A adubação foliar é um dos temas mais polêmicos do manejo nutricional: a avaliação de sua eficácia varia amplamente entre agrônomos, e a própria pesquisa reflete parte dessa divergência, com resultados frequentemente inconsistentes entre ensaios.
Essa divergência raramente está relacionada apenas ao produto utilizado. Na maioria das situações, ela é consequência da interação entre a fisiologia da folha, as características físico-químicas da fonte nutricional e a qualidade operacional da aplicação. Uma gota que evapora antes de penetrar na folha, uma fonte incompatível para as condições do dia, um horário de aplicação inadequado e uma mistura malfeita no tanque podem limitar drasticamente a absorção dos nutrientes.
Quando esses fatores não são respeitados, até mesmo o melhor fertilizante do mercado pode apresentar baixa eficiência, levando o produtor a concluir, equivocadamente, que “adubação foliar não funciona”.
Na realidade, a eficiência da adubação foliar depende de princípios fisiológicos bem estabelecidos. Compreender como ocorre a absorção pelas folhas, quais fatores limitam esse processo e em quais situações essa tecnologia realmente agrega valor permite transformar uma prática frequentemente baseada em tentativa e erro em uma ferramenta de manejo nutricional fundamentada em evidências.
Este artigo sintetiza os principais conceitos apresentados pelo Dr. Eduardo Zavaschi na aula “Nutrição Foliar: bases, absorção e estratégias de manejo”, reunindo informações científicas e aplicações práticas para soja, milho segunda safra e cana-de-açúcar.
A aula completa está disponível no canal da Agroadvance no YouTube:
O que é adubação foliar?
A adubação foliar consiste na aplicação de nutrientes diretamente sobre a superfície das folhas com o objetivo de complementar o suprimento nutricional fornecido pelo sistema radicular. Diferentemente da adubação via solo, em que os nutrientes precisam ser absorvidos pelas raízes antes de serem transportados para a parte aérea, a aplicação foliar busca disponibilizar determinados elementos diretamente aos tecidos vegetais.
Isso não significa, entretanto, que a folha substitua a raiz como principal órgão de absorção da planta. O sistema radicular continua sendo responsável pela maior parte da absorção de água e nutrientes ao longo do ciclo da cultura, graças à sua elevada capacidade de exploração do solo e aos mecanismos ativos de transporte presentes nas células radiculares.
Por esse motivo, a adubação foliar deve ser entendida como uma estratégia complementar de manejo nutricional, indicada principalmente quando há necessidade de rápida correção de deficiências, suplementação em períodos de elevada demanda fisiológica ou fornecimento de micronutrientes cuja aplicação via solo apresenta menor eficiência operacional.
Quando utilizada dentro dessas situações, a técnica pode aumentar a eficiência nutricional da lavoura. Quando empregada como substituta da adubação de solo, entretanto, tende a apresentar retorno limitado.
Foliar como complemento, não substituto da adubação de solo
A expectativa de que a adubação foliar substitua a adubação de solo não se sustenta: a raiz constitui o principal órgão de absorção da planta, com absorção ativa, enquanto a folha absorve de forma bem mais limitada.
A adubação foliar se justifica em quatro situações específicas:
- Suprir picos de alto consumo, como o enchimento de grãos e momentos reprodutivos de alta demanda.
- Corrigir deficiências momentâneas causadas por estresse — principalmente falta de água, que trava a absorção pela raiz e limitam o transporte de nutrientes pelo xilema.
- Fornecimento de micronutrientes exigidos em pequenas quantidades, como Molibdênio (Mo) e Cobalto (Co), cuja aplicação via folha normalmente apresenta melhor relação custo-benefício do que aplicações via solo.
- Indução de respostas fisiológicas rápida: incluindo ativação enzimática, maior eficiência fotossintética, e redução dos efeitos causados por estresses abióticos, desde que existam evidências consistentes para o nutriente e a cultura em questão.
Fora dessas situações, a adubação foliar atua apenas como complemento e não substitui as demais práticas de manejo nutricional. Discursos comerciais que apresentam a adubação foliar como solução milagrosa devem ser avaliados com cautela, considerando que seu uso eficaz depende das condições específicas descritas anteriormente.
Como a folha realmente absorve os nutrientes
Diferente da raiz, que realiza absorção ativa, a folha absorve por difusão passiva — mecanismo pouco considerado no manejo de campo. Para que isso aconteça, o nutriente precisa permanecer dissolvido na película de água formada sobre a folha durante tempo suficiente para atravessar as barreiras naturais da epiderme vegetal.
Em outras palavras, enquanto a gota permanece líquida existe oportunidade para difusão. Quando ela seca e os sais cristalizam sobre a superfície, a absorção praticamente cessa.
Se a gota seca, a absorção é interrompida. Compreender os mecanismos pelos quais o nutriente entra na folha é, portanto, essencial.
Outro aspecto importante é que atravessar a superfície foliar representa apenas a primeira etapa do processo. Após penetrar na folha, o nutriente ainda precisa ser redistribuído pelos tecidos da planta, processo que depende da mobilidade do elemento no floema, do estado nutricional da cultura e da demanda fisiológica existente naquele momento.
A absorção ocorre principalmente pela cutícula
Existe um equívoco bastante difundido de que os nutrientes entram predominantemente pelos estômatos. Embora essas estruturas possam participar da absorção em determinadas condições, a principal via de entrada dos nutrientes é a cutícula, camada que recobre a superfície da folha.
A cutícula não é completamente impermeável. Ela apresenta regiões hidrofílicas e lipofílicas que permitem a difusão de determinadas moléculas, desde que estejam dissolvidas e possuam características físico-químicas compatíveis com essa barreira.
Diversos fatores influenciam essa permeabilidade, incluindo o grau de hidratação da cutícula, a temperatura, a umidade relativa do ar, a carga elétrica do nutriente, sua polaridade, o tamanho molecular e a composição química da formulação utilizada.
Por isso, a eficiência da adubação foliar depende muito menos da quantidade aplicada e muito mais da capacidade da gota permanecer hidratada sobre a superfície da folha durante tempo suficiente para que ocorra a difusão.
Quais são as vias de entrada dos nutrientes via foliar?
O nutriente entra na folha por três vias principais, cada uma com uma escala própria:
- Cutícula (poros e rachaduras): de 2 a 5 nanômetros. Qualquer coisa maior que isso não passa. É por isso que pó de rocha e “nano”-produtos mal formulados – falham.
- Estômatos: de 1 a 50 micrômetros. Bem maiores, mas abrem e fecham conforme clima e horário.
- Tricomas (pelos): têm cutícula mais fina. Quanto mais tricomas, maior a absorção.
Um ponto de atenção prático: produtos anunciados como “nano” devem ter a dimensão de partícula verificada, já que o poro cuticular mede de 2 a 5 nm e partículas maiores que isso não penetram.
Ponto de deliquescência: por que algumas fontes absorvem muito mais do que outras
Esse é um dos fatores que mais diferencia resultados eficazes de aplicações desperdiçadas. O Ponto de Deliquescência (P.D.) corresponde à umidade relativa (UR) mínima do ar necessária para que um sal permaneça dissolvido em água. Abaixo desse valor, a gota seca, forma-se um cristal sobre a folha e a absorção é interrompida imediatamente.
Como a absorção foliar depende da permanência do nutriente em solução, fontes com menor ponto de deliquescência permanecem hidratadas por mais tempo e, consequentemente, apresentam maior potencial de absorção em condições de baixa umidade relativa.

Na prática, cada fonte apresenta um P.D. diferente, e quanto menor o P.D., melhor o desempenho da fonte em condições de baixa umidade.
Um experimento ilustra bem esse efeito: com o ar a 45% de umidade relativa, a aplicação de Magnésio por três fontes diferentes resultou em:
- Sulfato de Mg (P.D. 90%) → absorveu apenas 17,8% (secou rapidamente).
- Nitrato de Mg (P.D. 56%) → 55,0%.
- Cloreto de Mg (P.D. 33%) → 76,8% (a gota fica molhada, porque o P.D. é menor que a UR do dia).
Mesmo nutriente, mesma dose: a diferença de absorção foi superior a 4 vezes apenas pela escolha da fonte. O ponto de deliquescência tem, portanto, influência maior sobre a absorção do que a dose aplicada.

Além da escolha da fonte, práticas como o uso de adjuvantes umectantes e a realização da aplicação em horários de maior umidade relativa contribuem para prolongar o tempo de permanência da gota sobre a folha, aumentando a oportunidade para absorção.
Horário certo de aplicação: a gota precisa permanecer líquida
Se a fonte importa, o horário exerce efeito semelhante, pela mesma razão física: a gota precisa permanecer molhada por mais tempo.
Durante as horas mais quentes do dia ocorre a combinação menos favorável para a adubação foliar: temperaturas elevadas, baixa umidade relativa e maior movimentação do ar aceleram a evaporação da água, reduzindo drasticamente o tempo disponível para difusão dos nutrientes através da cutícula.
Um experimento clássico de Rosolem (1986) em soja ilustra bem esse comportamento. O índice produtivo variou conforme o horário de aplicação:
- 08h → índice produtivo 114
- 18h → índice produtivo 124 (melhor desempenho)
- 11h às 14h → índice produtivo 100 (pior desempenho)
Os resultados mostram que a aplicação realizada no início da manhã ou no final da tarde proporcionou maior eficiência em comparação às pulverizações realizadas no período de maior temperatura.
Recomendação operacional: aplicação nas primeiras horas da manhã (até 9h) ou no fim da tarde (após 17h). O horário próximo ao meio-dia é o menos indicado.
Como referência operacional, recomenda-se realizar aplicações quando as condições estiverem próximas dos seguintes parâmetros:
- temperatura inferior a 28 °C;
- umidade relativa superior a 60%;
- velocidade do vento inferior a 10 km h⁻¹.
Mais do que seguir um horário fixo, o objetivo é garantir que a gota permaneça hidratada durante tempo suficiente para favorecer a absorção.

Sal, complexo ou quelato: qual fonte escolher?
A escolha da fonte nutricional vai além da concentração do nutriente presente na formulação. A forma química em que esse nutriente se encontra influencia sua solubilidade, estabilidade na calda, compatibilidade com outros produtos e velocidade de disponibilização para a planta.
Plantas anuais como soja e milho precisam de resposta rápida, e por isso exigem fontes altamente solúveis.
O caso do Manganês em soja deficiente ilustra esse ponto: o sulfato de Mn (alta solubilidade) recuperou a planta, enquanto o carbonato de Mn (baixa solubilidade) manteve desempenho praticamente igual ao da testemunha doente. Em cultura anual, óxidos e carbonatos não respondem a tempo, não sendo recomendados nesse contexto.
Entretanto, alta solubilidade não significa, necessariamente, maior estabilidade durante a aplicação.
Dependendo da composição da calda, sais inorgânicos podem reagir com outros produtos, reduzindo sua disponibilidade e aumentando o risco de precipitação.
Por isso, conhecer as diferenças entre sais, complexos e quelatos é fundamental para definir a estratégia mais eficiente.
Tabela 1. Comparação entre sais inorgânicos, complexos e quelatos quanto às ligações com o metal, velocidade de absorção, estabilidade na calda, compatibilidade em misturas, custo e principais recomendações de uso.
| Característica | Sal inorgânico (sulfato, cloreto) | Complexo (aminoácido) | Quelato (EDTA, lignossulfonato) |
| Ligações com o metal | Nenhuma protetora | 1 (fraca) | 2 ou mais |
| Velocidade de absorção | Mais rápida | Média | Média-lenta |
| Estabilidade na calda | Baixa | Média | Alta |
| Reage com outros produtos? | Sim, muito | Risco moderado | Raramente |
| Custo | Menor | Médio | Maior |
| Uso ideal | Aplicação isolada | Cautela em misturas | Misturas com defensivos |
De maneira geral, aplicações exclusivamente nutricionais costumam apresentar excelente relação custo-benefício com sais inorgânicos de alta solubilidade. Já em pulverizações que envolvem fungicidas, inseticidas ou outros componentes da calda, fontes quelatizadas normalmente apresentam maior estabilidade e menor risco de perdas por incompatibilidade.
Compatibilidade de calda no tanque e efeito sobre a absorção
Mesmo utilizando uma fonte nutricional adequada, a eficiência da aplicação pode ser comprometida quando ocorre incompatibilidade entre os componentes da calda. Sais inorgânicos podem reagir com ingredientes presentes em formulações de defensivos agrícolas, formando precipitados ou cristais que reduzem tanto a disponibilidade do nutriente quanto a qualidade da pulverização.
Esse efeito pode diminuir significativamente a absorção foliar. Os resultados obtidos com manganês e zinco ilustram essa situação.
Tabela 2. Comparação da absorção relativa de micronutrientes aplicados isoladamente e em mistura com fungicidas, evidenciando o efeito da compatibilidade da fonte na eficiência da aplicação.
| Fonte | Sozinho | Misturado com fungicida |
| Sulfato de Manganês | ~60% | despenca para ~20% |
| Sulfato de Zinco | ~40% | ~20% |
| Quelato EDTA de Mn | média | mantém e às vezes aumenta |
| Quelato EDTA de Zn | ~60% | pode até aumentar |
Sob o ponto de vista econômico, isso significa que o menor custo inicial de um sal pode não representar economia quando sua absorção é reduzida pela incompatibilidade da mistura.
Recomendação prática: em aplicações isoladas, o sulfato é indicado por seu custo-benefício; em misturas com fungicida ou inseticida, recomenda-se quelato forte, já que a perda de absorção não compensa a economia obtida com o sulfato.
Sempre que houver necessidade de associar fertilizantes foliares a defensivos, a utilização de fontes quelatizadas tende a apresentar maior segurança operacional.
Além disso, deve-se respeitar a sequência correta de preparo da calda:
- água com pH ajustado;
- fertilizantes altamente solúveis;
- produtos WP ou WG;
- formulações SC;
- formulações EC;
- quelatos e complexos;
- óleos e adjuvantes por último.
Antes de realizar aplicações em larga escala, recomenda-se executar o tradicional teste de compatibilidade em balde, prática simples que reduz significativamente o risco de precipitações e problemas operacionais no campo.
Parcelamento da aplicação: ganho de +5,7 sc/ha sem custo adicional de produto
Entre as estratégias capazes de aumentar a eficiência da adubação foliar, o parcelamento das aplicações merece destaque por estar diretamente relacionado à fisiologia de transporte dos nutrientes dentro da planta.
Depois que um nutriente atravessa a superfície da folha, seu comportamento passa a depender da capacidade de redistribuição pelos tecidos vegetais. Essa redistribuição ocorre principalmente pelo floema e varia conforme as características de cada elemento.
Nutrientes com elevada mobilidade no floema, como nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K) e magnésio (Mg), conseguem ser transportados das folhas mais velhas para órgãos em crescimento, acompanhando a demanda fisiológica da cultura.
Já nutrientes com baixa mobilidade, como manganês (Mn), zinco (Zn), cobre (Cu) e, na maioria das espécies, boro (B), permanecem concentrados principalmente no tecido que recebeu a pulverização. Isso significa que folhas emitidas após a aplicação praticamente não recebem esses nutrientes, tornando necessário o fornecimento em novos momentos do ciclo.
Esse comportamento explica por que o parcelamento costuma apresentar melhor desempenho do que aplicações únicas para nutrientes pouco móveis.
Em experimentos conduzidos com manganês na cultura da soja (Mann et al 2002), a aplicação única de 300 a 600 g ha⁻¹ de Mn no estádio V4 resultou em produtividade média de 54,6 sacas por hectare.
Quando a mesma quantidade total foi dividida entre os estádios V4 e V8, a produtividade passou para 60,3 sacas por hectare, representando ganho de 5,7 sacas por hectare, sem aumento na dose aplicada.
Ou seja, o incremento ocorreu exclusivamente em função da estratégia de posicionamento do nutriente ao longo do ciclo.

O caso do boro merece atenção
O boro apresenta comportamento particular na maioria das culturas anuais.
Na soja, por exemplo, esse nutriente possui baixa mobilidade no floema porque a espécie praticamente não produz polióis, compostos capazes de formar complexos que facilitam sua redistribuição entre os tecidos.
Estudos utilizando o isótopo 10B demonstram que apenas cerca de 2% do boro aplicado via folha é redistribuído para outras folhas, permanecendo concentrado principalmente na região onde foi absorvido.
Por esse motivo, recomenda-se que o fornecimento foliar de boro seja parcelado ao longo do ciclo da cultura, por exemplo nos estádios V4, R1 e R3, aumentando a probabilidade de que folhas emitidas posteriormente também recebam o nutriente.
Mais do que aumentar a dose aplicada, o parcelamento melhora a distribuição temporal do nutriente e aumenta a eficiência fisiológica da adubação foliar.
Particularidades da adubação foliar em diferentes culturas
A lógica fisiológica é a mesma entre as culturas, mas o posicionamento das aplicações muda conforme a janela de maior demanda, o ritmo de crescimento e as limitações ambientais de cada sistema.
Na soja, o manejo foliar deve priorizar nutrientes associados à fixação biológica de nitrogênio, especialmente Mo, Co e Ni. O molibdênio e o níquel participam diretamente de enzimas ligadas à FBN, o que justifica aplicações foliares de Mo em V4 e R1, com doses próximas de 60 g/ha. Em estudos comparativos, a associação com níquel elevou a produtividade de aproximadamente 3.800 para 4.441 kg/ha. Além disso, o boro deve ser preferencialmente parcelado em três aplicações, enquanto o zinco apresenta melhor posicionamento via quelato. Já o magnésio, em torno de 500 g/ha, pode ser associado ao potássio durante o enchimento de grãos, especialmente em R5.
No milho de segunda safra, a estratégia precisa considerar uma janela hídrica e luminosa mais curta. Por isso, as aplicações tendem a ser concentradas em V4 e V8, evitando intervenções na pré-florada, quando o risco de perda produtiva por estresse é maior. Nesse contexto, o uso foliar de Azospirillum em V4, na faixa de 300 a 400 mL/ha, elevou a produtividade de cerca de 5.445 para 6.260 kg/ha. Para manganês, a dose total próxima de 200 g/ha tende a ser suficiente, já que uma terceira aplicação geralmente não compensa. O magnésio, por sua vez, pode ser trabalhado na faixa de 700 a 900 g/ha, de acordo com a necessidade da lavoura.
Na cana-de-açúcar, o manejo foliar deve ser organizado por janelas fisiológicas bem definidas. Na pré-seca, o foco recai sobre bioestimulantes e osmorreguladores, buscando maior tolerância ao estresse. Na retomada vegetativa, ganham importância o nitrogênio e os micronutrientes, que sustentam a reativação do crescimento. Já na fase de pré-maturação, a combinação de Mg, B, K e P pode contribuir para o equilíbrio nutricional e para o direcionamento fisiológico da cultura.
Erros comuns que reduzem o retorno da adubação foliar
Grande parte das falhas observadas na adubação foliar não está relacionada à qualidade do fertilizante, mas sim ao manejo da aplicação. Em muitos casos, pequenos equívocos operacionais comprometem a absorção dos nutrientes e limitam a resposta da cultura.
Os erros mais frequentes incluem:
- Aplicar entre 11h e 14h → gota seca em minutos, perde-se eficiência.
- Misturar sulfato com fungicida → absorção reduzida de ~60% para ~20%; uso de quelato evita essa perda.
- Dose única em V4 (soja) para nutriente imóvel → perde-se ~8 sc/ha frente ao parcelamento.
- Usar óxido ou carbonato em cultura anual → a deficiência não se recupera a tempo.
- Esperar que foliar substitua a adubação de solo → a substituição não ocorre na prática.
- Realizar apenas uma aplicação de nutrientes pouco móveis, como manganês, zinco e boro, durante todo o ciclo da cultura, reduzindo o suprimento para folhas emitidas posteriormente.
- Terceira aplicação de Mn no milho 2ª safra → sem resposta adicional, podendo ser eliminada.
- Aplicar na pré-florada do milho → risco de queda de rendimento por estresse.
- Realizar aplicações desnecessárias, sem diagnóstico nutricional ou sem evidências de resposta agronômica para determinada cultura e condição de cultivo.
Antes de cada aplicação, o checklist a seguir reúne os principais pontos de verificação:
- Clima: UR > 60%, temperatura < 28 °C, vento < 10 km/h.
- Horário: antes das 9h ou depois das 17h (nunca das 11h às 14h).
- Fonte certa para o objetivo: solúvel para resposta rápida; quelato se for misturar defensivo.
- P.D. compatível com a UR esperada no dia.
- Parcelamento planejado conforme a mobilidade do nutriente.
- Calda: confira pH, ordem de mistura e compatibilidade (teste de balde).
- Adjuvante umectante quando a UR estiver mais baixa, para manter a gota molhada por mais tempo.
- Ponta adequada para boa cobertura foliar, sem deriva.
A medição prévia à aplicação evita gastos desnecessários, o que reforça a importância da diagnose foliar de soja e milho.
Síntese: cinco pontos essenciais para aumentar a eficiência da adubação foliar
A aplicação foliar pode trazer ganhos importantes quando utilizada de forma criteriosa. Entre os principais conceitos apresentados neste artigo, destacam-se cinco mensagens centrais:
- A aplicação foliar pode trazer ganhos importantes quando utilizada de forma criteriosa. Entre os principais conceitos apresentados neste artigo, destacam-se cinco mensagens centrais:Foliar é complementar, não substituta da adubação de solo. Usos fora das situações indicadas tendem a gerar desperdício de produto.
- O ponto de deliquescência influencia mais a absorção do que a dose. Em dia seco, a fonte adequada absorve até 4 vezes mais.
- O horário de aplicação é determinante. Preferencialmente pela manhã cedo ou no fim da tarde; nunca entre 11h e 14h.
- Quelato é a fonte indicada em misturas com defensivos agrícolas. O sal reduz a absorção pela metade ou mais quando combinado com fungicida.
- O parcelamento da aplicação melhora o retorno sem custo adicional de produto. Ganho de +5,7 sc/ha na mesma dose total.
Perguntas frequentes sobre adubação foliar (FAQ)
A adubação foliar substitui a adubação de solo?
Não. A fertilização foliar é uma estratégia complementar e não fornece, isoladamente, a quantidade de nutrientes exigida pelas culturas ao longo do ciclo. A maior parte da absorção continua ocorrendo pelo sistema radicular.
Qual é o melhor horário para fazer adubação foliar?
De maneira geral, recomenda-se realizar as aplicações nas primeiras horas da manhã ou no final da tarde, quando a temperatura é mais baixa e a umidade relativa do ar é mais elevada, favorecendo a permanência da gota sobre a folha.
A adubação foliar funciona para qualquer nutriente?
Nem sempre. A eficiência depende da mobilidade do nutriente, da fonte utilizada, da cultura, do estágio de desenvolvimento da planta e das condições ambientais durante a aplicação.
Como aumentar a eficiência da adubação foliar?
A escolha da fonte adequada, o respeito às condições climáticas, a compatibilidade da calda, o correto posicionamento da aplicação e o diagnóstico nutricional são os principais fatores que determinam o sucesso da prática.
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Referências
*Este artigo foi construído a partir da aula “Nutrição Foliar: bases, absorção e estratégias de manejo”, ministrada pelo Dr. Eduardo Zavaschi (Diretor de Pesquisa e cofundador da Agroadvance), transmitida ao vivo em 22/04/2026, e do material técnico oficial da palestra.
Schönherr J. A mechanistic analysis of penetration of glyphosate salts across astomatous cuticular membranes. Pest Manag Sci. 2002 Apr;58(4):343-51. doi: 10.1002/ps.462. PMID: 11975182.
Mann, E. N., de Resende, P. M., Mann, R. S., de Carvalho, J. G., & Pinho, Édila V. de R. V. (2002). Effect of manganese application on yield and seed quality of soybean. Pesquisa Agropecuaria Brasileira, 37(12), 1757–1764. https://doi.org/10.1590/S1678-3921.pab2002.v37.6528
Sobre o autor

Felipe Wohnrath
Coordenador de Comunicação na Agroadvance
- Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP)
Como citar este artigo:
WOHNRATH, F. Adubação foliar: o que faz funcionar (e o que é dinheiro jogado fora). Blog Agroadvance. Publicado em: 24 Jul. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-adubacao-foliar-nutricao-foliar/. Acesso em: 24 jul. 2026.



