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Correção de solo em áreas de abertura

Os manejos adotados em abertura de áreas, como correção de solo, são cruciais para que se alcance altas produtividades agrícolas. Leia e saiba mais!
correção do solo
Sumário

Os manejos adotados em abertura de áreas para cultivos agrícolas, entre eles a correção de solo, são cruciais para que se alcance altas produtividades, estabilidade de produção e maior resistência a veranicos.

Correção de solo em abertura de área

A abertura de área para o cultivo agrícola consiste em preparar o terreno, do ponto de vista físico e químico, para poder receber as culturas. A retiradas de árvores, tocos, pedras e o nivelamento são algumas práticas indispensáveis para que se possa cultivar a área e trafegar com as máquinas e implementos agrícolas. Além disso, em algumas situações, é indispensável o terraceamento visando diminuir problemas relacionados a erosão, como perda de solo, nutrientes e abertura de voçorocas na área.

Além do preparo horizontal, é necessário que o solo seja verticalmente corrigido para receber os cultivos. Do ponto de vista químico, os principais manejos para construção do perfil do solo são a correção de solo, elevação da saturação por bases, diminuição da saturação por alumínio e aumento dos níveis de fósforo, os quais são feitos através da calagem, gessagem e fosfatagem.

Em pesquisa realizada pelo Comitê Estratégico Soja Brasil – CESB (SAKO et al., 2015) observou-se que as áreas com altas produtividade de soja (acima de 90 sc/ha) possuíam saturação por bases (V%) e Ca (Ca%/ CTC) acima de 30 e 20% respectivamente, abaixo dos 40 cm do solo. Desta forma o uso de doses adequadas de calcário, com incorporação profunda, e gesso é extremamente importante para a construção de um perfil de solo quimicamente adequado.

A seguir serão detalhados os critérios de calagem, gessagem e fosfatagem recomendados para áreas de abertura para correção de solo.

Correção de solo com calagem

A correção de solo com a calagem é uma prática imprescindível, uma vez que os solos no Brasil, em sua grande parte, são naturalmente ácidos e pobres em nutrientes.

O uso do calcário proporciona os seguintes benefícios:

  • Correção da acidez do solo;
  • Neutralização de níveis tóxicos de alumínio e manganês;
  • Fornecimento de cálcio e magnésio;
  • Aumento da capacidade de troca de cátions (CTC) do solo, da disponibilidade de nutrientes as plantas, da eficiência de uso dos fertilizantes e da atividade microbiana do solo;
  • Estímulo ao crescimento radicular.

Em área de abertura, que é uma oportunidade para intervenções mecânicas como o revolvimento o solo, tem-se as seguintes premissas:

  • Incorporação profunda (superior a 20 cm);
  • Uso de altas doses de calcário de acordo com critérios técnicos;
  • Ser realizada com o máximo de antecedência possível (recomenda-se 3 meses antes da semeadura);

A dose de calcário a ser utilizada pode ser calculada utilizando os seguintes critérios:

Saturação por Bases

NC (t/ha) = (70 – V1) x CTC x f x 2 / PRNT x 10

Elevação dos níveis de Ca + Mg a 35 mmolc dm-3

NC (t/ha) =[35 – (Ca + Mg)] x 10 x f x 2 / PRNT

Elevar a saturação por Ca a 50%

NC (t/ha) = [(CTC x 0,5) – Ca] x (560 / %CaO) x f x 2 / PRNT

Sendo:

  • NC: Necessidade de calagem (t/ha)
  • V1: Saturação por bases do solo (V%)
  • Ca: Teor de Cálcio (mmolc dm-3);
  • Mg: Teor de magnésio (mmolc dm-3);
  • CTC: Capacidade de troca de cátions do solo (mmolc dm-3)
  • PRNT: Poder relativo de neutralização total do calcário
  • %CaO: Teor óxido de Ca (CaO) do calcário (%)
  • f: fator que considera a profundidade de incorporação do calcário:

20 cm (f = 1,0)

30 cm (f = 1,5)

40 cm (f = 2,0)

  • Multiplicação do resultado final por 2:

O uso deste fator se deve a reatividade dos calcários, a distribuição no perfil do solo e a diferença entre a reação em campo (solo agregado) e o obtido pelas análises de solo em laboratório (terra fina seca ao ar – solo desagregado) (GITTI, et al., 2018). Estes aspectos podem explicar a necessidade de doses maiores de calcário para obter-se a saturação por bases desejada, que foi demostrada em pesquisas da Fundação MS (GITTI, et al., 2018).

Nestes trabalhos, em três áreas avaliadas, para cada tonelada do corretivo aplicada, estequiometricamente, teria-se o potencial de elevar o teor do cálcio no solo em 5,44 mmolc dm-3, na camada de 0-20 cm, em função da concentração do elemento do calcário, porém o incremento médio foi de 2,54 mmolc dm-3 após 32 meses da aplicação, ou seja, 50 % do potencial.

Recomenda-se utilizar o critério que exigir a maior dose de calcário

Obs: Utilizar calcários com maior teor de MgO possível.

Correção de solo com a Gessagem

A correção de solo com a gessagem consiste na aplicação de gesso agrícola (CaSO4.2H2O) visando incremento do teor de cálcio e diminuição da saturação por alumínio (m%) em subsuperfície, além do fornecimento de enxofre, e, consequentemente, aumento sistema radicular e resistência à seca.

A aplicação de gesso, como condicionador de subsuperfície, deve ser realizada quando for observado as seguintes condições na camada de 20 a 40 cm:

  • Ca < 5 mmolc dm-3,
  • Al > 5 mmolc dm-3;
  • V% < 35
  • m% > 20

Para o cálculo da necessidade de gesso (NG), em toneladas por hectare (t/ha), tem-se os seguintes critérios:

Em função do teor de argila do solo:

NG (t/ha): 50 x teor de argila (%) (Sousa e Lobato, 2004)

NG (t/ha): 60 x teor de argila (%) (Raij et al., 1997)

Elevação da saturação por bases na camada de 20-40cm (Vitti et al., 2008)

NG (t/ha): (50 – V1) x CTC / 500

V1: Saturação por bases do solo (V%) em 20-40 cm

CTCpot: Capacidade de troca de cátions do solo (mmolc dm-3) em 20-40 cm (CTC máx. = 100 mmolc dm-3).

Elevação da saturação por cálcio na CTC efetiva na camada de 20-40 cm (Caires e Guimarães, 2018)

NG (t/ha): (0,6 x CTCef – Ca) x 0,64

CTCef: Capacidade de troca de cátions efetiva do solo (mmolc dm-3) em 20-40 cm

Ca: Teor de Ca (mmolc dm-3) em 20-40 cm.

Recomenda-se utilizar a maior dose de gesso possível, em função dos custos e dos critérios preconizados acima.

Correção do solo com Fosfatagem

A correção de solo com a fosfatagem consiste na técnica de aplicação a lanço e em área total de fontes de fósforo (P), geralmente fosfatos naturais reativos ou fosfatos parcialmente acidulados, visando a elevação dos teores do nutriente no solo acima do nível crítico, com o objetivo de promover melhor estabelecimento da cultura, bem como maior eficiência de uso do fertilizante fosfatado solúvel aplicado em sequência.

A dose de fósforo recomendada na fosfatagem é calculada de acordo com o critério de Sousa et al. (2016), que considera o teor de argila e o extrator utilizado na determinação de P no solo (Tabela 1).

Tabela 1. Critério para fosfatagem

correção de solo: critérios para fosfatagem
* Quantidade de P2O5 aplicada para elevar 1 mg dm-3 de P no solo.
Fonte: Adaptado de Sousa et al. (2016)
Fosfatagem (kg ha-1 de P2O5) = (nível crítico de P – Teor atual de P) x CTP

Após determinada a necessidade de P2O5 para a fosfatagem, recomenda-se que a dose do fertilizante fosfatado seja calculada em função do seu teor total de P2O5.

Considerações Finais

A formação de um adequado perfil de solo (correção de solo) no momento de abertura da área, através de calagem, gessagem e fosfatagem bem dimensionada, é essencial para obtenção de altas produtividades, resistência a veranicos e estabilidade de produção, além de possibilitar a sustentabilidade do sistema agrícola sem intervenções mecânicas por maior período de tempo.

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Referências

CAIRES, E. F. AND GUIMARÃES, A. M. (2018). A novel phosphogypsum application recommendation methodunder continuous no-till management in Brazil. Agronomy Journal, 110, 1-9. DOI: https://doi.org/10.2134/agronj2017.11.0642.

GITTI D, D. C., ROSCOE R., RIZZATO, L. A., Manejo e Fertilidade do Solo para a Cultura da Soja. In: LOURENÇÃO A. L. F., et al., (Eds.). Tecnologia e Produção Soja: 2017/2018. Curitiba: Midiograf, 209 p, 2018.

RAIJ, B. V. et al. Recomendação de adubação e calagem para o estado de São Paulo. 2 ed. Campinas: Fundação IAC, 1997.

SAKO, H.; SOARES, J. E., SILVA, L. A., BALARDIN, R. Relações de enraizamento e cálcio no solo para alta produtividade da safra 15/16. Boletim Técnico 1. Comitê Estratégico Soja Brasil, Sorocaba, 15 p, 2015.

SOUSA, D.M.G. & LOBATO, E., eds. Cerrado: Correção do solo e adubação. Planaltina, Embrapa Cerrados, 2004. 416p.

SOUSA, D.M.G.; NUNES, R.S; REIN, A.T.; SANTOS JÚNIOR, J.D.G dos. Manejo da adubação fosfatada para culturas anuais no Cerrado. EMBRAPA, circular técnica 33. 2016.

VITTI, G.C.; LUZ, P. H.de C.; MALAVOLTA, E.; DIAS, A. S.; SERRANO, C. G. de E. Uso do gesso em sistemas de produção agrícola. Piracicaba: GAPE, 2008.

Sobre o autor:

Eduardo Zavaschi

Sócio e Consultor Técnico da Agroadvance

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Respostas de 2

  1. Excelente material. Informações valiosas. O momento da abertura de área é de substancial importância para quem deseja implementar o Sistema de Plantio direto adequado, e se beneficiar dele por muitos anos. Gostaria de saber se esse gesso deve ser aplicado logo ano de abertura ou se é interessante fazê-lo no ano subsequente? Obrigado.

  2. Olá Tasso. O gesso deve ser aplicado no mesmo ano da abertura da área visando as melhorias químicas em subsuperfície o mais rápido possível, para obtenção de melhor desempenho dos primeiros cultivos.

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