O cacau é uma das commodities agrícolas mais importantes do mundo, base da indústria de chocolate e de uma ampla cadeia que envolve desde pequenos produtores tropicais até grandes processadores internacionais. Em 2025, o mercado global vive um momento de reequilíbrio após anos de déficit produtivo, mas ainda sob forte pressão de preços e de sustentabilidade.
Os maiores produtores de cacau do mundo são Costa do Marfim, Gana, Equador Nigéria e Camarões, como veremos a seguir. Mas quanto de cacau é produzido mundialmente?
Segundo dados do Caderno Setorial ETENE (Banco do Nordeste, jun/2025), a produção mundial de cacau deve crescer 7,8% na safra 2024/25, alcançando 4,84 milhões de toneladas de amêndoas. A recuperação é resultado da melhora nas condições climáticas na África Ocidental — principal região produtora — após três safras consecutivas afetadas por secas e pragas (Figura 1).

Mesmo assim, os estoques globais seguem baixos e os preços internacionais permanecem em patamares elevados. Para o Brasil, esse cenário representa uma oportunidade de retomada da cacauicultura, que avança para novas regiões com sistemas mais tecnificados e sustentáveis. Conheça os maiores produtores a seguir.
O cenário global do cacau em 2025
A produção mundial de cacau é altamente concentrada em países tropicais, com destaque absoluto para a África Ocidental, que responde por mais de 70% da oferta global. Nessa região, o cacau é uma das principais fontes de renda rural, envolvendo milhões de pequenos agricultores. Costa do Marfim e Gana são os principais países produtores de cacau, respondendo por 49% da produção mundial.

Em 2024, as condições climáticas adversas provocadas pelo fenômeno El Niño reduziram a produtividade das lavouras em países como Costa do Marfim e Gana, o que levou a uma escalada sem precedentes nos preços internacionais.
Em 2025, a expectativa é de uma safra mais equilibrada, mas o mercado ainda opera sob incertezas quanto à regularidade das chuvas e à sanidade das plantações.
Além do clima, o setor enfrenta pressões crescentes por sustentabilidade e rastreabilidade.
A União Europeia passou a exigir, por meio do regulamento EUDR (European Union Deforestation Regulation), que o cacau e outros produtos agrícolas importados estejam livres de desmatamento — um marco que tende a reorganizar fluxos comerciais e exigir novas práticas de certificação nos países exportadores.
Produção mundial de cacau em 2025: leve recuperação após anos de déficit
O levantamento do ETENE mostra que a produção global de cacau saltou de 4,49 milhões de toneladas na safra 2023/24 para 4,84 milhões em 2024/25, um crescimento de 7,8%. Essa recuperação, embora expressiva, ainda é insuficiente para recompor completamente os estoques internacionais.
A África segue líder absoluta, com 3,46 milhões de toneladas (71,3% do total), seguida pelas Américas com 1,08 milhão (22,6%) e Ásia/Oceania com 0,30 milhão (6,1%).
Entre os fatores que sustentam o crescimento estão:
- a melhora climática em 2025;
- o aumento da produtividade em regiões como Equador e Indonésia;
- e o uso crescente de sistemas agroflorestais e cultivos irrigados em novas fronteiras agrícolas.
Por outro lado, o consumo mundial de chocolate começa a dar sinais de desaceleração, principalmente nos países desenvolvidos, o que pode atenuar a pressão sobre os preços no médio prazo.
Ranking dos maiores produtores de cacau do mundo
A Costa do Marfim e Gana permanecem no topo do ranking, respondendo juntas por quase metade da produção mundial de cacau (Tabela 1). Ambos os países têm forte dependência econômica do cacau e enfrentam desafios sociais e ambientais ligados à renda dos produtores e ao controle do desmatamento.
Na América do Sul, o Equador consolidou-se como o principal produtor, representando quase 10% da oferta global. O país investe fortemente em genética, manejo pós-colheita e certificações, exportando cacau de alta qualidade para mercados premium.
O Brasil, sexto colocado, mostra sinais de recuperação e diversificação geográfica, impulsionado pela alta dos preços e pela expansão para novos biomas.
Tabela 1. Maiores produtores de cacau do mundo (Em mil toneladas)
| Posição | País | 2022/23 | 2023/24 (a)(1) | 2024/25 (b)(2) | Var (%) (a/b) | Part.(%) 2023/24 |
| 1 | Costa do Marfim | 2.241 | 1.674 | 1.850 | 10,5 | 37,3 |
| 2 | Gana | 654 | 530 | 600 | 13,2 | 11,8 |
| 3 | Equador | 454 | 430 | 480 | 11,6 | 9,6 |
| 4 | Nigéria | 315 | 350 | 350 | – | 7,8 |
| 5 | Camarões | 270 | 320 | 320 | – | 7,1 |
| 6 | Brasil | 220 | 200 | 210 | 5,0 | 4,5 |
| 7 | Indonésia | 160 | 180 | 200 | 11,1 | 4,0 |
| 8 | Papua Nova Guiné | 43 | 45 | 45 | – | 1,1 |
| África | 3.714 | 3.201 | 3.462 | 8,2 | 71,3 | |
| Américas | 1.075 | 1.013 | 1.079 | 6,5 | 22,6 | |
| Ásia e Oceania | 253 | 275 | 300 | 9,1 | 6,1 | |
| Mundo | 5.042 | 4.489 | 4.841 | 7,8 | 100 |
Ranking dos 10 maiores exportadores e importadores de cacau do mundo
Em 2023, o comércio mundial de cacau movimentou US$ 9,8 bilhões apenas em amêndoas, segundo a FAO (2025).
Os maiores exportadores de amêndoas (Tabela 2) foram:
- Costa do Marfim (35,2%)
- Gana (11,4%)
- Equador (10,5%)
- Nigéria (8,6%)
- Camarões (7,2%)
Entretanto, quando se trata de produtos processados — como manteiga, pasta e pó de cacau — o cenário muda:
os Países Baixos (Holanda) lideram com 23,2% do volume mundial, seguidos pela Costa do Marfim e Alemanha.
A União Europeia, em conjunto, foi responsável por 47,7% do valor global exportado em produtos de cacau, confirmando sua dominância industrial. Já no consumo, EUA e Europa concentram mais da metade das importações mundiais.
Tabela 2. Maiores exportadores mundiais de cacau e seus produtos em 2023 em toneladas (Ton.) e participação (%)
| Ranking | País | Amêndoas | País | Produtos do cacau | ||
| Ton. | Part. (%) | Ton. | Part. (%) | |||
| 1 | Costa do Marfim | 1.339.307 | 35,2 | Países Baixos | 824.999 | 23,2 |
| 2 | Gana | 433.288 | 11,4 | Costa do Marfim | 584.437 | 16,5 |
| 3 | Equador | 398.870 | 10,5 | Alemanha | 339.328 | 9,6 |
| 4 | Nigéria | 329.105 | 8,6 | Malásia | 335.677 | 9,4 |
| 5 | Bélgica | 219.927 | 5,8 | Indonésia | 303.520 | 8,5 |
| 6 | Camarões | 274.380 | 7,2 | Gana | 229.662 | 6,5 |
| 7 | Países Baixos | 202.036 | 5,3 | França | 174.046 | 4,9 |
| 8 | Malásia | 104.371 | 2,7 | Singapura | 83.026 | 2,3 |
| 9 | Peru | 71.272 | 1,9 | Espanha | 89.946 | 2,5 |
| 10 | República Dominicana | 66.012 | 1,7 | EUA | 59.776 | 1,7 |
| Demais | 368.192 | 9,7 | Demais | 527.962 | 14,9 | |
| Mundo | 3.806.759 | 100 | Mundo | 527.962 | 100 | |
O dado mais simbólico é que a União Europeia importou 54,7% de todas as amêndoas de cacau comercializadas no mundo em 2023 (Tabela 3). Dentro do bloco, Países Baixos, Alemanha e Bélgica concentram as maiores compras — juntos, representam mais de 40% das importações globais de amêndoas.
Grande parte desse volume é processado internamente e reexportado como produtos industrializados, como manteiga, pasta e pó de cacau, além de chocolates prontos.
Esse movimento evidencia como o valor agregado da cadeia do cacau se concentra fora das regiões produtoras primárias: enquanto os países africanos exportam matéria-prima, a Europa domina a etapa industrial, capturando a maior parte da renda e da margem comercial do setor.
Tabela 3. Maiores importadores mundiais de cacau e seus produtos em 2023 em toneladas (Ton.) e participação (%)
| Ranking | País | Amêndoas | País | Produtos do cacau | |||
| Ton. | Part. (%) | Ton. | Part. (%) | ||||
| 1 | Países Baixos | 898.771 | 22,9 | EUA | 361.754 | 10,7 | |
| 2 | Malásia | 533.013 | 13,6 | Alemanha | 327.185 | 9,7 | |
| 3 | Alemanha | 425.293 | 11,1 | Países Baixos | 334.819 | 9,9 | |
| 4 | Bélgica | 325.919 | 8,3 | Bélgica | 244.112 | 7,2 | |
| 5 | EUA | 269.073 | 6,9 | França | 222.774 | 6,6 | |
| 6 | Indonésia | 276.683 | 5,3 | Polônia | 135.524 | 4,0 | |
| 7 | França | 147.057 | 3,8 | Itália | 128.931 | 3,8 | |
| 8 | Canadá | 125.999 | 3,2 | Espanha | 116.745 | 3,5 | |
| 9 | Itália | 101.266 | 1,9 | China | 109.190 | 3,2 | |
| 10 | República Dominicana | 66.012 | 1,7 | Reino Unido | 94.113 | 2,3 | |
| Demais | 687.303 | 17,5 | Demais | 1.296.462 | 38,5 | ||
| Mundo | 3.920.895 | 100 | Mundo | 3.371.610 | 100 | ||
Produção de cacau no Brasil
O Brasil já figurou entre os maiores produtores mundiais, chegando a representar 20% da oferta global nos anos 1980. Contudo, a chegada da vassoura-de-bruxa, em meados dessa década, devastou as plantações baianas e reduziu drasticamente a competitividade nacional.
Hoje, o país responde por cerca de 4,5% da produção mundial, mas volta a crescer com base em dois movimentos distintos:
- recuperação das áreas tradicionais, principalmente no sul da Bahia, e
- expansão para novas regiões, como Pará, Espírito Santo, Cerrado e Semiárido nordestino.
Distribuição da produção brasileira (2023)
Tabela 4. Maiores produtores de cacau no Brasil, por Unidade da Federaço (UF): área, rendimento e produção em 2023
| Regiões/UF | Área (mil ha) | Área (%) | Produtividade (kg/ha) | Produção (mil ton) | Produção (%) |
| Bahia | 425,9 | 69,5% | 326 | 139,0 | 46,9% |
| Pará | 161,9 | 26,2% | 856 | 138,5 | 46,8% |
| Espírito Santo | 15,7 | 2,6% | 778 | 12,3 | 4,2% |
| Rondônia | 7,4 | 1,2% | 680 | 5,1 | 1,7% |
| Mato Grosso | 0,8 | 0,1% | 654 | 0,5 | 0,2% |
| Brasil | 612,9 | 100% | 483 | 296,1 | 100% |
A Bahia ainda concentra a maior área cultivada de cacau no Brasil, mas a produtividade do Pará é quase três vezes maior, devido ao uso de materiais genéticos melhorados, solos férteis e manejo tecnificado. Essa diferença explica por que o estado paraense já disputa a liderança nacional com a Bahia.
Outro destaque é a expansão do cultivo em áreas de Cerrado e Caatinga, onde o cacau vem sendo produzido a pleno sol, com irrigação, mecanização e fertirrigação — um modelo que contrasta com o sistema tradicional cabruca (sob sombreamento da Mata Atlântica).
Essas novas fronteiras agrícolas, especialmente no oeste da Bahia e no norte de Minas, apresentam produtividades superiores a 1.800 kg/ha, demonstrando o potencial do cultivo tecnificado.
Desafios e tendências do mercado mundial de cacau
Apesar da recuperação produtiva, o setor cacaueiro mundial enfrenta três grandes desafios:
- Sustentabilidade e rastreabilidade — exigidas por novos regulamentos e consumidores conscientes.
- Mudanças climáticas — com efeitos diretos na produtividade e sanidade das lavouras tropicais.
- Baixa rentabilidade dos produtores, que ainda recebem pequena parcela do valor final do chocolate.
Por outro lado, surgem novas tendências de mercado, que abrem oportunidades:
- Cacau fino e de aroma, com valorização crescente nos nichos gourmet e bean-to-bar.
- Cacau orgânico e certificado, especialmente em sistemas agroflorestais.
- Cadeias curtas de produção, conectando diretamente produtor e consumidor.
O Brasil tem vantagem competitiva nesse cenário. O país é um dos poucos que reúnem todos os elos da cadeia (produção, moagem e indústria chocolateira) e possui regiões com indicação geográfica reconhecida, como sul da Bahia, Tomé-Açu (PA), Linhares (ES) e Rondônia.
Além disso, a marca-conceito “Cacau Carbono Neutro Brasil”, desenvolvida pela Ceplac e pelo MAPA, reforça o posicionamento de uma cacauicultura sustentável e de baixa emissão de carbono.
Perspectivas para o futuro
O cenário para 2025 e 2026 é de preços elevados e oferta ajustada. Mesmo com a melhora nas safras africanas, o equilíbrio entre produção e consumo deve permanecer frágil.
Para o Brasil, o momento é favorável. A alta das cotações estimula novos investimentos e torna viável o cultivo em áreas irrigadas de Cerrado e Semiárido — regiões que combinam produtividade e menor pressão de doenças. A adoção de tecnologia, irrigação e nutrição equilibrada pode consolidar o país entre os cinco maiores produtores do mundo na próxima década.
No entanto, o avanço sustentável dependerá de:
- ampliação da assistência técnica e extensão rural (ATER),
- maior integração entre pesquisa e mercado,
- e políticas de incentivo à rastreabilidade e certificação de origem.
Conclusão
O cacau é um dos produtos agrícolas mais simbólicos da relação entre o trópico e o mercado global. Em 2025, a África Ocidental continua soberana, mas a América do Sul — especialmente Equador e Brasil — demonstra que é possível crescer combinando produtividade, qualidade e sustentabilidade.
Para o produtor e o gestor rural, acompanhar essas transformações é essencial. A leitura dos dados revela que o futuro da cacauicultura será moldado não apenas por clima e preço, mas pela capacidade de inovar e atender a um consumidor cada vez mais exigente quanto à origem e ao impacto ambiental de cada amêndoa.
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Referências
VIDAL, Maria de Fátima. CACAU: v. 10 n. 389, junho , 2025. Caderno Setorial ETENE, Fortaleza, v. 10, 2025. Disponível em: https://www.bnb.gov.br/revista/cse/article/view/3211. Acesso em: 15 out. 2025.
Sobre a autora:

Beatriz Nastaro Boschiero
Especialista em Conteúdo na Agroadvance
- Pós-doutora pelo CTBE/CNPEM e CENA/USP
- Mestra e Doutora em Solos e Nutrição de Plantas (ESALQ/USP)
- Engenheira Agrônoma (UNESP/Botucatu)
Como citar este artigo:
BOSCHIERO, B.N. Maiores produtores de cacau do mundo: África Ocidental se destaca. Blog Agroadvance. Publicado em: 14 Nov 2025. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-maiores-produtores-de-cacau-do-mundo/. Acesso em: 03 maio. 2026.



