A produtividade das pastagens no Brasil está diretamente condicionada à fertilidade do solo e ao manejo da reposição de nutrientes ao longo dos ciclos de pastejo. Em sistemas extensivos e semi-intensivos, a ausência de reposição adequada acelera a degradação das áreas, reduz a persistência das forrageiras e compromete a eficiência produtiva do rebanho.
O Brasil possui aproximadamente 238,2 milhões de bovinos, número que coloca o país na liderança mundial do rebanho comercial. Considerando que a pecuária brasileira é majoritariamente baseada em sistemas a pasto (90%), a manutenção da fertilidade do solo deixa de ser uma prática complementar e passa a ser um eixo central da sustentabilidade produtiva. Em muitas regiões tropicais, a limitação química dos solos é o principal fator restritivo à produção de forragem.
Nesse contexto, a adubação de pastagens não deve ser entendida apenas como incremento de produtividade, mas como estratégia de manutenção da capacidade de suporte e de estabilização do sistema solo–planta–animal.
Quer entender como tornar o manejo mais eficiente e aumentar a produtividade das áreas de pastagem? Aprofunde no texto abaixo…
Boa leitura!
Solos tropicais e limitações químicas
Os solos tropicais brasileiros apresentam limitações químicas recorrentes relacionadas à baixa disponibilidade de fósforo, elevada acidez e reduzido teor de matéria orgânica. Essas condições impactam diretamente o estabelecimento e a persistência das gramíneas forrageiras.
Lopes & Fox (1977) observaram que 92% das amostras de solo avaliadas apresentaram fósforo inferior a 2 ppm. Esse resultado demonstra a necessidade de estratégias de correção química e reposição nutricional para manutenção da produtividade das pastagens.
Em sistemas de pastagens, essa limitação se reflete em menor velocidade de estabelecimento, baixa ocupação do solo e maior vulnerabilidade à competição com plantas invasoras. Em situações de manejo inadequado, esse cenário evolui rapidamente para degradação produtiva.
A correção química do solo, associada à reposição planejada de nutrientes, é condição básica para sustentar sistemas de produção a pasto em ambientes tropicais.

- Você sabia?
Apenas 10% a 20% dos nutrientes presentes nos sistemas de pastagem retornam ao solo em formas disponíveis para reutilização pelas plantas. Grande parte dos nutrientes consumidos pelos animais sofre perdas no sistema produtivo, fato que reforça a importância da adubação para manutenção da fertilidade do solo e da produtividade das pastagens. Fonte: Adaptado de Aguiar (2002).
Importância das pastagens na pecuária brasileira
As pastagens representam a principal base alimentar do rebanho bovino brasileiro. O sistema de produção a pasto apresenta menor custo operacional quando comparado aos sistemas intensivos baseados em confinamento.
Essa característica favorece ampla utilização das gramíneas forrageiras no território nacional. Além da função alimentar, as pastagens exercem papel importante na conservação do solo e na manutenção da estabilidade ambiental das propriedades rurais.

A cobertura vegetal reduz erosão, aumenta infiltração de água e contribui para ciclagem de nutrientes. Pastagens bem manejadas auxiliam na manutenção da matéria orgânica e na redução de perdas físicas do solo causadas pela chuva e pelo escoamento superficial.
A degradação das áreas de pastagem reduz produtividade animal e aumenta custos de produção. Áreas degradadas apresentam compactação do solo, menor infiltração de água, aumento de invasoras e redução do vigor das forrageiras.
Esses fatores comprometem o desenvolvimento vegetal e diminuem a eficiência produtiva do sistema pecuário.
A manutenção da produtividade das pastagens depende diretamente da reposição de nutrientes exportados pelo pastejo animal. A retirada contínua de biomassa vegetal sem reposição adequada promove empobrecimento químico do solo.
Dessa forma, a adubação constitui prática indispensável para sustentação da capacidade produtiva das áreas destinadas à pecuária.
Fundamentos da adubação de pastagens
A adubação de pastagens consiste na aplicação planejada de nutrientes ao solo com objetivo de corrigir deficiências nutricionais e garantir crescimento adequado das plantas forrageiras.
Essa prática busca aumentar produtividade vegetal, melhorar qualidade nutricional da forragem e elevar a eficiência dos sistemas pecuários. O uso racional de fertilizantes depende da análise química do solo, da exigência nutricional da espécie cultivada e da intensidade de utilização da área.
Segundo Santos (2010), a adubação das pastagens pode ser utilizada para intensificação produtiva, recuperação de áreas degradadas, redução da estacionalidade da produção forrageira e sustentabilidade do sistema pecuário.
A fertilização não atua apenas sobre crescimento vegetal, mas também interfere diretamente no desempenho animal e na viabilidade econômica das propriedades.
A resposta das forrageiras à adubação depende da disponibilidade de nutrientes no solo, das condições climáticas, da umidade e do manejo do pastejo. Pastagens submetidas a elevada intensidade de utilização apresentam maior remoção de nutrientes e exigem reposição mais frequente.
Entre as principais práticas utilizadas para correção e manutenção da fertilidade do solo em áreas de pastagem estão: calagem, gessagem, fosfatagem, potassagem e adubação nitrogenada(Figura 3).

A ausência de manejo adequado reduz eficiência agronômica dos fertilizantes e compromete persistência das gramíneas.
Além disso, o manejo da fertilidade deve considerar equilíbrio nutricional do sistema produtivo. O fornecimento isolado de apenas um nutriente pode limitar aproveitamento dos demais elementos essenciais.
Assim, a adubação equilibrada representa fator determinante para manutenção da produtividade e sustentabilidade das áreas de pastagem.
Classificação das forrageiras conforme a exigência nutricional
As forrageiras classificadas no Grupo I apresentam elevado requerimento nutricional e exigem sistemas produtivos com maior nível tecnológico. Essas espécies respondem intensamente à adubação, irrigação e manejo intensivo do pastejo.
Entre as principais forrageiras desse grupo destacam-se:
- Panicum maximum,
- Pennisetum purpureum,
- Cynodon spp. e
- Brachiaria brizantha.
Esses sistemas normalmente utilizam pastejo rotacionado e suportam lotações superiores a 3 UA ha⁻¹ ano⁻¹ (Unidade Animal por hectare por ano).
O Grupo II reúne forrageiras com exigência nutricional intermediária e moderada resposta ao manejo da fertilidade do solo. Essas espécies apresentam boa produtividade forrageira e podem ser utilizadas em sistemas semi-intensivos com manejo técnico intermediário.
Entre as principais gramíneas desse grupo destacam-se
- Brachiaria decumbens,
- Brachiaria brizantha,
- Andropogon gayanus e
- Hyparrhenia rufa.
Os sistemas desse grupo normalmente apresentam lotações entre 1 e 3 UA ha⁻¹ ano⁻¹.
As forrageiras classificadas no Grupo III apresentam baixo requerimento nutricional e maior adaptação a solos de baixa fertilidade natural. Essas espécies possuem menor potencial produtivo, porém apresentam maior rusticidade e tolerância a condições limitantes de manejo e fertilidade.
Entre as principais espécies destacam-se
- Brachiaria humidicola,
- Brachiaria dictyoneura,
- Paspalum notatum e
- Melinis minutiflora.
Esses sistemas normalmente operam sob manejo extensivo e baixa utilização de fertilizantes.
A classificação das forrageiras de acordo com o requerimento nutricional auxilia na definição das estratégias de manejo e fertilização das pastagens.
Espécies de maior exigência demandam sistemas mais tecnificados e maior investimento em correção da fertilidade do solo. Já espécies menos exigentes apresentam maior adaptação a ambientes restritivos, embora produzam menor quantidade e qualidade de forragem.
Dessa forma, a escolha adequada da forrageira deve considerar fertilidade do solo, capacidade de investimento e objetivo produtivo do sistema pecuário.
- Dica do especialista em forrageiras
- O planejamento da produção forrageira durante a estação seca reduz perdas produtivas e evita queda na capacidade de suporte das pastagens.
- Estratégias como diferimento do pasto, produção de silagem, uso de grãos úmidos e irrigação auxiliam na manutenção da oferta de alimento ao rebanho nos períodos de menor crescimento das forrageiras.
- O manejo antecipado da época seca permite maior estabilidade nutricional do sistema pecuário, reduz impactos do déficit hídrico e melhora aproveitamento das áreas de pastagem ao longo do ano Adaptado de Aguiar (2002).
Nitrogênio na adubação de pastagens
O nitrogênio é o nutriente responsável pelos maiores incrementos produtivos em gramíneas forrageiras.
Esse elemento participa da formação de proteínas, aminoácidos, enzimas e compostos relacionados diretamente ao crescimento vegetal. Sua deficiência reduz expansão foliar, perfilhamento e produção de matéria seca das pastagens.
Santos (2010) destacou que aplicações nitrogenadas aumentam acúmulo de biomassa vegetal e intensificam produção forrageira.
O fornecimento adequado desse nutriente promove maior taxa de crescimento das folhas e aumenta valor nutritivo da forragem. Pastagens nitrogenadas normalmente apresentam maiores teores de proteína bruta e melhor digestibilidade.
Apesar dos benefícios produtivos, o uso inadequado do nitrogênio reduz eficiência econômica da fertilização. Aplicações excessivas podem aumentar perdas por volatilização e lixiviação, além de elevar custos operacionais da produção pecuária.

O aproveitamento adequado do fertilizante depende da disponibilidade hídrica e do manejo correto do pastejo.
A adubação nitrogenada também interfere na capacidade de suporte das áreas de pastagem. Pode existir o aumento de até 100% na taxa de lotação após manejo nutricional adequado.

Esse resultado demonstra a relação direta entre fertilidade do solo e produtividade animal em sistemas pecuários tropicais.
Adubação nitrogenada para manutenção de pastagens
Em Minas Gerais, a recomendação de adubação nitrogenada varia conforme o nível tecnológico do sistema pecuário. Sistemas de média intensidade utilizam entre 100 e 150 kg de N ha⁻¹ ano⁻¹, enquanto sistemas de alta intensidade podem atingir 200 kg de N ha⁻¹ ano⁻¹. Em pastejo rotacionado intensivo, as doses podem alcançar 300 kg de N ha⁻¹ ano⁻¹, parceladas ao longo do período chuvoso.
No estado de São Paulo, as recomendações dependem da exigência nutricional das gramíneas forrageiras:
- espécies mais exigentes utilizam aproximadamente 80 kg de N ha⁻¹,
- espécies intermediárias recebem cerca de 60 kg de N ha⁻¹ e f
- espécies menos exigentes utilizam aproximadamente 40 kg de N ha⁻¹.
- Sistemas intensivos podem exigir aplicações adicionais após cada ciclo de pastejo.
Na região dos Cerrados, a recomendação nitrogenada varia conforme a modalidade de manejo da pastagem. Sistemas extensivos normalmente utilizam cerca de 40 kg de N ha⁻¹ com reaplicações periódicas. Áreas destinadas à produção de feno ou capineiras apresentam maior exigência nutricional e demandam reposição contínua de nitrogênio para manutenção da produtividade forrageira.

Fósforo e desenvolvimento das forrageiras
O fósforo exerce função essencial no metabolismo energético das plantas e no desenvolvimento radicular das gramíneas forrageiras.
Nos solos tropicais brasileiros, a deficiência de fósforo é agravada pela elevada capacidade de adsorção causada pelos óxidos de ferro e alumínio presentes na fração argilosa.
A deficiência fosfatada reduz o crescimento radicular, perfilhamento, velocidade de estabelecimento e a capacidade de rebrota após o pastejo. Pastagens deficientes apresentam menor vigor vegetativo, baixa ocupação do solo e maior suscetibilidade à degradação
A limitação fosfatada dos solos brasileiros e reforça a necessidade da adubação fosfatada para estabelecimento e persistência das pastagens cultivadas.

A Figura 8 demonstra a classificação dos teores de fósforo disponível no solo (P-resina) em cinco faixas interpretativas: muito baixo (0–5 mg/dm³), baixo (6–12 mg/dm³), médio (13–30 mg/dm³), alto (31–60 mg/dm³) e muito alto (>60 mg/dm³). Além disso, a figura indica metas de fertilidade distintas conforme a exigência nutricional das espécies forrageiras. Para espécies menos exigentes, recomenda-se atingir ao menos a faixa média, entre 13 e 30 mg/dm³. Já espécies de moderada a alta exigência apresentam melhor desempenho quando os teores de fósforo se encontram na faixa alta, entre 31 e 60 mg/dm³.
Esses resultados evidenciam que a recomendação de adubação fosfatada deve considerar tanto a disponibilidade de fósforo no solo quanto o nível de exigência das forrageiras utilizadas no sistema de produção.

A adubação fosfatada favorece desenvolvimento inicial das forrageiras e aumenta longevidade das áreas cultivadas. O fornecimento adequado de fósforo melhora exploração radicular do solo e amplia capacidade das plantas em absorver água e nutrientes.
Dessa forma, a reposição desse nutriente representa prática indispensável para manutenção da produtividade das pastagens tropicais.
A Figura 9 evidencia a interação entre fósforo e nitrogênio na produtividade das forrageiras. Na ausência de adubação fosfatada (0 kg de P₂O₅), o aumento das doses de nitrogênio promove resposta limitada na produção de matéria seca, especialmente em cultivares mais exigentes. Em contraste, com a aplicação de 200 kg de P₂O₅, observa-se incremento expressivo da produção em todas as cultivares avaliadas, demonstrando que o fósforo potencializa o aproveitamento do nitrogênio pelas plantas. Os resultados reforçam que a eficiência da adubação nitrogenada depende de níveis adequados de fósforo no solo, evidenciando a necessidade de manejo equilibrado desses nutrientes para maximizar a produtividade das pastagens.

Adubação fosfatada para manutenção de pastagens
Em Minas Gerais, a recomendação de adubação fosfatada para manutenção das pastagens varia conforme o nível tecnológico do sistema produtivo e a disponibilidade de fósforo no solo.
- Sistemas de baixo nível tecnológico utilizam entre 0 e 40 kg de P₂O₅ ha⁻¹,
- sistemas intermediários podem receber até 50 kg de P₂O₅ ha⁻¹ e
- sistemas de alta intensidade utilizam doses próximas de 60 kg de P₂O₅ ha⁻¹.
No estado de São Paulo, as recomendações dependem da exigência nutricional das gramíneas forrageiras e da disponibilidade de fósforo no solo.
- Espécies mais exigentes podem demandar até 50 kg de P₂O₅ ha⁻¹,
- Espécies forrageiras intermediárias utilizam até 40 kg de P₂O₅ ha⁻¹ e
- Espécies menos exigentes apresentam recomendações próximas de 30 kg de P₂O₅ ha⁻¹.
Na região dos Cerrados, a adubação fosfatada varia conforme modalidade de utilização da pastagem. Sistemas extensivos normalmente utilizam cerca de 20 kg de P₂O₅ ha⁻¹ com reaplicações bienais. Em áreas destinadas à produção de feno ou capineiras, a recomendação pode atingir aproximadamente 3,5 kg de P₂O₅ por tonelada de matéria seca produzida, devido à elevada exportação de nutrientes pela biomassa vegetal.
Potássio e equilíbrio fisiológico das pastagens
O potássio participa de processos fisiológicos relacionados ao equilíbrio hídrico e ao transporte de carboidratos nas plantas. Esse nutriente atua na abertura estomática, na regulação osmótica, na resistência das forrageiras ao déficit hídrico, na resistência ao estresse ambiental e na eficiência de utilização do nitrogênio.
Pastagens submetidas a altas taxas de lotação apresentam remoção expressiva de potássio devido à elevada produção de biomassa vegetal.
A deficiência de potássio reduz o crescimento vegetal, compromete rebrota após o pastejo e diminui persistência das áreas intensificadas. O desequilíbrio nutricional compromete produção de matéria seca e reduz valor nutritivo da forragem.

Em sistemas de maior produtividade, o monitoramento dos teores de potássio no solo torna-se indispensável para manutenção do equilíbrio nutricional das pastagens. Também, a adubação potássica deve integrar programas de manejo da fertilidade em sistemas pecuários intensivos.
Forrageiras adequadamente supridas com potássio apresentam maior persistência e melhor capacidade de rebrota após desfolha causada pelo pastejo animal.

Adubação potássica para manutenção de pastagens
Em Minas Gerais, a adubação potássica varia conforme nível tecnológico e disponibilidade de potássio no solo.
- Sistemas de baixo nível utilizam até 40 kg de K₂O ha⁻¹,
- Sistemas de médio exigência podem atingir 100 kg de K₂O ha⁻¹ e
- sistemas intensivos utilizam até 200 kg de K₂O ha⁻¹.
Doses superiores a 40 kg de K₂O ha⁻¹ devem ser parceladas.
No estado de São Paulo, as recomendações dependem da exigência nutricional das gramíneas forrageiras.
- Espécies mais exigentes podem receber até 50 kg de K₂O ha⁻¹, e
- spécies intermediárias utilizam até 40 kg de K₂O ha⁻¹ e
- forrageiras menos exigentes apresentam recomendações próximas de 30 kg de K₂O ha⁻¹.
Na região dos Cerrados, sistemas extensivos utilizam aproximadamente 50 kg de K₂O ha⁻¹ quando os teores de potássio no solo são inferiores a 30 mg dm⁻³. Em áreas destinadas à produção de feno ou capineiras, recomenda-se reposição contínua de aproximadamente 18 kg de K₂O por tonelada de matéria seca produzida.
Outros nutrientes no equilíbrio fisiológico das pastagens
Durante a fase de germinação e estabelecimento inicial das plantas, ferro (Fe), zinco (Zn) e manganês (Mn) exercem funções essenciais no desenvolvimento radicular, na síntese de clorofila e na ativação de enzimas relacionadas ao metabolismo vegetal. A deficiência desses micronutrientes compromete vigor inicial, emergência uniforme e crescimento das plântulas.
No estágio vegetativo ocorre aumento da exigência por ferro, zinco, manganês, cobre (Cu) e boro (B). Esses elementos participam da fotossíntese, da expansão foliar, da formação da parede celular e do metabolismo enzimático. O boro atua diretamente no crescimento dos tecidos meristemáticos, enquanto o cobre participa de processos ligados à respiração celular.
Durante o estágio reprodutivo, ferro e boro tornam-se fundamentais para manutenção da atividade metabólica e formação adequada das estruturas reprodutivas. A deficiência desses nutrientes reduz transporte de carboidratos, limita fecundação e compromete desenvolvimento vegetal.
Na fase de maturidade e senescência ocorre maior participação de cobre, molibdênio (Mo) e boro. O molibdênio possui função importante no metabolismo do nitrogênio, especialmente na atividade de enzimas relacionadas à redução do nitrato. O cobre auxilia na manutenção da atividade fisiológica das plantas durante as fases finais do ciclo vegetativo.
Tabela 1. Faixas de interpretação dos teores de boro (B), cobre (Cu), ferro (Fe), manganês (Mn) e zinco (Zn) no solo, classificadas em níveis baixo, médio e alto, com base nos métodos de extração por água quente e DTPA
| Teor no solo | B (Água quente) | Cu (DTPA) mg/dm³ | Fe (DTPA) mg/dm³ | Mn (DTPA) mg/dm³ | Zn (DTPA) mg/dm³ |
| Baixo | 0,0 – 0,20 | 0,0 – 0,30 | 0 – 4 | 0,0 – 1,29 | 0,0 – 0,50 |
| Médio | 0,21 – 0,60 | 0,31 – 0,80 | 5 – 12 | 1,30 – 5,00 | 0,60 – 1,20 |
| Alto | >0,60 | >0,80 | >12 | >5,00 | >1,20 |
Fonte: Werner et al. (1997) e Raij et al. (1997).
Tipos de adubos utilizados em pastagens
Os fertilizantes utilizados em pastagens podem ser classificados em minerais, orgânicos e organominerais. Cada grupo apresenta características específicas relacionadas à concentração de nutrientes, velocidade de liberação e influência sobre propriedades químicas e físicas do solo.
Segundo Ferrari (2026), os fertilizantes minerais são produzidos por processos físico-químicos e fornecem nutrientes essenciais como nitrogênio, fósforo, potássio e enxofre. Entre os produtos mais utilizados destacam-se ureia, sulfato de amônio, superfosfato simples e cloreto de potássio. Esses fertilizantes apresentam elevada concentração nutricional e rápida disponibilidade para absorção vegetal.
Os fertilizantes orgânicos derivam de resíduos vegetais ou animais, como esterco bovino, cama de aviário e compostos orgânicos. Esses materiais contribuem para aumento da matéria orgânica do solo e favorecem atividade microbiológica.
Apesar da menor concentração de nutrientes, os adubos orgânicos melhoram retenção de água e estrutura física do solo.
Os fertilizantes organominerais combinam nutrientes minerais e matéria orgânica em um mesmo produto. Esse tipo de fertilizante busca aumentar eficiência agronômica e reduzir perdas nutricionais.
O uso desses materiais tem aumentado em sistemas pecuários que buscam equilíbrio entre produtividade e conservação da fertilidade do solo.
Avaliação do estado nutricional das pastagens por análise foliar
A avaliação nutricional das forrageiras pode ser realizada por meio da análise foliar (Figura12).
Recomenda-se utilizar como folhas diagnósticas a primeira e a segunda folha totalmente expandidas, coletadas do ápice para a base da planta.
A amostragem deve incluir entre 25 e 50 plantas por lote para garantir representatividade da área avaliada.
A coleta deve ocorrer durante períodos de maior exigência de fósforo, principalmente na estação das águas, quando ocorre maior crescimento das pastagens.
A análise foliar auxilia na identificação de desequilíbrios nutricionais que nem sempre são detectados apenas pela análise de solo, permitindo ajustes mais precisos no manejo da fertilidade.

Manejo da adubação de pastagens
O manejo adequado da fertilidade das pastagens depende inicialmente da análise química do solo. Essa prática permite identificar deficiências nutricionais e definir doses corretas de fertilizantes.
A recomendação de adubação deve considerar espécie forrageira, intensidade de utilização da área e objetivo produtivo do sistema pecuário.
A correção da acidez representa etapa fundamental para aumento da eficiência da adubação. Solos ácidos apresentam elevada toxicidade por alumínio e baixa disponibilidade de nutrientes essenciais.
A aplicação de calcário aumenta saturação por bases, melhora condições químicas do solo e favorece crescimento radicular das plantas forrageiras.
A época de aplicação dos fertilizantes influencia diretamente resposta das gramíneas forrageiras. A importância da adubação no início do período chuvoso devido à maior disponibilidade hídrica e ao aumento do crescimento vegetal.
A aplicação em períodos secos reduz aproveitamento dos nutrientes e compromete eficiência agronômica da fertilização.
Campos et al. (2017) afirmaram que o manejo do pastejo determina viabilidade econômica do uso de fertilizantes.
Pastagens adubadas exigem ajuste correto da taxa de lotação e controle da altura do pasto para aproveitamento eficiente da forragem produzida. A ausência desse manejo reduz retorno econômico da adubação.
Recuperação de pastagens degradadas
A degradação das pastagens constitui um dos principais problemas da pecuária brasileira. Áreas degradadas apresentam redução da cobertura vegetal, compactação do solo, erosão e diminuição da capacidade produtiva das gramíneas. O processo de degradação normalmente resulta da combinação entre superpastejo, ausência de adubação e manejo inadequado do solo.
A degradação das pastagens reduz vigor das plantas, aumenta presença de invasoras e intensifica erosão do solo. Esses fatores comprometem persistência das forrageiras e elevam custos de recuperação das áreas produtivas. Em situações avançadas, a degradação inviabiliza economicamente o sistema pecuário.
A recuperação das pastagens exige integração entre correção da acidez, fertilização, controle de plantas invasoras e manejo adequado do pastejo. A reposição de nutrientes promove retomada do crescimento forrageiro e favorece restabelecimento da cobertura vegetal do solo.
O manejo correto da lotação animal também reduz pressão sobre as gramíneas e melhora persistência das áreas recuperadas. A recuperação das áreas degradadas produz benefícios agronômicos, econômicos e ambientais.

Pastagens recuperadas apresentam maior produção de matéria seca, aumento da capacidade de suporte animal e redução de processos erosivos. Além disso, a intensificação sustentável reduz necessidade de abertura de novas áreas para expansão pecuária.
Impactos da adubação sobre a produção animal
A fertilização das pastagens interfere diretamente no desempenho produtivo dos animais.
Pastagens bem nutridas apresentam maior disponibilidade de forragem e melhor valor nutritivo, fatores que favorecem aumento do consumo alimentar pelos bovinos. A melhoria da qualidade da dieta eleva ganho de peso e eficiência produtiva do rebanho.
Em sistemas manejados adequadamente, o ganho de peso diário pode aumentar de 30% a 50%.
Além disso, a adubação aumenta a capacidade de suporte animal, permitindo maior número de animais por hectare sem comprometer persistência da pastagem.
O aumento da produtividade por unidade de área contribui para redução da pressão sobre ecossistemas naturais e melhora eficiência da pecuária brasileira.
Conclusão
A adubação de pastagens representa prática indispensável para manutenção da produtividade pecuária brasileira. A baixa fertilidade natural dos solos tropicais limita desenvolvimento das gramíneas forrageiras e reduz capacidade produtiva das áreas quando não ocorre reposição adequada de nutrientes.
Nitrogênio, fósforo e potássio constituem os nutrientes mais importantes para crescimento vegetal, produção de matéria seca e persistência das forrageiras. O manejo equilibrado desses elementos promove melhoria do valor nutritivo da pastagem e aumento do desempenho animal.
A recuperação das áreas degradadas depende da integração entre correção da acidez, fertilização e manejo adequado do pastejo. Sistemas produtivos sustentáveis exigem equilíbrio entre produtividade animal, conservação do solo e uso racional dos fertilizantes.
Assim, a adubação das pastagens deve ser compreendida como ferramenta técnica fundamental para intensificação sustentável da pecuária brasileira, associada ao aumento da produtividade, melhoria da qualidade da forragem e preservação dos recursos naturais.
FAQ adubação de Pastagens
Qual o melhor adubo para pastagem?
Depende da análise de solo e da exigência da forrageira. Nitrogênio, fósforo e potássio são os nutrientes mais utilizados em programas de fertilização de pastagens.
Quando fazer adubação de pastagens?
O ideal é realizar a adubação no início do período chuvoso, quando existe maior disponibilidade hídrica e melhor aproveitamento dos nutrientes pelas plantas.
A adubação aumenta a lotação animal?
Sim. Pastagens bem nutridas produzem mais forragem e suportam maior número de animais por hectare.
Como recuperar pastagens degradadas?
A recuperação envolve análise de solo, correção da acidez, adubação, controle de invasoras e ajuste do manejo do pastejo.
A ureia é indicada para pastagens?
Sim. A ureia é uma das principais fontes de nitrogênio utilizadas em pastagens devido à elevada concentração de N e ao menor custo por unidade do nutriente.
Qual a importância do fósforo para pastagens?
O fósforo favorece o crescimento radicular, o perfilhamento e o estabelecimento das gramíneas forrageiras, sendo fundamental em solos tropicais deficientes nesse nutriente.
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Referências
CAMPOS, Nathália Rafaela Fidelis et al. Adubação de pastagens e manejo do pastejo como estratégias para intensificar a produção animal. Anais da X Mostra Científica FAMEZ/UFMS, Campo Grande, p. 203-210, 2017.
FERRARI, Fábio. Tudo que você precisa saber sobre adubo para pastagem. Nutrimosaic, 23 fev. 2026. Disponível em: https://nutrimosaic.com.br/tudo-que-voce-precisa-saber-sobre-adubo-para-pastagem/. Acesso em: 4 maio 2026.
FRANCISCO, Eros. Adubação de pastagens. Piracicaba: IPNI Brasil, [s.d.]. 75 p.
HERLING, Valdo Rodrigues et al. Adubação de pastagens, saiba por quê? [S.l.: s.n.], [s.d.]. Disponível em: <arquivo PDF>. Acesso em: 4 maio 2026.
REHAGRO. Adubação de pastagens: como maximizar a produtividade do seu rebanho? [S.l.], 2025. Disponível em: https://rehagro.com.br/blog/adubacao-de-pastagens-como-maximizar-a-produtividade-do-seu-rebanho/. Acesso em: 1 maio 2026.
SANTOS, Manoel Eduardo Rozalino. Adubação de pastagens: possibilidades de utilização. Enciclopédia Biosfera, Goiânia, v. 6, n. 11, p. 1-15, 2010.
TIMAC AGRO BRASIL. Adubação das pastagens. [S.l.], [s.d.]. Disponível em: https://www.timacagro.com.br/adubacao-das-pastagens/. Acesso em: 2maio 2026.
YARA BRASIL. Dicas para uma adubação de pastagem eficiente. YaraNutre, 9 set. 2022. Disponível em: https://www.yarabrasil.com.br/conteudo-agronomico/blog/dicas-adubacao-de-pastagem/. Acesso em: 2 maio 2026.
Sobre o autor:

Alasse Oliveira da Silva
Doutorando em Produção Vegetal (ESALQ/USP)
- Engenheiro agrônomo (UFRA) e Técnico em agronegócio
- Mestre e especialista em Produção Vegetal (ESALQ/USP)
Como citar este artigo:
SILVA, A. O. da. Adubação de pastagens e uso de adubos na produção pecuária. Blog Agroadvance. Publicado: 20 Mai. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-adubacao-de-pastagens-adubos/. Acesso: 20 maio. 2026



