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O que é agricultura regenerativa e como ela contribui para sequestro de carbono e saúde do solo?

Entenda o que é agricultura regenerativa e como ela restaura a biodiversidade, melhora a saúde do solo e promove o sequestro de carbono para ecossistemas agrícolas mais resilientes e sustentáveis.
  • Publicado em 24/09/2025
  • Lusiane de Sousa Ferreira
  • Bioinsumos, Sustentabilidade
  • Publicado em 24/09/2025
  • Lusiane de Sousa Ferreira
  • Bioinsumos, Sustentabilidade
  • Atualizado em 23/09/2025
O que é agricultura regenerativa?
Sumário

A busca por sistemas produtivos mais resilientes e sustentáveis tem ganhado força no agronegócio mundial. Nesse cenário, a agricultura regenerativa ganha destaque, já que se utiliza de um conjunto de práticas agrícolas que não apenas reduzem os impactos ambientais, mas que também restauraram e fortalecem a saúde dos ecossistemas produtivos, aumentam o sequestro de carbono e promovem a biodiversidade.

No Brasil, esse debate é especialmente relevante, já que o país é líder na adoção de inovações agrícolas, como foi com o Sistema Plantio Direto, que revolucionou a produção a partir da década de 1970. Assim, compreender o que diferencia a agricultura regenerativa de modelos convencionais e quais princípios a sustentam é fundamental para produtores que buscam unir produtividade e conservação.

Agricultura convencional vs. Agricultura regenerativa

A agricultura convencional baseia-se em práticas intensivas, como o uso frequente de insumos químicos sintéticos, preparo intensivo do solo, monocultivos e elevada mecanização. Embora esse modelo tenha proporcionado ganhos expressivos de produtividade, esse modelo também trouxe desafios como erosão, degradação da fertilidade natural do solo, redução da biodiversidade, maiores emissões de gases de efeito estufa e perda de matéria orgânica.

A agricultura regenerativa, por outro lado, se apoia em práticas que buscam restaurar os processos ecológicos dos sistemas produtivos (Figura 1). Entre seus pilares estão o uso de plantas de cobertura, a rotação e diversificação de culturas, a redução ou eliminação do revolvimento do solo e a integração entre lavoura, pecuária e florestas (ILPF). Esses manejos favorecem a ciclagem de nutrientes, a infiltração de água e o acúmulo de carbono no solo (sequestro de carbono), contribuindo para sistemas agrícolas mais produtivos e sustentáveis a longo prazo.

principais características da agricultura regenerativa
Figura 1. Principais características da agricultura regenerativa.  Fonte: Gheler-Costa et al. (2023).

O que é agricultura regenerativa?

O conceito de agricultura regenerativa foi introduzido por Robert Rodale em 1983, definido como um sistema de produção agrícola que busca restaurar e revitalizar os ecossistemas, em vez de esgotar seus recursos. A proposta está alicerçada em sete princípios, conhecidos como “7Ps”:

  • Pluralismo, promovendo maior biodiversidade da fauna e da flora;
  • Proteção, por meio da ampliação e melhoria da cobertura vegetal, reduzindo a erosão e estimulando populações microbianas do solo;
  • Pureza, pela não utilização de defensivos agrícolas;
  • Permanência, valorizando o cultivo de espécies perenes e o fortalecimento radicular;
  • Paz, com práticas agrícolas harmônicas em relação ao ambiente;
  • Potencial, assegurando disponibilidade de nutrientes ao desenvolvimento das plantas; e
  • Progresso, associado à melhoria estrutural e funcional do solo, favorecendo sua qualidade e capacidade de armazenamento de água. Entre esses princípios, Rodale destaca a qualidade do solo como eixo central da agricultura regenerativa, pois é ela que garante maior capacidade de sequestro de carbono e resiliência dos ecossistemas.

Na prática, a agricultura regenerativa se traduz em um conjunto de técnicas que integram sustentabilidade e produtividade, como o plantio direto, o uso de culturas de cobertura, o consórcio de espécies, a integração lavoura-pecuária-floresta e a redução do uso de insumos sintéticos.

Essas práticas aumentam o aporte de resíduos vegetais e de carbono orgânico no solo, promovem maior atividade biológica e estimulam a formação de agregados estáveis. Assim, o solo atua como um importante sumidouro de carbono, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa e contribuindo para mitigar as mudanças climáticas.

Além do carbono, a agricultura regenerativa melhora a saúde do solo ao elevar sua fertilidade natural, a capacidade de infiltração e retenção de água, e a resiliência frente a estresses climáticos, como secas e chuvas intensas. Dessa forma, alia benefícios ambientais a ganhos econômicos, consolidando-se como um caminho promissor para sistemas agrícolas mais sustentáveis e resilientes.

Perspectivas e práticas da agricultura regenerativa

A agricultura regenerativa pode ser compreendida a partir de duas perspectivas complementares:

  1. Como um conjunto de processos, que envolvem práticas agrícolas sustentáveis voltadas à conservação ambiental e à promoção da biodiversidade;
  2. Como resultados alcançados, expressos na redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), no aumento da diversidade biológica, na melhoria da fertilidade e conservação do solo, na manutenção do ciclo hidrológico e na maior resiliência dos sistemas agrícolas frente às mudanças climáticas.

É importante ressaltar que agricultura regenerativa não deve ser restrita a um conjunto fixo de técnicas / práticas específicas. Trata-se de um modelo dinâmico, aberto à incorporação de inovações e ao aprimoramento de práticas já estabelecidas, desde que contribuam para a restauração dos serviços ecossistêmicos, o sequestro de carbono e a saúde do solo, como colocado pelo Prof. Felipe Vitaliano no vídeo abaixo:

Entre as práticas mais frequentemente associadas à agricultura regenerativa destacam-se o uso de plantas de cobertura, a diversificação de culturas, o plantio direto, a integração lavoura-pecuária-floresta e o manejo de resíduos orgânicos, entre outras que podem evoluir ao longo do tempo (Figura 2).

Práticas agropecuárias previstas na agricultura regenerativa.
Figura 2. Práticas agropecuárias previstas na agricultura regenerativa. Fonte:  Gheler-Costa et al. (2023) Adaptado de Lal, R. (2020).

Princípios e pilares fundamentais da agricultura regenerativa

Um dos pilares centrais da agricultura regenerativa é a conservação do solo. De acordo com Schreefel et al. (2020), a conservação é o alicerce que sustenta a regeneração de outros serviços ecossistêmicos, incluindo o sequestro de carbono e a melhoria da saúde do solo.

Nesse contexto, o Sistema de Plantio Direto representa uma estratégia fundamental no Brasil, pois reduz a erosão, aumenta o acúmulo de matéria orgânica e favorece a ciclagem de nutrientes (Figura 3). Assim, sua adoção é indispensável para fortalecer os sistemas produtivos dentro da perspectiva da agricultura regenerativa.

Pré-requisitos mínimos para o sistema de plantio direto: manter cobertura, diversificar rotação, mínimo revolvimento.
Figura 3. Pré-requisitos mínimos para o sistema de plantio direto: manter cobertura, diversificar rotação, mínimo revolvimento. Fonte:  Gheler-Costa et al., 2023.

Figura 3. Pré-requisitos mínimos para o sistema de plantio direto: manter cobertura, diversificar rotação, mínimo revolvimento. Fonte:  Gheler-Costa et al., 2023.

A agricultura regenerativa desempenha papel central no sequestro de carbono e na promoção da saúde do solo, sobretudo pela captura de CO2 atmosférico pelas plantas, que funcionam como sumidouros naturais de carbono.

Estima-se que um metro quadrado de solo armazene aproximadamente o dobro de carbono existente na atmosfera e três vezes mais que a biomassa da biosfera (Cerri, 2023a).

Entre as práticas regenerativas, o uso de plantas de cobertura é estratégico para aumentar o estoque de carbono no solo, pois:

  1. Eleva a quantidade de biomassa produzida e incorporada;
  2. Amplia a diversidade e a qualidade dessa biomassa;
  3. Incrementa o teor de N no solo por meio da fixação biológica realizada por leguminosas, favorecendo maior crescimento vegetal e maior eficiência na estabilização do C;
  4. Intensifica a estabilização e proteção do C devido ao aumento da agregação do solo (Figura 4).

Benefícios do carbono no solo.
Figura 4. Benefícios do carbono no solo. Fonte: Hoffland et al., (2020).

Sequestro de carbono e mitigação climática

Um dos aspectos mais discutidos da agricultura regenerativa é sua capacidade de atuar como aliada no combate às mudanças climáticas (Querubim et al., 2024). O manejo adequado permite aumentar o sequestro de carbono por meio da incorporação de resíduos orgânicos ao solo, crescimento profundo do sistema radicular e de sistemas integrados como a ILPF (integração Lavoura-Pecuária-Floresta).

Para Tittonell (2014) e Jhariya et al. (2021), a adoção de práticas de AR baseadas na intensificação ecológica visa:

  1. Garantir a sustentabilidade dos sistemas agrícolas;
  2. Maximizar o uso de recursos e insumos e;
  3. Aumentar o rendimento das culturas e os retornos econômicos, resultando em;
  4. Sistemas de produção agrícola ecologicamente corretos conforme Figura 5. 

pilares da agricultura regenerativa
Figura 5. A agricultura regenerativa (AR), baseada nos pilares da intensificação ecológica, preconiza que a adoção de práticas de manejo sustentável é a ação (1), o incremento da eficiência do sistema é o objetivo (2 e 3) e os benefícios agronômicos e ambientais são os impactos esperados da AR (4). Fonte: Querubim et al., 2024.

O solo é um dos principais reservatórios de carbono do planeta, pois contém cerca de quatro vezes mais carbono que a vegetação global. A proteção do solo utilizando plantas de cobertura é uma prática que aumenta o sequestro de carbono e é uma ótima alternativa para mitigar os impactos de intensas precipitações que provocam perda de solo (Gomes; Cardoso, 2021).

A agricultura regenerativa é um conjunto de práticas agrícolas que, além de manter a produção, têm como foco restaurar a saúde do solo, aumentar a biodiversidade e fortalecer o equilíbrio ecológico. Dentro dela, o sequestro de carbono e a mitigação climática ocorrem por vários mecanismos integrados:

Agricultura Regenerativa vs. Sequestro de Carbono

  1. Matéria orgânica do solo (MOS): Quando se faz rotação de culturas, uso de adubos verdes, cobertura permanente do solo e plantio direto, há aumento no aporte de resíduos vegetais (raízes, palhada). Esses resíduos são decompostos por microrganismos e parte do carbono é estabilizado no solo como húmus, formando os compartimentos e Carbono associado a minerais.
  2. Sistemas radiculares profundos: Plantas como gramíneas forrageiras ou leguminosas com raízes profundas aumentam o aporte de carbono em camadas mais estáveis do perfil do solo, reduzindo a vulnerabilidade à decomposição rápida.
  3. Agroflorestas e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF): A inclusão de árvores e forrageiras amplia a entrada de biomassa aérea e subterrânea, promovendo maior estoque de carbono.

Agricultura Regenerativa vs. Redução das Emissões

  1. Diminuição da mobilização do solo: O plantio direto e a não aração reduzem a oxidação da MOS, o que evita a liberação rápida de CO₂.
  2. Uso eficiente de fertilizantes: O manejo integrado de nutrientes (como fixação biológica de nitrogênio por leguminosas) reduz a necessidade de fertilizantes sintéticos, diminuindo emissões de N₂O, um gás de efeito estufa muito mais potente que o CO₂.
  3. Pastoreio rotacionado: Mantém a cobertura vegetal constante, melhora a ciclagem de nutrientes e reduz áreas de solo exposto, limitando emissões e erosão.

Agricultura Regenerativa vs. Mitigação Climática

  1. Aumento da resiliência: Solos com maior carbono são mais férteis, têm melhor estrutura, armazenam mais água e são menos vulneráveis a extremos climáticos (secas, chuvas intensas).
  2. Substituição de práticas degradantes: Ao restaurar áreas degradadas, a agricultura regenerativa retira carbono da atmosfera e devolve ao solo, ao mesmo tempo em que melhora a produtividade de forma sustentável.
  3. Serviços ecossistêmicos: Aumento da biodiversidade, redução de ilhas de calor, ciclagem de nutrientes e melhora da infiltração hídrica contribuem para a estabilidade climática local e global.
    A agricultura regenerativa atua como sumidouro de carbono ao aumentar os estoques de MOS e reduzir emissões de gases de efeito estufa.

Isso ocorre pela combinação de maior entrada de biomassa vegetal, menor perda de carbono via revolvimento do solo e otimização do uso de insumos. O resultado é duplo: mitigação climática e maior sustentabilidade produtiva.

Agricultura Regenerativa e a relação com a saúde do solo

A saúde do solo é entendida como a sua capacidade de manter funções ecológicas essenciais, como infiltração e armazenamento de água, disponibilização de nutrientes e suporte a comunidades microbianas diversas. A agricultura regenerativa melhora esses atributos por meio de:

  • Maior matéria orgânica: aumento de carbono no solo, que atua como reserva de nutrientes e melhora a retenção de água.
  • Diversidade microbiana: comunidades mais resilientes, capazes de suprimir patógenos e favorecer simbioses como a fixação biológica de nitrogênio.
  • Estrutura e porosidade: raízes profundas e contínuas reduzem compactação, facilitam infiltração de água e melhoram aeração.
  • Ciclagem equilibrada de nutrientes: menos dependência de insumos externos, maior eficiência no uso de N, P e K.

Assim, a agricultura regenerativa não se limita a práticas isoladas, mas constitui uma estratégia de manejo integrada, em que a saúde do solo é a base da produtividade e da sustentabilidade a longo prazo.

Integração de agricultura regenerativa com bioinsumos

A agricultura regenerativa tem alta sinergia com os bioinsumos. Produtos biológicos, como inoculantes, biofertilizantes e agentes de controle biológico, fortalecem a ciclagem natural de nutrientes e promovem maior equilíbrio entre plantas e microrganismos.

A integração da agricultura regenerativa com bioinsumos ocorre de forma sinérgica como reforçado pelo professor Felipe Vitaliano no vídeo abaixo, porque ambos os conceitos buscam restaurar a saúde do solo, aumentar a resiliência dos sistemas produtivos e reduzir a dependência de insumos químicos externos.

Essa integração pode ser entendida em alguns pontos principais:

  • Solo como organismo vivo

Na agricultura regenerativa, o solo é visto como um ecossistema que precisa ser protegido e revitalizado. Os bioinsumos (como inoculantes, microrganismos promotores de crescimento, biofertilizantes e biodefensivos) reforçam essa lógica, pois atuam estimulando a microbiota nativa, melhorando a ciclagem de nutrientes e aumentando a estabilidade biológica do solo.

  • Substituição de insumos sintéticos

A redução do uso de fertilizantes e defensivos químicos é um pilar regenerativo. Os bioinsumos permitem essa substituição gradual, oferecendo alternativas de baixo impacto que promovem fertilidade natural, controle biológico de pragas e maior eficiência no uso de nutrientes.

  • Ciclagem de nutrientes e carbono

Microrganismos como Azospirillum, Rhizobium e espécies de Bacillus aumentam a fixação biológica de N, solubilizam fósforo e liberam compostos que ajudam no aproveitamento de K, Ca e Mg. Isso se conecta diretamente às práticas regenerativas, que visam sequestro de carbono no solo e melhoria do balanço nutricional.

  • Resiliência ao estresse abiótico

Bioinsumos com efeitos fisiológicos (ex.: extratos de algas, microrganismos indutores de tolerância) ajudam as plantas a resistirem a estresse como a seca, calor ou salinidade. Isso amplia a resiliência climática buscada pela agricultura regenerativa.

  • Diversificação e consórcios

A agricultura regenerativa valoriza policultivos, rotação e integração lavoura-pecuária-floresta. Bioinsumos adaptam-se bem a esse modelo, porque funcionam em diferentes hospedeiros e aumentam a capacidade das plantas de explorar nichos variados, mantendo a diversidade funcional do agroecossistema.

  • Indicadores de sustentabilidade

A adoção conjunta permite monitorar indicadores como aumento da matéria orgânica, melhoria da infiltração e retenção de água, maior diversidade microbiana e redução da pegada de carbono. Assim, os bioinsumos se tornam ferramentas práticas dentro das métricas regenerativas.

Métricas para agricultura regenerativa

Indicadores de qualidade e saúde do solo

A avaliação da saúde e da qualidade do solo é fundamental para o avanço da agricultura regenerativa, pois fornece as métricas necessárias para mensurar seus impactos.

É essencial desenvolver indicadores capazes de refletir o funcionamento do ciclo hídrico, a captura de carbono, a biodiversidade e os níveis de qualidade do solo.

Dessa forma, torna-se possível verificar se os resultados obtidos estão alinhados aos princípios da agricultura regenerativa e se contribuem efetivamente para a regeneração do solo e o sequestro de carbono.

Indicadores de qualidade do solo /saúde do solo
Figura 6. Indicadores de qualidade/saúde. Fonte: Cerri (2023b).

Na avaliação da agricultura regenerativa, foram considerados três grupos principais de indicadores de qualidade e saúde do solo: químicos, físicos e biológicos. Esses indicadores permitem analisar diferentes dimensões do funcionamento do solo, evidenciando se a propriedade rural adota práticas capazes de promover o sequestro de carbono e a melhoria da saúde do solo, objetivos centrais da agricultura regenerativa.

A Figura 7 apresenta os 38 indicadores utilizados, distribuídos em 14 químicos, 14 físicos e 10 biológicos.

Principais indicadores para analisar qualidade do solo em práticas agrícolas regenerativas
Figura 7. Principais indicadores para analisar qualidade do solo em práticas agrícolas regenerativas. Fonte: Cerri (2023 b).

Indicadores gerais

Considerando a Teoria da Mudança, destaca-se quatro dimensões para implementação da agricultura regenerativa:

  1. Sequestro de carbono;
  2. Restauração do solo;
  3. Maximização de recursos agrícolas e ambientais e
  4. Biodiversidade (Figura 8).

Os indicadores acima consideram como base do seu desenvolvimento:

  1. Diferentes tipos de culturas agrícolas;
  2. Pequenos e grandes produtores agrícolas; e
  3. Ênfase em indicadores que utilizem bases de dados ambientais/agrícolas e sensoriamento remoto em detrimento de pesquisas de campos (Rattis; Garcia, 2023).

Dimensões da agricultura regenerativa.
Figura 8. Dimensões da agricultura regenerativa. Fonte: Adaptada de Lal (2007).

Para avaliar a biodiversidade, adotaram indicadores relacionados ao suporte de biodiversidade que a implementação da Agricultura regenerativa pode gerar (Rattis e Garcia, 2023) conforme apresentado na Tabela 1.

Tabela 1. Sugestão de indicadores para agricultura regenerativa

IndicadoresMétricas
Regulação do clima localTemperatura da superfície da terra
Umidade
Regulação do clima globalÁrea ocupada por vegetação nativa (variação percentual da cobertura)
Produção primária acumulada (variação da biomassa)
Regulação da qualidade da águaManejo da paisagem (número de pontos de acesso de animais a corpos d’água)
Portabilidade (parâmetros físico-químicos e biológicos)
Suporte a qualidade do soloTemperatura
Umidade
Material orgânico do solo (variação percentual MO)
Manutenção da estabilidade do soloPontos de erosão do terreno (número, tamanho e aspecto)
Solo exposto
Sedimentação (modelo de perda de solo, e.g. RUSLE)
Provisão de águaTrabalho gasto na captura de água (estruturas de captação e distribuição de água)
Rendimento hídrico
Provisão de alimentosDiversidade de itens alimentares
Produção primária ou o vigor da vegetação
Produtividade
Controle Biológico de Pragas e doençasTrabalho gasto no controle de pragas
Suporte a biodiversidadeProdução primária acumulada
Riqueza de espécies
Índice de habitat
Índice de biodiversidade
Suporte a polinizadoresAbundância de recursos para polinizadores
Fonte: Rattis & Garcia (2023).

Benefícios socioambientais e econômicos da agricultura regenerativa

A Figura 9 traz os principais resultados esperados em propriedades rurais que adotam o sistema de agricultura regenerativa.

benefícios da agricultura regenerativa
Figura 9. Resultados esperados com a implementação da agricultura regenerativa. Fonte: CEBDS (2023).

Conclusões

Assim como o Sistema Plantio Direto consolidou uma revolução agrícola no Brasil no século passado, a agricultura regenerativa se apresenta hoje como a próxima fronteira para unir produtividade e conservação.

A agricultura regenerativa contribui de forma efetiva para o sequestro de carbono e para a melhoria da saúde do solo, ao integrar práticas que favorecem a fertilidade, a estrutura e a atividade biológica.

A seleção de indicadores químicos, físicos e biológicos permite avaliar de forma objetiva os resultados obtidos. Os 38 indicadores propostos demonstram ser ferramentas eficientes para monitorar e validar os benefícios da agricultura regenerativa, consolidando-a como estratégia essencial para a sustentabilidade agrícola e a mitigação das mudanças climáticas.

—

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Referências

CERRI, E.C. Agricultura regenerativa. (C. Gheler, Ed.). I Workshop de Agri cultura regenerativa no Brasil – CEBDS. Anais..Virtual: CEBDS, 15 ago. 2023a.

CERRI, E.C. Soil is at the center of technical, scientific and political agendas around the world. (C. Gheler, Ed.). III Workshop de Agricultura rege nerativa no Brasil – CEBDS. Anais..Virtual: CEBDS, 10 out. 2023b.

GHELER-COSTA, C.; LOPES, J.; CRUZ, G. M. Agricultura regenerativa no Brasil: desafios e oportunidades. CEBDS, 2023. Disponível em: https://cebds.org/wp-content/uploads/2023/12/CEBDS_AgriculturaRegenerativa_2023.pdf. Acesso: 18 Set 2025.

GOMES, L. C., CARDOSO, I. M. Papel da agricultura familiar no sequestro de carbono e na adaptação às mudanças climáticas. Ciência e Cultura, São Paulo, v. 73, n. 1, p. 38-43, jan./mar. 2021. DOI: 10.21800/2317-66602021000100008 

HOFFLAND, E., KUYPER, T.W., COMANS, R.N.J., CREAMER, R. E. Eco-functionality of organic matter in soils. Vegetable Soil, v.455, p. 1–22 (2020). DOI: 10.1007/s11104-020-04651-9.

JHARIYA, M.K., MEENA, R.S., BANERJEE, A. (2021) Intensificação ecológica dos recursos naturais para um sistema produtivo sustentável. In: JHARIYA, M.K., MEENA, R.S., BANERJEE, A. (eds.), Intensificação ecológica dos recursos naturais para a agricultura sustentável. Cingapura: Springer, pp.1–28.

LAL, R. (2020). Regenerative agriculture for food and climate. Journal of Soil and Water Conservation, v. 75, 123A-124A. DOI: 10.2489/jswc.2020.0620A

QUERUBIM MR, PINHEIRO JUNIOR CR, ALVES LA, BAYER C, CERRI CEP, BARIONI LG., PEPER, A., ANSELMI, A.A. Carbon Agriculture Initiative: A Nationwide Public-Private Partnership to Promote Regenerative Agriculture in Brazil. Experimental Agriculture. v. 60:e28. 2024. DOI: 10.1017/S0014479724000255

RATTIS, L.; GARCIA, A. Métricas e indicadores para Agricultura regenerativa no Brasil. (C. Gheler, Ed.). III Workshop de Agricultura regenerativa no Brasil – CEBDS. Virtual: CEBDS, 10 out. 2023.

RODALE, R. BREAKING. New Ground: The Search for a Sustainable Agriculture. Futurist, v. 17, n. 1, p. 15–20, fev. 1983b.

RODALE, R. Seven tendencies towards regeneration in agriculture, commu nities an personal spirit. [s.l: s.n.] 1983a.

SCHREEFEL, L.; SCHULTE, R.; DE BOER, I. J. M.; SCHRIJVER, A. P.; VAN ZANTEN, H. H. E. Regenerative agriculture-the soil is the base. Global Food Security, v. 26, p. 100404, 2020. DOI: 10.1016/j.gfs.2020.100404

TITTONELL, P. Intensificação ecológica da agricultura – sustentável por natureza. Opinião Atual em Sustentabilidade Ambiental. v. 8, p. 53–61, 2014.

Sobre a autora:

Lusiane de Sousa Ferreira

Doutoranda em Agrononia - Agricultura (FCA/UNESP)

  • Cursa MBA em Data Science e Analytics (ESALQ/USP)
  • Mestra em Agronomia (UFES)
  • Engenheira Agrônoma (UFMA)
  • [email protected]
  • Perfil do Linkedin
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Como citar este artigo:

FERREIRA, L.S. O que é agricultura regenerativa e como ela contribui para sequestro de carbono e saúde do solo? Blog Agroadvance. Publicado em: 24 Set 2025. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-o-que-e-agricultura-regenerativa/. Data de acesso: 13 jun. 2026.

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