Entre todas as doenças que afetam o cafeeiro, nenhuma apresenta impacto tão expressivo quanto a ferrugem do cafeeiro, causada pelo fungo Hemileia vastatrix.
Desde sua primeira descrição científica, em 1869, a ferrugem do cafeeiro tornou-se a doença foliar mais importante da cultura, estando presente praticamente em todas as regiões produtoras.
Em condições favoráveis ao desenvolvimento do patógeno, epidemias podem provocar reduções superiores a 50% na produtividade (ZAMBOLIM; CAIXETA, 2021).
No Brasil, maior produtor mundial de café, a ferrugem foi detectada oficialmente em 1970, no sul da Bahia. Em poucas décadas, disseminou-se para todas as regiões cafeeiras do país.
Neste artigo serão abordados os principais aspectos relacionados à ferrugem do cafeeiro, incluindo a biologia do fungo, ciclo epidemiológico, alterações fisiológicas provocadas na planta, mecanismos de resistência, fatores ambientais envolvidos na epidemia e as estratégias de manejo utilizadas na cafeicultura.
O que é a ferrugem do cafeeiro?
A ferrugem do cafeeiro é uma doença foliar causada pelo fungo biotrófico obrigatório Hemileia vastatrix, pertencente ao filo Basidiomycota, classe Pucciniomycetes e ordem Pucciniales. Como todo fungo biotrófico, necessita de tecidos vivos para completar seu desenvolvimento, estabelecendo uma relação íntima com as células do hospedeiro durante praticamente todo o processo infeccioso.
O nome Hemileia deriva da morfologia característica de seus urediniósporos. Esses esporos apresentam formato reniforme (semelhante a um rim), com uma face lisa e outra ornamentada por pequenas verrugas, característica taxonômica que diferencia esse gênero de outras ferrugens (Figura 1).

Mais de cinquenta raças fisiológicas já foram descritas mundialmente (SERA et al., 2022), diferenciadas pela capacidade de superar genes específicos de resistência presentes nas diferentes cultivares de café.
No Brasil, diversas raças já foram identificadas, sendo a raça II historicamente uma das predominantes.
Como ocorre o ciclo da ferrugem do cafeeiro?
O ciclo inicia-se com a deposição dos urediniósporos sobre a superfície foliar.
Esses esporos podem ser transportados por longas distâncias pelo vento, enquanto respingos de chuva, equipamentos agrícolas e o trânsito de pessoas contribuem para sua disseminação dentro da lavoura.
Em áreas com elevada incidência da doença, bilhões de urediniósporos podem ser produzidos em um único hectare durante uma estação chuvosa, formando um grande reservatório de inóculo secundário.
Quando o esporo encontra condições favoráveis de temperatura e umidade, inicia sua germinação.
Após a germinação, o tubo germinativo cresce aleatoriamente sobre a epiderme até localizar um estômato. Na extremidade do tubo forma-se um apressório, estrutura especializada que direciona a penetração através da abertura estomática.
Depois da penetração, desenvolve-se um micélio intercelular que coloniza lentamente o mesófilo da folha. A partir desse micélio surgem os haustórios, considerados a principal interface fisiológica entre o fungo e a planta.
Essas estruturas invaginam a membrana plasmática das células vegetais sem rompê-la, o que permite intensa absorção de carboidratos, aminoácidos, minerais e outros metabólitos produzidos pelo hospedeiro.
Ao mesmo tempo, proteínas efetoras secretadas pelo fungo reduzem a intensidade das respostas imunológicas da planta, favorecendo o estabelecimento da infecção.
Após o período de incubação, pequenas manchas cloróticas tornam-se visíveis na face superior da folha. Dias depois surgem, na face inferior, as típicas pústulas alaranjadas (urédias), responsáveis pela produção de milhares de novos urediniósporos (Figura 2 e 3).


Como ocorre a epidemiologia da ferrugem do cafeeiro?
A epidemia resulta da interação dinâmica entre três componentes fundamentais: o hospedeiro suscetível, o patógeno virulento e o ambiente favorável, conceito conhecido como triângulo da doença.
Epidemias severas somente ocorrem quando as condições ambientais favorecem de forma simultânea a germinação dos esporos, a infecção e a esporulação (Tabela 1).
Tabela 1. Condições ambientais que favorecem a ocorrência do ferrugem do cafeeiro (Hemileia vastatrix)
| Fator | Mecanismo de ação e faixa ótima |
| Temperatura | A germinação dos esporos ocorre entre 10 °C e 35 °C, mas a faixa ótima situa-se entre 21 °C e 25 °C, onde há máxima eficiência de infecção e colonização. Temperaturas acima de 30–35 °C reduzem a viabilidade dos esporos e retardam o desenvolvimento da doença. |
| Molhamento foliar | A germinação ocorre com a presença de água contínua por 24 a 48 horas, associada a uma umidade relativa do ar próxima a 100% (condições promovidas por orvalho noturno persistente, irrigação, neblinas frequentes ou chuvas sucessivas). |
| Precipitação | As chuvas atuam inicialmente promovendo a umidade necessária para a germinação e dispersando os esporos a curta distância via respingos. Os maiores picos de incidência no campo surgem semanas após os períodos chuvosos, quando o período de latência se encerra com o aumento térmico. |
| Arquitetura do dossel | Lavouras muito adensadas ou com copas fechadas apresentam menor circulação de ar e menor incidência direta de radiação solar. Isso prolonga o período de molhamento foliar e dificulta a penetração do jato de pulverização de fungicidas. |
Quais alterações fisiológicas a ferrugem do café causa?
Durante muitos anos acreditou-se que os danos causados pela ferrugem estavam relacionados apenas à redução da área foliar ocasionada pela desfolha precoce. Entretanto, esse conceito é incompleto.
O que é a relação fonte-dreno e qual o impacto da ferrugem nesse sistema?
Nas plantas saudáveis, as folhas expandidas atuam como fontes, produzindo sacarose pela fotossíntese e exportando carboidratos para órgãos consumidores, como raízes, frutos e ramos em crescimento.
Após a infecção, entretanto, ocorre uma alteração nessa dinâmica.
Os haustórios estabelecidos nas células do mesófilo passam a consumir açúcares produzidos pela planta. Como consequência, a região infectada deixa gradualmente de funcionar como fonte e passa a comportar-se como um dreno, direcionando grande parte dos fotoassimilados para sustentar o crescimento do fungo.
Esse redirecionamento reduz o fornecimento de carbono para frutos e tecidos meristemáticos, o que compromete o crescimento vegetativo e o enchimento dos grãos.
Além do consumo direto de sacarose, observa-se aumento da atividade de enzimas relacionadas ao metabolismo de carboidratos, o que favorece a mobilização de reservas e intensifica o desbalanço fisiológico da planta.
Como a ferrugem reduz a fotossíntese do cafeeiro?
Inicialmente, essa redução ocorre mesmo antes da formação das lesões visíveis. Durante a fase assintomática, o fungo interfere no funcionamento dos cloroplastos e modifica o transporte de elétrons nos fotossistemas.
Posteriormente, com o desenvolvimento das lesões e a expansão das urédias, ocorre diminuição da concentração de clorofilas, redução da atividade fotoquímica do fotossistema II (PSII) e queda progressiva da assimilação líquida de carbono. Esses efeitos reduzem a produção de ATP e NADPH.
Quais alterações na concentração de pigmentos fotossintéticos?
À medida que a colonização progride, observa-se redução das concentrações de:
- Clorofila a;
- Clorofila b;
- Clorofila total;
- Carotenoides.
Trabalhos utilizando sensores multiespectrais demonstram que essas alterações podem ser detectadas vários dias antes do aparecimento dos sintomas visuais, abrindo perspectivas para sistemas de monitoramento remoto e agricultura de precisão (SOARES et al., 2022).
Como a ferrugem promove o estresse oxidativo na planta?
Uma consequência importante da infecção é a intensa produção de espécies reativas de oxigênio (EROs).
Durante o processo infeccioso ocorre aumento da formação de:
- Radical superóxido;
- Peróxido de hidrogênio;
- Radical hidroxila.
Em concentrações moderadas, essas moléculas participam da sinalização das respostas de defesa. Entretanto, quando produzidas em excesso, promovem oxidação de lipídios, proteínas e ácidos nucleicos, comprometendo a integridade das membranas celulares.
Como mecanismo compensatório, a planta aumenta a atividade de enzimas antioxidantes, incluindo:
- Peroxidases (POX);
- Catalases (CAT);
- Superóxido dismutases (SOD);
- Ascorbato peroxidase (APX).
Apesar dessa resposta, em cultivares suscetíveis a intensidade da infecção supera a capacidade antioxidante, o que resulta em progressiva deterioração dos tecidos foliares.
Como a ferrugem altera os hormônios do cafeeiro?
Durante a colonização ocorre alteração nas concentrações de diversos reguladores vegetais, incluindo:
- Ácido salicílico;
- Ácido jasmônico;
- Etileno;
- Ácido abscísico;
- Citocininas.
O ácido salicílico está relacionado à resistência contra patógenos biotróficos, ativando genes envolvidos na Resistência Sistêmica Adquirida (SAR).
Já o ácido jasmônico e o etileno apresentam maior participação em respostas contra necrotróficos e insetos. O equilíbrio entre essas vias de sinalização determina, em grande parte, se a interação será compatível (doença) ou incompatível (resistência).
A ferrugem altera a eficiência do uso da água?
A redução da atividade fotossintética é acompanhada por alterações na abertura estomática e na transpiração.
Além disso, a desfolha progressiva modifica o microclima da copa e reduz a capacidade da planta em regular as trocas gasosas.
Sob condições de deficiência hídrica, a combinação entre seca e ferrugem produz efeitos sinérgicos, intensificando ainda mais a redução da assimilação de carbono e comprometendo o crescimento vegetativo.
O que é os genes SH?
Os genes SH (SH = S. Hi, de Susceptibility of Hemileia, nomenclatura histórica da interação cafeeiro–ferrugem) são genes de resistência maior identificados em cafeeiros que conferem resistência específica contra determinadas raças de Hemileia vastatrix.
Esses genes foram descobertos a partir dos estudos realizados pelo Centro de Investigação das Ferrugens do Cafeeiro (CIFC), que investigou a interação entre diferentes genótipos de cafeeiro e as diversas raças fisiológicas do fungo.
Como os genes SH funcionam?
Os genes SH seguem o modelo clássico de gene a gene, proposto por Harold Henry Flor.
O que é a teoria gene a gene?
A interação entre o cafeeiro e ferrugem é um dos exemplos clássicos da teoria gene a gene.
Segundo esse modelo, para cada gene de resistência presente no hospedeiro existe um gene correspondente de avirulência no patógeno.
Quando a planta reconhece a proteína produzida pelo fungo, desencadeia uma rápida resposta de defesa conhecida como Resposta Hipersensível (HR).
Nessa situação, pequenas áreas ao redor do ponto de infecção sofrem morte celular programada, o que impede que o fungo continue seu desenvolvimento.
Caso o patógeno adquira um gene de virulência capaz de escapar desse reconhecimento, a infecção torna-se compatível e a doença evolui normalmente.
Quais genes SH já foram identificados?
Até o momento foram descritos nove genes maiores de resistência à ferrugem, tradicionalmente denominados (SERA et al., 2007):
- SH1;
- SH2;
- SH3;
- SH4;
- SH5;
- SH6;
- SH7;
- SH8;
- SH9.
Esses genes conferem resistência qualitativa (vertical), normalmente muito eficiente contra determinadas raças do fungo.
Entretanto, como a população de H. vastatrix continua evoluindo, vários desses genes já tiveram sua resistência superada em diferentes regiões produtoras do mundo.
Por que o gene SH3 é considerado o mais importante?
Diferente da maioria dos demais genes SH, que têm origem em Coffea canephora, o SH3 foi identificado em acessos de Coffea liberica e posteriormente introduzido em programas de melhoramento de Coffea arabica. Ele tem apresentado resistência mais durável em diversas regiões produtoras e, por isso, é amplamente utilizado em programas de melhoramento.
Qual o papel do Híbrido de Timor na resistência à ferrugem?
Entre todas as fontes de resistência utilizadas no melhoramento genético do cafeeiro, nenhuma teve impacto tão grande quanto o Híbrido de Timor (HdT).
Descoberto naturalmente na ilha de Timor durante a década de 1920, esse material resulta de um cruzamento espontâneo entre Coffea arabica e Coffea canephora.
Sua importância decorre da combinação entre:
- Excelente qualidade de bebida proveniente de C. Arabica;
- Genes de resistência herdados de C. Canephora.
Grande parte das cultivares modernas resistentes utilizadas atualmente no Brasil possui genes provenientes do Híbrido de Timor, incluindo materiais dos grupos Sarchimor, Catucaí e diversos programas de melhoramento conduzidos por instituições como IAC, EPAMIG, Procafé e IAPAR.
O que é Resistência qualitativa e quantitativa?
A resistência genética pode ser dividida em duas categorias principais.
Resistência qualitativa (vertical)
É controlada por poucos genes de grande efeito.
Suas principais características são:
- Elevada eficiência;
- Resposta hipersensível;
- Ausência ou mínima esporulação;
- Maior risco de quebra quando surgem novas raças do fungo.
Resistência quantitativa (horizontal)
Nesse tipo de resistência participam numerosos genes de pequeno efeito.
Individualmente esses genes exercem influência limitada, mas em conjunto reduzem a velocidade de desenvolvimento da epidemia.
Plantas com resistência quantitativa geralmente apresentam:
- Menor número de lesões;
- Menor produção de urediniósporos;
- Maior período de incubação;
- Menor intensidade de desfolha.
Embora não impeça completamente a infecção, esse tipo de resistência tende a ser muito mais durável ao longo do tempo. Por isso, programas modernos de melhoramento buscam combinar genes SH com resistência quantitativa por meio da piramidação gênica, aumentando a durabilidade da resistência.
Melhoramento genético do café no Brasil
O Brasil possui um dos programas de melhoramento de cafeeiro mais avançados do mundo.
Instituições como o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), EPAMIG, Procafé, IAPAR (atual IDR-Paraná), Embrapa Café e universidades têm desenvolvido cultivares com diferentes combinações de genes de resistência.
Esses programas utilizam como principais fontes genéticas:
- Híbrido de Timor;
- Icatu;
- Materiais da série BA portadores do gene SH3;
- Acessos etíopes de Coffea arabica;
- Linhagens de Coffea canephora.
Além da resistência à ferrugem, os programas atuais incorporam características como alta produtividade, qualidade de bebida, arquitetura adequada para colheita mecanizada, tolerância à seca e adaptação às diferentes regiões cafeeiras brasileiras.
A integração de ferramentas de genômica e mapeamento molecular tem acelerado a identificação de genes de resistência e o desenvolvimento de novas cultivares.
Como funciona o manejo integrado da ferrugem do cafeeiro?
Se no passado o controle era baseado quase exclusivamente na aplicação calendarizada de fungicidas, atualmente recomenda-se uma abordagem integrada, combinando resistência genética, monitoramento epidemiológico, práticas culturais, nutrição equilibrada, controle químico racional e, mais recentemente, ferramentas biológicas e agricultura de precisão.
Essa estratégia reduz a pressão de seleção sobre o patógeno, prolonga a vida útil dos fungicidas e aumenta a sustentabilidade dos sistemas de produção.
O conceito de Manejo Integrado de Doenças (MID) parte do princípio de que nenhuma medida isolada é suficiente para manter a ferrugem abaixo do nível de dano econômico durante vários anos. Assim, diferentes táticas devem atuar simultaneamente sobre o patógeno, o hospedeiro e o ambiente.
Como realizar o monitoramento da doença?
A ferrugem apresenta período de incubação relativamente longo; portanto, quando as primeiras pústulas se tornam visíveis, novas infecções já ocorreram anteriormente. Por esse motivo, inspeções periódicas na lavoura são indispensáveis.
O monitoramento deve considerar:
- Incidência (% de folhas doentes);
- Severidade (% da área foliar lesionada);
- Distribuição espacial dos focos;
- Estádio fenológico da cultura;
- Histórico da área;
- Condições climáticas recentes.
Qual a medida mais eficiente no controle da ferrugem do cafeeiro?
Entre todas as estratégias disponíveis, a utilização de cultivares resistentes continua sendo a medida de maior eficiência e menor custo no longo prazo.
Além de reduzir a incidência da doença, materiais resistentes diminuem:
- A produção de urediniósporos;
- A velocidade de progresso das epidemias;
- O número de aplicações de fungicidas;
- Os custos de produção;
- O impacto ambiental.
Como é realizado o manejo cultural da ferrugem?
É realizado por meio de podas. A poda melhora a circulação de ar dentro da copa, reduz o período de molhamento foliar e favorece a penetração das pulverizações.
Além disso, elimina ramos improdutivos e tecidos infectados, reduzindo parcialmente a quantidade de inóculo presente na área.
Como a nutrição influencia no controle da ferrugem do cafeeiro?
Embora nenhum nutriente controle isoladamente a ferrugem, plantas adequadamente nutridas apresentam:
- Maior área foliar funcional;
- Maior capacidade fotossintética;
- Melhor formação de tecidos;
- Respostas antioxidantes mais eficientes;
- Maior velocidade de recuperação após infecção.
O nitrogênio favorece o crescimento vegetativo, mas aplicações excessivas podem aumentar a suscetibilidade ao estimular tecidos jovens altamente receptivos.
O cálcio fortalece paredes celulares e participa da sinalização de respostas de defesa.
Micronutrientes como cobre, manganês e zinco atuam em enzimas relacionadas à lignificação, ao metabolismo antioxidante e à ativação de mecanismos de resistência, enquanto o silício, embora não seja considerado elemento essencial para o cafeeiro, tem sido estudado por sua capacidade de aumentar a resistência estrutural e induzir respostas de defesa.
É importante destacar que a nutrição adequada reduz a predisposição da planta, mas não substitui outras medidas de controle.
Quais os fungicidas utilizados para o controle químico da ferrugem?
Os fungicidas utilizados podem ser classificados em três grupos principais:
- Fungicidas protetores: são produtos que permanecem na superfície da folha, impedindo a germinação dos urediniósporos.
Entre os mais utilizados destacam-se:
- Compostos cúpricos;
- Hidróxido de cobre;
- Oxicloreto de cobre.
Esses produtos apresentam menor risco de seleção de resistência, porém exigem boa cobertura da superfície foliar e reaplicações mais frequentes.
- Fungicidas sistêmicos: os fungicidas sistêmicos são absorvidos pelos tecidos vegetais e atuam durante o desenvolvimento do fungo.
Entre os grupos mais empregados destacam-se:
- Triazóis;
- Estrobilurinas;
- Carboxamidas.
Como é realizado o controle biológico da ferrugem do cafeeiro?
Diversos microrganismos apresentam potencial para reduzir a intensidade da ferrugem.
Entre os mais estudados destacam-se:
- Bacillus subtilis;
- Pseudomonas fluorescens;
- Trichoderma spp.;
- Lecanicillium spp.
Esses organismos atuam por diferentes mecanismos:
- Antibiose;
- Competição por nutrientes;
- Indução de resistência;
- Micoparasitismo;
- Produção de metabólitos antifúngicos.
Quais as perspectivas futuras para o manejo da ferrugem?
A tendência atual é substituir programas baseados em fungicidas por sistemas integrados que utilizem informações epidemiológicas, genética molecular, agricultura digital e fisiologia vegetal para antecipar e reduzir perdas produtivas.
Paralelamente, pesquisas em transcriptômica e proteômica têm identificado genes do cafeeiro associados à resistência quantitativa, abrindo caminho para programas de melhoramento mais precisos e duráveis.
Agricultura digital e inteligência artificial podem ser uma estratégia eficaz?
Algumas ferramentas já demonstram elevado potencial para auxiliar produtores e técnicos, dentre elas:
- Drones equipados com câmeras multiespectrais;
- Sensores hiperespectrais;
- Imagens de satélite de alta resolução;
- Aplicativos para smartphones;
- Modelos de inteligência artificial;
- Sistemas de aprendizado de máquina.
Sustentabilidade e mudanças climáticas
O aumento das temperaturas médias, a alteração dos regimes de precipitação e a maior frequência de eventos climáticos extremos poderão modificar a distribuição geográfica da ferrugem do cafeeiro.
Modelos climáticos sugerem que regiões anteriormente consideradas pouco favoráveis ao desenvolvimento da doença poderão tornar-se mais suscetíveis nas próximas décadas.
Conclusões
Nesse artigo você viu que, embora seja conhecida há mais de 150 anos, a ferrugem do cafeeiro continua desafiando pesquisadores e produtores devido à sua elevada variabilidade genética, grande capacidade de dispersão e estreita adaptação fisiológica ao cafeeiro.
A integração entre resistência genética, monitoramento epidemiológico, práticas culturais, equilíbrio nutricional, controle químico racional, agentes biológicos e tecnologias digitais representa a abordagem mais eficiente para reduzir perdas na produtividade de café.
Os avanços em genômica, biologia molecular, inteligência artificial e agricultura de precisão indicam que o futuro do manejo da ferrugem será cada vez mais baseado na antecipação das epidemias, no diagnóstico precoce e na utilização de cultivares com resistência mais durável.
FAQ de ferrugem do cafeeiro
O que é a ferrugem do cafeeiro?
A ferrugem do cafeeiro é uma doença foliar causada pelo fungo biotrófico obrigatório Hemileia vastatrix. É considerada a doença foliar mais importante da cultura do café, presente em praticamente todas as regiões produtoras do mundo.
Quais são os sintomas da ferrugem do cafeeiro?
Os primeiros sintomas são pequenas manchas cloróticas na face superior da folha. Dias depois, surgem na face inferior as típicas pústulas alaranjadas (urédias), responsáveis pela produção de novos urediniósporos.
Como ocorre a disseminação da ferrugem do cafeeiro?
Os urediniósporos podem ser transportados por longas distâncias pelo vento. Dentro da lavoura, respingos de chuva, equipamentos agrícolas e o trânsito de pessoas também contribuem para espalhar o inóculo entre plantas.
Quais condições climáticas favorecem a ferrugem do cafeeiro?
A faixa de temperatura ótima para infecção situa-se entre 21°C e 25°C, associada à presença de água livre na folha e umidade relativa próxima a 100%. Chuvas frequentes e dosséis muito adensados, que retêm o molhamento foliar por mais tempo, também favorecem a epidemia.
Como é feito o manejo da ferrugem do cafeeiro?
O manejo integrado combina o uso de cultivares resistentes, monitoramento periódico da lavoura, práticas culturais como poda, nutrição equilibrada, controle químico com fungicidas protetores e sistêmicos, e agentes de controle biológico como Bacillus subtilis e Trichoderma spp.
A ferrugem do cafeeiro tem cura?
Não existe cura para uma planta já infectada, mas o avanço da doença pode ser controlado por meio do manejo integrado. Cultivares resistentes — muitas derivadas do Híbrido de Timor — são a estratégia de maior eficiência e menor custo no longo prazo.
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Referências
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SOARES, A. da S.; et al. (2022). Early Detection of Coffee Leaf Rust Caused by Hemileia vastatrix Using Multispectral Images. Agronomy, 12(12), 2911; https://doi.org/10.3390/agronomy12122911
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ZAMBOLIM, l.; CAIXETA, E. T. (2021). An overview of physiological specialization of coffee leaf rust: new designation of pathotypes. International Journal of Current Research, 13 (01), 15564-15575.
Sobre o autor

João Paulo Marin Sebim
Doutorando em fitotecnia (ESALQ/USP)
- Mestre em Produção Vegetal (UFAC)
- Engenheiro Agrônomo (UFAC)
Como citar este artigo:
SEBIM, J.P.M. Ferrugem do cafeeiro: fisiologia do parasitismo, dinâmica epidemiológica e estratégias de manejo. Blog Agroadvance. Publicado em: 06 Ago. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-ferrugem-do-cafeeiro-hemileia-vastatrix/. Acesso: dd mmm aaaa.



