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Mosca-branca na soja: biologia, danos e desafios no manejo das lavouras brasileiras

Conheça a biologia, dinâmica populacional e danos causados pela mosca-branca na soja, além dos desafios de manejo e implicações técnicas para o controle em lavouras brasileiras.
  • Publicado em 14/01/2026
  • Alasse Oliveira da Silva
  • Fitossanitários, Soja
  • Publicado em 14/01/2026
  • Alasse Oliveira da Silva
  • Fitossanitários, Soja
  • Atualizado em 13/01/2026
mosca branca na soja
Sumário

A mosca-branca na soja é um risco recorrente na sojicultura brasileira. Sua ampla distribuição ecológica, elevada capacidade reprodutiva e interação complexa com o ambiente produtivo impõem desafios técnicos desde a implantação da lavoura até a colheita.

A praga não atua apenas como sugadora de seiva (inseto polífago). A mosca-branca interfere diretamente na fisiologia da planta, favorece o desenvolvimento de fumagina e atua como vetor de viroses, ampliando o impacto produtivo e o risco econômico da cultura.

Além disso, sua dinâmica populacional (alta fecundidade e mobilidade elevada, capaz de explorar múltiplos hospedeiros ao longo do ano agrícola) está fortemente associada ao sistema agrícola regional, o que limita a eficiência de estratégias isoladas de controle, sustentando infestações persistentes.

Neste artigo, são abordados os principais aspectos relacionados à mosca-branca na soja, incluindo sua biologia, ciclo de vida, distribuição na planta, danos diretos e indiretos, transmissão de viroses, monitoramento e os desafios associados ao manejo integrado nas condições climáticas brasileiras.

Boa leitura!

Distribuição global e relevância no Brasil

A mosca-branca (Bemisia tabaci, Hemiptera: Aleyrodidae) apresenta distribuição cosmopolita, com ocorrência registrada em regiões tropicais, subtropicais e áreas de clima temperado sob sistemas agrícolas intensivos. Dados compilados por bases internacionais, como a EPPO Global Database indicam presença contínua da praga em sistemas agrícolas que mantêm oferta regular de plantas hospedeiras ao longo do ano (Figura 1).

distribuição mundial da mosca branca bemisia tabaci
Figura 1.  Distribuição global de mosca-branca (Bemisia tabaci). Fonte: EPPO Global Database (2025).

No Brasil, a importância fitossanitária da mosca-branca acompanha diretamente a consolidação da soja como principal cultura agrícola. A coexistência de soja, algodão, feijão, hortaliças e plantas daninhas hospedeiras sustenta a chamada “ponte verde”, permitindo a sobrevivência do inseto entre safras e regiões produtivas.

Condições de temperaturas elevadas e baixa umidade relativa do ar favorecem o encurtamento do ciclo biológico e a sobreposição de gerações, intensificando a pressão populacional ao longo da safra.

Regiões do Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste apresentam cenários especialmente favoráveis à praga, especialmente em anos com veranicos prolongados. Nessas áreas, a soja frequentemente entra em estádios sensíveis sob alta densidade populacional do inseto, elevando o risco de danos fisiológicos e fitossanitários (figura 2).

mosca branca biótipo B na soja
Figura 2. Ocorrência e caracterização da mosca-branca Bemisia tabaci biótipo B (Hemiptera: Aleyrodidae) associada à cultura da soja. Fonte: Germison Vital Tomquelski et al., (2020).

A dispersão da mosca-branca ocorre tanto por voo ativo,  em curtas distâncias entre talhões e culturas adjacentes, quanto por transporte passivo via correntes de ar, permitindoa rápida colonização de áreas recém-implantadas. Esse comportamento reforça que a praga deve ser interpretada como um problema regional, e não apenas como um evento pontual na lavoura.

Biologia e ciclo de vida da mosca-branca

O ciclo de vida da mosca-branca é caracterizado por metamorfose incompleta, englobando as fases de ovo, quatro ínstares ninfais e adulto. A duração total do ciclo apresenta elevada plasticidade biológica, variando conforme temperatura, umidade relativa do ar e qualidade fisiológica da planta hospedeira.

Em condições típicas das regiões sojícolas brasileiras, o ciclo do ovo ao adulto pode ser completado entre 18 e 22 dias, favorecendo rápida sucessão de gerações. Em ambientes mais amenos, observa-se maior longevidade dos adultos, o que amplia o potencial de dispersão da praga (Figura 3).

ciclo de vida da mosca-branca (Bemisia tabaci)
Figura 3. Ciclo de vida da mosca-branca (Bemisia tabaci). Fonte: IRAC (2013).

A oviposição ocorre predominantemente na face inferior dos folíolos. Os ovos, de coloração amarelada e formato piriforme, são fixados ao tecido vegeta por um pedicelo, dificultando a remoção mecânica e a detecção visual em inspeções rotineiras em campo.

adulto e ninfa de mosca-branca (bemisia tabaci) em soja
Figura 4. Adulto (esquerda) e ninfa (direita) de B. tabaci em folha de soja. Fonte: ARNEMANN et al. (2019).

A fase ninfal concentra o maior período do ciclo e o maior potencial de dano direto. As ninfas de primeiro ínstar apresentam mobilidade limitada, deslocando-se por curtas distâncias até encontrarem um ponto favorável de fixação, geralmente próximo às nervuras secundárias.

A partir do segundo ínstar, as ninfas tornam-se sésseis, permanecendo aderidas ao tecido foliar até a emergência do adulto. Nesse período, ocorre sucção contínua da seiva elaborada, com retirada de fotoassimilados e excreção de honeydew, processo diretamente associado à indução de fumagina.

Infestações precoces de mosca-branca exercem impacto direto sobre a área foliar efetivamente funcional da soja. A sucção contínua de seiva, associada à injeção de toxinas salivares, compromete a expansão foliar, antecipa processos de senescência e reduz a longevidade das folhas ativas.

Em estádios vegetativos iniciais (V4 a V8), essa redução da área fotossinteticamente ativa limita a interceptação de radiação, afetando a taxa de assimilação de carbono e condicionando menor acúmulo de biomassa ao longo do ciclo. Do ponto de vista econômico, esse efeito inicial se traduz em menor potencial produtivo, mesmo quando o controle populacional é obtido em fases posteriores, dependendo do seu nível populacional, as perdas de produtividade podem variar de 20% a 100%, a depender da região.

Reprodução e potencial populacional

A fecundidade da mosca-branca é elevada. Fêmeas podem ovipositar entre 100 e 300 ovos, dependendo da espécie críptica, da planta hospedeira e das condições ambientais. A reprodução ocorre tanto de forma sexuada quanto por partenogênese, o que assegura rápida recomposição populacional, mesmo após intervenções químicas parciais.

Área de soja com alta incidência de mosca-branca da soja
Figura 5. Área de soja com alta incidência de mosca-branca da soja. Fonte: Simone Silva Vieira (2019).

Em ambientes com elevada oferta nutricional, como a soja, o intervalo entre gerações se reduz, sustentando densidades populacionais elevadas por longos períodos e ampliando o risco de danos econômicos.

Complexo de espécies crípticas de Bemisia tabaci

Atualmente, a espécie Bemisia tabaci é reconhecida como um complexo de espécies crípticas geneticamente distintas, e não como uma única espécie com diferentes biótipos. Embora o termo “biótipo” seja ainda amplamente utilizado no campo, a literatura científica mais recente adota classificações baseadas em filogenia molecular.

Existem variação expressiva em comportamento, adaptação ambiental e interação com plantas hospedeiras. Essa diversidade explica diferenças marcantes na severidade dos surtos observados em áreas de soja do País.

No Brasil, predomina a espécie críptica MEAM1 (Middle East–Asia Minor 1), anteriormente conhecida como biótipo B. Essa espécie apresenta elevada capacidade reprodutiva, ampla adaptação ambiental e histórico consistente de resistência a inseticidas.

Do ponto de vista biológico, a MEAM1 demonstra maior taxa de oviposição, menor intervalo entre gerações e maior permanência na planta hospedeira. Essas características sustentam densidades populacionais mais estáveis ao longo do ciclo da soja, mesmo sob intervenções recorrentes.

Outro aspecto relevante refere-se à interação fisiológica com a planta. Estudos indicam que determinados biótipos são mais aptos a explorar tecidos com maior teor de açúcares e nitrogênio, o que explica a preferência por cultivares específicos e por determinados estratos do dossel.

As diferenças entre biótipos também se refletem na competência vetorial. A espécie críptica MEAM1  apresenta elevada associação com viroses de interesse agrícola, intensificando o risco fitossanitário em áreas com histórico de infestação recorrente.

Impactos sobre a produção da soja em função de gradientes de infestação por mosca-branca.
Figura 6. Impactos sobre a produção da soja em função de gradientes de infestação por mosca-branca. Fonte: Simone Silva Vieira (2019).

Distribuição vertical na planta de soja

Um dos principais entraves ao manejo da mosca-branca está relacionado à sua distribuição vertical na planta. Estudos conduzidos por Peregrini et al. (2013) demonstram padrão de estratificação da praga no dossel da soja.

As avaliações evidenciaram que as ninfas concentram-se majoritariamente nos terços médio e inferior da planta, enquanto os adultos predominam no terço superior.

ninfas de mosca branca na superfície abaxial das folhas  de soja
Figura 7. Distribuição de ninfas de mosca-branca na superfície abaxial das folhas. Fonte: arquivo Syngenta (2020).

Em determinados cultivares, mais de 80% das ninfas encontraram-se fixadas nesses estratos inferiores, na face abaxial (inferior) dos folíolos. Essa localização reduz significativamente a interceptação das gotas de pulverização, especialmente após o fechamento das entrelinhas.

Peregrini et al. (2013) demonstraram que, embora o controle de adultos possa ser satisfatório, a população de ninfas remanescentes permite rápida recomposição da infestação.

Esse comportamento explica falhas aparentes de controle e reforça a necessidade de posicionamento técnico adequado das ferramentas fitossanitárias.

Danos diretos causados pela mosca-branca

Os danos diretos decorrem da sucção contínua da seiva elaborada. Ninfas e adultos inserem os estiletes até o floema, removendo fotoassimilados e nutrientes atuantes no metabolismo da planta, , comprometendo o crescimento vegetativo, a emissão de estruturas reprodutivas e o enchimento de grãos.

Durante a alimentação, ocorre ainda a injeção de toxinas salivares que alteram processos fisiológicos, resultando em murcha, clorose e senescência precoce, comprometendo o ciclo fisiológico da cultura.

Além da soja, a Bemisia tabaci afeta um amplo portfólio de culturas agrícolas, evidenciando seu caráter polífago e seu impacto transversal nos sistemas produtivos.

O inseto ocorre em hortaliças como abóbora, abobrinha, berinjela, brócolis, couve, couve-flor, chuchu, pepino, pimenta, pimentão, quiabo, repolho, tomate e tomate industrial, além de grandes culturas como algodão, feijão, ervilha, mandioca, fumo e soja.

Também incide sobre frutíferas e culturas especiais, como mamão, melancia, melão e uva, mantendo-se ativo em praticamente todas as culturas onde o alvo biológico esteja presente, o que amplia o risco fitossanitário em paisagens agrícolas diversificadas (figura 8).

Aspectos morfológicos e estágios de desenvolvimento da mosca-branca (Bemisia tabaci) em tecidos foliares.
Figura 8. Aspectos morfológicos e estágios de desenvolvimento da mosca-branca (Bemisia tabaci) em tecidos foliares. Fonte: Agrolink (2021).

Danos indiretos e fumagina

Os danos indiretos representam o principal impacto agronômico da mosca-branca. A excreção de honeydew cria ambiente favorável ao desenvolvimento do fungo Capnodium sp., formando a fumagina sobre folhas e ramos.

danos indiretos da mosca-branca fumagina
Figura 9. Manifestação de fumagina em plantas de soja associada à infestação por mosca-branca. Fonte: Adeney de Freitas Bueno e Simone S. Vieira (2020).

Essa camada escura reduz a interceptação de radiação solar e limita a taxa fotossintética e eficiência fisiológica da planta. O efeito é cumulativo ao longo do ciclo e se reflete diretamente na formação e no peso dos grãos (PEREGRINI et al., 2013).

A formação de fumagina representa um dos principais fatores de perda econômica associados à mosca-branca. A deposição do fungo sobre a superfície foliar reduz significativamente a transmissão de luz ao mesófilo, comprometendo a eficiência fotossintética mesmo em folhas estruturalmente íntegras.

Esse efeito atua como um “sombreamento artificial”, diminuindo a taxa fotossintética líquida, a eficiência no uso da radiação e o acúmulo de fotoassimilados destinados ao enchimento de grãos. Em cenários de alta pressão da praga, a fumagina amplifica perdas produtivas de forma cumulativa, especialmente quando associada a estresses hídricos ou nutricionais.

Transmissão de viroses na soja

A mosca-branca atua como vetor de diversos vírus fitopatogênicos em sistemas agrícolas tropicais, ampliando o impacto econômico para além dos danos fisiológicos diretos.

Na cultura da soja, destaca-se a necrose-da-haste, pertencente ao grupo dos carlavírus. A infecção ocorre durante o processo alimentar, quando o inseto adquire o vírus em plantas infectadas e o transmite a plantas sadias em sucessivas picadas.

transmissão de viroses em plantas de soja pela mosca-branca
Figura 10. Sintomatologia da necrose-da-haste em plantas de soja associada à infecção viral (São Desidério – BA). Fonte: Bueno (2021).

A progressão da doença compromete o sistema vascular, interferindo no transporte de água e fotoassimilados. Os sintomas evoluem de necroses localizadas para seca de ramos, abortamento de flores e vagens, encurtamento do ciclo e redução expressiva do estande funcional.

Em situações de elevada pressão do vetor, a infecção pode ocorrer precocemente, resultando em plantas com desenvolvimento comprometido desde os estádios vegetativos iniciais. Em casos severos, observa-se colapso fisiológico e morte da planta.

Monitoramento e amostragem em soja

O monitoramento eficiente deve considerar a distribuição da praga no dossel. Peregrini et al. (2013) demonstraram que avaliações realizadas apenas em um folíolo podem subestimar a infestação.

Os autores indicam que, em estudos e práticas operacionais, a amostragem de ninfas deve priorizar os terços médio e inferior da planta, com avaliação na face abaxial dos folíolos. Para adultos, a inspeção deve concentrar-se no terço superior, onde ocorre maior atividade de colonização e dispersão.

O nível de ação pré-estabelecido para soja situa-se entre 5 e 10 ninfas por folíolo, a depender da região, parâmetro que sustenta decisões de intervenção mais precisas no ajuste de manejo.

Manejo integrado da mosca-branca na soja

O manejo da mosca-branca na soja exige integração de estratégias, considerando que a praga apresenta ampla adaptação ambiental, elevada taxa reprodutiva e histórico consistente de seleção de resistência a inseticidas.

manejo integrado de pragas para controle da mosca-branca
Figura 11. Eixos do manejo integrado da mosca-branca na soja aplicados à decisão fitossanitária em campo. Fonte: Simone Silva Vieira (2019).

Manejo legislativo

O manejo legislativo baseia-se na aplicação de dispositivos normativos emitidos por órgãos federais, estaduais ou municipais, com foco em impedir a introdução, retardar a dispersão ou limitar o desenvolvimento da praga em determinadas regiões.

Para a mosca-branca, esse método assume maior relevância em áreas ainda não infestadas ou em regiões onde o inseto atua como vetor de viroses de elevada severidade econômica.

Medidas como regulamentação de épocas de plantio, eliminação obrigatória de restos culturais e definição de períodos de vazio sanitário visam interromper o ciclo biológico da praga e reduzir sua densidade populacional.

A efetividade desse método depende fortemente do comprometimento coletivo de produtores, assistência técnica e órgãos fiscalizadores, uma vez que falhas pontuais comprometem todo o sistema regional.

Manejo cultural

O manejo cultural compreende práticas agrícolas planejadas para tornar o ambiente menos favorável à praga, interferindo diretamente em sua sobrevivência, dispersão e reprodução.

Essas práticas exigem conhecimento integrado da fenologia da soja, da biologia da mosca-branca e da dinâmica da paisagem agrícola.

A distribuição espacial dos cultivos assume papel determinante, pois áreas recém-implantadas, posicionadas a favor dos ventos predominantes, tendem a ser colonizadas precocemente por adultos provenientes de lavouras mais velhas.

A uniformização temporal das datas de semeadura em nível regional reduz a migração sucessiva da praga entre lavouras em diferentes estádios fenológicos. Essa prática limita a oferta contínua de hospedeiros adequados, reduzindo o potencial de multiplicação ao longo da safra.

A interrupção de plantio com área no limpo, mantida por períodos de 30 a 60 dias, priva a mosca-branca de alimento e abrigo, forçando sua dispersão e reduzindo a população que colonizaria a nova lavoura.

A eliminação de fontes de infestação, incluindo plantas daninhas, rebrotas e hospedeiros alternativos no entorno da lavoura, reduz reservatórios populacionais e minimiza reinfestações. Essa prática é particularmente relevante em áreas onde a mosca-branca atua como vetor de vírus.

O uso de barreiras vegetais, como sorgo ou milho, atua como barreira física, reduz a movimentação do inseto e altera o microclima, além de favorecer inimigos naturais.

As plantas armadilhas, como pepino, berinjela ou feijão, concentram adultos da praga, permitindo intervenções localizadas. Contudo, seu uso exige manejo rigoroso, pois, quando negligenciadas, podem se transformar em focos secundários de infestação.

Manejo biológico

O manejo biológico fundamenta-se na ação de inimigos naturais, incluindo predadores, parasitoides e entomopatógenos. Pode ocorrer de forma natural ou aplicada, sendo esta última dividida em conservação, aumento populacional e introdução de espécies exóticas.

Diversas espécies de predadores, como coccinelídeos, crisopídeos e ácaros predadores, atuam sobre diferentes estágios da mosca-branca. Entre os parasitoides, destacam-se espécies dos gêneros Encarsia e Eretmocerus, amplamente registradas parasitando ninfas em diferentes regiões do mundo.

Fungos entomopatogênicos, como Beauveria bassiana e Paecilomyces fumosoroseus, apresentam potencial de uso em programas integrados, especialmente em condições ambientais favoráveis à infecção.

Manejo por resistência de plantas

O manejo por resistência vegetal baseia-se na utilização de cultivares que apresentem menor atratividade, menor adequação nutricional ou tolerância aos danos diretos e indiretos da praga. Historicamente, programas de melhoramento priorizaram atributos produtivos, relegando a resistência a insetos a um plano secundário.

Em culturas onde a mosca-branca atua como vetor de vírus, a precocidade do ciclo pode funcionar como mecanismo de escape, reduzindo o número de gerações do inseto sobre a planta.

Manejo químico

O manejo químico permanece como ferramenta amplamente utilizada devido à resposta rápida sobre a densidade populacional da praga. Contudo, o uso contínuo e inadequado favorece a seleção de resistência, a redução de inimigos naturais e impactos ambientais associados.

Tabela 1. Inseticidas recomendados para o controle de mosca-branca no Brasil

Sítio de ação primárioGrupo químico ou ingrediente ativoIngrediente ativo
Agonistas de receptores nicotínicos da acetilcolinaNeonicotinóide (4A)Acetamiprido
Clotianidina
Imidacloprido
Tiametoxam
Tiacloprido
Inibidores de acetilcolinesteraseOrganofosforado (1B)Acefato
Clorpirifós
Dimetoato
Malationa
Metamidofós
Piridafentiona
Profenofós
Terbufós
Carbamato (1A)Carbofurano
Carbosulfano
Moduladores de canais de sódioPiretróides (3A)Bifentrina
Beta-ciflutrina
Beta-cipermetrina
Deltametrina
Esfenvalerato
Fenpropatrina
Lambdacialotrina
Éter difenílicoEtofenprox
Inibidores da biossíntese de quitinaBuprofezina (16)Buprofezina
Mímicos do hormônio juvenilPiriproxifen (7C)Piriproxifen
Inibidor da síntese de lipídeosCetoenol (23)Spiromesifeno
Inibidor de ATP sintetase mitocondrialDiafentiuron (12A)Diafentiuron
Desacopladores da fosforilação oxidativa via disrupção do gradiente de prótonClorfenapir (13)Clorfenapir
Bloqueadores seletivos da alimentaçãoPiridina azometinaPimetrozina
Composto com modo de ação desconhecido ou incertoTetranortriterpenoideAzadiractina
Fonte: Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) (2020) e IRAC – BR.

A racionalidade do manejo químico envolve:

  • Rotação de modos de ação (IRAC)
  • Posicionamento correto conforme o estágio da praga
  • Atenção à cobertura no baixeiro
  • Integração com métodos culturais e biológicos

A aplicação deve considerar o hábito da praga, predominantemente localizada na face inferior dos folíolos, além de fatores como pH da calda, condições climáticas e horários de atividade de polinizadores.

Desafios técnicos no manejo da mosca-branca

O principal desafio reside na combinação entre alta fecundidade, distribuição desfavorável na planta e limitações físicas das pulverizações.

Além disso, a presença de biótipos com menor sensibilidade a inseticidas impõe necessidade de rotação de modos de ação e posicionamento criterioso das aplicações.

A ausência de ferramentas com translocação descendente limita o alcance das ninfas fixadas no baixeiro, sobretudo em lavouras com dossel fechado.

Falhas recorrentes no controle da mosca-branca geram impacto econômico direto por meio do aumento do número de aplicações inseticidas ao longo da safra.

A persistência de ninfas no baixeiro, aliada à baixa interceptação de gotas e à seleção de populações menos sensíveis, induz reaplicações sucessivas, elevação do custo operacional e maior pressão sobre o sistema produtivo. Em muitas situações, o produtor incorre em custos crescentes de pulverização sem alcançar redução proporcional da densidade populacional, configurando um cenário de baixa eficiência econômica do manejo químico isolado.

Conclusão

A mosca-branca consolidou-se como uma ameaça estrutural à soja no Brasil. Sua biologia, aliada à distribuição vertical desfavorável e ao papel como vetor de viroses, condiciona elevada complexidade de manejo.

Os dados experimentais demonstram que densidade populacional, localização na planta e resposta do cultivar interagem de forma não linear, exigindo leitura técnica refinada.

O enfrentamento desse cenário passa pelo domínio da biologia da praga, monitoramento consistente, tomada de decisão antecipada e uso criterioso das ferramentas disponíveis. Trata-se de um desafio permanente na gestão fitossanitária da soja brasileira.

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Referências

ARNEMANN, J. A.; GUEDES, J. V. C.; MARCHIORO, C. A.; POZZEBON, H.; PERINI, C. R. Eficiência de inseticidas no controle de Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae) em soja. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 54, e00254, 2019.

EPPO – European and Mediterranean Plant Protection Organization. Bemisia tabaci (BEMITA): global distribution and pest status. EPPO Global Database. Paris: EPPO, 2025.

IRAC – Insecticide Resistance Action Committee. Bemisia tabaci: biology, ecology and insecticide resistance management. 2. ed. Bruxelles: IRAC International, 2013.

PEREGRINI, G.; SILVA, M. T. B.; COSTA, E. C.; BARBOSA, L. R. Distribuição vertical de Bemisia tabaci (Hemiptera: Aleyrodidae) e danos em cultivares de soja. Arquivos do Instituto Biológico, São Paulo, v. 80, n. 4, p. 449–457, 2013.

POZZEBON, H.; GUEDES, J. V. C.; ARNEMANN, J. A.; SILVA, R. S. Distribuição espacial de ninfas e adultos de Bemisia tabaci na cultura da soja. Revista Brasileira de Entomologia, São Paulo, v. 63, n. 4, p. 321–329, 2019.

Sobre o autor:

Alasse Oliveira

Alasse Oliveira da Silva

Doutorando em Produção Vegetal (ESALQ/USP)

  • Engenheiro agrônomo (UFRA) e Técnico em agronegócio
  • Mestre e especialista em Produção Vegetal (ESALQ/USP)
  • alasse.oliveira77@gmail.com
  • Perfil do Linkedin
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Como citar este artigo:

SILVA, A. O. Mosca-branca na soja: uma ameaça à produtividade no Brasil? Blog Agroadvance. Publicado: 16 Jan. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-mosca-branca-na-soja/. Acesso: 20 abr. 2026.

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