Ir para o conteúdo
  • Pós-Graduação
  • MBAs
  • Imersões
    • Imersão Internacional China
    • Imersão IA no Agro (SP)
    • Imersão IA no Agro (MT)
    • Imersão Dinheiro no Agro
    • Imersão Produtores de Alta Performance
  • Para empresas
    • Treinamento Corporativo
    • Agrosales
  • Eventos
    • Simpósio brasileiro de saúde do solo
  • Blog
  • Biblioteca
    • Agroclass
    • Agroteca
    • Conteúdo Gratuito
  • Pós-Graduação
  • MBAs
  • Imersões
    • Imersão Internacional China
    • Imersão IA no Agro (SP)
    • Imersão IA no Agro (MT)
    • Imersão Dinheiro no Agro
    • Imersão Produtores de Alta Performance
  • Para empresas
    • Treinamento Corporativo
    • Agrosales
  • Eventos
    • Simpósio brasileiro de saúde do solo
  • Blog
  • Biblioteca
    • Agroclass
    • Agroteca
    • Conteúdo Gratuito
Área do Aluno
  • Pós-Graduação
  • MBAs
  • Imersões
    • Imersão Internacional China
    • Imersão IA no Agro (SP)
    • Imersão IA no Agro (MT)
    • Imersão Dinheiro no Agro
    • Imersão Produtores de Alta Performance
  • Para empresas
    • Treinamento Corporativo
    • Agrosales
  • Eventos
    • Simpósio brasileiro de saúde do solo
  • Blog
  • Biblioteca
    • Agroclass
    • Agroteca
    • Conteúdo Gratuito
  • Pós-Graduação
  • MBAs
  • Imersões
    • Imersão Internacional China
    • Imersão IA no Agro (SP)
    • Imersão IA no Agro (MT)
    • Imersão Dinheiro no Agro
    • Imersão Produtores de Alta Performance
  • Para empresas
    • Treinamento Corporativo
    • Agrosales
  • Eventos
    • Simpósio brasileiro de saúde do solo
  • Blog
  • Biblioteca
    • Agroclass
    • Agroteca
    • Conteúdo Gratuito

Fenologia do trigo: estádios de desenvolvimento e manejo da lavoura em casa fase

Entenda a fenologia do trigo, seus estádios de desenvolvimento da cultura e como utilizar esse conhecimento para acertar no manejo, reduzir perdas e aumentar a produtividade da lavoura.
  • Publicado em 22/05/2026
  • Alexandre Augusto da Silva
  • Trigo
  • Publicado em 22/05/2026
  • Alexandre Augusto da Silva
  • Trigo
  • Atualizado em 22/05/2026
Fenologia do trigo
Sumário

Pertencente à família das gramíneas, o trigo (Triticum spp.) é a principal cultura de inverno cultivada no Brasil, com destaque para os estados do Rio Grande do Sul e Paraná.

Com área superior a 2 milhões de hectares e produtividade média próxima de 3.000 kg/ha (CONAB, 2026), a cultura possui importância estratégica tanto do ponto de vista alimentar quanto econômico. Além disso, o trigo apresenta elevada capacidade de conservação pós-colheita, característica que historicamente contribuiu para sua expansão e consolidação como uma das principais culturas agrícolas do mundo.

No Brasil, os primeiros registros de cultivo datam de 1534, na Capitania de São Vicente, com expansão comercial significativa a partir da década de 1940 no Rio Grande do Sul. Atualmente, embora a produção ainda se concentre no Sul em sistemas de sequeiro, o avanço da irrigação vem ampliando o cultivo em regiões do Cerrado.

Nesse contexto, compreender a fenologia do trigo tornou-se fundamental para aumentar a eficiência do manejo. A identificação correta dos estádios fenológicos permite posicionar adequadamente fertilizantes, herbicidas, fungicidas e reguladores de crescimento, além de antecipar riscos climáticos e reduzir perdas produtivas.

Ao longo deste artigo serão apresentados os principais estádios fenológicos do trigo, os impactos dos fatores climáticos sobre a cultura e as aplicações práticas da fenologia no manejo da lavoura.

Escalas fenológicas do trigo: como identificar corretamente cada estágio

A escala fenológica é uma importante ferramenta de tomada de decisão no manejo do trigo, pois descreve diferentes fases do desenvolvimento da cultura, desde a vegetativa (germinação, emergência, crescimento da parte aérea) até a reprodutiva (florescimento, enchimento e maturação dos grãos).

Por meio da observação das características morfológicas das plantas, é possível identificar com maior precisão o estágio fisiológico da lavoura e, consequentemente, suas demandas específicas em cada fase do ciclo.

Na prática, isso auxilia no posicionamento mais eficiente de fertilizantes ou no uso de defensivos, como herbicidas, inseticidas e fungicidas, além de reguladores de crescimento, reduzindo falhas de manejo e aumentando a eficiência operacional no campo.

A definição de um estádio fenológico ocorre quando mais de 50% das plantas da área apresentam as características daquela fase, o que reforça a importância de realizar amostragens representativas da lavoura.

As principais escalas utilizadas na cultura do trigo são:

  • Escala de Feekes (1940), modificada por Large (1954): mais simples e prática para uso no campo (Tabela 1).
  • Escala de Zadoks, Chang e Konzac (1974): mais detalhada e amplamente utilizada em recomendações técnicas e pesquisas agronômicas (Tabela 2).

Tabela 1. Escala fenológica de Feekes (1940), modificada por Large (1954)

CódigoEstádio de Desenvolvimento
1Emergência da plântula
2Início do perfilhamento
3Perfilhos formados
4Início do alongamento do pseudocolmo
5Bainhas foliares fortemente eretas (pseudocaule desenvolvido)
6Primeiro nó visível
7Segundo nó visível
8Última folha (folha bandeira) visível
9Lígula da folha bandeira visível
10Emborrachamento
10.1Início do espigamento
10.350% do processo de espigamento completo
10.4Três quartos do espigamento completo
10.5Espigamento completo
10.5.1Início da antese
10.5.2Antese na metade da espiga
10.5.3Antese completa
10.5.4Final de florescimento, grãos no estádio leitoso
11.1Grão em estádio leitoso
11.2Grão em massa (macio e seco)
11.3Grão em massa dura
11.4Maturação de colheita. Palhas secas
Fonte: Scheeren, Castro & Caierão, 2015.

Tabela 2. Escala fenológica de Zadoks et al. (1974).

CódigoEstádio PrincipalDescrição
00GerminaçãoSemente seca
0.1GerminaçãoInício da absorção de água
0.3GerminaçãoEmbebição completa
0.5GerminaçãoRadícula emergida
0.7GerminaçãoColeóptilo emergido
0.9GerminaçãoFolha no ápice do coleóptilo
1.0Desenvolvimento foliarCrescimento da plântula
1.1Desenvolvimento foliar1 folha expandida
1.2Desenvolvimento foliar2 folhas expandidas
1.3Desenvolvimento foliar3 folhas expandidas
1.4Desenvolvimento foliar4 folhas expandidas
1.5Desenvolvimento foliar5 folhas expandidas
1.9Desenvolvimento foliar9 ou mais folhas expandidas
2.0PerfilhamentoPerfilhamento inicial
2.1Perfilhamento1 perfilho
2.2Perfilhamento2 perfilhos
2.3Perfilhamento3 perfilhos
2.4Perfilhamento4 perfilhos
2.5Perfilhamento5 perfilhos
2.9Perfilhamento9 perfilhos ou mais
3.0Alongamento do colmoInício do alongamento
3.1Alongamento do colmoPrimeiro nó detectável
3.2Alongamento do colmoSegundo nó detectável
3.3Alongamento do colmoTerceiro nó detectável
3.7Alongamento do colmoFolha bandeira visível
3.9Alongamento do colmoLígula da folha bandeira visível
4.0EmborrachamentoEmborrachamento
4.1EmborrachamentoBainha da folha bandeira em extensão
4.3EmborrachamentoInício do emborrachamento
4.5EmborrachamentoEmborrachamento completo
4.9EmborrachamentoPrimeiras aristas visíveis
5.0EspigamentoEmergência da inflorescência
5.1EspigamentoPrimeira espigueta visível
5.4Espigamento50% das inflorescências emergidas
5.8EspigamentoInflorescência completamente emergida
6.0FlorescimentoInício da antese
6.1FlorescimentoInício da floração
6.4FlorescimentoMetade da antese completa
6.8FlorescimentoAntese completa
7.1Desenvolvimento do grãoGrão aquoso
7.3Desenvolvimento do grãoGrão leitoso inicial
7.5Desenvolvimento do grãoGrão leitoso médio
7.7Desenvolvimento do grãoGrão leitoso tardio
8.3Desenvolvimento do grão em massaInício do estado de massa
8.5Desenvolvimento do grão em massaEstado de massa mole
8.7Desenvolvimento do grão em massaEstado de massa dura
9.1MaturaçãoCariopse dura (difícil de dividir com a unha)
9.2MaturaçãoCariopse dura (não pode ser dividida com a unha)
9.4MaturaçãoSobre maturação, palha seca e quebradiça
9.5MaturaçãoSemente dormente
9.6MaturaçãoSemente viável com 50% de germinação
9.7MaturaçãoSemente não dormente
9.8MaturaçãoDormência secundária induzida
9.9MaturaçãoDormência secundária perdida
Fonte: Zadoks et al. (1974).

Estádios fenológicos do trigo: da germinação à maturação

Neste artigo será utilizada como referência a escala de Zadoks (1974), devido ao maior detalhamento dos estádios fenológicos da cultura.

A escala fenológica do trigo de Zadosks é composta por 10 fases principais, numeradas de 0 a 9. De forma geral, os estádios de 0 a 4 correspondem ao período vegetativo, enquanto os estádios de 5 a 9 representam a fase reprodutiva da cultura.

O período vegetativo inicia-se na germinação da semente, a partir do processo de embebição, e se estende até o surgimento de nove folhas ou mais, momento em que há emergência da inflorescência.

escala fenológica trigo
Figura 1. Escala fenológica do trigo. Adaptado: Tom Basden.

0 – Germinação

Caracteriza-se pela absorção de água pela semente (embebição), emissão da radícula e emergência do coleóptilo até a exposição da primeira folha acima do nível do solo.

A velocidade dessa fase depende principalmente da disponibilidade hídrica, temperatura do solo e qualidade fisiológica das sementes.

1 – Crescimento da plântula

Nessa fase ocorre o surgimento das primeiras folhas verdadeiras através do coleóptilo. A abertura de folhas ocorre de forma sequencial: quando uma folha anterior se abre completamente, outra surge por meio do epicótilo.

O desenvolvimento foliar é determinante para o estabelecimento inicial da cultura, pois influencia diretamente a interceptação luminosa, o crescimento radicular e a capacidade competitiva da planta com plantas daninhas.

plântula do trigo
Figura 2. Plântula de trigo. Fonte: Volmir Sergio Marchioro.

2 – Afilhamento (ou perfilhamento)

Com o colmo principal totalmente expandido, os afilhos (ou perfilhos laterais) desenvolvem-se paralelos à base. Os perfilhos são as estruturas responsáveis por grande parte da definição do potencial produtivo da lavoura.

A quantidade total de afilhos (ou perfilhos) formados neste estádio depende de fatores como: clima (temperatura, radiação solar, disponibilidade hídrica), fertilidade (disponibilidade de nitrogênio), população de plantas e características genéticas da cultivar utilizada.

Perfilhos emitidos tardiamente normalmente apresentam menor contribuição para produtividade, especialmente em situações de restrição ambiental.

Planta em fase de alongamento
Figura 3. Planta em fase de alongamento. Fonte: Volmir Sergio Marchioro.

3 – Alongamento do colmo

Os nós do colmo se tornam visíveis, sendo uma fase marcada pelo crescimento em altura da planta, com a formação de afilhos sendo inibida devido à competição por recursos energéticos.

Trata-se de uma fase fisiologicamente importante, pois há intensa redistribuição de fotoassimilados e elevada demanda energética para sustentação do crescimento vegetativo e diferenciação reprodutiva.

Ao mesmo tempo, a emissão de novos perfilhos tende a ser reduzida devido ao aumento da competição interna por assimilados.

4 – Emborrachamento

Nesse estádio a bainha foliar é engrossada, devido ao desenvolvimento da espiga em seu interior.

Essa fase representa um período de elevada sensibilidade fisiológica, principalmente ao estresse térmico ou déficit hídrico. Estresses nesse momento podem comprometer processos de fotossíntese, translocação de assimilados e formação reprodutiva da planta.

A fase de emborrachamento sinaliza o fim do período vegetativo e o início dos estádios reprodutivos da planta.

5 – Emergência da inflorescência

Também conhecido como espigamento,esse estádio corresponde a diferenciação das espiguetas e o surgimento gradual da espiga principal e espigas terminais, para fora da bainha da folha bandeira.

Nessa fase, a planta se torna suscetível a doenças como a giberela, causada por Fusarium graminearum (anteriormente associado a Gibberella zeae), doença que compromete a qualidade dos grãos, causada em condições de alta umidade e temperaturas favoráveis.

6 – Antese

A antese corresponde ao florescimento do trigo, fase em que ocorre a exposição das anteras e a fecundação das flores.

Esse é um dos períodos mais críticos do ciclo, pois estresses térmicos, hídricos ou ocorrência de geadas podem comprometer diretamente a formação dos grãos.

7 – Grão leitoso

Caracteriza-se pelo enchimento inicial dos grãos, com elevado teor de água e consistência leitosa no interior da cariopse.

Nessa fase ocorre intensa translocação de fotoassimilados provenientes principalmente da folha bandeira e das folhas superiores do dossel.

8 – Grãos em massa

Os grãos passam a apresentar consistência pastosa e posteriormente massa dura, aproximando-se da maturidade fisiológica.

A redução gradual da umidade dos grãos e da atividade metabólica da planta marca essa fase.

9 – Maturação

Corresponde ao estádio final do ciclo, com grãos fisiologicamente maduros e cariopse endurecida.

Nesse momento, a colheita deve ser planejada de forma criteriosa para evitar perdas por germinação pré-colheita, redução do peso hectolitro (PH) e comprometimento da qualidade industrial do trigo.

Planta em estado de maturação
Figura 4. Planta em estado de maturação. Fonte: Volmir Sergio Marchioro.

Como os fatores climáticos interferem na fenologia do trigo

Durante o desenvolvimento da cultura, o clima é um dos fatores que pode interferir nos diferentes estádios fenológicos do trigo, afetando a duração do ciclo, os processos fisiológicos de cada fase e por vezes a produtividade.

Temperatura

O ciclo do trigo pode variar de aproximadamente 100 a 170 dias, dependendo da cultivar, ambiente e condições climáticas.

Temperaturas elevadas aceleram o metabolismo vegetal e reduzem principalmente o período de enchimento de grãos. Como consequência, ocorre menor acúmulo de massa seca, redução do peso dos grãos e queda de produtividade.

Por outro lado, temperaturas amenas podem favorecer o desenvolvimento vegetativo e o perfilhamento em fases iniciais.

Já em fases finais do ciclo, como no emborrachamento ou espigamento, a ocorrência de geadas leva à esterilidade das espiguetas, o que reduz o número de grãos e a produtividade.

Luminosidade

Diretamente relacionada à atividade fotossintética da planta, os estádios de elongação e emborrachamento do trigo são afetados pela intensidade luminosa.

Durante a fase de elongação, o número de espigas por planta, bem como o desenvolvimento das espiguetas, é determinado pela intensidade luminosa, sendo que períodos de menor incidência de luz reduzem a produtividade devido à menor produção de espigas e ao prejuízo ao desenvolvimento destas.

Além disso, a competição por luz no período que antecede o florescimento da cultura é crítica para a produção de grãos, sendo mais relevante que em fases posteriores, como o enchimento de grãos, quando não há necessidade de alta intensidade luminosa.

Precipitação

O estresse hídrico ocasionado pela deficiência de água na fase de elongação impede a produção de espigas por alguns perfilhos, reduzindo o número de espigas e consequentemente a produção de grãos.

Outro aspecto afetado pelo déficit hídrico é o desenvolvimento de novos perfilhos. Estudos indicam que apesar da possibilidade de recuperação do perfilhamento, o incremento de produtividade não será o mesmo se comparado com aquelas que receberam água em quantidade adequada.

Aplicações práticas da fenologia no manejo do trigo

O conhecimento de fenologia do trigo permite o planejamento das atividades de manejo com maior precisão, antecipando necessidades nutricionais, fitossanitárias e fisiológicas da cultura.

Para a nutrição das plantas, as exigências em cada fase do desenvolvimento da cultura são diferentes, o que faz com que o fornecimento do nutriente correto em dose adequada seja essencial para a boa produtividade da lavoura.

No manejo fitossanitário, o entendimento da fenologia pode apoiar na prevenção de pragas e doenças. Conhecer os estádios de maior incidência de determinados patógenos possibilita ao produtor a adoção de medidas de controle eficazes, mitigando os prejuízos à produtividade e preservando a competitividade da cultura.

Assim, práticas de manejo orientadas pela fenologia, tais como adubação nitrogenada, aplicação de reguladores de crescimento e controle de doenças foliares, além do entendimento de riscos abióticos, fazem do conhecimento da fenologia uma ferramenta prática para o dia a dia no campo.

Adubação nitrogenada

É recomendada adubação de cobertura entre os estádios de perfilhamento e alongamento do colmo, afetando diretamente o número de espigas, número de grãos por espiga e o teor de proteína.

Esse manejo influencia diretamente: número de espigas por área, número de grãos por espiga, teor de proteína dos grãos e o potencial produtivo da lavoura.

Aplicações tardias tendem a apresentar menor eficiência agronômica devido à redução da capacidade de resposta da planta.

Reguladores de crescimento

Fatores como alta densidade de plantas, desbalanço nutricional (principalmente de nitrogênio), redução da fotossíntese e assimilação e translocação de carboidratos e minerais podem levar ao acamamento e prejudicar a produtividade.

Para evitar que isso ocorra, o produtor pode fazer uso de reguladores de crescimento no início da fase de alongamento do colmo. O uso de reguladores de crescimento no início do alongamento do colmo auxilia na redução da altura das plantas, melhora a arquitetura do dossel e reduz perdas associadas ao acamamento.

acamamento trigo
Figura 5. Acamamento de plantas de trigo. Fonte: Leonardo Furlani.

Controle de doenças foliares

A partir da fase de espigamento e florescimento é comum a incidência de doenças foliares, sendo, portanto, um período crítico para o controle. Dentre as principais doenças estão oídio, ferrugem, mancha amarela, giberela e brusone.

Sintoma de ferrugem e mancha amarela em plantas de trigo
Figura 6. Sintoma de ferrugem (A) e mancha amarela (B) em plantas de trigo. Fonte: Adaptado de LAU, et al., 2020.

O posicionamento correto de fungicidas durante esses estádios é essencial para proteção da folha bandeira, manutenção da atividade fotossintética e preservação da qualidade dos grãos.

Principais erros no manejo por desconhecimento da fenologia do trigo

A falta de conhecimento sobre a fenologia pode levar a práticas de manejo inadequadas que reduzem o potencial produtivo da cultura.

1. Aplicação tardia do nitrogênio: Quando realizada após o perfilhamento, a adubação de cobertura com nitrogênio tem sua eficiência reduzida, pois neste estádio a planta já definiu o número de perfilhos.

2. Aplicação inadequada de herbicidas: O uso de herbicidas hormonais, como o 2,4-D, após o primeiro nó visível pode causar fitotoxicidade e interferir na formação reprodutiva da planta, devido sua interferência no processo de esporogênese.

Portanto, o momento ideal de pulverização é entre o início do perfilhamento e antes do emborrachamento.

Trabalho de Pereira (2024) apresenta resultados de fitotoxicidade em cultivares de trigo aos 7, 14, 21, 28 e 35 dias após pulverização do herbicida, aplicado em diferentes estádios de desenvolvimento da cultura.

Tabela 3. Fitotoxicidade (%) das cultivares de trigo

CultivarÉpocaFito 7Fito 14Fito 21Fito 28Fito 35
BRS 264Pré-perfilhamento10%20%20%20%20%
Perfilhamento10%10%000
Primeiro nó10%10%000
Emborrachamento10%10%000
Sem aplicação00000
TBIO DuquePré-perfilhamento10%10%20%20%20%
Perfilhamento10%10%000
Primeiro nó10%10%000
Emborrachamento10%10%000
Sem aplicação00000
Fonte: Pereira, 2024.

3. Falhas no controle de Giberela: O controle da giberela exige o uso de fungicida do início do florescimento ao estádio de grão leitoso, período esse em que existe predisposição à infecção.

4. Colheita fora do ponto ideal: O produtor deve-se atentar à colheita no momento correto, a qual se realizada de forma antecipada (antes da maturidade fisiológica), pode ter prejuízos, devido à alta umidade presente nos grãos. Da mesma forma, chuvas em colheitas tardias afetam o peso do hectolitro (PH) e qualidade do glúten, comprometendo a rentabilidade.

Fenologia do trigo como ferramenta para aumentar produtividade

Entender a fenologia do trigo apoia na tomada de decisão do dia a dia do produtor, auxiliando no momento de aplicação de insumos, antecipação a riscos e adoção de melhores práticas de manejo.

A partir disso, a fenologia se torna uma ferramenta de extrema importância também para o aumento da produtividade.

A definição de períodos críticos para adubação, aplicação de fungicidas, herbicidas, reguladores de crescimento e controle de pragas e doenças é essencial devido às características particulares de cada estádio.

Assim, o produtor pode adotar o manejo orientado pela fenologia, acompanhando o estabelecimento e desenvolvimento da cultura, bem como entender quais os períodos de atenção para riscos de estresses abióticos e realização de práticas de manejo, mitigando riscos e reduzindo as perdas de produtividade.

Assim, o manejo orientado pela fenologia contribui diretamente para:

  • aumento da eficiência do uso de insumos;
  • redução de erros operacionais;
  • maior estabilidade produtiva;
  • melhoria da qualidade dos grãos;
  • aumento da rentabilidade da lavoura.

Conclusão

O manejo orientado pela fenologia do trigo facilita o planejamento da rotina no campo, com atividades de fitossanidade e nutrição bem definidas de acordo com o desenvolvimento da cultura.

Conhecer a fenologia também é conhecer os riscos inerentes de cada estádio, sejam aqueles causados por fatores bióticos ou abióticos, o que somado ao acompanhamento da lavoura, pode melhorar a precisão e velocidade da tomada de decisão do produtor.

A mitigação de erros pelo uso do conhecimento da fenologia pode levar ao aumento da produtividade, melhorando o posicionamento de insumos durante o desenvolvimento da lavoura e assertividade no momento ideal para colheita.

—

Quer saber mais sobre fisiologia e nutrição de plantas? Conheça a Pós-Graduação em Fisiologia e Nutrição de Plantas da AgroAdvance e aprofunde seu conhecimento sobre os mecanismos fisiológicos das plantas para gerar resultados no campo.

Referências

Aegro. Adubação do trigo 2025: manejo, doses e recomendações. Disponível em: https://aegro.com.br/blog/adubacao-do-trigo-2025/. Acesso em: 14 maio 2026.

Embrapa. Trigo: semeadura em solo encharcado pode favorecer o mosaico. Disponível em: https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/24479187/trigo-semeadura-em-solo-encharcado-pode-favorecer-o-mosaico. Acesso em: 14 maio 2026.

Elevagro. Acamamento na cultura do trigo. Disponível em: https://elevagro.com/acamamento-na-cultura-do-trigo/. Acesso em: 14 maio 2026.

Pereira, R. S. R. Fenologia do trigo e aplicação de herbicidas mimetizadores de auxina. Orientadora: Christiane Augusta Diniz Melo. Coorientador: José Maria Villela Pádua. 2024. Monografia (Bacharelado em Agronomia) – Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2024.

Pires, J. L. F. et al. Manejo da adubação nitrogenada e seus efeitos na cultura do trigo. Ciência Rural, Santa Maria, v. 41, n. 9, p. 1554–1560, 2011.

Reunião da comissão brasileira de pesquisa de trigo e triticale. Informações técnicas para trigo e triticale – safra 2026. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2025. 142 p.

Sobre o autor:

Alexandre Silva

Alexandre Augusto da Silva

Mestrando em Fitotecnia (ESALQ/USP)

  • Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP)
  • alexandre_silva@usp.br
  • Perfil do Linkedin
VER MAIS ARTIGOS DO AUTOR

Como citar este artigo:

SILVA, A. A. da. Fenologia do trigo: estádios de desenvolvimento e como usar no manejo da lavoura. Blog Agroadvance. Publicado em: 22 Mai. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-fenologia-do-trigo/. Data de acesso: 23 maio. 2026

PESQUISAR

COMPARTILHAR

Mais Lidos Da Semana

Fenologia do trigo: estádios de desenvolvimento e manejo da lavoura em casa fase
Leia mais »
Adubação de pastagens e uso de adubos na produção pecuária
Leia mais »
Nitrogênio no milho: como aumentar a eficiência do nutriente e a produtividade da lavoura
Leia mais »

Categorias

  • Agricultura 5.0
  • Agronegócio
  • Algodão
  • Bioinsumos
  • Café
  • Cana-de-açúcar
  • Feijão
  • Fertilidade do Solo
  • Fisiologia vegetal
  • Fitossanitários
  • Gestão Agrícola
  • Gestão Comercial
  • Imersões
  • Inteligência Artificial
  • Máquinas Agrícolas
  • Marketing e Vendas
  • Milho
  • Mulheres no Agro
  • Notícias
  • Nutrição de plantas
  • Pecuária
  • Soja
  • Solos
  • Sorgo
  • Sustentabilidade
  • Trigo
VOCÊ TAMBÉM PODE GOSTAR:
adubação de pastagens adubo para pastagem
Pecuária
Adubação de pastagens e uso de adubos na produção pecuária

Entenda como a adubação de pastagens aumenta melhora a fertilidade do solo, aumenta a produção de forragem e eleva o desempenho animal. Conheça os

Leia mais »
Alasse Oliveira da Silva 20/05/2026
Plantação milho
Milho
Nitrogênio no milho: como aumentar a eficiência do nutriente e a produtividade da lavoura

Entenda como o metabolismo C4 influencia a eficiência de uso do nitrogênio no milho e veja estratégias de manejo, adubação e fisiologia para aumentar

Leia mais »
Roniel Geraldo Ávila 18/05/2026
Micotoxinas em grãos
Milho
Micotoxinas em grãos: o que são, riscos e como reduzir sua contaminação no campo e no armazenamento

Entenda o que são micotoxinas em grãos, quais fungos estão envolvidos, os riscos para a qualidade e segurança alimentar e como reduzir a contaminação

Leia mais »
Jessica Maria Israel Jesus 15/05/2026

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Agroadvance, Escola de Negócios Agro que conecta o campo à cidade, amplificando os resultados do agronegócio no Brasil e destacando a cultura e o valor do setor

Instagram Linkedin Youtube

Entre em Contato

  • Fale Conosco
  • WhatsApp
  • E-mail
  • Avenida Cezira Giovanoni Moretti, Nº 905, Térreo, Sala 01 - Santa Rosa - Piracicaba/sp - CEP: 13414-157
Links
  • Programa de Indicação
  • Política de Proteção de Dados
  • Política de Privacidade
  • Política de Uso de Cookies
  • Termos de Uso
  • Programa de Indicação
  • Política de Proteção de Dados
  • Política de Privacidade
  • Política de Uso de Cookies
  • Termos de Uso

©2026 Todos Os Direitos Reservados.