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Mecanismos de solubilização de fosfato por microrganismos promotores de crescimento vegetal

Veja como microrganismos promotores de crescimento vegetal realizam a solubilização de fosfatos no solo, aumentando a disponibilidade de fósforo e favorecendo o desenvolvimento das culturas.
  • Publicado em 03/12/2025
  • Lusiane de Sousa Ferreira
  • Bioinsumos, Fertilidade do Solo
  • Publicado em 03/12/2025
  • Lusiane de Sousa Ferreira
  • Bioinsumos, Fertilidade do Solo
  • Atualizado em 03/12/2025
uso de microrganismos que promovem a solubilização de fosfato e o crescimento vegetal
Sumário

A solubilização de fosfato realizada por microrganismos promotores de crescimento vegetal (MPCV) representa um dos mecanismos biológicos mais estratégicos para aumentar a disponibilidade de fósforo (P) no solo.

Esses microrganismos convertem formas insolúveis de P em compostos assimiláveis pelas plantas por meio de mecanismos bioquímicas complexos, que vão desde a produção de ácidos orgânicos até a ação de enzimas específicas.

Ao tornar o fósforo disponível, esses microrganismos contribuem para maior eficiência nutricional, reduzem a dependência de fertilizantes fosfatados sintéticos e fortalecem a construção de sistemas agrícolas mais sustentáveis e economicamente mais viáveis.

Por que o fósforo é essencial para as plantas?

O fósforo (P) é absorvido predominantemente na forma de ânion fosfato (H2PO4– e HPO42-), sendo classificado como um macronutriente essencial para todos os organismos vivos (Kumar et al. 2023; Elhaissoufi et al.2024). Sua função é multifacetada e está diretamente vinculada a diversos processos biológicos vitais do metabolismo vegetal, como:

  • Síntese de ácidos nucléicos (DNA, RNA),
  • Transferência de energia via compostos ricos em fosfato (ATP/ADP),
  • Síntese da membrana plasmática (fosfolipídios),
  • Transdução de sinais celulares,
  • Síntese de proteínas,
  • Crescimento e divisão celular.

Por isso, mesmo pequenas limitações de P rapidamente se refletem em menor vigor radicular, atraso no estabelecimento inicial e perdas produtivas, especialmente em solos intemperizados e de alta fixação, como grande parte dos brasileiros.

O desafio: fósforo no solo abundante, mas indisponível

Embora o teor total de P no solo varie entre 200 e 3.000 mg kg-1, geralmente menos de 0,1% está disponível para absorção pelas plantas (Figura 1). Em solos agrícolas, a concentração de P disponível na solução costuma variar de 0,002 a 2 mg L-1.

mapa de acúmulo de fósforo no solo (P no solo) no Brasil
Figura 1. Mapa do acúmulo de fósforo (P) no solo durante o cultivo e a aplicação de fertilizantes minerais fosfatados em áreas agrícolas brasileiras no período de 1960 a 2016. Fonte: Pavinato et al., 2020.

Essa discrepância entre o P total e o P efetivamente disponível resulta das interações físico-químicas do elemento com a matriz do solo, especialmente em solos tropicais ácidos (condição predominante no Brasil). O fósforo fica retido em complexos com ferro (Fe), alumínio (Al) e cálcio (Ca), tornando-se inacessível às raízes.

Formas de P no solo

Existem duas formas de P no solo: P orgânico e P inorgânico (Figura 2).

formas de fósforo no solo (formas de P no solo) P orgânico e P inorgânico
Figura 2. Formas de fósforo no solo.  Fonte: Rawat et al. (2021).

O fósforo orgânico do solo: Representa aproximadamente 20–30% do P total do solo e consiste em moléculas orgânicas que contêm P, como fosfomonoésteres ou fosfodiésteres (Amadou et al. 2021). Esse P precisa ser mineralizado (convertido em formas inorgânicas) para que as plantas possam absorvê-lo.

O fósforo inorgânico existe principalmente em solução aquosa como formas solúveis de ortofosfato (H₂PO₄⁻, HPO₄²⁻) ou compostos de ácido fosfórico (H₃PO₄). De acordo com sua composição, o P inorgânico é dividido em:

  • P solúvel em água: formas iônicas disponíveis (H₂PO₄⁻ e HPO₄²⁻);
  • P adsorvido: ligado à superfície de argilas e óxidos;
  • P mineral (ou ocluído): presente em minerais como apatita, fosfatos de ferro (Fe-P) e alumínio (Al-P), especialmente em solos ácidos, cuja composição varia entre diferentes solos (Khan et al., 2023).

Frações de Fósforo (P) no solo e a lacuna da sua baixa disponibilidade

A diferença entre o P total do solo e o P efetivamente disponível para as plantas resulta das interações do elemento com a matriz do solo (Figura 3), que fazem com que ele ocorra em distintas formas, classificadas como:

  • P-solução: imediatamente disponível às plantas;
  • P-lábil: em equilíbrio dinâmico com a solução, reabastece o P absorvido;
  • P-não lábil: fortemente fixado, pouco acessível a curto prazo.

A capacidade de fixação do P é particularmente elevada em solos intemperizados e ricos em óxidos de Fe e Al (como em grande parte das áreas agrícolas brasileiras). Essa fixação reduz drasticamente a eficiência dos fertilizantes fosfatados aplicados, tornando o manejo do P um dos maiores desafios da agricultura tropical.

Figura 3. Formas de P no sistema solo-planta. Fonte: Adaptado de Novaes et al. (2007) e citado por Machado (2021).

A aplicação excessiva de fertilizantes: custos e impactos

Para superar essa limitação de baixa disponibilidade de fósforo (P), os agricultores historicamente aplicam fertilizantes fosfatados sintéticos para impulsionar o crescimento e a produtividade das plantas. No entendo, essa prática gera consequências agronômicas, econômicas e ambientais significativas:

  • Sobrecarga e desequilíbrio de nutrientes no solo agrícola (Kumar; Prasad, 2025).
  • Baixa eficiência de uso: parte expressiva do P aplicado é rapidamente fixada;
  • Custo elevado: fertilizantes fosfatados representam parcela importante do custo de produção;
  • Impactos ambientais: lixiviação e escoamento superficial podem contaminar recursos hídricos, causando eutrofização.

Além disso, no cenário atual, a sustentabilidade exige um agente mais barato, ecologicamente correto e eficiente para suprir as necessidades de nutrientes essenciais para um melhor crescimento e desenvolvimento das plantas (Agboola et al.,2023). É neste contexto que os microrganismos solubilizadores e fosfato (MSF) surgem como agentes biológicos estratégicos.

Soluções para aumentar a disponibilidade de P

Uma das opções para aumentar a disponibilidade de P do solo disponível às plantas poderia ser o uso de rizobactérias promotoras do crescimento vegetal. Elas apresentam múltiplas características e eficiente capacidade de solubilização de fosfato.

As bactérias do solo e da rizosfera das plantas capazes de solubilizar fosfato insolúvel são mais conhecidas como bactérias solubilizadoras de fosfato (BSF) (Zhang et al. 2020).

Essas BSF liberam fósforo de complexos de fosfato e aumentam a eficiência de absorção de fosfato pelas plantas por meio da solubilização e mineralização de reservas de fósforo inorgânico e orgânico do solo.

Um grande número de BSF, incluindo bactérias, fungos, actinomicetos e até algas, foi relatado como solubilizadores em fosfato.

Quem são os microrganismos solubilizadores de fosfato (MSF)?

Os microrganismos solubilizadores de fosfato (MSF) são bactérias, fungos, actinomicetos e até cianobactérias capazes de converter formas insolúveis de P em formas assimiláveis pelas plantas. Esses organismos habitam naturalmente o solo e a rizosfera (região do solo diretamente influenciada pelas raízes).

As bactérias solubilizadoras de fosfato (BSF) são os agentes mais estudados e representam a maior diversidade funcional dentro desse grupo. Elas liberam fósforo de complexos insolúveis por meio de processos bioquímicos que incluem acidificação do meio, produção de enzimas e quelação de metais.

Segundo o artigo de Rawat et al., 2021, os principais microrganismos solubilizadores de fósforo incluem:

Bactérias solubilizadoras de fosfato (BSF)

Incluem gêneros como Actinomicetos, Aspergillus, Bacillus, Calothrix braunii, Pseudomonas, Rhizobium, Streptoverticillium e Streptomyces. Outras bactérias mineralizadoras e solubilizadoras de P incluem diversas cepas de Azotobacter, Burkholderia, Enterobacter e Erwinia.

Fungos do solo

Entre os fungos solubilizadores de fósforo, cerca de 20% pertencem ao filo Ascomycota [Mucoromycota (1%) e Basidiomycota (3%)] (Kour et al., 2021).

Os gêneros mais relatados são Aspergillus (principalmente Aspergillus niger), Penicillium (Penicillium oxalicum) Gongronella, Fusarium, e Talaromyces (Figura 4).

fungos do solo que promovem a solubilização de fosfato
Figura 4. Fungos do solo: a arquitetura da promoção do crescimento vegetal com diferentes estratégias. Fonte: Rawat et al., 2021.

Fungos micorrízicos arbusculares (FMA)

Os FMA estabelecem associações simbióticas com as raízes das plantas, colonizando-as intracelularmente (Figura 5). Esses fungos formam extensas redes de hifas que exploram volumes maiores de solo, facilitando a captura de P do solo. Além disso, plantas em simbiose com FMA secretam H+ ou ânions orgânicos para liberar Pi de rochas contendo minerais de P, aumentando a absorção de Pi tanto pelos FMA quanto pelas plantas.

fungos micorrízicos arbusculares (FMA) e a solubilização de fosfato
Figura 5. Os fungos micorrízicos arbusculares (FMA) estabelecem redes com bactérias solubilizadoras de fosfato para facilitar a solubilização do fosfato. Fonte: Rawat et al., 2021.

Actinomicetos

Representam cerca de 20% dos microrganismos solubilizadores de fosfato, com destaque para os gêneros Micromonospora, Actinomyces e Streptomyces. Actinomicetos, como Actinoplanes, Frankia, Microbispora, Micromonospora, Nocardia, Rhodococcus e Streptomyces.

Arqueias

Embora menos estudadas, algumas arqueias holofílicas (Natronoarchaeum, Natrialba, Natrinema, Haloterrigena, Halolamina, Halosarcina, Haloarcula, Halobacterium, Halococcus, Haloferax e Halostagnicola) demonstram capacidade de solubilizar fosfatos em ambientes extremos.

Cianobactérias

Cianobactérias como Anabaena sphaerica ISB23, Anabaena torulosa, Anabaena oscillarioides ISB46, Nostoc calcícola e Trichormus ellipsosporus em Mentha piperita atuam tanto na fixação biológica de nitrogênio quanto na solubilização de fosfatos, sendo promissoras em sistemas integrados de manejo.

Mecanismos de solubilização de fosfato: como os microrganismos atuam

Os MSF empregam múltiplos mecanismos bioquímicos para converter fosfatos insolúveis em formas disponíveis. Esses processos podem ser classificados em mecanismos diretos (solubilização ativa) e indiretos (mobilização via morte celular e liberação de compostos).

Além da solubilização de compostos fosfatados insolúveis, os MSF são capazes de promover o crescimento das plantas secretando sideróforo e produzindo fitohormônios como o ácido indol-3-acético, além de mobilizar e aumentar a absorção de nutrientes (Figura 6).

mecanismos de solubilização de fosfato no solo adotados por microrganismos solubilizadores de fosfato (MSF).
Figura 6. Diversos mecanismos de solubilização de fosfato no solo adotados por microrganismos solubilizadores de fosfato (MSF). Fonte: Kaur et al., 2024.

O aumento da exsudação de ácidos orgânicos, sideróforos, prótons, enzimas extracelulares e a degradação de substratos assistida por mineralização são as estratégias adotadas pelos BSFs por meio das quais ocorre a dissolução do fosfato no solo (Rawat et al., 2020).

A capacidade de solubilização de fósforo pode ser analisada por meio de diferentes métodos quantitativos e qualitativos a partir de P inorgânico e orgânico (Figura 7).

Representação esquemática da solubilização de fosfato por microrganismos solubilizadores de fosfato.
Figura 7. Representação esquemática da solubilização de fosfato por microrganismos solubilizadores de fosfato. Fonte: Rawat et al., 2021.

Mecanismos diretos de solubilização de fosfatos inorgânicos do solo

As diversas maneiras pelas quais os BSFs auxiliam na solubilização de fosfatos inorgânicos (como Fe-P, Ca-P e Al-P) presentes no solo são:

1. Secreção de ácidos orgânicos

A produção de ácidos orgânicos por meio da secreção fisiológica e da decomposição da matéria orgânica é o principal mecanismos utilizado pelas bactérias para solubilizar fosfatos inorgânicos (Fe-P, Al-P, Ca-P), conforme mostrado na Tabela 3.

Tabela 1. Principais ácidos orgânicos produzidos por microrganismos solubilizadores de fosfato

tabela mostrando os principais ácidos orgânicos produzidos por microrganismos solubilizadores de fosfato
Fonte: Rawat et al., 2021.

Esses ácidos orgânicos, como os ácidos glicônico, tartárico, lático e cítrico, solubilizam os fosfatos inorgânicos do solo de três formas:

  • Quelação de cátions complexados com fosfato: os ácidos orgânicos formam complexos estáveis com Fe3+, Al3+ e Ca2+, liberando o P anteriormente ligado a esses metais;
  • Acidificação do meio: a liberação de prótons (H+) reduz o pH da rizosfera, aumentado a solubilidade dos fosfatos;
  • Competição por sítios de adsorção de P:  os ânions orgânicos competem com o fosfato pelos sítios de adsorção na superfície de argilas e óxidos, deslocando o P para a solução.

Os ácidos orgânicos de baixa massa molecular são especialmente eficientes devido à presença de grupos hidroxila e carboxila, que aumentam a capacidade de quelação.

2. Secreção de ácidos inorgânicos e sulfeto de hidrogênio (H₂S)

Diversos BSFs secretam diferentes tipos de ácidos inorgânicos, como ácido nítrico, ácido sulfúrico, ácido clorídrico e ácido carbônico. A produção do subproduto metabólico H₂S por bactérias sulfurosas e acidófilas facilita a produção de sulfato ferroso por meio da reação com fosfato férrico, liberando assim o fósforo ligado.

3. Extrusão do próton via assimilação do íon amônio (NH4+)

A síntese de aminoácidos mediada por BSF, através da assimilação de amônio do solo (NH₄⁺), leva a um aumento na concentração de prótons (H⁺) no citoplasma microbiano. Isso acidifica o meio circundante da célula microbiana e aumenta a eficiência de dissolução de fosfatos insolúveis.

4. Via de oxidação direta da glicose

Na via de oxidação direta, a glicose é convertida em ácido glicônico pela enzima glicose desidrogenase, e posteriormente oxidada a ácido 2-cetoglicônico pela gluconato desidrogenase. Esses ácidos atuam como quelantes de minerais como Ca²⁺ e Fe²⁺, liberando-os de sua forma ligada a fosfato. Esse mecanismo é mediado por genes da família pirroloquinolina quinina (pqq), que codificam enzimas essenciais para o processo.

5. Produção de exopolissacarídeos (EPS)

Os exopolissacarídeossão exsudados por microrganismos para fora de sua parede celular produzidos em resposta ao estresse ou à formação de biofilme. Esses compostos formam complexos estáveis com íons metálicos presentes no solo (Al³⁺>Cu²⁺>Zn²⁺>Fe³⁺>Mg²⁺>K⁺), contribuindo indiretamente para a solubilização de P ao quelar metais que fixam o fosfato.

6. Produção de sideróforos

Os sideróforos de baixa massa molecular são substâncias quelantes de ferro obtidas de plantas e microrganismos submetidos a deficiência de ferro. São microrganismos do solo que liberam sideróforos como estratégia para quelar o ferro de complexos Fe-P no solo. Essa estratégia é particularmente relevante em solos tropicais, onde o P frequentemente está complexado com óxidos de ferro.

Mecanismos diretos para solubilização de fosfatos orgânicos do solo

Aproximadamente 20–30% dos fosfatos orgânicos presentes no solo são encontrados, e sua dissolução ocorre por meio da mineralização através de processos enzimáticos.  

A mineralização de fosfatos orgânicos ocorre por meio da ação de enzimas extracelulares específicas, que catalisam a hidrólise de ligações éster-fosfato.

1. Fosfomonoesterases ou fosfatases ácidas não específicas (NSAPs)

As fosfatases são enzimas que catalisam a desfosforilação de ligações fosfoanidrido ou fosfoéster de compostos orgânicos de fosfato, liberando ortofosfato (Pi).

Essas enzimas são secretadas tanto por microrganismos quanto por raízes de plantas e apresentam alta afinidade por ésteres de fosfato presente na matéria orgânica do solo.

2. Fitases (mio-inositol hexafosfato fosfohidrolases)

As fitases são enzimas extracelulares secretadas por microrganismos do solo e/ou raízes de plantas e participam da mineralização do fitato, a principal forma de P orgânico em solos agrícolas, especialmente em áreas que recebem resíduos vegetais. A fitase libera ortofosfato sequencialmente, convertendo o fósforo em uma forma biodisponível.

3. Liases/Fosfonatases de carbono-fósforo (C-P)

Essas enzimas quebram a ligação C-P de organofosforados, compostos orgânicos com ligações estáveis entre carbono e fósforo. . Essa ação gera P prontamente acessível às plantas, ampliando a disponibilidade de nutrientes.

Mecanismo Indireto de solubilização de fósforo: morte microbiana e liberação de P

Os microrganismos da rizosfera mobilizam fósforo ao solubilizar formas insolúveis do nutriente. Sob estresse, a lise microbiana libera esse P para o solo, tornando-o disponível às plantas. Estudos mostram que a secagem seguida de fumigação reduz a biomassa microbiana de P em até 70%, evidenciando que a morte celular contribui indiretamente para o aumento do fósforo disponível no solo.

Esse mecanismo é especialmente relevante em sistemas com alta atividade biológica, onde a ciclagem de nutrientes via biomassa microbiana representa uma fração importante do P disponível.

Base molecular da solubilização de fosfato

Os aspectos moleculares da solubilização de fosfato mediada por BSF revelaram que um pequeno número de genes é responsável pela dissolução do fosfato (Tabela 4), conhecidos como genes da pirroloquinolina quinina (pqq).

A família de genes PQQ contém cerca de seis genes, pqq A, B, C, D, E e F, que codificam uma pequena molécula redox ativa e um cofator para PQQ e a enzima quinoproteína glicose desidrogenase, respectivamente.

Esta última enzima desempenha um papel fundamental na produção de ácido glucônico a partir da glicose, que é considerado um ácido orgânico essencial liberado por BSF, responsável pela dissolução do P.

Tabela 2. Genes responsáveis pela ação acidolítica e enzimolítica de diferentes bactérias solubilizadoras de fosfato (BSF)

Fonte: Rawat et al., 2021.

Benefícios agronômicos observados no campo

A inoculação de microrganismos solubilizadores de fosfato em culturas comerciais tem demonstrado resultados promissores em diferentes condições edafoclimáticas. Entre os principais benefícios agronômicos observados em campo, destacam-se:

  • Aumento da disponibilidade de P em solo de alta fixação, especialmente Latossolos e Argissolos.
  • Maior desenvolvimento radicular, ampliando a exploração de águas e nutrientes.
  • Incrementos em biomassa aérea e produtividade de grãos,
  • Maior perfilhamento em gramíneas (milho, trigo, arroz),
  • Aumento da nodulação em leguminosas (soja, feijão), potencializando a fixação biológica de nitrogênio.
  • Maior tolerância a estresses abióticos (seca, baixa fertilidade).

É importante ressaltar que os resultados variam conforme o tipo de solo, cultura, manejo e condições climáticas, sendo fundamental a avaliação caso a caso.

Microrganismos solubilizadores de fosfato disponíveis comercialmente

Diversos MSF já estão disponíveis no mercado global como biofertilizantes, formulados isoladamente ou em consórcios microbianos. Na Tabela 5, segue a relação de alguns BSFs disponíveis comercialmente e utilizadas como biofertilizantes em nível global.

Entre os produtos mais utilizados, destacam-se aqueles baseados em:

  • Bacillus subtilis, Bacillus megaterium, Bacillus mucilaginosus
  • Pseudomonas fluorescens, Pseudomonas putida
  • Aspergillus niger, Aspergillus awamori
  • Penicillium bilaii
  • Rhizobium spp.

Esses produtos são comercializados em diferentes formulações (líquidas, pó molhável, grânulos) e devem ser aplicados conforme recomendações técnicas específicas para cada cultura e sistema de produção.

Tabela 3. Microorganismos solubilizadores de fosfato (MSF) disponíveis comercialmente e utilizados como biofertilizantes em nível global

Microorganismos solubilizadores de fosfato (MSF) disponíveis comercialmente e utilizados como biofertilizantes em nível global
Fonte: Kaur et al. (2024).

Como selecionar um bom microrganismo solubilizador para uso agrícola

A escolha de um MSF adequado deve considerar não apenas a capacidade de solubilização em laboratório, mas também características que garantam desempenho no campo. Critérios essenciais incluem:

Características desejáveis:

  • Capacidade comprovada de solubilizar fosfatos tanto em ensaios in vitro quanto em condições de campo.
  • Tolerância a pH ácido e alumínio (essencial em solos brasileiros).
  • Compatibilidade com fertilizantes químicos e defensivos agrícolas utilizados no manejo do produtor, para permitir aplicação conjunta.
  • Estabilidade da formulação durante armazenamento e transporte, garantindo viabilidade celular.
  • Adaptabilidade às condições edafoclimáticas da região de cultivo;
  • Eficiência em promover o crescimento vegetal de forma consistente.

Além disso, é fundamental que o produto esteja registrado nos órgãos competentes e que haja suporte técnico adequado para orientação de uso.

Desafios e limitações no uso de MSFs

Apesar dos benefícios comprovados, a aplicação de MSF em larga escala ainda enfrenta desafios que precisam ser considerados:

  • Variabilidade de resposta entre solos: a eficiência dos MSF depende fortemente das condições físico-químicas e biológicas do solo.
  • Competição microbiana natural no solo: os MSF inoculados precisam competir com a microbiota nativa do solo, o que pode limitar seu estabelecimento.
  • Necessidade de formulações com alta viabilidade: sobrevivência dos microrganismos após a aplicação é crítica para o sucesso da tecnologia.
  • Importância do manejo integrado com adubação, matéria orgânica e rotação de culturas.
  • Fatores ambientais: temperatura, umidade e pH do solo afetam diretamente a atividade dos MSF.

A integração dos MSF em sistemas de produção deve ser vista como uma ferramenta complementar, e não substitutiva, das práticas convencionais de manejo de fósforo.

Considerações finais

A solubilização de fosfatos por microrganismos promotores de crescimento vegetal representa um processo essencial para ampliar a disponibilidade de P no solo, especialmente em sistemas agrícolas nos quais grande parte do fósforo encontra-se em formas pouco acessíveis às plantas.

Por meio da produção de ácidos orgânicos, enzimas fosfatases e outros metabólitos, esses microrganismos convertem fosfatos insolúveis em formas assimiláveis, fortalecendo o desenvolvimento radicular, a absorção de nutrientes e o rendimento das culturas.

Assim, o uso estratégico desses agentes biológicos contribui para sistemas agrícolas mais eficientes e sustentáveis, reduzindo a dependência de fertilizantes fosfatados e promovendo maior resiliência produtiva.

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Referências

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Sobre a autora:

Lusiane de Sousa Ferreira

Doutoranda em Agrononia - Agricultura (FCA/UNESP)

  • Cursa MBA em Data Science e Analytics (ESALQ/USP)
  • Mestra em Agronomia (UFES)
  • Engenheira Agrônoma (UFMA)
  • [email protected]
  • Perfil do Linkedin
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Como citar este artigo

FERREIRA, L.S. Mecanismos de solubilização de fosfato por microrganismos promotores de crescimento vegetal. Blog Agroadvance. Publicado: 03 Dez. 2025. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-mecanismos-de-solubilizacao-de-fosfato-por-mpcv/. Data de acesso: 10 jun. 2026.

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