O mix de plantas de cobertura de solo virou ferramenta comum na entressafra, mas ainda é montado, com frequência, pelo número de espécies no saco ou por receita pronta. Essa lógica produz mix que compete consigo mesmo, falha na implantação ou não entrega a melhoria de solo esperada.
O que é um mix de cobertura e quais são as vantagens gerais da prática já foi tratado no blog. A questão aqui é outra: como compor o mix pela função de cada espécie.
A dificuldade começa no sistema. No Brasil Central, onde a produção gira em torno de soja, milho e algodão, rotacionar com cultura não comercial em grande propriedade é difícil, e a entressafra é a janela realista para diversificar. Nessa janela, a escolha esbarra em competição entre espécies, adaptação regional, tipo de solo, disponibilidade de semente e capacidade operacional.
No Simpósio Brasileiro de Saúde do Solo (SBSS) 2026, promovido pela Agroadvance, Edicarlos Damacena de Souza, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), diretor do Grupo de Pesquisa e Inovação em Sistemas Puros e Integrados de Produção (GPISI) e vice-presidente da Aliança SIPA, apresentou como desenhar o mix por função, com dados de ensaios conduzidos em Rondonópolis (MT).
Os dois artigos científicos que sustentam os dados centrais deste texto (Almeida et al., 2026; Gonçalves et al., 2025) são do grupo do palestrante, que assina ambos como coautor.
O percurso: a diferença entre riqueza de espécies e diversidade funcional, a escolha pelo serviço, a função de cada grupo, a competição dentro do mix e a taxa de semeadura da gramínea, e o que muda quando o mix é pastejado.
Mais espécies no mix de plantas de cobertura do solo significa mais diversidade funcional?
Não. Riqueza de espécies mede quantas espécies há no mix e como os indivíduos se distribuem entre elas. Diversidade funcional mede a amplitude de funções que essas espécies executam, como arquitetura radicular, relação C/N da palhada, fixação biológica de nitrogênio e ciclagem de nutrientes. Um mix com cinco gramíneas é rico, mas funcionalmente redundante.
As duas definições abriram a parte conceitual da palestra. Diversidade de espécies é a variação e a abundância de espécies numa comunidade. Diversidade funcional é o componente da biodiversidade que considera as diferenças de função morfológica, ecológica e comportamental entre espécies e indivíduos.
Desse contraste sai o princípio com que o palestrante fechou a apresentação:
“O melhor mix não é o que possui mais espécies. É aquele em que cada espécie tem uma função, as funções são complementares e o conjunto é manejável dentro do sistema.” — Edicarlos Damacena de Souza (SBSS, 2026).
A leitura converge com a de Maurício Cherubin no mesmo simpósio, que afirmou não haver base para dizer que um mix de seis espécies é melhor que um de quatro, no contexto da evolução verde da agricultura.
Trata-se de um princípio de composição, não de uma conclusão isolada por ensaio. Nos dados apresentados, riqueza e função andam juntas: em cada nível do ensaio descrito abaixo, a espécie acrescentada é de outra família. Os resultados mostram o que muda com a diversificação, mas não comparam mixes com o mesmo número de espécies e diversidade funcional diferente.
O que é redundância funcional?
Redundância funcional ocorre quando várias espécies do mix executam a mesma função. Somar cinco gramíneas aumenta o número de espécies, mas não o de funções: o mix fica mais complexo de implantar e mais competitivo, sem ganhar serviço novo.
O palestrante relatou ter encontrado, em mixes de mercado, combinações com cinco espécies de gramínea juntas. Por pertencerem ao mesmo grupo funcional, elas tendem a repetir o tipo de raiz e a qualidade da palhada.
Na visão dele, o mix florido que agrada a quem olha é, para a planta, competição. Quanto mais espécies, maior também a exigência operacional de implantação e manejo.
O que muda no solo quando o mix ganha grupos funcionais?
Em ensaio em Rondonópolis (MT), num solo com 420 g kg⁻¹ de argila, a proporção de macroagregados de 4,75–2,0 mm passou de 16,0% com capim Piatã solteiro para 47,7% num mix de cinco espécies de famílias diferentes, sem reduzir a produção total de forragem (Almeida et al., 2026).
O ensaio comparou cinco níveis de riqueza: Piatã solteiro; Piatã + feijão-caupi; + trigo-mourisco; + nabo-forrageiro; e + girassol, com cinco espécies. A área tinha mais de 20 anos de pecuária, o mix foi implantado em dezembro de 2021, sem adubação, e o solo foi amostrado em maio de 2023, na camada de 0–10 cm.
A leitura dos resultados pede atenção à forma da resposta. A entrada do caupi já tirou a agregação do nível do Piatã solteiro (16,0 → 33,9%). Os três níveis intermediários (33,9%, 25,8% e 29,4%) não diferem entre si, e o maior valor (47,7%) só aparece com a inclusão do girassol, que os próprios autores apontam como possível efeito da espécie, e não da riqueza. O ganho, portanto, não cresceu de forma linear com o número de espécies.

Os demais atributos seguiram a mesma direção. Na matéria orgânica do solo, o carbono orgânico total (COT) foi 20% maior e o carbono orgânico particulado (COP), 41% maior no mix de cinco espécies. O diâmetro médio ponderado dos agregados (DMP) passou de 0,9 para 1,7 mm.
Nos indicadores biológicos, a β-glicosidase subiu 52% e o carbono da biomassa microbiana (CBM), 83%. O quociente metabólico (qCO₂) foi 141% maior no Piatã solteiro, e o quociente microbiano (qMIC) dobrou no mix.
Há um dado contraintuitivo. No curto prazo, o Piatã solteiro teve mais raiz na camada de 0–20 cm: comprimento 54% maior e massa seca de raiz 77% maior que o mix de cinco espécies. Diversidade de arquitetura radicular não significa mais massa de raiz.
Tabela 1. Atributos do solo e da planta com capim Piatã solteiro e com mix de cinco espécies, em Rondonópolis (MT)
| Atributo | Piatã solteiro | Mix de 5 espécies | Diferença |
| Macroagregados 4,75–2,0 mm | 16,0% | 47,7% | +198% no mix |
| Diâmetro médio ponderado (DMP) | 0,9 mm | 1,7 mm | +0,8 mm no mix |
| Carbono orgânico total (COT) | — | — | +20% no mix |
| Carbono orgânico particulado (COP) | — | — | +41% no mix |
| Carbono da biomassa microbiana (CBM) | — | — | +83% no mix |
| β-glicosidase | — | — | +52% no mix |
| qCO₂ (mg C-CO₂ mg⁻¹ CBM h⁻¹ × 10⁻³) | 18,6 | 7,7 | 141% maior no solteiro |
| qMIC | — | — | +100% no mix |
| Comprimento de raiz (0–20 cm) | 4.147 cm por amostra | 2.693 cm por amostra | 54% maior no solteiro |
| Massa seca de raiz (0–20 cm) | — | — | 77% maior no solteiro |
| Produção total de forragem | — | — | Sem diferença (média de 6.090 kg ha⁻¹) |
Os limites do ensaio precisam acompanhar a leitura: é de curto prazo, em parcelas pequenas com semeadura manual, num solo argiloso. O resultado não se extrapola diretamente para solo arenoso.
Como montar um mix de plantas de cobertura pelo serviço que o talhão precisa?
A montagem começa pelo problema do talhão, não pela espécie. Primeiro se diagnostica a limitação principal, como compactação, falta de cobertura do solo, limitação de fertilidade química ou baixa matéria orgânica. Depois se define o serviço que resolve essa limitação e o grupo funcional que o executa. A espécie é a última decisão, condicionada à semente disponível e à adaptação regional.
O palestrante resumiu a inversão:
“a escolha da espécie ela começa ao contrário eu não escolho a espécie eu escolho o serviço que eu quero que essa espécie execute no sistema” — Edicarlos Damacena de Souza (SBSS, 2026).
O paralelo que ele usa é o da fertilidade: assim como não se escolhe fertilizante sem diagnóstico, não se escolhe mix sem ele. Como fazer o diagnóstico da saúde do solo é tema de outro artigo; o ponto aqui é a ordem das decisões.
Cada limitação aponta para um serviço diferente. O que resolve uma camada com compactação não é o mesmo que resolve um solo descoberto ou pobre em matéria orgânica. Na composição, o alerta do palestrante é contra juntar espécies de mesmo sistema radicular e mesma relação C/N, o que gera redundância de função. Na prática, isso significa combinar arquiteturas radiculares diferentes, como raiz fasciculada e raiz pivotante, e palhadas de relação C/N alta e baixa.
A adaptação regional muda a função de uma mesma espécie. O exemplo dado na palestra é o nabo-forrageiro: o papel que ele cumpre no Sul do Brasil é diferente do que cumpre no Cerrado, onde o grupo teve dificuldade de encontrar material que funcionasse. Disponibilidade de semente, por isso, é critério de escolha, não detalhe.
O tipo de solo também entra na decisão. A recomendação do palestrante é trabalhar com mixes diferentes para solo arenoso, médio e argiloso dentro da mesma propriedade.

Qual a função de cada grupo funcional no mix de plantas de cobertura de solo?
Cada grupo funcional entra no mix de plantas de cobertura de solo pelo serviço que executa. As gramíneas, de raiz fasciculada e palhada com relação C/N alta, garantem cobertura mais persistente e grande volume de raízes. As leguminosas, de palhada com C/N baixa, fazem fixação biológica de nitrogênio. Espécies de raiz pivotante, de outras famílias, diversificam a arquitetura radicular do conjunto.
O palestrante recusou o formato de catálogo, em que cada espécie é apresentada como a melhor para determinado fim. As fichas das principais espécies de plantas de cobertura estão em outro artigo do blog.
No ensaio de Rondonópolis, os grupos aparecem em espécies concretas: braquiária (capim Piatã) como gramínea; feijão-caupi entre as leguminosas; e, de outras famílias, nabo-forrageiro (Brassicaceae), trigo-mourisco (Polygonaceae) e girassol (Asteraceae) (Almeida et al., 2026). Na palestra, cártamo e estilosantes foram citados como opções, sempre condicionadas à disponibilidade regional de semente.
Na prática, o grupo chamado de “brássicas” no mix costuma juntar famílias distintas. O critério é a função, não a família botânica.
O raciocínio do palestrante sobre complementaridade é encadeado: mais funções no mix significam mais entrada de carbono, que favorece a agregação, que protege a matéria orgânica, que sustenta mais ciclagem e atividade biológica. Ele descreve esse processo como uma espiral crescente, que, na leitura dele, se reflete em produtividade. A contribuição da palhada para a ciclagem de potássio foi detalhada em outro artigo do SBSS.
Por que tantos mixes de plantas de cobertura falham no campo?
Os mixes falham, sobretudo, por três motivos. São montados pelo número de espécies ou por moda, sem diagnóstico do talhão. Seguem receita pronta, que ignora o tipo de solo e a adaptação regional das espécies. E reúnem espécies que o sistema não consegue implantar, dessecar ou pastejar, ou que competem a ponto de a espécie-alvo perder espaço.
O primeiro erro, na descrição do palestrante, é a ilusão de que juntar muitas espécies já constitui um mix. A redundância funcional, com várias gramíneas no mesmo saco, é a forma mais comum desse erro.
O segundo é a receita pronta. Mix comprado pronto e aplicado sem olhar o talhão tende a ser pouco eficiente. O palestrante citou como positivo o caso de empresas que preparam a mistura sob encomenda, a partir da definição do produtor. Importar espécie ou função de outra região, como no caso do nabo-forrageiro, é variação do mesmo problema.
O terceiro é perder de vista o conjunto manejável. Mais espécies aumentam a complexidade operacional de semeadura, dessecação e pastejo. E usar no mix a mesma taxa de semeadura do cultivo solteiro deixa a gramínea-alvo em desvantagem na competição, tema do próximo capítulo.
Por que a taxa de semeadura da gramínea muda quando ela vai em mix?
Porque, no mix, as espécies competem por luz, água e nutrientes, e a gramínea-alvo perde participação se a taxa de semeadura não for ajustada. Em consórcio múltiplo, o critério adotado em ensaio publicado do grupo da UFR é aumentar a taxa de semeadura da gramínea em pelo menos 50% (Gussi, 2023, citado por Almeida et al., 2026).
Quem compete com quem dentro do mix?
A competição que importa aqui é entre as espécies do mix. Nos ensaios do grupo em Rondonópolis relatados na palestra, a produtividade do capim Piatã caiu à medida que outras espécies foram acrescentadas ao consórcio.
Em paralelo, no ensaio publicado de Almeida et al. (2026), a produção total de forragem não variou com a riqueza de espécies, com média de 6.090 kg ha⁻¹. São medidas diferentes: a fala trata da produtividade do Piatã; o artigo, da forragem total do mix.
Essa competição não se confunde com a que ocorre entre a cultura de grãos e a cobertura, tratada no artigo sobre consórcio milho + braquiária.
Quanto aumentar a taxa da gramínea-alvo?
Em consórcio múltiplo, a taxa de semeadura da gramínea deve ser aumentada em pelo menos 50%. É o critério que o grupo da UFR adotou no ensaio publicado de Rondonópolis, com base em Gussi (2023), citado por Almeida et al. (2026).
O grupo também testou taxas crescentes de Piatã em consórcio, e a produção subiu com o aumento da taxa, segundo o relato da palestra.
A definição da espécie-alvo depende do uso do mix. Quando o mix vai ser pastejado, a prioridade é a gramínea perene, porque as demais espécies são anuais e fecham o ciclo. É ela que precisa ser protegida da competição.
Tabela 2. Espécies e taxas de semeadura usadas nos cinco níveis de riqueza do ensaio de Rondonópolis (MT)
| Nível de riqueza | Espécie acrescentada | Taxa usada no ensaio (kg ha⁻¹) |
| 1 espécie | Capim Piatã | 11,8 |
| 2 espécies | + feijão-caupi BRS Tumucumaque | 8 |
| 3 espécies | + trigo-mourisco | 7 |
| 4 espécies | + nabo-forrageiro | 3 |
| 5 espécies | + girassol | 4 |
As taxas acima são as do ensaio, em parcelas de 12 m² com semeadura manual, e não constituem recomendação de campo.
O que muda quando o mix é pastejado?
O pastejo acrescenta o animal ao sistema, e o mix passa a ser manejado também como forragem. Em solo franco-arenoso do Cerrado mato-grossense, o aumento da diversidade de plantas, que vai do pousio ao mix pastejado em integração lavoura-pecuária, elevou a produtividade em até 251% no algodão e até 82% na soja em relação ao sistema de diversidade muito baixa (Gonçalves et al., 2025).
A distinção conceitual feita na palestra é direta: braquiária pastejada não é o mesmo que braquiária, e mix pastejado não é o mesmo que mix. Pastejar resteva de milho também não é integração lavoura-pecuária.
O que o protocolo IMA mostrou?
O protocolo de longa duração do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMA), em Rondonópolis (MT), compara cinco níveis de diversidade de plantas após a soja, do pousio ao mix pastejado, numa área de 6 ha conduzida desde 2017. Em solo franco-arenoso, a maior diversidade elevou carbono e nitrogênio da matéria orgânica particulada, e o nível em ILP elevou o carbono orgânico total (Gonçalves et al., 2025).
Os cinco níveis, conforme descritos na palestra, são: muito baixa (soja/pousio); baixa (soja/braquiária); média (soja/mix de cinco espécies de famílias diferentes); média de longa duração (mix por 20 meses, sem soja); e alta (mix pastejado, em ILP).
O carbono e o nitrogênio da matéria orgânica particulada mostraram mudança já em três anos, mais rápido que o carbono orgânico total (Gonçalves et al., 2025).

Na microbiologia, sistemas mais diversos enriqueceram táxons de fungos e bactérias, inclusive Clonostachys, antagonista de Fusarium (Lima et al., em preparação). É resultado ainda não publicado; o tema do microbioma do solo tem artigo próprio no blog.
Para o palestrante, em solo de alta fertilidade química, o que passa a determinar a produtividade é a saúde do solo. Ele mesmo qualifica a afirmação: a exceção é o sistema que já está na condição ótima. É uma posição apoiada nos ensaios dele, não uma regra geral.
Como manejar um mix pastejado?
O manejo do mix pastejado tem três pontos centrais: usar espécies que não prejudiquem o animal, tratar a gramínea perene como espécie-alvo, com taxa de semeadura maior, e respeitar a altura correta de manejo do pasto. Errar a altura de manejo, segundo o palestrante, custa produtividade na lavoura seguinte.
A presença do animal é o que diferencia esse sistema. Na palestra, foram relatados casos de produtores de Mato Grosso que só viabilizam soja em solo arenoso com pecuária no sistema, alguns com dois anos de pecuária para um de agricultura.
O que você leva para o campo amanhã?
- Número de espécies não é sinônimo de diversidade funcional: um mix de plantas de cobertura de solo com várias gramíneas é rico e redundante.
- A escolha começa pelo diagnóstico e pelo serviço que o talhão precisa; a espécie é a última decisão, condicionada à região e à semente disponível.
- Cada grupo entra pela função: gramíneas dão palhada persistente e volume de raízes, leguminosas fixam nitrogênio, espécies de raiz pivotante de outras famílias diversificam a arquitetura radicular.
- Dentro do mix há competição. Em consórcio múltiplo, a taxa de semeadura da gramínea-alvo deve ser aumentada em pelo menos 50% (Gussi, 2023, citado por Almeida et al., 2026).
- Em ensaio publicado, a agregação do solo não cresceu de forma linear com o número de espécies, e a gramínea solteira teve mais raiz no curto prazo (Almeida et al., 2026).
- Mix pastejado é outro sistema: em solo franco-arenoso, o aumento da diversidade de plantas elevou a produtividade em até 251% no algodão e até 82% na soja em relação ao sistema de diversidade muito baixa (Gonçalves et al., 2025).
Perguntas frequentes sobre mix de plantas de cobertura de solo
O mix de plantas de cobertura com mais espécies é sempre melhor?
Não. O melhor mix é aquele em que cada espécie tem uma função, as funções se complementam e o conjunto é manejável no sistema. Em ensaio em Rondonópolis (MT), os mixes intermediários, de duas a quatro espécies, não diferiram entre si na agregação do solo (Almeida et al., 2026).
Qual a diferença entre riqueza de espécies e diversidade funcional?
Riqueza de espécies conta quantas espécies existem no mix e como os indivíduos se distribuem entre elas. Diversidade funcional considera a amplitude de funções que essas espécies executam, como tipo de raiz, relação C/N da palhada e fixação biológica de nitrogênio.
Como escolher o mix de plantas de cobertura ideal para minha propriedade?
Identifique a principal limitação do talhão, defina o serviço que resolve essa limitação, escolha o grupo funcional que executa esse serviço e só então a espécie adaptada à região e com semente disponível. Solos diferentes na mesma propriedade podem pedir mixes diferentes.
Qual a função de cada família (gramíneas, leguminosas e brássicas) em um mix?
Gramíneas, de raiz fasciculada e palhada com relação C/N alta, garantem cobertura persistente e volume de raízes. Leguminosas, de palhada com C/N baixa, fazem fixação biológica de nitrogênio. Brássicas e espécies de outras famílias com raiz pivotante diversificam a arquitetura radicular, e a função de cada uma pode mudar conforme a região.
Preciso aumentar a taxa de semeadura da braquiária quando ela vai em mix?
Sim. Em consórcio múltiplo, a taxa de semeadura da gramínea deve ser aumentada em pelo menos 50%, para que ela não perca participação na competição com as demais espécies (Gussi, 2023, citado por Almeida et al., 2026).
Mix de plantas de cobertura pode ser pastejado?
Pode, desde que as espécies não prejudiquem o animal, a gramínea perene seja tratada como espécie-alvo e a altura de manejo do pasto seja respeitada. Em solo franco-arenoso do Cerrado, o aumento da diversidade de plantas, até o mix pastejado em integração lavoura-pecuária, elevou a produtividade do algodão e da soja (Gonçalves et al., 2025).
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Procedência
Este artigo é uma cobertura editorial da palestra “Plantas de cobertura e consórcios: como desenhar o mix funcional para cada sistema”, apresentada por Edicarlos Damacena de Souza (UFR; GPISI; Aliança SIPA) no Dia 2 do Simpósio Brasileiro de Saúde do Solo (SBSS) 2026, promovido pela Agroadvance, em 06/08/2026.
Referências
ALMEIDA, T. O.; SILVA, L. S.; CUISSI, T. G.; VIEIRA, F. C. B.; AZEVEDO, E. C. de; PIRES, G. C.; GASQUES, L. R.; COSTA, B. R. S.; MARTIN-NETO, L.; DUBEUX JUNIOR, J. C. B.; CARVALHO, P. C. de F.; SOUZA, E. D. de. Plant species richness as a strategy to improve soil quality and increase forage yield in a tropical ecosystem. Plant and Soil. Volume 522, p. 1295–1312, 2026. DOI: https://doi.org/10.1007/s11104-026-08570-z
GONÇALVES, E. C.; SILVA, L. S.; CAMARGO, T. A. de; NOGUEIRA, B. K. A.; DALLA CÔRT, A. S.; PONCE, P. F.; PIRES, G. C.; SILVA, I. A. G. da; PACHECO, L. P.; TADINI, A. M.; MARTIN-NETO, L.; MORAES, A. de; CARVALHO, P. C. de F.; SOUZA, E. D. de. Plant diversity drives sandy-loam soil quality and crop yields in integrated crop–livestock systems. The Journal of Agricultural Science. Volume 163, número 2, p. 131–144, 2025. DOI: https://doi.org/10.1017/S0021859625000097.
Sobre a autora

Beatriz Nastaro Boschiero
Especialista em Conteúdo na Agroadvance
- Pós-doutora pelo CTBE/CNPEM e CENA/USP
- Mestra e Doutora em Solos e Nutrição de Plantas (ESALQ/USP)
- Engenheira Agrônoma (UNESP/Botucatu)
Como citar este artigo
BOSCHIERO, B. N. Como montar um mix de plantas de cobertura de solo: diversidade funcional vale mais que número de espécies. Blog Agroadvance. Publicado em: 29 Out. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-mix-de-plantas-de-cobertura-de-solo/. Data de acesso: 29 out. 2026.



