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Projeções para o Agronegócio em 2026: o que o produtor pode esperar

Veja as principais projeções para o agronegócio em 2026 segundo o Rabobank e Itaú BBA: cenário macroeconômico, insumos agrícolas, soja, milho, cana, café, algodão e proteínas animais.
  • Publicado em 01/12/2025
  • Beatriz Nastaro Boschiero
  • Agronegócio
  • Publicado em 01/12/2025
  • Beatriz Nastaro Boschiero
  • Agronegócio
  • Atualizado em 11/12/2025
tendências e projeções para o agronegócio em 2026
Sumário

O ciclo 2025/2026 se inicia em um cenário global de desafios e transição. E qual serão as projeções para o Agronegócio em 2026 de acordo com especialistas?

Após três anos de margens apertadas e custos voláteis, o agronegócio brasileiro entra em 2026 em meio à juros elevados, desaceleração econômica mundial e tensões geopolíticas persistentes, que impactam diretamente os preços de energia, a oferta de fertilizantes (insumo que o Brasil é altamente dependente) e o custo de produção agrícola.

De acordo com o Itaú BBA (2025), o setor atravessa sua “terceira safra consecutiva”, marcada por crédito rural restrito, aumento da inadimplência e necessidade de gestão financeira rigorosa. O banco ressalta que o produtor precisará manter a “guarda alta”, já que o espaço para erros será mínimo diante da combinação entre commodities em baixa, câmbio volátil e insumos em alta.

O Rabobank (2025) reforça essa visão, destacando que o ano será de ajustes estruturais e reorganização dentro da porteira. Embora as margens sigam comprimidas, o Brasil mantém vantagem competitiva pela eficiência produtiva, câmbio favorável às exportações e capacidade de adaptação do produtor rural.

Ainda assim, o cenário não é apenas de riscos.

Ambos os relatórios apontam espaços concretos para crescimento, impulsionados pela transição energética, pelo avanço dos biocombustíveis (como o etanol de milho e a soja para biodiesel) e pela demanda global contínua por alimentos.

A realização da COP30, em novembro deste ano, reforça o papel do país como fornecedor confiável e sustentável, com destaque para as oportunidades de intensificação produtiva em áreas já abertas e de redução da pegada de carbono.

Quer saber quais são as projeções do agronegócio para 2026 e como o cenário econômico deve impactar o produtor rural? Acompanhe a seguir uma síntese completa dos relatórios Rabobank (2025) e Itaú BBA (2025).

Cenário macroeconômico: juros altos e real mais volátil

Ambos os relatórios projetam que o PIB brasileiro crescerá entre 1,5% e 1,6% em 2026, abaixo dos 2% de 2025 (Figura 1). Essa desaceleração reflete principalmente três fatores interligados:  

  1. Política monetária ainda restritiva: mesmo com expectativa de cortes graduais da Selic a partir do segundo trimestre, os efeitos defasados dos juros elevados continuam a frenar o consumo e os investimentos produtivos.
  2. Incerteza fiscal e política:  o calendário eleitoral de 2026 tende a limitar reformas estruturais e aumentar a volatilidade do câmbio, o que reduz previsibilidade para investimentos para o setor privado.
  3. Exportação em ritmo mais lento: a demanda global mais contida (China crescendo abaixo de 5%) somada à normalização dos estoques agrícolas mundiais, reduz o impulso das commodities no PIB agro.

Para o PIB global, o Itaú BBA projeta expansão de 2,9%, abaixo da média de 3,4% neste início de século. Além das tensões geopolíticas (Mar Negro e Golfo Pérsico), o banco alerta que as incertezas comerciais e fiscais pesarão sobre o desempenho de EUA e China, os dois principais motores da economia mundial.

Histórico de crescimento e projeção para o PIB Anual do agronegócio e taxa selic.
Projeção para o agronegócio 2026: PIB e Taxa selic
Figura 1. Evolução do PIB e taxa Selic projetados (2020–2026). Fonte: Rabobank (2025).

Segundo o Rabobank, o Banco Central deve iniciar cortes na Selic apenas no 2º trimestre de 2026, com taxa projetada em torno de 12,5% ao ano (ainda elevada frente à média histórica). O Itaú BBA estima trajetória semelhante, com Selic entre 12% e 12,25% no fim do período.

A combinação de juros altos e inflação controlada (3,8% segundo o Itaú BBA), indica um ambiente de crédito mais caro e seletivo, especilamente para produtores altamente alavancados.

O Rabobank acrescenta que o real tende a se desvalorizar gradualmente, acompanhando o cenário de incerteza fiscal e a aproximação do calendário eleitoral.

E quais possíveis impactos diretos para o produtor?

  • Maior custo financeiro nas renovações de crédito rural;
  • Possível encarecimento de máquinas e insumos importados;
  • Câmbio mais volátil tenfavorecendo exportadores, mas exigindo proteção com operações de hedge.

Insumos agrícolas: margens apertadas e fertilizantes ainda caros

O setor de insumos continuará sob pressão, segundo o Rabobank. Mesmo com entregas recordes de fertilizantes em 2025 (≈46,5–47,5 milhões de toneladas), a estimativa é que as margens operacionais permanecerão reduzidas até meados de 2027.

O banco aponta que esse comportamento resulta da fragilidade financeira dos produtores e de condições específicas em diferentes cadeias do agronegócio. Entre os principais fatores, destacam-se:

  • Produtores de grãos: ainda se recuperam do alto nível de alavancagem decorrente dos investimentos realizados em expansão e tecnologia, entre 2019 e 2023;
  • Setor sucroenergético: enfrenta queda na produtividade dos canaviais e preços menores do açúcar e do etanol, comprimindo margens e limitando a capacidade de compra de insumos;
  • Citricultura: sofre com redução dos preços da laranja, o que afeta diretamente o poder de reposição de nutrientes e defensivos;
  • Café: é a única commodity com margem operacional positiva e consistente, sustentada pela valorização do robusta e pela estabilidade dos custos.

Fertilizantes: fósforo segue como ponto de atenção

Dentre os custos de produção, que influenciam diretamente a margem do produtor, os fertilizantes são o principal foco de atenção. Para a safra 2026 deve haver alta nos custos de adubação.

  • O custo médio da adubação aumentou 7,4% entre 2024 e 2025, e deve permanecer alto na safra 2026/27 (Figura 2).
  • O MAP permanece em patamar de preço elevado, levando produtores a substituir por SuperSimples (SSP) e SuperTriplo (TSP);
  • O mercado global de fósforo continuará apertado em 2026, já que a China segue priorizando seu abastecimento interno.

Custo de adubação por hectare (R$/toneladas) para as principais culturas agrícolas nos anos de 2024 e 2025 e preço dos fertilizantes nos portos brasileiros.
projeções para o agronegócio em 2026: preços dos fertilizantes
Figura 2. Custo de adubação por hectare (R$/toneladas) para as principais culturas agrícolas nos anos de 2024 e 2025 e preço dos fertilizantes nos portos brasileiros. Fonte: Rabobank (2025) e Itaú BBA (2025).

Defensivos e biológicos: competição acirrada

O Rabobank aponta crescimento de 1 a 1,5% no mercado de defensivos em 2026, com pressão competitiva das empresas chinesas. O mercado de biológicos mantém expansão, mas em ritmo mais lento, acompanhando a queda da rentabilidade agrícola.

Cana, açúcar e etanol: o dilema do mix

Após um ciclo de margens historicamente elevadas, o setor sucroenergético entra em 2026 em um momento de transição. Os relatórios recentes do Itaú BBA e do Rabobank apontam para um ano de ajuste nos preços, redução de margens e maior volatilidade, refletindo a mudança estrutural no mercado global de açúcar e na dinâmica interna do etanol.

Ao final de 2025, o setor opera diante de um cenário marcdo por:

  • Queda no preço do açúcar em 2026, com o mercado global migrando de déficit para superávit.
  • Etanol iniciando o ano valorizado, devido a estoques baixos, mas sujeito a perda de força no segundo semestre de 2026.
  • Margens mais estreitas das usinas, com impacto potencial no ATR e na renda do fornecedor.
  • Cima como variável decisiva para confirmar as perspectivas de uma safra com produções recordes em 2026/2027, o que ampliaria ainda mais a oferta e a pressão nos preços.
  • Expansão contínua do etanol de milho, reforçando a integração entre cana, grãos e bioenergia.
  • Perspectiva de elevada volatilidade, típica de momentos de transição de ciclo.

Para a região Centro-Sul, o Itaú BBA projeta moagem de aproximadamente 590 milhões de toneladas de cana na safra 2025/26 (Tabela 1). A menor disponibilidade de matéria-prima reflete o impacto das condições climáticas de 2024 (marcadas por seca e queimadas) que reduziram produtividade e ATR.

A produção de etanol de cana deve apresentar queda significativa:

  • –14%, totalizando cerca de 23 bilhões de litros.

Esse movimento contribui para a redução da oferta nacional de etanol, mesmo com a expansão contínua da produção a partir do milho.

Tabela 1. Produção sucroenergética na região Centro-Sul do Brasil: de 2023/2024 até 2025/2026.

Tabela 1. Produção sucroenergética na região Centro-Sul do Brasil: de 2023/2024 até 2025/2026
Fonte: Itaú BBA, 2025.

Tanto o Itaú BBA quanto o Rabobank destacam que o mercado global de açúcar deve voltar ao superávit em 2025/26, após anos de déficits consecutivos. A recuperação da oferta na Índia e na Tailândia é o fator mais relevante dessa virada.

Mesmo com a forte queda acumulada no preço do açúcar entre janeiro e outubro de 2025  (18% em USD e 29% em BRL) o produto continua remunerando mais do que o etanol, o que mantém o mix açucareiro elevado nas usinas brasileiras.

Contudo, a continuidade do mix açucareiro e uma eventual safra cheia em 2026/27 podem intensificar ainda mais a pressão baixista sobre os preços ao longo do ano.

O etanol deve iniciar 2026 com estoques baixos e preços firmes, sustentado pela mistura obrigatória de 30% nos combustíveis e pelo crescimento contínuo do consumo no Ciclo Otto.

O etanol de milho continua em expansão, com a produção nacional projetada em 9,5 bilhões de litros (+15,5%), enquanto a produção total de etanol (cana + milho) recua 7% por conta da menor moagem de cana.

Essa transição reforça o papel estratégico da bioenergia na integração entre cana, milho, proteínas e energia renovavele grãos, fortalecendo a competitividade do etanol brasileiro frente a combustíveis fósseis.

Café: volatilidade e risco climático

Os relatórios de ambos os bancos convergem em um ponto central: o mercado de café continua apertado, com oferta limitada nos principais países produtores e estoques globais em níveis historicamente baixos.

A combinação de oferta limitada, alta sensibilidade ao clima e consumo global resiliente aponta para um 2026 de preços firmes, embora marcado por volatilidade, especialmente no café arábica.

Segundo o Rabobank, a produção brasileira na safra 2025/26 deve ser de 62,8 milhões de sacas, com queda de 14% no arábica (impactada pelo ciclo bienal negativo e pelas condições climática quentes e secas nas principais regiões produtoras) e alta de 10% no robusta.

O Itaú BBA complementa que a oferta global ainda restrita (Tabela 2) manterá preços sustentados no primeiro semestre de 2026, mas com possibilidade de recuo no final do ano.

Tabela 2. Balanço global de oferta e demanda de café (2020–2026)

Tabela 2. Balanço global de oferta e demanda de café (2020–2026)
Fonte: Itaú BBA, 2025.

Ambos os relatórios destacam o impacto das tarifas impostas pelos EUA (50%) ao café brasileiro, que reduziram as exportações em cerca de 50% entre agosto e setembro de 2025.

O fator climático segue como o principal risco, especialmente para o Cerrado Mineiro: geadas, granizo e chuvas irregulares podem limitar o potencial produtivo do café na região.

Em síntese podemos dizer que os preços do café devem permanecer elevados porque a demanda global segue forte, a produção está ajustada (sem excedentes) e os estoques estão muito baixos. O mercado opera apertado, sensível ao clima e sem folga de oferta.

Soja: menor ritmo de expansão e incertezas geopolíticas

A soja entra no próximo ano em um ambiente de expansão moderada e maior sensibilidade à questões geopolíticas. O Rabobank projeta aumento de 2% na área plantada no Brasil, ritmo inferior a média histórica de 4% nos últimos 15 anos, mas suficiente para sustentar uma produção nacional de 177 milhões de toneladas, caso as boas condições climáticas se confirmem (Figura 3).

Área e produção de soja no Brasil
Figura 3. Área e produção de soja no Brasil (2017–2026). Fonte: CONAB e Rabobank, 2025.

Segundo projeções do USDA citadas pelo Rabobank, o Brasil deve ser o único grande produtor a superrar o volume da safra anterior. Ainda assim, a produção global de soja deve alcançar novo recorde em 2025/26, chegando a aproximadamente 427 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de cerca de 1% em relação a 2024/2025.

O Itaú BBA também identifica avanço limitado na área, em um cenário em que os custos de produção da soja em 2025/2026 permanecem elevados (especialmente pelo custo de insumos, como fertilizantes) e os juros continuam pressionando o fluxo de caixa do produtor, reduzindo o estímulo para novas expansões.

As exportações brasileiras devem se manter em 111 milhões de toneladas, mantendo o recorde de 2024. Contudo, o mercado segue dependente das relações comerciais entre EUA e China. Um eventual acordo bilateral entre os dois países pode reduzir a demanda pela soja brasileira e pressionar prêmios nos portos, reduzindo a competitividade da soja nacional em curto prazo.

No mercado interno, o esmagamento deve crescer para 60 milhões de toneladas, impulsionado pela elevação da mistura de biodiesel para 16% em março de 2026, conforme previso na Lei do Combustível do Futuro (ainda que a efetiva implementação dependa de regulamentações complementares).

Paralelamente, o Itaú BBA ressalta que a expansão industrial aumenta a oferta de farelo, o que pode limitar as margens de esmagamento caso a demanda não acompanhe o ritmo de crescimento.

Em termos de preços, Chicago acumulou queda próxima de 9% entre janeiro e outubro de 2025, enquanto as cotações em Mato Grosso recuaram apenas 1%, sustentadas por prêmios firmes e pela desvalorização do real.

O Itaú BBA projeta que o balanço global de oferta e demanda deve levar a uma leve recomposição dos estoques ao final de 2025/26, o que, isoladamente, adiciona pressão baixista. No entanto, o aperto no balanço norte-americano e as incertezas geopolíticas mantêm o mercado internacional mais volátil.

A combinação entre câmbio elevado e prêmios positivos tende a sustentar valores em reais, embora as margens do produtor permaneçam comprimidas pelo lado dos custos.

Como resultado, o setor inicia 2026 em um ambiente complexo: expansão moderada da oferta, demanda internacional firme, custos elevados e riscos geopolíticos que podem alterar rapidamente os prêmios de exportação.

Em um contexto mais volátil e dependente do clima e da diplomacia comercial, os relatórios convergem na recomendação implícita de maior atenção às estratégias de comercialização e proteção de preços para garantir rentabilidade no próximo ciclo.

Milho: consumo interno ganha protagonismo

No Brasil, o milho mantém um cenário de demanda aquecida, principalmente pela indústria de etanol de milho e pelo setor de proteína animal.

O Rabobank aponta que apesar da expansão de área (+2,2%), a produção de milho deve cair ligeiramente para 137 milhões de toneladas, após safra recorde em 2025 (de 142 milhões de toneladas) (Figura 4).

Também são apontados que o consumo para ração deve crescer 2%, totalizando 69 milhões toneladas, enquanto o uso para etanol de milho pode atingir 28 milhões de toneladas, sustentadas por novas plantas no Centro-Oeste .

Produção do milho e consumo interno x exportações brasileiras de milho (2020–2026).
Figura 4. Produção do milho e consumo interno x exportações brasileiras de milho (2020–2026). Fonte: Rabobank, 2025.

O Rabobank destaca que os preços futuros do milho permaneceram em trajetória de baixa ao longo de 2025, à medida que a produção nos Estados Unidos e na Argentina voltou à normalidade e os estoques globais passaram a níveis mais confortáveis.

A normalização da oferta sul-americana, somada ao aumento da disponibilidade norte-americana, reduz a pressão pela alta dos preços e cria um mercado mais equilibrado para 2026. O avanço contínuo do etanol de milho nos EUA segue relevante para o consumo interno do país, mas não altera de forma significativa o cenário de curto prazo no mercado internacional.

No Brasil, o Itaú BBA reforça que o desempenho da cultura continua altamente dependente da safrinha, responsável pela maior parte da oferta interna. Com a safra de verão mais limitada, o mercado doméstico segue sensível ao clima, considerado o principal risco para 2026.

Mesmo assim, os preços internos têm acompanhado o movimento de Chicago, embora sustentados por prêmios regionais e pela demanda firme das indústrias de ração e proteínas animais.

Os custos de produção seguem pressionados, impactando a rentabilidade. O Itaú BBA aponta que a relação de troca e a necessidade de financiamento continuam desafiando o produtor, enquanto o ambiente de preços mais comportados limita a recuperação de margem.

A combinação entre oferta global confortável, demanda estável e menor volatilidade cria um cenário de estabilidade para o milho em 2026, embora o clima brasileiro permaneça como variável capaz de alterar rapidamente as expectativas do mercado.

Algodão: Brasil consolida liderança mundial

O algodão entra em 2026 com um cenário estruturalmente favorável ao Brasil, tano pela redução da oferta nos principais produtores globais quanto pela forte expansão da área nacional.

Segundo o Itaú BBA, a safra global 2025/2026 de algodão deve apresentar leve queda na produção, especialmente porque três dos quatro maiores produtores mundiais (EUA, China e Índia) tendem a colher menos, seja por questões climáticas, redução de área ou ajustes de rentabilidade. Apesar disso, os estoques globais devem permanecer confortáveis (Tabela 3).

Tabela 3. Balanço global de oferta e demanda de algodão (2020–2026)

Balanço global de oferta e demanda de algodão (2020–2026)
Fonte: Itaú BBA, 2025.

No Brasil, o Rabobank projeta que a área plantada deve ultrapassar 2,1 milhões ha, atingindo o maior nível em 37 anos, e consolidar-se como maior exportador global de pluma, superando os Estados Unidos. Esse avanço é reflexo direto da combinação de:

  • Custos competitivos por hectare;
  • Produtividade nacional superior a média global
  • Combio favorável às exportações
  • Recuo da produção norte-americana, abrindo espaço para ganho de mercado.

Com esse movimento, o Brasil deve consolidar-se como o maior exportador mundial de pluma em 2026, ultrapassando os Estados Unidos não apenas em volume embarcado, mas também em participação relativa no comércio internacional. As exportações brasileiras podem atingir até 3 milhões de toneladas, reforçando o país como principal fornecedor global.

No mercado interno, o Itaú BBA destaca que a comercialização da safra 2025/26 segue lenta, com cerca de 30% do volume negociado, percentual inferior à média histórica. A cautela dos produtores reflete dois pontos centrais:

  1. pressão de preços desde meados de 2025, acompanhando o movimento internacional;
  2. incertezas macroeconômicas e cambiais, que podem alterar rapidamente a competitividade das exportações.

Para 2026, a expectativa é de um mercado mais equilibrado, mas ainda sensível às condições climáticas globais e ao ritmo de recuperação do setor têxtil, especialmente na Ásia. A melhora do consumo chinês é uma variável decisiva para sustentar preços ao longo do ano.

Em síntese, os relatórios convergem para uma mesma leitura: o algodão será uma das culturas mais competitivas do agronegócio brasileiro em 2026, amparado por produtividade elevada, área recorde, forte demanda internacional e posição de liderança consolidada nas exportações. Mesmo com preços menos exuberantes que em ciclos anteriores, o Brasil mantém vantagens estruturais que fortalecem seu protagonismo no mercado global de fibras.

Bovinos: exportações firmes e fase final do ciclo pecuário

Para o Itaú BBA e o Rabobank, 2026 marca o desfecho da fase mais intensa de retenção de fêmeas, com oferta ainda relativamente elevada, porém desacelerando. Isso significa:

  • Pressão menor sobre os preços do boi gordo, com tendência de estabilização após anos de volatilidade (Figura 4).
  • Exportações seguem como principal motor, especialmente com a queda da produção nos EUA e China mantendo ritmo firme de compras.
  • O custo da dieta permanece competitivo, impulsionado pela maior oferta de DDG e farelo, reduzindo o custo total por arroba produzida.
  • Integrações e confinamentos ampliam participação, favorecidos pela previsibilidade dos custos.

A pecuária entra em 2026 com um cenário “taticamente positivo”: margens apertadas, mas sustentadas pela forte demanda externa e por um custo alimentar estabilizado.

 Dados apresenrtados pelo Rabobank para analisar o mercado bovino.
Figura 5.  Dados apresenrados pelo Rabobank para analisar o mercado bovino.  Fonte: Rabobank (2025).

Suínos e Aves: margens continuam positivas, mas entram em fase de ajuste

Aves e suínos seguem entre os setores mais resilientes do agronegócio brasileiro em 2026, sustentados pelo custo de ração mais baixo, pela demanda externa firme e pela melhora gradual do mercado doméstico.

Aves

  • Recuperação das exportações, com demanda firme do Oriente Médio, Ásia e África.
  • Custos de ração em queda, impulsionados por milho mais barato e maior oferta de DDG que reduz a dependência do farelo de soja.
  • Produção cresce de forma moderada (2 a 3% comparado ao ano anterior) e mantém margens positivas, embora menores que no pico de 2024/25

Suínos

  • A produção deve aumentar entre 2% e 3% em 2026, com destaque para sistemas integrados.
  • Os custos de alimentação continuam recuando, reduzindo o custo total por animal abatido.
  • As exportações permanecem fortes para China, Chile, Vietnã e Singapura, sustentando preços e rentabilidade.

A tendência geral é de produção crescente e margens sólidas, reforçadas por um ambiente global que favorece proteínas mais acessíveis.

Desafios e oportunidades para o produtor em 2026

Os dois relatórios convergem em um diagnóstico comum: 2026 será um ano de ajustes e consolidação do agronegócio, não de expansão.

Três pontos centrais chamam a atenção, pensando no produtor rural:

  1. Gestão financeira e de risco: com juros ainda altos, controlar o endividamento e planejar o fluxo de caixa será determinante.
  2. Eficiência produtiva: investir em tecnologias que aumentem produtividade e reduzam custo por hectare.
  3. Diversificação e sustentabilidade: incluir novas fontes de renda (bioenergia, integração pecuária, biológicos) e se adequar às normas internacionais de rastreabilidade.

Conclusão

O ano de 2026 será marcado por margens estreitas, custos altos e mercados mais estáveis, exigindo do produtor uma gestão cada vez mais profissional.

Tanto o Rabobank quanto o Itaú BBA reforçam que o Brasil continua competitivo, mas que a rentabilidade dependerá da capacidade de adaptação e planejamento do produtor.

Em outras palavras: 2026 será o ano de consolidar eficiência, não de arriscar expansão.

—

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Referência

ITAÚ BBA. Visão Agro 2025/2026. São Paulo: Itaú BBA, setembro 2025. 64 p. Disponível em: https://www.itau.com.br/media/dam/m/68c000335b55eaab/original/VisaoAgro_2025_ItauBBA.pdf. Acesso: 11 Nov 2025.

RABOBANK. Perspectivas para o Agronegócio Brasileiro 2026. São Paulo: RaboResearch Food and Agribusiness, outubro 2025. 52 p. Disponível em: https://media.rabobank.com/m/ece6315d6bd81f5/original/RaboResearch_Perspectivas-para-o-agronegocio-brasileiro-2026.pdf. Acesso: 11 Nov. 2025.

Sobre a autora:

Beatriz Nastaro Boschiero

Especialista em Conteúdo na Agroadvance

  • Pós-doutora pelo CTBE/CNPEM e CENA/USP
  • Mestra e Doutora em Solos e Nutrição de Plantas (ESALQ/USP)
  • Engenheira Agrônoma (UNESP/Botucatu)
  • beatriz.nastaro@agroadvance.com.br
  • Perfil do Linkedin
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Como citar este artigo:

BOSCHIERO, B.N. Projeções para o Agronegócio em 2026: o que o produtor pode esperar. Blog Agroadvance. Publicado em: 01 Dez. 2025. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-projecoes-para-o-agronegocio-em-2026/. Acesso: 21 abr. 2026.

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