O efeito estufa é um fenômeno natural do sistema Terra-atmosfera que retém parte do calor próximo à superfície, regulando a temperatura média do planeta em níveis compatíveis com a vida. A radiação solar aquece a superfície terrestre, que em seguida reemite parte dessa energia na forma de radiação infravermelha. Determinados gases atmosféricos absorvem e reemitem essa radiação, reduzindo a perda de calor para o espaço e regulando o balanço energético global.
Sem esse mecanismo, a temperatura média da Terra seria aproximadamente 33 °C mais baixa. O problema não está na existência do efeito estufa, mas na sua intensificação decorrente do aumento das emissões antrópicas, especialmente desde a Revolução Industrial. Veja o vídeo abaixo para entender mais sobre o fenômeno:
De acordo com o último relatório do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), o aumento da concentração atmosférica de gases de efeito estufa (GEE) está relacionada ao aumento da frequência e da intensidade de eventos climáticos extremos, como secas, ondas de calor e precipitações intensas. Seus impactos não se restringem ao aquecimento global, mas incluem alterações nos ciclos hidrológicos, nos ecossistemas e na segurança alimentar.
A emissão de gases do efeito estufa tornou-se um indicador central em inventários climáticos e políticas ambientais. Diferentes setores econômicos contribuem para essas emissões, incluindo energia, transporte, indústria e agricultura. A compreensão científica desses gases envolve critérios como potencial de aquecimento global e tempo de permanência atmosférica (Júnior et al., 2022).
A agricultura ocupa posição estratégica nesse debate. Embora contribua para as emissões, o setor também apresenta expressivo potencial de mitigação quando práticas sustentáveis são adotadas. Manejo adequado do solo, sistemas integrados de produção e uso eficiente de insumos permitem reduzir emissões e aumentar o sequestro de carbono. Assim, para o agronegócio, compreender esse processo deixou de ser apenas uma discussão ambiental: tornou-se questão estratégica de produtividade, gestão de risco climático e posicionamento de mercado.
O que são gases do efeito estufa?
Os gases do efeito estufa são componentes atmosféricos capazes de absorver e reemitir radiação infravermelha. Essa propriedade físico-química os torna responsáveis por manter a temperatura média do planeta em níveis adequados à vida, regulando o balanço energético global.
Esses gases atuam como reguladores térmicos naturais. Após a superfície terrestre absorver energia solar e reemitir parte dela na forma de calor, esses compostos atmosféricos interagem com essa radiação, reduzindo sua dissipação direta para o espaço. O resultado é a manutenção de uma atmosfera mais aquecida do que seria na ausência desse fenômeno (TONETTO, 2025).
Do ponto de vista científico, os gases do efeito estufa diferem entre si em três critérios principais:
- Capacidade de absorção de radiação,
- tempo de permanência na atmosfera (vida média), e
- Potencial de Aquecimento global (PAG ou GWP – Global Warming Potential).
O Potencial de Aquecimento Global é um indicador que compara o impacto de um gás ao do dióxido de carbono (CO₂) em determinado horizonte de tempo (geralmente 20 ou 100 anos).
Embora sejam naturais e indispensáveis ao equilíbrio térmico da Terra, o aumento de sua concentração intensifica o forçamento radiativo e altera o sistema climático.
Principais gases do efeito estufa
Os principais gases do efeito estufa associados às atividades humanas são o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O).
Além deles, há gases industriais sintéticos, como hidrofluorcarbonetos (HFCs), perfluorcarbonetos (PFCs) e o hexafluoreto de enxofre (SF6), que, apesar de emitidos em menores volumes, apresentam elevado potencial de aquecimento global.
1) Dióxido de Carbono (CO2)
O CO2 é ogás do efeito estufa mais relevante em termos de volume global de emissões.
As principais fontes de emissão desse gás são:
- Queima de combustíveis fósseis,
- Mudanças no uso da terra,
- Processos industriais.
Seu longo tempo de permanência na atmosfera é longo e faz com que seus efeitos sejam acumulativos, tornando-o o principal responsável pelo forçamento radiativo de origem antrópica.
2) Metano (CH4)
O CH4 possui maior capacidade de retenção de calor por molécula quando comparado ao CO2, embora permaneça menos tempo na atmosfera.
- PAG em 100 anos: aproximadamente 27–30 vezes maior que o CO₂
- Vida média atmosférica: cerca de 12 anos
A sua emissão está fortemente associada à agropecuária:
- Fermentação entérica de ruminantes,
- Manejo de dejetos,
- Decomposição anaeróbia de matéria orgânica (como em áreas alagadas).
3) Óxido nitroso (N2O)
O N2O é um dos gases mais críticos sob a ótica agrícola.
- PAG em 100 anos: cerca de 265–273 vezes maior que o CO₂
- Vida média atmosférica: superior a 100 anos
Está diretamente associado:
- Ao uso de fertilizantes nitrogenados
- A processos microbiológicos no solo (nitrificação e desnitrificação)
Aqui está um ponto central para a agricultura: eficiência no uso de nitrogênio é também estratégia climática.
4) Gases industriais sintéticos
Os gases industriais sintéticos incluem:
- HFCs
- PFCs
- SF₆
Emitidos em menor volume, porém com elevado potencial de aquecimento global.
E o vapor d’água?
O vapor d’água também é um gás de efeito estufa relevante do ponto de vista físico, porém sua concentração atmosférica é regulada pelo ciclo hidrológico e pela temperatura. Por isso, ele é classificado como um feedback climático, ou seja, amplifica o aquecimento já iniciado por outros gases, mas não é considerado um agente primário associado diretamente às emissões antrópicas.

Qual gás do efeito estufa é mais poluente: CO ou CO₂?
Diferente do CO2, o monóxido de carbono (CO) não é classificado como um gás de efeito estufa direto.
No entanto, o CO tem um efeito indireto no clima. Ele participa de reações químicas na atmosfera que influenciam a concentração de outros gases, especialmente o metano (CH4).
O CO reage com radicais hidroxila (OH), que são responsáveis por degradar o metano. Quando há aumento de CO na atmosfera, ocorre consumo de OH, reduzindo a capacidade de remoção do CH4 e prolongando sua permanência atmosférica.
Dessa forma:
- CO2: gás de efeito estufa direto
- CO: Influencia indiretamente o aquecimento global.
O que o efeito estufa intensificado causa no clima global?
Quando intensificado pelo aumento das concentrações atmosféricas de gases, o efeito estufa provoca alterações significativas no sistema climático global. Entre os principais impactos, destacam-se:
- Aumento da temperatura média global
A elevação do forçamento radiativo intensifica o aquecimento da superfície terrestre e da baixa atmosfera, alterando o equilíbrio térmico do planeta.
- Maior frequência e intensidade de eventos extremos
Observa-se aumento na ocorrência de ondas de calor, secas prolongadas, chuvas intensas e tempestades mais severas, afetando sistemas naturais e produtivos. Para o produtor rural, isso significa maior instabilidade produtiva.
- Alterações no ciclo hidrológico
Mudanças nos padrões de precipitação impactam a disponibilidade hídrica, provocando períodos de estiagem mais longos em algumas regiões e excesso de chuvas em outras. Isso altera a recarga de aquíferos e o planejamento de safras.
- Derretimento de geleiras e elevação do nível do mar
O aquecimento global contribui para a perda de massa de calotas polares e geleiras, resultando na expansão térmica dos oceanos e aumento do nível médio do mar. Esses impactos são mais evidentes em regiões costeiras.
- Impactos sobre ecossistemas e produção agrícola
Mudanças climáticas afetam a distribuição de espécies, a produtividade dos ecossistemas e a estabilidade da produção de alimentos, com implicações diretas para a segurança alimentar:
- Alteração de zonas de cultivo
- Estresse térmico em culturas
- Mudança na dinâmica de pragas e doenças
- Riscos à segurança alimentar
O clima sempre variou ao longo da história. O que diferencia o momento atual é a velocidade da mudança.
O papel da agricultura na mitigação dos gases do efeito estufa
A agricultura é frequentemente apontada como fonte relevante de emissão de gases do efeito estufa, especialmente devido às atividades relacionadas ao uso do solo, fertilização nitrogenada e produção pecuária, mas também é um dos poucos setores capazes de atuar como sumidouro de carbono.
Quando bem manejado, o solo é um dos maiores reservatórios de carbono do planeta.
Sequestro de Carbono no solo
Sistemas conservacionistas, como plantio direto, rotação de culturas e uso de plantas de cobertura, promovem o aumento da matéria orgânica do solo. Esse processo favorece o armazenamento de carbono em frações estáveis, contribuindo para a redução da concentração atmosférica de CO2.

Mais do que discurso ambiental, isso representa: melhor estrutura do solo, maior retenção de água, maior eficiência no uso de nutrientes e resiliência produtiva.
Uso estratégico de bioinsumos
A adoção de bioinsumos contribui para a melhoria da saúde e da fertilidade do solo, promovendo maior eficiência biológica e aumento da fixação biológica de nitrogênio pelas plantas.
Considerando que a produção industrial de fertilizantes nitrogenados é altamente dependente de combustíveis fósseis, a eficiência biológica reduz emissões diretas e indiretas.

Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF)
Sistemas integrados aumentam a eficiência do uso da terra, promovem maior ciclagem de nutrientes e ampliam o estoque de carbono tanto no solo quanto na biomassa vegetal.
Dessa forma, embora a agricultura contribua para a emissão de gases do efeito estufa, ela também é parte essencial da solução climática. Quando bem manejado, o agro pode atuar como um importante sumidouro de carbono e como agente estratégico na mitigação das mudanças climáticas.
Agricultura: problema ou parte da solução?
A discussão climática muitas vezes simplifica o debate. A agricultura emite, sim. Especialmente via:
- Metano (pecuária)
- Óxido nitroso (fertilização nitrogenada)
- Mudanças no uso do solo
Mas também é o setor com maior capacidade de:
- Estocar carbono no solo
- Recuperar áreas degradadas
- Intensificar produção sem expansão de área
A agenda climática no agro não é ideológica — é técnica.
Eficiência de uso de nitrogênio, manejo conservacionista e intensificação sustentável são práticas que unem produtividade e responsabilidade ambiental.
Conclusão
O efeito estufa é um fenômeno natural essencial ao equilíbrio térmico do planeta, mas sua intensificação, impulsionada pelo aumento das emissões antrópicas, tem promovido aquecimento global e alterações significativas no sistema climático. Os impactos incluem aumento da temperatura média, maior ocorrência de eventos extremos e efeitos diretos sobre ecossistemas e produção agrícola.
Nesse cenário, a agricultura ocupa posição estratégica. Embora contribua para as emissões, o setor também apresenta elevado potencial de mitigação por meio de práticas sustentáveis, como plantio direto, uso de bioinsumos e sistemas integrados de produção. Assim, o agro pode atuar como parte fundamental da solução climática, conciliando produtividade e responsabilidade ambiental.
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Referências
PCC. Summary for Policymakers. In: Climate Change 2022: Impacts, Adaptation, and Vulnerability. Contribution of Working Group II to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change Cambridge: Cambridge University Press, 2022. Disponível em https://www.ipcc.ch/report/ar6/wg2/
» https://www.ipcc.ch/report/ar6/wg2/
JÚNIOR, J. C. DA S. et al. Inventário das emissões de gases de efeito estufa em uma companhia de saneamento. Revista AIDIS de Ingeniería y Ciencias Ambientales. Investigación, desarrollo y práctica, v. 15, n. 2, p. 530, 6 ago. 2022.
TONETTO, Vanildo. O efeito estufa natural e artificial. 2025. Trabalho de Conclusão de Curso – Instituto de Ciências Básicas da Saúde, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2025.
SEMENOV, S. M. Greenhouse effect and modern climate. Russian Meteorology and Hydrology, v. 47, n. 10, p. 725–734, 2022. DOI: 10.3103/S1068373922100016.
Sobre a autora:

Josiane Ap. V. de Oliveira
Pesquisadora de Pós-doutorado (UNESP/Botucatu)
- Doutora em Energia na Agricultura (UNESP/Botucatu)
- Mestre em Produção vegetal (UFMS)
- Engenheira Agrônoma (UNESP/Ilha Solteira)
Como citar este artigo:
OLIVEIRA, J.A.V. Gases de efeito estufa: quais são, impactos no clima e como a agricultura pode mitigar emissões. Blog Agroadvance. Publicado: 27 Fev. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-emissao-de-gases-do-efeito-estufa/. Data de acesso: 27 fev. 2026



