Mesmo diante de adversidades climáticas e operacionais, o setor sucroalcooleiro voltou a demonstrar sua capacidade de adaptação. A safra 2024/25 foi marcada por seca, infestações de pragas e ocorrência de queimadas, mas ainda assim foram processadas 621,88 milhões de toneladas de cana-de-açúcar – volume apenas 5% inferior ao ciclo anterior (2023/24), configurando-se como a segunda maior safra da história do Centro-Sul.
Com isso, a Safra 2024/25 resultou em uma produção de açúcar de 40 milhões de toneladas, 87,7 milhões de toneladas de ATR e 26,8 bilhões de litros de etanol de cana-de-açúcar (Figura 1).

Esse desempenho foi impulsionado, principalmente, pela ampliação da área colhida. Após um período de estabilidade, a área de corte atingiu 8 milhões de hectares, resultado da maior disponibilidade de cana bisada e da expansão das lavouras nas últimas safras.
Nesta última safra, os 15 maiores grupos do setor sucroalcooleiro responderam por 49% da moagem total de cana-de-açúcar no Brasil, mostrando o peso das grandes companhias no mercado.
A seguir, listamos os 15 maiores grupos do setor sucroalcooleiro, com base na moagem consolidada da última safra, número de usinas, participação no mercado e variação em relação à safra anterior.
Acompanhe!
Ranking dos maiores grupos do setor sucroalcooleiro do Brasil – Safra 2024/25
Os dez maiores grupos do setor sucroenergético na Safra 2024/25 foram respectivamente: Raízen, BP Bunge, Atvos, São Martinho, Tereos, Lincoln Junqueira, Cofco, Coruripe, Pedra e Adecoagro (Figura 2).

Juntos, esses grupos moeram 242,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2024/25, o que representa 40,35% da moagem total do país. Somente os cinco primeiros grupos responderam por 27,82% da moagem nacional de cana. Completam a lista dos 15 maiores grupos: Delta, Vale do Verdão, Santa Terezinha, Zilor e Colombo (Tabela 1).
Entre os 15 maiores grupos do setor sucroalcooleiro brasileiro, a queda no volume processado na Safra 2024/25 versus a safra anterior foi mais acentuada do que no restante do setor. Os maiores grupos reduziram a moagem em 5,5%, passando de 322 para 304 milhões de toneladas na última safra, enquanto os demais apresentaram retração de 4,5% (Tabela 1).
Essa diferença fez com que a concentração da moagem nos 15 maiores produtores diminuísse, passando a representar 49% do total nacional na safra 2024/25. Já os cinco maiores grupos foram responsáveis por 27,8% da moagem total.
Tabela 1. Moagem de cana na Safra 2024/2025 no Brasil: 621.786 (1000 MT)
| Grupo | Moagem (milhões de toneladas) | Porcentagem do total (%) | Evolução da Moagem (2024/25 vs 2023/24) | |
| 1. | Raízen | 78,3 | 12,59% | -7,0% |
| 2. | BP Bunge | 26,7 | 4,29% | -7,9% |
| 3. | Atvos 1 | 25,8 | 4,15% | -6,2% |
| 4. | São Martinho 2 | 21,7 | 3,49% | -5,5% |
| 5. | Tereos | 20,5 | 3,30% | -2,8% |
| 6. | Lincoln Junqueira 2 | 18,2 | 2,93% | -7,8% |
| 7. | Cofco 2 | 17,7 | 2,85% | -4,3% |
| 8. | Coruripe | 15,8 | 2,54% | -1,3% |
| 9. | Pedra 2 | 13,5 | 2,17% | -3,9% |
| 10. | Adecoagro 2 | 12,7 | 2,04% | + 2,1% |
| 11. | Delta | 11,1 | 1,79% | -3,9% |
| 12. | Vale do Verdão 3 | 10,9 | 1,75% | + 5,0% |
| 13. | Santa Terezinha 2 | 10,9 | 1,75% | -5,7% |
| 14. | Zilor | 10,5 | 1,69% | -7,2% |
| 15. | Colombo | 10,3 | 1,66% | -14,1% |
| Brasil | 621,8 | 100% | -5,0% |
2 Valores considerados ao período de janeiro-dezembro de 2024.
3 Considerando moagem de abril a dezembro e 100% da moagem usina São Luiz.
Fonte: FG/A Consultoria (2025).
Entre os destaques positivos, apenas dois grupos ampliaram sua produção: o Grupo Vale do Verdão, com crescimento de 5%, e a Adecoagro, com alta de 2,1%.
No ranking, a movimentação mais significativa foi protagonizada pela Delta Sucroenergia, que subiu da 14ª para a 11ª posição, ultrapassando a Colombo Agroindústria S/A.
Para a próxima safra (2025/26), as condições climáticas permanecem como fator decisivo para o desempenho agrícola, especialmente no que diz respeito à produtividade dos canaviais.
A seguir, você confere quem mais informações desses gigantes, quanto moeram na última safra e como evoluíram em relação ao ciclo anterior, além de receita e número de usinas.
1. Raízen
- Fundação: 2011, em São Paulo (SP).
- Receita: R$ 78,45 bilhões.
- Número de usinas: 34 (29 em SP, 3 em MS, 1 em MG e 1 em GO).
- Moagem 2024/25: 78,3 milhões de toneladas.
- Variação vs. safra anterior: -7,0%.
A Raízen é o maior grupo do setor sucroenergético do país, resultado de uma joint venture entre a Shell e o grupo Cosan.
Atua de forma integrada em toda a cadeia de valor, da produção de açúcar e etanol à distribuição de combustíveis, geração de energia renovável e fabricação de lubrificantes.
Com foco em economia circular, investe em fontes limpas como biomassa, biogás e energia solar. Em 2023, alcançou a produção de 30 milhões de litros de etanol de segunda geração (E2G) e lançou a primeira cadeia de açúcar 100% rastreável e não transgênico do mundo.
2. BP Bunge Bioenergia
- Fundação: 2019, em São Paulo (SP).
- Receita: R$ 7,94 bilhões.
- Número de usinas: 11 (4 em MG, 3 em SP, 2 em GO, 1 em MS e 1 em TO).
- Moagem 2024/25: 26,7 milhões de toneladas.
- Variação vs. safra anterior: -7,9%.
Fruto da fusão entre a BP e a Bunge no setor de bioenergia, o grupo mostra desempenho consistente e estável no mercado. É uma das maiores produtoras brasileiras de etanol, açúcar e bioeletricidade, com usinas espalhadas pelo Sudeste, Norte e Centro-Oeste.
Na safra 2023/24, bateu recorde de moagem com 28,6 milhões de toneladas, um aumento de 14%. Entre os destaques está a ampliação da usina Pedro Afonso (TO), que deve elevar ainda mais sua capacidade produtiva.
3. Atvos
- Fundação: 2006, em Perolândia (GO).
- Receita: R$ 2,79 bilhões.
- Número de usinas: 9 (3 em GO, 3 em MS, 2 em SP e 1 em MT).
- Moagem 2024/25: 25,8 milhões de toneladas.
- Variação vs. safra anterior: -6,2%.
A Atvos Bioenergia Brenco produz etanol, açúcar VHP e bioeletricidade a partir da cana, sendo também uma das maiores emissoras de CBIOs e iniciando investimentos em biometano.
Com sede em São Paulo e nove usinas em quatro estados, tem capacidade instalada para moer 38 milhões de toneladas de cana por ano, tendo processado 27,5 milhões na safra 2023/24. No mesmo ciclo, investiu R$ 1,6 bilhão em suas operações, parte de um plano estratégico de R$ 4,6 bilhões até 2026.
4. São Martinho
- Fundação: 1907, em Pradópolis (SP).
- Receita: R$ 6,64 bilhões.
- Número de usinas: 4 (3 em SP e 1 em GO).
- Moagem 2024/25: 21,7 milhões de toneladas.
- Variação vs. safra anterior: -5,5%
O grupo São Martinho é um dos maiores do setor sucroenergético do Brasil, com capacidade de moagem de 24 milhões de toneladas por safra e quatro usinas em operação.
Em 2023, iniciou a construção de sua primeira planta de biometano, a partir da vinhaça, na unidade Santa Cruz (SP), com investimento de R$ 250 milhões. A operação deve começar em 2025, com capacidade plena prevista para 2026/27.
5. Tereos
- Fundação: 1932, em Aisne (França); No Brasil desde 2002.
- Receita: R$ 5,2 bilhões.
- Número de usinas: 7 (todas em SP).
- Moagem 2024/25: 20,5 milhões de toneladas.
- Variação vs. safra anterior: -2,8%.
A Tereos é uma das maiores produtoras de açúcar do mundo, com atuação em 15 países e presença em diversos setores, como alimentos, bioenergia e nutrição animal.
No Brasil e nos EUA, possui sete das 41 unidades industriais. Em 2023/24, alcançou sua maior moagem (21,1 milhões de toneladas), com aumento de 22,3%. A empresa investe em biogás e biometano visando substituir o uso de diesel em suas operações de transporte até 2030.
Conclusão
O cenário da safra 2024/25 mostra que, apesar dos desafios climáticos e operacionais, os grandes grupos do setor sucroalcooleiro seguem como pilares da produção nacional, respondendo por quase metade da cana moída no Brasil. A movimentação entre os líderes, os investimentos em biocombustíveis e a aposta em inovação demonstram a maturidade e a capacidade de adaptação desse setor essencial para a matriz energética e a economia brasileira.
Para os próximos ciclos, aspectos como clima, biotecnologia, gestão e sustentabilidade continuarão sendo determinantes para a competitividade das empresas — e para os profissionais que atuam ou pretendem atuar nessa cadeia estratégica.
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Referências
FORBES AGRO. Agro100: Quais as Maiores Empresas do Brasil no Ranking Forbes. Forbes Agro. 2025. Disponível em: https://forbes.com.br/escolhas-do-editor/2025/01/agro100-quais-as-maiores-empresas-do-brasil-no-ranking-forbes/. Data de acesso: 07 Mai 2025.
NOVACANA. Grupos de Usinas no Brasil. Disponível em: https://www.novacana.com/usinas_brasil/grupos/. Data de acesso: 07 Mai 2025.
Sobre a autora:

Beatriz Nastaro Boschiero
Especialista em Conteúdo na Agroadvance
- Pós-doutora pelo CTBE/CNPEM e CENA/USP
- Mestra e Doutora em Solos e Nutrição de Plantas (ESALQ/USP)
- Engenheira Agrônoma (UNESP/Botucatu)
Como citar este artigo
BOSCHIERO, B.N. 15 maiores grupos do setor sucroalcooleiro no Brasil em 2024/25. Blog Agroadvance. 2025. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-maiores-grupos-do-setor-sucroalcooleiro/. Data de acesso: 31 mar. 2026.




Uma resposta
Beatriz, muito rico o conteúdo.