Ir para o conteúdo
  • Pós-Graduação
  • MBAs
  • Imersões
    • Imersão Internacional China
    • Imersão IA no Agro (SP)
    • Imersão Dinheiro no Agro
    • Produção de alta performance
  • Para empresas
    • Treinamento Corporativo
    • Sprint IA
  • Eventos
    • Simpósio brasileiro de saúde do solo
  • Blog
  • Biblioteca
    • Agroclass
    • Agroteca
    • Conteúdo Gratuito
  • Pós-Graduação
  • MBAs
  • Imersões
    • Imersão Internacional China
    • Imersão IA no Agro (SP)
    • Imersão Dinheiro no Agro
    • Produção de alta performance
  • Para empresas
    • Treinamento Corporativo
    • Sprint IA
  • Eventos
    • Simpósio brasileiro de saúde do solo
  • Blog
  • Biblioteca
    • Agroclass
    • Agroteca
    • Conteúdo Gratuito
Área do Aluno
  • Pós-Graduação
  • MBAs
  • Imersões
    • Imersão Internacional China
    • Imersão IA no Agro (SP)
    • Imersão Dinheiro no Agro
    • Produção de alta performance
  • Para empresas
    • Treinamento Corporativo
    • Sprint IA
  • Eventos
    • Simpósio brasileiro de saúde do solo
  • Blog
  • Biblioteca
    • Agroclass
    • Agroteca
    • Conteúdo Gratuito
  • Pós-Graduação
  • MBAs
  • Imersões
    • Imersão Internacional China
    • Imersão IA no Agro (SP)
    • Imersão Dinheiro no Agro
    • Produção de alta performance
  • Para empresas
    • Treinamento Corporativo
    • Sprint IA
  • Eventos
    • Simpósio brasileiro de saúde do solo
  • Blog
  • Biblioteca
    • Agroclass
    • Agroteca
    • Conteúdo Gratuito

Solos supressivos: quando o próprio solo ajuda a controlar patógenos e doenças

Entenda o que são solos supressivos, como o microbioma do solo contribui para a redução de doenças e quais práticas de manejo ajudam a fortalecer a sanidade vegetal no campo.
  • Publicado em 15/07/2026
  • Jessica Maria Israel Jesus
  • Fertilidade do Solo, Solos
  • Publicado em 15/07/2026
  • Jessica Maria Israel Jesus
  • Fertilidade do Solo, Solos
  • Atualizado em 13/07/2026
solos supressivos
Sumário

As doenças causadas por patógenos de solo estão entre os principais desafios da produção agrícola. Fungos, oomicetos, bactérias e nematoides podem sobreviver por longos períodos no solo, atacar raízes, comprometer a absorção de água e nutrientes e reduzir o potencial produtivo das culturas.

Durante muito tempo, o solo foi visto principalmente como um reservatório de inóculo. Hoje, porém, sabe-se que ele também pode atuar como uma barreira biológica contra doenças, desde que apresente equilíbrio físico, químico e biológico. É nesse contexto que entram os solos supressivos.

Solos supressivos não são solos livres de patógenos. A diferença está na capacidade do ambiente de limitar a atividade desses organismos e reduzir a ocorrência ou a severidade das doenças. Essa capacidade depende da interação entre microbioma, matéria orgânica, estrutura do solo, fertilidade, cultura, histórico de manejo e patógeno envolvido.

Neste artigo, você vai entender o conceito de solos supressivos, os principais mecanismos envolvidos, os fatores que favorecem essa condição e as práticas agrícolas que ajudam a construir sistemas mais saudáveis e resilientes.

O que são solos supressivos?

Solos supressivos são solos capazes de reduzir naturalmente a ocorrência, o desenvolvimento ou a severidade de doenças de plantas. O ponto mais importante é que essa redução pode ocorrer mesmo quando os três elementos necessários para a doença estão presentes: patógeno virulento, hospedeiro suscetível e ambiente favorável.

triângulo da doença: base de solos supressivos
Figura 1. Triângulo da doença de plantas. A doença resulta da interação entre patógeno virulento, hospedeiro suscetível e ambiente favorável. Fatores como inóculo, resistência da planta, temperatura, umidade e pH influenciam seu estabelecimento e intensidade. Fonte: elaborada pela autora.

Em condições comuns, essa combinação favoreceria o avanço da doença. Em um solo supressivo, porém, a atividade biológica do ambiente interfere nessa relação e dificulta o estabelecimento do patógeno.

A supressividade pode ocorrer de duas formas principais: geral e específica.

Supressão geral

A supressão geral resulta da atividade coletiva da microbiota do solo. Uma comunidade microbiana diversa e ativa ocupa nichos ecológicos, consome recursos disponíveis e compete com os patógenos por espaço, nutrientes e energia.

Esse tipo de supressão está diretamente ligado à saúde biológica do solo. Por depender da diversidade e da atividade do conjunto da comunidade, tende a ser construída ao longo do tempo, especialmente em sistemas com maior aporte de carbono, menor revolvimento e maior diversidade vegetal.

Supressão específica

A supressão específica ocorre quando determinados microrganismos ou grupos microbianos atuam de forma mais direcionada contra um patógeno. Essa ação pode envolver antibiose, parasitismo, produção de enzimas, competição específica ou indução de resistência na planta.

Essa forma de supressão está mais associada a agentes de biocontrole, como algumas espécies de Bacillus, Pseudomonas e Trichoderma. No entanto, mesmo nesses casos, a eficiência desses organismos depende das condições do solo e da interação com o microbioma nativo.

Em termos práticos, os solos supressivos mostram que o controle de doenças não depende apenas da aplicação de produtos ou da resistência genética da planta. Ele também está relacionado à capacidade do solo de funcionar como um ecossistema vivo e biologicamente ativo.

Saúde do solo e sanidade vegetal

A saúde do solo envolve a integração entre estrutura física, fertilidade química e atividade biológica. Quando esses componentes estão equilibrados, as raízes crescem melhor, a planta absorve água e nutrientes com mais eficiência e o sistema se torna mais tolerante a estresses.

A dimensão biológica é central para a supressão de doenças. Microrganismos benéficos associados à rizosfera podem competir com patógenos, produzir compostos antimicrobianos, regular populações microbianas e estimular respostas de defesa da planta.

Por outro lado, manejos que reduzem matéria orgânica, compactam o solo, diminuem a diversidade vegetal ou desequilibram a fertilidade tendem a enfraquecer essa proteção natural. Nessas condições, patógenos oportunistas encontram mais espaço para se multiplicar e causar danos.

Assim, a sanidade vegetal começa antes do aparecimento dos sintomas. Ela é construída no solo, por meio de práticas que favorecem raízes saudáveis, microbioma funcional e ambiente menos favorável ao domínio de organismos causadores de doenças.

Como os solos supressivos ajudam a controlar patógenos?

A supressão de doenças ocorre principalmente na rizosfera, região do solo influenciada pelas raízes. Nesse ambiente, plantas e microrganismos interagem intensamente por meio de exsudatos, sinais químicos e competição por recursos.

Não há um único mecanismo responsável pela supressividade. Em geral, vários processos atuam de forma simultânea.

Competição por espaço e nutrientes

A competição é um dos mecanismos mais importantes da supressão geral. Microrganismos benéficos ocupam nichos na rizosfera e utilizam recursos que poderiam ser explorados pelos patógenos.

Em solos com alta diversidade microbiana, há menor disponibilidade de espaço e nutrientes livres para organismos causadores de doenças. Isso reduz sua sobrevivência, crescimento e capacidade de infecção.

Antibiose

A antibiose ocorre quando microrganismos benéficos produzem substâncias capazes de inibir ou matar patógenos. Esses compostos podem afetar o crescimento, a sobrevivência ou a capacidade de infecção dos organismos causadores de doenças.

Bactérias e fungos associados ao solo, como espécies de Pseudomonas, Bacillus e Trichoderma, são frequentemente relacionados à produção de metabólitos antimicrobianos, enzimas, lipopeptídeos e sideróforos. Esses compostos ajudam a limitar o avanço de patógenos e contribuem para a supressão natural de doenças.

Parasitismo, predação e enzimas líticas

Alguns organismos do solo atuam diretamente sobre estruturas dos patógenos, como hifas, escleródios, ovos, esporos e estruturas de resistência. Esse processo pode ocorrer por parasitismo, predação ou produção de enzimas líticas.

Ao degradar ou enfraquecer essas estruturas, a microbiota reduz a quantidade de inóculo viável no solo e, consequentemente, a pressão de doença sobre a cultura.

Indução de resistência na planta

Microrganismos associados às raízes também podem estimular mecanismos de defesa da planta. Esse processo, conhecido como resistência sistêmica induzida (ISR), prepara a planta para responder de forma mais rápida e eficiente ao ataque de patógenos.

Nesse caso, o microbioma não atua apenas contra o organismo causador da doença. Ele também modula a fisiologia da planta, fortalecendo sua capacidade de defesa.

Modulação do microbioma da rizosfera

As plantas influenciam a composição do microbioma por meio dos exsudatos radiculares. Esses compostos servem como fonte de energia e sinalização para os microrganismos.

Dependendo da cultura, do estádio de desenvolvimento, do manejo e da presença de patógenos, a planta pode favorecer grupos microbianos associados à proteção das raízes. Essa modulação contribui para a formação de comunidades mais funcionais e menos favoráveis ao estabelecimento de patógenos.

diversidade microbiana e supressão de patógenos em solos supressivos
Figura 2. Diversidade microbiana e supressão de patógenos no solo. A alta diversidade microbiana favorece menor carga de patógenos, melhor ciclagem de nutrientes, fortalecimento das defesas da planta e maior saúde do solo. Já a baixa diversidade microbiana pode aumentar nichos para patógenos, reduzir a estabilidade da comunidade e favorecer doenças. Fonte: adaptado de Singh et al (2025).

Fatores de solo que favorecem a supressividade do solo

A supressividade depende das condições que sustentam a sobrevivência, a multiplicação e a atividade dos organismos benéficos. Por isso, fatores físicos, químicos e biológicos devem ser avaliados de forma integrada.

Matéria orgânica e carbono do solo

A matéria orgânica é uma das principais bases da atividade microbiana. Ela fornece energia para os organismos do solo, favorece a ciclagem de nutrientes, melhora a agregação e aumenta a retenção de água.

Solos com maior teor de carbono orgânico tendem a apresentar comunidades microbianas mais ativas e diversas, o que contribui para maior estabilidade biológica e menor dominância de patógenos.

pH e equilíbrio químico

O pH do solo influencia a disponibilidade de nutrientes e a composição da comunidade microbiana. Quando o pH está fora da faixa adequada para a cultura, o crescimento das plantas e a atividade de microrganismos benéficos podem ser prejudicados.

O equilíbrio químico também depende do manejo correto da fertilidade. Excesso ou deficiência de nutrientes pode alterar a relação entre planta, microbioma e patógenos.

Umidade, temperatura e aeração

A atividade microbiana depende de condições adequadas de umidade, temperatura e oxigenação. A falta de água reduz a atividade biológica e aumenta o estresse da planta. O excesso de água, por outro lado, limita a aeração e favorece patógenos associados a ambientes encharcados.

Solos compactados, mal drenados ou sujeitos a temperaturas extremas tendem a reduzir a funcionalidade da microbiota e aumentar o risco de doenças radiculares.

Estrutura, agregação e textura do solo

Solos bem estruturados favorecem o crescimento das raízes, a infiltração de água, a circulação de ar e a formação de micro-habitats para organismos benéficos.

A textura também influencia a dinâmica da supressividade. Solos arenosos, argilosos e de textura média diferem quanto à retenção de água, disponibilidade de nutrientes, proteção física da matéria orgânica e estabilidade das comunidades microbianas. Por isso, estratégias de manejo devem considerar as características específicas de cada área.

Diversidade microbiana e respiração do solo

A diversidade microbiana aumenta a ocupação de nichos e reduz a chance de um patógeno dominar o ambiente. Além da presença dos organismos, é importante considerar sua atividade funcional.

Indicadores como respiração do solo, carbono da biomassa microbiana, atividade enzimática e análises moleculares podem ajudar a compreender o funcionamento biológico do solo. No entanto, a interpretação desses indicadores deve ser feita com cautela, pois a presença de um grupo microbiano não garante, por si só, que ele esteja ativo ou exercendo determinada função.

Microbioma do solo, bioinsumos e agentes de biocontrole

O microbioma do solo reúne bactérias, fungos, arqueias, protistas, nematoides benéficos e outros organismos que vivem no solo, na rizosfera e associados às raízes. Em solos supressivos, esses organismos interagem em rede e contribuem para o equilíbrio biológico do sistema.

Bioinsumos e agentes de biocontrole buscam reforçar essas funções. Muitos produtos são formulados com microrganismos capazes de competir com patógenos, produzir compostos antimicrobianos, parasitar estruturas fúngicas, estimular o crescimento radicular ou induzir resistência na planta.

Estratégias agronômicas e microbianas para reduzir patógenos e melhorar a saúde do solo
Figura 3. Estratégias agronômicas e microbianas para reduzir patógenos e melhorar a saúde do solo. Práticas sustentáveis, como rotação, consórcios, inoculantes microbianos e fertilizantes orgânicos, favorecem a diversidade microbiana e a supressão de doenças. Já o monocultivo e o uso excessivo de insumos químicos podem aumentar a carga de patógenos. Fonte: adaptado de Singh et al. (2025).

Tabela 1. Microrganismos benéficos associados à supressão de doenças no solo. Exemplos de grupos microbianos e seus principais mecanismos de atuação contra patógenos e na promoção da sanidade vegetal

Grupo de microrganismosExemplosComo podem atuar na supressão de doenças
Bactérias promotoras de crescimento; Agentes de biocontroleBacillusspp. Pseudomonasspp. Paenibacillus spp.Competição por espaço e nutrientes, produção de metabólitos antimicrobianos, promoção de crescimento e indução de resistência.
Grupo de microrganismosExemplosComo podem atuar na supressão de doenças
Fungos de biocontroleTrichoderma spp.Antibiose, micoparasitismo, produção de enzimas líticas, competição e estímulo às defesas da planta.
Fungos micorrízicos arbuscularesFMAMelhoria da absorção de água e nutrientes, fortalecimento do sistema radicular e aumento da tolerância a estresses.
Fungos e bactérias endofíticasEndófitos associados às raízesColonização interna dos tecidos vegetais, promoção de crescimento e estímulo à resistência da planta.
Protistas, nematoides benéficos e microfaunaPredadores e reguladores microbianosRegulação de populações microbianas, ciclagem de nutrientes e equilíbrio da comunidade biológica do solo.

Apesar do potencial, os bioinsumos não devem ser tratados como soluções isoladas. Seu desempenho depende da compatibilidade entre microrganismo introduzido, microbioma nativo, cultura, patógeno-alvo, umidade, pH, matéria orgânica, temperatura, aplicação correta e histórico da área.

Na prática, produtos biológicos tendem a apresentar melhor desempenho quando inseridos em sistemas que já favorecem a saúde do solo. Por isso, devem fazer parte de uma estratégia integrada, e não substituir o manejo agronômico.

Exemplos de patógenos e especificidade da supressão

A supressividade não ocorre da mesma forma para todos os patógenos. Um solo pode ser supressivo a determinado organismo e, ao mesmo tempo, não apresentar o mesmo efeito contra outro.

Doenças causadas por Fusarium, Rhizoctonia, Pythium, Phytophthora e nematoides, por exemplo, apresentam dinâmicas distintas de sobrevivência, infecção e resposta ao manejo. Alguns patógenos são favorecidos por excesso de umidade; outros persistem por estruturas de resistência; outros dependem fortemente da presença de hospedeiros suscetíveis.

Um caso clássico descrito na literatura é o declínio do mal-do-pé do trigo, conhecido como take-all decline. Em determinadas áreas de monocultivo de trigo, a severidade da doença causada por Gaeumannomyces graminis var. tritici pode diminuir ao longo do tempo em função do enriquecimento de comunidades microbianas antagonistas na rizosfera.

Esse exemplo mostra dois pontos importantes: primeiro, a supressividade pode emergir de interações ecológicas específicas; segundo, a sua ocorrência depende do contexto. Por isso, não é adequado generalizar que uma prática, um microrganismo ou um produto funcionará da mesma forma em todas as áreas.

Práticas agrícolas que favorecem solos supressivos

A supressividade pode surgir naturalmente, mas é fortemente influenciada pelo manejo. Práticas que aumentam a diversidade vegetal, mantêm carbono no sistema, reduzem distúrbios e melhoram as condições físicas do solo tendem a favorecer comunidades microbianas mais estáveis e funcionais.

. Impacto das práticas agrícolas no fitomicrobioma e em patógenos de plantas
Figura 4. Impacto das práticas agrícolas no fitomicrobioma e em patógenos de plantas. Sistemas sustentáveis favorecem maior carbono, matéria orgânica, fertilidade e diversidade microbiana, enquanto manejos convencionais intensivos podem aumentar erosão, emissões de GEE e desequilíbrios biológicos. Na figura: (1) microbioma foliar; (2) microbioma da raiz e da rizosfera; (3) fungos micorrízicos arbusculares; e (4) patógenos associados à raiz. GEE: gases de efeito estufa; MOS: matéria orgânica do solo. Fonte: adaptado de Chen et al. (2023).

Rotação de culturas

A rotação de culturas ajuda a interromper ciclos de patógenos dependentes de hospedeiros específicos. Também diversifica os exsudatos radiculares e amplia a variedade de nichos ecológicos na rizosfera.

Para maior eficiência, a escolha das espécies deve considerar o histórico da área, os principais patógenos presentes e a suscetibilidade das culturas utilizadas no sistema.

Plantas de cobertura e adubação verde

Plantas de cobertura protegem o solo, reduzem erosão, aumentam a entrada de carbono e estimulam a atividade microbiana. Algumas espécies também podem liberar compostos bioativos ou favorecer grupos microbianos associados à supressão.

Entretanto, a escolha deve ser criteriosa. Uma planta de cobertura mal selecionada pode atuar como hospedeira de patógenos ou nematoides e aumentar o problema na safra seguinte.

Redução do revolvimento do solo

O revolvimento intenso rompe agregados, acelera a decomposição da matéria orgânica e altera a estrutura das comunidades microbianas. Sistemas de plantio direto ou cultivo mínimo, quando bem manejados, ajudam a preservar a estrutura do solo e a estabilidade biológica.

A redução do revolvimento deve ser acompanhada de rotação de culturas, cobertura permanente e manejo adequado da fertilidade. Caso contrário, pode haver compactação superficial, acúmulo de palhada mal distribuída ou manutenção de inóculo em restos culturais.

Adubação orgânica e compostos

Compostos orgânicos, estercos bem curtidos, resíduos vegetais e condicionadores podem aumentar a atividade biológica e melhorar atributos físicos e químicos do solo.

Porém, esses materiais exigem controle de qualidade. Resíduos mal compostados, contaminados ou aplicados em excesso podem introduzir patógenos, causar desequilíbrio nutricional, aumentar salinidade ou criar condições favoráveis a doenças.

Manejo equilibrado da fertilidade

A nutrição influencia diretamente a relação entre planta, microbioma e patógenos. Plantas bem nutridas formam raízes mais vigorosas e toleram melhor estresses. Por outro lado, desequilíbrios nutricionais podem aumentar a suscetibilidade a doenças.

O manejo deve se basear em análise de solo, exigência da cultura, teor de matéria orgânica, pH, histórico da área e produtividade esperada.

Diversificação do sistema produtivo

Sistemas diversificados, com rotação, consórcios, plantas de cobertura, integração lavoura-pecuária e espécies com diferentes arquiteturas radiculares, tendem a favorecer microbiomas mais complexos.

A diversidade reduz a dependência de uma única prática de controle e aumenta a resiliência do sistema. Em vez de buscar uma solução pontual, o objetivo é criar um ambiente menos favorável ao domínio de patógenos.

Como avaliar a supressividade no campo?

Identificar um solo supressivo não é simples. A presença de microrganismos benéficos, isoladamente, não confirma que o solo seja funcionalmente supressivo.

A avaliação pode envolver diferentes níveis de informação:

Tabela 2. Indicadores práticos para avaliação da supressividade do solo no campo

Tipo de avaliaçãoO que pode indicar
Histórico da áreaRecorrência ou redução de doenças ao longo do tempo, mesmo sob pressão de inóculo.
Diagnose fitossanitáriaIdentificação dos patógenos predominantes e da severidade das doenças.
Análises químicas e físicaspH, nutrientes, matéria orgânica, compactação, textura, drenagem e estrutura.
Indicadores biológicosRespiração do solo, biomassa microbiana, atividade enzimática e diversidade microbiana.
Ensaios comparativosComparação entre solos, tratamentos ou áreas com diferentes históricos de manejo.
Monitoramento de produtividadeRelação entre sanidade radicular, vigor das plantas e desempenho produtivo.

Na prática, a supressividade deve ser interpretada como uma propriedade funcional do sistema, e não como um atributo fixo ou facilmente mensurável por uma única análise.

Desafios e limitações dos solos supressivos

Apesar do potencial, a supressividade não é imediata, universal ou totalmente previsível. Ela depende do tipo de solo, clima, cultura, patógeno, histórico de manejo, comunidade microbiana e condições ambientais.

Tabela 3. Desafios e limitações dos solos supressivos. Síntese dos principais fatores que influenciam a previsibilidade, a manutenção e o uso prático da supressividade no manejo de doenças

DesafioO que significa na prática
Baixa previsibilidadeA supressividade varia conforme solo, clima, cultura, patógeno e manejo.
Efeito dependente do contextoUma prática eficiente em uma área pode não funcionar da mesma forma em outra.
Patógenos não são eliminadosO solo pode reduzir a doença, mas não necessariamente eliminar o inóculo.
Dificuldade de diagnósticoNem sempre é simples medir a atividade funcional do microbioma no campo.
Tempo de construçãoA supressividade pode exigir anos de manejo conservacionista e diversificado.
Risco de perda da supressividadeManejos inadequados podem reduzir matéria orgânica, biodiversidade e atividade microbiana.
Necessidade de manejo integradoSolos supressivos devem ser combinados com rotação, bioinsumos, cultivares, monitoramento e manejo da fertilidade.

Outro ponto importante é que nem toda prática considerada benéfica terá efeito positivo em todos os contextos. Plantas de cobertura, resíduos orgânicos e redução de revolvimento, por exemplo, podem favorecer a saúde do solo, mas também podem manter ou aumentar determinados patógenos se forem mal planejados.

Por isso, o manejo de solos supressivos deve ser baseado em diagnóstico, monitoramento e tomada de decisão integrada.

FAQ Solos supressivos

O que são solos supressivos?

Solos supressivos são aqueles que possuem a capacidade de reduzir a ocorrência, o desenvolvimento ou a severidade de doenças nas plantas. O grande diferencial é que, mesmo com a presença do patógeno e de condições favoráveis, a doença não se manifesta ou ocorre de forma muito reduzida devido à intensa atividade biológica do ambiente.

Qual a diferença entre supressão geral e supressão específica?

  • Supressão geral: Está ligada à atividade coletiva e diversificada de toda a microbiota do solo, que compete em massa com os patógenos por espaço, energia e nutrientes.
  • Supressão específica: Ocorre quando um grupo microbiano ou microrganismo específico atua diretamente contra um patógeno determinado, seja por parasitismo, produção de compostos antimicrobianos (antibiose) ou indução de resistência na planta.

Um solo supressivo é um solo totalmente livre de patógenos?

Não. Esse solo pode sim conter microrganismos (como fungos, bactérias, oomicetos, nematoides) causadores de doenças. A diferença crucial é que o ecossistema e o microbioma desse solo são tão equilibrados e ativos que conseguem limitar a atividade desses organismos, impedindo que causem danos econômicos à cultura.

Como o microbioma da rizosfera ajuda a proteger as plantas?

Os microrganismos benéficos se concentram na rizosfera (região próxima às raízes) e criam uma barreira biológica natural. Eles competem com os patógenos, produzem substâncias antimicrobianas e ativam o sistema de defesa da própria planta.

Quais microrganismos benéficos estão mais associados à supressividade?

Vários grupos atuam em conjunto. Entre os mais estudados e utilizados na produção de bioinsumos e agentes de biocontrole, destacam-se bactérias dos gêneros Bacillus e Pseudomonas, e fungos como Trichoderma e os Fungos Micorrízicos Arbusculares (FMA). Eles atuam em rede para garantir a sanidade vegetal.

Como favorecer solos supressivos no campo?

A supressividade é construída com práticas que aumentam a biodiversidade e a saúde do solo, tais como:

  • Rotação de culturas e plantas de cobertura;
  • Aporte de matéria orgânica e adubação equilibrada;
  • Redução do revolvimento (Sistema Plantio Direto);
  • Uso estratégico de bioinsumos e controle biológico.

O solo pode perder a capacidade supressiva?

Sim. Práticas que podem degradar a saúde do solo como monocultura, revolvimento excessivo e compactação destroem a matéria orgânica e quebram o equilíbrio do microbioma. Sem essa proteção biológica, o solo volta a ficar vulnerável a doenças.

Considerações finais

Os solos supressivos mostram que a sanidade vegetal começa no solo. Quando há equilíbrio físico, químico e biológico, a microbiota benéfica pode atuar como uma barreira natural contra patógenos e reduzir a ocorrência ou a severidade de doenças.

Por isso, solos supressivos devem ser vistos como aliados estratégicos da agricultura sustentável. Ao manejar o solo como um ecossistema vivo, é possível fortalecer a sanidade vegetal, aumentar a resiliência do sistema produtivo e reduzir a dependência de medidas isoladas de controle.

Quer aprofundar sua compreensão sobre solos vivos, microbioma, supressão de doenças e manejo sustentável?

Participe do Simpósio Brasileiro de Saúde do Solo e acompanhe discussões técnicas sobre os caminhos para construir sistemas produtivos mais equilibrados, resilientes e eficientes.

A saúde das plantas começa no solo. E o próximo passo para transformar conhecimento em manejo está aqui. Inscreva-se e faça parte dessa conversa.

banner SBSS

Referências

Chen, W., Modi, D., & Picot, A. (2023). Soil and phytomicrobiome for plant disease suppression and management under climate change: A review. Plants, 12(14), 2736. https://doi.org/10.3390/plants12142736

De Corato, U. (2020). Soil microbiota manipulation and its role in suppressing soil-borne plant pathogens in organic farming systems under the light of microbiome-assisted strategies. Chemical and Biological Technologies in Agriculture, 7, Article 17. https://doi.org/10.1186/s40538-020-00183-7

Priyadarshini, C., Lal, R., Yuan, P., Liu, W., Adhikari, A., Bhandari, S., & Xia, Y. (2025). Plant disease suppressiveness enhancement via soil health management. Biology, 14(8), 924. https://doi.org/10.3390/biology14080924

Sagova-Mareckova, M., Omelka, M., & Kopecky, J. (2023). The golden goal of soil management: Disease-suppressive soils. Phytopathology, 113(4), 741–752. https://doi.org/10.1094/PHYTO-09-22-0324-KD

Schlatter, D., Kinkel, L., Thomashow, L., Weller, D., & Paulitz, T. (2017). Disease suppressive soils: New insights from the soil microbiome. Phytopathology, 107(11), 1284–1297. https://doi.org/10.1094/PHYTO-03-17-0111-RVW

Singh, B. K., Jiang, G., Wei, Z., Sáez-Sandino, T., Gao, M., Liu, H., & Xiong, C. (2025). Plant pathogens, microbiomes, and soil health. Trends in Microbiology, 33(8), 887–902. https://doi.org/10.1016/j.tim.2025.03.013

Weller, D. M., Raaijmakers, J. M., McSpadden Gardener, B. B., & Thomashow, L. S. (2002). Microbial populations responsible for specific soil suppressiveness to plant pathogens. Annual Review of Phytopathology, 40, 309–348. https://doi.org/10.1146/annurev.phyto.40.030402.110010  

Kwak, Y. S., & Weller, D. M. (2013). Take-all of wheat and natural disease suppression: A review. The Plant Pathology Journal, 29(2), 125–135. https://doi.org/10.5423/PPJ.SI.07.2012.0112

Sobre a autora:

Jéssica Jesus

Jéssica Maria Israel de Jesus

Doutora em Fitopatologia (Esalq/USP)

  • Mestra em Agronomia - Fitossanidade (UFG)
  • Especialista em Agronegócios (Esalq/USP)
  • Engenheira Agrônoma (IF Goiano/Campus Ceres)
  • [email protected]
  • Perfil do Linkedin
VER MAIS ARTIGOS DO AUTOR

Como citar este artigo:

JESUS, J.M.I. Solos supressivos: quando o próprio solo ajuda a controlar patógenos e doenças. Blog Agroadvance. Publicado: 15 Jul. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-solos-supressivos/. Data de acesso: dd Mmmm. Aaaa.

PESQUISAR

COMPARTILHAR

Mais Lidos Da Semana

Solos supressivos: quando o próprio solo ajuda a controlar patógenos e doenças
Leia mais »
Fidelização no agronegócio: o método completo para gerar confiança e market share
Leia mais »
Reguladores de crescimento e maturadores no algodão: como usar para melhorar produtividade e colheita
Leia mais »

Categorias

  • Agricultura 5.0
  • Agronegócio
  • Algodão
  • Bioinsumos
  • Café
  • Cana-de-açúcar
  • Feijão
  • Fertilidade do Solo
  • Fisiologia vegetal
  • Fitossanitários
  • Gestão Agrícola
  • Gestão Comercial
  • Imersões
  • Inteligência Artificial
  • Máquinas Agrícolas
  • Marketing e Vendas
  • Milho
  • Mulheres no Agro
  • Notícias
  • Nutrição de plantas
  • Pecuária
  • Soja
  • Solos
  • Sorgo
  • Sustentabilidade
  • Trigo
VOCÊ TAMBÉM PODE GOSTAR:
Fidelização no agronegócio
Gestão Comercial
Fidelização no agronegócio: o método completo para gerar confiança e market share

Fidelização no agronegócio não é só vender. Domine o método das três pontes para gerar confiança no produtor rural e crescer em market share.

Leia mais »
Renato Seraphim e Francisco Negrini 13/07/2026
produtor campo algodão máquina
Algodão
Reguladores de crescimento e maturadores no algodão: como usar para melhorar produtividade e colheita

Entenda como reguladores de crescimento e maturadores no algodão ajudam a controlar o porte das plantas, uniformizar a abertura dos capulhos e melhorar a

Leia mais »
Alasse Oliveira da Silva 03/07/2026
presença técnica no campo
Gestão Comercial
Presença técnica no campo: o diferencial da fidelização de produtores rurais

Descubra como a presença técnica estruturada, a Rota do Leite e o processo LOPIS fortalecem a confiança, melhoram o atendimento no campo e aumentam

Leia mais »
Renato Seraphim e Francisco Negrini 01/07/2026

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Agroadvance, Escola de Negócios Agro que conecta o campo à cidade, amplificando os resultados do agronegócio no Brasil e destacando a cultura e o valor do setor

Instagram Linkedin Youtube

Entre em Contato

  • Fale Conosco
  • WhatsApp
  • E-mail
  • Avenida Cezira Giovanoni Moretti, Nº 905, Térreo, Sala 01 - Santa Rosa - Piracicaba/sp - CEP: 13414-157
Links
  • Programa de Indicação
  • Política de Proteção de Dados
  • Política de Privacidade
  • Política de Uso de Cookies
  • Termos de Uso
  • Programa de Indicação
  • Política de Proteção de Dados
  • Política de Privacidade
  • Política de Uso de Cookies
  • Termos de Uso

©2026 Todos Os Direitos Reservados.