O custo de produção da soja é um dos indicadores mais importantes para a tomada de decisão dentro da propriedade rural. Ele serve não apenas para controlar despesas, mas para orientar estratégias de comercialização, avaliar a viabilidade econômica e planejar investimentos, uma vez que ajuda o produtor a avaliar a viabilidade econômica da lavoura e a rentabilidade por hectare.
Segundo o boletim econômico da Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso do Sul (APROSOJA/MS), o custo de produção da soja 2025/2026 foi estimado em R$ 6.115,83 por hectare, o que representa um aumento de 1,9% em relação à safra anterior (R$5.998,24/ha em 2024/2025).
Apesar da alta do custo em reais, o custo por saca de soja caiu de 51,27 para 50,97 sc/ha, reflexo da melhora na produtividade média (de 51,7 ara 53 sc/ha) e do aumento no preço médio projetado da soja, de R$ 120,00/sc, contra R$ 117,00/sc na safra anterior.
Ou seja, o custo cresceu, mas a rentabilidade tende a se manter estável: um cenário que exige eficiência técnica e controle rigoroso de gastos.
Neste artigo, você vai entender:
- Como a APROSOJA calcula o custo de produção da soja,
- Quais foram as principais variações de insumos e serviços entre as safras 2024/2025 e 2025/2026,
- Como o aumento do custo afeta a rentabilidade, e
- Estratégias práticas de gestão para otimizar o resultado econômico da lavoura.
Como a APROSOJA calcula o custo de produção da soja?
O relatório da APROSOJA/MS segue uma metodologia consolidada, que separa os custos de produção em três grandes grupos (Tabela 1):
- Custos variáveis, que representam 90,34% do total na Safra 2025/2026:
- operações com máquinas,
- sementes e tratamento de sementes,
- corretivos de solo, fertilizantes e inoculantes,
- defensivos agrícolas e adjuvantes
- seguro agrícola,
- transporte e armazenagem,
- assistência técnica,
- impostos,
- manutenção de equipamentos,
- mão de obra,
- despesas administrativas e juros.
- Custos fixos, correspondentes a 6,54% dos custos totais:
- depreciação de máquinas e equipamentos,
- benfeitorias na fazenda,
- encargos e seguros associados aos bens fixos da propriedade.
- Custos operacionais, equivalente a 3,12% do total:
- Remuneração esperada sobre o capital investido na produção,
- Eventuais custos relacionados ao uso da terra (como arrendamento).
A análise considera uma soja cultivar IPRO, com tecnologia Bt + Roundup Ready, por ser a mais utilizada no estado.
A produtividade média estimada foi de 53 sacas por hectare, de acordo com as médias das últimas cinco safras levantadas pelo SIGA/MS (Sistema de Informação Geográfica do Agronegócio).
Esses cálculos abrangem todas as etapas da produção, desde o preparo do solo até os custos administrativos, financeiros e de depreciação. Dessa forma, oferecem um retrato fiel do que o produtor realmente desembolsa para manter sua lavoura produtiva e sustentável.
Quer saber sobre as metodologias de cálculo do custo de produção agrícola? Leia este artigo:
Tabela 1. Metodologia utilizada pela APROSOJA para determinar os custos de produção da soja no Mato Grosso do Sul.

Custo total de Produção da soja na Safra 2025/2026
A soma dos custos variáveis, fixos e operacionais resulta em um custo total de R$ 6.115,83/ha, equivalente a 50,97 sacas de soja (Tabela 2).
Tabela 2. Custo total de produção da soja no Mato Grosso do Sul (Safra 2025/2026)

Custos variáveis: fertilizantes lideram as despesas
Os custos variáveis concentram a maior parte do investimento da lavoura e totalizam R$ 5.525,07 por hectare, equivalentes a 46,04 sacas. Dentro desse grupo, o custeio da lavoura é o item mais pesado, representando 57,3% do custo total (Tabela 3).
Tabela 3. Principais custos de produção da soja dentro dos custos variáveis de produção (Safra 2025/2026)
| Item | R$/ha | sc/ha | Participação (%) |
| Fertilizantes | 1.395,80 | 11,63 | 39,8% |
| Sementes | 589,20 | 4,91 | 16,8% |
| Fungicidas | 352,00 | 2,93 | 10,0% |
| Herbicidas | 292,80 | 2,44 | 8,4% |
| Inseticidas | 315,00 | 2,63 | 9,0% |
| Corretivos de solo | 289,80 | 2,42 | 8,3% |
| Operações com máquinas | 180,90 | 1,51 | 5,2% |
Os fertilizantes seguem como o principal componente do custo de custeio, absorvendo quase 40% das despesas variáveis, o equivalente a 11,6 sacas de soja por hectare para cobrir seu valor.
Em seguida, vêm as sementes de soja, que representam 16,8% do total. Esse custo é um reflexo do uso de cultivares com tecnologia IPRO, que apresentam custo de aquisição superior, mas também maior estabilidade produtiva.
Os defensivos agrícolas (fungicidas, herbicidas e inseticidas) somados representam cerca de 28% do custo variável, mas com comportamentos diferentes entre os produtos, como veremos adiante.
Custos fixos e outros componentes do investimento
Os custos fixos representam R$ 399,96/ha, ou 3,33 sc/ha, o que equivale a 6,54% do custo total. Dentro dessa categoria estão incluídos:
- Depreciação de máquinas, implementos e benfeitorias: R$ 325,00/ha (5,31%);
- Encargos e seguros do capital fixo: R$ 74,96/ha (1,23%).
Já a renda dos fatores (remuneração esperada sobre o capital) foi calculada em R$ 190,80/ha, ou 1,59 sc/ha, representando 3,12% do custo total.
Esses valores ajudam o produtor a mensurar não apenas o desembolso financeiro direto, mas também o custo de oportunidade do capital investido, fundamental para avaliar a real rentabilidade da atividade agrícola.
Comparativo de Custos: safras 2024/2025 vs 2025/2026
A Tabela 4 mostra as principais variações entre as suas safras consecutivas.
Esses dados mostram que, embora alguns custos tenham recuado de forma significativa, como herbicidas e fungicidas, o aumento expressivo nos fertilizantes (+24%) e inseticidas (+57%) compensou essas reduções, resultando em um leve acréscimo geral no custo total por hectare.
Tabela 4. Variação dos custos de produção da soja entre as safras 2024/2025 e 2025/2026
| Insumo/Serviço | 2024/2025 (R$/ha) | 2025/2026 (R$/ha) | Variação (%) |
| Fertilizantes | 1.125,00 | 1.395,80 | +24,1% |
| Sementes | 568,80 | 589,20 | +3,6% |
| Fungicidas | 425,50 | 352,00 | −17,3% |
| Herbicidas | 398,15 | 292,80 | −26,5% |
| Inseticidas | 200,00 | 315,00 | +57,5% |
| Corretivos de solo | 418,50 | 289,80 | −30,8% |
| Adjuvantes | 51,55 | 29,30 | −43,2% |
| Inoculantes | 23,00 | 21,00 | −8,7% |
Em termos absolutos, o custo passou de R$ 5.998,24 para R$ 6.115,83/ha (+1,9%).
Já o custo em sacas caiu de 51,27 para 50,97 sc/ha (−0,6%).
Isso demonstra que, embora a produção esteja mais cara em reais, o ganho de produtividade (de 51,7 para 53 sc/ha) e a valorização de 2,5% no preço da soja por saca ajudam a equilibrar o resultado final.

Como o aumento do custo afeta a rentabilidade do produtor
A rentabilidade é calculada pela fórmula:
Rentabilidade = (Produtividade × Preço de venda) − Custo total
Com produtividade média de 53 sacas/ha e preço de R$ 120,00/sc, a receita bruta esperada é de R$ 6.360,00/ha.
Subtraindo o custo total (R$ 6.115,83/ha), a margem operacional estimada é de cerca de R$ 244,00 por hectare, o que corresponde a 2,0% sobre o valor bruto.
Esse valor é bastante estreito, evidenciando que qualquer oscilação no preço de venda, produtividade ou câmbio pode transformar lucro em prejuízo. Por isso, a eficiência agronômica e a gestão de custos são essenciais para a sustentabilidade financeira da lavoura.
Comparação do custo de produção da soja com outros estados
O custo de produção da soja em Mato Grosso do Sul mantém-se próximo à média do Centro-Oeste, mas diferenças metodológicas entre instituições regionais responsáveis pela estimativa de custo (APROSOJA no MS e IMEA no MT) resultam em variações numéricas dos custos.
De acordo com o relatório da APROSOJA/MS (2025), o custo total da soja na safra 2025/2026 é de R$ 6.115,83/ha, considerando custos variáveis, fixos e operacionais, mas sem incluir o custo de oportunidade da terra.
Já o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), em seu Relatório de Custos de Produção da Soja – Safra 2025/26(setembro/2025), estima o custo total em R$ 7.761,74/ha para Mato Grosso. Essa diferença de aproximadamente R$ 1.646,00/ha (+27%) não reflete apenas preços distintos de insumos, mas sobretudo a abrangência maior da metodologia do IMEA, que inclui:
- Custo de oportunidade da terra e do capital investido,
- Depreciação detalhada de máquinas, benfeitorias e utilitários,
- Pró-labore (mão de obra familiar).
Quando se comparam apenas os itens equivalentes de custeio direto: insumos, defensivos, operações mecanizadas e serviços, os custos entre os dois estados são bastante semelhantes: R$ 5.525,07/ha no MS e R$ 5.776,55/ha no MT, diferença inferior a 5%.
No caso dos fertilizantes, o principal item de despesa, os produtores mato-grossenses gastam R$ 1.879,33/ha, cerca de 35% a mais do que os sul-mato-grossenses (R$ 1.395,80/ha). Isso se deve, principalmente, às características dos solos de Mato Grosso, que demandam maior adubação de manutenção, e ao frete mais elevado dos insumos.
Em contrapartida, o custo com defensivos é bastante similar entre os dois estados, oscilando em torno de R$ 1.250,00/ha, refletindo o uso de tecnologias de manejo e patamares semelhantes de pressão de pragas e doenças.
Em resumo, embora o custo total calculado pelo IMEA seja superior, os custos efetivos de produção por hectare, considerando apenas o desembolso direto do produtor, são muito próximos entre Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
A principal diferença reside na inclusão, pelo IMEA, do custo de oportunidade e depreciação econômica, que ampliam o escopo da análise.
Estratégias para otimizar a rentabilidade
Mesmo com custos mais altos, há diversas formas de preservar margens positivas de lucro. Algumas estratégias práticas incluem:
- Planejamento antecipado da compra de insumos: aproveitar janelas de negociação e compras coletivas pode reduzir significativamente o impacto de fertilizantes e defensivos.
- Adoção de manejo de precisão: o uso racional de corretivos e fertilizantes com base em análises de solo detalhadas ajuda a evitar desperdícios.
- Integração de práticas de manejo biológico e químico: pode reduzir custos com defensivos e melhorar a saúde do solo.
- Gestão de riscos e seguro agrícola: item que representa 4,5% do custo variável, mas é essencial para mitigar perdas em safras de maior instabilidade climática.
- Acompanhamento contínuo do custo por saca produzida: permite identificar rapidamente gargalos de eficiência e ajustar decisões de compra e comercialização.
Conclusão
O custo de produção da soja na safra 2025/2026 apresenta aumento moderado de 1,9%, refletindo especialmente o encarecimento dos fertilizantes e inseticidas. Por outro lado, a ligeira melhora na produtividade (53 sc/ha) e o preço médio de R$ 120/sc equilibram o cenário e mantêm a viabilidade econômica da cultura.
A gestão eficiente dos custos, o uso racional de insumos e a busca por maior eficiência operacional continuam sendo os pilares para garantir uma boa margem de rentabilidade, mesmo em um ambiente de preços estáveis e custos voláteis.
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Referências
APROSOJA. Custo de produção da soja. Boletim econômico. Setembro de 2025. Disponível em: https://aprosojams.org.br/sites/default/files/boletins/custo%20soja%2025_26_0.pdf. Data de acesso: 04 Nov. 2025.
IMEA. Relatório de Custos de Produção da Soja – Safra 2025/26 (nº 9), setembro de 2025. Disponível em: https://www.imea.com.br/imea-site/relatorios-mercado-detalhe/. Acesso: 04 Nov. 2025.
Sobre a autora

Beatriz Nastaro Boschiero
Especialista em Conteúdo na Agroadvance
- Pós-doutora pelo CTBE/CNPEM e CENA/USP
- Mestra e Doutora em Solos e Nutrição de Plantas (ESALQ/USP)
- Engenheira Agrônoma (UNESP/Botucatu)
Como citar este artigo:
BOSCHIERO, B.N. Custo de produção da soja 2025/2026: como evoluíram os custos e o que muda na rentabilidade. Blog Agroadvance. Publicado em: 19 Nov 2025. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-custo-de-producao-da-soja-2025-2026/. Data de acesso: [data_hoj].



