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Principais pragas da cana-de-açúcar e como fazer o controle eficiente no canavial

Conheça as principais pragas da cana-de-açúcar, como broca, cigarrinha e bicudo, e aprenda estratégias de controle eficiente para reduzir perdas e aumentar a produtividade da lavoura.
  • Publicado em 10/04/2026
  • Ana Rita Nunes Lemes
  • Cana-de-açúcar, Fitossanitários
  • Publicado em 10/04/2026
  • Ana Rita Nunes Lemes
  • Cana-de-açúcar, Fitossanitários
  • Atualizado em 09/04/2026
Principais Pragas da Cana-de-açúcar
Sumário

A cana-de-açúcar tem papel fundamental no agronegócio brasileiro, sendo a principal matéria-prima para a produção de açúcar, etanol e diversos outros produtos que movimentam a economia nacional.

O Brasil lidera a produção mundial dessa cultura, respondendo por mais de 40% da safra global, segundo dados da Conab e do IBGE (2025). Para a safra 2025/2026, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção de 663,4 milhões de toneladas.

Apesar desse destaque, alcançar bons resultados no campo exige atenção a diversos fatores que influenciam o desenvolvimento e a produtividade do canavial. Entre esses fatores, os insetos-praga se destacam como uma das principais ameaças à cultura. Quando não são identificados e controlados de forma adequada, podem provocar danos significativos às plantas e causar prejuízos expressivos ao produtor.

Essas pragas atacam diferentes partes da cana-de-açúcar, como raízes, colmos e folhas, comprometendo o crescimento, a absorção de nutrientes e o desenvolvimento saudável da lavoura. Neste artigo, você vai conhecer as principais pragas da cana-de-açúcar e entender como realizar um controle eficiente, adotando estratégias de manejo que contribuem para proteger o canavial, reduzir perdas e aumentar a produtividade no campo.

Importância do manejo de pragas na cultura da cana-de-açúcar

O manejo de pragas é uma prática essencial para garantir a produtividade e a longevidade do canavial. Por se tratar de uma cultura semiperene, a cana-de-açúcar permanece no campo por vários ciclos, o que favorece o aumento gradual da pressão de pragas quando não há monitoramento e controle eficientes.

Sem o manejo adequado, as pragas podem comprometer diferentes fases do desenvolvimento da planta, causando danos às raízes, aos colmos e às folhas.

Esses ataques afetam diretamente o crescimento da cultura, reduzem a absorção de água e nutrientes e prejudicam o acúmulo de sacarose, impactando tanto a produtividade quanto a qualidade da matéria-prima.

Em situações de maior infestação, os prejuízos se tornam ainda mais evidentes: podem ocorrer falhas no canavial, redução no número de perfilhos e enfraquecimento das plantas. Como consequência, a lavoura fica mais suscetível a doenças e a outros estresses ambientais, agravando ainda mais as perdas.

Outro ponto crítico é o timing do controle. Intervenções tardias costumam exigir medidas mais intensas e onerosas, elevando significativamente os custos de produção.

Estima-se que as perdas anuais causadas por pragas na cultura da cana-de-açúcar cheguem a cerca de R$ 8 bilhões — um número que reforça a importância de estratégias preventivas e bem planejadas.

Nesse contexto, o manejo integrado de pragas (MIP) se destaca como a abordagem mais eficiente e sustentável. A combinação de monitoramento frequente, identificação correta das pragas e adoção de métodos de controle — biológicos, culturais e químicos — permite manter as populações em níveis abaixo do dano econômico.

Com isso, o produtor não apenas protege o canavial, mas também otimiza os custos de manejo e garante maior estabilidade e previsibilidade na produção ao longo das safras.

Principais pragas da cana-de-açúcar

A cana-de-açúcar está sujeita ao ataque de diversos insetos-praga que podem comprometer o desenvolvimento da lavoura e reduzir significativamente a produtividade (Figura 1).

insetos praga da cana-de-açúcar
  Figura 1. Principais insetos-praga da cana-de-açúcar: A – Diatraea saccharalis. B – Mahanarva fimbriolata. C – Sphenophorus levis. D – Telchin licus.

Infestações causadas por pragas como a broca-da-cana, o bicudo-da-cana e os cupins podem reduzir a produção em até 20% quando não são manejadas corretamente e no momento adequado.

O estado de São Paulo é responsável por cerca de metade da produção nacional de cana-de-açúcar, enquanto aproximadamente 30% concentram-se na região Nordeste e os 20% restantes distribuem-se entre o Centro-Oeste e o Paraná.

Estima-se que, no mínimo, 5% dos custos de produção de açúcar e etanol estejam relacionados à ocorrência de pragas, com destaque para a broca-da-cana, as cigarrinhas-da-raiz e o Sphenophorus levis.

O manejo desses insetos-praga requer monitoramento constante, adoção de estratégias de controle biológico e a implementação de práticas agrícolas adequadas, visando reduzir perdas e aumentar a eficiência produtiva da cultura.

Neste artigo, serão apresentadas as principais pragas da cana-de-açúcar, destacando aspectos relacionados à sua identificação, aos danos e sintomas causados nas plantas, aos métodos de monitoramento e às estratégias de controle mais recomendadas.

Broca-da-cana (Diatraea saccharalis)

A broca-da-cana é uma das pragas mais conhecidas e amplamente distribuídas na cultura da cana-de-açúcar.

O inseto adulto é uma mariposa de coloração palha, com asas amareladas e envergadura de aproximadamente 2 a 3 cm. No entanto, quem realmente causa prejuízo à lavoura são as lagartas, que possuem coloração clara e cabeça marrom.

Após a eclosão, as lagartas penetram no interior do colmo da planta, onde escavam galerias internas. Esse processo compromete o transporte de água e nutrientes, enfraquece a estrutura da planta e pode reduzir significativamente o desenvolvimento da cana.

Entre os principais sinais de ataque da broca-da-cana estão:

  • Orifícios nos colmos
  • Presença de serragem (excrementos das lagartas) próxima às perfurações
  • Redução no crescimento da planta
  • Quebra ou tombamento de colmos
  • Maior incidência de podridões

Além dos danos diretos, as perfurações feitas pelas lagartas facilitam a entrada de fungos e bactérias, o que pode comprometer ainda mais a qualidade industrial da cana-de-açúcar.

Por isso, o monitoramento da lavoura é fundamental. Ele pode ser realizado por meio da amostragem de colmos para verificar a presença de galerias, da avaliação da porcentagem de entrenós broqueados e da observação de ovos e lagartas nas folhas.

Na prática, a amostragem deve ser realizada em talhões homogêneos, selecionando-se pontos aleatórios (por exemplo, 5 a 10 pontos por área), onde se avaliam de 10 a 20 colmos consecutivos, abrindo-os para verificar galerias e presença da praga.

Após realizar a coleta, determine a Intensidade de Infestação (IF). Para isso, faça a contagem do total de internódios (gomos) e também daqueles que apresentam ataque, aplicando a seguinte expressão:

IF (%) = (quantidade de internódios atacados / quantidade total de internódios) × 100

Nível de ação: quando a Intensidade de Infestação (IF) atingir ou ultrapassar 3%, recomenda-se iniciar as medidas de controle.

Realize o monitoramento entre 2 e 4 meses após o plantio, no caso da cana-planta, ou no mesmo intervalo após a colheita anterior, para a cana-soca. Para o manejo deste inseto-praga, algumas estratégias são amplamente utilizadas. Entre elas, destaca-se o controle biológico com a liberação da vespa parasitoide Cotesia flavipes (Figura 2), que ajuda a reduzir a população da praga.

Cotesia flavipes parasitando lagarta
  Figura 2. Cotesia flavipes parasitando lagarta de Diatraea saccharalis. Fonte: Chb. 2020.

Além disso, o uso de variedades mais tolerantes, o manejo adequado da lavoura e a eliminação de restos culturais contribuem para diminuir a infestação.

Cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata)

O adulto de cigarrinha-das-raízes é um inseto de coloração escura, com asas avermelhadas. No entanto, a fase que normalmente chama mais atenção no campo é a das ninfas, que vivem no solo protegidas por uma espuma característica (Figura 3).

Essa espuma é um dos principais sinais da presença da praga no canavial. As ninfas se alimentam sugando a seiva das raízes da planta, o que provoca enfraquecimento e compromete o desenvolvimento da cultura.

Espuma produzida pelas ninfas de cigarrinha das raízes
  Figura 3. As ninfas produzem uma espuma na base dos colmos e nas raízes superficiais. Fonte: Chb, 2020

Com o avanço da infestação, a lavoura pode apresentar diversos sintomas, entre os mais comuns:

  • Amarelecimento das folhas
  • Secamento e redução do crescimento das plantas
  • Falhas no canavial
  • Redução da produtividade
  • Aspecto de “queima” nas folhas

Para evitar prejuízos maiores, o monitoramento da área é fundamental. Esse acompanhamento pode ser feito por meio da avaliação da presença de espuma no solo, da contagem de ninfas por metro linear e da observação dos sintomas nas plantas.

Na prática, a amostragem deve ser realizada em talhões homogêneos, com a escolha de 5 a 10 pontos representativos, onde se avalia cerca de 1 metro linear de linha por ponto, removendo a palhada para observar a presença de ninfas e espuma característica.

Para acompanhar a presença de adultos, indica-se a utilização de armadilhas adesivas de cor amarela. As ninfas, por sua vez, podem ser avaliadas por meio da contagem do número de indivíduos por metro linear. Esse procedimento de monitoramento deve ser feito quinzenalmente.

Para definir o momento mais adequado para a adoção de medidas de controle, considere os seguintes parâmetros:

Nível de Controle (NC): entre 2 e 4 ninfas por metro linear e de 0,5 a 0,75 adulto por planta.

Nível de Dano Econômico (NDE): entre 10 e 15 ninfas por metro linear e 1 adulto por planta.

Esse monitoramento deve ser intensificado principalmente durante períodos quentes e úmidos, condições que favorecem o desenvolvimento e a multiplicação da praga.

Entre as principais estratégias de manejo estão o controle biológico com o fungo Metarhizium anisopliae, o manejo adequado da palhada no sistema de colheita mecanizada e o monitoramento constante da população da praga. Em situações de alta infestação, também pode ser necessário o uso de inseticidas, sempre seguindo critérios técnicos e recomendações agronômicas.

Bicudo da cana (Sphenophorus levis)

O bicudo é um besouro de coloração escura e corpo robusto, facilmente reconhecido pelo seu rostro característico, semelhante a um “bico”. As larvas, brancas e sem pernas, vivem no interior do solo, protegido pelo rizoma da cultura (motivo da principal dificuldade de controle da praga, que é difícil de ser atingida por produtos químicos ou biológicos) sendo as principais responsáveis pelos danos à cultura (Figura 4).

Ciclo biológico do bicudo
Figura 4. Ciclo biológico do bicudo: ovo, larva, pupa e adulto. Fonte: Chb, 2023.

Essas larvas atacam os rizomas e a base dos colmos, formando galerias que comprometem o sistema radicular e o desenvolvimento da planta. Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Falhas na brotação
  • Redução do número de plantas por área
  • Perfilhamento comprometido
  • Plantas enfraquecidas ou mortas

O monitoramento pode ser realizado por meio de armadilhas específicas para capturar os adultos, amostragem do solo para identificar larvas e avaliação das falhas na lavoura. O ideal seria realizar as amostragens em todos os ciclos, ou pelo menos após a colheita do primeiro corte (para ter o conhecimento de onde os níveis populacionais estão no início) e do penúltimo corte (para saber quais áreas são mais graves e precisam de reforma com mais urgência).

Na prática, o levantamento consta de dois pontos de amostragem por hectare. Em cada ponto, faz-se uma pequena cova de 0,5×0,5×0,3 m de profundidade.

As principais estratégias de manejo do bicudo da cana incluem:

  • Destruição de soqueiras infestadas para reduzir a população da praga na época seca do ano.
  • Deixar a área sem o hospedeiro da praga (que são a cana-de-açúcar e o milho) por um longo período de tempo (pelo menos 6 meses), devido ao longo ciclo de vida dos adultos.
  • Uso de mudas sadias e certificadas.
  • Aplicação de controle químico em áreas com alta infestação, seguindo critérios técnicos.
  • Manejo Integrado de Pragas (MIP), combinando diferentes métodos de controle.

Broca gigante (Telchin licus)

A broca gigante é uma mariposa de grande porte e coloração escura. Suas lagartas são robustas e podem atingir tamanho superior ao da broca comum, sendo as responsáveis pelos principais danos à lavoura (Figura 5).

Lagarta da broca gigante no colmo da cana-de-açúcar
Figura 5. Lagarta da broca gigante no colmo da cana-de-açúcar. Fonte: Elevagro, 2022.

Essas lagartas perfuram os colmos da cana, formando galerias amplas que enfraquecem a estrutura da planta e comprometem seu desenvolvimento. Entre os principais sintomas estão:

  • Orifícios grandes nos colmos
  • Presença de serragem próxima às perfurações
  • Redução do vigor das plantas
  • Quebra ou tombamento de colmos

O monitoramento da praga pode ser feito por meio da inspeção visual da lavoura, identificação de galerias e perfurações nos colmos e observação de plantas enfraquecidas.

As principais estratégias de controle incluem:

  • Eliminação de plantas infestadas para reduzir a população da praga
  • Manejo cultural adequado da lavoura
  • Monitoramento constante para detectar novas infestações
  • Uso de controle biológico e químico quando necessário, sempre seguindo critérios técnicos

Na prática, para realizar a amostragem e avaliar a intensidade do ataque, adotam-se cinco pontos por talhão (1 ha). Em cada ponto, correspondente a 2 metros lineares, contabiliza-se o número total de colmos nas touceiras e quantos apresentam danos. A partir dessas informações, determina-se o índice de infestação (I.I.), calculado pela fórmula: (número de colmos atacados / número total de colmos) × 100.

Outras pragas importantes da cana-de-açúcar

Além das pragas principais, outras espécies também podem causar prejuízos relevantes à cultura.

Broca dos rizomas: Ataca a região subterrânea da planta, formando galerias que prejudicam a absorção de água e nutrientes.

Migdolus (Migdolus fryanus): É um besouro cujas larvas vivem profundamente no solo e alimentam-se das raízes da cana, causando falhas na lavoura e morte de plantas.

Cupins: Esses insetos atacam raízes e colmos subterrâneos, especialmente em áreas com solos arenosos e em períodos de seca.

Formigas cortadeiras: As formigas transportam fragmentos das folhas para seus ninhos, reduzindo a área foliar e prejudicando o desenvolvimento das plantas jovens.

Novas pragas emergentes

Além das pragas já consolidadas, novas ameaças emergentes vêm sendo registradas nos canaviais e podem comprometer significativamente a produtividade.

Entre elas, destacam-se o pão-de-galinha (Diloboderus abderus), que causa danos às raízes, a cigarrinha-das-folhas (Mahanarva posticata), associada à redução do vigor das plantas, e a recente identificação de uma nova espécie de cigarrinha-da-cana, Mahanarva diakantha, que reforça o alerta para mudanças na dinâmica das pragas e a necessidade de atualização constante das estratégias de manejo (Figura 6).

Novas pragas na cana-de-açúcar
Figura 6. A) Larva de pão-de-galinha. B) Adulto de Mahanarva posticata. C) Adulto de Mahanarva diakantha.

Como identificar precocemente pragas no canavial

A identificação precoce de pragas no canavial é fundamental para reduzir perdas na produtividade e evitar o uso excessivo de defensivos agrícolas.

Quando o produtor ou técnico consegue perceber os primeiros sinais de infestação, torna-se possível aplicar medidas de controle mais eficientes, econômicas e sustentáveis.

Um dos primeiros passos é realizar monitoramentos frequentes no campo. A inspeção periódica das plantas permite observar alterações nas folhas, no colmo e no desenvolvimento da cultura. Folhas com perfurações, manchas, descoloração ou secamento anormal podem indicar a presença de insetos ou outros organismos prejudiciais.

Outro ponto importante é observar sintomas específicos nas plantas. Algumas pragas deixam sinais característicos, como galerias no interior do colmo, presença de ovos nas folhas ou acúmulo de resíduos e excrementos.

Além disso, plantas com crescimento reduzido, perfilhamento irregular ou falhas no estande também podem indicar ataque de pragas.

A utilização de armadilhas e métodos de amostragem também auxilia na identificação precoce. Armadilhas luminosas ou com feromônios ajudam a detectar a presença de insetos antes que a infestação se torne visível no campo. Já as amostragens sistemáticas permitem avaliar a população de pragas e decidir o momento correto de intervenção.

Outro fator relevante é o conhecimento das principais pragas da cana-de-açúcar e de seus ciclos biológicos. Saber em quais períodos elas costumam aparecer e quais condições climáticas favorecem seu desenvolvimento ajuda o produtor a intensificar o monitoramento nas épocas de maior risco.

Por fim, o registro das observações de campo é uma prática recomendada. Anotar datas, locais e níveis de infestação permite acompanhar a evolução das pragas ao longo da safra e melhorar o planejamento das ações de manejo.

Portanto, a identificação precoce de pragas no canavial depende principalmente de monitoramento constante, conhecimento técnico e uso de ferramentas adequadas. Essas práticas contribuem para um manejo mais eficiente da lavoura, garantindo maior produtividade e sustentabilidade na produção de cana-de-açúcar.

Manejo integrado de Pragas na cana

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) na cultura da cana-de-açúcar é uma estratégia sustentável que combina diferentes métodos de controle para reduzir os danos causados por pragas, minimizar o uso de agroquímicos e preservar o equilíbrio ambiental.

Em vez de depender exclusivamente de inseticidas, o MIP utiliza práticas culturais, biológicas, mecânicas e químicas de forma integrada e racional.

O objetivo do MIP é manter as pragas em níveis que não causem prejuízos significativos à produção, evitando o uso excessivo de produtos químicos e promovendo o equilíbrio do agroecossistema.

O manejo integrado baseia-se em quatro pilares principais: monitoramento e níveis de controle, controle cultural, controle biológico e controle químico.

1. Monitoramento e níveis de controle

O primeiro passo do MIP é o monitoramento constante da lavoura, que consiste na observação periódica da presença e da quantidade de pragas. Esse acompanhamento permite identificar precocemente problemas e tomar decisões mais precisas sobre a necessidade de controle.

Além do monitoramento, utilizam-se os níveis de controle, também chamados de níveis de ação. Esses níveis indicam a quantidade de pragas que a cultura pode suportar antes que ocorram perdas econômicas. Assim, o controle só é realizado quando a população da praga atinge esse limite, evitando intervenções desnecessárias.

2. Controle cultural

O controle cultural envolve práticas de manejo agrícola que dificultam o desenvolvimento e a multiplicação das pragas. Essas práticas são realizadas no planejamento e condução da lavoura.

Entre as principais medidas culturais estão:

  • uso de mudas sadias e certificadas;
  • escolha de variedades mais resistentes;
  • rotação de culturas;
  • destruição de restos culturais infestados;
  • preparo adequado do solo e manejo correto da palhada.

Essas ações ajudam a reduzir o ambiente favorável para o surgimento e a disseminação das pragas.

3. Controle biológico

O controle biológico consiste na utilização de inimigos naturais, como predadores, parasitóides e microrganismos, que atacam ou parasitam as pragas. Essa estratégia é considerada sustentável, pois contribui para manter o equilíbrio natural do sistema agrícola.

Na cultura da cana-de-açúcar, o controle biológico é amplamente utilizado, principalmente com a liberação de organismos que parasitam pragas importantes da lavoura. Esse método reduz a necessidade de inseticidas e favorece a conservação do meio ambiente.

4. Controle químico

O controle químico é realizado por meio da aplicação de produtos químicos para reduzir rapidamente a população de pragas quando os outros métodos não são suficientes. No MIP, o uso de produtos químicos deve ser criterioso e baseado no monitoramento da lavoura.

Para que seja eficiente e seguro, o controle químico deve considerar:

  • escolha do produto adequado;
  • dose recomendada;
  • momento correto de aplicação;
  • respeito às normas de segurança e ao período de carência.

O uso responsável de defensivos evita problemas como resistência das pragas, contaminação ambiental e prejuízos à saúde humana.

O Manejo Integrado de Pragas na cana-de-açúcar é uma abordagem essencial para a produção sustentável. Ao integrar monitoramento, práticas culturais, controle biológico e químico, é possível reduzir perdas na lavoura, diminuir custos de produção e preservar o meio ambiente, garantindo maior eficiência e sustentabilidade no sistema produtivo.

É preciso ter em mente que é muito difícil e caro controlar a praga na cultura já instalada. Justamente por isso é muito importante adotar medidas para iniciar novos plantios sob níveis de infestações mais baixos!

—

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Referências

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CULTIVAR REVISTA. Manejo integrado de pragas em cana-de-açúcar. Publicado em: 23 Mar 2022.  Disponível em: https://revistacultivar.com.br/artigos/manejo-integrado-de-pragas-em-cana-de-acucar. Acesso: 12 Mar 2026.

GARCIA, J. F. Manual de identificação de pragas da cana. Disponível em: https://bio.ufpr.br/pragasplantas/wp-content/uploads/sites/12/2013/11/Jos%C3%A9-F.-Garcia.pdf. Acesso: 15 Mar 2026.

GOTTEMS, L. Pragas pressionam produtividade da cana-de-açúcar. Agrolink. Publicado em: 23 Dez 2025.  Disponível em: https://www.agrolink.com.br/noticias/pragas-pressionam-produtividade-da-cana-de-acucar_509212.html? Acesso: 10 Mar 2026.

OLIVEIRA, A. Pragas da Cana-de-Açúcar: Guia Completo de Identificação e Manejo. Blog Aegro. Publicado em: 03 Mai 2025.  Disponível em: https://aegro.com.br/blog/pragas-da-cana-de-acucar-2025/. Acesso: 18 Mar 2026.

PRUDENCIO, M. F.; MARCIANO, M. C.; FIGUEIREDO, P. A. M. Atualizações no manejo integrado das principais pragas da cana-de-açúcar no brasil: uma revisão dos últimos 10 anos. Revista Aracê, ão José dos Pinhais, v. 7, n. 7, p. 35354-35374, 2025. DOI: https://doi.org/10.56238/arev7n7-013. 

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MATIOLI, T. F. Broca-da-Cana: Guia Completo para Identificação e Controle na Lavoura. Blog Aegro. Publicado em: 12 Dez 2019.  Disponível em: https://aegro.com.br/blog/broca-da-cana-de-acucar/. Acesso: 02 Abr 2026.

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PAVLU, F.A. Plano de amostragem e distribuição espacial visando o controle localizado de Sphenophorus levis na cultura da cana-de-açúcar. 2012. 80 p. Dissertação – Mestrado em Ciências. Área de concentração: Máquinas Agrícolas – ESALQ/USP, Piracicaba, 2012. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11148/tde-24102012-145217/publico/Franz_Arthur_Pavlu.pdf . Acesso: 05 Abr 2026.

Sobre a autora:

Ana Rita Lemes

Ana Rita Nunes Lemes

Pesquisadora

  • Mestra e Doutora em Genética e Melhoramento de Plantas (UNESP/Jaboticabal)
  • Engenheira Agrônoma (UNESP/Jaboticabal)
  • anarita_lemes@yahoo.com.br
  • Perfil do Linkedin
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Como citar este artigo

LEMES, A.R.N. Principais pragas da cana-de-açúcar e como fazer o controle eficiente no canavial. Blog Agroadvance. Publicado em: 10 Abr. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-principais-pragas-da-cana-de-acucar/. Data de acesso: 10 abr. 2026.

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