Os ácaros fitófagos na agricultura constituem um dos principais desafios fitossanitários em sistemas de produção intensivos, especialmente em culturas como soja, milho, algodão, café, citros e hortaliças.
Esses organismos microscópicos, pertencentes à subclasse Acari, apresentam elevada capacidade reprodutiva, ciclo biológico curto e rápida adaptação a condições ambientais adversas, fatores que favorecem surtos populacionais em períodos de clima quente e seco.
No contexto do manejo de ácaros agrícolas, é fundamental compreender sua biologia, ecologia e fisiologia do dano. Ácaros como Tetranychus urticae, Mononychellus planki, Oligonychus pratensis, Polyphagotarsonemus latus e Brevipalpus yothersi são responsáveis por perdas significativas devido à redução da área fotossintética, desfolha precoce, comprometimento do enchimento de grãos e transmissão de vírus fitopatogênicos.
A ocorrência de surtos de ácaros fitófagos está fortemente associada ao estresse hídrico, altas temperaturas e uso indiscriminado de inseticidas de amplo espectro, que reduzem populações de inimigos naturais. Esse cenário reforça a importância do Manejo Integrado de Ácaros (MIA), estratégia baseada em monitoramento sistemático, controle biológico, rotação de modos de ação acaricidas e práticas culturais que promovam equilíbrio do agroecossistema.
Diante da crescente pressão por produtividade e sustentabilidade, o conhecimento aprofundado sobre os tipos de ácaros fitófagos e suas estratégias de manejo torna-se essencial para reduzir perdas, evitar resistência a acaricidas e garantir estabilidade produtiva.
O que são ácaros?
Ácaros são artrópodes pertencentes à classe Arachnida, subclasse Acari, grupo que inclui milhares de espécies com hábitos fitófagos, predadores, parasitas e saprófagos. Diferentemente dos insetos, apresentam:
- quatro pares de pernas na fase adulta;
- ausência de antenas;
- corpo não dividido externamente em cabeça, tórax e abdômen.
Na agricultura, os ácaros de maior importância econômica concentram-se principalmente na ordem Trombidiformes, com destaque para as famílias:
- Tetranychidae,
- Tarsonemidae e
- Tenuipalpidae.
Do ponto de vista morfológico, apresentam corpo geralmente ovalado, não segmentado externamente, com quatro pares de pernas na fase adulta e tamanho microscópico, variando entre 0,1 e 0,6 mm. O aparelho bucal é do tipo estilete perfurador-sugador, adaptado à penetração em células vegetais. O desenvolvimento ocorre por metamorfose gradual, passando por fases de ovo, larva, protoninfa, deutoninfa e adulto.
Em condições favoráveis de temperatura elevada (28-32ºC) e baixa umidade relativa, o ciclo pode ser completado em poucos dias (menos de uma semana), favorecendo crescimento populacional exponencial.
A fisiologia do dano está diretamente associada à ruptura de células epidérmicas e do parênquima clorofiliano, com subsequente sucção do conteúdo citoplasmático. Esse processo provoca:
- Redução da atividade fotossintética,
- Alteração na dinâmica estomática,
- Desbalanço hormonal e
- Intensificação de processos oxidativos.

Em situações de alta infestação, observa-se necrose tecidual, bronzeamento foliar, queda precoce de folhas e redução significativa do enchimento de grãos ou frutos.
Em espécies como Brevipalpus yothersi, além do dano direto, há transmissão de vírus fitopatogênicos, ampliando o impacto produtivo e sanitário.
Essa combinação cria ambiente propício para surtos, especialmente em sistemas agrícolas intensivos como soja e milho.
Ácaros são insetos?
Não. Ácaros não são insetos.
Embora ambos pertençam ao filo Arthropoda, ácaros e insetos são biologicamente distintos (Tabela 1). Os ácaros estão na classe Arachnida, enquanto os insetos pertencem à classe Insecta. Essa distinção não é apenas taxonômica, mas também prática.
Muitos inseticidas não apresentam eficiência sobre ácaros, exigindo moléculas específicas com ação acaricida. Portanto, do ponto de vista de manejo fitossanitário, trata-se de grupos biologicamente distintos que demandam estratégias diferenciadas.
Tabela 1. Diferenças estruturais entre ácaros e insetos
| Característica morfológica | Ácaros | Insetos |
| Número de pernas (fase adulta) | 4 pares (8 pernas) | 3 pares (6 pernas) |
| Presença de antenas | Ausente | 1 par de antenas |
| Divisão corporal externa | Corpo não claramente dividido; gnatosoma e idiossoma pouco segmentados externamente | Corpo dividido em cabeça, tórax e abdômen bem definidos |
| Classe taxonômica | Arachnida | Insecta |
Principais culturas afetadas por ácaros filófagos
Nas grandes culturas brasileiras: soja, milho, algodão, feijão e café; os ácaros fitófagos apresentam relevância recorrente, sendo que os surtos de ácaros estão fortemente associados às:
- Déficit hídrico,
- Temperaturas elevadas;
- Uso frequente de inseticidas de amplo espectro
- Desequilíbrio nutricional (excesso de nitrogênio, por exemplo)
Na Soja e feijão predominam espécies como Mononychellus planki, Polyphagotarsonemus latus e espécies do gênero Tetranychus, com impacto direto sobre área fotossintética ativa e enchimento de grãos.

No milho, destaca-se Tetranychus urticae, especialmente na safrinha sob estresse hídrico.
O algodão concentra maior diversidade de tetraniquídeos, elevando a complexidade de manejo.
No café, Oligonychus ilicis, Polyphagotarsonemus latus e Brevipalpus phoenicis interferem na manutenção da área foliar e no equilíbrio fisiológico da planta.
Além dessas grandes culturas, registros anteriores indicam ocorrência relevante em abóbora, amendoim, berinjela, crisântemo, mamona, cravo, mamão, melancia, alho, maracujá, cebola, ervilha, feijão-vagem, pimentão, batata, noz-pecã, goiaba e citros, evidenciando ampla plasticidade ecológica e alto potencial de adaptação desses ácaros aos diferentes sistemas produtivos.
Tabela 1. Espécies de ácaros fitófagos registradas por cultura agrícola no Brasil
| Cultura | Espécies registradas |
| Soja | Mononychellus planki (ácaro-verde) Polyphagotarsonemus latus (ácaro-branco) Tetranychus desertorum (ácaro-vermelho) Tetranychus urticae (ácaro-rajado) |
| Milho | Tetranychus urticae (ácaro-rajado) |
| Algodão | Mononychellus planki (ácaro-verde) Polyphagotarsonemus latus (ácaro-branco) Tetranychus cinnabarinus (ácaro-vermelho) Tetranychus desertorum (ácaro-vermelho) Tetranychus ludeni (ácaro-vermelho) Tetranychus telarius (ácaro-do-morangueiro) Tetranychus urticae (ácaro-rajado) |
| Feijão | Mononychellus planki (ácaro-verde) Polyphagotarsonemus latus (ácaro-branco) Tetranychus cinnabarinus (ácaro-vermelho) Tetranychus desertorum (ácaro-vermelho) Tetranychus ludeni (ácaro-vermelho) Tetranychus urticae (ácaro-rajado) |
| Café | Oligonychus ilicis (aranha-vermelha-do-cafeeiro; ácaro-vermelho) Polyphagotarsonemus latus (ácaro-branco; ácaro-tropical) Brevipalpus phoenicis (ácaro-da-leprose; ácaro-plano) |
Fonte: Alasse O. Silva adaptado de Agrofit (2026).
Principais ácaros fitófagos na agricultura
Ácaro-rajado – Tetranychus urticae
O ácaro-rajado (Tetranychus urticae) é reconhecido como uma das principais pragas agrícolas de importância econômica mundial.
Pertencente à família Tetranychidae, o ácaro-rajado apresenta distribuição cosmopolita, elevada capacidade adaptativa e amplo espectro de hospedeiros, explorando mais de 1.000 espécies vegetais.
No contexto da agricultura brasileira, Tetranychus urticae é uma praga-chave em sistemas intensivos sob clima quente e seco, sendo frequentemente registrado em culturas como:
- soja,
- feijão,
- algodão,
- milho,
- hortaliças e
- frutíferas.
Ecologicamente, a ocorrência do ácaro-rajado está fortemente associada ao déficit hídrico, altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar. Sistemas agrícolas submetidos a estresse hídrico tendem a apresentar maior concentração de aminoácidos livres e nitrogênio solúvel nas folhas, favorecendo a multiplicação do ácaro.
Sintomas
Os sintomas do ataque do ácaro-rajado iniciam-se com pontuações cloróticas na face superior das folhas, resultantes da perfuração celular e sucção do conteúdo citoplasmático.
À medida que a infestação evolui, observa-se bronzeamento foliar, redução da área fotossintética, redução da condutância estomática e comprometimento do metabolismo primário.
Em altas populações, a formação de teias é intensa, característica típica do ácaro-rajado, formando microambientes protetivos que dificultam a ação de inimigos naturais e reduzem a eficiência de pulverizações acaricidas.

Ciclo de vida
A biologia de Tetranychus urticae é marcada por ciclo rápido e alta fecundidade. Em temperaturas entre 28 e 32 °C, o ciclo biológico pode ser concluído em 5 a 7 dias, permitindo sucessivas gerações em curto período e favorecendo surtos populacionais explosivos.
O sistema reprodutivo haplodiplóide, no qual ovos não fertilizados originam machos e fertilizados originam fêmeas, contribui para elevada variabilidade genética e rápida seleção de indivíduos resistentes.
Risco de resistência
Populações de ácaro-rajado com resistência a avermectinas, piretroides, organofosforados, bifenazato e reguladores de crescimento já foram amplamente documentadas, tornando o manejo químico isolado uma prática de alto risco.
Além disso, o uso indiscriminado de inseticidas de amplo espectro reduz populações de ácaros predadores da família Phytoseiidae, contribuindo para desequilíbrio biológico e ressurgência da praga.
Ácaro-branco – Polyphagotarsonemus latus
O ácaro-branco ou ácaro-tropical (Polyphagotarsonemus latus), da família Tarsonemidae, é praga importante em pimentão, tomate, feijão e algodão. Diferencia-se por atacar tecidos jovens e meristemáticos, causando danos fisiológicos precoces.

Sintomas
Os principais sintomas incluem:
- encarquilhamento e enrugamento foliar,
- deformação de brotações e
- redução do crescimento vegetativo.
O dano está associado a alterações hormonais e comprometimento do desenvolvimento normal da planta.
Manejo
A detecção precoce em brotações é fundamental. O controle deve ser direcionado ao ponteiro da planta (onde deve-se priorizar os monitoramentos), com rotação de modos de ação e integração com controle biológico, principalmente em cultivo protegido.
Ácaro-vermelho – Tetranychus ludeni
O ácaro-vermelho (Tetranychus ludeni) é uma espécie pertencente à família Tetranychidae, amplamente distribuída em regiões tropicais e subtropicais.
Embora frequentemente associado ao ácaro-rajado (Tetranychus urticae), o ácaro-vermelho apresenta particularidades ecológicas e comportamentais que justificam atenção específica no manejo fitossanitário.
No Brasil, sua ocorrência é relevante principalmente em hortaliças, algodão e outras culturas de ciclo intensivo.
Características
Do ponto de vista morfológico, Tetranychus ludeni distingue-se pela coloração predominantemente avermelhada a carmim, característica que facilita sua diferenciação visual em campo quando comparado ao padrão esverdeado ou rajado de T. urticae.
Entretanto, o padrão de dano é semelhante: perfuração de células epidérmicas, sucção do conteúdo citoplasmático e consequente formação de pontuações cloróticas que evoluem para bronzeamento foliar e redução da atividade fotossintética.

A biologia do ácaro-vermelho é marcada por ciclo curto e elevada taxa reprodutiva sob temperaturas elevadas. Em condições favoráveis, o ciclo pode ser completado em aproximadamente uma semana, possibilitando múltiplas gerações ao longo da safra. Assim como outras espécies de tetraniquídeos, apresenta reprodução haplodiplóide, mecanismo que favorece rápida adaptação e seleção de indivíduos resistentes a acaricidas.
Ecologicamente, Tetranychus ludeni demonstra comportamento competitivo em ambientes agrícolas, podendo substituir ou coexistir com Tetranychus urticae em determinadas regiões. Essa substituição está frequentemente associada a fatores como pressão de seleção por produtos químicos, condições climáticas locais e composição do agroecossistema.
A espécie também apresenta tolerância a ambientes de baixa umidade relativa e alta temperatura, condições típicas de surtos populacionais.
No algodão e em hortaliças, o impacto produtivo decorre da redução da área foliar ativa e da interferência no crescimento vegetativo. Em culturas hortícolas, a infestação compromete o padrão visual e o valor comercial do produto, enquanto no algodão pode influenciar o desenvolvimento vegetativo e a formação de estruturas reprodutivas.
Ácaro-verde-da-soja – Mononychellus planki
O ácaro-verde-da-soja (Mononychellus planki) é um tetraniquídeo fitófago de relevância crescente em sistemas de produção de soja, especialmente em regiões de clima quente e seco.
Pertencente à família Tetranychidae, essa espécie apresenta distribuição ampla em áreas tropicais e subtropicais, sendo frequentemente associada a surtos populacionais durante períodos de déficit hídrico.
O hospedeiro principal é a soja, embora possa ocorrer em outras leguminosas e plantas espontâneas que funcionam como reservatórios. Diferentemente de Tetranychus urticae, o ácaro-verde-da-soja não produz teias densas, o que pode dificultar sua identificação inicial a campo. A coloração esverdeada do corpo contribui para maior camuflagem na superfície foliar.

Sintomas nas plantas
A sintomatologia é caracterizada por descoloração difusa das folhas, com aspecto esbranquiçado ou amarelado generalizado, resultante da destruição de células do parênquima clorofiliano.
Em estádios mais avançados, ocorre bronzeamento e necrose, culminando em desfolha precoce, especialmente em condições de alta pressão populacional.
A redução da área fotossintética ativa compromete a produção e o transporte de fotoassimilados, refletindo diretamente na redução do enchimento de vagens e peso de grãos.
Sob condições ambientais favoráveis, particularmente temperaturas elevadas e baixa umidade relativa do ar, o ciclo biológico de Mononychellus planki é acelerado, permitindo rápido incremento populacional.
O estresse hídrico da planta hospedeira aumenta a concentração de compostos nitrogenados solúveis nas folhas, criando ambiente nutricionalmente favorável para o ácaro. Esse cenário é frequentemente observado na fase reprodutiva da soja, momento crítico para definição de produtividade.
Impacto produtivo
Do ponto de vista agronômico, o impacto é mais severo quando a infestação ocorre entre os estádios reprodutivos iniciais e o enchimento de grãos (entre R1 e R5), podendo comprometer significativamente o rendimento final. Em situações de seca prolongada, surtos podem ocorrer de forma abrupta, exigindo intervenção rápida.
Controle do ácaro-verde-da-soja
O manejo do ácaro-verde-da-soja requer monitoramento sistemático das folhas do terço médio e inferior, identificação precoce de focos e adoção de estratégias integradas.
A rotação de modos de ação acaricidas é fundamental para evitar seleção de resistência. A preservação de ácaros predadores naturais, especialmente da família Phytoseiidae, contribui para regulação populacional.
Medidas culturais que reduzam o estresse hídrico e mantenham equilíbrio nutricional também desempenham papel relevante na mitigação de surtos.
Ácaro-do-broto-do-cafeeiro – Oligonychus ilicis
O ácaro-do-broto-do-cafeeiro (Oligonychus ilicis) é praga relevante da cultura do café, especialmente em períodos secos. Atua predominantemente sobre folhas maduras, reduzindo a capacidade fotossintética da planta e afetando o potencial produtivo.
Sintomas
O ataque provoca bronzeamento foliar, aspecto de “queimado” e queda prematura de folhas. A redução da área foliar ativa compromete a formação de reservas e pode impactar a produtividade da safra subsequente.

Relevância e manejo
Em anos de seca prolongada, a pressão populacional aumenta significativamente. O manejo inclui monitoramento no período seco, controle químico seletivo e manutenção de inimigos naturais.
Ácaro-da-leprose-dos-citros – Brevipalpus yothersi
O ácaro-da-leprose-dos-citros (Brevipalpus yothersi), pertencente à família Tenuipalpidae, é praga estratégica da citricultura brasileira. Além do dano direto, possui elevada relevância por atuar como vetor viral.
Dano direto
Provoca lesões superficiais em folhas e frutos, afetando a qualidade comercial. A infestação intensa reduz o valor de mercado da produção e compromete a aparência dos frutos.
Dano indireto e manejo
A espécie é vetor do vírus da leprose dos citros, ampliando o impacto econômico. O manejo requer monitoramento sistemático, controle químico estratégico e integração com práticas sanitárias no pomar.
Manejo Integrado de Ácaros (MIA)
O Manejo Integrado de Ácaros (MIA) é construído sobre quatro pilares: monitoramento contínuo, controle biológico, uso racional de acaricidas e práticas culturais que reduzam condições favoráveis ao surto populacional.
Considerando o ciclo curto e a alta capacidade adaptativa dos ácaros fitófagos, a tomada de decisão deve ser antecipada e fundamentada em critérios técnicos.
1. Monitoramento
O monitoramento é a base do manejo eficiente. Recomenda-se amostragem semanal, intensificando-se a frequência em períodos de clima quente e seco.
A avaliação deve priorizar a face inferior das folhas, onde as colônias se estabelecem inicialmente. A identificação precoce de focos permite intervenções localizadas, reduzindo custo operacional e pressão de seleção por resistência.
2. Controle Biológico
O controle biológico é componente estratégico do MIA, especialmente em sistemas com histórico de resistência química.
Ácaros predadores da família Phytoseiidae, como Phytoseiulus persimilis, Neoseiulus californicus e espécies de Amblyseius, desempenham papel na regulação populacional de tetraniquídeos.
A conservação desses inimigos naturais reduz a necessidade de aplicações frequentes e contribui para estabilidade do agroecossistema.

Fungo Hirsutella thompsonii no manejo de ácaros
Hirsutella thompsonii é um fungo entomopatogênico, hoje classificado na família Ophiocordycipitaceae, com histórico de uso e pesquisa como micoacaricida para supressão de ácaros-praga.
No agro, o posicionamento clássico é no ácaro da ferrugem dos citros (Phyllocoptruta oleivora), além de registros de patogenicidade para outros ácaros fitófagos, e ocorrência também em artrópodes de diferentes ordens, dependendo do isolado.
O modo de ação é prático e direto: os conídios entram em contato com o hospedeiro, aderem à cutícula, germinam e penetram, com infecção frequentemente iniciada por regiões como pernas e articulações, seguindo para colonização interna por corpos hifais.
Após a morte do ácaro, ocorre extrusão de hifas e esporulação externa, mantendo inóculo no ambiente e favorecendo efeito de “foco” em condições microclimáticas adequadas.
No campo, o “gargalo” é operacional: a eficiência tende a ser maior quando há umidade relativa elevada, menor radiação direta e cobertura foliar que favoreça microclima úmido, enquanto calor intenso e baixa UR reduzem performance.
Em programa de MIP/MIA, a melhor alocação é como ferramenta de redução de pressão e “seguro biológico” em áreas com histórico de ácaros, integrando com monitoramento e evitando inseticidas de amplo espectro que colapsam inimigos naturais.
3. Controle Químico
O controle químico deve ser utilizado com base em nível de ação e diagnóstico correto da espécie. Entre os principais grupos empregados destacam-se abamectinas, milbemectina, etoxazol, bifenazato, fenpiroximato e spiromesifeno.
A rotação de modos de ação é indispensável para retardar o desenvolvimento de resistência, devendo-se evitar aplicações sequenciais do mesmo mecanismo bioquímico.
4. Manejo Cultural
Medidas culturais são fundamentais para reduzir a pressão inicial da praga. A manutenção do equilíbrio hídrico da cultura diminui a suscetibilidade ao ataque, enquanto adubação equilibrada evita excesso de nitrogênio solúvel que favorece a multiplicação dos ácaros.
O controle de plantas daninhas hospedeiras e a preservação de inimigos naturais completam a estratégia preventiva, promovendo maior resiliência produtiva.
Ácaros prosperam em plantas estressadas. O manejo começa na fisiologia da cultura.
Conclusão
Os ácaros fitófagos representam um dos grupos de pragas mais desafiadores na agricultura moderna, especialmente em sistemas intensivos e sob condições de estresse hídrico.
Sua elevada taxa reprodutiva, ciclo biológico curto e alta capacidade de adaptação conferem grande potencial de surtos populacionais em curto intervalo de tempo. Além do dano direto à estrutura foliar e à fisiologia da planta, algumas espécies ampliam o impacto econômico ao atuarem como vetores de vírus, comprometendo produtividade e qualidade comercial.
A distinção entre ácaros e insetos é fundamental do ponto de vista técnico e operacional. Embora ambos sejam artrópodes, pertencem a classes diferentes e apresentam morfologia, biologia e sensibilidade química distintas. Essa diferenciação exige o uso de estratégias específicas, incluindo moléculas com ação acaricida, monitoramento direcionado e integração com controle biológico.
Entre as espécies de maior relevância agrícola destacam-se os tetraniquídeos, como Tetranychus urticae, Tetranychus ludeni, Mononychellus planki e Oligonychus pratensis, além de espécies de outras famílias como Polyphagotarsonemus latus e Brevipalpus yothersi. Cada uma apresenta comportamento ecológico próprio, exigindo diagnóstico correto para definição do manejo.
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Referências
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PRASLICKA, J.; HUSZÁR, J. Influence of temperature and host plants on the development and fecundity of Tetranychus urticae. 2004.
Sobre o autor:

Alasse Oliveira da Silva
Doutorando em Produção Vegetal (ESALQ/USP)
- Engenheiro agrônomo (UFRA) e Técnico em agronegócio
- Mestre e especialista em Produção Vegetal (ESALQ/USP)
Como citar este artigo:
SILVA, A. O. Manejo e tipos de ácaros fitófagos na agricultura. Blog Agroadvance. Publicado: 04 Mar. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-manejo-e-tipos-de-acaros-fitofagos/. Acesso: 06 mar. 2026



