Ir para o conteúdo
  • Pós-Graduação
  • MBAs
  • Imersões
    • Imersão IA no Agro (SP)
    • Imersão Dinheiro no Agro
    • Liderança e vendas no agro
    • Imersão Produção de Alta Performance
  • Para empresas
    • Treinamento Corporativo
    • Sprint IA
  • Blog
  • Biblioteca
    • Agroclass
    • Agroteca
    • Conteúdo Gratuito
  • Pós-Graduação
  • MBAs
  • Imersões
    • Imersão IA no Agro (SP)
    • Imersão Dinheiro no Agro
    • Liderança e vendas no agro
    • Imersão Produção de Alta Performance
  • Para empresas
    • Treinamento Corporativo
    • Sprint IA
  • Blog
  • Biblioteca
    • Agroclass
    • Agroteca
    • Conteúdo Gratuito
Área do Aluno
  • Pós-Graduação
  • MBAs
  • Imersões
    • Imersão IA no Agro (SP)
    • Imersão Dinheiro no Agro
    • Liderança e vendas no agro
    • Imersão Produção de Alta Performance
  • Para empresas
    • Treinamento Corporativo
    • Sprint IA
  • Blog
  • Biblioteca
    • Agroclass
    • Agroteca
    • Conteúdo Gratuito
  • Pós-Graduação
  • MBAs
  • Imersões
    • Imersão IA no Agro (SP)
    • Imersão Dinheiro no Agro
    • Liderança e vendas no agro
    • Imersão Produção de Alta Performance
  • Para empresas
    • Treinamento Corporativo
    • Sprint IA
  • Blog
  • Biblioteca
    • Agroclass
    • Agroteca
    • Conteúdo Gratuito

Safra 26/27: apostar em produtividade ou reduzir custos?

Relação de troca de fertilizantes, margem por hectare, janelas de semeadura, El Niño e gestão de pessoas: os critérios de decisão para a safra 26/27 apresentados por Edson Vendruscolo, professor do MBA em Gestão de Propriedades Agrícolas da Agroadvance, em aula ao vivo transmitida em setembro de 2026.
  • Publicado em 08/10/2026
  • Laura Oliveira
  • Gestão Agrícola
  • Publicado em 08/10/2026
  • Laura Oliveira
  • Gestão Agrícola
  • Atualizado em 08/10/2026
safra 20/27 reduzir custos ou aumentar a produtividade?
Sumário

Nenhuma safra é igual à outra, mas a safra 26/27 chega com uma combinação particular de fatores: fertilizantes, preço da soja e clima.

Os fertilizantes seguem caros, sobretudo a linha fosfatada e o enxofre, disputados no mercado internacional. A soja, depois de um longo período de preços baixos, voltou a superar a barreira dos US$ 13 por bushel nos contratos futuros da Bolsa de Chivago nos dias que antecederam a aula.

E o clima entra na safra com a chegada do El Niño, o aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial que altera o regime de chuvas no Brasil, com previsão de excesso de chuva no Sul, estiagem prolongada em parte do Nordeste e grande variabilidade no Centro-Oeste. Em setembro de 2026, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) estimava em mais de 90% a probabilidade de um evento muito forte na primavera e no verão 2026/27, com maior chance de chuva acima da média no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, e abaixo da média no Norte, no Nordeste e em partes do Brasil Central (INMET, 2026).

A pergunta que fica no ar e que orienta o planejamento é sempre a mesma: vale mais investir em tecnologia para buscar alta produtividade, ou reduzir custos em busca de rentabilidade? Esse o fio condutor da aula ministrada por Edson Rodrigo Oliveira Vendruscolo — engenheiro agrônomo pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), fundador e CEO do Grupo Velho Tatá, sócio-fundador da RVA Agro Gestão e Inteligência Agronômica e professor do MBA em Gestão de Propriedades Agrícolas da Agroadvance — para produtores, consultores e gestores de todo o Brasil. Os principais pontos discutidos estão reunidos a seguir.

A gravação completa da aula está disponível no canal da Agroadvance no YouTube:

Em resumo

  • A recomendação central não escolher entre produtividade e redução de custo: a decisão para a safra 26/27 combina as duas, com tecnologia entendida como capricho operacional e uso de dados, e não como mais insumo ou produto premium.
  • Os custos básicos (fertilizantes, sementes e defensivos) devem ser travados quando a relação de troca estiver favorável. No início de setembro de 2026, segundo o professor, o cloreto de potássio à vista custava cerca de 20 sacas de soja por tonelada, a melhor relação em cerca de três anos.
  • O indicador de decisão é a margem por hectare. No comparativo apresentado, Goiás tem a maior produtividade média (67 sc/ha), mas margem de 8 sc/ha, inferior à do Paraná (10 sc/ha) e à do Rio Grande do Sul (9 sc/ha).
  • O El Niño muito forte previsto para 2026/27 aumenta a chance de excesso de chuva no Sul e de chuva abaixo da média no Norte, no Nordeste e em partes do Brasil Central (INMET, 2026), com reflexos na janela de semeadura, no parcelamento do potássio e na segunda safra.
  • Ajustes sem investimento geram economia relevante: reduzir a rotação do motor de pulverizadores de 2.200–2.300 para 1.900–2.000 RPM baixou o consumo de diesel de 1,05 para 0,87 L/ha, uma economia projetada de R$ 136,3 mil em 128 mil hectares aplicados.

O que a safra 2025/26 mostrou sobre produtividade e rentabilidade?

A safra 2025/26  registrou produtividades que há poucos anos pareciam improváveis, mas a rentabilidade não acompanhou na mesma proporção. No Desafio Nacional de Máxima Produtividade do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), concurso que audita as áreas mais produtivas inscritas por produtores, registraram médias de soja acima de 130 sacas por hectare em algumas regiões. Na Bahia, lavouras de algodão bateram 500 arrobas por hectare; no Mato Grosso, fazendas inteiras de 6 a 10 mil hectares fecharam acima de 400 arrobas. O milho sequeiro entregou 180 a 200 sacas por hectare em diversas áreas. Já o Sul do país viveu uma safra de contrastes: regiões com 65 a 80 sacas de soja por hectare conviveram com áreas fortemente afetadas por adversidades climáticas.

O ponto de atenção levantado na aula é que produtividade alta e rentabilidade nem sempre caminham juntas. Na comparação do professor,  a produtividade funciona como um efeito tampão, à semelhança do poder tampão de um solo argiloso: ela absorve alguns erros de manejo. Mas é a rentabilidade por hectare, por metro quadrado e por dia de cultura que deve orientar as decisões de manejo.

Produtividade ou redução de custos: qual caminho escolher na safra 26/27?

A resposta defendida na aula passa por unir as duas frentes, em vez de escolher um caminho único. E tecnologia, nesse contexto, não significa necessariamente aplicar mais insumo ou comprar o produto premium mais caro: em muitas situações, produtos pós-patente e commodities agronômicas cumprem a mesma função de um produto premium a um custo bem menor, reservando o investimento estratégico para onde ele realmente faz diferença.

O professor também alertou para a “economia burra”: cortar, em um ano de risco climático elevado, itens de custo baixo, como uma aplicação foliar de fósforo ou um produto para mitigar estresse, que custam de 0,2 a 0,3 saca de soja por hectare, enquanto perdas operacionais maiores, como a rotação inadequada do motor ou a velocidade excessiva da semeadora, passam despercebidas.

Quais são os pontos básicos do planejamento para iniciar bem a safra?

A aula listou sete pontos que estruturam o planejamento de safra de qualquer propriedade, independentemente do tamanho da área:

  • Ciclos produtivos — entender as janelas de cada região (RS, PR, SP, MG, GO, MT, BA, PI, MA, PA) e se há espaço para uma segunda safra.
  • Culturas — avaliar a entrada de opções como milho, canola, sorgo e algodão, especialmente onde novas usinas de etanol estão ganhando força, caso do Rio Grande do Sul e de Goiás.
  • Janela operacional — dimensionar quanto tempo a estrutura da fazenda tem para executar cada operação dentro do prazo ideal.
  • Dimensionamento de máquinas — em um ano de juros altos (CDI, o Certificado de Depósito Interbancário, referência para o custo do dinheiro, elevado) e forte depreciação do maquinário novo, investir em máquinas fica mais arriscado; vale considerar terceirização ou mix de culturas para aproveitar melhor os equipamentos já existentes.
  • Quadro de lotação de pessoas (QLP) — planejar a equipe necessária para cada etapa do ciclo.
  • Orçamento agrícola — estruturar os custos previstos por hectare antes do plantio, não durante.
  • Treinamentos — capacitar o time para que a informação gerada na fazenda seja, de fato, utilizada.

Sobre as janelas de semeadura, a aula reforçou datas críticas de perda de produtividade observadas no Centro-Oeste: a partir de 5 de novembro para a soja, a partir de 15 de fevereiro para o milho e entre 5 e 10 de fevereiro para o algodão — datas que variam conforme o estado. No Sul, o risco se desloca para geadas tardias: se o ponto de crescimento do milho já estiver acima do solo quando a frente fria chega, a perda pode ser total.

janelas de plantio. ciclo produtivo soja e algodão
Figura 1. Mandala do ciclo produtivo: planejamento agrícola, compra de insumos, preparo do solo, plantio, tratos culturais, colheita e expedição ao longo dos dois anos-safra. Fonte: Agroadvance, 2026 (adaptado de SLC Agrícola).

Como o El Niño pode afetar a safra 26/27?

O El Niño tende a trazer excesso de chuva ao Sul, menos chuva ao Norte e ao Nordeste e maior variabilidade ao Centro-Oeste, o que afeta semeadura, controle de plantas daninhas e segunda safra. Em setembro de 2026, o INMET estimava em 75% a probabilidade de o evento ser o mais forte registrado desde 1950 (INMET, 2026). Os anos de El Niño forte lembrados na aula como referência foram 1997/98, 2015/16 e 2023/24.

No Centro-Oeste, o risco descrito pelo professor é o da semeadura sobre umidade rasa: com 10 a 15 cm de solo úmido e o perfil seco abaixo, cerca de dez dias sem chuva podem matar plantas em V2, como ocorreu em 2015/16. O replantio empurra a soja para o fim da janela e pode inviabilizar a segunda safra. No Sul, com chuva acima da média, a orientação foi avaliar o parcelamento da adubação potássica em solos mais leves, porque o potássio do cloreto de potássio (KCl) é suscetível à lixiviação, o arraste de nutrientes para camadas abaixo das raízes pela água que percola no solo. A escolha da biotecnologia da semente, com tolerância a diferentes herbicidas, também ganha peso com o avanço de plantas daninhas como o capim pé-de-galinha e o caruru, citadas como problema crescente.

Qual a diferença de estratégia entre primeira e segunda safra?

Na primeira safra, com regime de chuvas mais regular, a estratégia é buscar o potencial produtivo máximo. Na segunda safra, com janela mais curta e maior risco climático, a estratégia é eficiência e rapidez de execução: cumprir a janela muitas vezes pesa mais do que a qualidade ideal de uma operação.

A segunda safra deixou de ser exclusividade do Centro-Oeste. Regiões que até poucos anos não falavam no assunto — Bahia, Piauí, Maranhão e agora o Pará — já apresentam percentuais relevantes de área em segunda safra, e Rondônia vem crescendo rapidamente. No Mato Grosso, segundo o professor, a evolução é ainda mais expressiva: fazendas que praticavam no máximo 30% de segunda safra há duas décadas hoje chegam a 100% no oeste do estado, com exceção dos solos mais leves.

Mas o potencial produtivo das duas janelas é diferente, e a estratégia de manejo também precisa ser, conforme ilustrado na Figura 2:

  • Na primeira safra, com regime de chuvas mais generoso, a estratégia é buscar o potencial produtivo máximo.
  • Na segunda safra, com maior risco climático e janela mais curta, o que garante resultado é eficiência e rapidez de execução — muitas vezes mais determinantes do que a qualidade teórica ideal de uma operação.

Aspectos comparativos entre primeira e segunda safra
Figura 2. Aspectos comparativos entre primeira e segunda safra. Fonte: Agroadvance, 2026.

Quais fatores devem pesar para a tomada de decisão na safra 26/27?

Além do planejamento básico, a aula destacou nove fatores que devem entrar na mesa de decisão específica da 26/27:

  • Relação de troca de insumos por commodity;
  • Características físicas do solo (textura arenosa, argilosa ou franca);
  • Saúde do solo (fertilidade, compactação, palhada, correção em profundidade);
  • Histórico de manejo e produtividade de cada talhão;
  • Janela operacional;
  • Dimensionamento de máquinas;
  • Comercial (percentual já vendido e trava de custos);
  • Treinamentos;
  • Clima — deixado por último por ser o único fator fora do controle do produtor, mas que pode ser mitigado com informação e histórico.

Com usar a relação de troca na compra de fertilizantes?

Os números citados pelo professor mostram como a valorização da soja no mercado internacional mudou a conta em poucas semanas. Entre 30 a 40 dias antes da aula, com o fosfato monoamônico (MAP) a US$ 900-950 por tonelada e a soja perto de US$ 20 por saca, eram necessárias quase 50 sacas de soja por tonelada de MAP. Com a alta da soja (para cerca de US$24 por saca), a relação de troca melhorou de forma expressiva, caindo para perto de 40 sacas, ainda longe da melhor relação histórica já registrada (32 sacas/tonelada).

No cloreto de potássio (KCl), a compra à vista a cerca de US$ 500 por tonelada resultava em relação próxima de 20 sacas por tonelada, patamar que não se via há cerca de três anos; a referência recente era a de 23 a 24 sacas, e a melhor relação já registrada foi 18).

No superfosfato simples, negociado entre R$ 450 e R$ 470 a tonelada no período (contra R$ 260–270 no melhor ano histórico), manteve uma relação de troca competitiva graças ao dólar mais alto.

Tabela 1. Relação de troca citada na aula (sacas de soja por ton. de fertilizante)

FertilizanteInício de setembro de 2026Referência anteriorMelhor relação citada
MAPPerto de 40*Quase 50 (30 a 40 dias antes)32
Cloreto de potássio (KCl), à vistaCerca de 2023 a 24 (últimos três anos)18
Superfosfato simplesPerto de 19*—14 a 15
*Cálculo a partir dos preços citados na aula (US$ 900–950/t de MAP; US$ 450–470/t de superfosfato simples; soja a cerca de US$ 24/saca). Fonte: Vendruscolo (2026).

Esses números são um retrato do mercado no início de setembro de 2026 e variam conforme a região e a forma de pagamento (à vista ou safra). O aprendizado que permanece é o hábito de acompanhar a relação de troca da sua região antes de fechar a compra e de travar os custos básicos (fertilizantes, sementes e defensivos) assim que a relação se mostrar favorável.

Quanto cada item pode pesar no custo da soja?

Como referência para montar o orçamento, o professor indicou as faixas de custo por hectare, em sacas de soja, que considera saudáveis. Ele ressalvou que sementes com tratamento industrial (TSI) ou cultivares com biotecnologias mais recentes elevam o custo por hectare, assim como a soja precoce, que exige mais sementes.

Tabela 2. Faixas de custo por hectare de referência na soja, segundo o professor

Item de custoFaixa de referência (sc/ha)
Fertilizantes10 a 12
Defensivos químicos8 a 10
Produtos foliares e biológicos1 a 2
Sementes4 a 5
Custo operacional (manutenção de máquinas e combustível)Até 8 a 10
Fonte: Vendruscolo (2026).

Quanto da safra vender antes do plantio?

Na estratégia comercial que o professor descreveu como prática das empresas em que trabalhou, cerca de 50% da produção orçada era vendida até o plantio, mais 30% entre o plantio e o início da colheita, e os 20% restantes ficavam para depois, conforme o desenvolvimento da lavoura.

Para 2026/27, ele considerou que pode fazer sentido vender de 40% a 50% até o plantio, mas ressaltou não ser especialista em comercialização e que a prioridade é o hedge de custos, isto é, fixar o custo dos insumos em sacas ou em valor, por exemplo por meio do barter, a troca de insumos por produção futura.

Por que revisar a saúde do solo e o histórico de manejo devem orientar a decisão de adubação?

O histórico de adubação e de produtividade de cada talhão indica se a receita das últimas safras ainda faz sentido. Para explicar, o professor usou uma metáfora: “O retrovisor é menor que o para-brisa, mas no momento de manobra é nele que precisamos olhar”.

O produtor brasileiro, de forma geral, adubou fortemente em fósforo ao longo de décadas. Hoje, com sistemas de altíssima produtividade e segunda safra cada vez mais frequente, a reposição de potássio — fortemente exportado pelas culturas — se tornou um ponto de atenção em boa parte das lavouras.

Para o professor, recomendações de adubação construídas para cultivares e produtividades do passado precisam ser revistas. Na discussão final, a mediação da aula acrescentou o caminho inverso: em talhões cuja análise de solo mostra fósforo acima do adequado, este pode ser o ano de usar parte desse estoque.

O alerta vale também para os limites físicos do solo: de nada adianta elevar as doses de fósforo, potássio, enxofre, boro, adubação foliar e biológicos se o sistema radicular estiver limitado por compactação, pouca palhada ou acidez em profundidade não corrigida. Na metáfora usada na aula, “enchemos o prato, mas não temos boca para comer” — ou seja, raíz suficiente para absorver o que foi aplicado.

Margem agrícola: onde estão as folgas de custo na lavoura da soja?

A margem por hectare, e não a produtividade, mostra onde há espaço para cortar custo. Um comparativo apresentado na aula, com base em dados compilados de Embrapa, Deral e Imea, mostra que o estado com maior produtividade nem sempre entrega a maior margem por hectare (Figura 3).

Comparativo de rentabilidade da soja por estado
Figura 3. Comparativo de rentabilidade da soja por estado (produtividade, custo operacional e lucro líquido em sacas por hectare). Fonte: Agroadvance, 2026, com dados compilados de Embrapa, Deral e Imea.

Goiás tem o maior potencial produtivo do grupo (67 sc/ha), mas também com o custo operacional mais alto (59 sc/ha), o que resulta em margem de 8 sc/ha. O Rio Grande do Sul, com potencial menor (58 sc/ha) mas custo bem mais enxuto (49 sc/ha), termina com margem de 9 sc/ha — superior à de Goiás. O Paraná fecha a conta com a melhor margem do grupo (10 sc/ha), com produtividade de 65 sc/ha e custo de 55 sc/ha. Bahia (65/57/8), Mato Grosso (62/56/6) e Maranhão (60/54/6) completam o comparativo.

A leitura prática é repetir o exercício para cada talhão da propriedade. Um talhão que nunca passou de 60 sc/ha no histórico não justifica um pacote dimensionado para mais; em um talhão com potencial de 67 sc/ha, a pergunta é o que pode ser melhorado dentro do custo.

Olhando o custo de produção discriminado por item (arrendamento, custo de oportunidade, defensivos, fertilizantes e corretivos, financeiros, manutenção, mão de obra, operações mecânicas, pós-colheita, pró-labore, sementes e serviços terceirizados), fica mais fácil identificar onde há espaço real para reduzir custo sem comprometer produtividade — e onde não há.

Qual cultura contribui mais para a margem?

Qual cultura contribui mais para a margem agrícola de cada propriedade e o que pode justificar mudar a participação de cada uma na área? Na SLC Agrícola, o algodão ocupou 24% da área plantada na safra 2024/25, mas respondeu por 57% da receita de 2024; a soja ocupou 52% da área e gerou 30% da receita (SLC Agrícola apud Vendruscolo, 2026).

Pela estimativa do professor, em um ano como o atual a margem do algodão pode chegar a R$ 5 mil a R$ 6 mil por hectare, contra R$ 1 mil a R$ 1,5 mil da soja, com um custo de produção bem mais alto: R$ 12.876/ha orçados pela empresa para o algodão de primeira safra em 2024/25, contra R$ 4.659/ha para a soja.

Para o Rio Grande do Sul, a questão levantada foi se o milho de primeira safra, impulsionado pelas usinas de etanol, pode ganhar espaço sobre a soja. Na comparação entre culturas entra também o custo do dinheiro: com capital próprio, o cálculo é feito contra o custo de oportunidade; com capital de terceiros, contra os juros pagos.

Quanto se economiza ajustando a rotação do motor do pulverizador?

Em uma operação com nove pulverizadores autopropelidos no Vale do Araguaia Goiano, atendidos pela consultoria do professor, reduzir a rotação do motor das máquinas de uma faixa de 2.200–2.300 RPM (rotações por minuto) para 1.900–2.000 RPM, sem alterar volume de calda, qualidade de aplicação ou área trabalhada, baixou o consumo de diesel de 1,05 para 0,87 litro por hectare aplicado, uma redução de cerca de 17%.

Na mesma área de 128.138,1 hectares aplicados nas duas safras, o custo total de combustível caiu de R$ 795.160,97 para R$ 658.847,66 — uma economia de R$ 136.313,31, equivalente a cerca de mil sacas de soja ao preço vigente à época. Nenhum investimento em equipamento novo foi necessário: apenas ajuste fino de operação. Como resumiu o professor, “a tecnologia não está só no valor embutido em uma máquina, mas no cuidado e no capricho da operação”.

Economia de combustível obtida apenas com o ajuste de RPM do motor, comparando as safras 25/26 e 26/27 na mesma área de 128.138,1 hectares aplicados
Figura 4. Economia de combustível obtida apenas com o ajuste de RPM do motor, comparando as safras 25/26 e 26/27 na mesma área de 128.138,1 hectares aplicados. Fonte: Agroadvance, 2026.

O fator humano: como engajar a equipe operacional na redução de custos?

Atrás de qualquer ajuste de RPM, taxa de aplicação ou coeficiente de plantio há uma pessoa operando a máquina. Para engajar essa equipe, a aula defendeu transparência e bom senso: trazer o operador para dentro do resultado, deixar claras as metas e as recompensas (financeiras ou simbólicas, como reconhecimento público, um ranking de eficiência entre máquinas ou pequenas premiações).

O raciocínio é simples: quando o colaborador entende que faz parte do resultado, ele passa a agir como dono do problema — caso do mecânico que, em vez de trocar um motor por R$ 700, resolveu a questão trocando um rolamento de R$ 10, e hoje faz questão de contar a economia que gerou.

Qual o papel da assistência técnica e dos dados na decisão?

Uma única máquina agrícola pode gerar algo como 35 GB de dados por dia, segundo estimativa citada na aula. O desafio, hoje, está em transformar esse volume de dado em decisão — e é aí que entra a assistência técnica, com uma visão de fora da propriedade e comparação entre diferentes realidades. A inteligência artificial pode acelerar o processamento desse volume de informação, mas não substitui a curadoria de quem tem experiência de campo para validar o que é relevante.

Diante da alta rotatividade de consultores no mercado, o conselho foi claro: fidelizar a relação com quem entrega informação de qualidade tende a valer mais, no médio prazo, do que trocar de fornecedor por uma vantagem pontual.

Os cinco hábitos dos produtores acima da média

A aula encerrou o conteúdo técnico com um vídeo-depoimento de Dirceu Gassen sobre um levantamento feito com agricultores que produzem de 30% a 40% acima da média da sua região. Ao serem perguntados o que faziam de diferente, a resposta se repetiu em uma sequência consistente:

  • Capricho — apontado de forma unânime como o componente mais importante do potencial de produção;
  • Na hora certa — semeadura no momento certo de umidade, aplicação de defensivo ou fertilizante no momento certo;
  • Bem feito — execução técnica correta da operação;
  • Assistência técnica — troca de informação constante, mesmo quando há divergência de opinião;
  • Conhecimento e paixão — desde o gestor até o tratorista que entende a lógica da semente e da planta.

O denominador comum dos cinco itens é gente: capacitação, engajamento e boa informação pesam mais do que qualquer tecnologia embarcada ou investimento adicional.

Perguntas frequentes da safra 26/27

O que é relação de troca no agronegócio?

Relação de troca é a quantidade de produto agrícola, em geral sacas de soja ou de milho, necessária para comprar uma unidade de insumo, como uma tonelada de fertilizante. Quanto menor o número, mais favorável a compra para o produtor.

Quais foram as melhores relações de troca de fertilizantes citadas na aula?

Segundo Edson Vendruscolo, as melhores relações já registradas foram de 32 sacas de soja por tonelada de MAP, 18 sacas por tonelada de cloreto de potássio e 14 a 15 sacas por tonelada de superfosfato simples. No início de setembro de 2026, o cloreto de potássio à vista estava perto de 20 sacas por tonelada.

Como o El Niño afeta a safra 2026/27?

Para a primavera e o verão 2026/27, o INMET indicava maior probabilidade de chuva acima da média no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, e abaixo da média no Norte, no Nordeste e em partes do Brasil Central (INMET, 2026). Na prática, isso eleva o risco de perdas na emergência da soja no Centro-Oeste, de lixiviação de potássio no Sul e de atraso na segunda safra.

Vale a pena investir em máquinas na safra 26/27?

Na avaliação apresentada na aula, não é um ano para investir em máquinas novas, por causa dos juros altos e da forte depreciação. As alternativas citadas são terceirizar operações, combinar culturas com janelas diferentes para usar melhor a frota existente e ajustar a operação das máquinas já disponíveis.

Quanto de custo com fertilizante é aceitável na soja?

Como referência, o professor considera saudável um custo de 10 a 12 sacas de soja por hectare em fertilizantes, dentro de um orçamento que inclui 8 a 10 sc/ha em defensivos, 4 a 5 sc/ha em sementes e até 8 a 10 sc/ha em custo operacional. As faixas variam com o potencial produtivo e a fertilidade de cada talhão.

Conclusão

A aula fechou, como de costume, com uma frase de Ivonne Campos: “coragem para ser diferente e competência para fazer a diferença”. Em uma safra marcada por margens apertadas, essa combinação resume bem o desafio: coragem para revisar modelos antigos de adubação, dimensionamento de máquinas ou escolha de cultura, mas sempre com competência técnica e dados próprios para sustentar a decisão — unindo tecnologia e rentabilidade em vez de escolher entre uma ou outra.

Se você quer se aprofundar em planejamento, gestão de custos, pessoas e tomada de decisão dentro da propriedade rural, conheça o MBA em Gestão de Propriedades Agrícolas da Agroadvance, com aulas ao vivo semanais, corpo docente formado por gestores em atividade — como Edson Vendruscolo — e certificação MEC. Clique em SAIBA MAIS!

mba em gestão de propriedades agrícolas

Referências

Este conteúdo foi produzido a partir da aula ao vivo “Safra 26/27: apostando em produtividade ou reduzindo custos?”, ministrada por Edson Rodrigo Oliveira Vendruscolo, promovida pela Agroadvance dentro da programação do MBA em Gestão de Propriedades Agrícolas, com apoio de Luís Renato Tarifa e Laura Oliveira.

Sobre a autora:

Laura Oliveira

Laura Nicolli Castilho de Oliveira

Marketing de Conteúdo na Agroadvance

  • MBA em Agronegócio (Agroadvance)
  • Relações Públicas (Universidade de Sorocaba)
  • [email protected]
  • Perfil do Linkedin

Como citar este artigo

OLIVEIRA, L.N.C. Safra 26/27: apostar em produtividade ou reduzir custos? Blog Agroadvance. Publicado em: 08 Out. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-safra-26-27-produtividade-ou-reduzir-custo/. Data de acesso: dd Mmm. aaaa.

DNA sem data
DNA sem data

PESQUISAR

COMPARTILHAR

Mais Lidos Da Semana

Safra 26/27: apostar em produtividade ou reduzir custos?
Leia mais »
Kit SOHMA®: como avaliar a saúde do solo no campo
Leia mais »
Adubação da soja para altas produtividades
Leia mais »

Categorias

  • Agricultura 5.0
  • Agronegócio
  • Algodão
  • Bioinsumos
  • Café
  • Cana-de-açúcar
  • Feijão
  • Fertilidade do Solo
  • Fisiologia vegetal
  • Fitossanitários
  • Gestão Agrícola
  • Gestão Comercial
  • Imersões
  • Inteligência Artificial
  • Máquinas Agrícolas
  • Marketing e Vendas
  • Milho
  • Mulheres no Agro
  • Notícias
  • Nutrição de plantas
  • Pecuária
  • Soja
  • Solos
  • Sorgo
  • Sustentabilidade
  • Trigo
VOCÊ TAMBÉM PODE GOSTAR:
kit sohma
Solos
Kit SOHMA®: como avaliar a saúde do solo no campo

Kit SOHMA: como avaliar a saúde do solo no campo com 7 indicadores em até 2 h, calcular o índice integrado e o que

Leia mais »
Beatriz Nastaro Boschiero 05/10/2026
adubação da soja para altas produtividades
Soja
Adubação da soja para altas produtividades

Como planejar a adubação da soja para altas produtividades na safra 2026/2027, considerando diagnóstico do solo, calagem, Gessagem, extração e exportação de nutrientes, FBN

Leia mais »
Alasse Oliveira da Silva 02/10/2026
o que é microbioma do solo
Solos
Microbioma do solo: o que a ciência revela sobre a comunicação entre plantas e microrganismos

O microbioma do solo virou fronteira tecnológica da agricultura. Entenda holobionte, comunicação planta-microrganismo e como a ciência já aplica isso.

Leia mais »
Beatriz Nastaro Boschiero 30/09/2026

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Agroadvance, Escola de Negócios Agro que conecta o campo à cidade, amplificando os resultados do agronegócio no Brasil e destacando a cultura e o valor do setor

Instagram Linkedin Youtube

Entre em Contato

  • Fale Conosco
  • WhatsApp
  • E-mail
  • Avenida Cezira Giovanoni Moretti, Nº 905, Térreo, Sala 01 - Santa Rosa - Piracicaba/sp - CEP: 13414-157
Links
  • Programa de Indicação
  • Política de Proteção de Dados
  • Política de Privacidade
  • Política de Uso de Cookies
  • Termos de Uso
  • Programa de Indicação
  • Política de Proteção de Dados
  • Política de Privacidade
  • Política de Uso de Cookies
  • Termos de Uso

©2026 Todos Os Direitos Reservados.