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Manejo e tipos de ácaros fitófagos na agricultura

Saiba como identificar e manejar os principais ácaros fitófagos como o ácaro-rajado e o ácaro-branco em soja, milho, café e hortaliças e como fazer o manejo integrado para reduzir perdas
  • Publicado em 04/03/2026
  • Alasse Oliveira da Silva
  • Café, Fitossanitários, Milho, Soja
  • Publicado em 04/03/2026
  • Alasse Oliveira da Silva
  • Café, Fitossanitários, Milho, Soja
  • Atualizado em 04/03/2026
ácaros fitófagos na agricultura ácaros na soja
Sumário

Os ácaros fitófagos na agricultura constituem um dos principais desafios fitossanitários em sistemas de produção intensivos, especialmente em culturas como soja, milho, algodão, café, citros e hortaliças.

Esses organismos microscópicos, pertencentes à subclasse Acari, apresentam elevada capacidade reprodutiva, ciclo biológico curto e rápida adaptação a condições ambientais adversas, fatores que favorecem surtos populacionais em períodos de clima quente e seco.

No contexto do manejo de ácaros agrícolas, é fundamental compreender sua biologia, ecologia e fisiologia do dano. Ácaros como Tetranychus urticae, Mononychellus planki, Oligonychus pratensis, Polyphagotarsonemus latus e Brevipalpus yothersi são responsáveis por perdas significativas devido à redução da área fotossintética, desfolha precoce, comprometimento do enchimento de grãos e transmissão de vírus fitopatogênicos.

A ocorrência de surtos de ácaros fitófagos está fortemente associada ao estresse hídrico, altas temperaturas e uso indiscriminado de inseticidas de amplo espectro, que reduzem populações de inimigos naturais. Esse cenário reforça a importância do Manejo Integrado de Ácaros (MIA), estratégia baseada em monitoramento sistemático, controle biológico, rotação de modos de ação acaricidas e práticas culturais que promovam equilíbrio do agroecossistema.

Diante da crescente pressão por produtividade e sustentabilidade, o conhecimento aprofundado sobre os tipos de ácaros fitófagos e suas estratégias de manejo torna-se essencial para reduzir perdas, evitar resistência a acaricidas e garantir estabilidade produtiva.

O que são ácaros?

Ácaros são artrópodes pertencentes à classe Arachnida, subclasse Acari, grupo que inclui milhares de espécies com hábitos fitófagos, predadores, parasitas e saprófagos. Diferentemente dos insetos, apresentam:

  • quatro pares de pernas na fase adulta;
  • ausência de antenas;
  • corpo não dividido externamente em cabeça, tórax e abdômen.

Na agricultura, os ácaros de maior importância econômica concentram-se principalmente na ordem Trombidiformes, com destaque para as famílias:

  • Tetranychidae,
  • Tarsonemidae e
  • Tenuipalpidae.

Do ponto de vista morfológico, apresentam corpo geralmente ovalado, não segmentado externamente, com quatro pares de pernas na fase adulta e tamanho microscópico, variando entre 0,1 e 0,6 mm. O aparelho bucal é do tipo estilete perfurador-sugador, adaptado à penetração em células vegetais. O desenvolvimento ocorre por metamorfose gradual, passando por fases de ovo, larva, protoninfa, deutoninfa e adulto.

Em condições favoráveis de temperatura elevada (28-32ºC) e baixa umidade relativa, o ciclo pode ser completado em poucos dias (menos de uma semana), favorecendo crescimento populacional exponencial.

A fisiologia do dano está diretamente associada à ruptura de células epidérmicas e do parênquima clorofiliano, com subsequente sucção do conteúdo citoplasmático. Esse processo provoca:

  • Redução da atividade fotossintética,
  • Alteração na dinâmica estomática,
  • Desbalanço hormonal e
  • Intensificação de processos oxidativos.
Vista dorsal e ventral de ácaros: Polyphagotarsonemus latus, P. latus e Tetranychus urticae
Figura 1. Vista dorsal do macho de Polyphagotarsonemus latus (A); vista ventral da fêmea de P. latus (B); vista dorsal do macho de Tetranychus urticae (C). Barra de escala: 100 µm. Fonte: Manuel Ángel Lugo-Sánchez (2019).

Em situações de alta infestação, observa-se necrose tecidual, bronzeamento foliar, queda precoce de folhas e redução significativa do enchimento de grãos ou frutos.

Em espécies como Brevipalpus yothersi, além do dano direto, há transmissão de vírus fitopatogênicos, ampliando o impacto produtivo e sanitário.

Essa combinação cria ambiente propício para surtos, especialmente em sistemas agrícolas intensivos como soja e milho.

Ácaros são insetos?

Não. Ácaros não são insetos.

Embora ambos pertençam ao filo Arthropoda, ácaros e insetos são biologicamente distintos (Tabela 1). Os ácaros estão na classe Arachnida, enquanto os insetos pertencem à classe Insecta. Essa distinção não é apenas taxonômica, mas também prática.

Muitos inseticidas não apresentam eficiência sobre ácaros, exigindo moléculas específicas com ação acaricida. Portanto, do ponto de vista de manejo fitossanitário, trata-se de grupos biologicamente distintos que demandam estratégias diferenciadas.

Tabela 1. Diferenças estruturais entre ácaros e insetos

Característica morfológicaÁcarosInsetos
Número de pernas (fase adulta)4 pares (8 pernas)3 pares (6 pernas)
Presença de antenasAusente1 par de antenas
Divisão corporal externaCorpo não claramente dividido; gnatosoma e idiossoma pouco segmentados externamenteCorpo dividido em cabeça, tórax e abdômen bem definidos
Classe taxonômicaArachnidaInsecta

Principais culturas afetadas por ácaros filófagos

Nas grandes culturas brasileiras: soja, milho, algodão, feijão e café; os ácaros fitófagos apresentam relevância recorrente, sendo que os surtos de ácaros estão fortemente associados às:

  • Déficit hídrico,
  • Temperaturas elevadas;
  • Uso frequente de inseticidas de amplo espectro
  • Desequilíbrio nutricional (excesso de nitrogênio, por exemplo)

Na Soja e feijão predominam espécies como Mononychellus planki, Polyphagotarsonemus latus e espécies do gênero Tetranychus, com impacto direto sobre área fotossintética ativa e enchimento de grãos.

Comparação de profundidade de penetração de quelíceras de ácaros
Figura 2. Comparação da profundidade de penetração das quelíceras de ácaros Tetranychidae (T), Diptilomiopidae (D) e Eriophyidae (E) em tecido foliar de soja (Glycine max). Fonte: Carmona e Dias (1996).

No milho, destaca-se Tetranychus urticae, especialmente na safrinha sob estresse hídrico.

O algodão concentra maior diversidade de tetraniquídeos, elevando a complexidade de manejo.

No café, Oligonychus ilicis, Polyphagotarsonemus latus e Brevipalpus phoenicis interferem na manutenção da área foliar e no equilíbrio fisiológico da planta.

Além dessas grandes culturas, registros anteriores indicam ocorrência relevante em abóbora, amendoim, berinjela, crisântemo, mamona, cravo, mamão, melancia, alho, maracujá, cebola, ervilha, feijão-vagem, pimentão, batata, noz-pecã, goiaba e citros, evidenciando ampla plasticidade ecológica e alto potencial de adaptação desses ácaros aos diferentes sistemas produtivos.

Tabela 1. Espécies de ácaros fitófagos registradas por cultura agrícola no Brasil

CulturaEspécies registradas
SojaMononychellus planki (ácaro-verde) Polyphagotarsonemus latus (ácaro-branco) Tetranychus desertorum (ácaro-vermelho) Tetranychus urticae (ácaro-rajado)
MilhoTetranychus urticae (ácaro-rajado)
AlgodãoMononychellus planki (ácaro-verde) Polyphagotarsonemus latus (ácaro-branco) Tetranychus cinnabarinus (ácaro-vermelho) Tetranychus desertorum (ácaro-vermelho) Tetranychus ludeni (ácaro-vermelho) Tetranychus telarius (ácaro-do-morangueiro) Tetranychus urticae (ácaro-rajado)
FeijãoMononychellus planki (ácaro-verde) Polyphagotarsonemus latus (ácaro-branco) Tetranychus cinnabarinus (ácaro-vermelho) Tetranychus desertorum (ácaro-vermelho) Tetranychus ludeni (ácaro-vermelho) Tetranychus urticae (ácaro-rajado)
CaféOligonychus ilicis (aranha-vermelha-do-cafeeiro; ácaro-vermelho) Polyphagotarsonemus latus (ácaro-branco; ácaro-tropical) Brevipalpus phoenicis (ácaro-da-leprose; ácaro-plano)

Fonte: Alasse O. Silva adaptado de Agrofit (2026).

Principais ácaros fitófagos na agricultura

Ácaro-rajado – Tetranychus urticae

O ácaro-rajado (Tetranychus urticae) é reconhecido como uma das principais pragas agrícolas de importância econômica mundial.

Pertencente à família Tetranychidae, o ácaro-rajado apresenta distribuição cosmopolita, elevada capacidade adaptativa e amplo espectro de hospedeiros, explorando mais de 1.000 espécies vegetais.

No contexto da agricultura brasileira, Tetranychus urticae é uma praga-chave em sistemas intensivos sob clima quente e seco, sendo frequentemente registrado em culturas como:

  • soja,
  • feijão,
  • algodão,
  • milho,
  • hortaliças e
  • frutíferas.

Ecologicamente, a ocorrência do ácaro-rajado está fortemente associada ao déficit hídrico, altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar. Sistemas agrícolas submetidos a estresse hídrico tendem a apresentar maior concentração de aminoácidos livres e nitrogênio solúvel nas folhas, favorecendo a multiplicação do ácaro.

Sintomas

Os sintomas do ataque do ácaro-rajado iniciam-se com pontuações cloróticas na face superior das folhas, resultantes da perfuração celular e sucção do conteúdo citoplasmático.

À medida que a infestação evolui, observa-se bronzeamento foliar, redução da área fotossintética, redução da condutância estomática e comprometimento do metabolismo primário.

Em altas populações, a formação de teias é intensa, característica típica do ácaro-rajado, formando microambientes protetivos que dificultam a ação de inimigos naturais e reduzem a eficiência de pulverizações acaricidas.

Ácaro rajado a campo, ação e fase adulta
Figura 3. Ácaro-rajado (Tetranychus urticae): fase adulta, deposição de ovos e sintomas de injúria foliar caracterizados por pontuações cloróticas e áreas de bronzeamento. Fonte: Alasse O. Silva adaptado de Koppert Brasil (2024).

Ciclo de vida

A biologia de Tetranychus urticae é marcada por ciclo rápido e alta fecundidade. Em temperaturas entre 28 e 32 °C, o ciclo biológico pode ser concluído em 5 a 7 dias, permitindo sucessivas gerações em curto período e favorecendo surtos populacionais explosivos.

O sistema reprodutivo haplodiplóide, no qual ovos não fertilizados originam machos e fertilizados originam fêmeas, contribui para elevada variabilidade genética e rápida seleção de indivíduos resistentes.

Risco de resistência

Populações de ácaro-rajado com resistência a avermectinas, piretroides, organofosforados, bifenazato e reguladores de crescimento já foram amplamente documentadas, tornando o manejo químico isolado uma prática de alto risco.

Além disso, o uso indiscriminado de inseticidas de amplo espectro reduz populações de ácaros predadores da família Phytoseiidae, contribuindo para desequilíbrio biológico e ressurgência da praga.

Ácaro-branco – Polyphagotarsonemus latus

O ácaro-branco ou ácaro-tropical (Polyphagotarsonemus latus), da família Tarsonemidae, é praga importante em pimentão, tomate, feijão e algodão. Diferencia-se por atacar tecidos jovens e meristemáticos, causando danos fisiológicos precoces.

Ácaro branco em plantas
Figura 4. Ácaro branco em plantas. Fonte: Redes sociais do Agro (2025).

Sintomas

Os principais sintomas incluem:

  • encarquilhamento e enrugamento foliar,
  • deformação de brotações e
  • redução do crescimento vegetativo.

O dano está associado a alterações hormonais e comprometimento do desenvolvimento normal da planta.

Manejo

A detecção precoce em brotações é fundamental. O controle deve ser direcionado ao ponteiro da planta (onde deve-se priorizar os monitoramentos), com rotação de modos de ação e integração com controle biológico, principalmente em cultivo protegido.

Ácaro-vermelho – Tetranychus ludeni

O ácaro-vermelho (Tetranychus ludeni) é uma espécie pertencente à família Tetranychidae, amplamente distribuída em regiões tropicais e subtropicais.

Embora frequentemente associado ao ácaro-rajado (Tetranychus urticae), o ácaro-vermelho apresenta particularidades ecológicas e comportamentais que justificam atenção específica no manejo fitossanitário.

No Brasil, sua ocorrência é relevante principalmente em hortaliças, algodão e outras culturas de ciclo intensivo.

Características

Do ponto de vista morfológico, Tetranychus ludeni distingue-se pela coloração predominantemente avermelhada a carmim, característica que facilita sua diferenciação visual em campo quando comparado ao padrão esverdeado ou rajado de T. urticae.

Entretanto, o padrão de dano é semelhante: perfuração de células epidérmicas, sucção do conteúdo citoplasmático e consequente formação de pontuações cloróticas que evoluem para bronzeamento foliar e redução da atividade fotossintética.

Ácaro vermelho e população em partes de plantas
Figura 5. Ácaro-vermelho (Tetranychus ludeni) (A) e populações deste ácaro nas partes adaxial (B) e abaxial (C) e danos nas folhas de Ipomoea alba (D), Ipomoea cairica (E), Ipomoea hederifolia (F), Ipomoea indica pure (G) e Ipomoea (H). Fonte: Cabral et al (2023).

A biologia do ácaro-vermelho é marcada por ciclo curto e elevada taxa reprodutiva sob temperaturas elevadas. Em condições favoráveis, o ciclo pode ser completado em aproximadamente uma semana, possibilitando múltiplas gerações ao longo da safra. Assim como outras espécies de tetraniquídeos, apresenta reprodução haplodiplóide, mecanismo que favorece rápida adaptação e seleção de indivíduos resistentes a acaricidas.

Ecologicamente, Tetranychus ludeni demonstra comportamento competitivo em ambientes agrícolas, podendo substituir ou coexistir com Tetranychus urticae em determinadas regiões. Essa substituição está frequentemente associada a fatores como pressão de seleção por produtos químicos, condições climáticas locais e composição do agroecossistema.

A espécie também apresenta tolerância a ambientes de baixa umidade relativa e alta temperatura, condições típicas de surtos populacionais.

No algodão e em hortaliças, o impacto produtivo decorre da redução da área foliar ativa e da interferência no crescimento vegetativo. Em culturas hortícolas, a infestação compromete o padrão visual e o valor comercial do produto, enquanto no algodão pode influenciar o desenvolvimento vegetativo e a formação de estruturas reprodutivas.

Ácaro-verde-da-soja – Mononychellus planki

O ácaro-verde-da-soja (Mononychellus planki) é um tetraniquídeo fitófago de relevância crescente em sistemas de produção de soja, especialmente em regiões de clima quente e seco.

Pertencente à família Tetranychidae, essa espécie apresenta distribuição ampla em áreas tropicais e subtropicais, sendo frequentemente associada a surtos populacionais durante períodos de déficit hídrico.

O hospedeiro principal é a soja, embora possa ocorrer em outras leguminosas e plantas espontâneas que funcionam como reservatórios. Diferentemente de Tetranychus urticae, o ácaro-verde-da-soja não produz teias densas, o que pode dificultar sua identificação inicial a campo. A coloração esverdeada do corpo contribui para maior camuflagem na superfície foliar.

Ocorrência de ácaro verde em tecido foliar
Figura 6. Ácaro-verde (Mononychellus tanajoa): identificação morfológica e ocorrência em tecido foliar. Fonte: Agrolink (2025).

Sintomas nas plantas

A sintomatologia é caracterizada por descoloração difusa das folhas, com aspecto esbranquiçado ou amarelado generalizado, resultante da destruição de células do parênquima clorofiliano.

Em estádios mais avançados, ocorre bronzeamento e necrose, culminando em desfolha precoce, especialmente em condições de alta pressão populacional.

A redução da área fotossintética ativa compromete a produção e o transporte de fotoassimilados, refletindo diretamente na redução do enchimento de vagens e peso de grãos.

Sob condições ambientais favoráveis, particularmente temperaturas elevadas e baixa umidade relativa do ar, o ciclo biológico de Mononychellus planki é acelerado, permitindo rápido incremento populacional.

O estresse hídrico da planta hospedeira aumenta a concentração de compostos nitrogenados solúveis nas folhas, criando ambiente nutricionalmente favorável para o ácaro. Esse cenário é frequentemente observado na fase reprodutiva da soja, momento crítico para definição de produtividade.

Impacto produtivo

Do ponto de vista agronômico, o impacto é mais severo quando a infestação ocorre entre os estádios reprodutivos iniciais e o enchimento de grãos (entre R1 e R5), podendo comprometer significativamente o rendimento final. Em situações de seca prolongada, surtos podem ocorrer de forma abrupta, exigindo intervenção rápida.

Controle do ácaro-verde-da-soja

O manejo do ácaro-verde-da-soja requer monitoramento sistemático das folhas do terço médio e inferior, identificação precoce de focos e adoção de estratégias integradas.

A rotação de modos de ação acaricidas é fundamental para evitar seleção de resistência. A preservação de ácaros predadores naturais, especialmente da família Phytoseiidae, contribui para regulação populacional.

Medidas culturais que reduzam o estresse hídrico e mantenham equilíbrio nutricional também desempenham papel relevante na mitigação de surtos.

Ácaro-do-broto-do-cafeeiro – Oligonychus ilicis

O ácaro-do-broto-do-cafeeiro (Oligonychus ilicis) é praga relevante da cultura do café, especialmente em períodos secos. Atua predominantemente sobre folhas maduras, reduzindo a capacidade fotossintética da planta e afetando o potencial produtivo.

Sintomas

O ataque provoca bronzeamento foliar, aspecto de “queimado” e queda prematura de folhas. A redução da área foliar ativa compromete a formação de reservas e pode impactar a produtividade da safra subsequente.

Sintomas de ácaro vermelho em cafeeiro
Figura 7. Sintomas do ácaro vermelho em plantas de cafeeiro. Fonte: Isaias dos Santos e Paulo Rebelles Reis (2024).

Relevância e manejo

Em anos de seca prolongada, a pressão populacional aumenta significativamente. O manejo inclui monitoramento no período seco, controle químico seletivo e manutenção de inimigos naturais.

Ácaro-da-leprose-dos-citros – Brevipalpus yothersi

O ácaro-da-leprose-dos-citros (Brevipalpus yothersi), pertencente à família Tenuipalpidae, é praga estratégica da citricultura brasileira. Além do dano direto, possui elevada relevância por atuar como vetor viral.

Dano direto

Provoca lesões superficiais em folhas e frutos, afetando a qualidade comercial. A infestação intensa reduz o valor de mercado da produção e compromete a aparência dos frutos.

Dano indireto e manejo

A espécie é vetor do vírus da leprose dos citros, ampliando o impacto econômico. O manejo requer monitoramento sistemático, controle químico estratégico e integração com práticas sanitárias no pomar.

Manejo Integrado de Ácaros (MIA)

O Manejo Integrado de Ácaros (MIA) é construído sobre quatro pilares: monitoramento contínuo, controle biológico, uso racional de acaricidas e práticas culturais que reduzam condições favoráveis ao surto populacional.

Considerando o ciclo curto e a alta capacidade adaptativa dos ácaros fitófagos, a tomada de decisão deve ser antecipada e fundamentada em critérios técnicos.

1. Monitoramento

O monitoramento é a base do manejo eficiente. Recomenda-se amostragem semanal, intensificando-se a frequência em períodos de clima quente e seco.

A avaliação deve priorizar a face inferior das folhas, onde as colônias se estabelecem inicialmente. A identificação precoce de focos permite intervenções localizadas, reduzindo custo operacional e pressão de seleção por resistência.

2. Controle Biológico

O controle biológico é componente estratégico do MIA, especialmente em sistemas com histórico de resistência química.

Ácaros predadores da família Phytoseiidae, como Phytoseiulus persimilis, Neoseiulus californicus e espécies de Amblyseius, desempenham papel na regulação populacional de tetraniquídeos.

A conservação desses inimigos naturais reduz a necessidade de aplicações frequentes e contribui para estabilidade do agroecossistema.

Cordyceps javanica colonizando acaro rajado
Figura 8. Cordyceps javanica colonizando acaro rajado. Fonte: Djilson Silvestre e Portal Bahia Agrícola (2025).

Fungo Hirsutella thompsonii no manejo de ácaros

Hirsutella thompsonii é um fungo entomopatogênico, hoje classificado na família Ophiocordycipitaceae, com histórico de uso e pesquisa como micoacaricida para supressão de ácaros-praga.

No agro, o posicionamento clássico é no ácaro da ferrugem dos citros (Phyllocoptruta oleivora), além de registros de patogenicidade para outros ácaros fitófagos, e ocorrência também em artrópodes de diferentes ordens, dependendo do isolado.

O modo de ação é prático e direto: os conídios entram em contato com o hospedeiro, aderem à cutícula, germinam e penetram, com infecção frequentemente iniciada por regiões como pernas e articulações, seguindo para colonização interna por corpos hifais.

Após a morte do ácaro, ocorre extrusão de hifas e esporulação externa, mantendo inóculo no ambiente e favorecendo efeito de “foco” em condições microclimáticas adequadas.

No campo, o “gargalo” é operacional: a eficiência tende a ser maior quando há umidade relativa elevada, menor radiação direta e cobertura foliar que favoreça microclima úmido, enquanto calor intenso e baixa UR reduzem performance.

Em programa de MIP/MIA, a melhor alocação é como ferramenta de redução de pressão e “seguro biológico” em áreas com histórico de ácaros, integrando com monitoramento e evitando inseticidas de amplo espectro que colapsam inimigos naturais.

3. Controle Químico

O controle químico deve ser utilizado com base em nível de ação e diagnóstico correto da espécie. Entre os principais grupos empregados destacam-se abamectinas, milbemectina, etoxazol, bifenazato, fenpiroximato e spiromesifeno.

A rotação de modos de ação é indispensável para retardar o desenvolvimento de resistência, devendo-se evitar aplicações sequenciais do mesmo mecanismo bioquímico.

4. Manejo Cultural

Medidas culturais são fundamentais para reduzir a pressão inicial da praga. A manutenção do equilíbrio hídrico da cultura diminui a suscetibilidade ao ataque, enquanto adubação equilibrada evita excesso de nitrogênio solúvel que favorece a multiplicação dos ácaros.

O controle de plantas daninhas hospedeiras e a preservação de inimigos naturais completam a estratégia preventiva, promovendo maior resiliência produtiva.

Ácaros prosperam em plantas estressadas. O manejo começa na fisiologia da cultura.

Conclusão

Os ácaros fitófagos representam um dos grupos de pragas mais desafiadores na agricultura moderna, especialmente em sistemas intensivos e sob condições de estresse hídrico.

Sua elevada taxa reprodutiva, ciclo biológico curto e alta capacidade de adaptação conferem grande potencial de surtos populacionais em curto intervalo de tempo. Além do dano direto à estrutura foliar e à fisiologia da planta, algumas espécies ampliam o impacto econômico ao atuarem como vetores de vírus, comprometendo produtividade e qualidade comercial.

A distinção entre ácaros e insetos é fundamental do ponto de vista técnico e operacional. Embora ambos sejam artrópodes, pertencem a classes diferentes e apresentam morfologia, biologia e sensibilidade química distintas. Essa diferenciação exige o uso de estratégias específicas, incluindo moléculas com ação acaricida, monitoramento direcionado e integração com controle biológico.

Entre as espécies de maior relevância agrícola destacam-se os tetraniquídeos, como Tetranychus urticae, Tetranychus ludeni, Mononychellus planki e Oligonychus pratensis, além de espécies de outras famílias como Polyphagotarsonemus latus e Brevipalpus yothersi. Cada uma apresenta comportamento ecológico próprio, exigindo diagnóstico correto para definição do manejo.

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Referências

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CABRAL, M.J.S.; SANTOS, A.A.; CASTRO, B.M.C.; PINHEIRO, R.A.; SANTOS, J.B.; LATICÍNIOS, G.L.D.; ZANUNCIO, J.C.; SOARES, M.A. Ipomoea (Convolvulaceae) plants as new hosts of Tetranychus ludeni (Acari: Tetranychidae). Brazilian Journal of Biology, V. 83, 2023. DOI:  10.1590/1519-6984.269866 

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PÉREZ, T. M. et al. Biodiversidad de ácaros en México. Revista Mexicana de Biodiversidad, México, 2013.

PRASLICKA, J.; HUSZÁR, J. Influence of temperature and host plants on the development and fecundity of Tetranychus urticae. 2004.

Sobre o autor:

Alasse Oliveira

Alasse Oliveira da Silva

Doutorando em Produção Vegetal (ESALQ/USP)

  • Engenheiro agrônomo (UFRA) e Técnico em agronegócio
  • Mestre e especialista em Produção Vegetal (ESALQ/USP)
  • alasse.oliveira77@gmail.com
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Como citar este artigo:

SILVA, A. O. Manejo e tipos de ácaros fitófagos na agricultura. Blog Agroadvance. Publicado: 04 Mar. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-manejo-e-tipos-de-acaros-fitofagos/. Acesso: 06 mar. 2026

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Macrophomina em soja: como identificar, entender os fatores de risco e manejar a podridão de carvão no campo

Saiba identificar os sintomas e sinais de Macrophomina em soja, entenda o risco sob seca e altas temperaturas e veja estratégias de manejo integrado

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Jessica Maria Israel Jesus 25/02/2026

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