Ir para o conteúdo
  • Pós-Graduação
  • MBAs
  • Imersões
    • Imersão Internacional EUA
    • Imersão Internacional China
    • Imersão IA no Agro (SP)
    • Imersão Dinheiro no Agro
    • Produção de alta performance
  • Para empresas
    • Treinamento Corporativo
    • Agrosales
  • Eventos
    • Simpósio brasileiro de saúde do solo
  • Blog
  • Biblioteca
    • Agroclass
    • Agroteca
    • Conteúdo Gratuito
  • Pós-Graduação
  • MBAs
  • Imersões
    • Imersão Internacional EUA
    • Imersão Internacional China
    • Imersão IA no Agro (SP)
    • Imersão Dinheiro no Agro
    • Produção de alta performance
  • Para empresas
    • Treinamento Corporativo
    • Agrosales
  • Eventos
    • Simpósio brasileiro de saúde do solo
  • Blog
  • Biblioteca
    • Agroclass
    • Agroteca
    • Conteúdo Gratuito
Área do Aluno
  • Pós-Graduação
  • MBAs
  • Imersões
    • Imersão Internacional EUA
    • Imersão Internacional China
    • Imersão IA no Agro (SP)
    • Imersão Dinheiro no Agro
    • Produção de alta performance
  • Para empresas
    • Treinamento Corporativo
    • Agrosales
  • Eventos
    • Simpósio brasileiro de saúde do solo
  • Blog
  • Biblioteca
    • Agroclass
    • Agroteca
    • Conteúdo Gratuito
  • Pós-Graduação
  • MBAs
  • Imersões
    • Imersão Internacional EUA
    • Imersão Internacional China
    • Imersão IA no Agro (SP)
    • Imersão Dinheiro no Agro
    • Produção de alta performance
  • Para empresas
    • Treinamento Corporativo
    • Agrosales
  • Eventos
    • Simpósio brasileiro de saúde do solo
  • Blog
  • Biblioteca
    • Agroclass
    • Agroteca
    • Conteúdo Gratuito

Reguladores de crescimento e maturadores no algodão: como usar para melhorar produtividade e colheita

Entenda como reguladores de crescimento e maturadores no algodão ajudam a controlar o porte das plantas, uniformizar a abertura dos capulhos e melhorar a colheita.
  • Publicado em 03/07/2026
  • Alasse Oliveira da Silva
  • Algodão, Fisiologia vegetal
  • Publicado em 03/07/2026
  • Alasse Oliveira da Silva
  • Algodão, Fisiologia vegetal
  • Atualizado em 30/06/2026
produtor campo algodão máquina
Sumário

A produção moderna de algodão (Gossypium hirsutum L.) busca constantemente estratégias que permitam elevar a produtividade, melhorar a qualidade da fibra e aumentar a eficiência das operações de manejo e colheita.

Para atingir esses objetivos, é fundamental que o algodoeiro apresente desenvolvimento equilibrado ao longo de todo o ciclo, garantindo adequada formação das estruturas reprodutivas e bom aproveitamento dos recursos disponíveis.

Esse equilíbrio, porém, esbarra em dois grandes desafios da cultura: o elevado vigor vegetativo e a maturação desuniforme dos capulhos, que dificulta a colheita e reduz o potencial de qualidade do produto. Ambos comprometem o aproveitamento do potencial produtivo da lavoura.

Diante desse cenário, o manejo fisiológico tornou-se ferramenta estratégica nos sistemas modernos de produção de algodão. Nesse contexto, os reguladores de crescimento e os maturadores assumem papel de destaque na cotonicultura, auxiliando desde o controle do até a uniformização da maturação e da colheita. Neste artigo, são apresentados os principais conceitos relacionados a essas ferramentas, seus benefícios e recomendações de uso no manejo do algodoeiro.

Boa leitura!

Por que o crescimento vegetativo precisa ser controlado?

O algodoeiro apresenta hábito de crescimento indeterminado, que possibilita a emissão simultânea de estruturas vegetativas e reprodutivas durante parte expressiva do ciclo. Sua produtividade depende do equilíbrio entre essas duas frentes: enquanto o crescimento corresponde ao aumento irreversível da biomassa, o desenvolvimento envolve as mudanças fisiológicas e morfológicas associadas à transição entre os estádios fenológicos.

Figura 1. Produção de algodão no Oeste da Bahia. Fonte: Ana Júlia Corrêa (2026).   

Em condições favoráveis de água, nutrientes, radiação e temperatura, o crescimento vegetativo pode ocorrer de forma intensa. Nessas situações, parte dos fotoassimilados é direcionada à formação de folhas, ramos e estruturas de sustentação, em vez do enchimento e da retenção dos frutos. O resultado são plantas altas, com entrenós alongados e dossel fechado — arquitetura que:

  • reduz a retenção de estruturas reprodutivas e aumenta sua abscisão;
  • intensifica o sombreamento interno e reduz a penetração de luz;
  • dificulta as operações fitossanitárias e a colheita mecanizada;
  • pode comprometer a qualidade da fibra produzida.

Esse processo é governado por hormônios vegetais, sobretudo as giberelinas, produzidas nas regiões meristemáticas e responsáveis pelo alongamento dos entrenós e pela expansão dos tecidos vegetativos — exatamente o ponto sobre o qual os reguladores de crescimento atuam.

reguladores de crescimento
Figura 2. Reguladores de crescimento: arquitetura, retenção de frutos e qualidade da fibra. Fonte: Embrapa (2023).

Para que servem os reguladores de crescimento e os maturadores?

Os reguladores vegetais podem atuar como estimulantes ou retardadores do crescimento. Enquanto hormônios como auxinas, giberelinas e citocininas promovem o desenvolvimento das plantas, retardadores como o cloreto de mepiquat e o cloreto de clormequat reduzem o alongamento celular.

efeito da aplicação de regulador de crescimento
Figura 3. Efeito da aplicação de regulador de crescimento na redução do comprimento dos entrenós e no controle do crescimento vegetativo do algodoeiro. Fonte: Prof. Dr Juan Piero Antonio Raphael (Esalq/USP) (2026).

Já os maturadores, desfolhantes e promotores de abertura de frutos são empregados na fase final do ciclo para acelerar a maturação fisiológica dos capulhos, promover a queda das folhas e favorecer a abertura uniforme dos frutos. Sua aplicação reduz a permanência da cultura no campo, minimiza perdas por condições climáticas adversas, contribui para a qualidade da fibra e aumenta a eficiência da colheita mecanizada.

Principais reguladores de crescimento utilizados na cultura do algodoeiro

O sucesso do manejo fisiológico do algodoeiro depende diretamente da escolha adequada do regulador de crescimento e da definição correta da estratégia de aplicação. Entre os ingredientes ativos mais utilizados destacam-se o cloreto de mepiquat e o cloreto de clormequat, considerados as principais ferramentas para o controle do porte das plantas em sistemas de produção de algodão.

Cloreto de mepiquat

O cloreto de mepiquat é o regulador de crescimento mais utilizado na cultura do algodoeiro, devido à sua eficiência no manejo do vigor vegetativo, à segurança agronômica e à flexibilidade de aplicação. Sua ação reduz o alongamento dos entrenós e a área foliar, aumenta a penetração de luz no dossel e melhora a distribuição dos assimilados para as estruturas reprodutivas, resultando em plantas de menor altura.

cloreto de mepiquat estrutura



Figura 4. Estrutura química do cloreto de mepiquat. Fonte: Adaptado de Supelco (Merck) (2026).

Cloreto de clormequat

O cloreto de clormequat apresenta mecanismo de ação semelhante ao do cloreto de mepiquat. Sua aplicação limita o desenvolvimento vegetativo das plantas, reduz a altura e o comprimento dos entrenós, favorecendo uma melhor distribuição dos assimilados para os órgãos reprodutivos.

Embora sua eficiência agronômica seja reconhecida, seu uso é menos frequente que o do cloreto de mepiquat em sistemas comerciais. A magnitude das respostas pode variar conforme a cultivar, as condições ambientais e o momento de aplicação. Portanto, a escolha do produto deve considerar as características do sistema produtivo e o potencial vegetativo da lavoura.

Modo de ação dos cloretos

O cloreto de mepiquat (CM) e o cloreto de clormequat (CC) atuam como reguladores de crescimento por inibirem enzimas-chave da rota de biossíntese das giberelinas, principalmente a CDP-sintase — ent-copalil difosfato sintase (CPS) — e, em menor intensidade, a ent-caureno sintase (KS). Essas enzimas são produzidas nos proplastídios de células jovens em divisão, especialmente nos tecidos meristemáticos localizados nos ápices e folhas novas.

pontos de atuação dos reguladores de crescimento
Figura 5. Principais pontos de atuação dos reguladores de crescimento na via biossintética das giberelinas. Fonte: Rademacher (2000, 2016).

O mecanismo ocorre pela mimetização de intermediários carbocatiônicos envolvidos nas reações de ciclização da via metabólica, bloqueando o acesso ao sítio catalítico das enzimas. Como consequência, há interrupção da formação de ent-caureno, precursor essencial para a síntese das giberelinas, resultando na redução da produção de GA₁₂ e, subsequentemente, de GA₁. A menor disponibilidade desses fito-hormônios limita o alongamento celular, promovendo plantas mais compactas e com arquitetura mais adequada ao manejo da cultura.

Manejo e estratégias de aplicação dos reguladores de crescimento no algodoeiro

A eficiência dos reguladores de crescimento está diretamente relacionada à definição adequada do momento de aplicação, da dose utilizada e da estratégia de manejo adotada ao longo do ciclo. A eficiência dos reguladores vegetais depende do acompanhamento contínuo da lavoura. Como o crescimento varia conforme o ambiente e a cultivar, é fundamental identificar precocemente sinais de excesso de vigor para definir o momento adequado de aplicação.

Critérios para a tomada de decisão

A recomendação deve basear-se em critérios fisiológicos e agronômicos capazes de indicar o potencial vegetativo da lavoura. Entre os principais parâmetros estão: a altura das plantas, o comprimento dos entrenós, a taxa de crescimento e a relação entre estruturas vegetativas e reprodutivas.

O monitoramento desses indicadores permite identificar precocemente situações de desequilíbrio.

Nesse contexto, a avaliação dos últimos entrenós é uma das ferramentas mais utilizadas, pois seu alongamento excessivo indica alta atividade vegetativa e necessidade de intervenção.

Tomada de decisão com base na “regra do ponteiro”: quando aplicar?

A chamada “regra do ponteiro” é uma metodologia prática amplamente utilizada no manejo do algodoeiro para auxiliar na decisão sobre a aplicação de reguladores de crescimento. O procedimento inicia-se pela avaliação do primeiro entrenó localizado no ápice da planta, que deve apresentar comprimento igual ou superior a 1,2 cm. Confirmada essa condição, realiza-se a contagem dos cinco primeiros nós a partir do ponteiro em direção à base da planta.

Em seguida, mede-se a distância total entre o primeiro e o quinto nó e divide-se esse valor por cinco, obtendo-se o comprimento médio dos entrenós da região apical. Quando a média é igual ou superior a 3,5 cm, recomenda-se a aplicação de reguladores, pois indica vigor vegetativo elevado e potencial para crescimento excessivo.

aplicação da regra do ponteiro a campo
Figura 6. Aplicação da regra do ponteiro para monitoramento do crescimento vegetativo e definição do manejo com reguladores de crescimento no algodoeiro. Fonte: Echer et al., (2014).

O manejo busca manter um padrão de crescimento mais equilibrado, com entrenós próximos de 3,0 cm. Por exemplo, uma distância de 16 cm entre o primeiro e o quinto nó resulta em média de 3,2 cm por nó, indicando a necessidade de monitoramento da evolução do crescimento vegetativo.

Dessa forma, a regra do ponteiro constitui uma ferramenta simples e eficiente para monitorar o desenvolvimento vegetativo e ajustar o manejo ao longo do ciclo do algodoeiro.

Momento da primeira aplicação

Aplicações precoces podem restringir o desenvolvimento inicial da planta, enquanto intervenções tardias reduzem a capacidade de correção do excesso de crescimento já estabelecido. Por essa razão, a definição do estádio fenológico adequado representa um dos principais desafios do manejo.

Rossi et al. (2020) realizaram a primeira aplicação quando as plantas apresentavam aproximadamente 50 cm de altura média e estádio fenológico B1, utilizando esse critério como referência para o início do programa e realizando aplicações subsequentes conforme o crescimento dos entrenós da haste principal. A literatura demonstra que a antecipação da aplicação em lavouras com elevado potencial vegetativo permite maior controle do porte final das plantas e reduz a necessidade de intervenções corretivas mais intensas durante o ciclo.

Definição das doses

O ajuste correto da dose é fundamental para o sucesso do manejo. Aplicações abaixo da necessidade da cultura podem apresentar baixa eficiência, enquanto doses excessivas podem causar restrição ao desenvolvimento vegetal e prejuízos à formação reprodutiva. Assim, a recomendação deve considerar o histórico da área, a cultivar utilizada, a fertilidade do solo, a disponibilidade hídrica e as condições climáticas previstas para o período subsequente à aplicação.

Resultados obtidos por Rossi et al. (2020) indicaram que doses crescentes dos reguladores promoveram redução da altura das plantas e do diâmetro da haste, com resposta mais expressiva próxima à dose de 200 mL ha⁻¹ do produto comercial. Entretanto, os autores observaram redução no número de capulhos abertos e na produtividade de algodão em caroço em níveis mais elevados, evidenciando a importância do ajuste criterioso da dose.

Condições de crescimento

I – Regular: cultivar de ciclo precoce e precoce-médio com taxa diária de crescimento de ao menos 1,5 cm;

II – Favorável: cultivar de ciclo médio-tardio ou tardio de crescimento vigoroso com taxa diária de crescimento de ao menos 1,25 cm;

III – Muito favorável: cultivares vigorosas associadas a condição ambiental propícia ao crescimento acelerado, como boa umidade do solo e altas temperaturas (acima de 30 °C), considerando taxa diária de crescimento de 1,0 cm.

doses de regulador de crescimento em função da altura de plantas de algodão
Figura 7. Estimativa das doses de regulador de crescimento em função da altura das plantas e das condições de crescimento do algodoeiro. Fonte: Echer e Rosollem (2017).

A aplicação deve ser realizada de forma parcelada ao longo do ciclo, acompanhando o desenvolvimento vegetativo e evitando reduções bruscas no crescimento. Como exemplo prático, para produtos à base de cloreto de mepiquat, como o Pix HC®, recomenda-se iniciar as aplicações com doses entre 50 e 70 mL ha⁻¹ nas primeiras intervenções, utilizando a formulação padrão. Durante o pré-florescimento, as doses podem ser elevadas para 100 a 150 mL ha⁻¹, conforme o vigor da lavoura. Em situações de crescimento excessivo, podem ser necessárias aplicações de 200 a 250 mL ha⁻¹.

O manejo deve sempre priorizar aplicações sequenciais e ajustadas ao desenvolvimento da cultura, evitando o uso de doses elevadas em uma única aplicação, prática conhecida como “travar” a planta, o que pode reduzir a eficiência do manejo e o desempenho da lavoura.

Aplicações parceladas

O parcelamento representa uma das estratégias mais utilizadas na cotonicultura moderna. Consiste na divisão da dose total em múltiplas aplicações realizadas ao longo do desenvolvimento da cultura, permitindo melhor adequação do manejo às condições observadas no campo.

Entre as principais vantagens destacam-se a redução do risco de superdosagem, maior flexibilidade para ajustes durante o ciclo e melhor adaptação às variações climáticas.

Rossi et al. (2020) utilizaram quatro aplicações correspondentes a 25% da dose total em cada intervenção, estratégia que permitiu acompanhamento contínuo da resposta das plantas ao regulador e correções graduais do crescimento vegetativo.

Influência das condições ambientais no algodoeiro

A recomendação deve permanecer dinâmica ao longo do ciclo: variações na disponibilidade hídrica, nas chuvas, na temperatura e na fertilidade do ambiente alteram a velocidade de crescimento das plantas e exigem ajuste das doses inicialmente planejadas.

etapas de monitoramento e ajuste do manejo de reguladores
Figura 8. Etapas de monitoramento e ajuste do manejo de reguladores de crescimento em lavouras de algodão. Fonte: Prof. Dr Juan Piero Antonio Raphael (Esalq/USP) (2026).

Formulações comerciais disponíveis

O avanço da indústria de defensivos resultou em diferentes formulações comerciais destinadas ao manejo fisiológico do algodoeiro, contendo cloreto de mepiquat isoladamente ou associado a outras moléculas, com o objetivo de ampliar a eficiência fisiológica e a persistência da resposta agronômica.

Os principais produtos registrados estão reunidos na Tabela 1.

A escolha da formulação deve considerar a concentração do ingrediente ativo, a facilidade operacional, o custo de aplicação e o histórico de resposta da lavoura.

Independentemente do produto selecionado, a eficiência do regulador está associada ao correto posicionamento da tecnologia no campo, especialmente quanto à dose, ao estádio fenológico e às condições ambientais no momento da pulverização.

Tabela 1. Principais reguladores de crescimento e maturadores registrados para a cultura do algodoeiro no Brasil

Nome comercialIngrediente(s) ativo(s)Concentração do(s) i.a.
Aplic (Bayer)Cloreto de mepiquat (amônio quaternário) + ciclanilida (carboxanilida)88,2 g L⁻¹ + 22,1 g L⁻¹
Flaxtom (UPL)Cloreto de mepiquat (amônio quaternário)250 g L⁻¹
Legend 250 SL (Albaugh Agro)Cloreto de mepiquat (amônio quaternário)250 g L⁻¹
Mepiforce (Jubailireg Brasil)Cloreto de mepiquat (amônio quaternário)50 g L⁻¹
Nadran (Luxembourg Brasil)Cloreto de mepiquat (amônio quaternário)50 g L⁻¹
Nadran 250 (Luxembourg Brasil)Cloreto de mepiquat (amônio quaternário)250 g L⁻¹
Pix HC (Basf)Cloreto de mepiquat (amônio quaternário)250 g L⁻¹
Sponsor (FMC)Cloreto de mepiquat (amônio quaternário)250 g L⁻¹
Stage (Basf)Cloreto de mepiquat (amônio quaternário)250 g L⁻¹
Tuval (Tradecorp)Cloreto de clormequat (amônio quaternário)100 g L⁻¹

Fonte: MAPA (2024).

Fatores que influenciam a eficiência dos reguladores de crescimento no algodoeiro

A resposta do algodoeiro aos reguladores varia conforme a interação entre o ingrediente ativo, as características genéticas da cultivar, o ambiente de cultivo e o manejo adotado.

Por isso, uma mesma dose pode resultar em efeitos distintos entre lavouras, ou até dentro de uma mesma área. Entre os principais fatores destacam-se o potencial vegetativo da cultivar, a disponibilidade hídrica, a fertilidade do solo, o manejo nitrogenado, a temperatura e as condições operacionais de aplicação.

Cultivar e potencial de crescimento vegetativo

Cultivares com elevado potencial produtivo frequentemente apresentam maior expressão vegetativa, exigindo monitoramento mais rigoroso. Já materiais de porte mais reduzido tendem a demandar menor intensidade de manejo.

Essas diferenças tornam inadequada a adoção de programas padronizados, exigindo ajustes específicos para cada material genético.

Além disso, plantas com elevado vigor tendem a apresentar respostas mais evidentes após a aplicação, enquanto materiais menos vigorosos podem manifestar redução excessiva do crescimento quando submetidos a doses elevadas.

Disponibilidade hídrica

A umidade do solo modula a resposta aos reguladores. Com adequada disponibilidade hídrica, a planta mantém elevada atividade metabólica e maior taxa de crescimento, condição em que os efeitos do produto se manifestam plenamente.

Já em situações de déficit hídrico, a atividade fisiológica reduzida limita a resposta às aplicações, exigindo cautela no uso dos reguladores.

Temperatura do ambiente

Souza (2007) demonstrou que diferentes regimes térmicos alteram a intensidade da resposta do algodoeiro ao cloreto de mepiquat, afetando crescimento, área foliar e atividade fisiológica das plantas. Como temperaturas elevadas — sobretudo acima de 32 °C — favorecem o crescimento vegetativo, o monitoramento da taxa de crescimento torna-se especialmente importante nesses ambientes para o ajuste das doses.

influência da temperatura na eficiência do cloreto de mapiquat
Figura 9. Influência da temperatura na eficiência do cloreto de mepiquat sobre o crescimento vegetativo do algodoeiro. Fonte: Rosolem et al. (2013).

Fertilidade do solo e disponibilidade de nitrogênio

Solos com adequada disponibilidade de nutrientes favorecem a formação de maior área foliar e o crescimento vegetativo. Entre os nutrientes, o nitrogênio tem papel de destaque por participar da síntese de proteínas, enzimas e compostos estruturais ligados ao crescimento.

O excesso de nitrogênio pode estimular crescimento acima do desejável, aumentando a altura das plantas e reduzindo a eficiência do sistema produtivo.

Ocorrência de chuvas após a aplicação

A precipitação após a pulverização é um dos fatores mais críticos para a eficiência dos reguladores, pois a chuva pode remover parte do produto depositado sobre a superfície foliar antes de sua absorção completa.

Souza (2007) avaliou perdas de reguladores em função de chuva simulada e verificou que o intervalo entre a aplicação e a precipitação influencia diretamente a resposta das plantas: quanto menor o período disponível para absorção, maior o risco de redução da eficiência agronômica. Esses resultados reforçam a importância do acompanhamento das condições meteorológicas antes das pulverizações.

Tecnologia de aplicação

Aspectos como volume de calda, uniformidade de distribuição, cobertura foliar, escolha de pontas e utilização de adjuvantes influenciam a absorção dos ingredientes ativos.

Aplicações realizadas sob condições inadequadas de temperatura, umidade relativa ou velocidade do vento podem comprometer a deposição do produto e reduzir sua eficiência.

A adoção de tecnologias adequadas de aplicação garante maior uniformidade de resposta entre plantas, de modo que a eficiência do manejo não depende apenas da escolha do produto, mas também da qualidade operacional no campo.

Conclusão

O manejo bem-sucedido de reguladores de crescimento e maturadores não se resume à escolha do produto: depende de um raciocínio encadeado ao longo do ciclo.

Monitorar os indicadores de crescimento, decidir o momento da intervenção com apoio de ferramentas práticas como a regra do ponteiro, parcelar as aplicações e ajustar as doses às condições de ambiente, cultivar e clima são as etapas que sustentam o equilíbrio entre o desenvolvimento vegetativo e o reprodutivo.

É esse acompanhamento contínuo, mais do que qualquer aplicação isolada, que permite aproveitar o potencial produtivo, reduzir perdas e obter fibra de elevada qualidade, atendendo às demandas da cotonicultura moderna.

—

Quer entender melhor como a nutrição influencia os processos fisiológicos das plantas?

Acesse gratuitamente o Guia Técnico de Fisiologia Vegetal da Agroadvance e veja como a deficiência de macronutrientes pode afetar o desenvolvimento, o metabolismo e o desempenho das culturas no campo. É só clicar em SAIBA MAIS!

O manejo do algodoeiro vai muito além da aplicação de produtos.

Como vimos neste artigo, o uso eficiente de reguladores de crescimento e maturadores depende da compreensão dos processos fisiológicos que controlam o crescimento vegetativo, o desenvolvimento reprodutivo, a retenção de estruturas produtivas e a maturação dos capulhos.

É esse conhecimento que permite tomar decisões mais precisas sobre momento de aplicação, dose, parcelamento e resposta da planta às condições de ambiente. Na Pós-graduação em Fisiologia e Nutrição de Plantas da Agroadvance, você aprofunda esses fundamentos e aprende a interpretar a planta de forma estratégica, conectando fisiologia, nutrição e manejo para melhorar a produtividade e a eficiência no campo

Referências

LAMAS, Fernando Mendes. Aplicação de reguladores de crescimento na cultura do algodoeiro. Dourados: Embrapa Agropecuária Oeste, 2006. (Circular Técnica, 121).

LAMAS, Fernando Mendes. Fitoreguladores bem manejados equilibram crescimento da planta. Visão Agrícola, Piracicaba, n. 6, p. 81-84, jul./dez. 2006.

LAMAS, Fernando Mendes; FERREIRA, Alexandre Cunha de Barcelos. Reguladores de crescimento, desfolhantes e maturadores. In: [LIVRO NÃO IDENTIFICADO NO TRECHO DISPONÍVEL]. Cap. 21, p. 777-787.

RAPHAEL, Juan Piero Antonio. Aula 3 – Reguladores de crescimento, desfolhantes e “maturadores” no algodoeiro. Piracicaba: Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo, Departamento de Produção Vegetal, Disciplina LPV0564 – Produção de Algodão, Café e Agroecologia, 2025. Material de aula.

ROSOLEM, Ciro Antonio; ECHER, Fábio Rafael; MELLO, Patrícia Rafaella de. Manual de boas práticas: manejo de reguladores de crescimento. [S.l.]: [s.n.], [s.d.].

ROSSI, Ana Carolina Marinho; SOUZA, Elen Regina Cáceres de; SILVA, Matheus Gustavo da. Reguladores de crescimento na cultura do algodão (Gossypium hirsutum L.). Research, Society and Development, v. 9, n. 9, e821997951, 2020. DOI: 10.33448/rsd-v9i9.7951.

SOUZA, Fábio Suano de. Ação de reguladores de crescimento no algodoeiro em função da ocorrência de chuvas, temperatura e adjuvante. 2007. 104 f. Tese (Doutorado em Agronomia – Agricultura) – Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista, Botucatu, 2007.

Sobre o autor:

Alasse Oliveira

Alasse Oliveira da Silva

Doutorando em Produção Vegetal (ESALQ/USP)

  • Engenheiro agrônomo (UFRA) e Técnico em agronegócio
  • Mestre e especialista em Produção Vegetal (ESALQ/USP)
  • [email protected]
  • Perfil do Linkedin
VER MAIS ARTIGOS DO AUTOR

Como citar este artigo:

SILVA, A. O. Reguladores de crescimento e maturadores no algodão: como usar para melhorar produtividade e colheita. Blog Agroadvance. Publicado: 03 Jul. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-reguladores-de-crescimento-e-maturadores-no-algodao/. Acesso: 03 jul. 2026

PESQUISAR

COMPARTILHAR

Mais Lidos Da Semana

Reguladores de crescimento e maturadores no algodão: como usar para melhorar produtividade e colheita
Leia mais »
Presença técnica no campo: o diferencial da fidelização de produtores rurais
Leia mais »
Ácido abscísico (ABA): o hormônio vegetal que coordena  estresse, dormência e define produtividade
Leia mais »

Categorias

  • Agricultura 5.0
  • Agronegócio
  • Algodão
  • Bioinsumos
  • Café
  • Cana-de-açúcar
  • Feijão
  • Fertilidade do Solo
  • Fisiologia vegetal
  • Fitossanitários
  • Gestão Agrícola
  • Gestão Comercial
  • Imersões
  • Inteligência Artificial
  • Máquinas Agrícolas
  • Marketing e Vendas
  • Milho
  • Mulheres no Agro
  • Notícias
  • Nutrição de plantas
  • Pecuária
  • Soja
  • Solos
  • Sorgo
  • Sustentabilidade
  • Trigo
VOCÊ TAMBÉM PODE GOSTAR:
presença técnica no campo
Gestão Comercial
Presença técnica no campo: o diferencial da fidelização de produtores rurais

Descubra como a presença técnica estruturada, a Rota do Leite e o processo LOPIS fortalecem a confiança, melhoram o atendimento no campo e aumentam

Leia mais »
Renato Seraphim e Francisco Negrini 01/07/2026
ácido abscísico
Fisiologia vegetal
Ácido abscísico (ABA): o hormônio vegetal que coordena  estresse, dormência e define produtividade

Entenda como o ácido abscísico (ABA) antecipa o estresse nas plantas, regula dormência, fechamento estomático e impacta diretamente a produtividade nas lavouras

Leia mais »
Deyvid Bueno 29/06/2026
Bicudo da cana sphenophorus levis - fases
Cana-de-açúcar
Bicudo da cana: 11 estratégias comprovadas para reduzir perdas no canavial

Descubra por que canaviais ainda perdem ATR para o bicudo da cana e quais estratégias realmente funcionam no manejo eficiente do Sphenophorus levis.

Leia mais »
Felipe Wohnrath 26/06/2026

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Agroadvance, Escola de Negócios Agro que conecta o campo à cidade, amplificando os resultados do agronegócio no Brasil e destacando a cultura e o valor do setor

Instagram Linkedin Youtube

Entre em Contato

  • Fale Conosco
  • WhatsApp
  • E-mail
  • Avenida Cezira Giovanoni Moretti, Nº 905, Térreo, Sala 01 - Santa Rosa - Piracicaba/sp - CEP: 13414-157
Links
  • Programa de Indicação
  • Política de Proteção de Dados
  • Política de Privacidade
  • Política de Uso de Cookies
  • Termos de Uso
  • Programa de Indicação
  • Política de Proteção de Dados
  • Política de Privacidade
  • Política de Uso de Cookies
  • Termos de Uso

©2026 Todos Os Direitos Reservados.