A Diabrotica speciosa é um inseto-praga que pode causar danos às lavouras de soja e milho em diferentes fases do seu desenvolvimento. Na fase adulta, o besouro alimenta-se principalmente das folhas, enquanto as larvas atacam as raízes das plantas.
Na soja, os danos estão associados principalmente à alimentação dos adultos, com maior preocupação durante o estabelecimento da cultura. Já no milho, o ataque das larvas às raízes pode comprometer a absorção de água e nutrientes, prejudicar o desenvolvimento das plantas e favorecer o acamamento.
Devido às diferenças nos hábitos alimentares e nos danos provocados em cada fase, o manejo da Diabrotica speciosa exige monitoramento e estratégias de controle específicas.
O que é a vaquinha (Diabrotica speciosa)?
A Diabrotica speciosa é um besouro da família Chrysomelidae, conhecido popularmente como vaquinha, brasileirinho, patriota e vaquinha-verde-amarela. Sua fase larval recebe o nome de larva-alfinete, devido à aparência alongada e fina do corpo (Figura 1).

O inseto apresenta ampla distribuição geográfica, ocorrendo em todos os estados brasileiros e em diferentes regiões da América do Sul (Rosa, 2011).
Os adultos têm menos de 1 cm de comprimento, coloração verde brilhante, cabeça castanha e três manchas amarelas ovais em cada asa anterior endurecida, denominada élitro (Rosa, 2011).
As larvas possuem corpo alongado, coloração branco-leitosa, com as extremidades das pernas escuras, e podem atingir aproximadamente 1 cm de comprimento (Rosa, 2011). Diferentemente dos adultos, permanecem no solo, onde se alimentam principalmente de estruturas subterrâneas das plantas.
A espécie é considerada polífaga, ou seja, consegue utilizar diferentes plantas como alimento. Segundo Cabrera Walsh et al. (2020), os adultos foram registrados em mais de 132 espécies vegetais, pertencentes a 24 famílias botânicas.
Essa diversidade de hospedeiros favorece a permanência da praga nos sistemas agrícolas e dificulta seu manejo, especialmente em regiões com cultivos sucessivos.
Como diferenciar a Diabrotica speciosa de outras vaquinhas?
A identificação da espécie depende principalmente da coloração e do padrão das manchas presentes no corpo dos adultos. Embora diferentes besouros sejam conhecidos como vaquinhas, eles podem apresentar características e hábitos alimentares distintos.
Entre as espécies encontradas em sistemas agrícolas brasileiros, destacam-se Diabrotica speciosa e Cerotoma arcuata (Tabela 1).
Tabela 1. Comparação das características morfológicas, culturas associadas e danos causados por Diabrotica speciosa e Cerotoma arcuata
| Característica | Diabrotica speciosa | Cerotoma arcuata |
| Nome popular | Vaquinha-verde-amarela, brasileirinho, patriota | Vaquinha |
| Aparência do adulto | Corpo verde com três manchas amarelas em cada élitro | Corpo bege ou castanho-claro com manchas escuras |
| Culturas associadas | Milho, soja, feijão, batata e outras | Principalmente soja e feijão |
| Danos dos adultos | Perfurações nas folhas e consumo de tecidos vegetais | Desfolha e perfurações nas folhas |
| Danos das larvas | Alimentação em raízes, com destaque para o milho | Alimentação em raízes e nódulos de leguminosas |
Apesar das semelhanças, a diferenciação entre as espécies é importante para identificar corretamente os danos e selecionar estratégias de manejo adequadas.
Como é o ciclo de vida da vaquinha?
O ciclo de vida da Diabrotica speciosa apresenta quatro fases: ovo, larva, pupa e adulto (Figura 2). As fases imaturas desenvolvem-se no solo, enquanto os adultos vivem principalmente sobre a vegetação.

Após o acasalamento, as fêmeas depositam os ovos no solo, geralmente em locais com condições favoráveis de umidade e matéria orgânica. Em condições de temperatura próxima de 25°C, o período embrionário dura aproximadamente oito dias (Rosa, 2011).
Depois da eclosão, as larvas passam por três ínstares, que correspondem aos estágios de desenvolvimento entre as mudas do exoesqueleto. Durante esse período, alimentam-se das estruturas subterrâneas das plantas hospedeiras.
Ao completar o desenvolvimento larval, ocorre a formação da pupa no solo. Posteriormente, emerge o besouro adulto, que passa a se alimentar da parte aérea das plantas.
Uma característica importante da espécie é a ausência de diapausa nos ovos. A diapausa é um período de interrupção ou redução programada do desenvolvimento, que permite a sobrevivência de determinados insetos durante condições ambientais desfavoráveis.
Segundo Cabrera Walsh et al. (2020), a espécie pode apresentar aproximadamente três gerações anuais em regiões de clima temperado e cinco ou mais em condições subtropicais.
Como os adultos atravessam o inverno e utilizam diferentes hospedeiros (Cabrera Walsh et al., 2020), a praga consegue manter populações ao longo do ano em ambientes favoráveis.
Quais danos a vaquinha causa na soja?
Na soja, os principais danos da vaquinha são provocados pelos adultos, que se alimentam dos tecidos foliares, causando perfurações arredondadas ou irregulares nas folhas. Em infestações elevadas, essas lesões podem se unir, aumentando a desfolha e reduzindo a área disponível para a fotossíntese.
O ataque merece atenção especial durante os estádios iniciais da cultura, quando as plantas ainda estão em estabelecimento e possuem menor área foliar. Além das folhas, os adultos também podem consumir tecidos tenros e estruturas reprodutivas.
Entretanto, a intensidade dos prejuízos depende da população da praga, do estádio de desenvolvimento da soja e das condições de crescimento das plantas.
A presença da vaquinha na lavoura não significa, necessariamente, que haverá perdas de produtividade, pois a soja apresenta capacidade de compensar parte da desfolha, especialmente quando encontra condições favoráveis ao desenvolvimento (Bueno et al., 2010).
Por isso, a avaliação dos danos e o monitoramento da população da praga são fundamentais para determinar a necessidade de controle.
Além de Diabrotica speciosa, outra espécie de vaquinha encontrada na soja é Cerotoma arcuata, cujas larvas podem se alimentar dos nódulos radiculares, prejudicando a fixação biológica de nitrogênio em situações de ataque intenso (Yano et al., 2012). A identificação correta das espécies é importante, pois os danos podem variar conforme o inseto e sua fase de desenvolvimento.
O monitoramento dessas e de outras pragas da soja deve ser realizado ao longo do ciclo da cultura, considerando a presença dos insetos, os sintomas observados e a intensidade dos danos, para orientar as decisões de manejo.
Quais danos a larva-alfinete causa no milho?
No milho, os principais danos de Diabrotica speciosa são provocados pela larva-alfinete, que se alimenta das raízes e compromete o desenvolvimento do sistema radicular. O ataque pode destruir raízes finas e provocar lesões nas raízes maiores, prejudicando a absorção de água e nutrientes pelas plantas.
Em infestações elevadas, os danos às raízes também reduzem a sustentação das plantas, favorecendo o acamamento, especialmente sob a ação de ventos fortes.
Quando as plantas se inclinam e continuam crescendo em direção à luz, ocorre uma curvatura característica na base do colmo, conhecida como pescoço de ganso ou milho ajoelhado. Além desses sintomas, as plantas atacadas podem apresentar menor crescimento, redução do vigor e maior sensibilidade ao déficit hídrico.
A intensidade dos prejuízos depende da população de larvas, do estádio de desenvolvimento da cultura e das condições ambientais. Segundo Rosa (2011), em situações de alta infestação, as perdas podem superar 70%, embora os prejuízos associados à praga ainda não estivessem quantificados para as condições brasileiras na época da publicação. Portanto, esse percentual se refere a situações severas de ataque e não representa as perdas normalmente observadas nas lavouras.
Embora os danos mais importantes no milho sejam causados pelas larvas, os adultos também podem se alimentar das folhas jovens e dos estilo-estigmas, popularmente conhecidos como cabelos do milho.
Além da larva-alfinete, outras pragas podem comprometer o estabelecimento da cultura, como a lagarta-rosca (Agrotis ipsilon), que provoca o corte de plântulas próximo à superfície do solo. Por isso, o monitoramento deve considerar a ocorrência de diferentes pragas do milho e os danos associados a cada uma delas.
Que outras culturas a vaquinha ataca?
Além da soja e do milho, a Diabrotica speciosa pode atacar feijão, batata, amendoim, trigo, hortaliças e diferentes espécies de cucurbitáceas, como abóbora e pepino. O tipo de dano varia de acordo com a planta hospedeira e a fase do inseto.
Na batata, por exemplo, as larvas podem produzir perfurações nos tubérculos, comprometendo sua qualidade comercial. Já em hortaliças e outras culturas, os adultos causam danos principalmente nas folhas.
Entre os hospedeiros larvais confirmados estão milho, trigo, capim-massambará, amendoim e batata (Cabrera Walsh et al., 2020). Essa capacidade de utilizar diferentes espécies vegetais contribui para a sobrevivência da praga em áreas agrícolas diversificadas.
Como monitorar a vaquinha e quando controlar?
O monitoramento da vaquinha deve considerar tanto os adultos presentes na parte aérea quanto as larvas encontradas no solo. A avaliação da fase predominante é fundamental para escolher a estratégia de manejo.
Na soja, a amostragem pode ser realizada por inspeções visuais e avaliação da desfolha, observando-se a distribuição dos insetos e a intensidade dos danos.
O nível de ação é a densidade da praga ou a intensidade de dano a partir da qual o controle é recomendado para evitar perdas econômicas. De acordo com Bueno et al. (2010), os níveis de ação para insetos desfolhadores da soja, grupo no qual a vaquinha se inclui, são:
- 30% de desfolha: durante o desenvolvimento vegetativo;
- 15% de desfolha: durante o desenvolvimento reprodutivo.
A decisão de controle deve considerar a porcentagem de desfolha, o estádio da cultura e a presença de insetos ativos. No milho, o monitoramento exige atenção especial às raízes e aos sintomas apresentados pelas plantas.
A presença de plantas inclinadas, crescimento irregular e danos radiculares pode indicar a ocorrência de larva-alfinete. Entretanto, esses sintomas precisam ser associados à identificação das larvas, pois outros fatores também podem comprometer o sistema radicular. A inspeção do solo e das raízes permite avaliar a presença da praga e a intensidade das lesões.
No milho, a decisão de controle da larva-alfinete deve considerar o histórico de ocorrência da praga na área, a intensidade da infestação e os danos observados nas plantas, sempre com orientação técnica.
O monitoramento contínuo é um dos fundamentos do Manejo Integrado de Pragas (MIP), que busca combinar diferentes estratégias de controle e reduzir intervenções desnecessárias.
Quais métodos controlam a vaquinha?
O controle envolve diferentes estratégias, que devem ser selecionadas conforme a fase do inseto, a cultura e as condições de infestação. O manejo pode incluir controle químico, milho Bt com atividade sobre larvas, agentes biológicos e métodos baseados na atração dos adultos (Tabela 2).
Tabela 2. Principais métodos de controle de Diabrotica speciosa, fases do inseto atingidas, resultados de pesquisas e limitações de cada estratégia. Fonte: Adaptado de Cabrera Walsh et al. (2020) e Viana et al. (2010).
| Método de controle | Fase-alvo | O que a pesquisa indica | Principais limitações |
| Inseticidas foliares | Adultos | Podem reduzir populações na parte aérea | Dependem de registro, monitoramento e aplicação adequada |
| Tratamento de sementes | Larvas | Resultados inconsistentes para larva-alfinete no milho | Proteção variável do sistema radicular |
| Aplicação no sulco | Larvas | Resultados superiores aos do tratamento de sementes em estudos avaliados | Eficiência depende da tecnologia e das condições de aplicação |
| Milho Bt com atividade específica | Larvas | Proteínas como Cry3Bb1 demonstraram proteção radicular em estudos | Depende da tecnologia e exige manejo de resistência |
| Controle biológico | Larvas e adultos | Fungos, nematoides e parasitoides apresentam potencial de controle | Resultados dependem do organismo e das condições de campo |
| Iscas e armadilhas | Adultos | Podem atrair e concentrar insetos para captura ou controle localizado | Atratividade variável e necessidade de validação operacional |
Como funciona o controle químico da vaquinha?
O controle químico da Diabrotica speciosa pode ser direcionado aos adultos ou às larvas, dependendo do produto utilizado e da forma de aplicação. Para os adultos, podem ser realizadas aplicações foliares quando o monitoramento indicar a necessidade de controle. Já no milho, o manejo das larvas pode envolver o tratamento de sementes e a aplicação de inseticidas no sulco de semeadura.
Entretanto, essas estratégias apresentam diferenças de eficiência. Segundo Cabrera Walsh et al. (2020), o tratamento de sementes apresentou resultados inconsistentes no controle da larva-alfinete no milho, enquanto as aplicações líquidas no sulco foram mais eficientes nos estudos analisados. Essa diferença pode estar relacionada à distribuição do inseticida na região das raízes e ao contato das larvas com o produto.
Outro aspecto importante é o risco de desenvolvimento de resistência aos inseticidas, que pode ser favorecido pelo uso frequente de produtos com o mesmo mecanismo de ação. Cabrera Walsh et al. (2020) destacaram que, até a publicação de sua revisão, não havia estudos documentando resistência de D. speciosa a inseticidas na América do Sul. No entanto, a ausência desses registros não elimina a possibilidade de seleção de populações resistentes.
Por isso, o controle químico deve ser integrado a outras estratégias de manejo, considerando o monitoramento da praga e a utilização de produtos registrados para a cultura e o alvo biológico. Os registros podem ser consultados no Agrofit, sistema oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária, e a escolha do produto e da modalidade de aplicação deve seguir a orientação de um engenheiro agrônomo.
Qual milho Bt protege contra a larva-alfinete?
Determinadas tecnologias de milho Bt podem proteger as plantas contra larvas de Diabrotica speciosa, desde que expressem proteínas inseticidas com atividade sobre essa espécie. O milho Bt é geneticamente modificado para produzir proteínas derivadas da bactéria Bacillus thuringiensis, capazes de controlar determinados grupos de insetos.
Entretanto, nem todas as tecnologias Bt oferecem proteção contra pragas que atacam as raízes. Entre as proteínas utilizadas para esse fim, destaca-se a Cry3Bb1, presente em eventos de milho geneticamente modificado aprovados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). No Brasil, esses eventos incluem o MON 88017, autorizado em 2010, e sua combinação com o MON 89034, aprovada em 2011 (BRASIL, 2011). Em lavouras brasileiras, o milho com Cry3Bb1 manteve o dano às raízes abaixo do nível de dano econômico e produziu de 2% a 5% mais que o milho suscetível da mesma variedade (Cabrera Walsh et al., 2020).
A tecnologia VT PRO3 combina proteção contra determinadas pragas da parte aérea e do sistema radicular do milho. Sua presença no mercado brasileiro na safra 2025/2026 é evidenciada pelo catálogo comercial da LG Sementes, que apresenta os híbridos LG 36790, LG 36770 e LG 36680 com essa biotecnologia. A tecnologia é comercializada sob licença de uma empresa do Grupo Bayer, que também apresenta híbridos com VT PRO3 em seu portfólio comercial (LG SEMENTES, 2025; BAYER, 2026). Entretanto, a disponibilidade dos híbridos pode variar conforme a região e a safra.
Apesar dos benefícios, o uso do milho Bt deve estar associado a práticas de manejo da resistência, incluindo a adoção de áreas de refúgio. Essas áreas são cultivadas com plantas que não expressam as mesmas proteínas inseticidas da tecnologia utilizada, contribuindo para reduzir a velocidade de seleção de insetos resistentes.
O controle biológico funciona contra a vaquinha?
O controle biológico apresenta potencial para o manejo de Diabrotica speciosa, principalmente por meio da utilização de fungos entomopatogênicos, nematoides e parasitoides, que podem atuar em diferentes fases do desenvolvimento da praga.
Os fungos entomopatogênicos são microrganismos capazes de infectar e causar a morte de insetos. Entre os agentes estudados para o controle da vaquinha estão Beauveria bassiana e espécies do gênero Metarhizium.
Segundo Cabrera Walsh et al. (2020), o tratamento de sementes de feijão com a linhagem ESALQ PL63 de Beauveria bassiana reduziu a desfolha provocada pelos adultos de D. speciosa por mais de três semanas, nas condições avaliadas.
Outra alternativa estudada envolve os nematoides entomopatogênicos, como espécies dos gêneros Heterorhabditis e Steinernema. Esses organismos podem penetrar no corpo dos insetos e, em associação com bactérias, provocar sua morte.
Estudos apresentados por Cabrera Walsh et al. (2020) demonstraram mortalidade de larvas e pupas de D. speciosa, enquanto os ovos não foram afetados.
Os parasitoides também atuam como inimigos naturais da vaquinha. Esses organismos se desenvolvem associados a um hospedeiro, provocando sua morte ao longo do processo. Entre as espécies registradas estão Celatoria bosqi e Centistes gasseni, com taxas de parasitismo natural variando de 1% a 28%, raramente superiores a 30% (Cabrera Walsh et al., 2020). Os autores consideram, porém, que o controle exercido por esses parasitoides é pequeno e ocorre principalmente no fim da safra, quando boa parte do dano já aconteceu, e que eles não se prestam a liberações em massa.
Embora os resultados demonstrem o potencial desses agentes, sua utilização no manejo da praga depende da eficiência em condições de campo, da disponibilidade de produtos registrados e da compatibilidade com outras estratégias de controle.
Como funcionam as iscas com cucurbitacina e as plantas atrativas?
As iscas à base de cucurbitacina podem ser utilizadas para atrair adultos de Diabrotica speciosa, explorando seu comportamento alimentar.
As cucurbitacinas são compostos naturais encontrados em determinadas plantas, especialmente da família Cucurbitaceae, que estimulam a alimentação de alguns besouros. Espécies vegetais como taiuiá, porongo e abóbora são usadas nessas estratégias de atração, mas a resposta varia: no experimento de Viana et al. (2010) no milho, as iscas com raiz de taiuiá capturaram poucos adultos, sem diferença em relação às armadilhas sem isca.
A eficiência das iscas pode variar conforme o comportamento dos insetos e as condições de utilização. Segundo Cabrera Walsh et al. (2020), em condições experimentais, apenas os machos de D. speciosa foram atraídos pela cucurbitacina a distâncias próximas de 20 metros, enquanto as fêmeas responderam de forma mais fraca. Ainda assim, iscas tóxicas com cucurbitacina distribuídas de forma dispersa na área atingiram machos e fêmeas e promoveram controle sem efeitos significativos sobre organismos não-alvo (Cabrera Walsh et al., 2020).
Além das iscas vegetais, armadilhas com feromônios sexuais também têm sido estudadas para a captura da vaquinha. Os feromônios são substâncias químicas utilizadas pelos insetos para a comunicação entre indivíduos da mesma espécie. Em um experimento realizado na cultura do milho, Viana et al. (2010) registraram a captura de 328 adultos em armadilhas com feromônio, enquanto aquelas com iscas de abóbora capturaram 143 indivíduos.
Esses resultados demonstram o potencial das iscas e armadilhas como ferramentas complementares no manejo de D. speciosa. Entretanto, sua utilização deve considerar as condições de campo, uma vez que a captura de adultos não significa, necessariamente, redução dos danos econômicos à cultura.
Por que a rotação de culturas não resolve a vaquinha?
A rotação de culturas, quando utilizada isoladamente, apresenta limitações no controle de Diabrotica speciosa. Isso ocorre porque a espécie é polífaga, ou seja, consegue se alimentar de diferentes plantas cultivadas e espontâneas, especialmente na fase adulta.
Essa diversidade de hospedeiros favorece sua permanência nas áreas agrícolas, mesmo com a alternância de culturas.
Outro fator importante é a ausência de diapausa nos ovos, característica que permite a continuidade do desenvolvimento do inseto em condições ambientais favoráveis.
Segundo Cabrera Walsh et al. (2020), esses aspectos reduzem a eficiência da rotação de culturas como estratégia isolada, diferentemente do que ocorre com algumas espécies de Diabrotica encontradas em regiões temperadas.
Além da rotação, a época de semeadura pode influenciar a exposição das plantas ao ataque. Em regiões temperadas, a antecipação da semeadura do milho foi estudada como alternativa para reduzir a coincidência entre as fases mais sensíveis da cultura e os períodos de maior atividade da praga (Cabrera Walsh et al., 2020).
Entretanto, os resultados dessa estratégia dependem das condições regionais e não podem ser generalizados para todas as áreas de cultivo.
Dessa forma, a rotação de culturas deve ser considerada uma prática complementar no Manejo Integrado de Pragas (MIP), associada ao monitoramento, ao histórico de infestação da área e à combinação de diferentes métodos de controle.
Perguntas frequentes sobre Diabrotica speciosa
A vaquinha e a larva-alfinete são o mesmo inseto?
Sim. A vaquinha e a larva-alfinete correspondem a fases diferentes do desenvolvimento de Diabrotica speciosa. A larva-alfinete vive no solo e se alimenta principalmente de raízes, enquanto o adulto é um besouro verde com manchas amarelas que consome folhas e outros tecidos vegetais. Ambas as fases podem causar danos agrícolas.
O milho Bt controla a larva-alfinete?
Algumas tecnologias de milho Bt que expressam proteínas específicas, como Cry3Bb1, apresentaram eficiência contra larvas de Diabrotica speciosa em pesquisas. Entretanto, nem todo milho Bt controla essa praga. A proteção depende da proteína expressa, da suscetibilidade do inseto e das condições de cultivo, sendo necessário adotar práticas de manejo da resistência.
O tratamento de sementes controla a larva-alfinete?
O tratamento de sementes pode apresentar efeito sobre pragas de solo, mas sua eficiência contra a larva-alfinete no milho tem sido inconsistente. Estudos revisados por Cabrera Walsh et al. (2020) indicaram resultados superiores com aplicações líquidas no sulco. A escolha do método depende dos produtos registrados e da avaliação agronômica.
Existe controle biológico registrado para Diabrotica speciosa?
Sim. Cabrera Walsh et al. (2020) relataram, entre os produtos registrados no Brasil para Diabrotica speciosa, quatro à base do fungo Beauveria bassiana e um à base do nematoide Heterorhabditis bacteriophora. Atualmente, são seis produtos indicados para a praga, sendo cinco à base do fungo B. bassiana e um à base do nematoide H. bacteriophora (Agrofit). Como os registros podem mudar, é importante verificar a indicação de uso para cada cultura.
A vaquinha transmite vírus para as plantas?
A Diabrotica speciosa é mencionada na literatura como potencial transmissora de patógenos vegetais, incluindo vírus. Entretanto, a identificação dos vírus efetivamente transmitidos, das culturas hospedeiras e da importância epidemiológica dessa transmissão exige evidências específicas. Os danos mais diretamente associados à espécie são a desfolha pelos adultos e a alimentação radicular pelas larvas.
Conclusão
O manejo da Diabrotica speciosa depende da identificação correta da praga, do reconhecimento dos danos provocados por adultos e larvas e do monitoramento das lavouras.
A combinação de métodos químicos, biológicos, culturais e biotecnológicos, quando tecnicamente indicada, contribui para um manejo mais eficiente e para a redução dos riscos de perdas na soja e no milho.
O conhecimento sobre o comportamento das pragas e as tecnologias disponíveis é fundamental para decisões agronômicas mais precisas. A Pós-graduação em Soja e Milho da AgroAdvance oferece oportunidades de aprofundamento em produção, fitossanidade e manejo dessas culturas.
Referências
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Sobre a autora:

Ana Rita Nunes Lemes
Pesquisadora
- Mestra e Doutora em Genética e Melhoramento de Plantas (UNESP/Jaboticabal)
- Engenheira Agrônoma (UNESP/Jaboticabal)
Como citar este artigo
LEMES, A.R.N. Vaquinha (Diabrotica speciosa): danos e controle na lavoura. Blog Agroadvance. Publicado em: 05 Nov. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-vaquinha-diabrotica-speciosa/. Data de acesso: 05 nov. 2026.



