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Vale a pena usar inoculante para feijão? Veja produtos, práticas e resultados

Inoculante para feijão: entenda os tipos, os microrganismos utilizados, os principais produtos do mercado, os benefícios agronômicos e a influência sobre a produtividade da cultura.
  • Publicado em 23/06/2025
  • Izadora de Cássia Mesquita da Cunha
  • Bioinsumos, Feijão
  • Publicado em 23/06/2025
  • Izadora de Cássia Mesquita da Cunha
  • Bioinsumos, Feijão
  • Atualizado em 23/06/2025
inoculante para feijão
Sumário

O feijão comum (Phaseolus vulgaris L.) exige suprimento adequado de nitrogênio, principalmente no início do ciclo. Como leguminosa, depende da simbiose com rizóbios, que só se estabelece plenamente após os primeiros estádios de desenvolvimento. Como garantir esse aporte inicial de forma eficiente e sustentável?

O Brasil lidera a produção mundial de feijão, com 3,2 milhões de toneladas colhidas na safra 2023/2024. A segunda safra respondeu por 1,5 milhão de toneladas, com aumento expressivo em relação ao ciclo anterior. A área cultivada alcançou 2,86 milhões de hectares (CONAB, 2025).

Para 2024/2025, a Conab projeta produção de 3,29 milhões de toneladas em aproximadamente 2,88 milhões de hectares. Como manter ou elevar essa produtividade diante das limitações edafoclimáticas e econômicas? O uso de tecnologias de base biológica pode oferecer respostas viáveis?

Inoculante para feijão com rizóbios eficientes representam uma solução técnica de baixo custo para suprir o nitrogênio na fase inicial da cultura.

Quer entender os principais aspectos sobre o uso de inoculantes no feijão? Acompanhe neste artigo.

O que é um inoculante e como funciona a inoculação do feijão?

Inoculante é um bioinsumo que contêm em sua formulação microrganismos vivos, específicos para estabelecer interações benéficas com as plantas.

A inoculação do feijão (Phaseolus vulgaris) consiste na aplicação de bactérias do gênero Rhizobium nas sementes ou no solo, visando a fixação biológica de nitrogênio (FBN) por meio da formação de nódulos radiculares, que suprem parte da demanda nitrogenada da planta.

Além de reduzir custos de produção, essa tecnologia melhora a sustentabilidade do sistema ao diminuir a emissão de gases de efeito estufa associados à produção e aplicação de fertilizantes minerais.

O uso adequado de inoculantes contribui ainda para a saúde do solo, estimulando a microbiota benéfica e promovendo maior resiliência das plantas.

Com elevada eficiência agronômica, baixo custo e viabilidade técnica comprovada, os inoculantes tornam-se uma ferramenta essencial para o manejo moderno do feijão.

Assim, o uso de estirpes eficientes e adaptativas junto com o sucesso da inoculação do feijão garante maior rendimento e reduz o uso de fertilizantes nitrogenados, elevando a eficiência econômica. Com isso, é importante analisar: compensa inocular o feijão?

Qual o retorno da inoculação do feijão? O que mostram os estudos?

Pesquisas destacam que a substituição de fertilizantes nitrogenados por inoculantes gera retorno sobre investimento entre 190% e 214% na produção comercial, e 113% na agricultura familiar (EMBRAPA, 2024).

A inoculação na cultura do feijão apresenta excelente relação custo-benefício. O investimento em inoculantes, como Rhizobium tropici, varia entre R$ 8,00 e R$ 15,00 por hectare, enquanto a adubação nitrogenada convencional, à base de ureia, ultrapassa R$ 220,00/ha.

Além da significativa redução de custos, a tecnologia de inoculação mantém ou até melhora a produtividade, podendo complementar ou até substituir o uso de fertilizantes nitrogenados. Isso garante maior eficiência econômica, especialmente para pequenos e médios produtores.

Ao contrário da soja, cuja simbiose com Bradyrhizobium supre integralmente a demanda de nitrogênio ao longo do ciclo, já o feijoeiro requer certo aporte externo desse nutriente.

O feijoeiro apresenta uma demanda total de nitrogênio entre 80 e 150 kg/ha por ciclo, com variações conforme a cultivar, o solo e o manejo adotado.

Como o N é essencial para o desenvolvimento vegetativo e a formação de grãos, a absorção se intensifica da fase vegetativa até o enchimento das vagens.

A nodulação e o processo de FBN, quando eficientes, podem suprir de 30% a 60% da demanda total de N do feijoeiro. Nessas condições, a dependência de adubação nitrogenada mineral é reduzida.

Portanto, o manejo adequado do nitrogênio no cultivo do feijoeiro deve considerar a interação entre a disponibilidade do nutriente no solo, a eficiência da inoculação com estirpes eficientes e a demanda da planta em cada fase fenológica.

Um estudo recente conduzido por Castro et al. (2025) avaliou a qualidade fisiológica de sementes de feijão-comum sob diferentes estratégias de inoculação com Rhizobium tropici.

O experimento foi conduzido durante a safra 2022/2023 em Anápolis-GO, utilizando seis tratamentos: inoculação de sementes, inoculação em sulco, reinoculação em cobertura no estádio V4, suas combinações, além de um tratamento com fertilização com nitrogênio mineral e uma testemunha sem nitrogênio.

Os dados obtidos indicaram que a inoculação em sulco combinada com a reinoculação em cobertura no estádio V4 produziu sementes de maior qualidade, com germinação e vigor comparáveis ​​aos da fertilização com nitrogênio mineral.

Os melhores resultados de comprimento e massa seca de plântula (Figura 1) foram obtidos com a inoculação de Rhizobium tropici no sulco de plantio, seguida de reinoculação em cobertura no estádio V4, com desempenho equivalente à adubação nitrogenada mineral.

inoculantes para feijão: modos de aplicação
Figura 1. Efeito de diferentes métodos de aplicação de inoculante no crescimento inicial de plântulas de feijão-comum. Os dados representam os valores médios de comprimento (A) e massa seca (B) de plântulas de feijão-comum em função dos métodos de aplicação do inoculante. Legenda: inoculação de R. tropici via semente (SI), no sulco de plantio (FI), em cobertura (TI), combinações SI + TI e FI + TI, adubação nitrogenada mineral (MNF) e tratamento controle (CT). Fonte: Castro et al, 2025.

Em outro estudo, Oliveira et al. (2025) avaliaram a coinoculação de Rhizobium tropici e Azospirillum brasilense em feijoeiro comum cultivado em solos de diferentes texturas. O estudo buscou analisar os impactos agronômicos e econômicos da prática em solos argilosos e arenosos, destacando seu potencial para a agricultura sustentável.

A coinoculação proporcionou aumento significativo na produtividade de grãos em ambos os tipos de solo. No solo argiloso, a produção atingiu 1277,5 kg ha⁻¹, um acréscimo de 219,7 kg ha⁻¹ em relação à inoculação convencional. No solo arenoso, a produtividade foi de 2960,3 kg ha⁻¹, com ganho de 656,0 kg ha⁻¹, reforçando a eficácia da coinoculação na promoção do crescimento vegetal.

Sob a ótica econômica, o maior lucro ocorreu no solo arenoso, com rendimento 25,6% superior ao obtido por plantas adubadas com fertilizante nitrogenado mineral. O custo de produção mais elevado registrou-se no tratamento com fertilizante nitrogenado, totalizando R$ 2.697,70 ha⁻¹, enquanto a coinoculação com Rhizobium + Azospirillum apresentou o menor custo, de R$ 2.157,10 ha⁻¹.

O custo elevado do tratamento com fertilizante mineral está relacionado ao uso da ureia, insumo de elevado valor comercial, que encarece significativamente o tratamento nitrogenado. A coinoculação, por utilizar insumos biológicos com custo reduzido, configura uma alternativa viável à adubação tradicional.

Quanto à composição dos custos, o tratamento com fertilizante nitrogenado destinou 54% do total aos insumos, 26% às operações agrícolas e 20% aos demais custos.

Além disso, os autores observaram que, em solo arenoso, o uso de fertilizantes nitrogenados elevou os custos de produção do feijoeiro, enquanto a coinoculação com R. tropici e A. brasilense promoveu aumento da produtividade, maior lucratividade e redução dos custos de produção.

Em síntese, os estudos confirmam que a inoculação na cultura do feijão é técnica e economicamente eficiente, favorecendo o aumento da produtividade, a redução de custos e a sustentabilidade agrícola. Os benefícios abrangem o solo, a lavoura e o produtor.

Mas afinal, qual a importância da escolha da estirpe a ser aplicada?

A importância da escolha de estirpes eficientes e adaptadas às condições locais

A escolha de estirpes aptas às condições locais assegura desempenho eficiente da inoculação e maior aproveitamento dos nutrientes pelas plantas (Galindo et al., 2018). A compatibilidade das bactérias com o clima e o solo da região é fundamental para a eficácia do processo.

A interação entre estirpe bacteriana e cultivar influencia diretamente a eficiência da FBN (Tabela 1). Cada estirpe apresenta desempenho específico, o que exige a utilização de materiais validados para a cultura e para as condições regionais.

Tabela 1. Diferenças na escolha das estirpes conforme o tipo de feijão cultivado

CRITÉRIOFEIJÃO-CARIOCA (E FEIJÃO-PRETO)FEIJÃO-CAUPI (FEIJÃO-DE-CORDA)
Gênero bacteriano predominanteRhizobiumBradyrhizobium
Estirpe recomendadaRhizobium tropiciBradyrhizobium spp.
Adaptação climáticaClimas tropicais e subtropicais, com maior umidadeClimas semiáridos, com alta resistência à seca
Adaptação ao soloSolos bem drenados, ácidos a neutros, com boa fertilidadeSolos de baixa fertilidade, secos, com alta acidez e salinidade
Ciclo da bactériaRápidoMais lento, adaptado a estresses hídricos
Sensibilidade a estressesModerada a altas temperaturas, sensível à seca extremaAlta resistência à seca, calor e solos pobres
Eficiência na FBNAlta em condições de boa umidade e temperatura moderadaAlta em condições de baixa umidade e estresse climático

Fonte: a autora (2025).

A espécie mais utilizada na inoculação do feijão é Rhizobium tropici, reconhecida pela alta eficiência simbiótica com o feijoeiro, especialmente em ambientes tropicais e solos ácidos. Essa espécie é o principal inoculante para o feijão carioca e preto, variedades do feijão-comum (Phaseolus vulgaris).

Para o feijão-caupi (Vigna unguiculata), utiliza-se estirpes de Bradyrhizobium spp., adaptado a regiões semiáridas, com alta resistência à seca e maior eficiência na FBN em condições adversas.

A adoção de estirpes aptas às condições locais fortalece a eficiência biológica do sistema, eleva o aporte nutricional das plantas melhorado a fertilidade do solo e reduzindo a dependência de fertilizantes nitrogenados.

Critérios técnicos para a escolha do inoculante correto para sua lavoura

  • Espécie de feijão cultivada: Use sempre inoculantes específicos para cada cultivar (feijão comum ou feijão-caupi).
  • Estirpe bacteriana: Opte por produtos com estirpes comprovadas em eficiência na FBN, como Rhizobium tropici (feijão comum) ou Bradyrhizobium spp. (feijão-caupi).
  • Formulação: Avalie se é líquida ou turfosa, considerando logística, armazenamento e praticidade na aplicação.
  • Compatibilidade: Verifique se o inoculante é compatível com tratamentos químicos das sementes. Linhas com tecnologia Extend, Cell Protect ou equivalente oferecem maior proteção das bactérias.
  • Condições do solo: Solos muito ácidos, com alta temperatura ou baixa umidade exigem produtos com maior resistência a estresses abióticos.

Inoculante para feijão: Produtos disponíveis no mercado

No Brasil, o mercado de bioinsumos mantém crescimento acima de 15% ao ano. Em 2024, o setor cresceu 17%, e a expectativa para 2025 é de alta de 12,4% (ANPII Bio), sinal de que o interesse dos produtores segue em expansão.

Segundo Andreata et al. (2024), até abril de 2024, o mercado registrou 636 produtos no mercado de inoculantes, com parte destinada às culturas de soja, feijão, milho, trigo e amendoim, que juntas concentram a maior parcela dos registros.

Existem inoculantes específicos para cada cultivar de feijão? É fundamental entender que não existe um único inoculante que atenda a todas as espécies de feijão, devido à especificidade na relação entre a planta e as bactérias fixadoras.

A seguir, são apresentados alguns inoculantes disponíveis no mercado brasileiro e suas principais características:

Tabela 2. Produtos, estirpes e características técnicas dos principais inoculantes comerciais para feijão no Brasil

PRODUTOESPÉCIE DE FEIJÃOESTIRPE BACTERIANACARACTERÍSTICAS
Masterfix Feijão (Stoller)Feijão comum (carioca ou preto)Rhizobium tropici (SEMIA 4080)Alta eficiência em fixação biológica, resistente à acidez e déficit hídrico.
Biomax Feijão (Total Biotecnologia)Feijão comum (carioca ou preto)Rhizobium tropici (SEMIA 4080)Formulação líquida concentrada, favorece aderência e rápida colonização.
Rizoliq Feijão (Rizobacter)Feijão comum (carioca ou preto)Rhizobium tropiciTecnologia de proteção celular, prolonga viabilidade e desempenho no campo.
Masterfix Feijão-Caupi (Stoller)Feijão-caupiBradyrhizobium yuanmingense (SEMIA 6462)Alta eficiência em solos de cerrado e semiáridos, resistência a estresse térmico.
Rizoliq Feijão-Caupi (Rizobacter)Feijão-caupiBradyrhizobium spp.Tecnologia Cell Protect, maximiza a sobrevivência das bactérias nas sementes tratadas.
Biomax Feijão-Caupi (Total Biotecnologia)Feijão-caupiBradyrhizobium spp.Formulação líquida de alta concentração, favorece rápida colonização das raízes.
Fonte: a autora (2025).

Inoculantes líquidos e turfosos: quais as diferenças e quando utilizar?

No mercado agrícola, os inoculantes são encontrados em duas formulações: líquida e turfosa. O inoculante líquido possui alta concentração de bactérias, fácil manuseio, boa aderência às sementes e rápida ativação no solo.

Já o inoculante turfoso é formulado à base de turfa esterilizada, que oferece excelente proteção às bactérias, maior vida útil e estabilidade, mesmo em ambientes com variações de temperatura.

Enquanto os inoculantes líquidos priorizam agilidade na colonização e facilidade operacional, os turfosos garantem maior robustez e durabilidade das bactérias até o momento da aplicação. Ambos exigem cuidados rigorosos com armazenamento e validade.

A escolha pelo produtor depende de fatores como sistema de plantio, clima, logística, disponibilidade de equipamentos e compatibilidade com defensivos.

Práticas recomendadas para a inoculação eficiente no feijão

Adotar práticas corretas na inoculação é fundamental para garantir a eficiência da fixação biológica de nitrogênio e o máximo desempenho agronômico da cultura. Confira as principais recomendações técnicas:

MÉTODOS DE APLICAÇÃO:

Os métodos mais utilizados para inoculação do feijão são o tratamento de sementes, a aplicação no sulco de plantio e a pulverização na linha de plantio.

  • Tratamento de sementes: garante contato imediato das bactérias com as raízes, favorecendo a nodulação precoce.
  • Aplicação no sulco: indicada quando há uso de defensivos incompatíveis. Também oferece maior proteção contra estresses ambientais no solo.
  • Pulverização na linha permite distribuir uniformemente as bactérias no perfil do solo.

Comparações práticas: Na tabela 3 são apresentados os principais tipos de inoculantes e suas formas de aplicação recomendadas, incluindo doses e métodos práticos para uso em sementes e solo.

Tabela 3. Tipos de inoculantes (líquido e turfoso) e formas de aplicação

FORMA DE APLICAÇÃOTIPO DE INOCULANTEDOSEMODO DE APLICAÇÃO
SementeInoculante Turfoso1 dose (1,2 × 10⁶ células viáveis por semente)Umedeça as sementes com solução açucarada (ou outra substância adesiva) e misture bem. Adicione o inoculante, homogeneíze e deixe secar à sombra. Utilize equipamentos apropriados, como tambor giratório ou betoneira.
SementeInoculante Líquido1 dose (1,2 × 10⁶ células viáveis por semente)Aplique o inoculante diretamente sobre as sementes, misture uniformemente e deixe secar à sombra.
Sulco de semeaduraInoculante Líquido6 doses (7,2 × 10⁶ células viáveis por semente)Volume mínimo de aplicação (inoculante + água) deve ser 50 a 100 L/ha. A calda deve ser aplicada diretamente no sulco, durante o processo de semeadura, por meio de pulverizadores adaptados ou tanques acoplados à semeadora.
Linha de semeaduraInoculante Granulado1 dose (1 × 10⁶ células viáveis por semente)Aplicar diretamente na linha por equipamento de semeadura. Não misturar com fertilizantes. Produto pronto para uso, dispensando preparo prévio.
Fonte: Embrapa, 2021.

CUIDADOS NO MANUSEIO:  No momento da aplicação, é necessário:

  • Evitar exposição direta ao sol e ao calor, que comprometem a viabilidade das bactérias.
  • Aplicar o inoculante em local sombreado e realizar a semeadura logo após o tratamento, minimizando perdas de eficiência.

ARMAZENAMENTO DOS INOCULANTES: O armazenamento correto garante a eficácia dos inoculantes até a data de vencimento.

  • Produtos líquidos: exigem refrigeração entre 5 °C e 25 °C;
  • Produtos turfosos: apresentam maior tolerância térmica, porém demandam locais protegidos de calor e umidade excessivos.
  • Respeitar o prazo de validade e seguir todas as recomendações do fabricante;

A tabela 4 apresenta de forma sintetizada as principais práticas recomendadas para a inoculação do feijão.

Tabela 4. Resumo para as boas práticas para inoculação do feijão

PRÁTICA RECOMENDADAOBJETIVO
Usar sementes sem fungicidas incompatíveis ou escolher inoculantes específicos para tratamento industrialProteger as bactérias e garantir nodulação eficiente
Aplicar na sombra e plantar imediatamente após o tratamentoAumentar a viabilidade das bactérias
Evitar solos secos ou saturados de águaAssegurar condições ideais para atividade biológica
Armazenar em local fresco, ventilado e longe do solPreservar a viabilidade e estabilidade do inoculante
Seguir as recomendações técnicas do fabricanteMaximizar a eficiência da inoculação e evitar perdas
Fonte: a autora (2025).

Essas são práticas essenciais para assegurar uma nodulação eficiente e maximizar os ganhos agronômicos da fixação biológica de nitrogênio.

Inoculação em feijão irrigado vs. sequeiro

A inoculação e o plantio do feijão no Brasil variam significativamente entre os sistemas de cultivo irrigado e de sequeiro, influenciados por fatores como disponibilidade hídrica, condições climáticas e práticas agrícolas regionais.

Assim, as estratégias de inoculação podem variar entre os sistemas de cultivo irrigado e de sequeiro, devido às diferenças nas condições ambientais e operacionais.

No cultivo de feijão irrigado, presente em estados como Goiás, Minas Gerais e São Paulo, há maior controle sobre a disponibilidade de água, permitindo práticas mais flexíveis de inoculação.

A aplicação pode ser feita diretamente nas sementes ou no sulco de plantio, com menor risco de estresse hídrico para os microrganismos. Além disso, a irrigação regular contribui para uma nodulação mais uniforme e eficiente, potencializando os benefícios da FBN.

O cultivo de feijão de sequeiro depende exclusivamente das chuvas, sendo comum em regiões como o Nordeste brasileiro. A inoculação nesse sistema enfrenta desafios devido à variabilidade hídrica, exigindo cuidados específicos para garantir a sobrevivência das bactérias fixadoras de nitrogênio.

Recomenda-se a utilização de inoculantes turfosos, que oferecem maior proteção às bactérias em condições adversas. A turfa atua como matriz protetora, prolongando a viabilidade e eficácia das bactérias no solo.

Em resumo, embora os princípios básicos da inoculação do feijão sejam semelhantes nos sistemas irrigado e de sequeiro, as práticas devem ser ajustadas às condições específicas de cada sistema para garantir a eficácia da FBN e o sucesso da cultura.

Conclusão

Neste artigo, você conferiu como os inoculantes representam uma ferramenta estratégica para intensificar a fixação biológica de nitrogênio na cultura do feijão, promovendo maior eficiência agronômica.

E que a escolha correta do produto, com estirpes bacterianas compatíveis com cada espécie, como o feijão carioca ou o feijão-caupi, permite reduzir significativamente a dependência de fertilizantes nitrogenados, o que impacta diretamente na redução dos custos de produção e no aumento da rentabilidade.

Por fim, as boas práticas de inoculação, associadas à escolha adequada de estirpes e condições locais, garantem maior eficiência na nodulação e fixação do nitrogênio. Isso potencializa a produtividade do feijão, a saúde do solo e a sustentabilidade dos sistemas agrícolas.

Portanto, investir em inoculantes específicos e manejos técnicos adequados para a cultura é essencial para garantir vantagens agronômicas, econômicas e ambientais.

—

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Referências

ANDREATA, M. F. L.; AFONSO, L.; NIEKAWA, E. T. G.; SALOMÃO, J. M.; BASSO, K. R.; et al. Microbial Fertilizers: A Study on the Current Scenario of Brazilian Inoculants and Future Perspectives. Plants, v. 13, 2024.

ANPII. ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PROMOÇÃO E INOVAÇÃO DA INDÚSTRIA DE BIOLÓGICOS. Estatísticas. Disponível em: https://anpiibio.org.br/estatisticas/. Data de acesso: 11 Jun 2025.

CASTRO, L. O.; TEIXEIRA, I. R.; TEIXEIRA, G. C. S.; et al. Influence of Inoculant Application Methods on the Physiological Quality of Common Bean Seeds. Journal of Sustainable Development, v. 18, n. 2, p. 46, 2025. Doi: https://doi.org/10.5539/jsd.v18n2p46.

COELHO, L. G. F. et al. A inoculação do feijoeiro no Brasil: alternativas para aumentar a produtividade utilizando microrganismos promotores do crescimento vegetal. Planaltina, DF: Embrapa Cerrados. n. 384. ISSN 1517-5111, 47 p., 2021.

CONAB. Companhia Nacional de Abastecimento. Boletim da Safra de Grãos 2023/24. Disponível em: conab.gov.br. Acesso em 30 de maio 2025.

EMBRAPA. A inoculação do feijoeiro no Brasil: alternativas para aumentar a produtividade utilizando microrganismos promotores do crescimento vegetal. Jaguariúna, SP: Embrapa Agropecuária Oeste, 2021.

EMBRAPA. Bioprodutos geram até 214% de retorno sobre sua aplicação na cultura do feijão. Portal Embrapa, 19 mar. 2024. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias//noticia/87667244/bioprodutos-geram-ate-214-de-retorno-sobre-sua-aplicacao-na-cultura-do-feijao. Acesso em: 30 maio 2025.

GALINDO, F. S.; TEIXEIRA FILHO, M. C. M.; BUZETTI, S.; et al. Technical and economic viability of co-inoculation with Azospirillum brasilense in soybean cultivars in the Cerrado. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v. 22, n. 1, p. 51–56, 2018. 

OLIVEIRA, K. S.; VOLSI, B.; TELLES, T. S.; MENDES, A. D. R.; YUNES, J. S.; ANDRADE, D. S. Co-inoculation with Rhizobium, Azospirillum, and microalgae increases common bean yield and profitability. Agronomy Journal, v. 117, 2025. https://doi.org/10.1002/agj2.21719

SOUSA, W. S.; SORATTO, R. P.; PEIXOTO, D. S.; CAMPOS, T. S.; SILVA, M. B.; SOUZA, A. G. V.; TEIXEIRA, I. R.; GITARI, H. I. Effects of Rhizobium inoculum compared with mineral nitrogen fertilizer on nodulation and seed yield of common bean: A meta-analysis. Agronomy for Sustainable Development, 2022. https://doi.org/10.1007/s13593-022-00777-w.

Sobre o autor:

Izadora Cunha

Izadora de Cássia Mesquita da Cunha

Doutoranda em Biologia na Agricultura e Ambiente (CENA | USP)

  • Mestre em Microbiologia Agrícola ( Esalq | USP)
  • Eng. Agrônoma (Universidade Federal Rural da Amazônia – UFRA)
  • [email protected]
  • Perfil do Linkedin

Como citar esse artigo:

CUNHA, I.C.M. Vale a pena usar inoculante para feijão? Veja produtos, práticas e resultados.Blog Agroadvance. 2025. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-inoculante-para-feijao/. Acesso: xx Xxx. 20xx.

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