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Conservação do solo: Técnicas essenciais para sustentabilidade e produtividade

A conservação do solo é essencial para garantir a produtividade agrícola e a sustentabilidade ambiental. Neste artigo, vamos explorar o que é conservação do solo, sua importância e as práticas mais eficazes para protegê-lo.
  • Publicado em 11/10/2024
  • Nayana Alves Pereira
  • Solos, Sustentabilidade
  • Publicado em 11/10/2024
  • Nayana Alves Pereira
  • Solos, Sustentabilidade
  • Atualizado em 03/04/2025
Sumário

O solo é a base para a produção de alimentos, e sua preservação é crucial para assegurar a segurança alimentar global. Contudo, o manejo inadequado deste recurso, têm contribuído para a sua ampla degradação.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 33% dos solos no planeta estão degradados, aumentando o desafio em alimentar uma população mundial que deve chegar a 9 bilhões de pessoas em 2050.

Com isso, cresce também a perda de biodiversidade e esgotamento dos recursos hídricos, sendo essencial compreender práticas que promovem o manejo sustentável dos solos, diminuindo a erosão e favorecendo o uso eficiente dos recursos disponíveis.

Portanto, práticas agrícolas que visam promover a saúde do solo exerce influência direta na preservação da água e na regulação do seu ciclo, sendo um desafio global, coletivo e urgente.

Neste artigo, vamos esclarecer o que é conservação do solo, qual a importância, as principais práticas conservacionistas e como estas práticas podem contribuir para a manutenção da qualidade do solo e da água e sustentabilidade do sistema. 

O que é a conservação do solo e qual a sua importância?

A conservação do solo pode ser definida como “conjunto de princípios e técnicas agrícolas que visa o manejo correto do solo, para protegê-lo contra a erosão, degradação, perda de fertilidade e água, ao mesmo tempo em que mantém sua fertilidade e potencial produtivo”.

O solo se origina por meio de processos pedogenéticos, mediados pelos fatores: material de origem, clima, relevo, organismos e tempo. Para formar 1 cm de solo, pode ser necessário até 400 anos.

Portanto, manter ou melhorar a saúde do solo significa manter a saúde e integridade dos ecossistemas, já que solos resilientes são mais resistentes aos processos erosivos (Bernardi, 2022).

A principal meta das ações de conservação do solo é assegurar que o solo permaneça um recurso sustentável não só para a agricultura, mas para proteção ambiental e outros fins, garantindo a segurança da geração futura.

Práticas agrícolas sustentáveis ajudam a proteger o solo contra a erosão hídrica e evita sua desintegração e escoamento superficial da água. Isso contribui para reduzir o assoreamento e poluição de rios, lagos e represas causado pelo acúmulo de sedimentos.

Além disso, favorece o controle da lixiviação de nutrientes, como fósforo e nitrogênio, que podem contaminar as águas superficiais e subterrâneas, causando eutrofização.

Qual a importância da conservação do solo e por que preservar a estrutura do solo é tão importante?

O manejo sustentável do solo, adaptado ao correto tipo e uso, é uma boa forma de manter a boa estrutura do solo, pois esta propriedade é crucial não apenas para a produtividade agrícola, mas para a conservação ambiental e para prestação de serviços ecossistêmicos.

Alguns benefícios da manutenção da estrutura do solo podem ser obtidos, tais como:

  • Melhoria da infiltração e retenção de água: Um solo estruturado favorece a infiltração da água de forma eficiente, reduzindo riscos de erosão, além de melhorar a disponibilidade de água para as plantas durante períodos de estiagem.
  • Promove o crescimento das raízes: A estrutura adequada do solo facilita o desenvolvimento das raízes no perfil do solo, permitindo que as plantas explorem camadas mais profundas em busca de água e nutrientes.
  • Mantém a fertilidade do solo: A preservação da estrutura do solo e da matéria orgânica favorece a manutenção da fertilidade do solo a longo prazo.
  • Preserva a biodiversidade do solo: A estrutura do solo proporciona um ambiente propício para os organismos do solo, sendo eles fundamentais para a decomposição da matéria orgânica e a ciclagem de nutrientes.
  • Previne a compactação: A preservação da estrutura do solo favorece a porosidade e a aeração, atributos essenciais para infiltração e armazenamento de água, oxigenação e atividade dos organismos benéficos.
  • Reduz a erosão: Um solo estruturado é mais resistente à erosão hídrica (considerada o principal tipo de erosão no Brasil), prevenindo perdas de camadas férteis do solo, lixiviação de nutrientes, poluições e assoreamentos.

Logo, a implementação de práticas agrícolas voltadas para manter a saúde do solo e preservar sua integridade física, química e biológica tem impacto direto na conservação do solo, da água e na regulação de seu ciclo.

Principais práticas conservacionistas do solo

As principais técnicas de conservação do solo estão relacionadas às práticas vegetativas, edáficas e mecânicas. Porém, com o avanço da pesquisa, novas técnicas têm sido difundidas e exploradas. Vamos aprender um pouco sobre cada uma delas.

Práticas vegetativas de conservação do solo

Estas técnicas envolvem o uso de vegetação e cobertura vegetal para proteger o solo contra a erosão, além de melhorar a infiltração de água e aumentar a estabilidade dos agregados do solo, ou seja, fortalecer a estrutura do solo.

Estas práticas são importantes quando se pensa em sustentabilidade e preservação dos recursos naturais. Seguem alguns exemplos de práticas vegetativas realizadas:

  • Plantio direto: Baseia-se em manter o solo sempre coberto por plantas vivas e por resíduos vegetais, tendo como função, proteger o solo do impacto direto das gotas de chuva, do escoamento superficial e das erosões hídrica e eólica.
  • Adubação verde: Geralmente realiza-se o plantio de leguminosas, para manter o solo coberto e depois incorporá-las ao solo como fonte de nutrientes/matéria orgânica, melhorando a fertilidade e estrutura do solo.
  • Terraços vegetados: Consiste em criar terraços com cobertura vegetal ao longo de encostas para reduzir a velocidade do escoamento da água, controlando a erosão hídrica e estabilizando o solo.
  • Cultivo em faixas: Alternância de faixas de diferentes culturas ou cobertura vegetal em áreas de declive, o que ajuda a reduzir o escoamento superficial da água e a erosão.

Práticas edáficas de conservação do solo

Referem-se a técnicas de manejo e conservação do solo direcionadas para melhorar os atributos físicos, químicos e biológicos, a fim de garantir não só a produtividade, mas também a sustentabilidade a longo prazo. Vamos aprender um pouco sobre algumas delas?

  • Calagem: Fundamenta-sena aplicação de calcário para corrigir a acidez do solo. Ao elevar o pH, o solo torna-se mais fértil e propício para a absorção de nutrientes, além de melhorar a estrutura do solo para o crescimento das plantas.
  • Gessagem: A aplicação de gesso agrícola ajuda a melhorar a estrutura do solo, o favorecimento do crescimento radicular em profundidade, melhorando a infiltração de água e aumentando a eficiência da planta em condições de déficit hídrico.
  • Adubação orgânica: a adubação orgânica é uma fonte de nutrientes lenta e duradoura, melhorando substancialmente, os atributos do solo, como: agregação, atividade biológica, disponibilidade de nutrientes, redução de processos erosivos etc.
  • Adubação mineral: A adição de fertilizantes minerais melhora a eficiência da adubação, pela disponibilidade contínua de nutrientes para as plantas. A utilização deve ser equilibrada para evitar a degradação do solo a longo prazo.
  • Incorporação de matéria orgânica: A adição e incorporação de restos vegetais ou adubos verdes melhora a estrutura do solo, aumenta sua capacidade de retenção de água e promove uma maior diversidade microbiana, beneficiando a saúde do solo.

As práticas edáficas são essenciais para favorecer a conservação e o manejo sustentável do solo, mantendo sua resiliência e capacidade de prestação de serviços ecossistêmicos.

Práticas mecânicas de conservação do solo

Envolvem o uso de estruturas físicas ou intervenções com maquinário favorecer a drenagem e/ou infiltração da água no solo, proteger o solo de possíveis perdas por erosão, assim como preservar a camada fértil.

Essas técnicas são muito utilizadas em áreas de declives acentuados, pois são mais susceptíveis à erosão hídrica e as perdas de solo e água podem ser significativas, em especial a perda da camada mais fértil do solo.

Abaixo estão algumas das principais práticas mecânicas:

  • Curvas de nível: Consiste em realizar o preparo do solo (aração, gradagem) seguindo as curvas de nível do terreno, ou seja, acompanhando as elevações naturais. Isso ajuda a reduzir a velocidade do escoamento da água e, consequentemente, a erosão.

  • Terraços: Estruturas construídas em áreas de declive para interceptar e reduzir o escoamento superficial da água, minimizando a erosão e permitindo maior infiltração. Eles podem ser formados por barreiras de solo ou vegetação.

Você pode conhecer um pouco mais sobre a técnica do terraceamento, veja o vídeo abaixo:

Conservação do solo: importância dos terraços na lavoura.

  • Canais de drenagem: Construção de valas ou canais para direcionar o excesso de água superficial de forma controlada, evitando a erosão em áreas agrícolas. Eles ajudam a prevenir o encharcamento do solo e protegem contra a erosão.

As práticas mecânicas são fundamentais para o manejo de áreas suscetíveis à degradação, controlando a erosão e melhorando a conservação dos recursos hídricos e do solo.

É importante destacar que as técnicas devem ser implementadas de acordo com a área a ser conservada, considerando: vegetação local, tipo de cultura, relevo, aspectos ambientais e socioeconômicos de cada propriedade, além da finalidade da cultura a ser implantada.

Quais são as técnicas inovadoras de conservação do solo?

  • Técnicas de Geoprocessamento

Utilizar as ferramentas de Geoprocessamento no planejamento e gestão de uso da terra é umas das formas mais eficazes de planejar e conservar o solo, pois permite identificar o potencial de áreas para diferentes usos (agricultura, pecuária, mineração etc.).

A integração de diferentes informações geográficas, como imagens de satélites, dados de sensores remotos, mapas, dentre outros, proporciona uma visão mais abrangente e concisa do território, facilitando o planejamento, gestão e conservação do uso da terra.

Utilizar estas ferramentas na obtenção de dados detalhados, como: uso da terra, textura, vegetação e topografia, norteando um manejo adequado do solo com o monitoramento real e preciso de técnicas agrícolas, é eficaz para minimizar a degradação do solo (Figura 1).

análise de cobertura do solo por geoprocessamento para conservação do solo
Figura 1. Análise e uso da cobertura do solo com técnicas de geoprocessamento. Fonte: geosemfronteiras.o

Algumas das ferramentas mais utilizadas no planejamento de uso da terra e de conservação do solo, são: SIG (Sistema de Informação Geográfica), Sensoriamento Remoto e Modelagem de Dados Espaciais.

Diante dos benefícios proporcionados pelas ferramentas de geoprocessamento, vale ressaltar que é uma técnica complexa que exige conhecimento técnico, equipamentos e softwares especializados.

  • Monitoramento e modelagem do solo

O uso e ocupação do solo é um tema básico para o planejamento ambiental e conservação do solo, pois retrata atividades humanas e naturais que impactam o meio ambiente.

Neste sentido, a análise temporal e a modelagem dinâmica espacial permitem monitorar as modificações espaciais da paisagem e a predição destas alterações no futuro (Oliveira, 2015).

Para monitorar mudanças de uso e cobertura do solo, existem modelos computacionais ou plataformas de detecção de mudança do tipo LUCC (Land Cover and Use Change), que simulam fenômenos dinâmicos espaciais, como: expansão urbana, processos de ocupação etc.

Por meio de dados históricos e atuais, pode-se prever como o solo se comportará sob diferentes manejos, sendo crucial para visualizar padrões de mudança de uso do solo e desenvolver estratégias conservacionistas.

Em resumo, por meio da modelagem do solo, identifica-se áreas com maior risco de degradação, erosão ou compactação; simula-se situações do passado e pode-se planejar os passos futuros, tendo sempre a conservação do solo como princípio fundamental.  

A figura 2 exemplifica uma modelagem realizada em área costeira, sob uso e a ocupação inadequados do solo, o qual têm provocado degradação ambiental devido à proximidade com áreas urbanas, além de apontar a diminuição da área florestal pela antropização.

exemplo de modelagem do solo
Figura 2. Exemplo de modelagem do solo.  Fonte: Barros, 2018.

Desta forma, ressalta-se a importância de analisar o comportamento dos usos dos solos para se ter melhor entendimento das características físicas do meio e fornecer dados que embasem técnicas de conservações do solo e água, seja em escala regional ou global.

Este tipo de estudo é relevante porque reporta antecipadamente a vulnerabilidade ambiental de terminada área, já que os diferentes usos do solo (em especial uso agrícola, quando mal manejado) podem representar acentuado risco aos recursos naturais ali existentes.

Conclusão

A conservação do solo é fundamental para garantir a sustentabilidade agrícola, a segurança alimentar e a proteção dos ecossistemas.

A preservação da sua estrutura, fertilidade e capacidade de retenção de água ajuda a prevenir problemas como a erosão, desertificação e contaminação de corpos d’água, sendo as práticas de conservação, essenciais para o adequado funcionamento deste recurso.

O plantio direto, uso de cobertura vegetal e rotação de culturas, são fundamentais para manter a produtividade a longo prazo, reduzir o impacto das mudanças climáticas e assegurar que futuras gerações possam usufruir desse recurso indispensável.

Portanto, é necessário melhorar o diálogo entre a ciência e a tomada de decisões, além de estimular a tradução dos resultados científicos em políticas públicas.

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Referências 

BARROS, M. C. V. Modelagem da dinâmica espacial do uso e ocupação do solo no Município de Pitimbu-PB. 2018. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade federal da paraíba. Paraíba, 2018.

BERNARDI, C. C.B. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. 2022. In: https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/76870138/artigo-solo-saudavel-produz-mais-alimentos-e-traz-beneficios-ao-meio-ambiente#. Acesso: 08 de Outubro de 2024.

OLIVEIRA, M.A. Modelagem dinâmica espacial das classes de uso e cobertura da terra de Venâncio Aires/RS. 2015. Monografia (Graduação em Engenharia Ambiental) – Universidade do Vale do Taquari – Univates, Lajeado, jun. 2015. Disponível em: https://hdl.handle.net/10737/983.

Sobre a autora:

Nayana Alves Pereira

Analista de Produtos Educacionais B2B na Agroadvance

  • Engenheira Agrônoma (UFPI/Teresina)
  • Mestra em Solos e Nutrição de Plantas (UFPI/Bom Jesus)
  • Doutora em Solos e Nutrição de Plantas (ESALQ/USP)
  • [email protected]
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Como citar este artigo:

PEREIRA, N.A. Conservação do Solo: Técnicas essenciais para sustentabilidade e produtividade. Blog Agroadvance. 2024. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-conservacao-do-solo/. Acesso: xx de Xxx de 20xx.

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