O ciclo 2025/2026 se inicia em um cenário global de desafios e transição. E qual serão as projeções para o Agronegócio em 2026 de acordo com especialistas?
Após três anos de margens apertadas e custos voláteis, o agronegócio brasileiro entra em 2026 em meio à juros elevados, desaceleração econômica mundial e tensões geopolíticas persistentes, que impactam diretamente os preços de energia, a oferta de fertilizantes (insumo que o Brasil é altamente dependente) e o custo de produção agrícola.
De acordo com o Itaú BBA (2025), o setor atravessa sua “terceira safra consecutiva”, marcada por crédito rural restrito, aumento da inadimplência e necessidade de gestão financeira rigorosa. O banco ressalta que o produtor precisará manter a “guarda alta”, já que o espaço para erros será mínimo diante da combinação entre commodities em baixa, câmbio volátil e insumos em alta.
O Rabobank (2025) reforça essa visão, destacando que o ano será de ajustes estruturais e reorganização dentro da porteira. Embora as margens sigam comprimidas, o Brasil mantém vantagem competitiva pela eficiência produtiva, câmbio favorável às exportações e capacidade de adaptação do produtor rural.
Ainda assim, o cenário não é apenas de riscos.
Ambos os relatórios apontam espaços concretos para crescimento, impulsionados pela transição energética, pelo avanço dos biocombustíveis (como o etanol de milho e a soja para biodiesel) e pela demanda global contínua por alimentos.
A realização da COP30, em novembro deste ano, reforça o papel do país como fornecedor confiável e sustentável, com destaque para as oportunidades de intensificação produtiva em áreas já abertas e de redução da pegada de carbono.
Quer saber quais são as projeções do agronegócio para 2026 e como o cenário econômico deve impactar o produtor rural? Acompanhe a seguir uma síntese completa dos relatórios Rabobank (2025) e Itaú BBA (2025).
Cenário macroeconômico: juros altos e real mais volátil
Ambos os relatórios projetam que o PIB brasileiro crescerá entre 1,5% e 1,6% em 2026, abaixo dos 2% de 2025 (Figura 1). Essa desaceleração reflete principalmente três fatores interligados:
- Política monetária ainda restritiva: mesmo com expectativa de cortes graduais da Selic a partir do segundo trimestre, os efeitos defasados dos juros elevados continuam a frenar o consumo e os investimentos produtivos.
- Incerteza fiscal e política: o calendário eleitoral de 2026 tende a limitar reformas estruturais e aumentar a volatilidade do câmbio, o que reduz previsibilidade para investimentos para o setor privado.
- Exportação em ritmo mais lento: a demanda global mais contida (China crescendo abaixo de 5%) somada à normalização dos estoques agrícolas mundiais, reduz o impulso das commodities no PIB agro.
Para o PIB global, o Itaú BBA projeta expansão de 2,9%, abaixo da média de 3,4% neste início de século. Além das tensões geopolíticas (Mar Negro e Golfo Pérsico), o banco alerta que as incertezas comerciais e fiscais pesarão sobre o desempenho de EUA e China, os dois principais motores da economia mundial.

Segundo o Rabobank, o Banco Central deve iniciar cortes na Selic apenas no 2º trimestre de 2026, com taxa projetada em torno de 12,5% ao ano (ainda elevada frente à média histórica). O Itaú BBA estima trajetória semelhante, com Selic entre 12% e 12,25% no fim do período.
A combinação de juros altos e inflação controlada (3,8% segundo o Itaú BBA), indica um ambiente de crédito mais caro e seletivo, especilamente para produtores altamente alavancados.
O Rabobank acrescenta que o real tende a se desvalorizar gradualmente, acompanhando o cenário de incerteza fiscal e a aproximação do calendário eleitoral.
E quais possíveis impactos diretos para o produtor?
- Maior custo financeiro nas renovações de crédito rural;
- Possível encarecimento de máquinas e insumos importados;
- Câmbio mais volátil tenfavorecendo exportadores, mas exigindo proteção com operações de hedge.
Insumos agrícolas: margens apertadas e fertilizantes ainda caros
O setor de insumos continuará sob pressão, segundo o Rabobank. Mesmo com entregas recordes de fertilizantes em 2025 (≈46,5–47,5 milhões de toneladas), a estimativa é que as margens operacionais permanecerão reduzidas até meados de 2027.
O banco aponta que esse comportamento resulta da fragilidade financeira dos produtores e de condições específicas em diferentes cadeias do agronegócio. Entre os principais fatores, destacam-se:
- Produtores de grãos: ainda se recuperam do alto nível de alavancagem decorrente dos investimentos realizados em expansão e tecnologia, entre 2019 e 2023;
- Setor sucroenergético: enfrenta queda na produtividade dos canaviais e preços menores do açúcar e do etanol, comprimindo margens e limitando a capacidade de compra de insumos;
- Citricultura: sofre com redução dos preços da laranja, o que afeta diretamente o poder de reposição de nutrientes e defensivos;
- Café: é a única commodity com margem operacional positiva e consistente, sustentada pela valorização do robusta e pela estabilidade dos custos.
Fertilizantes: fósforo segue como ponto de atenção
Dentre os custos de produção, que influenciam diretamente a margem do produtor, os fertilizantes são o principal foco de atenção. Para a safra 2026 deve haver alta nos custos de adubação.
- O custo médio da adubação aumentou 7,4% entre 2024 e 2025, e deve permanecer alto na safra 2026/27 (Figura 2).
- O MAP permanece em patamar de preço elevado, levando produtores a substituir por SuperSimples (SSP) e SuperTriplo (TSP);
- O mercado global de fósforo continuará apertado em 2026, já que a China segue priorizando seu abastecimento interno.

Defensivos e biológicos: competição acirrada
O Rabobank aponta crescimento de 1 a 1,5% no mercado de defensivos em 2026, com pressão competitiva das empresas chinesas. O mercado de biológicos mantém expansão, mas em ritmo mais lento, acompanhando a queda da rentabilidade agrícola.
Cana, açúcar e etanol: o dilema do mix
Após um ciclo de margens historicamente elevadas, o setor sucroenergético entra em 2026 em um momento de transição. Os relatórios recentes do Itaú BBA e do Rabobank apontam para um ano de ajuste nos preços, redução de margens e maior volatilidade, refletindo a mudança estrutural no mercado global de açúcar e na dinâmica interna do etanol.
Ao final de 2025, o setor opera diante de um cenário marcdo por:
- Queda no preço do açúcar em 2026, com o mercado global migrando de déficit para superávit.
- Etanol iniciando o ano valorizado, devido a estoques baixos, mas sujeito a perda de força no segundo semestre de 2026.
- Margens mais estreitas das usinas, com impacto potencial no ATR e na renda do fornecedor.
- Cima como variável decisiva para confirmar as perspectivas de uma safra com produções recordes em 2026/2027, o que ampliaria ainda mais a oferta e a pressão nos preços.
- Expansão contínua do etanol de milho, reforçando a integração entre cana, grãos e bioenergia.
- Perspectiva de elevada volatilidade, típica de momentos de transição de ciclo.
Para a região Centro-Sul, o Itaú BBA projeta moagem de aproximadamente 590 milhões de toneladas de cana na safra 2025/26 (Tabela 1). A menor disponibilidade de matéria-prima reflete o impacto das condições climáticas de 2024 (marcadas por seca e queimadas) que reduziram produtividade e ATR.
A produção de etanol de cana deve apresentar queda significativa:
- –14%, totalizando cerca de 23 bilhões de litros.
Esse movimento contribui para a redução da oferta nacional de etanol, mesmo com a expansão contínua da produção a partir do milho.
Tabela 1. Produção sucroenergética na região Centro-Sul do Brasil: de 2023/2024 até 2025/2026.

Tanto o Itaú BBA quanto o Rabobank destacam que o mercado global de açúcar deve voltar ao superávit em 2025/26, após anos de déficits consecutivos. A recuperação da oferta na Índia e na Tailândia é o fator mais relevante dessa virada.
Mesmo com a forte queda acumulada no preço do açúcar entre janeiro e outubro de 2025 (18% em USD e 29% em BRL) o produto continua remunerando mais do que o etanol, o que mantém o mix açucareiro elevado nas usinas brasileiras.
Contudo, a continuidade do mix açucareiro e uma eventual safra cheia em 2026/27 podem intensificar ainda mais a pressão baixista sobre os preços ao longo do ano.
O etanol deve iniciar 2026 com estoques baixos e preços firmes, sustentado pela mistura obrigatória de 30% nos combustíveis e pelo crescimento contínuo do consumo no Ciclo Otto.
O etanol de milho continua em expansão, com a produção nacional projetada em 9,5 bilhões de litros (+15,5%), enquanto a produção total de etanol (cana + milho) recua 7% por conta da menor moagem de cana.
Essa transição reforça o papel estratégico da bioenergia na integração entre cana, milho, proteínas e energia renovavele grãos, fortalecendo a competitividade do etanol brasileiro frente a combustíveis fósseis.
Café: volatilidade e risco climático
Os relatórios de ambos os bancos convergem em um ponto central: o mercado de café continua apertado, com oferta limitada nos principais países produtores e estoques globais em níveis historicamente baixos.
A combinação de oferta limitada, alta sensibilidade ao clima e consumo global resiliente aponta para um 2026 de preços firmes, embora marcado por volatilidade, especialmente no café arábica.
Segundo o Rabobank, a produção brasileira na safra 2025/26 deve ser de 62,8 milhões de sacas, com queda de 14% no arábica (impactada pelo ciclo bienal negativo e pelas condições climática quentes e secas nas principais regiões produtoras) e alta de 10% no robusta.
O Itaú BBA complementa que a oferta global ainda restrita (Tabela 2) manterá preços sustentados no primeiro semestre de 2026, mas com possibilidade de recuo no final do ano.
Tabela 2. Balanço global de oferta e demanda de café (2020–2026)

Ambos os relatórios destacam o impacto das tarifas impostas pelos EUA (50%) ao café brasileiro, que reduziram as exportações em cerca de 50% entre agosto e setembro de 2025.
O fator climático segue como o principal risco, especialmente para o Cerrado Mineiro: geadas, granizo e chuvas irregulares podem limitar o potencial produtivo do café na região.
Em síntese podemos dizer que os preços do café devem permanecer elevados porque a demanda global segue forte, a produção está ajustada (sem excedentes) e os estoques estão muito baixos. O mercado opera apertado, sensível ao clima e sem folga de oferta.
Soja: menor ritmo de expansão e incertezas geopolíticas
A soja entra no próximo ano em um ambiente de expansão moderada e maior sensibilidade à questões geopolíticas. O Rabobank projeta aumento de 2% na área plantada no Brasil, ritmo inferior a média histórica de 4% nos últimos 15 anos, mas suficiente para sustentar uma produção nacional de 177 milhões de toneladas, caso as boas condições climáticas se confirmem (Figura 3).

Segundo projeções do USDA citadas pelo Rabobank, o Brasil deve ser o único grande produtor a superrar o volume da safra anterior. Ainda assim, a produção global de soja deve alcançar novo recorde em 2025/26, chegando a aproximadamente 427 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de cerca de 1% em relação a 2024/2025.
O Itaú BBA também identifica avanço limitado na área, em um cenário em que os custos de produção da soja em 2025/2026 permanecem elevados (especialmente pelo custo de insumos, como fertilizantes) e os juros continuam pressionando o fluxo de caixa do produtor, reduzindo o estímulo para novas expansões.
As exportações brasileiras devem se manter em 111 milhões de toneladas, mantendo o recorde de 2024. Contudo, o mercado segue dependente das relações comerciais entre EUA e China. Um eventual acordo bilateral entre os dois países pode reduzir a demanda pela soja brasileira e pressionar prêmios nos portos, reduzindo a competitividade da soja nacional em curto prazo.
No mercado interno, o esmagamento deve crescer para 60 milhões de toneladas, impulsionado pela elevação da mistura de biodiesel para 16% em março de 2026, conforme previso na Lei do Combustível do Futuro (ainda que a efetiva implementação dependa de regulamentações complementares).
Paralelamente, o Itaú BBA ressalta que a expansão industrial aumenta a oferta de farelo, o que pode limitar as margens de esmagamento caso a demanda não acompanhe o ritmo de crescimento.
Em termos de preços, Chicago acumulou queda próxima de 9% entre janeiro e outubro de 2025, enquanto as cotações em Mato Grosso recuaram apenas 1%, sustentadas por prêmios firmes e pela desvalorização do real.
O Itaú BBA projeta que o balanço global de oferta e demanda deve levar a uma leve recomposição dos estoques ao final de 2025/26, o que, isoladamente, adiciona pressão baixista. No entanto, o aperto no balanço norte-americano e as incertezas geopolíticas mantêm o mercado internacional mais volátil.
A combinação entre câmbio elevado e prêmios positivos tende a sustentar valores em reais, embora as margens do produtor permaneçam comprimidas pelo lado dos custos.
Como resultado, o setor inicia 2026 em um ambiente complexo: expansão moderada da oferta, demanda internacional firme, custos elevados e riscos geopolíticos que podem alterar rapidamente os prêmios de exportação.
Em um contexto mais volátil e dependente do clima e da diplomacia comercial, os relatórios convergem na recomendação implícita de maior atenção às estratégias de comercialização e proteção de preços para garantir rentabilidade no próximo ciclo.
Milho: consumo interno ganha protagonismo
No Brasil, o milho mantém um cenário de demanda aquecida, principalmente pela indústria de etanol de milho e pelo setor de proteína animal.
O Rabobank aponta que apesar da expansão de área (+2,2%), a produção de milho deve cair ligeiramente para 137 milhões de toneladas, após safra recorde em 2025 (de 142 milhões de toneladas) (Figura 4).
Também são apontados que o consumo para ração deve crescer 2%, totalizando 69 milhões toneladas, enquanto o uso para etanol de milho pode atingir 28 milhões de toneladas, sustentadas por novas plantas no Centro-Oeste .

O Rabobank destaca que os preços futuros do milho permaneceram em trajetória de baixa ao longo de 2025, à medida que a produção nos Estados Unidos e na Argentina voltou à normalidade e os estoques globais passaram a níveis mais confortáveis.
A normalização da oferta sul-americana, somada ao aumento da disponibilidade norte-americana, reduz a pressão pela alta dos preços e cria um mercado mais equilibrado para 2026. O avanço contínuo do etanol de milho nos EUA segue relevante para o consumo interno do país, mas não altera de forma significativa o cenário de curto prazo no mercado internacional.
No Brasil, o Itaú BBA reforça que o desempenho da cultura continua altamente dependente da safrinha, responsável pela maior parte da oferta interna. Com a safra de verão mais limitada, o mercado doméstico segue sensível ao clima, considerado o principal risco para 2026.
Mesmo assim, os preços internos têm acompanhado o movimento de Chicago, embora sustentados por prêmios regionais e pela demanda firme das indústrias de ração e proteínas animais.
Os custos de produção seguem pressionados, impactando a rentabilidade. O Itaú BBA aponta que a relação de troca e a necessidade de financiamento continuam desafiando o produtor, enquanto o ambiente de preços mais comportados limita a recuperação de margem.
A combinação entre oferta global confortável, demanda estável e menor volatilidade cria um cenário de estabilidade para o milho em 2026, embora o clima brasileiro permaneça como variável capaz de alterar rapidamente as expectativas do mercado.
Algodão: Brasil consolida liderança mundial
O algodão entra em 2026 com um cenário estruturalmente favorável ao Brasil, tano pela redução da oferta nos principais produtores globais quanto pela forte expansão da área nacional.
Segundo o Itaú BBA, a safra global 2025/2026 de algodão deve apresentar leve queda na produção, especialmente porque três dos quatro maiores produtores mundiais (EUA, China e Índia) tendem a colher menos, seja por questões climáticas, redução de área ou ajustes de rentabilidade. Apesar disso, os estoques globais devem permanecer confortáveis (Tabela 3).
Tabela 3. Balanço global de oferta e demanda de algodão (2020–2026)

No Brasil, o Rabobank projeta que a área plantada deve ultrapassar 2,1 milhões ha, atingindo o maior nível em 37 anos, e consolidar-se como maior exportador global de pluma, superando os Estados Unidos. Esse avanço é reflexo direto da combinação de:
- Custos competitivos por hectare;
- Produtividade nacional superior a média global
- Combio favorável às exportações
- Recuo da produção norte-americana, abrindo espaço para ganho de mercado.
Com esse movimento, o Brasil deve consolidar-se como o maior exportador mundial de pluma em 2026, ultrapassando os Estados Unidos não apenas em volume embarcado, mas também em participação relativa no comércio internacional. As exportações brasileiras podem atingir até 3 milhões de toneladas, reforçando o país como principal fornecedor global.
No mercado interno, o Itaú BBA destaca que a comercialização da safra 2025/26 segue lenta, com cerca de 30% do volume negociado, percentual inferior à média histórica. A cautela dos produtores reflete dois pontos centrais:
- pressão de preços desde meados de 2025, acompanhando o movimento internacional;
- incertezas macroeconômicas e cambiais, que podem alterar rapidamente a competitividade das exportações.
Para 2026, a expectativa é de um mercado mais equilibrado, mas ainda sensível às condições climáticas globais e ao ritmo de recuperação do setor têxtil, especialmente na Ásia. A melhora do consumo chinês é uma variável decisiva para sustentar preços ao longo do ano.
Em síntese, os relatórios convergem para uma mesma leitura: o algodão será uma das culturas mais competitivas do agronegócio brasileiro em 2026, amparado por produtividade elevada, área recorde, forte demanda internacional e posição de liderança consolidada nas exportações. Mesmo com preços menos exuberantes que em ciclos anteriores, o Brasil mantém vantagens estruturais que fortalecem seu protagonismo no mercado global de fibras.
Bovinos: exportações firmes e fase final do ciclo pecuário
Para o Itaú BBA e o Rabobank, 2026 marca o desfecho da fase mais intensa de retenção de fêmeas, com oferta ainda relativamente elevada, porém desacelerando. Isso significa:
- Pressão menor sobre os preços do boi gordo, com tendência de estabilização após anos de volatilidade (Figura 4).
- Exportações seguem como principal motor, especialmente com a queda da produção nos EUA e China mantendo ritmo firme de compras.
- O custo da dieta permanece competitivo, impulsionado pela maior oferta de DDG e farelo, reduzindo o custo total por arroba produzida.
- Integrações e confinamentos ampliam participação, favorecidos pela previsibilidade dos custos.
A pecuária entra em 2026 com um cenário “taticamente positivo”: margens apertadas, mas sustentadas pela forte demanda externa e por um custo alimentar estabilizado.

Suínos e Aves: margens continuam positivas, mas entram em fase de ajuste
Aves e suínos seguem entre os setores mais resilientes do agronegócio brasileiro em 2026, sustentados pelo custo de ração mais baixo, pela demanda externa firme e pela melhora gradual do mercado doméstico.
Aves
- Recuperação das exportações, com demanda firme do Oriente Médio, Ásia e África.
- Custos de ração em queda, impulsionados por milho mais barato e maior oferta de DDG que reduz a dependência do farelo de soja.
- Produção cresce de forma moderada (2 a 3% comparado ao ano anterior) e mantém margens positivas, embora menores que no pico de 2024/25
Suínos
- A produção deve aumentar entre 2% e 3% em 2026, com destaque para sistemas integrados.
- Os custos de alimentação continuam recuando, reduzindo o custo total por animal abatido.
- As exportações permanecem fortes para China, Chile, Vietnã e Singapura, sustentando preços e rentabilidade.
A tendência geral é de produção crescente e margens sólidas, reforçadas por um ambiente global que favorece proteínas mais acessíveis.
Desafios e oportunidades para o produtor em 2026
Os dois relatórios convergem em um diagnóstico comum: 2026 será um ano de ajustes e consolidação do agronegócio, não de expansão.
Três pontos centrais chamam a atenção, pensando no produtor rural:
- Gestão financeira e de risco: com juros ainda altos, controlar o endividamento e planejar o fluxo de caixa será determinante.
- Eficiência produtiva: investir em tecnologias que aumentem produtividade e reduzam custo por hectare.
- Diversificação e sustentabilidade: incluir novas fontes de renda (bioenergia, integração pecuária, biológicos) e se adequar às normas internacionais de rastreabilidade.
Conclusão
O ano de 2026 será marcado por margens estreitas, custos altos e mercados mais estáveis, exigindo do produtor uma gestão cada vez mais profissional.
Tanto o Rabobank quanto o Itaú BBA reforçam que o Brasil continua competitivo, mas que a rentabilidade dependerá da capacidade de adaptação e planejamento do produtor.
Em outras palavras: 2026 será o ano de consolidar eficiência, não de arriscar expansão.
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Referência
ITAÚ BBA. Visão Agro 2025/2026. São Paulo: Itaú BBA, setembro 2025. 64 p. Disponível em: https://www.itau.com.br/media/dam/m/68c000335b55eaab/original/VisaoAgro_2025_ItauBBA.pdf. Acesso: 11 Nov 2025.
RABOBANK. Perspectivas para o Agronegócio Brasileiro 2026. São Paulo: RaboResearch Food and Agribusiness, outubro 2025. 52 p. Disponível em: https://media.rabobank.com/m/ece6315d6bd81f5/original/RaboResearch_Perspectivas-para-o-agronegocio-brasileiro-2026.pdf. Acesso: 11 Nov. 2025.
Sobre a autora:

Beatriz Nastaro Boschiero
Especialista em Conteúdo na Agroadvance
- Pós-doutora pelo CTBE/CNPEM e CENA/USP
- Mestra e Doutora em Solos e Nutrição de Plantas (ESALQ/USP)
- Engenheira Agrônoma (UNESP/Botucatu)
Como citar este artigo:
BOSCHIERO, B.N. Projeções para o Agronegócio em 2026: o que o produtor pode esperar. Blog Agroadvance. Publicado em: 01 Dez. 2025. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-projecoes-para-o-agronegocio-em-2026/. Acesso: 21 abr. 2026.



