A produção brasileira de etanol de milho deve alcançar 9,97 bilhões de litros na safra 2025/2026, uma alta de aproximadamente 21% em relação ao ano anterior e de cerca de 276% nos últimos cinco anos, de acordo com projeções da União Nacional do Etanol de Milho (Unem).
A produção de etanol de milho no Brasil tem chamado a atenção devido à sua rápida expansão nos últimos anos. O aumento da capacidade produtiva é resultante principalmente:
- da ampliação do complexo industrial brasileiro – que têm seu número de usinas aumentado e ampliado nos últimos anos;
- da adoção de tecnologias que aumentaram o rendimento industrial;
- do aumento da demanda internacional por biocombustíveis.
Projeção de crescimento na produção de etanol de milho até 2030
Se em 2016 o Brasil tinha a modesta produção de 201 milhões de litros de etanol de milho, os dados mais recentes, da safra de 2025/2026, atingem cerca de 9,97 bilhões de litros.
Quando olhamos ainda mais além, até 2030, a estimativa da Unem é de 10 bilhões de litros de etanol do cereal produzidos no Brasil (Figura 1).
Na safra atual (2025/26), o etanol de cana-de-açúcar deverá produzir 27 bilhões de litros.
O milho foi responsável por cerca de 18% de toda a geração de etanol no Brasil na safra 2025/26 e a estimativa da Unem é que o etanol de milho represente 20% do mercado de biocombustíveis no País até 2030.
No período, segundo a entidade, foram investidos mais de R$ 15 bilhões em parques industriais de etanol de milho (matéria publicada na revista Isto é).

Esse crescimento é suportado pela crescente produção de milho no Brasil, principalmente com aumento de cultivo de milho de segunda safra, que domina a produção nacional desde 2011 (Figura 2)

Evolução do parque industrial: usinas de etanol de milho operando no Brasil
A produção de etanol de milho no Brasil teve início em 2012 (Figura 3), com a inauguração de uma planta industrial operando no modelo flex, que possui uma estrutura para a produção de etanol usando cana e milho na mesma unidade industrial (Fava Neves, 2021).
Outras unidades foram sendo inauguradas desde então e em 2017 foi inaugurada a primeira usina no modelo full, que produz etanol utilizando somente milho, marcando um novo estágio de especialização industrial.

Onde estão as usinas de etanol de milho no Brasil?
O Brasil conta hoje, em 2025/2026, com 29 usinas de etanol de milho em operação (em 2023 eram apenas 18), de acordo com a União Nacional de Etanol de Milho (Unem). Dessas, a maior concentração permanece nos estados de Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, além de unidades em São Paulo, Paraná e Alagoas (Figura 4).

A expectativa para os próximos anos é de continuidade na expansão do parque industrial, com projeções indicando que o Brasil pode alcançar cerca de 35 a 40 usinas de etanol de milho em operação até o final da década, segundo estimativas setoriais da União Nacional do Etanol de Milho e da Empresa de Pesquisa Energética.
Esse movimento está associado à consolidação do modelo de usinas flex, à disponibilidade de milho segunda safra no Centro-Oeste e à integração com cadeias de coprodutos, como DDG/DDGS e óleo de milho.
Modelos de usinas de etanol de milho operando no Brasil
Existem três modelos de usinas de etanol de milho operando no Brasil (Figura 5):
- Full – processa exclusivamente milho para produção de etanol;
- Flex – usinas de cana-de-açúcar adequadas para produzir etanol de milho no período da entressafra da cana;
- Flex full – usinas de cana e milho que operam paralelamente.

Maior produção de etanol de milho acontece na região centro-oeste
Dos quase 10 bilhões de litros de etanol que serão produzidos nessa safra 2025/26, cerca de 85-90% deverão ser produzidos na região Centro-Oeste do Brasil, especialmente nos estados de Mato Grosso e Goiás, onde há oferta elevada de milho e se concentram as usinas em operação no Brasil.
O estado de Mato Grosso se consolida, cada vez mais, como um dos principais produtores de etanol do país e já ocupa o segundo lugar no ranking de maior fabricante do biocombustível, ficando atrás de São Paulo. Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e Minas Gerais completam o top 5, com crescente participação do biocombustível de milho.
Para comparação, faz somente 12 anos que a produção de Mato Grosso ultrapassou 1 bilhão de litros de etanol produzidos.
Esse crescimento da última década está sendo sustentado pelo aumento da produção de etanol de milho, no horizonte projetado entre 2026 e 2030, o setor tende a ser condicionado por três eixos: a consolidação do E30 como referência regulatória, a ampliação do etanol de milho no Centro-Oeste e a intensificação de exigências ambientais para inserção em mercados.
A produção deve apresentar evolução gradual, com maior diversificação de rotas produtivas e menor concentração no binômio açúcar–etanol.

Comparação dos custos de produção entre etanol de milho e de cana-de-açúcar em 2026
A evolução recente dos custos de produção evidencia uma mudança relevante na competitividade entre as rotas industriais (Tabela 1).
Tabela 1. Evolução do custo de produção do etanol: milho amplia vantagem sobre a cana (safras 2023/24 e 2024/25)
| Safra | Etanol de milho (R$ L⁻¹) | Etanol de cana (R$ L⁻¹) | Diferença (R$ L⁻¹) |
| 2023/24 | 2,10 | 2,22 | 0,12 |
| 2024/25 | 1,88 | 2,36 | 0,48 |
Na safra 2024/25, o custo de produção do etanol de milho reduziu de R$2,10 para R$ 1,88 L⁻¹ (da safra 2023/24), enquanto o etanol de cana-de-açúcar aumentou de R$2,22 para R$ 2,36 L⁻¹. O diferencial entre as rotas quadruplicou, passando de R$ 0,12 L⁻¹ para R$ 0,48 L⁻¹ no período analisado.
O aumento do diferencial evidencia vantagem econômica do etanol de milho. Esse resultado decorre da redução do custo unitário do milho e da elevação do custo associado à cana-de-açúcar na mesma base temporal.
A competitividade do etanol de milho concentra-se em regiões com elevada disponibilidade de grãos e estrutura industrial integrada. A produção incorpora coprodutos, como os grãos secos de destilaria com solúveis (DDGS), que ampliam a receita industrial por unidade processada.
Adoção de tecnologias que aumentam a produção e o rendimento industrial
Nos últimos anos, com a incorporação de novas tecnologias, a produtividade de etanol por tonelada de milho no Brasil teve ganho de eficiência de 20%, saindo de 380 litros por tonelada para 440 litros por tonelada (Gazeta do Povo).
Esse avanço é muito superior ao da cana-de-açúcar, que produz em média 80 litros de etanol por tonelada de colmos. A grande diferença entre as culturas é a produtividade média por hectare, muito superior para a cana-de-açúcar (Figura 6).

Além disso, a adoção de tecnologias também permite que o Brasil aumente a produção de milho – matéria prima para produção do biocombustível.
A partir do desenvolvimento de um novo processo de fermentação do milho (baseado no aproveitamento de células de leveduras provenientes da fermentação da cana-de-açúcar) que permite integrar o amido de milho ao melaço de cana-de-açúcar, uma série de vantagens está sendo oferecida às usinas convencionais brasileiras que operam exclusivamente com cana-de-açúcar.
Enquanto o processo de fermentação leva de 45 a 60 horas nas usinas americanas, a nova fermentação brasileira que combina cana-de-açúcar com milho leva em torno de 34 a 36 horas, em média 66% mais rápida que a fermentação americana (Silva e o Castaneda-Ayarza, 2021).
Aumento da demanda internacional por biocombustíveis
Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), e considerando o Cenário Sustentável traçado internacionalmente, o consumo de biocombustíveis (incluindo etanol, biodiesel, biometano, óleo vegetal hidratado) poderá aumentar significativamente até 2030, o que exigiria um aumento de cerca de 165% na produção global desses produtos (Fava Neves, 2021; Figura 7).
Nos próximos anos, alguns fatores econômicos e políticas de governo, como a mistura obrigatória de 20% de etanol na gasolina no mercado indiano, que também está adotando a produção de carros flex (Udop), podem aumentar ainda mais a demanda internacional.

Nos próximos anos, alguns fatores econômicos e políticas de governo, como a mistura obrigatória de 20% de etanol na gasolina no mercado indiano, que também está adotando a produção de carros flex (Udop), podem aumentar ainda mais a demanda internacional.
A Índia é hoje o maior exportador mundial de açúcar e aumentar a produção de etanol no país pode resultar em maior demanda mundial de açúcar por parte do Brasil, que poderia suprir parte da demanda de etanol do mercado interno com o biocombustível produzido a partir do milho.
Conclusão
Em uma década, o etanol de milho se consolidou no Brasil como um produto valioso sob diversos ângulos. É uma opção a mais para o setor sucroalcooleiro, uma contribuição adicional para a sustentabilidade na indústria automobilística e uma via para o ingresso de investimentos e a geração de postos de trabalho no país.
No modelo safra-safrinha, o milho complementa a cana e equaliza o mercado de etanol, mitigando riscos de desabastecimento (Fava Neves, 2021).
Somando a ampliação do parque industrial brasileiro, que vem recebendo significativos investimentos, a produção crescente de milho no Brasil, a adoção de tecnologias que melhoram a eficiência produtiva de etanol e a crescente demanda internacional por biocombustíveis, o Brasil mais uma vez, vêm se destacando no cenário mundial.
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Referências
Fava Neves, M. Etanol de milho (livro eletrônico): cenário atual e perspectivas para a cadeia no Brasil. 1ª ed. Ribeirão Preto, SP: UNEM, 2021. PDF.
Silva, A.L., Castaneda-Ayarza, J. A. Macro-environment analysis of the corn ethanol fuel development in Brazil. Renewable and Sustainable Energy Reviews, v. 110387, 2021. DOI: 10.1016/j.rser.2020.110387.
Sobre a autora:

Beatriz Nastaro Boschiero
Especialista em Conteúdo na Agroadvance
- Pós-doutora pelo CTBE/CNPEM e CENA/USP
- Mestra e Doutora em Solos e Nutrição de Plantas (ESALQ/USP)
- Engenheira Agrônoma (UNESP/Botucatu)
Artigo atualizado por:

Alasse Oliveira da Silva
Doutorando em Produção Vegetal (ESALQ/USP)
- Engenheiro agrônomo (UFRA) e Técnico em agronegócio
- Mestre e especialista em Produção Vegetal (ESALQ/USP)
Como citar este artigo:
BOSCHIERO, B.N.; OLIVEIRA, A. Etanol de milho no Brasil: 3 razões que impulsionam o crescimento. Blog Agroadvance. Publicado em: 04 Abr. 2023. Atualizado em: 19 Mar. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-etanol-de-milho-no-brasil-crescimento/. Acesso em: dd mmm aaaa.




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