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Pragas da soja: identificação, controle e manejo em cada fase da cultura

Descubra quais as principais pragas da soja, como identificá-las e aplicar estratégias eficazes de controle em cada fase da cultura.
  • Publicado em 12/11/2025
  • Alexandre Augusto da Silva
  • Fitossanitários, Soja
  • Publicado em 12/11/2025
  • Alexandre Augusto da Silva
  • Fitossanitários, Soja
  • Atualizado em 12/11/2025
pragas da soja percevejos e lagartas são as principais
Sumário

No Brasil, a soja é uma das principais culturas agrícolas, ocupando mais de 47 milhões de hectares na safra 2024/25 e alcançando um recorde na produção, de 170 milhões de toneladas do grão, segundo a CONAB.

Apesar dos números expressivos de área e produção, a produtividade brasileira tem enfrentado diversos entraves para expansão, dentre eles, o manejo de pragas da soja, presentes no campo durante todo o ciclo da cultura.

Para cada fase da cultura, existe a infestação de pragas específicas, com algumas preferindo o ataque às plantas jovens, nos estádios iniciais, e outras quando estas atingem o pleno desenvolvimento vegetativo ou reprodutivo.

Dessa forma, conhecer as pragas, saber identificar e fazer um controle eficiente é importante para evitar prejuízos à lavoura. Neste artigo, serão abordadas as características das principais pragas que acometem a cultura e quais as melhores estratégias de manejo que o produtor pode adotar para o controle.

Pragas da fase vegetativa da soja

Lagarta elasmo (Elasmopalpus lignosellus)

Também conhecida como broca-do-colo, a lagarta elasmo ataca as plântulas recém-emergidas, nos estádios iniciais da cultura, abrindo galerias no interior do caule, e provocando sintomas como murcha e tombamento, que levam à morte da planta.

Condições favoráveis de ocorrência: preferência por solos arenosos e secos, sendo mais comum em períodos de estiagem.

Identificação: as lagartas podem ser identificadas pela:

  • coloração esverdeada ou amarelada e faixas marrons no corpo.

Enquanto mariposa, a oviposição ocorre próximo às plantas hospedeiras, sendo os ovos inicialmente de coloração clara, tornando-se vermelho-escuros quando próximos da eclosão.

pragas da soja: lagarta elasmo

Fonte: Embrapa

Controle: O controle preventivo da lagarta elasmo envolve boa cobertura vegetal e umidade adequada no solo, uma vez que a ocorrência da praga é favorecida por solo seco e compactado.

Corós (Diloboderus abderus)

Conhecidos também como “bicho-bolo” ou “pão-de-galinha”, é outra praga que atacam as plântulas ainda na fase de estabelecimento da cultura. Apesar de se tornar um besouro na fase adulta, o prejuízo à lavoura acontece ainda na fase larval, as quais alimentam-se das raízes, causando reboleiras e falhas na germinação.

O solo é o habitat de desenvolvimento desta praga, podendo ser encontrada em até 40 cm de profundidade. Os besouros iniciam a revoada para acasalamento no mês de outubro, com os adultos sendo responsáveis pela reprodução e dispersão da espécie.

Sintomas: Os ataques são caracterizados pelo(a):

  • Aparecimento de reboleiras na lavoura, com a
  • presença de plantas amareladas, murchas e raízes danificadas.

A lavoura é afetada através de redução do estande de plantas, menor germinação das sementes e morte das plantas recém emergentes.

pragas da soja: corós

Fonte: Syngenta Digital (2021).

Controle: o tratamento de sementes e o manejo de palhada ajudam a reduzir populações de corós no solo.

Formigas cortadeiras

O ataque de formigas cortadeiras não é exclusivo à soja, atingindo diversas culturas em todo o Brasil. Elas utilizam folhas frescas para cultivar fungos dos quais se alimentam. São capazes de desfolhar totalmente plantas jovens.

Os gêneros Atta (conhecidas como saúvas ou saúvas-limão) e Acromyrmex (quenquéns) são representantes típicos de formigas cortadeiras, as quais estão distribuídas em vários estados do país.

Danos: Atacam folhas, hastes e outras partes das plantas, levando-as por meio de trilhas até o formigueiro.

Identificação:

  • Atta (saúva): 3 pares de espinhos no dorso, além de pelos na cabeça e abdômen. Algo que também pode auxiliar na identificação é o cheiro de limão exalado quando sua cabeça é esmagada.
  • Acromyrmex (quenquém): presença de 4 pares de espinhos no tórax e várias protuberâncias no abdômen.

pragas da soja: formigas cortadeiras
Fonte: Adaptado de Agrolink (2025).

Ninhos das formigas cortadeiras:

  • Se comparado aos sauveiros, formigas quenquéns possuem ninhos menores e menos profundos, com um ou poucos orifícios de entrada, geralmente com um montículo de terra solta com ou sem resíduos vegetais ao seu redor.
  • As saúvas, por sua vez, constroem ninhos superficiais, com vários montículos de terra solta e orifícios de entrada no meio.

Durante o início da estação chuvosa, os insetos alados de ambas as espécies, saem dos formigueiros em busca do acasalamento, no fenômeno chamado de revoada com objetivo de formar novos ninhos.

Controle: eliminação de formigueiros e uso de iscas formicidas, principalmente antes do plantio.

Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon)

Identificação: De coloração cinza-escuro à marrom com pontuações pretas, é característica da lagarta-rosca ataques noturnos durante a fase inicial da soja.

Com alimentação a partir de sementes recém-germinadas e hastes da cultura, seu ataque ocorre pelo corte das plantas ao nível do solo.

Durante o dia, busca refúgio sob a vegetação morta ou buracos, e quando perturbada tem o hábito de se enrolar.

Sintomas: Dentre os sintomas de seus ataques no campo estão:

  • falhas de germinação em reboleiras,
  • plantas murchas e tombadas.

Além dos danos à fase mais jovem e menos desenvolvida da cultura, plantas de estádios mais avançados também podem sofrer ataques, sendo que nestes casos há desfolha ou abertura de galerias que seccionam o colo do caule.

É uma praga com capacidade de afetar o estande da lavoura e causar a morte das plântulas, o que por consequência pode reduzir a população e limitar o potencial produtivo.

Controle: tratamento de sementes, rotação de culturas e monitoramento no início do desenvolvimento.

À medida que a soja se desenvolve e atinge estágios mais avançados, novas pragas passam a representar risco, especialmente as lagartas desfolhadoras.

Lagartas desfolhadoras da soja

Dentre as principais pragas da soja, estão aquelas com alimentação baseada especialmente no consumo de folhas, denominadas lagartas desfolhadoras. Neste grupo, são importantes para a soja espécies como a Lagarta-da-soja, Falsa-medideira e Helicoverpa.

Lagarta-da-soja (Anticarsia gemmatalis)

Popularmente conhecida como lagarta-da-soja ou lagarta-verde, é uma das principais pragas desfolhadoras da soja.

Sintomas

  • Iniciais: Os ataques às plantas começam com pequenas áreas raspadas das folhas, deixando membranas translúcidas e perfurações como sintomas visíveis.
  • No entanto, durante seu crescimento a lagarta pode chegar a consumir também outras partes da planta como nervuras, pecíolos e hastes mais finas.

Identificação: De coloração verde-clara após eclosão e patas abdominais em desenvolvimento, a lagarta anda medindo palmos, podendo ser confundida com a falsa-medideira.

Na fase seguinte as pernas ficam completamente desenvolvidas e não andam mais medindo palmos. Independente da fase, possui como característica três linhas longitudinais claras no dorso que auxiliam na identificação.

De hábito noturno, normalmente podem ser encontradas abaixo das folhas ou entre elas, preferindo locais sombreados durante o dia, enquanto o acasalamento e oviposição ocorrem no período noturno.

pragas da soja: lagarta da soja anticarsia gematalis

Controle: uso de cultivares Bt, monitoramento por pano-de-batida e aplicação racional de inseticidas.

Lagarta falsa-medideira (Pseudoplusia includens e Chrysodeixis includens)

Também considerada uma das principais desfolhadoras da soja, as espécies Pseudoplusia includens e Chrysodeixis includens são falsas-medideiras, com locomoção típica de arqueamento do corpo em movimento de “meia-lua”.

O ataque característico de lagartas pequenas pode ser observado pela presença de folhas raspadas, sendo que à medida que a praga cresce, pode consumir folhas inteiras e danificar hastes mais finas.

Durante seu desenvolvimento, na fase de pupa permanece sob uma teia nas folhas da planta até a emergência do adulto, uma mariposa marrom acinzentada com uma mancha prateada em formato de “Y” no primeiro par de asas.

pragas da soja: diferença de lagartas da soja spodoptera, helicoverpa e  falsa medideira
Fonte: Mais Agro (2023)

Controle: as principais estratégias incluem o monitoramento constante, a preservação de inimigos naturais e o uso de produtos seletivos.

Helicoverpa (Helicoverpa armigera)

Praga de grande impacto na agricultura, a importância de Helicoverpa armigera se estende também a outras culturas além da soja, com alta capacidade de adaptação e ataque a várias partes da planta, como folhas, flores e vagens.

Comum em diversas regiões produtoras do Brasil, pode comprometer até 40% da produção, começando o ataque pela desfolha, e em seguida aos grãos em formação, prejudicando a produtividade da lavoura.

De rápida proliferação, seu controle pode ser dificultado também pela resistência a alguns inseticidas.

Devido a semelhança às outras espécies, a presença de pelos brancos na parte frontal e estruturas que são escurecidas no pelo, são características que auxiliam na identificação da espécie.

pragas da soja: lagarta helicoverpa
Fonte: Syngenta Digital (2021).

Controle: como é resistente a alguns inseticidas, exige monitoramento rigoroso com armadilhas de feromônio, rotação de modos de ação e uso combinado de controle biológico.

Vaquinha (Diabrotica speciosa)

Conhecida popularmente como vaquinha, larva-alfinete ou brasileirinho, esta praga causa danos à cultura tanto em sua fase larval (raízes) quanto adulta (folhas e flores).

Identificação: De coloração branca, as larvas após desenvolvimento completo tornam-se besouros de cor verde brilhante e manchas ovais amarelas.

Enquanto larva, chamada de larva-alfinete, o alvo são as raízes, reduzindo a sustentação e absorção de água e nutrientes. Os adultos por sua vez, são insetos desfolhadores, os quais alimentam-se de folhas tenras e brotos, podendo atacar também botões florais, flores e vagens.

Na cultura da soja, os maiores danos são causados pelos adultos, pois podem levar à desfolha intensa e danos aos botões florais quando não controlados adequadamente e no período correto.

Controle: monitoramento de adultos, tratamento de sementes e rotação de culturas.

Percevejo-castanho (Scaptocoris castanea)

De hábito subterrâneo e permanecendo no solo durante todo o ciclo de vida, o percevejo-castanho busca no solo boas condições ambientais de umidade e temperatura, chegando a profundidades que variam de 30 cm a 1 m.

Durante a época de chuva, sai do solo por alguns dias para dar início à revoada em busca de novos locais para reprodução e oviposição. A presença de patas dianteiras propícias à escavação do solo, permitem que o inseto atinja a superfície, período este em que há liberação de forte odor e um som estridente.

Com alvo nas raízes, o percevejo faz a sucção de seiva e injeção de toxinas, exibindo sintomas como a formação de reboleiras e menor desenvolvimento das plantas, podendo levá-las à morte.

Controle: rotação de culturas e uso de defensivos registrados quando necessário.

Complexo de percevejos da soja

Um dos principais grupos de pragas da soja, o complexo de percevejos têm afetado as lavouras no Brasil há algum tempo, especialmente durante a fase reprodutiva da cultura, levando à queda na qualidade e produtividade dos grãos.

O pico de infestação da cultura da soja com os percevejos ocorre principalmente da formação das vagens (R3) até o final do período de enchimento dos grãos, portanto, entre novembro a abril.

Os percevejos podem causar dois tipos de danos à soja:

  • Os danos diretos são aqueles que afetam o rendimento e a qualidade dos grãos, como:
    • Deformação e abortamento de vagens e grãos;
    • Diminuição do tamanho, da massa e do teor de óleo dos grãos;
    • Redução do potencial de germinação e vigor das sementes;
    • Aumento da percentagem de proteínas e ácidos graxos livres nas sementes.

  • Os danos indiretos são aqueles que facilitam a entrada de patógenos ou provocam problemas fisiológicos nas plantas, como:
    • Transmissão de fungos que causam a doença conhecida como “soja louca”;
    • Retenção foliar no final do ciclo, dificultando a colheita;
    • Aumento da umidade dos grãos, favorecendo o ataque de insetos secundários.

O monitoramento dos percevejos da soja (com pano de batida ou armadilhas) deve ser realizado durante todo o ciclo de cultivo da soja, embora seu controle só deva ser realizado, de fato, entre os estádios R3 (início da formação das vagens) e R7 (maturação fisiológica) da cultura. O nível de controle recomendado é de:

  • 2 (dois) percevejos por metro linear em soja destinada a produção de grãos;
  • 1 (um) indivíduo por metro linear em soja destinada para produção de sementes,
  • Em  ambos os casos deve-se excluir as ninfas com tamanho inferior a 3 mm (Conte et al. 2016).

sendo que o nível de controle para os percevejos é de 2 a 4 percevejos por metro quadrado.

Os impactos na produtividade variam, sendo necessária a adoção de práticas e estratégias de controle eficazes e no momento adequado de desenvolvimento da lavoura.

Percevejo-marrom (Euschistus heros)

Pertencente à família Pentatomidae, o percevejo-marrom atualmente é uma praga do complexo soja-milho-algodão, o que tem dificultado seu controle devido à sucessão destas culturas, pois estas propiciam um ambiente com alimento e abrigo ao inseto durante sua permanência no campo.

O percevejo-marrom alimenta-se através de sucção da seiva dos grãos na soja e milho, levando à formação de grãos chochos e de menor peso, enquanto no algodoeiro os alvos são os botões florais e maçãs. Além da sucção de seiva, o inseto também pode causar danos indiretos às plantas, através da transmissão de patógenos.

Identificação: De coloração que varia de marrom à tons mais escuros, umas das formas de identificação é a observação de uma mancha amarela em formato de “meia lua” no dorso e a presença de 2 “chifres” na região do pronoto.

percevejo marrom da soja
Fonte: Mais Agro (2023).

Percevejo-verde (Nezara viridula)

Conhecido popularmente como fede-fede ou maria-fedida devido ao seu odor exalado quando perturbado, o percevejo-verde também causa danos à cultura da soja, os quais podem ser observados através do abortamento de vagens, deformação e mancha dos grãos, o que reduz a qualidade e valor do produto.

Características da praga:

  • tem postura de ovos hexagonal;
  • Grande quantidade de ovos por postura: 75,6 em média;
  • Possui grande quantidade de espécies hospedeiras e associadas para se reproduzir após o ciclo da soja.

O fenômeno chamado de “soja louca” também pode ser causado pelo percevejo-verde quando ocorrem altas infestações nas lavouras, levando à retenção foliar pela cultura.

Percevejo-verde-pequeno (Piezodorus guildinii)

Apesar do tamanho menor em relação aos demais percevejos, o percevejo-verde-pequeno pode ser prejudicial na mesma dimensão. Os danos na lavoura, assim como os outros, podem ser detectados através da retenção foliar, manchas e menor peso dos grãos.

Características da praga:

  • Durante a fase de ninfa, possuem coloração avermelhada,
  • Os adultos apresentam uma linha transversal marrom-avermelhada no tórax.
  • Normalmente a oviposição ocorre sobre as vagens da soja.
  • É um dos mais danosos para a soja pois tem o dobro em tamanho do estilete, com poder grande de penetração na vagem da soja.
  • Não entra em diapausa precisando de espécies hospedeiras e associadas para sobreviver.

A retenção foliar causada pelo inseto pode ser mais intensa se comparada àquelas provocadas por outros percevejos. Este fato associado à presença cada vez mais frequente nas lavouras, justifica a necessidade de maior atenção ao monitoramento e controle da praga.

Percevejo-barriga-verde (Dichelops furcatus e D. melacanthus)

Características da praga:

  • Caracterizadas pela coloração marrom no dorso, chifres pontudos e abdome verde.
  • Também podem apresentar diapausa e permanecer sob a palhada após a colheita da soja.

A diferenciação entre as duas espécies pode ser observada pela presença de um par de espinhos com mesma coloração da cabeça no caso de Dichelops furcatus, enquanto na espécie D. melacanthus o par de espinhos é mais escuro que sua cabeça.

percevejos da soja: percevejo marrom, percevejo verde e percevejo verde pequeno: diferenças
Fonte: Agroadvance (2023).

Controle do completo de percevejos: uso de inseticidas seletivos, área de refúgio, monitoramento com pano-de-batida e manejo de bordaduras e plantas daninhas (abrigos para os percevejos na entressafra).

Complexo Spodoptera

Presentes em várias regiões do Brasil, diversas espécies fazem parte do complexo Spodoptera, com destaque à Spodoptera frugiperda (lagarta-do-cartucho), S. eridania (lagarta-da-soja) e Spodoptera cosmioides, conhecidas também como lagartas-das-vagens.

O alto potencial de danos e a capacidade de atingir diferentes estruturas das plantas, são características que permitem às pragas afetarem significativamente a produtividade das lavouras. O ataque direcionado a folhas e vagens, pode levar ao abortamento e tombamento das plantas.

A dificuldade de identificação das espécies é comum devido à similaridade entre elas, e o fato de que a presença destas na lavoura pode ocorrer simultaneamente pode levar à aplicação ineficiente de inseticida.

Controle: exige monitoramento constante, rotação de princípio ativo dos inseticidas químicos e integração de controle biológico e químico.

pragas da soja: lagartas Spodpteras: Spodoptera frugiperda, Spodopter5a eridania e spodoptera cosmioides
Principais características de cada espécie do complexo Spodoptera.

Apesar da semelhança entre as espécies, a observação de características como coloração, presença de pontuações e listras no decorrer do dorso, podem auxiliar na identificação e diferenciação entre elas.

Lagarta do Cartucho (Spodoptera frugiperda)

Uma das espécies do complexo, é a Spodoptera frugiperda, também conhecida como lagarta-do-cartucho ou lagarta-militar. Com preferência por gramíneas, alimenta-se de plantas de diversas famílias e tem causado danos em culturas como soja e algodão.

Presente nas lavouras desde os estádios iniciais até os mais avançados, seus danos são significativos a depender do momento em que a infestação ocorre no ciclo da cultura.

Possui como hábito o ataque durante a noite ou em condições de clima nublado, enquanto durante o dia permanece em repouso sob o solo ou na própria planta.

Apesar do cultivo de soja com tecnologia Bt, a lagarta ainda tem conseguido atacar as vagens e fazer o corte de plantas ao nível do solo.

Identificação: Sua identificação pode ser feita pela observação de um “Y” invertido na cabeça, com pontos pretos distribuídos em pares em cada lado dos segmentos do corpo, sendo que no último segmento podem ser encontrados quatro pontos dispersos de forma semelhante aos vértices de um quadrado.

Spodoptera Eridania

A Spodoptera eridania, por sua vez, tem as vagens como alvo principal, mas também pode atingir as folhas nas culturas da soja e algodão. Com ciclo de vida relativamente curto, em torno de 28-35 dias, seu ataque pode levar à desfolha severa da cultura.

Com isso, a lavoura é prejudicada pela queda na produção e menor qualidade do produto, enquanto a dimensão dos prejuízos pode variar de acordo com a população da praga e época da infestação.

Identificação: Podem ser identificadas pela coloração escura e presença de faixas de cor creme. A diferenciação em relação às demais espécies pode ser feita através da observação de uma listra interrompida por uma mancha escura no tórax, sendo que a faixa não chega até a cabeça.

Spodoptera cosmioides

Outra espécie do complexo de suma importância é a Spodoptera cosmioides. Seus alvos de ataque são os mesmos que as demais lagartas, porém seu consumo de área foliar é praticamente o dobro.

Quando infestam cultivos de soja Bt, a espécie não é afetada pela expressão da proteína Cry1Ac, o que dificulta o controle da praga apenas com a adoção desta tecnologia.

Identificação: Pode ser observada a presença de várias listras amarelas distribuídas em todo o dorso, chegando até à cabeça. No corpo possuem também pontuações brancas e triângulos pretos que auxiliam na identificação.

Pragas secundárias e emergentes

Na cultura da soja, pragas antes consideradas secundárias, estão em ascensão e ganhando cada vez mais importância devido aos danos causados e presença frequente nas lavouras.

Além disso, a semeadura do sistema soja-milho-algodão em mesma área e de forma consecutiva tem favorecido a adaptação das pragas a diferentes culturas, como é o caso da mosca-branca, tripes e ácaros.

Mosca-branca (Bemisia tabaci)

pragas da soja: mosca branca
Fonte: Mais Agro (2023).

Pequenos insetos com aproximadamente 1 mm de comprimento, a mosca-branca pode ser reconhecida pela coloração branca de suas asas cerosas. A oviposição ocorre na parte de baixo das folhas, tornando-se está uma região de colônias com ovos, ninfas e adultos.

Possui o hábito de ficar na face inferior das folhas, sendo os adultos responsáveis pela dispersão das colônias. Isso acontece em momentos de alta infestação ou quando a planta já não é capaz de suprir a necessidade dos insetos.

A duração do ciclo de vida pode variar de acordo com condições ambientais. Em regiões de clima quente e úmido, o ciclo da mosca-branca pode ser favorecido, com capacidade de desenvolver de 11 a 15 gerações por ano.

Inseto sugador e transmissor de vírus, durante sua alimentação uma substância açucarada é liberada, favorecendo o início da formação da fumagina, fungo escuro que desenvolve-se sobre as excreções do inseto. Com o recobrimento da superfície foliar pelo fungo, a fotossíntese é prejudicada e consequentemente a produtividade.

A espécie Bemisia tabaci possui variações, com os biótipos “A” e “B” , aqueles de maior importância no Brasil, sendo o biótipo “B” o mais comum no país.

Este por sua vez possui maior capacidade de proliferação e adaptação a diferentes plantas hospedeiras, maior resistência a inseticidas e produção de fumagina superior se comparado ao biótipo “A”.

Tripes (Frankliniella schultzei e Caliothrips brasiliensis)

pragas da soja: tripes

Fonte: Embrapa Soja (2014)

Com cerca de 2 mm e hábito de alojar-se no interior de folhas ou folíolos não abertos, possui ciclo de vida de apenas 15 dias. Condições ambientais como baixa temperatura e a ocorrência de estiagem são fatores que podem beneficiar o desenvolvimento da praga.

Sua alimentação baseia-se na sucção da seiva que extravasa após a raspagem das folhas. Os sintomas do ataque podem ser observados pelo prateamento das folhas, as quais podem ficar quebradiças e cair.

Contudo, o prejuízo na produtividade normalmente é pelo fato de que a tripes é vetora de vírus como a queima-do-broto, e poucos indivíduos são necessários para disseminação.

Ácaros

No Brasil diversas espécies de ácaros estão presentes nas lavouras de soja, porém o gênero Tetranychus têm se destacado, com grande relevância para infestações do ácaro-rajado (Tetranychus urticae) e ácaro-vermelho (T. ludeni e T. desertorum).

Ácaro-rajado (Tetranychus urticae)

Praga em diversas culturas e presentes na face inferior das folhas em colônias, o ácaro-rajado tem como característica a produção de teias. Sua alimentação baseia-se na seiva que extravasa após raspagem da superfície foliar.

Os sintomas de seu ataque podem ser observados por manchas cloróticas na parte superior das folhas, que ficam bronzeadas com o passar do tempo, podendo levar à queda das folhas. Assim, o crescimento das plantas é afetado e a produtividade prejudicada.

O desenvolvimento da praga é beneficiado sob condições de pouca chuva e altas temperaturas. Sensível a chuvas e predadores, durante o frio os insetos podem ter sua coloração alterada e abrigar-se na vegetação rasteira.

pragas da soja: acaro rajado

Ácaro-vermelho (Tetranychus ludeni e T. desertorum)

De coloração vermelha, normalmente está presente simultaneamente a outras espécies. Assim como o ácaro-rajado, pode ser encontrado na face inferior da folha, sendo que seus ataques também possuem os mesmos sintomas.

Em casos severos, onde os danos são intensos, reboleiras de áreas necróticas podem unir-se, formando regiões ainda maiores e levar à queda antecipada das folhas.

Em relação ao desenvolvimento da praga, condições de estiagem e altas temperaturas são favoráveis, ao mesmo tempo em que os insetos são sensíveis a precipitações, predadores e patógenos.

Estratégias de manejo para o controle de pragas da soja

Com a diversidade de pragas que afetam a cultura da soja, o produtor deve buscar a adoção de diferentes estratégias além do controle químico, de forma a complementar esse método amplamente difundido nas propriedades.

Quando baseado exclusivamente no uso de defensivos químicos, a eficácia do controle de pragas pode não ser suficiente para mitigar os danos, enquanto o uso contínuo e irrestrito pode levar à seleção de indivíduos resistentes à molécula.

Dentre as pragas mencionadas neste artigo, muitas são comuns a culturas pertencentes ao complexo soja-milho-algodão, o que dificulta o manejo, pois em boa parte do tempo haverá na mesma área uma lavoura que pode fornecer alimento e abrigo às pragas.

Assim, a implementação de um manejo integrado de pragas adequado é necessária para manter a população dos insetos abaixo do nível de dano econômico e alcançar boas produtividades no campo.

A seguir estão listadas estratégias que o produtor pode adotar antes, durante e após o desenvolvimento da cultura, de modo a diversificar os métodos de controle e manter a lavoura saudável durante todo o ciclo.

Tratamento de sementes (TS)

Para o estabelecimento da lavoura, realizar o Tratamento de Sementes (TS) na própria fazenda ou fazer uso daquelas que já passaram pelo Tratamento de Sementes Industrial (TSI), pode ser uma boa estratégia.

Aplicação de defensivos químicos, uso de calor ou radiação para eliminação das pragas são alternativas viáveis no TS. Com isso, pode ser observado o aumento na germinação e vigor das sementes melhorando a uniformidade da lavoura, além de favorecer o desenvolvimento da cultura em condições fitossanitárias adequadas.

Monitoramento da infestação

No período em que as plantas estão no campo, o monitoramento das pragas deve ser realizado de forma contínua, a fim de que a presença seja constatada antes que os insetos causem maiores danos à cultura.

Com essa prática, o produtor pode identificar quais pragas estão na lavoura e definir o melhor momento para controle. Ferramentas como armadilhas, amostragens e observação direta nas plantas são utilizadas para entender qual a situação da lavoura naquele momento.

Assim, o monitoramento aliado a tais ferramentas ajuda a determinar o tipo de praga, nível de infestação e quais as áreas afetadas, auxiliando, portanto, na tomada de decisão.

Tecnologia Bt e adoção de área de refúgio

Plantas com tecnologia Bt têm sido amplamente utilizadas em diversos países. O controle de pragas com menor uso de defensivos possibilita redução de custos para o produtor e boa produtividade.

No entanto, para manutenção e prolongamento da vida útil desta tecnologia, é importante que o produtor faça uso da área de refúgio na propriedade, sendo esta recomendada pelas empresas produtoras de sementes.

A área de refúgio tem por objetivo retardar a seleção de insetos resistentes à tecnologia através do cruzamento de indivíduos suscetíveis com resistentes.

Defensivos químicos e biológicos

A aplicação de defensivos é uma das práticas mais comuns para o controle de pragas, sejam eles químicos ou biológicos. No entanto, para ambos os casos é necessário cuidado para que bons resultados sejam alcançados.

Para utilização de inseticidas químicos devem ser observados parâmetros como toxicidade, seletividade e época de aplicação. O uso indiscriminado e sem orientação técnica pode afetar também inimigos naturais que poderiam auxiliar no manejo de pragas, sem custo adicional ao produtor.

Além disso, para preservar tecnologias existentes, o uso consecutivo de mesmo ingrediente ativo não é recomendado, a fim de evitar a seleção de indivíduos resistentes e posteriormente a perda de eficácia do produto comercial.

No caso de produtos biológicos, o uso de bactérias, fungos entomopatogênicos e parasitóides para o controle de pragas têm sido amplamente difundido. Apesar de ação mais lenta se comparada aos químicos, normalmente são seletivos ao inseto-alvo e menos tóxicos ao meio ambiente.

Contudo deve-se observar as recomendações técnicas dos produtos, pois além da composição biológica, materiais inertes também são adicionados às formulações.

Rotação de culturas

Outra prática adotada para um manejo de pragas eficiente é a rotação de culturas, a qual pode ser definida como a alternância de cultivos em uma mesma área em determinado período de tempo.

O objetivo desta prática é interromper o ciclo de vida das pragas, seja pela ausência de alimentos ou por efeitos alelopáticos de algumas plantas de cobertura sobre os insetos. Alguns destes possuem preferência por culturas específicas e a diversificação de cultivo pode ser uma alternativa para o controle dos indivíduos.

Entretanto, nos últimos anos têm se observado uma adaptação das pragas a mais de uma cultura, sendo que em alguns casos, espécies que antes eram de importância secundária agora têm chamado atenção dos produtores como pragas primárias de determinadas culturas.

Assim, para definir qual cultivo será realizado como sucessão, pragas típicas da região e das lavouras devem ser consideradas, de modo que a rotação de culturas permita a quebra do ciclo dos invasores.

Vazio sanitário

Por lei, em períodos específicos do ano é proibida a permanência de plantas vivas de soja em campo. Assim como a rotação de culturas, esta medida tem por objetivo a quebra do ciclo de pragas e doenças da soja  na entressafra, sendo necessário o respeito ao período de vazio sanitário.

Conclusão

Identificar corretamente as pragas presentes nas lavouras é o primeiro passo para uma tomada de decisão assertiva, sendo essa de suma importância para a mitigação de danos à cultura.

A adoção de diferentes estratégias de controle, reduz o risco de seleção de indivíduos resistentes à defensivos além de prolongar a vida útil de tecnologias já existentes.

O manejo integrado de pragas quando bem planejado e executado, além de controlar a população atual das pragas, também tem caráter preventivo, como no caso do vazio sanitário e rotação de culturas, os quais atuam na quebra do ciclo das pragas.

Para o bom manejo, o produtor deve considerar o histórico da área, para que assim possa ser trabalhado de acordo com o sistema de culturas semeadas na região, como é o caso de soja-milho-algodão.

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Referências

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CONTE, O.; OLIVEIRA, F.T.; HARGER, N.; CORRÊA-FERREIRA, B.S.; ROGGIA, S.; PRANDO, A.M.; SERATTO, C.D. Resultados do manejo integrado de pragas da soja na safra 2016/17 no Paraná. Embrapa Soja, Londrina (Documentos, 394). 2017

EMBRAPA. Manual de identificação de insetos e outros invertebrados da cultura da soja. 2014. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/991685/1/Doc269OL.pdf. Acesso em: 20 out. 2025.

GIRALDELI, Ana Lígia. Pragas da soja: Guia completo das 12 principais ameaças e como combatê-las. 2018. Disponível em: https://aegro.com.br/blog/pragas-da-soja/. Acesso em: 20 out. 2025.

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MOREIRA, Henrique José da Costa et al. Manual de pragas da soja. 2009. Disponível em: https://www.agrolink.com.br/downloads/Manual_de_pragas_de_soja%20%281%29.pdf.Acesso em: 27 out. 2025.

REDAÇÃO MAIS AGRO. Pragas da soja: como identificar e realizar o manejo integrado. 2023. Disponível em: https://maisagro.syngenta.com.br/dia-a-dia-do-campo/pragas-da-soja-como-identificar-e-realizar-o-manejo-integrado/. Acesso em: 20 out. 2025.

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TORRES, Luisa et al. Pragas da soja: conheça as 6 principais. 2021. Disponível em: https://blog.syngentadigital.ag/principais-pragas-soja/. Acesso em: 20 out. 2025.

VIANA, Fabrício Ferreira. Pragas secundárias do milho safrinha. 2024. Disponível em: https://www.pioneer.com/br/blog/artigos/Pragas-Secundarias-do-Milho-Safrinha.html. Acesso em: 27 out. 2025.

Sobre o autor:

Alexandre Silva

Alexandre Augusto da Silva

Mestrando em Fitotecnia (ESALQ/USP)

  • Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP)
  • [email protected]
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Como citar este artigo:

SILVA, A.A. da. Pragas da soja:  identificação, controle e manejo em cada fase da cultura. Blog Agroadvance. Publicado: 12 Nov. 2025. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-pragas-da-soja/. Data de acesso: 28 jul. 2026.

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