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8 Maiores produtores de cacau do mundo: África ocidental se destaca

Costa do Marfim e Gana são os maiores produtores de cacau do mundo, sendo responsáveis por quase 50% da produção mundial. Brasil ocupa a sexta posição, com cerca de 200 mil toneladas.
  • Publicado em 14/11/2025
  • Beatriz Nastaro Boschiero
  • Agronegócio
  • Publicado em 14/11/2025
  • Beatriz Nastaro Boschiero
  • Agronegócio
  • Atualizado em 14/11/2025
maiores produtores de cacau do mundo
Sumário

O cacau é uma das commodities agrícolas mais importantes do mundo, base da indústria de chocolate e de uma ampla cadeia que envolve desde pequenos produtores tropicais até grandes processadores internacionais. Em 2025, o mercado global vive um momento de reequilíbrio após anos de déficit produtivo, mas ainda sob forte pressão de preços e de sustentabilidade.

Os maiores produtores de cacau do mundo são Costa do Marfim, Gana, Equador Nigéria e Camarões, como veremos a seguir. Mas quanto de cacau é produzido mundialmente?

Segundo dados do Caderno Setorial ETENE (Banco do Nordeste, jun/2025), a produção mundial de cacau deve crescer 7,8% na safra 2024/25, alcançando 4,84 milhões de toneladas de amêndoas. A recuperação é resultado da melhora nas condições climáticas na África Ocidental — principal região produtora — após três safras consecutivas afetadas por secas e pragas (Figura 1).

histórico da produção mundial de cacau
Figura 1. Histórico da produção mundial de cacau (2015-2024), em milhões de toneladas. Dados: Vidal (2025).

Mesmo assim, os estoques globais seguem baixos e os preços internacionais permanecem em patamares elevados. Para o Brasil, esse cenário representa uma oportunidade de retomada da cacauicultura, que avança para novas regiões com sistemas mais tecnificados e sustentáveis. Conheça os maiores produtores a seguir.

O cenário global do cacau em 2025

A produção mundial de cacau é altamente concentrada em países tropicais, com destaque absoluto para a África Ocidental, que responde por mais de 70% da oferta global. Nessa região, o cacau é uma das principais fontes de renda rural, envolvendo milhões de pequenos agricultores. Costa do Marfim e Gana são os principais países produtores de cacau, respondendo por 49% da produção mundial.

distribuição geográfica dos maiores produtores de cacau do mundo 2025
Figura 2. Distribuição geográfica dos oito maiores produtores de cacau do mundo em 2025, com destaque para o domínio da África Ocidental e a presença crescente da América do Sul e da Ásia.

Em 2024, as condições climáticas adversas provocadas pelo fenômeno El Niño reduziram a produtividade das lavouras em países como Costa do Marfim e Gana, o que levou a uma escalada sem precedentes nos preços internacionais.

Em 2025, a expectativa é de uma safra mais equilibrada, mas o mercado ainda opera sob incertezas quanto à regularidade das chuvas e à sanidade das plantações.

Além do clima, o setor enfrenta pressões crescentes por sustentabilidade e rastreabilidade.

A União Europeia passou a exigir, por meio do regulamento EUDR (European Union Deforestation Regulation), que o cacau e outros produtos agrícolas importados estejam livres de desmatamento — um marco que tende a reorganizar fluxos comerciais e exigir novas práticas de certificação nos países exportadores.

Produção mundial de cacau em 2025: leve recuperação após anos de déficit

O levantamento do ETENE mostra que a produção global de cacau saltou de 4,49 milhões de toneladas na safra 2023/24 para 4,84 milhões em 2024/25, um crescimento de 7,8%. Essa recuperação, embora expressiva, ainda é insuficiente para recompor completamente os estoques internacionais.

A África segue líder absoluta, com 3,46 milhões de toneladas (71,3% do total), seguida pelas Américas com 1,08 milhão (22,6%) e Ásia/Oceania com 0,30 milhão (6,1%).

Entre os fatores que sustentam o crescimento estão:

  • a melhora climática em 2025;
  • o aumento da produtividade em regiões como Equador e Indonésia;
  • e o uso crescente de sistemas agroflorestais e cultivos irrigados em novas fronteiras agrícolas.

Por outro lado, o consumo mundial de chocolate começa a dar sinais de desaceleração, principalmente nos países desenvolvidos, o que pode atenuar a pressão sobre os preços no médio prazo.

Ranking dos maiores produtores de cacau do mundo

A Costa do Marfim e Gana permanecem no topo do ranking, respondendo juntas por quase metade da produção mundial de cacau (Tabela 1). Ambos os países têm forte dependência econômica do cacau e enfrentam desafios sociais e ambientais ligados à renda dos produtores e ao controle do desmatamento.

Na América do Sul, o Equador consolidou-se como o principal produtor, representando quase 10% da oferta global. O país investe fortemente em genética, manejo pós-colheita e certificações, exportando cacau de alta qualidade para mercados premium.

O Brasil, sexto colocado, mostra sinais de recuperação e diversificação geográfica, impulsionado pela alta dos preços e pela expansão para novos biomas.

Tabela 1. Maiores produtores de cacau do mundo (Em mil toneladas)

PosiçãoPaís2022/232023/24 (a)(1)2024/25 (b)(2)Var (%) (a/b)Part.(%) 2023/24
1Costa do Marfim2.2411.6741.85010,537,3
2Gana65453060013,211,8
3Equador45443048011,69,6
4Nigéria315350350–7,8
5Camarões270320320–7,1
6Brasil2202002105,04,5
7Indonésia16018020011,14,0
8Papua Nova Guiné434545–1,1
 África3.7143.2013.4628,271,3
 Américas1.0751.0131.0796,522,6
 Ásia e Oceania2532753009,16,1
 Mundo5.0424.4894.8417,8100
Fonte: Vidal (2025).

Ranking dos 10 maiores exportadores e importadores de cacau do mundo

Em 2023, o comércio mundial de cacau movimentou US$ 9,8 bilhões apenas em amêndoas, segundo a FAO (2025).

Os maiores exportadores de amêndoas (Tabela 2) foram:

  • Costa do Marfim (35,2%)
  • Gana (11,4%)
  • Equador (10,5%)
  • Nigéria (8,6%)
  • Camarões (7,2%)

Entretanto, quando se trata de produtos processados — como manteiga, pasta e pó de cacau — o cenário muda:
os Países Baixos (Holanda) lideram com 23,2% do volume mundial, seguidos pela Costa do Marfim e Alemanha.

A União Europeia, em conjunto, foi responsável por 47,7% do valor global exportado em produtos de cacau, confirmando sua dominância industrial. Já no consumo, EUA e Europa concentram mais da metade das importações mundiais.

Tabela 2. Maiores exportadores mundiais de cacau e seus produtos em 2023 em toneladas (Ton.) e participação (%)

RankingPaísAmêndoasPaísProdutos do cacau
Ton.Part. (%) Ton.Part. (%)
1Costa do Marfim1.339.30735,2Países Baixos824.99923,2
2Gana433.28811,4Costa do Marfim584.43716,5
3Equador398.87010,5Alemanha339.3289,6
4Nigéria329.1058,6Malásia335.6779,4
5Bélgica219.9275,8Indonésia303.5208,5
6Camarões274.3807,2Gana229.6626,5
7Países Baixos202.0365,3França174.0464,9
8Malásia104.3712,7Singapura83.0262,3
9Peru71.2721,9Espanha89.9462,5
10República Dominicana66.0121,7EUA59.7761,7
 Demais368.1929,7Demais527.96214,9
 Mundo3.806.759100Mundo527.962100
Fonte: Vidal (2025).

O dado mais simbólico é que a União Europeia importou 54,7% de todas as amêndoas de cacau comercializadas no mundo em 2023 (Tabela 3). Dentro do bloco, Países Baixos, Alemanha e Bélgica concentram as maiores compras — juntos, representam mais de 40% das importações globais de amêndoas.

Grande parte desse volume é processado internamente e reexportado como produtos industrializados, como manteiga, pasta e pó de cacau, além de chocolates prontos.

Esse movimento evidencia como o valor agregado da cadeia do cacau se concentra fora das regiões produtoras primárias: enquanto os países africanos exportam matéria-prima, a Europa domina a etapa industrial, capturando a maior parte da renda e da margem comercial do setor.

Tabela 3. Maiores importadores mundiais de cacau e seus produtos em 2023 em toneladas (Ton.) e participação (%)

RankingPaísAmêndoasPaísProdutos do cacau
Ton.Part. (%)Ton.Part. (%) 
1Países Baixos898.77122,9EUA361.75410,7 
2Malásia533.01313,6Alemanha327.1859,7 
3Alemanha425.29311,1Países Baixos334.8199,9 
4Bélgica325.9198,3Bélgica244.1127,2 
5EUA269.0736,9França222.7746,6 
6Indonésia276.6835,3Polônia135.5244,0 
7França147.0573,8Itália128.9313,8 
8Canadá125.9993,2Espanha116.7453,5 
9Itália101.2661,9China109.1903,2 
10República Dominicana66.0121,7Reino Unido94.1132,3 
 Demais687.30317,5Demais1.296.46238,5 
 Mundo3.920.895100Mundo3.371.610100 
Fonte: Vidal (2025).

Produção de cacau no Brasil

O Brasil já figurou entre os maiores produtores mundiais, chegando a representar 20% da oferta global nos anos 1980. Contudo, a chegada da vassoura-de-bruxa, em meados dessa década, devastou as plantações baianas e reduziu drasticamente a competitividade nacional.

Hoje, o país responde por cerca de 4,5% da produção mundial, mas volta a crescer com base em dois movimentos distintos:

  1. recuperação das áreas tradicionais, principalmente no sul da Bahia, e
  2. expansão para novas regiões, como Pará, Espírito Santo, Cerrado e Semiárido nordestino.

Distribuição da produção brasileira (2023)

Tabela 4. Maiores produtores de cacau no Brasil, por Unidade da Federaço (UF): área, rendimento e produção em 2023

Regiões/UFÁrea (mil ha)Área (%)Produtividade (kg/ha)Produção (mil ton)Produção (%)
Bahia425,969,5%326139,046,9%
Pará161,926,2%856138,546,8%
Espírito Santo15,72,6%77812,34,2%
Rondônia7,41,2%6805,11,7%
Mato Grosso0,80,1%6540,50,2%
Brasil612,9100%483296,1100%
Fonte: ETENE (2025), com dados do IBGE.

A Bahia ainda concentra a maior área cultivada de cacau no Brasil, mas a produtividade do Pará é quase três vezes maior, devido ao uso de materiais genéticos melhorados, solos férteis e manejo tecnificado. Essa diferença explica por que o estado paraense já disputa a liderança nacional com a Bahia.

Outro destaque é a expansão do cultivo em áreas de Cerrado e Caatinga, onde o cacau vem sendo produzido a pleno sol, com irrigação, mecanização e fertirrigação — um modelo que contrasta com o sistema tradicional cabruca (sob sombreamento da Mata Atlântica).

Essas novas fronteiras agrícolas, especialmente no oeste da Bahia e no norte de Minas, apresentam produtividades superiores a 1.800 kg/ha, demonstrando o potencial do cultivo tecnificado.

Desafios e tendências do mercado mundial de cacau

Apesar da recuperação produtiva, o setor cacaueiro mundial enfrenta três grandes desafios:

  1. Sustentabilidade e rastreabilidade — exigidas por novos regulamentos e consumidores conscientes.
  2. Mudanças climáticas — com efeitos diretos na produtividade e sanidade das lavouras tropicais.
  3. Baixa rentabilidade dos produtores, que ainda recebem pequena parcela do valor final do chocolate.

Por outro lado, surgem novas tendências de mercado, que abrem oportunidades:

  • Cacau fino e de aroma, com valorização crescente nos nichos gourmet e bean-to-bar.
  • Cacau orgânico e certificado, especialmente em sistemas agroflorestais.
  • Cadeias curtas de produção, conectando diretamente produtor e consumidor.

O Brasil tem vantagem competitiva nesse cenário. O país é um dos poucos que reúnem todos os elos da cadeia (produção, moagem e indústria chocolateira) e possui regiões com indicação geográfica reconhecida, como sul da Bahia, Tomé-Açu (PA), Linhares (ES) e Rondônia.

Além disso, a marca-conceito “Cacau Carbono Neutro Brasil”, desenvolvida pela Ceplac e pelo MAPA, reforça o posicionamento de uma cacauicultura sustentável e de baixa emissão de carbono.

Perspectivas para o futuro

O cenário para 2025 e 2026 é de preços elevados e oferta ajustada. Mesmo com a melhora nas safras africanas, o equilíbrio entre produção e consumo deve permanecer frágil.

Para o Brasil, o momento é favorável. A alta das cotações estimula novos investimentos e torna viável o cultivo em áreas irrigadas de Cerrado e Semiárido — regiões que combinam produtividade e menor pressão de doenças. A adoção de tecnologia, irrigação e nutrição equilibrada pode consolidar o país entre os cinco maiores produtores do mundo na próxima década.

No entanto, o avanço sustentável dependerá de:

  • ampliação da assistência técnica e extensão rural (ATER),
  • maior integração entre pesquisa e mercado,
  • e políticas de incentivo à rastreabilidade e certificação de origem.

Conclusão

O cacau é um dos produtos agrícolas mais simbólicos da relação entre o trópico e o mercado global. Em 2025, a África Ocidental continua soberana, mas a América do Sul — especialmente Equador e Brasil — demonstra que é possível crescer combinando produtividade, qualidade e sustentabilidade.

Para o produtor e o gestor rural, acompanhar essas transformações é essencial. A leitura dos dados revela que o futuro da cacauicultura será moldado não apenas por clima e preço, mas pela capacidade de inovar e atender a um consumidor cada vez mais exigente quanto à origem e ao impacto ambiental de cada amêndoa.

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Referências

VIDAL, Maria de Fátima. CACAU: v. 10 n. 389, junho , 2025. Caderno Setorial ETENE, Fortaleza, v. 10, 2025. Disponível em: https://www.bnb.gov.br/revista/cse/article/view/3211. Acesso em: 15 out. 2025.

Sobre a autora:

Beatriz Nastaro Boschiero

Especialista em Conteúdo na Agroadvance

  • Pós-doutora pelo CTBE/CNPEM e CENA/USP
  • Mestra e Doutora em Solos e Nutrição de Plantas (ESALQ/USP)
  • Engenheira Agrônoma (UNESP/Botucatu)
  • beatriz.nastaro@agroadvance.com.br
  • Perfil do Linkedin
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Como citar este artigo:

BOSCHIERO, B.N. Maiores produtores de cacau do mundo: África Ocidental se destaca. Blog Agroadvance. Publicado em: 14 Nov 2025. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-maiores-produtores-de-cacau-do-mundo/. Acesso em: 03 maio. 2026.

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