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Fontes de boro: 10 fertilizantes boratados e quando usar cada um na adubação

Confira a síntese da aula “Boro: dinâmica e estratégias de manejo” do Prof. Dr. Eduardo Zavaschi e entenda quais fontes de boro usar em soja, milho e cana para sistemas de alta produtividade.
  • Publicado em 25/05/2026
  • Felipe Wohnrath
  • Fertilidade do Solo, Nutrição de plantas
  • Publicado em 25/05/2026
  • Felipe Wohnrath
  • Fertilidade do Solo, Nutrição de plantas
  • Atualizado em 25/05/2026
fontes de boro adubação
Sumário

O boro é o micronutriente número 1 em deficiência nos solos brasileiros: cerca de 89% das amostras analisadas apresentam teores abaixo do ideal. Em sistemas de alta produtividade, como soja acima de 80 sc/ha, milho acima de 200 sc/ha, cana acima de 100 t/ha, essa limitação é ainda mais crítica.

Neste momento, o desafio não é aplicar boro. É escolher a fonte certa, na dose certa, no momento correto.

Hoje existem no mercado brasileiro pelo menos 10 fontes de boro disponíveis, com teores que variam de 1% a 20% e comportamentos no solo bastante diferentes. E escolher errado tem custado dinheiro ao produtor.

Algumas fontes de boro liberam o nutriente rapidamente, mas sofrem forte lixiviação. Outras possuem maior residual, porém podem não disponibilizar boro a tempo do arranque fisiológico da cultura.

Na prática, escolher a fonte errada pode significar:

  • perda por lixiviação;
  • baixa eficiência agronômica;
  • fitotoxidez;
  • falhas de polinização;
  • deficiência em fases críticas do ciclo.

Este artigo reúne os principais conceitos discutidos pelo Prof. Dr. Eduardo Zavaschi em sua aula sobre dinâmica e manejo de boro na Agroadvance e organiza o conteúdo em uma referência prática para tomada de decisão no campo.

Caso queira ver a aula completa, é só clicar no banner abaixo. Ou continue lendo o artigo completo para a síntese das informações.

Função do boro nas plantas

O boro nas plantas desempenha funções estruturais e fisiológicos fundamentais no metabolismo vegetal. Sua principal função comprovada é a participação na estrutura da parede celular. O nutriente liga-se aos compostos da parede celular, como a pectina, promovendo estabilidade, cimentação, rigidez e flexibilidade à estrutura dos tecidos vegetais. Mais de 90% do boro presente na planta fica concentrado na parede celular.

Além disso, o boro também está diretamente relacionado ao crescimento de raízes e parte aérea, sendo fundamental para a divisão e o alongamento celular nas zonas de crescimento (regiões meristemáticas).

O boro também possui forte relação com o desenvolvimento reprodutivo das culturas, e justamente por isso, o micronutriente tem uma grande demanda na fase reprodutiva, sendo essencial para a formação das flores, produção e viabilidade do pólen, e o crescimento do tubo polínico, garantindo o pegamento de frutos e grãos.

Outras funções importantes incluem: a manutenção e o funcionamento adequado das membranas celulares e o transporte de açúcares e metabolismo de fenóis e da lignificação. Em leguminosas, a falta de boro também afeta a formação de nódulos nas raízes.

Na prática, deficiência de boro frequentemente aparece como:

  • abortamento floral;
  • raízes curtas;
  • deformação de tecidos;
  • falhas de enchimento;
  • espigas malformadas;
  • redução do pegamento reprodutivo.

Bases do manejo boratado na agricultura

Antes de escolher uma fonte de boro, é preciso entender quatro características importantes sobre a dinâmica do boro no solo, que tornam o manejo desse micronutriente particularmente complexo:

1. O boro não possui carga elétrica

O boro existe no solo como ácido bórico (H₃BO₃), uma molécula sem carga elétrica.

Por não possuir uma carga iônica, o ácido bórico não fica retida nos coloides do solo (CTA ou CTC) e é altamente susceptível à lixiviação pelas chuvas — principalmente em solos arenosos e tropicais.

2. O boro depende de água para ser absorvido

Cerca de 97% do contato do boro com a raiz da planta acontece por fluxo de massa, ou seja, ele “viaja” junto com a água da transpiração. Sem água, sem boro.

Por isso, no cultivo de milho safrinha, em anos secos e em solos com baixa retenção hídrica, costuma haver deficiência mais intensa de boro.

3. A matéria orgânica é a principal reserva de boro

A principal reserva de boro do solo está na matéria orgânica. Conforme ela mineraliza, libera o nutriente gradualmente.

Por isso solos pobres em MO + alta pluviometria = deficiência crônica de boro.

4. A análise de solo pode gerar falso “adequado”

O método padrão de análise de boro em água quente possui alta variabilidade.

Em áreas de alta produtividade campeãs do CESB, a média de boro no solo gira em torno de 0,9 mg/dm³ — bem acima dos 0,5-0,6 mg/dm³ que os boletins ainda consideram “adequado”. O nível crítico de boro moderno está mais próximo de 0,8 a 1,0 mg/dm³.

Dinâmica do Boro no solo
Figura 1. Dinâmica do boro no solo: forma química, lixiviação, matéria orgânica e efeito do pH. Elaborado com base na aula aberta do Youtube com a ajuda do Notebook LM.

As 10 principais fontes de boro disponíveis no Brasil

As fontes de boro podem ser agrupadas em três categorias pelo comportamento de solubilidade, o que define como cada uma se encaixa no manejo:

  • fontes altamente solúveis;
  • fontes de solubilidade intermediária;
  • fontes de baixa solubilidade.

A diferença entre elas define velocidade de entrega, risco de lixiviação, residual e adaptação ao ambiente.

Fontes solúveis fluidas (liberação rápida)

1. Ácido Bórico

  • Teor de B: 17 a 17,5%
  • Solubilidade: altamente solúvel em água
  • Aplicação: solo (pulverização na dessecação), foliar, fertirrigação
  • Vantagens: disponibiliza boro de forma muito rápida e garante excelente distribuição em área total quando aplicado via calda. Por ter pH ácido, é a fonte mais compatível com glifosato em tanque — pouca chance de quebrar a eficiência do herbicida.
  • Limitações: por ser 100% solúvel e sem carga, é altamente susceptível à lixiviação se chover forte logo após a aplicação.
  • Liberação: rápida.
  • Melhor uso: dessecação; pivô; complemento rápido; safrinha.

2. Octaborato de Sódio

  • Teor de B: 20% (o mais concentrado do mercado)
  • Solubilidade: altamente solúvel
  • Aplicação: solo (dessecação), foliar, fertirrigação (pivô central)
  • Vantagens: alta concentração de boro a pronta entrega; ótima distribuição em área via pulverização.
  • Limitações: eleva o pH da calda — se for misturar com glifosato sem um bom redutor/acidificante, a eficiência do herbicida cai severamente. Mesmo risco de lixiviação do ácido bórico.
  • Liberação: rápida.
  • Melhor uso: pivô central; aplicação rápida; milho safrinha.

3. Boroetanolamina (Borato de Monoetanolamina)

  • Teor de B: ~10% (formulações de 135 a 150 g/L)
  • Solubilidade: totalmente solúvel (suspensão fluida)
  • Aplicação: foliar e via solo (pulverização)
  • Vantagens: é o ácido bórico em suspensão com monoetanolamina como dispersante. Facilita o manuseio em formulações fluidas e funciona como substituto do ácido bórico em propriedades com restrição logística.
  • Limitações: custo por ponto de boro tende a ser maior que fontes granuladas quando se quer atingir 2-3 kg/ha de B no solo.
  • Liberação: rápida.
  • Melhor uso: operações fluidas; aplicações foliares.

4. Pentaborato de Sódio

  • Teor de B: ~10% (cerca de 130 g/L)
  • Solubilidade: solúvel
  • Aplicação: solo ou foliar via adubação fluida
  • Vantagens: praticidade em calda; pode ser combinado com outras fontes fluidas.
  • Limitações: elevado grau de lixiviação se chover torrencialmente logo após a aplicação.
  • Liberação: rápida.

Fontes sólidas granuladas (liberação média a gradual)

5. Ulexita

  • Teor de B: 10 a 13% (borato de sódio e cálcio)
  • Solubilidade: parcialmente solúvel
  • Aplicação: via solo, granulada a lanço, em pré-plantio ou incorporada ao NPK
  • Vantagens: o cálcio na estrutura reduz a solubilidade, liberando boro de forma mais gradual e contínua ao longo do ciclo. Sofre menos com lixiviação que as fontes solúveis. É a principal fonte usada no Brasil para soja, milho e cana.
  • Limitações: precisa de tempo e umidade para dissolver. Em ambientes secos — caso clássico do milho safrinha — ela “patina” e não entrega boro a tempo do arranque da cultura.
  • Liberação: média/gradual.
  • Melhor uso: plantio; pré-plantio; sistemas com chuva regular.

6. Tetraborato de Sódio (Bórax / Tincal / Granubor)

  • Teor de B: 11% (no mineral) a 15% (acidulado)
  • Solubilidade: solúvel
  • Aplicação: via solo, granulado sólido
  • Vantagens: diferente da ulexita, contém apenas sódio na composição — dissolve rapidamente e disponibiliza boro mais cedo, atendendo culturas de demanda inicial alta.
  • Limitações: justamente por dissolver rápido, sofre forte lixiviação nas primeiras chuvas. Aplicação a granel em dose pequena exige cuidado de distribuição para não criar manchas.
  • Liberação: rápida.
  • Melhor uso: solos com boa distribuição de chuva; culturas de demanda inicial alta.

7. Kernita

  • Teor de B: 15%
  • Solubilidade: parcialmente solúvel
  • Aplicação: via solo, sólido
  • Vantagens: mineral natural de comportamento intermediário entre tetraborato e fontes insolúveis.
  • Limitações: geralmente precisa de beneficiamento físico para virar fertilizante prático; pouca disponibilidade no mercado brasileiro.
  • Liberação: média/gradual.

Fontes de baixíssima solubilidade (liberação lenta, uso de nicho)

8. Colemanita

  • Teor de B: 15%
  • Solubilidade: insolúvel em água
  • Aplicação: via solo
  • Vantagens: permanência prolongada no sistema, blindada contra lixiviação mesmo em chuvas iniciais intensas.
  • Limitações: insolubilidade alta a torna inviável para culturas anuais como soja e milho — a planta não consegue extrair boro a tempo. Restrita a cultivos florestais e semiperenes.
  • Liberação: lenta/muito lenta.
  • Melhor uso: florestais; perenes.

9. Hidroboracita

  • Teor de B: 15%
  • Solubilidade: insolúvel
  • Aplicação: via solo
  • Vantagens: alta resistência à lixiviação, similar à colemanita.
  • Limitações: raramente utilizada no manejo agronômico convencional brasileiro hoje — liberação extremamente lenta para o tempo das culturas anuais.
  • Liberação: lenta.

10. Fritas Vítreas (FTE — Fritted Trace Elements)

  • Teor de B: varia conforme o complexo silicatado (frequentemente 1 a 8%)
  • Solubilidade: altamente insolúveis / solubilidade muito lenta
  • Aplicação: via solo
  • Vantagens: zero risco de queima de sementes (fitotoxidez) e baixíssima perda por percolação.
  • Limitações: segundo o Prof. Zavaschi, foram muito usadas no passado, mas caíram em desuso para sistemas de alta produtividade, porque a solubilidade lenta não acompanha a demanda explosiva das plantas nos arranques fisiológicos modernos.
  • Liberação: lenta.

Estratégia ideal: combinação de fontes de boro

A estratégia ideal para o fornecimento de boro envolve a combinação de fontes com diferentes solubilidades, pois essa associação permite equilibrar disponibilidade imediata, suprimento contínuo, redução de perdas e parcelamento do nutriente ao longo do ciclo (Figura 2).

Nesse contexto, uma estratégia eficiente pode incluir o uso de fontes solúveis no pré-plantio, fontes granuladas no plantio e aplicações foliares durante o ciclo, garantindo maior regularidade no fornecimento de boro às plantas.

Top 10 fontes de boro
Figura 2. Comparativo das 10 principais fontes de boro: teor, solubilidade, liberação e via de aplicação. Elaborado com base na aula aberta do Youtube com a ajuda do Notebook LM.

A utilização exclusiva de fontes solúveis de boro, como ácido bórico ou octaborato, garante alta disponibilidade do nutriente logo após a aplicação. No entanto, essa mesma solubilidade aumenta o risco de lixiviação, especialmente após chuvas intensas. Com isso, parte significativa do boro pode ser perdida no início do ciclo, deixando a cultura com baixa disponibilidade do nutriente em fases posteriores, justamente quando a demanda ainda continua.

Por outro lado, o uso isolado de fontes granuladas de liberação gradual, como a ulexita, oferece maior efeito residual no solo, mas pode não atender à necessidade inicial da planta. Como a dissolução dessas fontes depende de umidade e tempo, em condições de seca, baixa precipitação ou no milho safrinha, a cultura pode chegar aos estádios V4/V6 sem níveis adequados de boro disponível. Aplicação foliar é complemento, nunca substituto da aplicação via solo.

  • A estratégia validada em ensaios em soja conduzidos pelo Prof. Dr. Eduardo Zavaschi é dividir a dose de boro entre fontes complementares, conforme apresentado na Tabela 1 e Figura 3.

Tabela 1. Combinação estratégica de fontes de boro para maior eficiência agronômica das culturas

MomentoFonteDose de BPor quê
Dessecação (pré-plantio)Ácido Bórico ou Octaborato (100% solúvel)0,5 a 1,5 kg/haDistribuição uniforme em área total + boro pronto na germinação
PlantioUlexita granulada (média solubilidade)2,0 a 2,5 kg/haResidual ao longo do ciclo, dribla a lixiviação
V4-R1 (vegetativo)Foliar parcelado100-300 g/ha por aplicaçãoComplemento, nunca substituto
R1-R3 (reprodutivo)Foliar parcelado100-300 g/haGarante boro nas estruturas reprodutivas (polinização, fixação)
Mix de fontes de boro no ciclo soja milho
Figura 3. Estratégia de mix de fontes ao longo do ciclo soja/milho em 4 passos. Elaborado com base na aula aberta do Youtube com a ajuda do Notebook LM.

Aplicação de boro: solo, foliar ou fertirrigação?

Boro via solo: insubstituível

A aplicação de boro via solo é a forma mais eficiente de fornecimento do nutriente. A absorção ocorre principalmente pelas raízes, a partir da solução do solo, onde os sais solúveis ficam disponíveis para a planta.

Após a absorção, o boro se movimenta pelo xilema junto com o fluxo de água. Dessa forma, o nutriente pode ser distribuído para estruturas importantes da planta, como raízes, paredes celulares em formação e órgãos reprodutivos novos.

Por isso, a aplicação de boro no solo deve ser considerada a principal via em recomendações técnicas de manejo.

Boro via foliar: complemento parcelado

A aplicação foliar de boro deve ser utilizada como complemento ao fornecimento via solo. Em culturas como soja, milho e café, o boro apresenta baixa mobilidade no floema.

Na prática, isso significa que o boro aplicado em folhas mais velhas tende a permanecer nessas folhas, sem se deslocar de forma eficiente para raízes ou folhas novas.

Por esse motivo, quando a aplicação foliar de boro for realizada, o parcelamento é essencial. Na soja, aplicações em V4, R1 e R3 têm sido utilizadas como padrão para alcançar melhores tetos produtivos.

Boro via fertirrigação: prática em sistemas irrigados

A aplicação de boro por fertirrigação é uma alternativa prática em áreas irrigadas, especialmente em sistemas com pivô central. Nesses casos, é comum aplicar de 1 a 2 kg de B/ha, utilizando ácido bórico ou octaborato, em pré-plantio ou logo no início do ciclo.

Em aplicações de boro após o plantio, é importante ter cuidado com a dose para evitar fitotoxidez. O uso de doses fracionadas e a atenção ao histórico de chuvas da área ajudam a tornar o manejo mais seguro.

Tabela 2. Doses recomendadas por cultura (validadas em ensaios conduzidos pelo Dr. Zavaschi)

CulturaDose total de B no sistemaObservações
Soja2 a 3 kg/ha (até 4 kg/ha em alta tecnologia)Mix dessecação + plantio + foliar parcelado
Milho 1ª safra2 a 3 kg/haIdem soja, com ulexita no plantio
Milho safrinha2 a 3 kg/ha em fontes muito solúveisEvitar ulexita pura — ela “patina” pela baixa chuva
Cana-planta (solo argiloso 25-29%)2 a 4 kg/ha — resposta linear até 4 kg/haDados do GAPE em ensaios recentes
Cana-soqueira ou arenoso2 kg/ha (passar disso = toxidez)Cuidado redobrado em CTC baixa
Café e algodãoManejo via solo + foliar parceladoDoses variam por talhão; altamente exigentes em B nas fases reprodutivas

Manejo de boro na agricultura: principais cuidados para evitar perdas e fitotoxidez

  1. Ácido bórico × glifosato: O ácido bórico apresenta boa compatibilidade com o glifosato. O pH ácido da fonte não compromete a eficiência do herbicida..
  2. Octaborato × glifosato: cuidado. A mistura de octaborato com glifosato exige cuidado, pois o octaborato eleva o pH da calda e pode reduzir a eficiência do herbicida. Recomenda-se o uso de redutor ou acidificante de pH.
  3. Solo arenoso, dose localizada: Em solos arenosos de baixa CTC, doses localizadas acima de 2 kg/ha de B podem causar danos ao sistema radicular e reduzir a produtividade. A aplicação deve ser bem distribuída ou parcelada.
  4. Boro no sulco com inoculante biológico: A aplicação de boro no sulco junto com inoculante biológico não é recomendada, pois pode prejudicar os microrganismos. O boro deve ser aplicado em outra operação.
  5. Milho safrinha: No milho safrinha, deve-se priorizar ácido bórico ou octaborato em vez de ulexita pura, pois a entrega rápida é mais importante quando há baixa disponibilidade de chuva.

Mitos sobre fontes de boro e manejo de boro

Mito 1 — “Faço foliar e resolvo.”

Falso. Em culturas como soja, milho e café, o boro apresenta baixa mobilidade no floema. Por isso, a aplicação foliar não substitui o fornecimento via solo. Ela deve ser usada como complemento, preferencialmente de forma parcelada, e não como estratégia principal de manejo.

Mito 2 — “Aplico uma dose alta e resolvo por 3 anos (efeito residual).”

Falso. Pesquisas indicam que aplicações menores e anuais de boro são mais eficientes do que doses maiores aplicadas em intervalos mais longos. Devido à alta lixiviação do nutriente, uma dose corretiva elevada a cada 3 anos tende a gerar maiores perdas do que aproveitamento pela planta.

Mito 3 — “Análise de solo deu boro adequado, não preciso aplicar.”

Cuidado. O método de extração em água quente apresenta alta variabilidade laboratorial e pode gerar falsos positivos. Em áreas de alta produtividade do CESB, a média observada fica em torno de 0,9 mg/dm³, acima dos 0,5 a 0,6 mg/dm³ ainda considerados suficientes por alguns boletins.

A decisão de aplicação não deve se basear apenas no laudo. Também é necessário considerar o histórico de extração, a textura do solo e o nível de produtividade da área.

Conclusão: a fonte de boro adequada define produção

Em sistemas de alta produtividade, a deficiência leve de boro pode gerar perdas superiores ao custo da adubação corretiva.

Falhas na polinização, abortamento de flores, encurtamento de raízes e má formação de espigas são sintomas que podem ocorrer mesmo em anos com boa disponibilidade de chuva. Em muitos casos, esses problemas estão associados ao manejo inadequado do boro.

No manejo de boro na agricultura, não há uma única fonte superior para todas as situações. A escolha deve considerar o momento do ciclo da cultura e a combinação de fontes capazes de atender diferentes demandas.

A recomendação prática é utilizar um mix de solubilidades, manter a aplicação via solo como base, adotar a aplicação foliar parcelada como complemento e redobrar a atenção no manejo do boro no milho safrinha.

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Resumo rápido: o que você precisa saber sobre boro e fontes boratadas

✅ O boro é o micronutriente mais deficiente nos solos brasileiros
✅ O nutriente é altamente lixiviável
✅ O boro depende de água para chegar até a raiz
✅ Aplicação foliar complementa, mas não substitui o solo
✅ Misturar fontes solúveis e graduais é a estratégia mais eficiente
✅ Ulexita funciona muito bem em sistemas com chuva regular
✅ Milho safrinha exige fontes mais rápidas
✅ O erro mais comum é apostar em apenas uma fonte

Sobre o autor:

Felipe Wonrath

Felipe Wohnrath

Coordenador de Comunicação na Agroadvance

  • Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP)
  • [email protected]
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Como citar este artigo:

WOHNRATH, F. Fontes de boro: 10 fertilizantes boratados e quando usar cada um na adubação. Blog Agroadvance. Publicado em: 25 Mai. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-fontes-de-boro-10-fertilizantes-boratados/. Acesso: 10 jun. 2026.

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