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Cobalto, molibdênio e níquel na soja: quando adubar e qual o ganho em produtividade?

Adubação com cobalto (Co) e molibdênio (Mo) na soja tem sido parte da rotina do produtor, mas o melhor momento de aplicação ainda pode gerar dúvidas. Enquanto isso, o níquel (Ni) pode ser novidade na adubação e tem ganhado relevância na cultura.
  • Publicado em 27/04/2026
  • Alexandre Augusto da Silva
  • Soja
  • Publicado em 27/04/2026
  • Alexandre Augusto da Silva
  • Soja
  • Atualizado em 27/04/2026
Cobalto, molibdênio e níquel na soja
Sumário

Aumentar a produtividade da soja é um desafio diante as adversidades do campo, mas pode melhorar a lucratividade da lavoura. Com produtividade média de 3.560 Kg/ha, o potencial da cultura pode ser mais bem explorado por meio do manejo, dentre eles o manejo nutricional.

Correção de solo e adubações com macronutrientes são a base da nutrição e permitem que a planta expresse boa parte do seu potencial. Porém, a adubação com micronutrientes pode ser considerado o ajuste fino na nutrição que potencializa os resultados.

Com alta exigência por nitrogênio (N), para produção de 1 tonelada de grãos de soja, são necessários aproximadamente 80 Kg de N. Considerando a produtividade média brasileira e que toda a demanda fosse suprida apenas com uso de fertilizantes, seria necessária adubação com mais de 280 kg N/ha.

A capacidade da soja em utilizar o N2 atmosférico por meio da fixação biológica de nitrogênio (FBN), permite que a demanda pelo nutriente seja atendida, sem a necessidade de fertilizantes nitrogenados. Estima-se que essa associação gerou uma economia de R$ 72 bilhões de reais apenas na safra 2022.

A FBN, por sua vez, envolve microrganismos que exigem elementos como cobalto (Co), molibdênio (Mo) e níquel (Ni), indispensáveis para a realização do processo.

Dessa forma, abordaremos neste artigo como esses elementos atuam na FBN, bem como suas funções, doses e melhores momentos de aplicação recomendados.

Cobalto, molibdênio e níquel: Essenciais para fixação biológica de nitrogênio

O processo de fixação biológica de nitrogênio consiste na assimilação do N2 atmosférico pelas plantas através de relação simbiótica com bactérias diazotróficas do gênero Bradyrhyzobium.

Essas bactérias formam nódulos nas raízes do hospedeiro para abrigo e fornecimento de nutrientes e fotoassimilados. Em troca, as plantas recebem o N atmosférico na forma de amônia (NH3) para síntese de seus compostos orgânicos.

Neste processo, algumas reações são catalisadas por enzimas produzidas pelos microrganismos:.

  • Cobalto: essencial para formação da leghemoglobina
  • Molibdênio: componente da nitrogenase e nitrato redutase
  • Níquel: ligado à urease e hidrogenase

Cobalto (Co)

Definido como elemento benéfico para as plantas, sua essencialidade na soja decorre da participação na síntese de cobalamina (B12), precursora da leghemoglobina nos nódulos.

As bactérias fixadoras de nitrogênio desenvolvem-se em ambientes anaeróbicos. Ao mesmo tempo, a nitrogenase é uma enzima sensível ao O2 livre e portanto, o interior dos nódulos deve ser mantido livre de oxigênio ou com baixas concentrações.

Para isso, a leghemoglobina é a proteína responsável pela retirada do oxigênio no interior dos nódulos, protegendo as bactérias e criando um ambiente favorável para o processo de fixação do nitrogênio.

formação de nódulos radiculares em soja
Figura 1. Formação de nódulos da soja – Secção longitudinal dos nódulos radiculares. Fonte: Fábio M. Mercante/Embrapa e Bosse et al (2024).

A coloração vermelha no interior dos nódulos é característica da presença da leghemoglobina e indicativo de que o nódulo está ativo e o processo de fixação biológica está ocorrendo.

Devido a sua importância, a deficiência de cobalto pode retardar ou reduzir a nodulação na soja, prejudicando a assimilação de nitrogênio pela cultura e consequentemente a produção de fotoassimilados.

Em casos onde existe excesso de cobalto, a absorção do ferro (Fe) é reduzida, apresentando sintomas como folhas cloróticas na parte superior das plantas e atrofiamento, além de manchas necróticas nos cotilédones.

O diagnóstico visual da deficiência é dificultado devido à semelhança com a deficiência do N, visto sua estreita relação com a fixação de nitrogênio na cultura. No entanto, o amarelecimento internerval nas folhas mais jovens e atrofiamento da planta, são sintomas típicos.

Molibdênio (Mo)

Nos últimos anos, a deficiência desse nutriente no Brasil tem se agravado, provavelmente em razão da grande quantidade exportada pelos grãos, sendo que aproximadamente 70% do Mo absorvido é exportado pelos grãos

Isso torna necessária a adubação para reposição e manutenção da cultura no decorrer do ciclo, buscando impedir que a falta do nutriente afete a produtividade da lavoura.

Componente de enzimas essenciais para a FBN como nitrato redutase e nitrogenase, a deficiência de molibdênio pode prejudicar o metabolismo do N na planta.

  • Nitrato redutase: Presente em todas as plantas, é responsável pela redução do nitrato (NO–3) para nitrito (NO–2). Sem ela, o nitrato se acumula nas folhas e causa toxicidade, além de afetar o uso do N pelas plantas.
  • Nitrogenase: Participa da transformação do N2 atmosférico em amônia (NH3).

Independente da fonte utilizada para o fornecimento do nitrogênio, a atividade da nitrato redutase é fundamental para a conversão do N em uma forma assimilável, o que indiretamente também torna o Mo essencial.

Em trabalho conduzido por Oliveira et al. (2022), resultados mostraram aumento nos teores de N e Mo nas folhas em plantas submetidas à aplicação de Mo, além de maior atividade da nitrato redutase.

Além da soja, a aplicação foliar também foi avaliada na cultura do milho, o qual também respondeu à adubação.

efeito da aplicação de molibdênio em folhas de milho e soja
Figura 2. Teores de nitrogênio (A, B) e molibdênio foliar (E, F) e atividade da enzima nitrato redutase (G, H). Fonte: Oliveira et al. (2022).

Dentre sintomas típicos de deficiência decorrentes da baixa disponibilidade de Mo, estão a clorose e necrose em folhas velhas, redução da nodulação e o baixo desenvolvimento e amarelecimento geral.

Níquel (Ni)

Importante constituinte da nitrogenase, o fornecimento do níquel tem ganhado destaque em pesquisas científicas nos últimos anos devido a sua importância no aumento da eficiência da FBN.

Durante o processo de fixação do nitrogênio, subprodutos como H2 são liberados e tornam-se livres nos nódulos, o que pode levar à competição com o N2 pela nitrogenase, pois esta possui sítios de ligação capazes de receber tanto N2 quanto o H2.

Porém, a competição entre as moléculas pela nitrogenase pode reduzir a eficiência da FBN, levando à inativação e paralisação do processo.

Assim, para evitar essa competição, a hidrogenase (enzima composta por dois átomos de Ni) leva à hidrogenação do H2 de maneira que o produto seja dois H+, utilizados posteriormente como fonte de energia pela nitrogenase.

deficiência de Níquel em folhas de soja
Figura 3. Sintomas de deficiência de níquel em trifólios de soja. Fonte: Eskew et al. (1983).

Além da participação na nitrogenase, o níquel também é importante constituinte da urease, enzima diretamente relacionada ao metabolismo do N nas plantas.

Participando da conversão da ureia em amônia (NH3), a deficiência do nutriente impede a conversão para amônia e leva ao acúmulo de ureia, causando manchas necróticas e afetando o metabolismo de ureídeos e aminoácidos.

Apesar da semelhança com os demais nutrientes, alguns sintomas podem ajudar na identificação da deficiência, como redução no tamanho e alteração no formato das folhas, queima e necrose na ponta das folhas, folhas cloróticas, encurvadas e enrugadas.

Disponibilidade, época de aplicação e principais fontes de fertilizantes

Devido à atuação no metabolismo do nitrogênio na soja, a aplicação de molibdênio, cobalto e níquel, pode ser realizada de forma conjunta ou individual.

No entanto, algumas condições como por exemplo o pH do solo, exercem influência na disponibilidade destes às plantas. A absorção de Co e Ni é favorecida em solos de pH ácidos, enquanto em ambientes alcalinos o Mo se torna mais disponível.

O cobalto é absorvido pelas plantas como íon Co+2, com adsorção específica e precipitação em solos alcalinos, e como consequência seu teor na solução do solo é reduzido. Logo, a calagem é uma prática que tende a reduzir a disponibilidade de Co.

O molibdênio, por sua vez, torna-se mais disponível na solução do solo em condições alcalinas. Presente na forma de molibdato, o nutriente tem sua absorção pelas plantas limitada, pois o molibdato é um ânion sujeito a adsorção por óxidos de ferro (Fe) e alumínio (Al).

Além disso, a absorção de Mo pelas plantas também é reduzida na adição de fertilizantes com SO4-2, pois ambos competem pelo mesmo sítio de absorção nas raízes.

Para o Ni, em condições de pH<6,5 os compostos de Ni do solo tornam-se relativamente solúveis, enquanto para pH>6,7 o nutriente pode ser encontrado na forma de hidróxidos insolúveis, o que reduz a disponibilidade para a cultura.

Assim, trabalhar em uma faixa ótima de pH é essencial para o equilíbrio na disponibilidade de nutrientes. Práticas como a calagem podem ajudar na elevação da alcalinidade e favorecer a absorção de determinados nutrientes pelas plantas.

Qual o momento de aplicação para cada nutriente?

A aplicação dos nutrientes pode ser realizada no sulco de plantio, tratamento de sementes (TS), via foliar, ou ainda em mais de um momento.

Recomendações da Embrapa sugerem o uso de doses de 2 a 3 g ha-1 de Co e 12 a 30 g ha-1 de Mo, aplicadas no TS ou nos estádios V3-V5 quando foliar.

Para a cultura da soja, o Boletim 100 (Instituto Agronômico de Campinas) recomenda a aplicação de 50 g ha-1 de Mo nas sementes e 3 a 5 g ha-1 de Co, complementando com 30 g ha-1 Mo até o florescimento. Se não aplicado nas sementes, aplicar 250 g ha-1 de molibdato de sódio ou amônio até os 30 dias após emergência.

Estudo de Delfim et al. (2025) com adubação de Co e Mo observou aumento de produtividade entre 9,8% e 15,4% nas cultivares utilizadas, com aplicação entre os estádios V3 e V5. No TS, o uso de Co e Mo também aumentou a produtividade em estudo realizado por Dourado Neto et al. (2012) quando comparado com a testemunha.

Para níquel, não existem recomendações oficiais, sendo necessária a consulta de um engenheiro agrônomo para orientação. No entanto, os benefícios da aplicação foram observados em estudo de Rodak et al. (2024), o qual comparou diferentes métodos de aplicação do nutriente.

Neste estudo, Rodak et al. (2024) utilizou sulfato de níquel nas doses de 2,5 g ha-1 no tratamento de sementes, 20 g ha-1 para aplicação foliar e 1 kg ha-1 para adubação no solo. O experimento foi conduzido em campo nos municípios de Chapadão do Sul – MS e Presidente Bernardes – SP.

efeitos da aplicação de níquel em plantas de soja em diferentes regiões no Brasil
Figura 4. Efeitos dos diferentes métodos de aplicação de níquel em plantas de soja sob diferentes regiões edafoclimáticas. Fonte: Rodak et al. (2024).

Avaliando o uso conjunto de cobalto, molibdênio e níquel em diferentes momentos de aplicação, Milleo et al. (2009) também encontraram respostas positivas em produtividade, com o melhor resultado observado em dois momentos de aplicação de Co + Mo + Ni, no TS + AF (V5).

Tabela 1. Aplicação de cobalto, molibdênio e níquel em diferentes estádios de desenvolvimento da soja

TratamentosDoses (mL/ha)Modo de aplicaçãoProdutividade (kg/ha)
Testemunha––2.887 d
Co + Mo200TS3.854 c
Co + Mo200Aplicação foliar (V5)3.808 c
Co + Mo100 (2 aplicações)TS + AF (V5)4.076 b
Co + Mo + Ni200TS4.209 b
Co + Mo + Ni200Aplicação foliar (V5)4.269 b
Co + Mo + Ni100 (2 aplicações)TS + AF (V5)4.441 a
CV (%)3,39
Fonte: Milleo, Casarin e Sá (2009).

A divisão das doses de Co + Mo em dois momentos também foi benéfica se comparada à aplicação única, com a produtividade superando 4 ton/ha. O estudo considerou doses de 28 g Mo ha-1, 2,8 g Co ha-1 e 2,8 g Ni ha-1, frequentemente adotadas pelo produtor.

Entretanto, quando aplicados no tratamento de sementes junto às bactérias fixadoras de nitrogênio inoculadas, tais micronutrientes podem interagir de forma antagônica com os microrganismos e reduzir a sobrevivência, prejudicando a FBN e a produtividade.

Assim, o parcelamento da aplicação em momentos diferentes reduz o prejuízo às bactérias e favorece a fixação de N.

Além da produtividade, pesquisadores têm estudado o uso de molibdênio e cobalto no enriquecimento de sementes como alternativa ao tratamento de sementes e aplicações foliares para o fornecimento dos nutrientes.

O incremento de proteína e óleo também tem sido discutido. Estudo de Moreira et al. (2024) conduzido nos municípios de Londrina-PR e Selvíria-MS, observou incremento no teor de proteína e produtividade para duas cultivares de soja, quando submetidas à aplicação de molibdênio em R1-R2 da cultura.

Principais fontes de fertilizantes

Diversos produtos formulados podem ser encontrados no mercado já com os três nutrientes: cobalto, molibdênio e níquel. Nestes, as doses de cada um podem variar de acordo com a recomendação de bula do fabricante.

Uma alternativa que permite a flexibilização das doses, é o uso de matérias-primas como fonte dos nutrientes pelo produtor, ficando a critério deste as doses utilizadas.

A seguir seguem algumas matérias-primas que podem ser utilizadas para prevenção e correção de deficiência dos micronutrientes.

Tabela 2. Fontes de fertilizantes de cobalto, molibdênio e níquel

NutrienteFonte/CompostoTeor do nutriente
Molibdênio (Mo)Molibdato de amônio52% Mo
 Molibdato de sódio39% Mo
 Molibdato de potássio28% Mo
Cobalto (Co)Sulfato de cobalto20 % Co
 Cloreto de cobalto34% Co
Níquel (Ni)Carbonato de níquel39% Ni
 Sulfato de níquel19% Ni
Fonte: Ministério da Agricultura, pecuária e abastecimento (2018).

Estratégias de manejo do CoMoNi na soja

Para o manejo adequado dos micronutrientes fatores como época de aplicação e doses dos fertilizantes são essenciais. A partir disso, o produtor pode optar pela aplicação no tratamento de sementes, foliar, sulco de plantio ou o parcelamento da dose em mais de um momento de aplicação.

A disponibilidade de equipamentos, mão de obra e características de cada propriedade são de suma importância para tomada de decisão. A seguir listamos algumas características de cada estratégia de aplicação dos micronutrientes.

  • Tratamento de sementes: Eficaz quando a aplicação é uniforme e sem danos às sementes. No entanto, devido ao operacional pode ser inviável em grandes áreas se realizado na propriedade, além de reduzir a sobrevivência dos microrganismos inoculados.
  • Sulco de plantio: Aplicação no sulco durante a semeadura, de forma que o produto fique próximo à semente. Pode ser compatível também com outros produtos como biológicos e fungicidas.
  • Via foliar: Rápida absorção dos nutrientes pelas plantas, não prejudica a FBN e pode ser realizada com outros manejos nutricionais. A pulverização deve ser uniforme, em boas condições climáticas e os fertilizantes compatíveis com os demais produtos misturados na mesma calda.
  • Aplicação parcelada em TS e foliar: Com benefícios comprovados em relação à dose única, o parcelamento reduz a interação antagônica dos fertilizantes com os microrganismos e permite a rápida absorção pela planta via folha.

Na soja, a nodulação é intensificada a partir dos estádios V4 e V5, com aumento no número e tamanho dos nódulos, atingindo o pico do crescimento dos nódulos na fase de florescimento entre os estádios R1 e R2.

soja em v4
Figura 5. Planta de soja em estádio V4. Fonte: Silva, Alexandre (2025).

Transformações como estas e a variação na demanda por nutrientes, justificam a recomendação das épocas de aplicação dos nutrientes por instituições como a Embrapa e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC).

É importante ressaltar que a adubação com estes micronutrientes deve ser combinada com práticas como a inoculação das sementes com bactérias do gênero Bradyrhizobium, aumentando a população destas no solo e melhorando a eficiência da FBN.

Além da nutrição, nutrientes como o níquel podem ajudar na proteção ao ataque de doenças. A aplicação de 60 g ha-1 de Ni reduziu a severidade da ferrugem asiática em 35% em estudo conduzido por Einhardt et al. (2020), sendo associado à potencialização de mecanismos de defesa das plantas.

ferrugem asiática da soja em folhas com aplicação de Ni + controle
Figura 6. Sintomas de ferrugem asiática da soja em folhas sem (controle) e com aplicação de Ni via folha. Fonte: Einhardt et al. 2020.

Uso de fertilizantes nitrogenados para o “arranque” inicial da soja

O solo é uma das principais fontes de N para as culturas. Porém, no Brasil o cultivo é realizado em solos com baixo fornecimento do nutriente e em condições subótimas para o processo de fixação biológica.

Sendo assim, dúvidas sobre a necessidade de fornecer N via fertilizantes têm sido frequentes, especialmente considerando o fato de que a demanda da soja por nitrogênio é alta.

Trabalho de Pierozan Junior (2016) conduzido nos municípios de Primavera do Leste – MT e Taquarituba – SP com diferentes doses de N (0, 20, 40, 80 e 120 kg ha-1), com uso de ureia incorporada ao solo não apresentou diferença estatística no incremento da produtividade.

O fertilizante foi aplicado em momentos distintos da cultura, nas fases VE e R3, conforme apresentado na tabela abaixo.

produtividade de grãos de soja
Figura 7. Produtividade de grãos de soja submetida a doses e épocas de fertilização nitrogenada em Primavera do Leste – MT e Taquarituba – SP. Fonte: Pierozan Junior (2016).

No mesmo trabalho, a FBN foi prejudicada com aplicação de 120 kgs N ha-1, com redução de 15% se comparado ao tratamento sem fertilizante.

Sendo assim, o uso de fertilizantes nitrogenados não impacta positivamente na produtividade e ainda prejudica a fixação biológica, o que reduz a sustentabilidade do cultivo e aumenta os custos de produção.

Portanto, proporcionar um ambiente favorável aos microrganismos envolvidos neste processo e fazer uso de micronutrientes é de suma importância para a produtividade da lavoura.

Conclusão

O uso de cobalto, molibdênio e níquel tem resultado em ganhos produtivos, por diferentes métodos de aplicação, seja através do tratamento de sementes, via foliar ou em ambas com o uso de doses parceladas.

Os ganhos com o fornecimento destes elementos pode ir além da produtividade, levando também a alterações nos teores de proteína e atuando na proteção de plantas.

A escolha da dose e momento de aplicação são fundamentais para incremento da produtividade, com estudos apresentando melhores resultados no parcelamento de doses, ao mesmo tempo em que as recomendações de doses divergem a depender da instituição.

O uso de fertilizantes nitrogenados não resulta em incremento de produtividade e pode prejudicar a FBN, levando a aumento dos custos e menor sustentabilidade da lavoura.

—

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Referências

Aegro. Cobalto e molibdênio na soja. Disponível em: https://aegro.com.br/blog/cobalto-e-molibdenio-na-soja/. Acesso em: 9 abr. 2026.

Agrolink. Cobalto nas plantas: tudo o que você precisa saber. Disponível em: https://www.agrolink.com.br/fertilizantes/nutrientes/cobalto-nas-plantas—tudo-o-que-voce-precisa-saber_469878.html. Acesso em: 9 abr. 2026.

Brasil. Ministério da agricultura, pecuária e abastecimento. Anexo I da instrução normativa nº 39, de 8 de agosto de 2018: especificações dos fertilizantes minerais. Brasília, 2018. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/insumos-agropecuarios/insumos-agricolas/fertilizantes/legislacao/anexo-i-in-39-2018-inclui-molibdenita-ustulada-15-01-20.pdf. Acesso em: 9 abr. 2026.

Delfim, J.; Moreira, A.; Moraes, L. A. C. Foliar application of molybdenum combined with cobalt affects leaf nitrogen concentration, grain yield, and yield components of soybean. Agronomy Journal, 2025.

Dourado neto, D. et al. Adubação mineral com cobalto e molibdênio na cultura da soja. Semina: Ciências Agrárias, v. 33, supl. 1, p. 2741–2752, 2012.

Einhardt, A. M. et al. Nickel potentiates soybean resistance against infection by phakopsora pachyrhizi. Plant Pathology, v. 69, p. 849–859, 2020.

Embrapa. Ciência amplia escopo da fixação biológica de nitrogênio no Brasil. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/98368676/ciencia-amplia-escopo-da-fixacao-biologica-de-nitrogenio-no-brasil. Acesso em: 9 abr. 2026.

Embrapa. Aplicação de micronutrientes nas sementes. Disponível em: https://www.embrapa.br/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/soja/producao/inoculacao-e-inoculante/aplicacao-de-micronutrientes-nas-sementes. Acesso em: 9 abr. 2026.

Eskew, D. L.; Welch, R. M.; Cary, E. E. Nickel: an essential micronutrient for legumes and possibly all higher plants. Science, v. 222, n. 4624, p. 621–623, 1983.

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Moreira, A. et al. Molybdenum and nickel foliar application on soybean yield and oil and protein contents. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 59, e03728, 2024.

Milléo, M. V. R. et al. Avaliação do uso do profol comol 10.1 e profol nicomo em tratamento de sementes e aplicação foliar sobre a cultura da soja. In: Congresso brasileiro de soja, 5., Goiânia. Resumos. Goiânia, 2009. p. 129.

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Oliveira, S. L. et al. Molybdenum foliar fertilization improves photosynthetic metabolism and grain yields of field-grown soybean and maize. Frontiers in Plant Science, v. 13, art. 887682, 2022.

Pierozan Junior, C. Eficiência da adubação nitrogenada no sistema solo-soja em ambiente tropical e subtropical. 2016. Tese (Doutorado) – Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2016.

Rodak, B. W. et al. A study on nickel application methods for optimizing soybean growth. Scientific Reports, v. 14, p. 10556, 2024.

Levy, C. Tese/dissertação. Piracicaba: Instituto agronômico de campinas, s.d. Disponível em: https://www.iac.sp.gov.br/areadoinstituto/posgraduacao/repositorio/storage/teses_dissertacoes/pb1206411.pdf. Acesso em: 9 abr. 2026.

Tezotto, T. et al. Nickel enhances daidzein biosynthesis in roots increasing nodulation, biological nitrogen fixation and seed yield of soybean plants. Environmental and Experimental Botany, v. 220, p. 105685, 2024.

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Sobre o autor:

Alexandre Silva

Alexandre Augusto da Silva

Mestrando em Fitotecnia (ESALQ/USP)

  • Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP)
  • alexandre_silva@usp.br
  • Perfil do Linkedin
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Como citar este artigo:

SILVA, A.A. Cobalto, molibdênio e níquel na soja: quando adubar e qual o ganho em produtividade? Blog Agroadvance. Publicado: 27 Abr. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-cobalto-molibdenio-e-niquel-na-soja-co-mo-ni/. Acesso: 27 abr. 2026.

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