O agronegócio brasileiro possui uma alta complexidade para as tomadas de decisões no campo. Isto se dá em decorrência dos riscos climáticos, volatilidade dos preços, pressão por aumento de produtividade, falta de mão de obra especializa, entre outros fatores importantes e decisivos.
Historicamente, grande parte das decisões foi tomada com base em experiência prática, históricos e informações de mercado, embora sejam informações de suma importância, não são suficientes para sustentar a competitividade do setor no médio e longo prazo. O momento atual exige do setor uma gestão rural mais estruturada e orientada por estratégia, neste contexto o planejamento estratégico surge como uma peça fundamental para a tomada de decisões.
A principal característica do planejamento estratégico é permitir que o produtor deixe de atuar em forma reativa, ou seja, respondendo ao problema apenas quando ele surge, porém comece a atuar de forma proativa, antecipando os possíveis problemas e construindo ações mitigadoras com maior solidez para o negócio.
O objetivo deste artigo é fornecer base para melhorar a tomada de decisões estratégicas da propriedade rural, aumentando a eficiência, além de promover sustentabilidade do negócio ao médio e longo prazo. Aproveite a leitura!
O que é planejamento estratégico?
O planejamento estratégico é um processo estruturado de análise de informações que visa a tomada de decisões capazes de definir onde a propriedade rural quer chegar no longo prazo. Ele estabelece um caminho claro do negócio, garantindo que as decisões do dia a dia estejam alinhadas aos objetivos estratégicos da propriedade.
Quando há a estruturação das escolhas a serem seguidas com base em análise de dados, administração rural, cenários de mercado, avaliação de riscos e projeções financeiras, o produtor rural reduz a dependência de decisões intuitivas e aumenta a competitividade e sustentabilidade do negócio ao longo do tempo.

No agronegócio, o planejamento estratégico envolve decisões relacionadas a:
- Capacidade do uso da terra e recursos naturais
- Nível de risco aceitável
- Diversificação de culturas e atividades na propriedade
- Investimento e capital financeiro disponível
Ao estruturar o planejamento estratégico, o produtor reduz seus riscos, prevendo um norte claro para o negócio rural, permitindo maior assertividade na tomada de decisão.
Planejamento estratégico não é plano de ação
Um erro comum na gestão rural é confundir planejamento estratégico com atividades operacionais. Embora relacionadas, são etapas distintas da gestão.
Alguns exemplos de atividades que NÃO referem ao planejamento estratégico:
- Calendário de plantio e colheita;
- Checklist de atividades agrícolas;
- Plano de ação pontual após alguma ocorrência emergencial;
- Decisão baseada apenas em um dado e/ou fator.
Essas atividades são importantes, porém não pertencem ao planejamento estratégico, mas fazem parte da execução, pois não são atividades que contribuem para o crescimento e a sustentabilidade do negócio rural, e portanto, não definem o rumo do negócio.
Diferença entre planejamento estratégico x tático e operacional
A gestão eficiente da propriedade rural depende da integração entre três níveis de planejamento, que em muitos casos são confundidos entre si: o planejamento Estratégico, o planejamento Técnico e o planejamento operacional (Figura 2). Porém, é importante compreender o conceito e definição individual, para que a gestão se torne mais eficiente. Destaca-se que os três níveis de planejamento são complementares e, por esse motivo, devem caminhar de forma integrada dentro da propriedade rural.

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO: olhar a longo prazo (5 a 10 anos), o principal objetivo é decidir qual é a direção da propriedade ou negócio rural. Neste planejamento são tomadas as decisões estruturais, modelo de produção, posicionamento no mercado etc.
PLANEJAMENTO TÁTICO: olhar a médio prazo (1 a 3 anos), com o objetivo em viabilizar a estratégia que foi definida através do planejamento estratégico. Este nível de planejamento transforma os objetivos de longo prazo em ações mais detalhadas, como por exemplo: escolha das culturas, definição dos sistemas de produção, utilização dos recursos etc.
PLANEJAMENTO OPERACIONAL: olhar a curto prazo, com o principal foco em execução das atividades do dia a dia do negócio rural. Esta etapa requer um maior detalhamento das rotinas diárias, voltando para a estratégia principal.
Para que realmente serve o planejamento estratégico no agronegócio?
O planejamento estratégico permite:
- Reduzir riscos produtivos e financeiros;
- Antecipar cenários de mercado e clima;
- Evitar decisões impulsivas;
- Melhorar a eficiência no uso de recursos
- Aumentar a rentabilidade e a sustentabilidade da propriedade.
Ele permite que o produtor rural antecipe os cenários, evite decisões impulsivas, com isto realize um melhor investimento dos ser recursos, aumentando a rentabilidade a longo prazo e promovendo a continuidade da propriedade.
Componentes básicos do planejamento estratégico
Missão, visão e valores
A missão, visão e valores são componentes básicos do planejamento estratégico voltado ao campo. Vejamos abaixo como estes componentes contribuem na prática.
A missão define o principal proposito da existência do negócio. A missão bem estabelecida contribui para o produtor manter a coerência nas decisões estratégicas, evitar as mudanças bruscas sem análise, comunicar de forma clara seus objetivos as partes envolvidas.
Exemplos de missão:
- Produção de alimentos de forma eficiente e sustentável;
- Geração de rentabilidade com respeito ambiental e as pessoas;
- Geração da continuidade e a sucessão da propriedade rural.
Quando a missão é bem clara e estabelecida na propriedade ou negócio rural, as decisões são alinhadas e racionais ao longo prazo.
A respeito da visão representa onde o produtor deseja estar ao longo prazo. A visão estabelece um horizonte claro com crescimento, isto permite o direcionamento de decisões estratégicas tanto de médio quanto longo prazo.
Exemplos de visão:
- Aumento da produtividade por hectare;
- Adoção de práticas mais sustentáveis e econômicas para a produção;
- Expansão de terra ou portfólio;
A visão precisa estar bem estruturada, assim evita decisões desnecessárias ou incompatíveis com a estratégia. A visão funciona como um guia de investimentos, que reduz os riscos e melhora o uso dos recursos.
Os valores são orientados a comportamentos dentro e fora da propriedade. Os valores são a base da gestão.
Diagnóstico do ambiente no agronegócio
Para um bom diagnóstico completo da propriedade é preciso começar por meio de uma análise interna, pois assim é possível identificar os recursos, capacidades e limitações da propriedade em questão. Este diagnóstico permite compreender quais os fatores que estão sob controle e como estes fatores impactam na execução da estratégia.
A análise interna avalia fatores sob controle da propriedade, como:
- infraestrutura disponível,
- capital financeiro,
- nível de gestão,
- nível de controle de atividades,
- uso de tecnologia,
- qualificação da mão de obra disponível, etc.
Este levantamento geral de todos os fatores da propriedade ajuda ao produtor compreender quais suas vantagens no mercado e quais gargalos que impactam seu crescimento.
Neste momento de análise o produtor precisa se dedicar para analisar todos os detalhes da propriedade, para que com a maior base de dados possível, seja mais fácil e assertivo a tomada de decisão, pois com isto o produtor terá em mãos todas as informações referentes ao seu negócio e qual a sua situação atual.
Além da análise interna, o produtor precisa realizar a análise externa, pois é por meio desta que o produtor consegue visualizar os fatores que estão fora do seu controle, como por exemplo:
- mercado,
- clima, políticas agrícolas
- custos e preços de insumos.
Uma forma de realizar a análise externa é por meio da análise SWOT, que leva em consideração 4 grandes blocos: forças, fraquezas, oportunidades e ameaças. Compreender estes fatores contribui para a antecipação dos riscos e oportunidades, tornando a tomada de decisão mais estratégica e menos reativa.

Etapas do planejamento estratégico
Existem algumas etapas do planejamento, deve se começar por meio da análise situacional e definição das prioridades, ou seja, neste momento o produtor rural precisa identificar o que realmente gera impacto no negócio e atuar neste fator.
Além disto a análise abrange os diferentes cenários do setor, portanto o produtor precisa ter alternativas em mente quanto ao clima, preço e custo da sua produção, evitando desta maneira surpresas durante a safra.
E, uma etapa de extrema importância se refere a definição dos objetivos estratégicos, estes objetivos devem ser claros e orientarem para decisões mais precisas e com menor chances de erros. Para o auxílio da criação de objetivos estratégicos, o produtor pode criar metas por meio do método SMART.
O modelo SMART auxiliar na criação de metas e objetivos mais precisos e eficazes, pois garante maior clareza e viabilidade. No contexto do agronegócio, as metas SMART devem ser:
- Especificas/Specific (S)
- Mensuráveis/Measurable (M)
- Atingíveis/Achievable (A)
- Relevantes/Relevant (R)
- Temporal/Time-bound (T)
Exemplos de metas SMART no agronegócio
Metas bem estruturada e definidas formam direcionamentos práticos, facilitando desta forma o acompanhamento e correção dos desvios a longo prazo. Temos abaixo alguns exemplos destas metas SMART.
- Aumentar a produtividade da lavoura em 10% em 2 safras, por meio da melhoria no manejo do solo e fertilidade.
- Reduzir o custo operacional por hectare em 5% durante 1 ano, com revisão periódica dos maquinários e ações preventivas.
- Melhorar a margem da atividade em 10% ao final da próxima safra, por meio de melhor administração financeira.
Estas metas permitem um monitoramento e clareza das ações necessárias para a sua respectiva realização.
Elaboração do plano de ação
Após realizarmos a definição dos objetivos estratégicos, é necessário traduzir para um plano de ação claro e executável no campo e no dia a dia. O plano de ação é o maior responsável por transformar as decisões estratégicas em atividades práticas, organizadas e acompanhadas, garantindo que de certa forma o que foi planejado realmente aconteça na propriedade rural.
Quando se tratamos do agronegócio, é importante destacar que esta etapa é mais ainda importante, pois possui a dependência de fatores como clima, sazonalidade, janela de plantio, mão de obra disponível e variações do mercado. Portanto, quando o plano de ação é bem realizado, permite que o produtor antecipe suas decisões, reduzindo os imprevistos e minimizando os riscos.
Ferramenta prática para a criação do plano de ação – 5W2H
Uma das ferramentas mais usadas no campo para realizar o plano de ação é chamada de 5W2H, é conhecida por sua simplicidade e aplicabilidade na prática. Esta ferramenta ajuda a responder perguntas fundamentais para cada atividade planejada no plano de ação.
- WHAT – O que?
- WHY – Por quê?
- WHRE – Onde?
- WHEN – Quando?
- WHO – Quem?
- HOW – Como?
- HOW MUCH – Quanto?

No contexto do campo o 5W2H pode ser aplicado em atividades como plantio, irrigação, manejo de pragas, colheita, manutenção de máquinas, logística de escoamento da produção etc. Ao detalhar cada atividade, o produtor consegue ter maior controle e clareza sobre todos os detalhes da sua propriedade, como custos, responsabilidade e prazos.
Um ponto importante deve ser lembrado e levado em consideração, no momento da utilização da ferramenta, é importante ter claro a definição dos responsáveis das atividades e seus respectivos prazos de entrega, pois muitas falhas na execução são decorrentes da falta de responsáveis ou prazos não realistas. Estes erros podem gerar atrasos, perdas de recursos e aumento de custos, por exemplo.
Ferramentas e métodos de suporte ao planejamento estratégico
Visando a realização correta do planejamento estratégico e sua eficácia, é importante contar com ferramentas e métodos de apoio. Essas ferramentas auxiliam o produtor na análise do ambiente interno e externo, além de contribuir para a tomada de decisões e no acompanhamento dos resultados.
Análise SWOT
A análise SWOT (Strenghts, Weaknesses, Opportunities e Threats) também conhecida como análise FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) foi desenvolvida na década de 1960 por Albert Humphrey. A ferramenta é utilizada para o planejamento a longo prazo, possibilitando a tomada de decisões mais clara, objetiva e responsável.
No agronegócio, a SWOT auxilia o produtor a visualizar o cenário completo do negócio, facilitando, portanto, a definição de estratégias mais realistas e alinhadas as condições da propriedade naquele momento.
5W2H
Como vimos anteriormente sobre esta ferramenta, ela é um auxiliador no plano de ação, porém além disto ela pode atuar como suporte ao planejamento estratégico ao transformar estratégias em atividades operacionais mais claras. Sua aplicação contribui para aumentar a organização, disciplina e transparência das ações dentro da propriedade rural.
PDCA
O método PDCA (Planejar, Executar, Verificar e Agir) é um método muito utilizado em gestão de empresas e pode contribuir no campo para a melhoria de processos. Este método permite aprimorar as práticas já realizadas, reduzir desperdícios, melhorar a produtividade e aumentar a eficiência operacional.
Mapas e frameworks estratégicos
Os mapas e frameworks estratégicos contribuem para a visualização da estratégia de forma integrada, de modo a conectar os objetivos financeiros, operacionais e humanos.
No agronegócio, estas ferramentas auxiliam na comunicação como todas as partes envolvidas, desde os gestores até as equipes operacionais.
Como aplicar o planejamento estratégico no agronegócio
A aplicação do planejamento estratégico no agronegócio exige do produtor rural a adaptação a realidade do campo, de modo que o primeiro passo é compreender que a propriedade deve ser gerida assim como se fosse uma empresa, com objetivos claros, controle de custos e foco em resultado.
O planejamento estratégico, permite que o produtor saia de uma gestão reativa e passe a ter uma gestão proativa, considerando os fatores como clima, ciclo, mercado, logística etc., contribuindo para a tomada de decisões mais seguras.
Erros mais comuns do planejamento estratégico e como evitá-los
Existem alguns erros comuns no planejamento estratégico que devem ser evitados para que o plano não se limite apenas ao papel. Estes erros acontecem por falhas na compreensão do conceito e na execução das etapas. Os erros mais comuns são:
- Não colocar o planejamento rural na prática;
- Falta de acompanhamento e revisão dos monitoramentos;
- Metas irreais;
- Falta de conhecimento dos recursos disponíveis;
- Basear decisões apenas na intuição;
- Não considerar o ambiente externo;
- Definir metas genéricas;
- Não envolver pessoas no processo;
- Desconsiderar a capacidade financeira da propriedade.
Estes são alguns erros comuns que acontecem nas propriedades rurais quando se tratamos do planejamento estratégico, é importante destacar que quando bem aplicado o planejamento é uma ferramenta poderosa de gestão, capaz de aumentar a eficiência, a rentabilidade e a sustentabilidade do negócio no agronegócio.
Conclusão
O planejamento estratégico é uma ferramenta essencial para a sustentabilidade e competividade, quando se falamos dos negócios rurais.
Após compreender seus conceitos, etapas e ferramentas que podem ser utilizadas, o produtor rural passa a tomar decisões com maior embasamento, reduzindo os riscos e direcionamento seus recursos.
Quando o planejamento é aplicado de forma prática e contínua, se transforma em um aliado fundamental para a gestão eficiente da propriedade no médio e longo prazo.
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Referências:
DAMETO, S. Planejamento rural: o caminho para decisões mais assertivas no campo. Blog Agroadvance. Publicado em: 29 Ago. 2024. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-planejamento-rural/. Acesso em: 31 jan. 2026.
KUSTRO, G. 5W2H: O Que é, Como Implementar e Exemplos de Uso. Blog Automação Industrial. Publicado em: 13 Mar. 2023. Disponível em: https://www.automacaoindustrial.info/5w2h/. Acesso: 02 Fev. 2026.
SOUZA, R. C. Análise SWOT para gestão no agronegócio: como explorar forças e oportunidades no campo. Blog Agroadvance. Publicado em: 04 Nov. 2024. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-analise-swot-para-gestao-no-agro/. Acesso em: 31 jan. 2026.
SOUZA, R. C. Gestão de propriedades agrícolas: como organizar e estruturar a fazenda de forma eficiente. Blog Agroadvance. Publicado em: 06 Jun. 2025. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-gestao-de-propriedades-agricolas. Acesso em: 31 jan. 2026.
WOHNRATH, F. Administração rural: práticas essenciais para uma gestão eficiente no agronegócio. Blog Agroadvance. Publicado em: 27 Out. 2025. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-administracao-rural/.Acesso em: 31 jan. 2026.
Sobre a autora:

Rosiane Caroline de Souza
Analista de Produtos Educacionais PLENO na Agroadvance
- Engenheira Agrônoma (UNESP/Botucatu)
- MBA em Gestão Florestal (UFPR)
- Cursando MBA em Liderança, Gestão, Estratégia no Agronegócio (Agroadvance)
Como citar este artigo:
SOUZA, R. C. Planejamento estratégico no agronegócio: definições, conceitos e aplicações práticas Blog Agroadvance. Publicado em: 04 Fev. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-planejamento-estrategico-no-agro/. Acesso em: 04 fev. 2026.



