Pertencente à família das gramíneas, o trigo (Triticum spp.) é a principal cultura de inverno cultivada no Brasil, com destaque para os estados do Rio Grande do Sul e Paraná.
Com área superior a 2 milhões de hectares e produtividade média próxima de 3.000 kg/ha (CONAB, 2026), a cultura possui importância estratégica tanto do ponto de vista alimentar quanto econômico. Além disso, o trigo apresenta elevada capacidade de conservação pós-colheita, característica que historicamente contribuiu para sua expansão e consolidação como uma das principais culturas agrícolas do mundo.
No Brasil, os primeiros registros de cultivo datam de 1534, na Capitania de São Vicente, com expansão comercial significativa a partir da década de 1940 no Rio Grande do Sul. Atualmente, embora a produção ainda se concentre no Sul em sistemas de sequeiro, o avanço da irrigação vem ampliando o cultivo em regiões do Cerrado.
Nesse contexto, compreender a fenologia do trigo tornou-se fundamental para aumentar a eficiência do manejo. A identificação correta dos estádios fenológicos permite posicionar adequadamente fertilizantes, herbicidas, fungicidas e reguladores de crescimento, além de antecipar riscos climáticos e reduzir perdas produtivas.
Ao longo deste artigo serão apresentados os principais estádios fenológicos do trigo, os impactos dos fatores climáticos sobre a cultura e as aplicações práticas da fenologia no manejo da lavoura.
Escalas fenológicas do trigo: como identificar corretamente cada estágio
A escala fenológica é uma importante ferramenta de tomada de decisão no manejo do trigo, pois descreve diferentes fases do desenvolvimento da cultura, desde a vegetativa (germinação, emergência, crescimento da parte aérea) até a reprodutiva (florescimento, enchimento e maturação dos grãos).
Por meio da observação das características morfológicas das plantas, é possível identificar com maior precisão o estágio fisiológico da lavoura e, consequentemente, suas demandas específicas em cada fase do ciclo.
Na prática, isso auxilia no posicionamento mais eficiente de fertilizantes ou no uso de defensivos, como herbicidas, inseticidas e fungicidas, além de reguladores de crescimento, reduzindo falhas de manejo e aumentando a eficiência operacional no campo.
A definição de um estádio fenológico ocorre quando mais de 50% das plantas da área apresentam as características daquela fase, o que reforça a importância de realizar amostragens representativas da lavoura.
As principais escalas utilizadas na cultura do trigo são:
- Escala de Feekes (1940), modificada por Large (1954): mais simples e prática para uso no campo (Tabela 1).
- Escala de Zadoks, Chang e Konzac (1974): mais detalhada e amplamente utilizada em recomendações técnicas e pesquisas agronômicas (Tabela 2).
Tabela 1. Escala fenológica de Feekes (1940), modificada por Large (1954)
| Código | Estádio de Desenvolvimento |
| 1 | Emergência da plântula |
| 2 | Início do perfilhamento |
| 3 | Perfilhos formados |
| 4 | Início do alongamento do pseudocolmo |
| 5 | Bainhas foliares fortemente eretas (pseudocaule desenvolvido) |
| 6 | Primeiro nó visível |
| 7 | Segundo nó visível |
| 8 | Última folha (folha bandeira) visível |
| 9 | Lígula da folha bandeira visível |
| 10 | Emborrachamento |
| 10.1 | Início do espigamento |
| 10.3 | 50% do processo de espigamento completo |
| 10.4 | Três quartos do espigamento completo |
| 10.5 | Espigamento completo |
| 10.5.1 | Início da antese |
| 10.5.2 | Antese na metade da espiga |
| 10.5.3 | Antese completa |
| 10.5.4 | Final de florescimento, grãos no estádio leitoso |
| 11.1 | Grão em estádio leitoso |
| 11.2 | Grão em massa (macio e seco) |
| 11.3 | Grão em massa dura |
| 11.4 | Maturação de colheita. Palhas secas |
Tabela 2. Escala fenológica de Zadoks et al. (1974).
| Código | Estádio Principal | Descrição |
| 00 | Germinação | Semente seca |
| 0.1 | Germinação | Início da absorção de água |
| 0.3 | Germinação | Embebição completa |
| 0.5 | Germinação | Radícula emergida |
| 0.7 | Germinação | Coleóptilo emergido |
| 0.9 | Germinação | Folha no ápice do coleóptilo |
| 1.0 | Desenvolvimento foliar | Crescimento da plântula |
| 1.1 | Desenvolvimento foliar | 1 folha expandida |
| 1.2 | Desenvolvimento foliar | 2 folhas expandidas |
| 1.3 | Desenvolvimento foliar | 3 folhas expandidas |
| 1.4 | Desenvolvimento foliar | 4 folhas expandidas |
| 1.5 | Desenvolvimento foliar | 5 folhas expandidas |
| 1.9 | Desenvolvimento foliar | 9 ou mais folhas expandidas |
| 2.0 | Perfilhamento | Perfilhamento inicial |
| 2.1 | Perfilhamento | 1 perfilho |
| 2.2 | Perfilhamento | 2 perfilhos |
| 2.3 | Perfilhamento | 3 perfilhos |
| 2.4 | Perfilhamento | 4 perfilhos |
| 2.5 | Perfilhamento | 5 perfilhos |
| 2.9 | Perfilhamento | 9 perfilhos ou mais |
| 3.0 | Alongamento do colmo | Início do alongamento |
| 3.1 | Alongamento do colmo | Primeiro nó detectável |
| 3.2 | Alongamento do colmo | Segundo nó detectável |
| 3.3 | Alongamento do colmo | Terceiro nó detectável |
| 3.7 | Alongamento do colmo | Folha bandeira visível |
| 3.9 | Alongamento do colmo | Lígula da folha bandeira visível |
| 4.0 | Emborrachamento | Emborrachamento |
| 4.1 | Emborrachamento | Bainha da folha bandeira em extensão |
| 4.3 | Emborrachamento | Início do emborrachamento |
| 4.5 | Emborrachamento | Emborrachamento completo |
| 4.9 | Emborrachamento | Primeiras aristas visíveis |
| 5.0 | Espigamento | Emergência da inflorescência |
| 5.1 | Espigamento | Primeira espigueta visível |
| 5.4 | Espigamento | 50% das inflorescências emergidas |
| 5.8 | Espigamento | Inflorescência completamente emergida |
| 6.0 | Florescimento | Início da antese |
| 6.1 | Florescimento | Início da floração |
| 6.4 | Florescimento | Metade da antese completa |
| 6.8 | Florescimento | Antese completa |
| 7.1 | Desenvolvimento do grão | Grão aquoso |
| 7.3 | Desenvolvimento do grão | Grão leitoso inicial |
| 7.5 | Desenvolvimento do grão | Grão leitoso médio |
| 7.7 | Desenvolvimento do grão | Grão leitoso tardio |
| 8.3 | Desenvolvimento do grão em massa | Início do estado de massa |
| 8.5 | Desenvolvimento do grão em massa | Estado de massa mole |
| 8.7 | Desenvolvimento do grão em massa | Estado de massa dura |
| 9.1 | Maturação | Cariopse dura (difícil de dividir com a unha) |
| 9.2 | Maturação | Cariopse dura (não pode ser dividida com a unha) |
| 9.4 | Maturação | Sobre maturação, palha seca e quebradiça |
| 9.5 | Maturação | Semente dormente |
| 9.6 | Maturação | Semente viável com 50% de germinação |
| 9.7 | Maturação | Semente não dormente |
| 9.8 | Maturação | Dormência secundária induzida |
| 9.9 | Maturação | Dormência secundária perdida |
Estádios fenológicos do trigo: da germinação à maturação
Neste artigo será utilizada como referência a escala de Zadoks (1974), devido ao maior detalhamento dos estádios fenológicos da cultura.
A escala fenológica do trigo de Zadosks é composta por 10 fases principais, numeradas de 0 a 9. De forma geral, os estádios de 0 a 4 correspondem ao período vegetativo, enquanto os estádios de 5 a 9 representam a fase reprodutiva da cultura.
O período vegetativo inicia-se na germinação da semente, a partir do processo de embebição, e se estende até o surgimento de nove folhas ou mais, momento em que há emergência da inflorescência.

0 – Germinação
Caracteriza-se pela absorção de água pela semente (embebição), emissão da radícula e emergência do coleóptilo até a exposição da primeira folha acima do nível do solo.
A velocidade dessa fase depende principalmente da disponibilidade hídrica, temperatura do solo e qualidade fisiológica das sementes.
1 – Crescimento da plântula
Nessa fase ocorre o surgimento das primeiras folhas verdadeiras através do coleóptilo. A abertura de folhas ocorre de forma sequencial: quando uma folha anterior se abre completamente, outra surge por meio do epicótilo.
O desenvolvimento foliar é determinante para o estabelecimento inicial da cultura, pois influencia diretamente a interceptação luminosa, o crescimento radicular e a capacidade competitiva da planta com plantas daninhas.

2 – Afilhamento (ou perfilhamento)
Com o colmo principal totalmente expandido, os afilhos (ou perfilhos laterais) desenvolvem-se paralelos à base. Os perfilhos são as estruturas responsáveis por grande parte da definição do potencial produtivo da lavoura.
A quantidade total de afilhos (ou perfilhos) formados neste estádio depende de fatores como: clima (temperatura, radiação solar, disponibilidade hídrica), fertilidade (disponibilidade de nitrogênio), população de plantas e características genéticas da cultivar utilizada.
Perfilhos emitidos tardiamente normalmente apresentam menor contribuição para produtividade, especialmente em situações de restrição ambiental.

3 – Alongamento do colmo
Os nós do colmo se tornam visíveis, sendo uma fase marcada pelo crescimento em altura da planta, com a formação de afilhos sendo inibida devido à competição por recursos energéticos.
Trata-se de uma fase fisiologicamente importante, pois há intensa redistribuição de fotoassimilados e elevada demanda energética para sustentação do crescimento vegetativo e diferenciação reprodutiva.
Ao mesmo tempo, a emissão de novos perfilhos tende a ser reduzida devido ao aumento da competição interna por assimilados.
4 – Emborrachamento
Nesse estádio a bainha foliar é engrossada, devido ao desenvolvimento da espiga em seu interior.
Essa fase representa um período de elevada sensibilidade fisiológica, principalmente ao estresse térmico ou déficit hídrico. Estresses nesse momento podem comprometer processos de fotossíntese, translocação de assimilados e formação reprodutiva da planta.
A fase de emborrachamento sinaliza o fim do período vegetativo e o início dos estádios reprodutivos da planta.
5 – Emergência da inflorescência
Também conhecido como espigamento,esse estádio corresponde a diferenciação das espiguetas e o surgimento gradual da espiga principal e espigas terminais, para fora da bainha da folha bandeira.
Nessa fase, a planta se torna suscetível a doenças como a giberela, causada por Fusarium graminearum (anteriormente associado a Gibberella zeae), doença que compromete a qualidade dos grãos, causada em condições de alta umidade e temperaturas favoráveis.
6 – Antese
A antese corresponde ao florescimento do trigo, fase em que ocorre a exposição das anteras e a fecundação das flores.
Esse é um dos períodos mais críticos do ciclo, pois estresses térmicos, hídricos ou ocorrência de geadas podem comprometer diretamente a formação dos grãos.
7 – Grão leitoso
Caracteriza-se pelo enchimento inicial dos grãos, com elevado teor de água e consistência leitosa no interior da cariopse.
Nessa fase ocorre intensa translocação de fotoassimilados provenientes principalmente da folha bandeira e das folhas superiores do dossel.
8 – Grãos em massa
Os grãos passam a apresentar consistência pastosa e posteriormente massa dura, aproximando-se da maturidade fisiológica.
A redução gradual da umidade dos grãos e da atividade metabólica da planta marca essa fase.
9 – Maturação
Corresponde ao estádio final do ciclo, com grãos fisiologicamente maduros e cariopse endurecida.
Nesse momento, a colheita deve ser planejada de forma criteriosa para evitar perdas por germinação pré-colheita, redução do peso hectolitro (PH) e comprometimento da qualidade industrial do trigo.

Como os fatores climáticos interferem na fenologia do trigo
Durante o desenvolvimento da cultura, o clima é um dos fatores que pode interferir nos diferentes estádios fenológicos do trigo, afetando a duração do ciclo, os processos fisiológicos de cada fase e por vezes a produtividade.
Temperatura
O ciclo do trigo pode variar de aproximadamente 100 a 170 dias, dependendo da cultivar, ambiente e condições climáticas.
Temperaturas elevadas aceleram o metabolismo vegetal e reduzem principalmente o período de enchimento de grãos. Como consequência, ocorre menor acúmulo de massa seca, redução do peso dos grãos e queda de produtividade.
Por outro lado, temperaturas amenas podem favorecer o desenvolvimento vegetativo e o perfilhamento em fases iniciais.
Já em fases finais do ciclo, como no emborrachamento ou espigamento, a ocorrência de geadas leva à esterilidade das espiguetas, o que reduz o número de grãos e a produtividade.
Luminosidade
Diretamente relacionada à atividade fotossintética da planta, os estádios de elongação e emborrachamento do trigo são afetados pela intensidade luminosa.
Durante a fase de elongação, o número de espigas por planta, bem como o desenvolvimento das espiguetas, é determinado pela intensidade luminosa, sendo que períodos de menor incidência de luz reduzem a produtividade devido à menor produção de espigas e ao prejuízo ao desenvolvimento destas.
Além disso, a competição por luz no período que antecede o florescimento da cultura é crítica para a produção de grãos, sendo mais relevante que em fases posteriores, como o enchimento de grãos, quando não há necessidade de alta intensidade luminosa.
Precipitação
O estresse hídrico ocasionado pela deficiência de água na fase de elongação impede a produção de espigas por alguns perfilhos, reduzindo o número de espigas e consequentemente a produção de grãos.
Outro aspecto afetado pelo déficit hídrico é o desenvolvimento de novos perfilhos. Estudos indicam que apesar da possibilidade de recuperação do perfilhamento, o incremento de produtividade não será o mesmo se comparado com aquelas que receberam água em quantidade adequada.
Aplicações práticas da fenologia no manejo do trigo
O conhecimento de fenologia do trigo permite o planejamento das atividades de manejo com maior precisão, antecipando necessidades nutricionais, fitossanitárias e fisiológicas da cultura.
Para a nutrição das plantas, as exigências em cada fase do desenvolvimento da cultura são diferentes, o que faz com que o fornecimento do nutriente correto em dose adequada seja essencial para a boa produtividade da lavoura.
No manejo fitossanitário, o entendimento da fenologia pode apoiar na prevenção de pragas e doenças. Conhecer os estádios de maior incidência de determinados patógenos possibilita ao produtor a adoção de medidas de controle eficazes, mitigando os prejuízos à produtividade e preservando a competitividade da cultura.
Assim, práticas de manejo orientadas pela fenologia, tais como adubação nitrogenada, aplicação de reguladores de crescimento e controle de doenças foliares, além do entendimento de riscos abióticos, fazem do conhecimento da fenologia uma ferramenta prática para o dia a dia no campo.
Adubação nitrogenada
É recomendada adubação de cobertura entre os estádios de perfilhamento e alongamento do colmo, afetando diretamente o número de espigas, número de grãos por espiga e o teor de proteína.
Esse manejo influencia diretamente: número de espigas por área, número de grãos por espiga, teor de proteína dos grãos e o potencial produtivo da lavoura.
Aplicações tardias tendem a apresentar menor eficiência agronômica devido à redução da capacidade de resposta da planta.
Reguladores de crescimento
Fatores como alta densidade de plantas, desbalanço nutricional (principalmente de nitrogênio), redução da fotossíntese e assimilação e translocação de carboidratos e minerais podem levar ao acamamento e prejudicar a produtividade.
Para evitar que isso ocorra, o produtor pode fazer uso de reguladores de crescimento no início da fase de alongamento do colmo. O uso de reguladores de crescimento no início do alongamento do colmo auxilia na redução da altura das plantas, melhora a arquitetura do dossel e reduz perdas associadas ao acamamento.

Controle de doenças foliares
A partir da fase de espigamento e florescimento é comum a incidência de doenças foliares, sendo, portanto, um período crítico para o controle. Dentre as principais doenças estão oídio, ferrugem, mancha amarela, giberela e brusone.

O posicionamento correto de fungicidas durante esses estádios é essencial para proteção da folha bandeira, manutenção da atividade fotossintética e preservação da qualidade dos grãos.
Principais erros no manejo por desconhecimento da fenologia do trigo
A falta de conhecimento sobre a fenologia pode levar a práticas de manejo inadequadas que reduzem o potencial produtivo da cultura.
1. Aplicação tardia do nitrogênio: Quando realizada após o perfilhamento, a adubação de cobertura com nitrogênio tem sua eficiência reduzida, pois neste estádio a planta já definiu o número de perfilhos.
2. Aplicação inadequada de herbicidas: O uso de herbicidas hormonais, como o 2,4-D, após o primeiro nó visível pode causar fitotoxicidade e interferir na formação reprodutiva da planta, devido sua interferência no processo de esporogênese.
Portanto, o momento ideal de pulverização é entre o início do perfilhamento e antes do emborrachamento.
Trabalho de Pereira (2024) apresenta resultados de fitotoxicidade em cultivares de trigo aos 7, 14, 21, 28 e 35 dias após pulverização do herbicida, aplicado em diferentes estádios de desenvolvimento da cultura.
Tabela 3. Fitotoxicidade (%) das cultivares de trigo
| Cultivar | Época | Fito 7 | Fito 14 | Fito 21 | Fito 28 | Fito 35 |
| BRS 264 | Pré-perfilhamento | 10% | 20% | 20% | 20% | 20% |
| Perfilhamento | 10% | 10% | 0 | 0 | 0 | |
| Primeiro nó | 10% | 10% | 0 | 0 | 0 | |
| Emborrachamento | 10% | 10% | 0 | 0 | 0 | |
| Sem aplicação | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 | |
| TBIO Duque | Pré-perfilhamento | 10% | 10% | 20% | 20% | 20% |
| Perfilhamento | 10% | 10% | 0 | 0 | 0 | |
| Primeiro nó | 10% | 10% | 0 | 0 | 0 | |
| Emborrachamento | 10% | 10% | 0 | 0 | 0 | |
| Sem aplicação | 0 | 0 | 0 | 0 | 0 |
3. Falhas no controle de Giberela: O controle da giberela exige o uso de fungicida do início do florescimento ao estádio de grão leitoso, período esse em que existe predisposição à infecção.
4. Colheita fora do ponto ideal: O produtor deve-se atentar à colheita no momento correto, a qual se realizada de forma antecipada (antes da maturidade fisiológica), pode ter prejuízos, devido à alta umidade presente nos grãos. Da mesma forma, chuvas em colheitas tardias afetam o peso do hectolitro (PH) e qualidade do glúten, comprometendo a rentabilidade.
Fenologia do trigo como ferramenta para aumentar produtividade
Entender a fenologia do trigo apoia na tomada de decisão do dia a dia do produtor, auxiliando no momento de aplicação de insumos, antecipação a riscos e adoção de melhores práticas de manejo.
A partir disso, a fenologia se torna uma ferramenta de extrema importância também para o aumento da produtividade.
A definição de períodos críticos para adubação, aplicação de fungicidas, herbicidas, reguladores de crescimento e controle de pragas e doenças é essencial devido às características particulares de cada estádio.
Assim, o produtor pode adotar o manejo orientado pela fenologia, acompanhando o estabelecimento e desenvolvimento da cultura, bem como entender quais os períodos de atenção para riscos de estresses abióticos e realização de práticas de manejo, mitigando riscos e reduzindo as perdas de produtividade.
Assim, o manejo orientado pela fenologia contribui diretamente para:
- aumento da eficiência do uso de insumos;
- redução de erros operacionais;
- maior estabilidade produtiva;
- melhoria da qualidade dos grãos;
- aumento da rentabilidade da lavoura.
Conclusão
O manejo orientado pela fenologia do trigo facilita o planejamento da rotina no campo, com atividades de fitossanidade e nutrição bem definidas de acordo com o desenvolvimento da cultura.
Conhecer a fenologia também é conhecer os riscos inerentes de cada estádio, sejam aqueles causados por fatores bióticos ou abióticos, o que somado ao acompanhamento da lavoura, pode melhorar a precisão e velocidade da tomada de decisão do produtor.
A mitigação de erros pelo uso do conhecimento da fenologia pode levar ao aumento da produtividade, melhorando o posicionamento de insumos durante o desenvolvimento da lavoura e assertividade no momento ideal para colheita.
—
Quer saber mais sobre fisiologia e nutrição de plantas? Conheça a Pós-Graduação em Fisiologia e Nutrição de Plantas da AgroAdvance e aprofunde seu conhecimento sobre os mecanismos fisiológicos das plantas para gerar resultados no campo.
Referências
Aegro. Adubação do trigo 2025: manejo, doses e recomendações. Disponível em: https://aegro.com.br/blog/adubacao-do-trigo-2025/. Acesso em: 14 maio 2026.
Embrapa. Trigo: semeadura em solo encharcado pode favorecer o mosaico. Disponível em: https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/24479187/trigo-semeadura-em-solo-encharcado-pode-favorecer-o-mosaico. Acesso em: 14 maio 2026.
Elevagro. Acamamento na cultura do trigo. Disponível em: https://elevagro.com/acamamento-na-cultura-do-trigo/. Acesso em: 14 maio 2026.
Pereira, R. S. R. Fenologia do trigo e aplicação de herbicidas mimetizadores de auxina. Orientadora: Christiane Augusta Diniz Melo. Coorientador: José Maria Villela Pádua. 2024. Monografia (Bacharelado em Agronomia) – Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2024.
Pires, J. L. F. et al. Manejo da adubação nitrogenada e seus efeitos na cultura do trigo. Ciência Rural, Santa Maria, v. 41, n. 9, p. 1554–1560, 2011.
Reunião da comissão brasileira de pesquisa de trigo e triticale. Informações técnicas para trigo e triticale – safra 2026. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2025. 142 p.
Sobre o autor:

Alexandre Augusto da Silva
Mestrando em Fitotecnia (ESALQ/USP)
- Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP)
Como citar este artigo:
SILVA, A. A. da. Fenologia do trigo: estádios de desenvolvimento e como usar no manejo da lavoura. Blog Agroadvance. Publicado em: 22 Mai. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-fenologia-do-trigo/. Data de acesso: 23 maio. 2026



