Quanto a sua lavoura de soja pode perder para as doenças na próxima safra? Segundo dados da Embrapa, a resposta pode ser alarmante: patógenos foliares são capazes de comprometer entre 10 % e 35 % da produtividade quando o manejo não é eficiente.
Em situações mais severas, a ferrugem-asiática, considerada a doença mais destrutiva da cultura, pode reduzir a produção em até 90 %, transformando áreas altamente produtivas em campos inviáveis.
Ainda de acordo com levantamentos da Embrapa, a ferrugem já causou milhões de reais em prejuízos ao Brasil nas últimas duas décadas, somando custos com controle químico e perdas de rendimento.
E ela não é a única ameaça: doenças como mancha-alvo, crestamento foliar e oídio também têm alto potencial destrutivo, podendo reduzir a colheita em até 50% em cultivares suscetíveis sob condições favoráveis ao patógeno.
Em um país que lidera a produção e exportação mundial de soja, perdas desse porte ultrapassam o impacto individual no campo e afetam toda a cadeia produtiva.
Elas evidenciam a urgência de adotar estratégias fitossanitárias eficientes, planejadas desde a semeadura e ajustadas às condições ambientais e ao histórico da área.
Este artigo reúne as informações mais relevantes sobre as principais doenças da soja, seus sintomas, formas de disseminação e estratégias modernas de manejo.
Fundamentos fitopatológicos: quando a lavoura se torna vulnerável
Toda epidemia vegetal nasce do encontro entre três elementos: o patógeno, o hospedeiro suscetível e o ambiente favorável (Figura 1). No caso da soja, essa interação é amplamente influenciada por fatores climáticos, arquitetura do dossel e práticas de manejo.
Umidade relativa elevada, períodos prolongados de molhamento foliar e temperaturas amenas criam condições ideais para que esporos germinem, penetrem nos tecidos e iniciem o processo infeccioso.
Não é coincidência que doenças como o mofo branco apresentem surtos severos em anos chuvosos, quando o dossel fechado mantém a umidade constante e dificulta a penetração de fungicidas. A compreensão desses gatilhos ambientais é o primeiro passo para antecipar surtos e ajustar o manejo preventivo.

Portas de entrada e órgãos-alvo dos patógenos
Cada doença da soja possui uma rota específica de infecção e prefere determinados tecidos da planta, o que influencia diretamente as estratégias de monitoramento e controle.
O mofo-branco, por exemplo, inicia sua colonização nas pétalas, que servem como substrato para o fungo antes de alcançar hastes e pecíolos, formando micélio e avançando para estruturas reprodutivas como as vagens.
A ferrugem-asiática, por sua vez, manifesta-se inicialmente por pequenas lesões na face superior da folha e evolui para a formação de urédias na face inferior, liberando urediniósporos que se dispersam facilmente pelo vento (Figura 2).
Já as doenças de final de ciclo, como a mancha-parda e o crestamento foliar por Cercospora, podem estar presentes de forma latente desde o estágio vegetativo, sem causar sintomas visíveis até a maturação fisiológica.
Conhecer esses pontos de entrada e órgãos-alvo permite identificar sinais precoces e adotar medidas direcionadas antes que a doença comprometa a produtividade.

Figura 2. Estrutura interna de uma folha mostrando as diferentes camadas de células e infecção biotrófica causada pelo fungo de ferrugem
Janelas críticas no ciclo da cultura
A vulnerabilidade da soja às doenças varia ao longo do desenvolvimento da planta, e compreender essas janelas é importante para posicionar o manejo com precisão.
Doenças como a mancha-alvo(Corynespora cassiicola) encontram condições ideais de infecção a partir do fechamento do dossel, quando a umidade permanece elevada no interior da lavoura e favorece a germinação dos conídios.
A antracnose (Colletotrichum truncatum), por sua vez, causa maiores danos entre a floração e o enchimento de grãos, fase em que o patógeno pode colonizar flores e vagens e comprometer diretamente a formação dos grãos.
As doenças de final de ciclo, como a mancha-parda (Septoria glycines) e o crestamento foliar por Cercospora, permanecem de forma latente desde os estádios vegetativos e se manifestam com mais intensidade na maturação fisiológica, provocando desfolha precoce e perda de área fotossintética.
Já a podridão de grãos, associada a espécies de Diaporthe e Fusarium, ocorre principalmente do enchimento à maturação dos grãos, reduzindo germinação e qualidade das sementes.
Reconhecer essas fases críticas permite ajustar o monitoramento e adotar estratégias preventivas no momento certo, quando o impacto do manejo é mais eficiente.
Principais doenças da soja e seus impactos no campo
Cada doença que afeta a soja tem sua própria biologia, momento crítico de ocorrência e estratégias específicas de infecção. Conhecer essas particularidades é o que permite tomar decisões mais assertivas e evitar perdas expressivas de produtividade e qualidade.
Mancha-alvo (Corynespora cassiicola)
A mancha-alvo tem ganhado destaque entre as doenças foliares da soja por sua alta adaptabilidade e pela capacidade de persistir no ambiente por meio de restos culturais e sementes infectadas.

Disseminação: O fungo (Corynespora cassicola) se espalha principalmente por conídios levados pelo vento ou respingos de chuva, exigindo molhamento foliar prolongado e temperaturas entre 25 °C e 30 °C para infectar a planta.
Sintomas:
- Iniciais: manchas circulares com centro claro e bordas escuras. Elas surgem primeiro nas folhas inferiores, onde a umidade é maior;
- Com o avanço da doença: as lesões se unem e causam necrose e desfolha precoce, reduzindo a área foliar ativa e o enchimento dos grãos.
- Em situações severas: hastes e vagens também são afetadas, comprometendo diretamente a produtividade.
Condições favoráveis que intensificam a pressão de inóculo e explicam o aumento da severidade em diversas regiões:
- alta umidade e pouca circulação de ar (ambiente formado após o fechamento do dossel).
- Altas densidades de plantas,
- semeadura fora da época ideal e
- sucessão contínua de soja.
Controle: O controle é desafiador devido à variabilidade do patógeno e à redução da sensibilidade a fungicidas já observada em alguns casos. Por isso, o manejo mais eficaz é integrado, para ajudar a conter o avanço da doença e preservar a eficácia dos produtos disponíveis, combinando:
- rotação de culturas,
- destruição de resíduos,
- ajuste de densidade de semeadura,
- uso criterioso de fungicidas com diferentes modos de ação,
- além da escolha de cultivares menos suscetíveis.
Ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi)
A ferrugem-asiática é a doença mais destrutiva da soja, capaz de causar perdas superiores a 70 % quando não é controlada.

Disseminação: O fungo (Phakospsora pachyhizi) se dissemina rapidamente pelo vento.
Condições favoráveis:
- ambientes úmidos com temperaturas entre 18°C e 26 °C;
- pelo menos seis horas de molhamento foliar, tempo necessário para que os esporos germinem e infectem o tecido vegetal.
Nessas condições, o ciclo do patógeno se completa em 7 a 10 dias, o que explica a velocidade com que epidemias se instalam na lavoura.
Sintomas:
- pequenas manchas escuras que evoluem para urédias, estruturas semelhantes a pústulas que liberam continuamente novos esporos e aceleram a disseminação da doença são os primeiros sintomas que aparecem nas folhas inferiores.
- O resultado é desfolha precoce, redução da área foliar ativa e queda na fotossíntese, comprometendo o enchimento das vagens e o peso dos grãos.
Controle: O controle químico vem enfrentando desafios devido à redução da sensibilidade do patógeno a triazóis, estrobilurinas e carboxamidas, o que torna indispensável o uso de um manejo integrado.
São medidas fundamentais para conter a doença e preservar a produtividade ações como:
- Eliminar plantas voluntárias,
- respeitar o vazio sanitário,
- optar por cultivares com resistência parcial ou ciclo precoce e
- posicionar fungicidas preventivamente e com diferentes modos de ação.
Antracnose (Colletotrichum truncatum)
A antracnose uma das doenças mais comuns da soja e muitas vezes passa despercebida até causar danos severos às estruturas reprodutivas.

Disseminação: O fungo sobrevive em restos culturais e sementes infectadas, o que facilita sua presença contínua na área. A infecção ocorre quando os conídios germinam sob alta umidade e temperaturas entre 25 °C e 30 °C, condições típicas do período reprodutivo.
Sintomas:
- Iniciais: surgem em hastes, pecíolos e vagens como lesões escuras e deprimidas.
- Quando atinge flores e vagens jovens, pode provocar abortamento e reduzir o número de grãos formados, comprometendo o rendimento.
- Em casos severos: também afeta a germinação e a qualidade das sementes, prejudicando a safra seguinte.
Condições favoráveis: O risco aumenta em lavouras com alta densidade de plantas e fechamento precoce do dossel, que mantêm a umidade elevada e favorecem a infecção.
Controle: O manejo deve ser preventivo e integrado, com:
- uso de sementes tratadas,
- rotação de culturas e
- cultivares menos suscetíveis.
- A aplicação correta de fungicidas no período reprodutivo é de suma importância para proteger flores e vagens, as estruturas mais vulneráveis ao patógeno.
Mofo-branco (Sclerotinia sclerotiorum)
O mofo-branco está entre as doenças mais difíceis de controlar na soja e pode causar perdas superiores a 50 % em áreas severamente afetadas.

Disseminação: O fungo (Sclerotinia sclerotiorum)sobrevive no solo por muitos anos por meio de escleródios, estruturas de resistência que permanecem viáveis mesmo após várias safras.
- Em condições de alta umidade e temperaturas entre 15 °C e 21 °C, esses escleródios germinam e formam apotécios, que liberam esporos responsáveis pela infecção.
- A doença se instala principalmente na floração, quando as pétalas funcionam como porta de entrada do patógeno.
- A partir daí, o fungo coloniza hastes, pecíolos e ramos, causando murcha e morte de tecidos.
Sintomas do mofo-branco:
- A presença de micélio branco e denso na superfície das plantas é um sintoma característico, muitas vezes acompanhado por novos escleródios pretos, que garantem a sobrevivência do patógeno no solo.
Condições favoráveis ao avanço da doença:
- Alta densidade de plantas,
- fechamento do dossel
- umidade persistente.
Controle: O manejo deve ser integrado e preventivo, com:
- rotação de culturas,
- redução da densidade de semeadura e
- eliminação de restos infectados para diminuir a população de escleródios.
- Fungicidas aplicados na floração auxiliam no controle, mas dificilmente são suficientes isoladamente; por isso, o uso de agentes biológicos que atuam sobre os escleródios surge como ferramenta promissora dentro do manejo integrado.
Oídio (Erysiphe diffusa)
O oídio está entre as doenças mais frequentes da soja e, embora raramente cause perdas tão expressivas quanto ferrugem ou mofo-branco, pode reduzir a produtividade em até 30% em infestações severas.

Disseminação: O fungo (Erysiphe diffusa) sobrevive em restos culturais e se dissemina pelo vento.
Condições favoráveis: o fungo encontra condições ideais de desenvolvimento em climas secos e temperaturas entre 20 °C e 25 °C, características comuns no início do ciclo da soja, quando o dossel ainda não está totalmente fechado e a incidência de luz é maior.
Sintomas do oídio:
- Iniciais: manchas esbranquiçadas e pulverulentas na superfície das folhas, semelhantes a um pó fino.
- À medida que a infecção avança: esse micélio se espalha por toda a lâmina foliar, isso a eficiência fotossintética e acelera a senescência das folhas.
- Em casos severos: a doença também pode afetar hastes e vagens, resultando em menor enchimento dos grãos e queda no peso final da colheita.
Por ser uma doença policíclica, ou seja, com múltiplos ciclos de infecção ao longo da safra, o oídio pode se espalhar rapidamente se não houver monitoramento frequente.
Controle: O controle integrado envolve:
- escolha de cultivares com níveis de resistência,
- eliminação de restos culturais infectados e
- posicionamento criterioso de fungicidas quando as condições ambientais favorecem a doença.
- Em muitas situações, o controle químico nem sempre é necessário, mas quando aplicado no momento correto evita que a doença alcance níveis que causem prejuízos significativos.
Crestamento bacteriano (Pseudomonas savastanoi pv. glycinea)
O crestamento bacteriano é uma das principais doenças bacterianas da soja e pode comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade das sementes.

Disseminação: A bactéria(Pseudomonas savastanoi pv. glycinea) sobrevive em restos culturais e sementes infectadas, funcionando como importante fonte de inóculo entre safras.
- A bactéria se espalha principalmente pela chuva, respingos de água e sementes contaminadas, e sua incidência aumenta com soja cultivada repetidamente e resíduos infectados no solo.
Condições favoráveis: A infecção ocorre principalmente por meio de aberturas naturais e ferimentos nos tecidos, sendo favorecida por alta umidade e temperaturas entre 20 °C e 28 °C.
Sintomas:
- Iniciais: aparecem primeiro nas folhas inferiores, com pequenas manchas angulares e encharcadas
- À medida que a doença avança: as lesões iniciaisevoluem para lesões necróticas delimitadas pelas nervuras. Essas áreas podem apresentar um halo amarelado ao redor.
- Em condições severas: leva à desfolha precoce e à redução da fotossíntese.
- Em estádios avançados, a doença também pode afetar vagens e sementes, reduzindo a qualidade fisiológica e dificultando o estabelecimento da lavoura seguinte.
Controle: Como não há controle químico curativo, o manejo deve ser preventivo, com:
- uso de sementes tratadas,
- rotação de culturas,
- eliminação de restos culturais,
- prevenção de ferimentos e
- escolha de cultivares menos suscetíveis, além do
- monitoramento constante da lavoura.
Fusarium spp. – Podridão vermelha e síndrome da morte súbita
Fungos do gênero Fusarium estão amplamente presentes nas lavouras de soja e afetam diferentes estádios do ciclo da cultura.
Disseminação: Eles sobrevivem por longos períodos no solo e em restos culturais por meio de clamidósporos, estruturas resistentes a condições adversas.
Condições favoráveis: A infecção por Fusarium spp. é favorecida por:
- alta umidade e
- temperaturas entre 22 °C e 24 °C, e
- pode se intensificar quando há ferimentos nas raízes causados por insetos ou práticas inadequadas de manejo.

Sintomas: Entre as doenças associadas ao gênero estão a podridão vermelha da raiz (PVR) e a síndrome da morte súbita (SMS).
- A PVR causa descoloração castanho-avermelhada na raiz pivotante e necrose que reduz a absorção de água e nutrientes, mantendo a medula branca, um sinal característico.
- A SMS aparece nas folhas com manchas cloróticas entre as nervuras, que evoluem para necroses conhecidas como folha carijó, além de provocar abortamento de flores, desfolha precoce e redução no número e peso dos grãos.
- Fusarium também causa tombamento de plântulas e produz grãos chochos e descoloridos, reduzindo vigor e germinação.
As perdas variam de 5 % a 40 %, podendo ultrapassar 90 % em casos severos.
Controle: Como não há controle químico curativo eficaz, o manejo deve ser preventivo, com:
- uso de sementes tratadas e certificadas,
- rotação de culturas com gramíneas,
- eliminação de resíduos e
- manejo adequado da fertilidade e da umidade do solo.
A escolha de cultivares com resistência parcial e práticas que reduzam o estresse radicular, como o controle de pragas e a redução da compactação, são formas de evitar o avanço da doença e preservar a produtividade.
Mosaico comum da soja (Soybean mosaic virus – SMV)
O mosaico comum é uma virose amplamente distribuída nas regiões produtoras de soja e pode causar perdas expressivas de produtividade e qualidade de sementes.

Disseminação: O vírus sobrevive em sementes infectadas, sua principal fonte de inóculo, e se dissemina com facilidade por meio da atividade de pulgões (Aphis spp.), que atuam como vetores durante a alimentação.
Sintomas:
- Aparecem geralmente nas folhas jovens, que exibem manchas verde-claras e verde-escuras em mosaico, além de deformações e enrugamentos.
- Em infecções severas: o crescimento das plantas é reduzido, ocorre abortamento de flores e vagens, e os grãos podem apresentar manchas e tamanho reduzido, afetando diretamente o rendimento e a qualidade fisiológica.
Condições favoráveis: O vírus do mosaico comum da soja encontra condições favoráveis em:
- ambientes quentes e úmidos,
- uso de sementes contaminadas
- presença de plantas voluntárias infectadas, que servem como reservatório entre safras.
Controle: Como não há controle químico para viroses, o manejo deve ser preventivo, com:
- uso de sementes livres do vírus,
- eliminação de plantas voluntárias,
- rotação de culturas com espécies não hospedeiras e
- controle de pulgões vetores.
Mancha-parda (Septoria glycines)
A mancha-parda está entre as principais doenças foliares da soja e tem potencial para comprometer seriamente a produtividade quando não manejada adequadamente.

Disseminação: Seu agente causal, o fungo Septoria glycinespersiste no ambiente por meio de restos culturais e sementes contaminadas, funcionando como importante reservatório de inóculo para novas infecções em safras subsequentes.
A infecção ocorre ainda nas fases vegetativas, mas permanece latente até o período reprodutivo, quando a planta se torna mais suscetível.
Sintomas:
- Iniciais: aparecem nas folhas inferiores, em forma de manchas pequenas e castanho-avermelhadas que crescem e se unem com o avanço da doença.
- Em infecções severas: ocorre desfolha precoce, o que reduz a fotossíntese e compromete diretamente o enchimento dos grãos e o rendimento final.
Condições favoráveis à multiplicação do patógeno:
- Temperaturas entre 25 °C e 30 °C e
- molhamento foliar prolongado
- A presença de restos culturais não manejados aumentam a pressão de inóculo.
Controle: O controle depende de estratégias preventivas e integradas que reduzem a presença do fungo:
- rotação de culturas,
- destruição de resíduos infectados
- uso de sementes tratadas.
- A aplicação preventiva de fungicidas no período reprodutivo, associada ao monitoramento constante da lavoura, é fundamental para manter a doença sob controle e preservar a produtividade.
Crestamento foliar e mancha-púrpura da semente (Cercospora kikuchii)
O crestamento foliar e a mancha-púrpura da semente estão entre as doenças mais recorrentes da soja, afetando diretamente a produtividade e a qualidade das sementes.

Disseminação: O fungo Cercospora kikuchii sobrevive em restos culturais e sementes contaminadas, o que facilita sua presença em sucessivas safras.
Sintomas:
- A infecção ocorre cedo no ciclo, mas os sintomas tornam-se visíveis principalmente durante o enchimento de grãos.
- Nas folhas: surgem manchas castanhas a arroxeadas que evoluem para áreas necrosadas, acelerando a senescência e a desfolha precoce.
- Nas sementes: a coloração púrpura do tegumento indica infecção e está associada à redução do vigor e da germinação, comprometendo a lavoura seguinte.
Condições favoráveis: A doença é favorecida por:
- temperaturas entre 25 °C e 30 °C e
- alta umidade prolongada, especialmente no fim do ciclo.
- A semeadura contínua de soja e a presença de resíduos infectados aumentam a severidade dos surtos.
Controle: O controle exige uma abordagem preventiva com:
- sementes tratadas,
- rotação de culturas,
- incorporação de resíduos e
- monitoramento constante.
- A aplicação de fungicidas nos estádios reprodutivos complementa o manejo e preserva a sanidade foliar e a qualidade fisiológica das sementes.
Como realizar o monitoramento e controle de doenças da soja?
Monitoramento precoce: o primeiro passo para reduzir perdas
O monitoramento contínuo da lavoura é a base de um manejo eficiente porque permite detectar a presença de patógenos antes que as doenças avancem e causem perdas expressivas.
A infecção por fungos muitas vezes ocorre sem sinais visíveis nas fases iniciais, instalando-se nos tecidos foliares ou radiculares ainda no crescimento vegetativo.
Por isso, a inspeção deve começar logo após a emergência e seguir durante todo o ciclo da cultura, com atenção especial ao dossel inferior, onde a umidade tende a se manter elevada e as primeiras infecções costumam se manifestar.
Alterações discretas na coloração das folhas, pequenas manchas ou lesões iniciais em hastes e vagens são indícios importantes de que a doença pode estar em desenvolvimento.
O histórico da área e as condições ambientais também funcionam como indicadores decisivos para antecipar medidas de controle.
Altos níveis de umidade, períodos prolongados de molhamento foliar e temperaturas entre 20 °C e 30 °C criam um ambiente favorável para a maioria dos patógenos da soja.
O uso de sistemas de alerta fitossanitário, ferramentas digitais de previsão e armadilhas de esporos complementa a observação de campo e aumenta a precisão do diagnóstico.
Quando feito de forma sistemática e criteriosa, o monitoramento deixa de ser uma ação reativa e se torna uma ferramenta de antecipação, garantindo que as estratégias de controle sejam aplicadas no momento mais eficiente do ciclo da doença.
Manejo cultural: criando um ambiente menos favorável às doenças
As práticas culturais são a base de qualquer programa de manejo integrado e têm papel decisivo na redução da pressão de inóculo na lavoura.
A execução correta do vazio sanitário, por exemplo, interrompe o ciclo de patógenos como a ferrugem-asiática ao eliminar plantas voluntárias que servem de ponte verde entre safras.
A rotação de culturas com espécies não hospedeiras reduz a sobrevivência de fungos no solo, limita a formação de estruturas de resistência e diminui a reincidência de doenças radiculares e foliares.
Já a incorporação ou destruição de restos culturais remove importantes fontes de inóculo e contribui para quebrar o ciclo de patógenos que persistem entre safras.
O arranjo espacial da lavoura também influencia diretamente a epidemiologia das doenças. Densidades altas de plantas e fechamento precoce do dossel criam um microclima ideal para a germinação de esporos e avanço de epidemias.
Ajustar o espaçamento e a população de plantas ajuda a manter melhor circulação de ar e a reduzir o tempo de molhamento foliar.
A época de semeadura é outro fator estratégico: semear fora do período recomendado aumenta o risco de coincidir as fases mais suscetíveis da planta com as condições ideais de desenvolvimento dos patógenos.
Essas práticas, quando adotadas em conjunto, constroem um ambiente menos favorável às doenças e reduzem a dependência de medidas químicas.
O manejo cultural atua como a primeira linha de defesa da lavoura, retardando o início das infecções e ampliando a eficiência de todas as demais estratégias de controle.
Conclusão
O controle eficaz das doenças da soja depende de um conjunto de estratégias preventivas e complementares ao longo de todo o ciclo. O monitoramento contínuo permite detectar infecções no início e orientar decisões mais precisas.
Práticas culturais como vazio sanitário, rotação de culturas e ajuste do arranjo espacial reduzem a pressão de inóculo e dificultam o avanço dos patógenos.
O uso de cultivares com resistência parcial e de sementes certificadas e tratadas reforça a proteção desde a semeadura, enquanto a aplicação racional de fungicidas, aliada à rotação de mecanismos de ação, aumenta a eficiência do controle e previne resistência.
A incorporação de biológicos e ferramentas digitais amplia as opções de manejo e torna o sistema mais sustentável.
A soma dessas ações, aplicadas de forma integrada, preserva o potencial produtivo da lavoura e garante colheitas mais estáveis, mesmo sob forte pressão de doenças.
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Sobre a autora:

Laís Viana Bruneli
Mestranda em produção vegetal (esalq/usp)
- Engenheira Agrônoma (UFES)
Como citar este artigo:
BRUNELI, L.V. 10 principais doenças da soja: identificação e manejo em cada fase do ciclo da cultura. Blog Agroadvance. Publicado: 24 Out. 2025. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-doencas-da-soja-10-principais/. Acesso: 10 jun. 2026.



