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Tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas: como melhorar a eficácia de pulverização no campo

Entenda os princípios, elementos e práticas essenciais para reduzir perdas e melhorar a eficácia da pulverização através da tecnologia de aplicação de defensivos.
  • Publicado em 16/01/2026
  • Alexandre Augusto da Silva
  • Fitossanitários, Soja
  • Publicado em 16/01/2026
  • Alexandre Augusto da Silva
  • Fitossanitários, Soja
  • Atualizado em 14/01/2026
tecnologia de aplicação de defensivos. pulverização. trator aplicando herbicida
Sumário

A aplicação de defensivos agrícolas é uma prática recorrente na agricultura, seja para a prevenção ou o controle de pragas, doenças e plantas daninhas, com o objetivo de manter a sanidade das culturas e proteger o potencial produtivo da lavoura.

No entanto, quantas vezes o produtor utiliza o produto correto, na dose recomendada, e ainda assim não alcança o controle esperado no campo? Em muitos casos, o problema não está no defensivo em si, mas na forma e condições em que ele é aplicado.

Um exemplo clássico ocorreu em 2016, quando a deriva de dicamba aplicado em pós-emergência em variedades tolerantes de soja e algodão atingiu cerca de1,4 milhão de hectares de soja sensível, causando prejuízos significativos às lavouras. Situações como essa evidenciam que falhas na aplicação podem gerar perdas agronômicas, econômicas e ambientais.

Ao longo do ciclo das culturas, as pulverizações devem ser realizadas de forma eficiente, considerando não apenas o produto correto, mas também o equipamento, as condições ambientais e o preparo da calda.

A aplicação inadequada pode comprometer a sanidade da lavoura, aumentar riscos ao operador e causar a contaminação do ambiente. Por isso, entender e dominar a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas é essencial para reduzir perdas e aumentar a eficácia das pulverizações.

Neste artigo serão discutidos conhecimentos relacionados à tecnologia de aplicação, com informações que podem apoiar a tomada de decisão do manejo fitossanitário da lavoura, visando amenizar perdas e garantir a segurança ambiental e das pessoas envolvidas.

O que é tecnologia de aplicação e quais são seus objetivos?

A tecnologia de aplicação pode ser definida como um conjunto de conhecimentos  técnicos relacionados ao uso correto de produtos fitossanitários, envolvendo desde a escolha do defensivo até a forma como ele é aplicado sobre o alvo. Esse conceito engloba aspectos  como preparo da calda, seleção de equipamentos, regulagens, condições climáticas e capacitação do operador.

Na prática, a tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas busca garantir que o produto atinja o alvo desejado, na quantidade adequada e no momento correto, evitando perdas por deriva, evaporação ou escorrimento. Quando bem executada, a aplicação permite maior eficiência no controle de pragas, doenças e plantas daninhas, com menor desperdício de insumos.

Entre os principais objetivos da tecnologia de aplicação estão a cobertura eficiente do alvo, a redução de perdas durante a pulverização, a segurança do operador e a proteção do ambiente. Uma aplicação bem planejada contribui para o uso racional dos defensivos agrícolas, reduz riscos de contaminação e melhora o retorno econômico da operação.

Principais elementos que integram a tecnologia de aplicação de defensivos

O planejamento da aplicação é um dos pontos mais importantes para garantir a eficiência do controle no campo. Para isso, é fundamental conhecer os elementos que integram a tecnologia da aplicação de defensivos agrícolas, pois eles que determinam se o produtor atingirá o alvo de forma adequada.

Cada decisão tomada antes e durante a pulverização (desde a escolha do produto até a regulagem do equipamento) influencia diretamente a eficácia da aplicação, a redução de perdas e a segurança da operação.

A seguir, listamos os principais componentes que afetam a eficácia da operação, com informações e dicas para alcançar o melhor resultado.

Produtos fitossanitários e mistura de formulações

A pulverização de produtos fitossanitários, como herbicidas, inseticidas e fungicidas, é amplamente utilizada na agricultura brasileira, sejam estes de natureza química ou biológica.

A escolha do defensivo influencia as decisões seguintes, como a seleção dos equipamentos, o uso de adjuvantes, a forma de preparo da calda, a pressão de trabalho e o tamanho das gotas. A aplicação pode ser realizada com um único produto na calda, ou por meio da mistura de formulações comerciais (Figura 1). Essa prática é comum no campo, e tem por objetivo de reduzir o custo operacional e aumentar a agilidade na aplicação.

efeito da mistura de defensivos agrícolas
Figura 1. Pré-mistura de defensivos agrícolas em garrafa pet. Fonte: Rehagro.

No entanto, as características físico-químicas e o comportamento dos produtos devem ser cuidadosamente avaliados antes da mistura, pois interações inadequadas podem resultar em incompatibilidade, perda de eficiência da aplicação, ou até à cultura.

No Brasil, a mistura em tanque é permitida conforme a Instrução Normativa n° 40/2018 do MAPA, desde que recomendada por um profissional legalmente habilitado.

Alvo de aplicação

A definição correta do alvo de aplicação é essencial para o sucesso do manejo fitossanitário. O alvo pode ser uma planta daninha, um inseto-praga ou um patógeno, e compreender sua localização e comportamento permite selecionar o produtor e a estratégia de aplicação mais adequados.

O controle pode ocorrer de forma direta, por contato direto da molécula com o alvo ou de forma indireta, por meio de translocação sistêmica, movimentação translaminar ou deslocamento superficial.

Algumas pragas e patógenos, por exemplo, possuem hábito de permanecer na parte de baixo das folhas, o que dificultaria a aplicação direta do defensivo. Desta forma, produtos com movimentação translaminar podem ser mais eficientes no controle.

Equipamentos de pulverização

Para seleção do equipamento de pulverização devem ser considerados aspectos como cultura, relevo, tamanho da área e distância do ponto de reabastecimento e nível de tecnificação da propriedade. Existem diversas opções de equipamentos disponíveis, como hidráulicos, autopropelidos, atomizadores, eletrostáticos, aviões e drones – cada um com características específicas que influenciam a tecnologia de aplicação.

Pulverizadores hidráulicos, como os pulverizadores de barra e costais (Figura 2),utilizam a pressão para a formação das gotas e são amplamente empregados em diferentes sistemas de produção.

pulverizadores hidráulicos de barra e costal
Figura 2. Pulverizador em barra (esquerda) e costal (direita).

Pulverizadores autopropelidos: são máquinas de grande porte, com cabine própria e sistema de pulverização integrado, sendo dispensável o uso de trator na operação. São equipamentos normalmente empregados em grandes áreas de cultivo, oferecendo maior capacidade operacional e uniformidade de aplicação.

Pulverizador autopropelido operando
Figura 3. Pulverizador autopropelido operando. Fonte: Revista Cultivar (2025).

Atomizadores: são equipamentos utilizados principalmente em culturas perenes, como café e citros, utilizando uma corrente de ar para transporte das gotas até o alvo.

atomizador em operação em pomar
Figura 4. Atomizador em operação em pomar. Fonte: Agrolink.

Equipamentos eletrostáticos: promovem a eletrização das gotas, favorecendo sua atração pelas plantas, reduzindo as perdas e melhorando a deposição do produto.

Já a aplicação aérea, realizada por aviões ou drones, possibilita operações em grandes áreas e em culturas de difícil acesso, exigindo ainda mais atenção à escolha de pontas, volume de calda e condições climáticas para garantir segurança e eficiência.

Aviões agrícolas: Com grande capacidade de carga, o uso destes equipamentos na agricultura possibilita a aplicação em culturas de altura elevada e cultivadas em grandes áreas.

Drones pulverizadores: também chamados de VANT (Veículo Aéreo Não Tripulado), conseguem maior precisão e segurança nas aplicações. Assim como os pulverizadores, para aplicação do defensivo deve-se definir a ponta, forma do jato e vazão.

Drone realizando pulverização agrícola.
Figura 5. Drone realizando pulverização agrícola.

Leia mais:

  • Drone pulverizador: guia de escolha para o produtor e lista dos 5 melhores modelos

Preparo da calda e uso de adjuvantes

O preparo da calda é uma das atividades de maior risco na aplicação de defensivos agrícolas, pois é neste momento em que o operador está manipulando diretamente o produto. A manipulação inadequada pode comprometer a segurança do aplicador, a eficiência do defensivo e a qualidade da pulverização.

A calda pode ser preparada pela adição direta do produto no tanque (em caso de formulações líquidas) ou pela pré-mistura (para formulações de pó molhável). É importante que durante toda a manipulação, o operador adote medidas para evitar danos à saúde e ao ambiente.

No entanto, em alguns casos, apenas o produto formulado adicionado à calda não é suficiente para atingir o alvo, sendo necessária a utilização de adjuvantes.

Gota sem uso de adjuvantes  e com adjuvante
Figura 6. Gota sem uso de adjuvantes (esquerda) e com adjuvante (direita). Fonte: Rehagro.

Naturalmente, as plantas possuem em suas folhas uma barreira cerosa denominada cutícula, que dificulta a penetração de líquidos como os defensivos.

Para romper essa barreira, o produtor pode fazer o uso de adjuvantes (Tabela 1). Estes por sua vez são substâncias inertes que alteram a atividade dos produtos aplicados e as características da pulverização, facilitando a entrada dos defensivos e melhorando sua performance.

Tabela 1. Classificação, tipos e funções dos adjuvantes agrícolas

ClassificaçãoTipoFunção
Reforço biológicoSurfactantesFacilitam/aumentam absorção emulsificação
Dispersão
Espalhamento
Molhamento
Óleos emulsificantes (vegetais ou minerais)Molhamento
Espalhamento
Penetração
Antievaporação
Adesividade
Agentes espalhadoresEspalhamento
Retenção e adesãoRetenção no alvo
UtilitáriosAuxiliares de deposiçãoAumentam quantidade de produto no alvo
Agentes de controle de derivaRedução de deriva
Agentes acidificantes e de tampãoResista mudança de pH
Agentes de compatibilidadePermite misturas
Desespumantes e antiespumantesEliminam ou suprimem a espuma
CoranteMarcação
Classificação e função dos adjuvantes. Fonte: Aegro (2019).

Dentre os benefícios da utilização de adjuvantes estão:

  • a melhora do espalhamento e aderência da gota na folha,
  • aumento da absorção do produto pela planta,
  • menor evaporação e deriva do produto, além da
  • padronização do tamanho das gotas.

Atualmente, a adição de adjuvantes é uma prática importante para a performance dos defensivos. Contudo, a qualidade de aplicação não deve ser desconsiderada.

Para garantir que a pulverização tenha o efeito desejado, é necessário que a água utilizada no preparo desta seja de boa qualidade. Um dos aspectos que podem influenciar o resultado da aplicação é a “dureza” da água.

A dureza pode ser entendida como os teores de carbonatos, sulfatos, cloretos e nitratos presentes na água, os quais podem reagir com as moléculas dos defensivos e reduzir a quantidade do ingrediente ativo disponível, afetando o controle do alvo, além de entupir as pontas de pulverização, devido à aglutinação e precipitação das partículas.

Tabela 2. Classificação da água em relação à dureza

ClassePPM de CaCO₃Graus de Dureza (°d)
Muito branda< 71,2< 4
Branda71,2 – 142,44 – 8
Semi dura142,4 – 320,48 – 18
Dura320,4 – 534,018 – 30
Muito dura> 534,0> 30
Fonte: Queiroz et al. (2018).

Ambiente  e condições climáticas

No momento de aplicação, as condições climáticas exercem influência direta sobre a eficiência da pulverização. Temperatura do ar, umidade relativa do ar e velocidade do vento determinam o comportamento das gotas e podem aumentar significativamente as perdas por evaporação e deriva.

Como não é possível o controle destas condições, a aplicação deve ser realizada em períodos do dia nas quais estas estão próximas do ideal.

Normalmente, o início e final do dia, possuem temperaturas amenas, menor velocidade do vento e maior umidade do ar, sendo propícios à aplicação. Assim, perdas por evaporação e deriva podem ser reduzidas, melhorando a performance da aplicação.

 Condições climáticas para aplicação de defensivos agrícolas em função da temperatura do ar e da umidade relativa.
Figura 7. Condições climáticas para aplicação de defensivos agrícolas em função da temperatura do ar e da umidade relativa.Adaptado de Theisen & Ruedell, 2004.

A umidade e temperatura do ar estão ligadas à velocidade com que as gotas evaporam. Em condições de baixa umidade a gota perde líquido e peso, tornando-se cada vez mais leve, podendo ser arrastada ou desviada. O mesmo acontece quando em altas temperaturas.

O vento por sua vez, pode afetar o peso e deposição das gotas. Condições de baixa ou alta velocidade do vento impedem a deposição das gotas em quantidade e local adequados, reduzindo a ação dos produtos. O recomendado é a aplicação em velocidades de vento entre 3 e 6,5 km/h.

Operador e regulagem

A mão de obra envolvida nas operações de defensivos agrícolas tem papel decisivo na qualidade da pulverização. O operador deve compreender os princípios da tecnologia de aplicação para garantir eficácia no controle do alvo, segurança pessoal e proteção ambiental.

Para isso, o conhecimento dos assuntos que envolvem a tecnologia da aplicação por parte do operador, deve anteceder a pulverização, para que esta ocorra da melhor maneira possível.

Além de mão de obra qualificada, os equipamentos devem estar regulados e calibrados para as condições da aplicação.

A regulagem envolve ajustar os componentes da máquina, como o tipo de ponta de pulverização, velocidade de deslocamento e espaçamento entre os bicos.

Já a calibração diz respeito ao processo de verificar o volume de aplicação, mensurando a vazão das pontas e garantindo que a quantidade adequada de calda seja pulverizada na área.

Pontas de pulverização na tecnologia de aplicação

As pontas de pulverização são consideradas o componente mais sensível e determinantes da tecnologia de aplicação. É nelas que a calda é efetivamente transformada em gotas, definindo caraterísticas fundamentais como tamanho das gotas, espectro de pulverização, cobertura do alvo e potencial de deriva.

Historicamente, o correto entendimento e a seleção adequada das pontas sempre estiveram entre os principais fatores de sucesso das pulverizações agrícolas, independentemente do avanço dos equipamentos. Mesmo com barras modernas, controladores eletrônicos e sistemas de automação, a escolha equivocada da ponta compromete toda a operação.

A principal função da ponta de pulverização é fragmentar a calda em gotas com tamanho adequado ao alvo, à cultura, ao produto aplicado e às condições ambientais. Esse processo influencia diretamente:

  • A eficiência biológica do defensivo;
  • A uniformidade de deposição sobre folhas, colmos ou solo;
  • O risco de perdas por deriva ou evaporação;
  • A segurança ambiental da aplicação.

Aspectos como o modo de ação e classe dos produtos, condições climáticas e situação do alvo a ser controlado devem ser considerados para escolha da ponta adequada, visando o controle efetivo do alvo.

Dentre os bicos mais utilizados para aplicação de defensivos, estão aqueles do tipo leque, cônico vazio e cônico cheio, com a eficiência variando de acordo com a classe do produto, como representada na tabela 3.

Tabela 3. Indicação de tipos de bicos de pulverização para aplicação de herbicidas, fungicidas e inseticidas

Tipo de bico1HerbicidaFungicidaInseticida
Pré-emergentePós-emergente
ContatoSistêmicoContatoSistêmicoContatoSistêmico
LequeBomBomMuito bomMuito bomBomMuito bomBom
Cônico vazio––ExcelenteExcelente–Excelente–
Cônico cheio BomExcelenteExcelenteBomExcelenteBom
1Existem variações em cada tipo de bico, sendo necessária reavaliação quanto à aplicabilidade
Adaptado de Catálogo 51-PT Teejet, 2011.

Tipos de pontas de pulverização e espectro de gotas

As pontas de pulverização são classificadas, principalmente, pelo espectro de gotas que produzem, variando de gotas muito finas a extremamente grossas. De forma tradicional e amplamente aceita na literatura técnica, quanto menor o tamanho da gota, maior o potencial de cobertura do alvo, porém maior o risco de deriva.

  • Gotas finas a muito finas: indicadas para aplicações que exigem elevada cobertura, como fungicidas e inseticidas de contato, desde que as condições ambientais sejam favoráveis.
  • Gotas médias: representam um equilíbrio entre cobertura e segurança, sendo amplamente utilizadas em diferentes culturas.
  • Gotas grossas a muito grossas: recomendadas para herbicidas sistêmicos e situações de maior risco de deriva, priorizando a deposição e a segurança da aplicação.

O tamanho das gotas varia com o tipo de ponta. Gotas menores proporcionam melhor cobertura do alvo, ideais quando o alvo é pequeno ou de difícil acesso, sendo mais leves e altamente suscetíveis à deriva. Enquanto gotas maiores são menos propensas à deriva, porém possuem menor área de contato com o alvo.

tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas. Tipos de ponta de pulverização e classe de gotas.
Figura 8. Tipos de ponta de pulverização e classe de gotas.

O tamanho da gota produzida por cada tipo de bico reflete na densidade de gotas por cm², a qual pode ser avaliada com uso de papel sensível à água. A quantidade ideal varia de acordo com o produto, sendo adequada a faixa de 20-30 gotas cm² para inseticidas, 20-40 para herbicidas e 50-70 para fungicidas.

tecnologia de Aplicação de defensivos com diferentes pontas: atomizadores rotativos, cone vazio (MAG-2) e jato plano duplo com indução de ar (AD/IA/D 1002),
Figura 9. Aplicação de defensivos com diferentes pontas: atomizadores rotativos, cone vazio (MAG-2) e jato plano duplo com indução de ar (AD/IA/D 1002), respectivamente. Fonte: Aegro (2019).

Vazão, pressão e desgaste das pontas

Além da ponta, o volume de calda aplicado depende também da pressão de trabalho. Esta deve ser regulada para a formação de gotas de diâmetro e ângulo nominal corretos, permitindo que estas atinjam o alvo sem a perda do produto por deriva.

A leitura da pressão do sistema pode ser realizada por um manômetro. Com isso, é possível inferir se o diâmetro das gotas está de acordo com o desejado.

Outro ponto clássico, muitas vezes negligenciado, é o desgaste das pontas de pulverização. Com o uso contínuo, ocorre aumento da vazão, alteração do espectro de gotas e perda de uniformidade entre pontas da barra, comprometendo a dose aplicada.

Por isso, a recomendação tradicional permanece atual:

  • Monitorar periodicamente a vazão das pontas;
  • Substituir pontas desgastadas;
  • Trabalhar dentro da faixa de pressão indicada pelo fabricante.

Integração da ponta com o sistema de aplicação

Na prática, a ponta de pulverização não deve ser analisada isoladamente. Ela precisa estar integrada ao volume de calda, velocidade de deslocamento, altura da barra e condições ambientais. A tecnologia de aplicação é um sistema, e a ponta é apenas um de seus elementos — embora seja, sem dúvida, um dos mais decisivos.

Assim, a correta escolha e manejo das pontas continuam sendo uma das formas mais eficientes e econômicas de aumentar a eficiência das pulverizações agrícolas, respeitando os princípios clássicos da boa prática agrícola e da segurança ambiental.

Deriva na pulverização: Como evitar

A deriva na pulverização pode ser definida como a perda parcial do produto aplicado, quando este não atinge o alvo pretendido, deslocando-se para fora da área de aplicação. Esse fenômeno é causado, principalmente:

  • pela ação do vento sobre gotas finas,
  • pela evaporação em condições de alta temperatura e baixa umidade relativa,
  • pelo escorrimento em condições de altos volumes de calda,ou
  • pela volatilização de determinados ingredientes ativos após a deposição.

Diversos fatores ligados à tecnologia da aplicação influenciam diretamente o risco de deriva. Entre os principais, destacam-se:

  • a ponta de pulverização utilizada,
  • condições climáticas no momento da aplicação,
  • a velocidade de deslocamento do pulverizador, e
  • composição da calda, incluindo o volume aplicado e o uso de adjuvantes.

Do ponto de vista técnico, a prevenção da deriva começa pela escolha adequada das pontas de pulverização, priorizando o espectro de gotas compatível com o alvo e o produto aplicado. Soma-se a isso o preparo correto da calda, respeitando ordem de mistura, concentração e recomendações técnicas, bem como a calibração e regulagem criteriosa dos equipamentos, assegurando uniformidade e precisão de aplicação.

Além desses aspectos operacionais, a realização da pulverização em condições climáticas adequadas é de suma importância para garantir que o produto alcance o alvo com eficiência. Recomenda-se evitar aplicações sob ventos excessivos, temperaturas elevadas e baixa umidade relativa do ar, situações que historicamente estão associadas ao aumento das perdas por deriva e à redução da eficiência agronômica.

Regulagem, calibração e boas práticas de pulverização

Para que a pulverização alcance a eficiência esperada, é essencial que os equipamentos utilizados estejam corretamente regulados e calibrados para assegurar a deposição adequada do produto no alvo. Esses procedimentos, quando associados às boas práticas de pulverização, contribuem não apenas para o melhor desempenho dos defensivos agrícolas, mas também para a redução de perdas, riscos ambientais e prejuízos ao produtor.

Regulagem

Antes do início da aplicação de defensivos, é necessária a regulagem do equipamento de pulverização. Essa operação consiste no ajuste de parâmetros operacionais como velocidade de deslocamento, tipo de ponta de pulverização, espaçamento entre bicos e altura da barra, por exemplo.

A regulagem deve ser feita de acordo com o tipo de equipamento que será operado (costal, tratorizado ou autopropelido), a cultura, o alvo biológico e o produto a ser aplicado. Trata-se de um procedimento prévio a calibração, pois define as condições operacionais sob as quais o equipamento irá trabalhar.

Calibração

A calibração envolve a determinação do volume de calda a ser aplicado em uma área conhecida,  permitindo estimar o volume que será distribuído por hectare e verificar então se este corresponde ao esperado.

Para a estimativa, por exemplo, um pulverizador costal manual pode ser abastecido apenas com água e pulverizada uma área de 10 m x 10 m (100 m2). Repete-se esta operação por três vezes, anotando o volume utilizado. Em seguida, a partir da média de água utilizada, estima-se o volume para aplicação em 1 hectare.

O mesmo princípio se aplica aos pulverizadores costais motorizados e tratorizados, respeitando-se as particularidades de cada equipamento. A calibração periódica é essencial para garantir uniformidade, economia de produto e segurança na aplicação.

Boas práticas de pulverização

Com o uso contínuo e frequente de pulverizadores para aplicação de produtos, boas práticas devem ser adotadas antes, durante e após a pulverização.

Dentre elas estão os cuidados de limpeza adequada do equipamento, a fim de evitar o acúmulo de defensivos agrícolas no sistema.

É recomendada a lavagem logo após o uso, pois mesmo em poucas horas, torna-se mais difícil a remoção de impurezas, o que pode prejudicar as demais culturas quando malfeita.

Tubulação de pulverizador com resíduos de defensivos agrícolas.
Figura 10. Tubulação de pulverizador com resíduos de defensivos agrícolas. Fonte: Rehagro.

Falhas nesse processo podem resultar em entupimento de pontas, dificuldade na homogeneização da calda e até em fitotoxicidade em aplicações subsequentes, especialmente quando culturas diferentes são pulverizadas com o mesmo equipamento.

Além disso, o uso de água de boa qualidade, ph de calda ajustado, produtos bem armazenados e pulverizadores com manutenção em dia, também são boas práticas que podem ser implementadas e capazes de melhorar a ação dos produtos utilizados.

Desde o início do manuseio dos defensivos agrícolas, o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) é indispensável, a fim de evitar a exposição do corpo aos produtos, preservando a saúde.

Além da saúde, produtos fitossanitários podem colocar em risco também o ambiente. Desta forma, seguir a dose recomendada em bula, bem como o descarte correto das embalagens vazias, evitam a contaminação ambiental por defensivos.

Indicadores da qualidade da aplicação

A qualidade e eficácia da pulverização estão relacionadas ao volume de calda que efetivamente atinge o alvo, de forma direta ou indireta. Para isso, a cobertura do alvo deve ser adequada, e pode ser quantificada por meio da coleta de amostras.

Entre os principais métodos estão:

Corantes: Com o uso de tiras de papel no local de aplicação, a adição de tinta à calda provoca manchas visíveis, que podem ser quantificadas e verificada a qualidade da pulverização.

Papel hidrossensível: Nesta forma de amostragem é utilizado um papel com tratamento químico que, em contato com as gotas de água, gera manchas azuladas (Figura 11). Esse método é amplamente utilizado para avaliar densidade de gotas, cobertura e distribuição.

Papel hidrossensível para avaliação do tamanho da gota
Figura 11. Papel hidrossensível após pulverização com água. Fonte: Aegro (2019).

Traçadores fluorescentes: Um pigmento fluorescente é diluído na calda e pulverizado diretamente sobre a planta. Em seguida, a parte atingida é destacada e levada a uma câmara escura com luz ultravioleta, resultando no brilho do pigmento e na exibição de onde as gotas foram depositadas.

Esses indicadores auxiliam na avaliação técnica da pulverização, permitindo ajustes no equipamento e na operação, de modo a alcançar maior eficiência agronômica e segurança no uso de defensivos.

Erros comuns da pulverização e como evitá-los

Na prática, muitos erros na pulverização acontecem antes mesmo do pulverizador entrar na lavoura, seja por falhas no preparo da calda, ausência de regulagem ou negligência na calibração do equipamento. No entanto, problemas também podem surgir durante ou após a operação, comprometendo tanto o controle do alvo quanto a segurança da lavoura.. E eles também podem ocorrer

Entre os erros mais comuns estão:

  • a falta de calibração do equipamento pulverizador,
  • o uso de água de má qualidade,
  • a velocidade de aplicação inadequada e
  • falta de manutenção dos bicos.

Essas falhas podem resultar em aplicação de doses incorretas, degradação do produto ou distribuição desuniforme e ineficaz, prejudicando a performance da pulverização.

Para evitá-los, é necessário o domínio dos principais elementos que fazem parte da tecnologia de aplicação, bem como a adoção de boas práticas para a manutenção e durabilidade do sistema de pulverização.

Perguntas frequentes sobre tecnologia de aplicação

O que é tecnologia de aplicação?

Tecnologia de aplicação é o conjunto de técnicas, equipamentos e práticas utilizadas para garantir que o produto aplicado atinja o alvo correto, na dose adequada, no momento certo e com o menor nível possível de perdas, assegurando eficiência agronômica e segurança.

Quais são os principais elementos da tecnologia de aplicação?

Os principais elementos envolvem o equipamento de pulverização, as pontas de pulverização, a calibração e regulagem, a composição da calda, as condições climáticas e a forma de operação, todos interligados para garantir uma aplicação eficiente.

Quais os objetivos de uma boa tecnologia de aplicação?

O principal objetivo é maximizar a eficiência da pulverização, promovendo bom controle do alvo, redução de perdas por deriva, escorrimento e evaporação, além de garantir segurança ao operador, à lavoura e ao meio ambiente.

Conclusão

Conhecer os elementos que integram a tecnologia de aplicação permite a tomada de decisão mais assertiva para o controle de pragas, doenças e plantas daninhas. A qualidade da pulverização está diretamente associada à redução de perdas, o que pode depende do uso adequado dos equipamentos, da escolha adequada das pontas de pulverização e da realização da aplicação em condições climáticas favoráveis.

Além da eficiência agronômica, o manuseio de produtos fitossanitários deve também considerar a saúde dos operadores envolvidos e o risco ambiental, sendo de suma importância a capacitação da mão de obra para o exercício da operação.

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Dominar a tecnologia de aplicação é uma decisão técnica que separa operações eficientes daquelas que acumulam perdas ao longo da safra.

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Referências

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AIRES, R.Tecnologia de aplicação: conheça as práticas mais eficientes. Blog AgriQ, 2023. Disponível em: . Data de acesso: 08 Jan. 2026.

ANDEF. Manual de tecnologia de aplicação [PDF]. Campinas: Associação Nacional de Defesa Vegetal (ANDEF), 2004. Disponível em: http://www.lpv.esalq.usp.br/sites/default/files/Leitura%20-%20Manual%20Tecnologia%20de%20Aplicacao.pdf. Data de acesso: 08 Jan. 2026.

AZEVEDO, F. R. de; FREIRE, F. das C. O. Tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas [PDF]. Fortaleza: Embrapa Agroindústria Tropical, 2006. Disponível em: https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/426350/1/Dc102.pdf. Data de acesso: 08 Jan. 2026.

CORTEVA AGRISCIENCE. E-book: Tecnologia de aplicação: Boas práticas agrícolas [PDF]. s.l. Corteva Agriscience, s.d. Disponível em: https://www.corteva.com/content/dam/dpagco/corteva/la/br/pt/bpa-site/ebooks/pdfs/Ebook_TA_Tecnologia_de_Aplicacao.pdf. Data de acesso: 08 Jan. 2026.

MACHADO, A.W. O que é a deriva? Como evitá-la na aplicação de agrotóxicos / defensivos agrícolas. AgrolinkFito, s.l., p. s/p, 2025. Disponível em: https://www.agrolink.com.br/agrolinkfito/tecnologia-de-aplicacao/aspectos-gerais/como-evitar-a-deriva-na-aplicacao-de-defensivos-_478533.html. Data de acesso: 08 Jan. 2026.

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THEISEN, G.; BIANCHI, M. A. Efeito dos fatores ambientais na ação dos herbicidas. In: THEISEN, G.; RUEDELL, J. (org.). Tecnologia de aplicação de herbicidas: teoria e prática. Cruz Alta: Aldeia Norte Editora, 2004. p. 13–23.

Sobre o autor:

Alexandre Silva

Alexandre Augusto da Silva

Mestrando em Fitotecnia (ESALQ/USP)

  • Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP)
  • alexandre_silva@usp.br
  • Perfil do Linkedin

Como citar este artigo:

SILVA, A.A. Tecnologia de aplicação de defensivos agrícolas: como melhorar a eficácia de pulverização no campo. Blog Agroadvance. Publicado: 16 Jan. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-tecnologia-de-aplicacao-de-defensivos/. Acesso: [data_acesso].

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