Você provavelmente já recebeu hoje a mensagem clássica no WhatsApp:
“Me manda o melhor preço?!”
Se você atua na linha de frente comercial, provavelmente sim; essa já é uma realidade recorrente, e ela não surge por acaso. Esse é o sintoma mais claro de um mercado que mudou drasticamente nos últimos anos.
Atualmente, com a taxa de juros operando na casa dos 14,75% e os custos de produção permanentemente elevados, o produtor rural está operando com a corda no pescoço. Diante de margens tão apertadas e de um mercado hostil, enviar uma simples tabela de preços pelo celular já não garante mais o fechamento de nenhum negócio sustentável.
O fato é que o mercado não tem mais espaço para o vendedor “tirador de pedidos”, e a inteligência artificial fará o trabalho burocrático de cotação de forma muito mais rápida. O que o produtor exige hoje é um parceiro estratégico que entenda de rentabilidade e seja capaz de gerar resultado econômico por hectare.
Se você RTV ainda não se atenta à margem do seu produtor, sugiro que comece pelo artigo Margem e Não Preço, da Agroadvance, de uma aula ministrada por Anderson Galvão na imersão Produtores de Alta Performance. Lá você entenderá a importância de ser o guardião da margem do produtor.
Após isso, neste artigo, nós vamos mergulhar fundo nas estratégias definitivas de venda de valor no agro. Vamos mostrar exatamente o que você precisa fazer para se tornar um consultor indispensável, dominar sua carteira de clientes e proteger a margem do produtor em tempos desafiadores.
Esse artigo é um resumo da aula gratuita ministrada pelo Prof. Christian Pereira e janeiro de 2026: Venda de Valor no Agro em anos desafiadores. Para assistir, clique no link abaixo:
2026 e a urgência da venda de valor no agro
Toda gestão comercial de excelência exige um planejamento minucioso, mas é impossível planejar sem entender o terreno em que estamos pisando.
O cenário do agronegócio em 2026 é caracterizado por margens altamente comprimidas por diversos motivos. Além disso, os preços das commodities estão extremamente voláteis e em cenário de baixa, gerando um ambiente de incerteza comercial severa. Como se não bastasse, a alta taxa de juros encarece o crédito e corrói rapidamente qualquer rentabilidade que o produtor rural consiga na lavoura.
Isso gera um enorme risco de crédito, refletido no aumento das inadimplências e das recuperações judiciais no setor. Consequentemente, as indústrias, cooperativas e revendas estão se tornando muito mais seletivas sobre para quem vão vender seus insumos (Figura 1).

No entanto, o produtor não vai parar de comprar, porque ele precisa plantar. Ele apenas será muito mais seletivo e exigente, sendo que cada produtor é diferente e movido por motivações diferentes também. Cabe ao vendedor interpretá-las.
É nesse contexto de “panela de pressão” que o agricultor terá menos compras por “impulso” e exigirá provas concretas de Retorno Sobre o Investimento (ROI). É por isso que a venda de valor no agro se tornou uma questão de sobrevivência profissional para qualquer RTV.
O cenário que nenhum RTV queria
Vamos começar pelo elefante na sala. A Selic está em 14,75% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006. Para o produtor rural, significa que o Plano Safra 2025/26, embora anuncie R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, traz juros que morderam fundo: Pronamp subiu de 8% para 10% ao ano, Moderfrota saltou de 8,5% para 13,5% e o custeio para grandes produtores foi de 12% para 14%.
O resultado? A Agência FPA estima que a Selic elevada impôs entre R$ 54 e R$ 58 bilhões em custos adicionais de juros para produtores rurais.
Isso tudo leva a uma compressão de margens brutal. Dados do CNA/CEPEA mostram que a margem bruta do sojicultor proprietário deve cair 47,6% na safra 2025/26 — de R$ 2.325/ha para apenas R$ 1.219/ha.
E os principais vilões são, muitas vezes, os nossos produtos (sendo que a culpa não é nossa): fertilizantes subiram 17,7%, inseticidas dispararam 57% em Mato Grosso do Sul (dados da APROSOJA/MS), e o preço da soja em Paranaguá está em torno de R$ 123/sc — queda de 8,3% só no primeiro trimestre de 2026, segundo o CEPEA/ESALQ.
A inadimplência também chegou a níveis recordes que assustaram os bancos (ainda que estejam em níveis dentro do padrão). A Serasa Experian registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial no agro em 2025 — alta de 56,4% sobre 2024.
O que isso significa para o RTV? Seu cliente está mais endividado, mais cauteloso e mais resistente a gastar. Ele não vai comprar pelo relacionamento. Ele vai comprar se você provar, com dados, com resultado, com argumento técnico, que aquele investimento vai se pagar.
E aí mora a oportunidade. Do que fazer e do que não fazer!
O que definitivamente NÃO é venda de valor no agro?
Quando falamos em venda de valor no agro, muitos profissionais ainda carregam interpretações equivocadas e ultrapassadas sobre o tema. Existe uma crença na equipe de vendas de que ser “parceiro” resolve tudo, mas nós precisamos desmistificar isso agora.
Primeiramente, falar bem do seu produto e de suas características técnicas não é vender valor. Descrever formulações inovadoras ou amplo espectro impressiona agrônomos, mas não fecha negócios em um ano de crise, pois o produtor já sabe disso.
Dizer que a sua solução é “a melhor do mercado” é apenas a sua opinião. E, convenhamos, opinião não é um argumento de vendas válido quando o cliente está focado em não perder dinheiro.
Além disso, cultivar um excelente relacionamento e conhecer a família do produtor é fundamental para abrir portas, mas não é suficiente. Inclusive, falaremos mais disso, mas vendedor “bonzinho” é o que menos vem performando. Relacionamento é diferente de valor. O agricultor pode adorar você como pessoa e, ainda assim, comprar do seu concorrente.
Por fim, fazer visitas frequentes sem estratégia também não converte. A presença constante cria oportunidades iniciais, mas a presença vazia de inteligência e de cálculo econômico não sustenta a venda de valor no agro.
Os 5 pilares da venda de valor no agro
Se relacionamento não garante a venda, o que garante? Para nós, vender valor significa falar a língua do bolso do produtor rural. O agricultor não compra insumos isolados; ele compra resultado por hectare.
Para dominar a venda de valor no agro, você deve executar com excelência os 5 componentes fundamentais dessa estratégia:
- Entenda o negócio do cliente: Saia do mundo do produto e mergulhe no custo de produção da fazenda. Entenda onde ele ganha e onde ele perde dinheiro, mapeando os riscos reais da operação.
- Traduza a oferta em R$/hectare: Se o seu argumento não for financeiro, ele é fraco. Complemente suas explicações técnicas mostrando a economia exata ou o aumento de receita em Reais por hectare.
- Quantifique os resultados e o ROI: Mostre números específicos para a realidade dele. O produtor é um investidor com orçamento limitado e precisa visualizar sacos ganhos por hectare e o percentual de perdas evitadas.
- Compare as opções (o custo de não fazer): Mostre o que acontece com a margem dele se ele deixar de aplicar sua tecnologia. Posicione-se contra os concorrentes diretos e quantifique o prejuízo de escolhas erradas.
- Prove com evidências: Use dados validados, resultados de áreas experimentais e relate experiências de produtores vizinhos. A evidência de campo sempre vencerá uma opinião de marketing corporativo.
RTV Cotador vs. RTV Consultor
O mercado atual separa de forma cruel os profissionais de vendas em dois perfis distintos. A escolha de qual perfil você irá adotar definirá o seu sucesso na gestão comercial no agronegócio.
De um lado o “RTV Cotador” é reativo. Ele aguarda o produtor pedir um orçamento e imediatamente envia uma tabela de preços. Seu único diferencial é o desconto e ele é facilmente substituível por um robô de WhatsApp.
Do outro lado, o “RTV Consultor” atua com inteligência. Ele antecipa os problemas da lavoura antes de ocorrerem, mostra impactos econômicos e orquestra recursos. Ele compete baseado em eficiência, e não apenas em redução de preço.
É fundamental que você entenda uma premissa básica:
Preço baixo não protege a margem do produtor.
A sua eficiência técnica protege!!
Dar desconto não resolve a vida financeira do cliente.
A verdadeira proteção de margem se baseia no conceito clássico dos 4 C’s: aplicar o produto certo, na dose certa, no local certo e no momento certo. Esse nível de consultoria é a essência da venda de valor no agro.
Como fica o SPIN Selling em 2026
Você provavelmente já ouviu falar do SPIN Selling. Neil Rackham criou o método nos anos 1980 a partir de 35 mil visitas de vendas analisadas. A lógica era simples: faça perguntas de Situação, Problema, Implicação e Necessidade de Solução, e o cliente vai perceber que precisa do seu produto.
Temos que entender o momento atual. O SPIN teve seus tempos áureos na época em que o vendedor era a principal fonte de informação do comprador.
Esse mundo acabou. Pesquisa do CEB/Gartner mostrou que 57% da jornada de compra B2B já estava concluída antes do comprador falar com qualquer vendedor. Dados mais recentes do Gartner elevaram esse número: compradores gastam apenas 17% do tempo total de compra interagindo com fornecedores.
Agora aplique isso ao produtor rural brasileiro. A pesquisa ABMRA de 2025 (com 3.100 produtores em 16 estados) revelou que 96% dos produtores usam WhatsApp como ferramenta principal de decisão de negócios. Smartphones e o uso de todas as redes sociais também são comuns.
O que tudo isso significa na prática? Quando o RTV chega na propriedade e começa com “Qual é sua situação hoje?” ou “Quais problemas você enfrenta na lavoura?”, o produtor já pesquisou no YouTube, já perguntou no grupo de WhatsApp, já comparou preço em três concorrentes.
As perguntas de situação do SPIN soam como perda de tempo. O produtor pensa: “Esse cara não fez nem o dever de casa antes de vir aqui.” A fase de descoberta do SPIN presume uma assimetria de informação que simplesmente não existe mais no campo brasileiro.
O RTV e o Challenger Sale
É nesse contexto que o Challenger Sale ganha força. A lógica é simples:
o vendedor precisa ensinar algo novo ao cliente.
A pesquisa da CEB/Gartner com mais de 6.000 vendedores B2B em mais de 90 empresas, identificou cinco perfis de vendedores: o Desafiador (Challenger), o Construtor de Relacionamento (Relationship Builder), o Trabalhador Árduo (Hard Worker), o Lobo Solitário (Lone Wolf) e o Solucionador de Problemas (Problem Solver). Antes de continuar, qual você acha que teve mais performance?

Entre vendedores médios, os cinco perfis se distribuem de forma relativamente equilibrada, em torno de 20% cada. A revelação aparece quando se olha para os tops performers: o perfil Challenger representa 40% dos melhores vendedores em vendas gerais e 54% em vendas complexas.
O Construtor de Relacionamento (aquele perfil clássico do “vendedor amigão”) aparece em último lugar: apenas 7% dos tops performers e míseros 4% quando a venda é complexa.
Essa pesquisa foi conduzida durante a Grande Recessão (2008-2011), o que a torna duplamente relevante para o cenário atual do agro.A descoberta é de que os Challengers continuam performando bem em qualquer ambiente econômico, porque não dependem de condições favoráveis, eles criam valor por meio de insights.
Outro dado que corrobora com a tese: 53% da fidelidade do cliente vem da qualidade da experiência de venda, não do produto, preço ou marca.
Isso nos faz questionar: será que é hora de repensar nossa abordagem de vendas?
O que o Challenger Sale significa para o RTV no campo
O método Challenger assume que o cliente precisa ser desafiado com informações que ele ignora, usando três pilares fundamentais:
- Ensinar (Teach): Traga um insight poderoso que o produtor ainda não considerou. “Notamos um aumento na resistência de buva na sua microrregião. Você tem mensurado isso?”.
- Personalizar (Tailor): Adapte o dado para a fazenda específica dele. “Sabemos que na sua área de várzea, o risco de compactação amplifica esse problema. A solução X atua exatamente ali”.
- Assumir o Controle (Take Control): Conduzir a conversa com base em valor, não em preço. “Eu envio o preço agora, mas antes, vamos comparar o custo por hectare versus a produtividade projetada?”.
Na prática, o RTV Challenger faz três coisas que o RTV tradicional não faz:
- ensina,
- personaliza e
- assume o controle da conversa de vendas.
Ensinar não é apresentar catálogo. É chegar na propriedade com uma informação que o produtor não tinha. “Você sabia que a aplicação de biofungicida no estádio R1 da soja está gerando 3 a 6 sacas/ha a mais nos campos demonstrativos da região?”
E é aqui está a oportunidade para o RTV Challenger: a pesquisa McKinsey (janeiro 2025, 750 produtores brasileiros) mostrou que 70% dos agricultores pretendem manter ou aumentar gastos com biológicos, independente de variações de preço.
Mas as duas principais barreiras para compras digitais que os produtores citaram foram a falta de confiança e falta de aconselhamento personalizado. Traduzindo: o produtor quer biológico, mas precisa de alguém que explique como usar direito. Esse alguém é o RTV que ensina.
Personalizar significa adaptar o insight ao contexto específico daquele produtor. Não adianta chegar com o mesmo discurso para o sojicultor de 500 hectares no Paraná e o algodoeiro de 5.000 hectares no Mato Grosso. Aqui vale a ressalva lá do início do artigo: procure diagnosticar o produtor dentro dos sete perfis distintos de produtores, segmentados por idade, sistema de produção, visão de sustentabilidade e estratégia de investimento.
Por fim, assumir o controle é a parte mais desconfortável para o RTV formado na escola do relacionamento. Significa criar tensão construtiva. Não é ser grosso. É dizer: “Com essa margem de R$ 1.219 por hectare, você não pode se dar ao luxo de errar na escolha do fungicida.Me dá 15 minutos que eu te mostro o que está funcionando nos campos que acompanho.”
Em mercados difíceis, com 80% dos negócios perdidos para o status quo, o RTV que não cria urgência perde para a inércia do cliente.
Qualificação de carteira: onde RTVs erram sem perceber
A maioria dos RTVs trabalha de forma reativa. Atende quem liga, visita quem é mais fácil de encontrar e concentra esforço em dois ou três grandes clientes que sustentam o número.
O Princípio de Pareto é implacável: 20% dos clientes geram 80% da receita. Esse dado é validado em toda a literatura de vendas B2B e se aplica com força ao agro. É nesses 20% dos seus clientes que você precisa focar.
O perigo é confundir concentração com estratégia. Pedro Benevides, da Agroadvance, alertou em artigo de setembro de 2025: “Se um RTV tem bons resultados com um grande cliente, mas falha em explorar pequenos e médios da região por falta de visibilidade de carteira, isso gera vendas concentradas e crescimento não sustentável.”
Se seus melhores produtores (poucos), trocarem de fornecedor, sua carreira corre sérios riscos. Por natureza, o RTV tem uma carteira mais concentrada, e consequentemente, seu risco também.
A qualificação inteligente de carteira passa pela Curva ABC — ferramenta operacional derivada do Pareto;
- Clientes A (top 20%) representam 70-80% das vendas e merecem atenção estratégica personalizada.
- Clientes B (próximos 20%) são o campo de crescimento — produtores com potencial de compra que ainda não exploram todo o portfólio.
- Clientes C (60% restantes) precisam ser atendidos de forma eficiente, possivelmente via inside sales ou canais digitais, liberando o RTV para onde ele gera mais valor.
Por isso, sempre recomendamos que RTVs novos sejam avaliados por quantidade e qualidade de prospecção, não apenas volume.
RTVs maduros precisam conhecer o potencial de compra de cada cliente na carteira, não apenas o que já compram. A segmentação ABC precisa ser atualizada regularmente, e visitas devem ser registradas e rastreadas para gerar insights gerenciais.
Sem esse mapeamento, o planejamento “fica na cabeça” do RTV, e a gestão se limita a comparar meta com realizado — o mínimo do mínimo.
No cenário de inadimplência recorde, a qualificação de carteira ganha uma dimensão adicional: análise de risco de crédito por cliente. O RTV que não avalia a saúde financeira do produtor antes de fechar uma venda pode estar gerando receita no papel e inadimplência na prática.
Lembre-se!
O recurso mais escasso que um RTV possui hoje é o tempo. Visitar toda a sua lista de contatos com o mesmo nível de energia é uma estratégia infalível para perder produtividade e não fechar negócios.
Por isso, para realizar uma qualificação inteligente, cruze dois critérios centrais em uma matriz:
- O Potencial Real de Margem (capacidade financeira e mix de compras) e
- A Abertura Técnica (se ele ouve e aplica suas recomendações).
Se o cliente possui alto potencial e alta abertura técnica, invista todos os seus recursos nele. Se ele só suga seu tempo, pede descontos absurdos e ignora suas recomendações, abandone-o ou reduza drasticamente as visitas.
Lembre-se também de avaliar os influenciadores regionais. Um cliente de tamanho médio, mas que é referência técnica para 10 grandes vizinhos, vale muito mais do que um gigante isolado. Ter uma carteira gigantesca não é vantagem; ter uma carteira estratégica, sim.
O papel do CRM na venda de valor no agro
Quando o assunto é gerenciar essa carteira qualificada, a palavra CRM inevitavelmente surge nas reuniões de diretoria. No entanto, contratar o software mais caro do mercado não vai resolver milagrosamente as suas metas.
Nós precisamos entender que o CRM comercial não é apenas uma ferramenta digital; ele é uma cultura de negócios. Como diz a máxima corporativa:
“A cultura come a estratégia no café da manhã”.
A desculpa padrão do RTV de que “o dia está muito corrido para preencher o sistema” é, na verdade, um sintoma de má gestão do próprio tempo. Porém, a liderança também erra quando transforma o CRM em um mero repositório burocrático e inútil.
Para que o CRM impulsione a venda de valor no agro, ele deve conter dados estratégicos de prospecção, histórico de preços e motivos de perda de negócios. Se a informação preenchida não ajuda o marketing a criar campanhas assertivas ou você a fechar vendas, ela é apenas ruído.
- Seja em um software robusto ou em uma planilha inteligente conectada a um Trello, o importante é basear suas decisões em dados concretos. O CRM deve ser o painel de controle que guia todas as suas ações em campo.
Principais indicadores de gestão para RTVs
Uma cultura de dados forte dentro do CRM comercial permite que o profissional abandone o amadorismo.
Ao invés de focar apenas na métrica final de faturamento, o RTV de alta performance precisa monitorar cinco indicadores vitais:
- Taxa de Conversão: Quantitativa e qualitativa. Quantas visitas você realmente precisa fazer para fechar um negócio? Se a cada 10 visitas você fecha 3, sua taxa é de 30%.
- Ticket Médio: Quanto cada cliente fatura em média com você. Se a sua meta é 240 mil e o ticket é 10 mil, você precisa fechar 24 vendas matemáticas.
- Margem de Contribuição: O indicador que avalia a saúde da carteira. Margens achatadas significam que você está focando demais em commodities e esquecendo do portfólio de especialidades.
- Nível de Recorrência: Custa até 7 vezes mais conquistar um novo cliente do que manter um atual. Medir a recompra previne que você perca produtores para a concorrência.
- Canal de Origem: De onde vêm os seus fechamentos? Do campo? Do WhatsApp? Isso ajuda a calcular o Custo de Aquisição de Cliente (CAC).
Orquestrando seu arsenal de vendas para maximizar retorno
Um erro fatal cometido por muitos vendedores em safras difíceis é tentar ser um “exército de um homem só”. Você não está sozinho e possui um arsenal vasto que precisa ser estrategicamente orquestrado.
A venda de valor no agro exige que você saiba exatamente quando e como acionar cada peça do seu time:
- Assistente Técnico (ATC): Não o deixe apenas rodando lavouras a esmo. Use-o para resolver dúvidas técnicas urgentes e garantir que um diagnóstico correto chegue rápido ao produtor.
- Especialista Agronômico: Mobilize-o para contas grandes e estratégicas, onde é necessário impor uma autoridade técnica inquestionável para mudar um manejo.
- Gestor Regional: Use a influência dele no campo para destravar grandes negociações e validar condições comerciais excepcionais junto a clientes difíceis.
- Demoplots e Marketing: Utilize as áreas demonstrativas para quebrar a objeção do agricultor cético (“ver para crer”). Capitalize também a força da reputação da sua marca para gerar confiança.
Se quiser resultados diferentes, faça isso amanhã
O cenário de 2026 não é para amadores. Com a Selic em 14,75%, margens de soja comprimidas em quase 50% e quase 2 mil recuperações judiciais no agro, o produtor rural está fazendo conta em tudo.
Temos que entender: o produtor não vai comprar de quem é mais simpático… vai comprar de quem provar que gera resultado.
Na dúvida, procure dar uma chance ao seu “vendedor Challenger interior”. Ele pode ser aquele que sobrevive e cresce em mercados difíceis, enquanto o Construtor de Relacionamento fica pra trás.
O RTV de 2026 precisa dominar três coisas: ensinar com insights que o produtor não encontra no Google, qualificar a carteira com inteligência e registrar dados no CRM para tomar decisões com base em evidência, não em achismo.
O agronegócio é feito de ciclos, e anos difíceis são os filtros que separam os profissionais amadores dos especialistas em gestão comercial no agronegócio. A teoria, no entanto, só funciona com execução.
Nós recomendamos que você não deixe esse conhecimento apenas como um mero entretenimento. Para transformar sua rotina, implemente estas três ações urgentes logo pela manhã:
- Liste seus 10 melhores clientes: Selecione aqueles que combinam alto potencial financeiro e forte abertura técnica. Direcione sua energia para onde o retorno é garantido.
- Defina os recursos ociosos: Para cada um desses 10 clientes vitais, identifique qual peça do seu arsenal (ATC, Gestor, Demoplot) você ainda não levou para a fazenda.
- Mude o foco da próxima visita: Pare de iniciar a conversa enviando tabelas e falando de preço. Chegue com um insight de mercado, apresente um dado novo e ancore o valor da sua solução.
Lembre-se de que a execução imperfeita de hoje vale infinitamente mais do que o planejamento perfeito que nunca sai da gaveta do seu escritório.
O futuro exige excelência comercial
Proteger a margem do produtor enquanto você atinge suas próprias metas não é uma tarefa fácil, mas é totalmente possível quando você substitui o comodismo pela estratégia do método Challenger Sale e pela cultura de dados.
A venda de valor no agro é o único caminho seguro para crescer de forma sustentável e se tornar um profissional de campo verdadeiramente insubstituível na próxima década.
Para liderar essa transformação e dominar o mercado que mais cresce no Brasil, você precisa aliar conhecimento técnico a uma visão estratégica de negócios avançada.
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Se você quer continuar crescendo mesmo em ano de margens apertadas, comece agora a fazer o dever de casa: segmente sua carteira de clientes e mude sua abordagem de vendas. Podem ser essas duas coisas que estão te travando!
Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MARKETING RURAL E AGRONEGÓCIO (ABMRA). Pesquisa ABMRA 2025: perfil digital do produtor rural brasileiro. São Paulo: ABMRA, 2025.
BENEVIDES, P. Gestão da carteira de clientes: o papel do CRM nas metas. Blog Agroadvance, Publicado: 15 Set. 2025. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-gestao-da-carteira-de-clientes-e-crm/. Acesso em: 23 mar. 2026.
BOSCHIERO, B.N. Perfil do produtor rural brasileiro em 2025: os 7 tipos revelados em pesquisa inédita. Blog Agroadvance, Publicado: 29 Set. 2025. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-perfil-do-produtor-rural-brasileiro-2025/. Acesso em: 23 mar. 2026.
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DIXON, Matthew; ADAMSON, Brent. The Challenger Sale: taking control of the customer conversation. New York: Portfolio/Penguin, 2011.
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SERASA EXPERIAN. Recuperação judicial no agro fecha 2025 com quase 2 mil solicitações e registra maior acumulado da série histórica. São Paulo: Serasa Experian, 2026.
WOHNRATH. F. Margem e não preço: porque o RTV precisa ser guardião da margem do produtor. Blog Agroadvance. Publicado: 26 Jan. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-produtor-deve-olhar-margem-e-nao-preco/. Acesso em: 23 mar. 2026.
Sobre o autor:

Felipe Wohnrath
Coordenador de Comunicação na Agroadvance
- Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP)

Christian Pereira
Estrategista do Agronegócio na Bizup Strategy
- MBA, Bussiness Administration (FGV)
- MBA em Marketing (FIA)
- MBA em Gestão de Pessoas (Dom Cabral)
- Administrador (AIEC)
- Médico Veterinário (USP)
Como citar este artigo:
WOHNRATH, F.; PEREIRA, C. Venda de valor no agro: como RTVs podem proteger a margem do produtor em 2026. Blog Agroadvance. Publicado em: 26 Mar. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-venda-de-valor-no-agro/. Acesso: 26 mar. 2026.



