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Integração Lavoura-Pecuária-Floresta: modelos, manejo e como recuperar pastagens degradadas no Brasil

Entenda o que é Integração lavoura-pecuária (ILP) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), como funcionam os sistemas integrados e como recuperar pastagens degradadas com produção de grãos, carne e madeira.
  • Publicado em 11/05/2026
  • Alasse Oliveira da Silva
  • Pecuária, Sustentabilidade
  • Publicado em 11/05/2026
  • Alasse Oliveira da Silva
  • Pecuária, Sustentabilidade
  • Atualizado em 11/05/2026
integração lavoura-pecuária-floresta
Sumário

A agropecuária brasileira opera sobre uma limitação mensurável: 69 milhões de hectares de pastagens degradadas, o que reduz a produção de carne e compromete o uso eficiente do solo. Esse cenário exige sistemas capazes de elevar a produtividade sem ampliação da área cultivada.

A integração lavoura-pecuária (ILP) e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) estruturam-se como alternativas técnicas consolidadas. Esses sistemas organizam o uso da área por meio da combinação entre culturas agrícolas, pastagens e, no caso da ILPF, árvores, com ocupação contínua do solo ao longo do ano.

Resultados de pesquisa conduzidos pela Embrapa desde 2005 demonstram que a integração permite produção simultânea de grãos, carne e madeira na mesma área, com base em manejo planejado. Esse arranjo altera a lógica produtiva da propriedade, que passa a operar com maior intensidade e diversificação produtiva.

Este texto apresenta como esses sistemas funcionam no campo, quais modelos produtivos são utilizados no Brasil e de que forma a integração permite converter áreas degradadas em sistemas produtivos com maior eficiência.

Boa leitura!

O que são os sistemas integrados no Brasil?

A origem dos sistemas de integração no Brasil remonta à década de 1960, com consórcios entre arroz e pastagem. No entanto, sua consolidação técnica ocorreu a partir dos anos 2000, com a estruturação conceitual e experimental de modelos técnicos de integração lavoura-pecuária (ILP) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) conduzidos pela Embrapa. Balbino et al. (2011) organizaram o marco conceitual desses sistemas, estabelecendo tipologias e princípios técnicos.

O sistema convencional separa lavoura e pecuária em áreas distintas e com uso sazonal do solo.

O sistema integrado alterna ou consorcia culturas, forrageiras e animais na mesma área ao longo do tempo.

Essa diferença altera a dinâmica de uso do solo, promove cobertura vegetal contínua do solo, maior ciclagem de nutrientes, melhor aproveitamento dos recursos naturais e aumento da produtividade por hectare.

estoque de carbono percentual ILP e ILPF
Figura 1. Variação percentual dos estoques de carbono no solo (0–30 cm) sob sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) em diferentes usos do solo. Fonte: (Livro digital CHERUBIN et al., 2025).

Os sistemas ILP e ILPF apresentam consolidação no Cerrado, com destaque para Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, onde há adoção associada à produção de soja, milho e pecuária de corte.

A consolidação decorre de condições edafoclimáticas, logística agrícola e presença de centros de pesquisa na região.

Você sabia?

(a) A integração utiliza a lavoura como ferramenta de reestruturação física e química do solo.

(b) A inserção de forrageiras durante a safrinha permite formação antecipada de pastagem.

(c) Em ILPF, o componente arbóreo modifica o microclima e interfere na dinâmica hídrica e térmica.

(d) O sistema viabiliza produção simultânea de grãos, carne e madeira na mesma área (Embrapa Agrossilvipastoril, 2026).

Modalidades de integração no Brasil

A classificação proposta por Balbino et al. (2011) organiza os sistemas de produção de acordo com a combinação entre componentes produtivos e no nível de complexidade de manejo:

  • ILP – Integração Lavoura-Pecuária
  • ILF — Integração Lavoura-Floresta
  • IPF — Integração Pecuária-Floresta
  • ILPF — Integração Lavoura-Pecuária-Floresta

A Figura 2 materializa essa organização ao apresentar, de forma integrada, as siglas ILP, ILF, IPF e ILPF e suas interações. A disposição em diagrama evidencia como a combinação entre lavoura, pecuária e floresta define o nível de complexidade do sistema e orienta o arranjo produtivo adotado no campo.

Interações entre lavoura, pecuária e floresta
Figura 2. Classificação dos sistemas integrados de produção agropecuária, com definição das siglas ILP, ILF, IPF e ILPF e representação das interações entre lavoura, pecuária e floresta. Fonte: Embrapa Agrossilvipastoril (2021).

Essa divisão não é apenas conceitual. Ela define:

  • nível de complexidade de manejo;
  • exigência técnica;
  • fluxo de caixa;
  • e risco produtivo.

Cada modalidade impõe exigências agronômicas, zootécnicas e operacionais distintas, com impacto direto na produtividade, no fluxo de caixa e no risco técnico.

Na sequência, são detalhados os diferentes modelos de integração, com ênfase na organização dos componentes, no manejo e nas condições de aplicação no campo.

Integração Lavoura-Pecuária (ILP) ou Agropastoril 

A integração lavoura-pecuária (ILP) é o modelo mais difundido no Brasil e, na prática, a principal porta de entrada para sistemas integrados.

Consiste na integração temporal ou espacial ou no consórcio entre culturas agrícolas e produção animal, com alternância entre lavoura e pastagem na mesma área, com base na rotação de culturas, cobertura do solo e ciclagem de nutrientes.

ILPF eucaliptos
Figura 3. Arranjo de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) com presença de árvores, com pastejo animal nos corredores entre fileiras de eucalipto, em Campos Lindos, TO, dezembro de 2016. Crédito: Rodrigo Estevam Munhoz de Almeida.

O sistema baseia-se em rotação de culturas, cobertura do solo e ciclagem de nutrientes, e constitui a forma mais difundida de integração no Brasil.

Os componentes do sistema incluem solo, planta e animal.

  • O solo fornece suporte físico e nutrientes;
  • a planta produz biomassa e protege o solo;
  • o animal converte forragem em proteína animal e contribui com reciclagem de nutrientes via excreção.

Essa interação sustenta a dinâmica produtiva do sistema.

Os ciclos organizam-se em três etapas: safra agrícola, safrinha e período de pastejo. Em sistemas típicos, a soja ocupa a safra principal, seguida por milho ou sorgo na safrinha, com introdução de forrageiras. Após a colheita, a área é utilizada como pastagem, com elevada produção de biomassa e suporte ao pastejo animal.

ILP Mato Grosso
Figura 4. Resultados do uso intensivo da terra impulsionaram a adoção da ILP em Mato Grosso, segundo pesquisadores. Fonte: Divulgação/Embrapa.

Do ponto de vista agronômico, a ILP utiliza a lavoura como alternativa de recuperação de pastagens. A introdução de culturas permite correção da fertilidade do solo, aumento da matéria orgânica e melhoria da estrutura do solo por ação do sistema radicular. Após essa fase, a pastagem apresenta maior capacidade produtiva.

Sistemas produtivos dentro da ILP

Dentro da ILP, existem  diversas  arranjos tecnológicos consolidados, que variam conforme condições edafoclimáticas, nível tecnológico e objetivo produtivo, sendo elas: Barreirão, Santa Brígida, Santa Fé, São Mateus e Gravataí (Camporezi, 2022).

O Sistema Barreirão é uma das estratégias clássicas de recuperação de pastagens degradadas. Baseia-se no preparo total da área, com correção da acidez e adubação, seguido da implantação de culturas de grãos consorciadas com gramíneas forrageiras perenes, especialmente do gênero Urochloa.

Nesse sistema, a formação da pastagem ocorre simultaneamente à produção agrícola, permitindo que, após a colheita dos grãos, a área já esteja estabelecida para uso pecuário. Trata-se de um modelo eficiente para reconstrução do perfil do solo e retomada da capacidade produtiva da área.

O Sistema Santa Fé é amplamente utilizado no Brasil e baseia-se no consórcio entre culturas anuais, como milho, e forrageiras tropicais, principalmente Urochloa e Megathyrsus.

Seu principal objetivo é:

  • produzir forragem na entressafra;
  • formar palhada para o sistema de plantio direto;
  • melhorar a cobertura e proteção do solo.

A forrageira é implantada durante o desenvolvimento da cultura agrícola, permanecendo após a colheita e viabilizando o uso da área para pastejo. Esse sistema é estratégico para intensificação do uso da terra e redução de períodos ociosos.

O Sistema Santa Brígida introduz leguminosas no sistema produtivo, com foco no aumento do aporte de nitrogênio via fixação biológica.

Nesse arranjo, culturas como o milho são consorciadas com espécies leguminosas utilizadas como adubo verde. O principal benefício é o incremento do nitrogênio no sistema, reduzindo a dependência de fertilizantes minerais e melhorando a fertilidade do solo para culturas subsequentes.

Além disso, contribui para:

  • maior diversificação do sistema;
  • melhoria da qualidade da matéria orgânica;
  • aumento da sustentabilidade do manejo.

O Sistema São Mateus é direcionado principalmente a áreas com maior limitação produtiva, como: solos arenosos, baixa fertilidade, baixa retenção de água e irregularidade na distribuição de chuvas.

Seu foco está na consolidação do sistema plantio direto (SPD) aliado à introdução de pastagens em rotação com lavouras. O sistema prioriza a construção gradual da fertilidade e da estrutura do solo, sendo estratégico para ambientes mais restritivos.

O Sistema Gravataí baseia-se no consórcio entre culturas como o feijão-caupi (Vigna unguiculata) e gramíneas forrageiras, especialmente Urochloa spp.

Esse arranjo tem como objetivo:

  • aumentar a produção de forragem;
  • elevar o teor de proteína bruta da pastagem;
  • melhorar a qualidade nutricional para os animais.

A presença da leguminosa contribui para o aporte de nitrogênio e para a qualidade da dieta animal, tornando o sistema interessante em estratégias de intensificação pecuária.

Ponto-chave do manejo ILP

Independentemente do modelo adotado, o desempenho da ILP depende de três fatores centrais:

  • formação adequada de forragem (quantidade e qualidade);
  • ajuste correto da taxa de lotação;
  • controle do tempo de pastejo.

A relação entre produção de biomassa e carga animal define o ganho por hectare e a sustentabilidade do sistema ao longo dos ciclos.

Em comparação com outras modalidades, a ILP apresenta menor complexidade estrutural, pois não envolve componente arbóreo, o que a torna a principal porta de entrada para adoção de sistemas integrados.

Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) ou Agrossilvipastoril

A integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) representa o nível mais complexo de integração, ao incorporar o componente arbóreo à dinâmica lavoura-pecuária e formar arranjos com lavoura, pastagem e árvores.

Esse sistema altera o planejamento da área e introduz produção de madeira, além de modificar o microclima.

O que muda com a entrada das árvores?

A presença de árvores adiciona variáveis como interceptação de radiação, competição por água, modificação do microclima e nutrientes e necessidade de definição de espaçamento e arranjo.

As árvores exercem função de sombreamento, reduzem a temperatura e modificam o balanço hídrico, promovendo redução do estresse térmico animal, melhor conforto no pastejo. Além disso, também contribuem para o acúmulo de carbono (sequestro de carbono) e diversificação produtiva da renda.

ILPF em pastagem consorciada com eucalipto
Figura 5. Sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) com bovinos em pastagem consorciada com eucalipto, Fazenda Santa Brígida, Ipameri, GO. Fonte: Bastos (2012), Embrapa Cerrados.

Do ponto de vista técnico, a ILPF exige planejamento espacial e manejo das árvores, com definição de densidade, espaçamento e espécie.

Porfírio-da-Silva et al. (2025) destacaram a necessidade de cálculo preciso de densidade e parcelas para manejo florestal. Os arranjos espaciais incluem linhas (renques), blocos ou sistemas em faixas, conforme maquinário e objetivo produtivo.

O sistema gera produtos em ciclos distintos: grãos no curto prazo, carne no médio prazo e madeira no longo prazo. Essa característica altera o fluxo de caixa e exige planejamento financeiro, além de demandar integração simultânea entre operações agrícolas, manejo animal e manejo florestal.

Milho safrinha em plantio direto associado à produtividade de grãos em sistema agrossilvipastoril
Figura 6. Milho safrinha em plantio direto na URT da Fazenda São João, em Senador Guiomard, AC, associado à produtividade de grãos em função de doses de nitrogênio em cobertura em sistema agrossilvipastoril. Fonte: Bravin; Oliveira (2014).

Integração Lavoura-Floresta (ILF) ou Silviagrícola

A ILF combina culturas agrícolas e árvores, sem presença animal. O sistema ocorre por consórcio ou sucessão.

Implantação de cultura anual em sistema de ILPF
Figura 7. Implantação de cultura anual em sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), com linhas de eucalipto e cobertura vegetal sobre o solo em plantio direto. Fonte: Embrapa Agrossivopastoril (2021).

A lavoura exerce função de viabilizar economicamente a fase inicial do componente florestal. Durante os primeiros anos, as culturas ocupam o espaço entre linhas de árvores, gerando receita antes do fechamento do dossel.

A principal limitação da ILF reside na ausência do componente animal, o que reduz a reciclagem de nutrientes via excreta e elimina a possibilidade de conversão direta de forragem em produto animal.

Do ponto de vista operacional, a ILF apresenta complexidade intermediária. Exige planejamento espacial das árvores, porém não envolve manejo de pastejo.

ILF Soja + Eucalipto MT
Figura 8. Sistema de integração lavoura-floresta (ILF) com cultivo de soja consorciado a eucalipto, na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop, MT. Fonte: Faria (2020), Embrapa Agrossilvipastoril.

Integração Pecuária-Floresta (IPF) ou Silvipastoril

A IPF combina pastagem e árvores, sem presença de lavoura. O sistema configura-se como silvipastoril.

As árvores influenciam diretamente o comportamento animal e o desempenho produtivo. O sombreamento reduz estresse térmico e pode alterar padrões de pastejo.

O componente forrageiro deve ser selecionado com base na tolerância ao sombreamento e na capacidade de rebrota sob redução de radiação.

Sistema silvipastoril
Figura 9. Sistema silvipastoril com bovinos em pastejo entre renques de eucalipto, evidenciando arranjo espacial do componente arbóreo e forrageiro. Fonte: Acervo/REDE ILPF.

A ausência da lavoura limita a possibilidade de correção intensiva do solo por meio de operações agrícolas, o que exige maior planejamento prévio da fertilidade.

A Figura 10 sintetiza os diferentes modelos forrageiros dentro dos sistemas integrados, evidenciando como o posicionamento do componente arbóreo e a distribuição espacial das pastagens definem distintos níveis de interceptação de luz, competição por recursos e operacionalização do pastejo.

Observa-se que arranjos em renques, faixas ou blocos resultam em respostas contrastantes da forragem, tanto em produção de massa quanto em persistência ao longo do tempo, o que reforça a necessidade de ajuste fino entre arquitetura do sistema e escolha das espécies forrageiras (Ribeiro e Yatabe, 2023).

Arranjos de sistemas integrados de produção agropecúaria
Figura 10. Diferentes arranjos de sistemas integrados de produção agropecuária. Fonte: Ribeiro e Yatabe (Ed. Globo, 2023).

Modelos produtivos utilizados no Brasil

Os modelos produtivos em sistemas integrados no Brasil derivam da combinação entre calendário agrícola, dinâmica das culturas anuais e uso estratégico da pastagem.

A estrutura desses modelos segue a lógica de ocupação contínua do solo ao longo do ano agrícola, com alternância entre produção vegetal e uso animal.

Safra (soja) + safrinha (milho) + pastagem

Esse modelo organiza o uso da área em três fases sequenciais.

  1. Na safra de verão, cultiva-se soja.
  2. Após a colheita, implanta-se milho safrinha, frequentemente consorciado com forrageira.
  3. Após a colheita do milho, estabelece-se pastagem para uso animal.

A rotação apresentada pela Embrapa Pecuária Sudeste confirma essa lógica, com cultivo de milho ou sorgo no verão e utilização de pastagem no período subsequente.

Esse sistema maximiza o uso anual da área e permite produção de grãos e forragem em sequência direta.

Sistema soja + milho + braquiária

Neste modelo, a braquiária é introduzida durante o cultivo do milho, geralmente em consórcio. A forrageira se estabelece sob o dossel do milho e permanece após a colheita.

A presença da braquiária promove cobertura do solo, incremento de matéria orgânica e produção de palhada. Após a colheita do milho, a área já apresenta pastagem formada, o que reduz o tempo entre produção agrícola e entrada de animais.

Esse modelo reduz custo de implantação de pastagem e melhora a transição entre lavoura e pecuária.

Dica prática

(1) Na implantação de ILP com milho safrinha, estabeleça braquiária em consórcio no estádio V3–V5, ajustando a dose de sementes conforme vigor do lote. Essa janela favorece a formação homogênea da forrageira sem competição inicial com o milho.

(2) Após a colheita, aguarde acúmulo mínimo de 2.500 a 3.000 kg de MS/ha antes da entrada dos animais.

(3) Ajuste a lotação de acordo com a oferta de forragem para evitar superpastejo.

(4) Mantenha resíduo de 15 a 20 cm de altura para preservar rebrota e cobertura do solo.

(5) Esse manejo reduz falhas na formação da pastagem e mantém a área pronta para o próximo ciclo agrícola.

Sistema boi safrinha

O sistema boi safrinha utiliza a pastagem formada após a colheita do milho para entrada imediata de animais. O gado utiliza a forragem residual e a braquiária estabelecida durante o cultivo.

Esse modelo exige sincronização entre colheita, disponibilidade de forragem e manejo animal. A eficiência depende da quantidade de biomassa disponível e do ajuste de lotação. A Figura 11 evidencia diferentes arranjos operacionais que alteram diretamente a disponibilidade e a qualidade da biomassa.

A prática intensifica o uso da área e transforma a entressafra agrícola em período produtivo para pecuária.

Sistema boi safrinha em integração lavoura pecuária - Cronograma
Figura 11. Alternativas operacionais para o sistema boi safrinha em integração lavoura-pecuária. Fonte: Vilela et al., (2018).

Modelos com sobressemeadura antecipada tendem a ofertar forragem mais cedo, enquanto implantações pós-colheita atrasam o uso da área, impactando a janela de pastejo (Vilela et al., 2018).

A eficiência do sistema está associada ao acúmulo adequado de matéria seca antes da entrada dos animais, ao ajuste fino da lotação e à preservação de palhada para o plantio direto subsequente, evitando tanto superpastejo quanto excesso de resíduo.

Sistemas ILPF com eucalipto

Os sistemas ILPF com eucalipto combinam produção de grãos, pastagem e madeira. O componente arbóreo é implantado em linhas ou faixas, com espaçamento definido conforme objetivo produtivo.

O eucalipto altera o microclima, interfere na distribuição de luz e exige planejamento de densidade e arranjo espacial. A produção florestal ocorre em ciclo mais longo, o que introduz receita de médio e longo prazo.

Esse modelo amplia a diversificação produtiva e exige integração entre manejo agrícola, animal e florestal.

área sob sistema de integração IPF
Figura 12. Área sob sistema de integração na Fazenda Macaúba, em Inaciolândia, GO. Fonte: Cleyton Vilarino/Ed. Globo.

Intensificação pecuária com pastagens reformadas

A intensificação pecuária ocorre com base na reforma de pastagens, frequentemente associada à fase agrícola. A lavoura melhora a fertilidade do solo, e a pastagem subsequente apresenta maior produção de forragem.

O sistema aumenta a capacidade de suporte e o ganho por hectare. A eficiência depende do manejo do pastejo, da fertilidade do solo e da escolha de espécies forrageiras.

Exemplos Práticos no Brasil

Os exemplos de adoção de sistemas integrados no Brasil apresentam base empírica consolidada em unidades de pesquisa e em propriedades comerciais.

Esses sistemas não representam apenas modelos teóricos; constituem arranjos validados sob condições edafoclimáticas específicas, com resultados produtivos associados ao manejo.

ILP no Cerrado: soja + braquiária + bovinos

No bioma Cerrado, a ILP estrutura-se com base na sequência soja no verão e pastagem no período subsequente, frequentemente associada ao consórcio com braquiária durante o cultivo de milho safrinha.

A lógica do sistema envolve três fases técnicas:

  1. Fase agrícola (soja)
    A soja ocupa a safra principal, com correção da fertilidade do solo por meio de adubação. Essa fase contribui para aumento de matéria orgânica e melhoria das condições químicas do solo.
  2. Fase de transição (milho + braquiária)
    O milho safrinha é cultivado com introdução de braquiária em consórcio. A forrageira se estabelece sob o dossel da cultura e permanece após a colheita.
  3. Fase pecuária (pastejo)
    Após a colheita do milho, a área apresenta pastagem formada, que sustenta o pastejo de bovinos. O sistema converte a biomassa produzida em ganho por área.

Esse modelo elimina o período de entressafra improdutiva. A alternância entre lavoura e pecuária aumenta a ciclagem de nutrientes, melhora a estrutura do solo e eleva a produção por hectare.

A consolidação desse sistema no Cerrado decorre de três fatores técnicos:

  • adaptação de culturas como soja e milho ao regime climático
  • uso de forrageiras tropicais com alta produção de biomassa
  • capacidade de mecanização e logística agrícola

ILPF em Mato Grosso: grãos + bovinos + eucalipto

No estado de Mato Grosso, a ILPF apresenta arranjos com inclusão de eucalipto, formando sistemas agrossilvipastoris completos.

Esses sistemas são implantados com base em planejamento espacial e temporal rigoroso.

A experiência da Embrapa em unidades de referência demonstra a estrutura típica:

  • linhas de eucalipto com espaçamento definido
  • áreas entre linhas destinadas à lavoura e à pastagem
  • alternância entre produção agrícola e pastejo

A implantação segue sequência técnica:

  1. Estabelecimento do componente florestal
    O eucalipto é plantado em linhas ou renques, com densidade definida conforme objetivo produtivo. O manejo inicial prioriza crescimento das árvores.
  2. Integração com lavoura
    Nos primeiros anos, culturas agrícolas ocupam o espaço entre linhas, com produção de grãos e manutenção da fertilidade do solo.
  3. Entrada da pecuária
    Após formação da pastagem, ocorre introdução de bovinos. O sombreamento parcial das árvores altera o microclima e influencia o comportamento animal.

A unidade experimental de Sete Lagoas registrou produção integrada de grãos, forragem, carne e madeira ao longo de 10 anos de ILPF, com geração de dados para validação do sistema.

Diferenças entre Cerrado (ILP) e Mato Grosso (ILPF)

A comparação entre sistemas de ILP no Cerrado e ILPF em Mato Grosso evidencia diferenças estruturais no nível de organização produtiva e exigência técnica.

No Cerrado, a ILP apresenta foco na rotação entre lavoura e pastagem, com alternância temporal bem definida entre produção agrícola e uso pecuário. Esse modelo não incorpora componente arbóreo, o que reduz a complexidade operacional e permite retorno econômico em menor prazo.

No caso da ILPF em Mato Grosso, o sistema envolve integração simultânea entre lavoura, pecuária e floresta, o que exige planejamento espacial detalhado e definição de arranjos entre os componentes.

A presença do componente arbóreo introduz a produção de madeira como fonte adicional de receita, porém aumenta a exigência técnica, principalmente no manejo de densidade, espaçamento e interação entre espécies.

Essas diferenças indicam que a ILP apresenta menor barreira de entrada e maior simplicidade de manejo, enquanto a ILPF demanda maior nível de planejamento, conhecimento técnico e controle operacional para garantir eficiência produtiva.

Como implantar um sistema ILP/ILPF?

A implantação inicia com diagnóstico da área, que inclui análise de solo, clima e infraestrutura. Em seguida, realiza-se correção da fertilidade do solo, com calagem e adubação conforme análise química.

Então é feito o planejamento do sistema. Define-se a escolha de culturas, forrageiras e espécies arbóreas. O planejamento da rotação estabelece sequência de culturas e períodos de pastejo.

A lavoura é implantada conforme calendário agrícola. Após a colheita, a pastagem é estabelecida por consórcio ou sobressemeadura. A entrada de animais ocorre após formação da forrageira.

O manejo animal exige ajuste de lotação e controle do tempo de pastejo. Em sistemas ILPF, o componente florestal demanda planejamento de espaçamento e manejo específico.

O monitoramento contínuo avalia produtividade, fertilidade do solo e desempenho animal, com ajustes ao longo dos ciclos.

Conclusão

Os sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) consolidam-se como modelos baseados em intensificação biológica, integração de componentes e uso contínuo do solo.

A eficiência depende de planejamento técnico, ajuste fino de manejo e compreensão das interações entre solo, planta e animal, com aplicação direta em sistemas produtivos brasileiros.

A ILP e ILPF consolidam-se como sistemas baseados em intensificação biológica, integração de componentes e uso contínuo da terra.

A performance depende de planejamento técnico, domínio do manejo integrado e leitura precisa das interações entre solo, planta, animal e árvore, com aplicação direta na realidade produtiva brasileira.

—

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A eficiência desses sistemas depende diretamente do manejo da fertilidade do solo, da construção de perfil e da compreensão das interações entre solo, planta e animal.

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Referências 

BALBINO, Luiz Carlos; BARCELLOS, Alexandre de Oliveira; STONE, Luís Fernando (Ed.). Marco referencial: integração lavoura-pecuária-floresta. Brasília, DF: Embrapa, 2011.

ALVARENGA, Ramon Costa et al. Quinze anos de integração lavoura-pecuária e dez anos de integração lavoura-pecuária-floresta na Embrapa Milho e Sorgo. Brasília, DF: Embrapa, 2024.

CHERUBIN, Maurício Roberto; PINHEIRO JUNIOR, Carlos Roberto; CANISARES, Lucas Pecci; CERRI, Carlos Eduardo Pellegrino (org.). Saúde do solo em ecossistemas tropicais. Piracicaba: FEALQ, 2025. 774 p. ISBN 978-65-89722-90-8. Disponível em: https://fealq.org.br/wp-content/uploads/2025/11/e-book_SAUDE-DO-SOLO-EM-ECOSSISTEMAS-TROPICAIS_DIGITAL.pdf. Acesso em: 01 maio 2026.

PORFÍRIO-DA-SILVA, Vanderley; OLIVEIRA, Edilson Batista. Planilha para inventários florestais em sistemas de ILPF. Colombo, PR: Embrapa Florestas, 2025. (Comunicado Técnico, 513).

SANTOS, Alisson Moura et al. Aspectos técnicos e perspectivas energéticas do cultivo de eucalipto em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta no Distrito Federal e entorno. Colombo, PR: Embrapa Florestas, 2025. (Documentos, 405).

BRASIL. Ministério da Agricultura e Pecuária. Integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF). Brasília, DF, 2026. Disponível em: https://www.gov.br. Acesso em: 2 maio 2026.

WRI BRASIL. iLPF: os benefícios econômicos e ecológicos da integração lavoura-pecuária-floresta para o país. São Paulo, 25 nov. 2021. Disponível em: https://wribrasil.org.br. Acesso em: 5 maio 2026.

OCP BRASIL. Os tipos e benefícios da integração entre lavoura, pecuária e floresta. 26 jun. 2023. Disponível em: https://www.ocpbrasil.com.br. Acesso em: 1 maio 2026.

EMBRAPA PECUÁRIA SUDESTE. Esquema de rotação de culturas agrícolas e de forrageiras na integração lavoura-pecuária. São Carlos, SP, [s.d.].

EMBRAPA AGROSSILVIPASTORIL. Resultados de pesquisa na integração lavoura-pecuária-floresta. Sinop, MT, 2024.

Sobre o autor:

Alasse Oliveira

Alasse Oliveira da Silva

Doutorando em Produção Vegetal (ESALQ/USP)

  • Engenheiro agrônomo (UFRA) e Técnico em agronegócio
  • Mestre e especialista em Produção Vegetal (ESALQ/USP)
  • alasse.oliveira77@gmail.com
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Como citar este artigo: SILVA, A. O. da. Integração Lavoura-Pecuária-Floresta: modelos, manejo e como recuperar pastagens degradadas no Brasil. Blog Agroadvance. Publicado em: 11 Mai. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-integracao-lavoura-pecuaria-floresta-modelos/. Acesso: 11 maio. 2026.

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