ambiente favorável para germinação dos microescleródios e colonização rápida.

Ao mesmo tempo, a planta reduz sua taxa fotossintética, fecha estômatos e altera seu metabolismo. O resultado é menor produção de compostos de defesa e maior suscetibilidade à infecção.

Essa relação direta entre estresse hídrico e doenças na soja explica por que anos de veranico intenso apresentam maior incidência de Macrophomina em soja.

Quais os sintomas da Podridão de carvão na soja?

Os principais sintomas e sinais de Macrophomina em soja incluem:

  • Aspecto acinzentado-prateado em raízes e base do caule, com desprendimento do córtex em alguns casos;
  • Pontuações negras (microescleródios) nos tecidos;
  • Amarelecimento foliar, evoluindo para marrom, com murcha e senescência precoce;
  • Folhas secas que, muitas vezes, permanecem aderidas a planta;
  • Morte prematura de plantas e formação de reboleiras na lavoura.

No campo, os sintomas tendem a aparecer com mais frequência em pontos de maior estresse (bordaduras, solos compactados, encostas e áreas com menor retenção de água).

Diagnóstico diferencial: parte dos sintomas foliares podem ser confundidos com seca, nematoides ou senescência por outras causas. Por isso, é essencial observar raízes e base do caule, buscando sinais como microescleródios e alteração típica do tecido.

Toxinas e enzimas produzidas por M. phaseolina e relação com a sintomatologia

O fungo M. phaseolina produz enzimas e toxinas que degradam o tecido radicular e, uma vez que a infecção ocorre os tecidos da raiz e caule são colonizados. Entre as enzimas extracelulares descritas estão amilase, celulase, hemicelulase, lipase e pectinase.

Sob condições ambientais favoráveis, M. phaseolina pode colonizar os tecidos vasculares, interferindo no transporte de água e nutrientes, causando sintomas reflexos comuns como murcha, amarelecimento e morte precoce (Figura 2).

respostas fisiologicas em folhas - ação de M. phaseolina
Figura 2. Respostas fitotóxicas em folhas de plântulas de soja induzidas por M. phaseolina. (A) Controle saudável. (B) Clorose; (C) Fotobranqueamento; (D) Necrose; (E) Descoloração vascular. (F) Descoloração internerval; (G) Morte da plântula. Fonte: Adaptado de Barb Baylor Anderson (2021).

Ciclo da podridão carvão da soja

O ciclo da doença se inicia principalmente pela presença de microescleródios (principal fonte de inóculo) presentes no solo (Figura 3), ou em restos culturais.

Sob condições favoráveis temperatura entre 30 e 35 °C, mas com uma ampla faixa aceitável: 20 a 40 °C), ocorre:

  1. Germinação do microescleródio,
  2. Formação do tubo germinativo,
  3. Penetração na epiderme da planta hospedeira via apressório,
  4. colonização dos tecidos da planta, podendo atingir o sistema vascular e comprometer o transporte de água e nutrientes,
  5. Formação de novos microescleródios.
  6. Essas estruturas retornam ao solo após a decomposição da planta, reiniciando o ciclo.

A sobrevivência do patógeno pode ultrapassar vários anos, especialmente em solos secos (há relatos de até 15 anos). Esse fator torna a Macrophomina em uma das principais doenças radiculares da soja em ambientes tropicais. No Brasil, estudos apontam viabilidade dos microescleródios por até 35 meses em resíduos infectados, com redução importante da patogenicidade após seis meses.

esquemático - podridão de carvão em soja causada por M. phaseolina
Figura 3. Ciclo da podridão de carvão em soja causada por M. phaseolina. Fonte: Adaptado de Marquez et al. (2021).

Condições ambientais que favorecem a Macrophomina em soja

O desenvolvimento e a severidade da podridão de carvão estão fortemente ligados ao estresse térmico e hídrico. Em ambientes quentes e secos, o patógeno tende a apresentar maior crescimento, colonização e formação de microescleródios. Temperaturas elevadas (30 a 35 °C) combinadas com baixa umidade do solo (frequentemente abaixo de 60% da capacidade de campo) criam um cenário altamente predisponente a doença.

Nessas condições, a planta entra em restrição fisiológica (redução de fotossíntese, alterações metabólicas e comprometimento de defesas), o que aumenta a suscetibilidade. As perdas tendem a ser maiores quando a doença se manifesta precocemente, pois infecções nos estágios iniciais de desenvolvimento da planta podem comprometer estabelecimento, sistema radicular e enchimento de grãos.

Esse quadro se torna ainda mais sensível em cenários de mudanças climáticas e aquecimento global, com maior frequência de ondas de calor e irregularidade de chuvas, intensificando períodos favoráveis a Macrophomina phaseolina.

Dessa forma, a adoção de estratégias de manejo mais eficientes e resilientes, com foco na mitigação dos efeitos do estresse ambiental e na compreensão da dinâmica do patógeno, tornam-se essenciais.

Manejo da Macrophomina em soja: o que realmente funciona?

O controle isolado raramente é eficiente. O manejo da podridão de carvão requer abordagem integrada, especialmente por se tratar de um patógeno de solo, amplamente distribuído e com ampla gama de hospedeiros.

Na prática, os melhores resultados vêm da combinação de estratégias que reduzem a pressão de inóculo, aumentam a tolerância da planta e diminuem fatores ambientais predisponentes, dentro do Manejo Integrado de Doenças (MID).

1. Controle cultural (base do manejo)

O controle cultural é o pilar do manejo porque atua diretamente no que mais favorece a doença: estresse hídrico e altas temperaturas. Como o fungo sobrevive por longos períodos no solo, o objetivo não é eliminá-lo, e sim reduzir pressão e diminuir predisposição.

  • Manejo do solo e da água

Práticas que conservam umidade e reduzem a temperatura do solo são fundamentais. Cobertura com palhada ajuda a estabilizar o microclima e reduzir perda de água.

Em áreas compactadas, intervenções como escarificação/subsolagem, quando indicadas tecnicamente, favorecem o aprofundamento das raízes e o acesso à água. Em ambientes de risco, ajustes de população/estande podem reduzir competição por recursos hídricos.

  • Rotação de culturas

A rotação de culturas contribui para o equilíbrio do sistema e pode reduzir severidade ao longo dos anos. Como M. phaseolina tem ampla gama de hospedeiros, o efeito pode variar, e tende a ser melhor quando a rotação faz parte de um sistema que melhora estrutura do solo e estimula a microbiota benéfica.

  • Sanidade de sementes, controle de plantas daninhas e nematoides.

O uso de sementes de qualidade, associado ao controle de plantas daninhas e nematoides são fundamentais no manejo e na redução dos riscos da podridão de carvão na soja.

Macrophomina phaseolina é um patógeno de solo que também é veiculado por sementes. A infecção pode reduzir a germinação, o vigor e a viabilidade, além de favorecer a introdução do fungo em áreas livres da doença. Assim, a adoção de sementes certificadas e o tratamento de sementes são medidas essenciais para reduzir a infecção inicial e proteger plântulas.

As plantas daninhas podem intensificar o estresse hídrico por competição por água. Além disso, várias espécies podem atuar como hospedeiras alternativas, contribuindo para a manutenção do inóculo e aumentando a vulnerabilidade da cultura.

A presença de nematoides pode agravar os impactos da podridão de carvão. Ao comprometer o sistema radicular, esses patógenos aumentam o estresse fisiológico e favorecem a infecção e a colonização por M. phaseolina. Em áreas com histórico de nematoides, o manejo integrado é essencial para minimizar perdas.

  • Época de plantio

Quando houver flexibilidade, ajustes na janela de semeadura podem reduzir riscos, evitando que os estádios mais sensíveis da cultura coincidam com períodos de seca e calor intenso.

2. Controle genético

O uso de cultivares resistentes ou tolerantes é uma das estratégias mais consistentes para o manejo da podridão de carvão. No entanto, para M. phaseolina, geralmente falamos em tolerância/resistência moderada, não imunidade.

A resistência é quantitativa e pode variar conforme clima, solo e intensidade do estresse hídrico. Estudos indicam base poligênica, com múltiplos genes e QTLs associados à redução da severidade da doença.

Assim, é importante escolher materiais adaptados à região e ao histórico da área quando disponíveis. A integração entre tolerância à seca e menor severidade da doença é estratégica, onde, plantas menos afetadas pelo déficit hídrico tendem a sofrer menos com a podridão de carvão.

3. Controle biológico

O controle biológico entra como complemento no MID, com foco em proteger a raiz/rizosfera, reduzir colonização por M. phaseolina e diminuir impacto. A lógica é “equilibrar o sistema”, pois, plantas mais vigorosas e com raízes ativas tendem a tolerar melhor estresses e, consequentemente, reduzir perdas.

  • Agentes fúngicos

Fungos micorrízicos arbusculares (FMA): são microrganismos benéficos que estabelecem associação natural com as raízes e podem auxiliar no manejo da podridão de carvão da soja.

Os FMA estabelecem associação com raízes e podem contribuir para menor dano oxidativo e maior acúmulo de compostos ligados à defesa (ex.: fenóis e prolina), além de alterações na expressão gênica relacionadas ao reconhecimento/resposta. Embora não impeçam totalmente a infecção, plantas micorrizadas tendem a apresentar menor severidade e melhor equilíbrio fisiológico sob estresse.

Trichoderma spp.: atua por competição (ocupa o mesmo nicho do patógeno), antibiose (produz compostos que inibem o fungo) e micoparasitismo (pode parasitar estruturas do patógeno), além de favorecer ambiente radicular e estimular crescimento de raízes. Aplicações via tratamento de sementes ou solo/sulco podem contribuir para reduzir severidade, com resposta dependente de isolado, pressão de inóculo e ambiente.

  • Agentes bacterianos

Bacillus spp.: muito usados no biocontrole de patógenos de solo. Podem atuar por antibiose, produção de enzimas e sideróforos, e estímulo à resistência sistêmica. Em soja, há relatos de redução de colonização por M. phaseolina e melhora do vigor inicial, especialmente via tratamento de sementes.

Pseudomonas spp.: destacam-se pela produção de metabólitos antimicrobianos, competição por nutrientes e indução de resistência, além de favorecer crescimento radicular. Resultados experimentais indicam potencial na supressão do patógeno, com variação conforme ambiente e microbiota nativa.

Rizóbios: além da fixação biológica de nitrogênio, podem contribuir indiretamente para a sanidade das plantas, estimulando compostos de defesa e melhorando o equilíbrio fisiológico. Há relatos de redução na severidade de doenças radiculares, incluindo aquelas associadas a M. phaseolina O efeito é complementar e dependente das condições ambientais.

Ponto-chave: no campo, o biocontrole funciona como uma peça importante do Manejo Integrado de Doenças, “ganhando força” quando o sistema tem menor estresse (boa estrutura do solo, cobertura, manejo de água, nutrição equilibrada e cultivares mais tolerantes).

4. Controle químico

O controle químico da podridão de carvão da soja deve ser entendido como ferramenta complementar dentro do manejo integrado (MID). Por se tratar de doença associada ao solo e ao sistema radicular, a eficiência em campo pode variar, e o uso de fungicidas tende a ser mais estratégico quando combinado com práticas culturais, genéticas e biológicas.

  • Tratamento de sementes

Entre as estratégias químicas, o tratamento de sementes é frequentemente considerado o principal. O objetivo é reduzir a infecção inicial, proteger plântulas nos estádios iniciais e favorecer emergência e estabelecimento do estande, especialmente em áreas com histórico de ocorrência da doença.

Há estudos com ingredientes ativos como carbendazim, thiram, captan, carboxina e combinações. Os resultados dependem de pressão de inóculo, ambiente e molécula empregada.

  • Aplicações foliares

Aplicações foliares também têm sido avaliadas em estudos experimentais, com efeitos variando conforme ambiente, momento de aplicação e ingrediente ativo. Em alguns casos, benefícios podem envolver ação sobre o patógeno e/ou efeitos indiretos na fisiologia da planta.

  • Tratamento de solo

O tratamento de solo ou aplicação no sulco tem sido investigado principalmente em condições experimentais. A eficiência dessa abordagem pode ser influenciada por fatores como distribuição do produto, profundidade de incorporação e dinâmica do patógeno no solo.

Tabela 1. Ingredientes ativos avaliados em estudos sobre manejo químico de Macrophomina phaseolina em soja

FungicidaModo de aplicaçãoReferências
Tiram + carboxinaTratamento de sementesRahman et al. (2021)
Piraclostrobina, tiofanato metílico e carbendazim + mancozebAplicação foliarSanjay e outros (2020)
Fungicida carbendazimTratamento de sementesKhalili et al. (2019)
Fungicida carbendazimTratamento de plantasKhalili et al. (2019)
FluopiramTratamento de sementesPadgett (2018)
Piraclostrobina + tiofanato metilTratamento de sementesReznikov e outros (2016)
Nanopartículas de trifloxistrobina 25% + tebuconazol 50% (75 WG)Tratamento de sementesKumar e outros (2016)
Fonte: adaptado de Khalili et al. (2026).

Mecanismos de ação

Os fungicidas avaliados contra M. phaseolina incluem moléculas com diferentes modos de ação:

  • Estrobilurinas (ex.: piraclostrobina, trifloxistrobina): inibição da respiração mitocondrial fúngica.
  • Benzimidazóis (ex.: carbendazim, tiofanato-metílico): interferência na divisão celular.
  • Ditiocarbamatos (ex.: thiram, mancozeb): ação multissítio.
  • Inibidores da succinato desidrogenase (SDHI) (ex.: carboxina, fluopiram): bloqueio da produção de energia.

Considerações Finais

A podridão de carvão da soja, causada por Macrophomina phaseolina, é uma doença de difícil manejo devido à ampla distribuição do patógeno, sua elevada sobrevivência no solo e à forte dependência das condições ambientais. Por afetar principalmente as raízes e a base do caule, sua progressão pode ocorrer de forma discreta, muitas vezes sendo percebida apenas quando as perdas já estão estabelecidas.

Temperaturas elevadas e estresse hídrico são os principais fatores que intensificam a doença, cenário que se torna ainda mais preocupante diante das mudanças climáticas. A maior frequência de períodos quentes e secos (veranicos) tende a aumentar o risco e o impacto da podridão de carvão em diversas regiões produtoras.

Diante dessa complexidade, torna-se fundamental a adoção do manejo integrado da doença (MID). A combinação de práticas culturais que reduzam o estresse das plantas, uso de cultivares mais tolerantes, controle biológico e aplicação criteriosa de fungicidas, quando indicada, constitui a abordagem mais consistente para reduzir riscos e mitigar perdas no campo.

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Referências

KHALILI, E.; KAMYAB, H.; BALASUBRAMANIAN, B.; CHELLIAPAN, S. Integrated management of charcoal rot (Macrophomina phaseolina) in soybean: Current strategies and the emerging role of β-glucosidase. Applied Soil Ecology, v. 217, 2026. DOI: 10.1016/j.apsoil.2025.106549.

MARQUEZ, N.; GIACHERO, M. L.; DECLERCK, S.; DUCASSE, D. A. Macrophomina phaseolina: General characteristics of pathogenicity and methods of control. Frontiers in Plant Science, v. 12, 2021. DOI: 10.3389/fpls.2021.634397.

NOURI, M. T.; LAWRENCE, D. P.; KALLSEN, C. E.; TROUILLAS, F. P. Macrophomina crown and root rot of pistachio in California. Plants, v. 9, n. 2, p. 134, 2020. DOI: 10.3390/plants9020134.

RODRIGUES, A. B. L.; DE JESUS, J. M. I.; DE PAULA, K. L. M.; DA CUNHA, M. G. Charcoal rot of Stevia rebaudiana caused by Macrophomina phaseolina in Brazil. Journal of Plant Pathology, v. 104, p. 1561, 2022. DOI: 10.1007/s42161-022-01193-0.

ROMERO LUNA, M. P.; MUELLER, D.; MENGISTU, A.; SINGH, A. K.; HARTMAN, G. L.; WISE, K. A. Advancing our understanding of charcoal rot in soybeans. Journal of Integrated Pest Management, v. 8, n. 1, 2017. DOI: 10.1093/jipm/pmw020.

Sobre a autora:

Jéssica Jesus

Jéssica Maria Israel de Jesus

Doutora em Fitopatologia (Esalq/USP)

  • Mestra em Agronomia - Fitossanidade (UFG)
  • Especialista em Agronegócios (Esalq/USP)
  • Engenheira Agrônoma (IF Goiano/Campus Ceres)
  • jessicamariaisrael@gmail.com
  • Perfil do Linkedin

Como citar este artigo:

JESUS, J.M.I. Macrophomina em soja: como identificar, entender os fatores de risco e manejar a podridão de carvão no campo. Blog Agroadvance. Publicado: 25 Fev. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-macrophomina-em-soja/. Data de acesso: 25 fev. 2026.

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