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Xilema e floema: o que são, diferenças e funções na planta

Os dois tecidos condutores das plantas (xilema e floema) explicam por que alguns nutrientes chegam mal a frutos e folhas novas, como os açúcares abastecem os grãos e o que acontece com a condução de água durante a seca.
  • Publicado em 03/11/2026
  • Beatriz Nastaro Boschiero
  • Fisiologia vegetal
  • Publicado em 03/11/2026
  • Beatriz Nastaro Boschiero
  • Fisiologia vegetal
  • Atualizado em 30/10/2026
xilema e floema
Sumário

Resposta rápida: xilema e floema são os tecidos condutores das plantas vasculares.

  • O xilema conduz água e nutrientes minerais das raízes para a parte aérea, solução chamada de seiva bruta.
  • O floema distribui açúcares, principalmente sacarose, além de aminoácidos, hormônios e outras moléculas, dos órgãos que produzem ou armazenam carbono (fontes) para os que crescem ou acumulam reservas (drenos); essa solução é a seiva elaborada.
  • No xilema, o movimento é ascendente. No floema, ocorre para cima ou para baixo, conforme a posição dos drenos (Taiz; Zeiger, 2006; Agustí; Blázquez, 2020).

Os dois tecidos se originam do mesmo grupo de células-tronco, o (pro)câmbio, e ficam lado a lado nos feixes vasculares (Agustí; Blázquez, 2020). Essa proximidade tem consequências práticas: o fluxo de açúcares no floema depende da água do xilema, e a capacidade de cada nutriente ser redistribuído pelo floema define onde aparecem os sintomas de deficiência. Os demais processos fisiológicos das culturas estão reunidos no artigo sobre fisiologia vegetal.

O que é o xilema?

O xilema é o tecido que conduz a água e os íons absorvidos pelas raízes até as folhas. Suas células condutoras estão mortas na maturidade e restam apenas as paredes espessas e lignificadas, que formam tubos ocos de baixa resistência ao fluxo (Taiz; Zeiger, 2006).

A lignina, polímero que enrijece a parede, impede que os condutos colapsem sob as pressões negativas da água em movimento. Em uma planta de 1 m de altura, mais de 99,5% do trajeto da água ocorre dentro do xilema (Taiz; Zeiger, 2006).

Quais células formam o xilema?

O xilema reúne elementos traqueais (as células que conduzem a água), fibras de sustentação e células de parênquima vivas (Agustí; Blázquez, 2020). Os elementos traqueais são de dois tipos (Taiz; Zeiger, 2006):

  • Traqueídes: células alongadas, presentes em todas as plantas vasculares, inclusive nas gimnospermas. A água passa de uma para outra pelas pontoações, regiões finas e porosas da parede.
  • Elementos de vaso: células mais curtas e largas, com as extremidades perfuradas. Empilhados, formam os vasos, que podem ter de 10 cm a vários metros. Ocorrem nas angiospermas e em poucas gimnospermas (Gnetales).

O parênquima do xilema permanece vivo e armazena reservas na forma de amido (Agustí; Blázquez, 2020).

Elementos traqueais do xilema
Figura 1. Elementos traqueais do xilema: (A) traqueídes e elementos de vaso, com as placas de perfuração e as pontoações; (B) elementos de vaso de carvalho em microscopia eletrônica de varredura; (C) par de pontoações. Fonte: Taiz e Zeiger (2006), Figura 4.6.

Como a água sobe pelo xilema?

A água sobe puxada pela transpiração, conforme a teoria da coesão-tensão. A evaporação nas paredes celulares das folhas gera uma pressão negativa (tensão), e a coesão entre as moléculas de água mantém a coluna contínua até as raízes (Taiz; Zeiger, 2006).

A intensidade dessa sucção depende do déficit de pressão de vapor (DPV), a diferença entre o vapor de água que o ar comporta em determinada temperatura e o que de fato contém. A transpiração, por sua vez, é regulada pela abertura e fechamento dos estômatos.

A pressão de raiz, gerada pelo acúmulo de íons no xilema das raízes, explica a gutação: as gotas que saem pelas margens das folhas quando a transpiração é baixa e o ar está úmido, como à noite. Ela costuma ficar abaixo de 0,1 MPa e desaparece com transpiração alta, por isso não sustenta a subida da água em plantas altas (Taiz; Zeiger, 2006).

Potencial hídrico e transpiração estão detalhados no artigo sobre potencial hídrico e transpiração vegetal.

O que é o floema?

O floema é o tecido vivo que transporta os produtos da fotossíntese, principalmente sacarose, das folhas maduras e dos órgãos de reserva para as regiões de crescimento e armazenamento, como raízes, frutos e grãos (Taiz; Zeiger, 2006). A sacarose é formada nas folhas a partir dos açúcares produzidos na fase escura da fotossíntese.

Quais células formam o floema?

As células condutoras são os elementos crivados: elementos de tubo crivado nas angiospermas e células crivadas nas gimnospermas. São células vivas, mas muito modificadas: perdem o núcleo e o tonoplasto (a membrana do vacúolo), não têm ribossomos e mantêm a membrana plasmática e algumas organelas. A parede não é lignificada. Nas extremidades ficam as placas crivadas, paredes com poros de até cerca de 15 µm que ligam os elementos em tubos crivados (Taiz; Zeiger, 2006).

Cada elemento de tubo crivado é mantido por uma ou mais células companheiras, que sintetizam proteínas e fornecem ATP. As duas se ligam por numerosos plasmodesmos, canais que conectam o citoplasma de células vizinhas. Quando o tubo é danificado, a proteína P obstrui os poros das placas crivadas e, depois, a calose (um polissacarídeo) sela o elemento ferido (Taiz; Zeiger, 2006).

O que o floema transporta?

O floema transporta principalmente água, o componente mais abundante da seiva, e açúcares não redutores, além de nitrogênio orgânico, hormônios, proteínas, RNA e alguns íons (Taiz; Zeiger, 2006; Liesche; Patrick, 2017). A concentração de açúcares na seiva costuma ficar em torno de 20%, segundo Liesche e Patrick (2017).

Tabela 1. Principais componentes da seiva do floema.

GrupoExemplos
Açúcares não redutoresSacarose (o mais comum), rafinose, estaquiose e verbascose
Açúcares-álcooisManitol e sorbitol
Nitrogênio orgânicoAminoácidos e amidas: glutamato, aspartato, glutamina e asparagina
Íons mineraisPotássio, magnésio, fosfato e cloreto
Hormônios e sinaisAuxinas, giberelinas, citocininas, ácido abscísico, proteínas e RNA mensageiro
Elaborado pelo autor com a ajuda do Claude. Fonte: (Taiz; Zeiger, 2006; Liesche; Patrick, 2017).

Nitrato, cálcio, enxofre e ferro são relativamente imóveis no floema. O nitrogênio circula nele quase todo em forma orgânica, enquanto no xilema também pode seguir como nitrato (Taiz; Zeiger, 2006). Boa parte do que se sabe sobre a seiva vem dos afídeos (pulgões): o inseto insere o estilete em um único elemento crivado e, cortado o estilete, a pressão do tubo empurra a seiva para fora, o que permite coletá-la quase pura (Taiz; Zeiger, 2006).

Por que sacarose e não glicose ou amido? A glicose e a frutose são açúcares redutores: têm um grupo aldeído ou cetona exposto, que reage com outras moléculas. Na sacarose, esse grupo está ligado a outro açúcar, o que a torna menos reativa (Taiz; Zeiger, 2006). O amido, um polímero grande de glicose, fica armazenado nas células e não é translocado.

Como o floema transporta os açúcares?

Pelo modelo de fluxo de pressão, proposto por Ernst Münch em 1930: a seiva se move em massa pelos tubos crivados, empurrada por uma diferença de pressão gerada osmoticamente entre fonte e dreno (Taiz; Zeiger, 2006; Braun, 2022). O processo tem três etapas:

  1. Carregamento na fonte: a sacarose entra no tubo crivado, torna o potencial osmótico (a redução da energia da água causada pelos solutos) mais negativo e atrai água do xilema, o que eleva a pressão.
  2. Transporte: a pressão alta empurra a seiva até o dreno.
  3. Descarregamento no dreno: a sacarose sai para as células que vão usá-la ou armazená-la, a água volta ao xilema e a pressão cai.

Nos valores de referência de Taiz e Zeiger (2006), baseados em Nobel (1991), o tubo crivado da fonte tem potencial de pressão de +0,6 MPa e potencial osmótico de −1,7 MPa, o que dá potencial hídrico de −1,1 MPa, mais negativo que os −0,8 MPa do xilema vizinho. Por isso, a água entra no floema. No dreno, o tubo crivado fica em −0,4 MPa, acima dos −0,6 MPa do xilema, e a água sai.

Modelo de fluxo de pressão no floema
Figura 2. Modelo de fluxo de pressão no floema, com os potenciais hídrico (Ψw), de pressão (Ψp) e osmótico (Ψs) no xilema e no floema da fonte (acima) e do dreno (abaixo). Fonte: Taiz e Zeiger (2006), Figura 10.10, segundo Nobel (1991).

Em soja, a diferença de pressão medida entre fonte e dreno foi de 0,4 MPa, dentro da faixa de 0,12 a 0,46 MPa necessária para mover a seiva (Fisher, 1978, citado por Taiz; Zeiger, 2006). A velocidade média no floema é de cerca de 1 m/h, com variação de 0,3 a 1,5 m/h (Taiz; Zeiger, 2006).

O carregamento pode ser simplástico, quando a sacarose passa de célula em célula pelos plasmodesmos, ou apoplástico, quando sai para o apoplasto (o espaço das paredes celulares) e é bombeada para dentro do tubo crivado com gasto de ATP. Nesse caso, uma H⁺-ATPase bombeia prótons para fora da célula e um transportador traz a sacarose de volta junto com eles (Taiz; Zeiger, 2006). Em muitas culturas herbáceas, transportadores SWEET liberam a sacarose no apoplasto e transportadores SUT/SUC a recolhem para o floema (Braun, 2022).

Qual a diferença entre xilema e floema?

O xilema conduz água e minerais das raízes para a parte aérea, por células mortas, movido pela transpiração. O floema distribui açúcares e outras moléculas orgânicas das fontes para os drenos, por células vivas, movido pela pressão gerada no carregamento (Tabela 2).

Tabela 2. Diferenças entre xilema e floema

CaracterísticaXilemaFloema
O que conduzÁgua e nutrientes mineraisAçúcares, aminoácidos, hormônios, sinais e água
Células condutorasTraqueídes e elementos de vasoElementos de tubo crivado ou células crivadas, com células companheiras
Estado na maturidadeMortas, parede lignificadaVivas, parede não lignificada
Sentido do fluxoAscendente (raiz → parte aérea)Da fonte para o dreno: para cima ou para baixo
Força motrizTensão gerada pela transpiração (coesão-tensão)Pressão gerada no carregamento e no descarregamento (fluxo de pressão)
Gasto de energiaTransporte passivo no condutoPequeno no trajeto; o carregamento apoplástico consome ATP
Posição no cauleInterna ao câmbioExterna ao câmbio (casca viva)
Elaborado pelo autor com a ajuda do Claude. Fonte: (Taiz; Zeiger, 2006; Agustí; Blázquez, 2020).

O floema transporta nos dois sentidos dentro da planta, mas em tubos crivados diferentes ou em momentos diferentes: o fluxo simultâneo nos dois sentidos em um mesmo elemento crivado nunca foi demonstrado (Taiz; Zeiger, 2006).

Onde ficam o xilema e o floema na planta?

Ficam lado a lado nos feixes vasculares. No caule, o xilema fica voltado para dentro e o floema para fora. Nas folhas, o xilema ocupa em geral a face superior do feixe, e o floema, a inferior. Na raiz jovem, o xilema fica no centro, com polos de floema ao redor (Taiz; Zeiger, 2006; Agustí; Blázquez, 2020).

Nas plantas com crescimento secundário, o câmbio vascular, um anel de células em divisão, produz xilema para dentro e floema para fora, e o floema passa a formar a casca viva (Taiz; Zeiger, 2006).

onde se localizam xilema e floema na célula vegetal
Figura 3. Seção transversal do feixe vascular de trevo (Trifolium): o floema primário fica voltado para a superfície externa do caule e o xilema primário, para dentro. Fonte: Taiz e Zeiger (2006), Figura 10.1.

câmbio vascular separa o floema secundário (externo) do xilema secundário (interno)
Figura 4. Seção transversal do caule de três anos de freixo (Fraxinus excelsior): o câmbio vascular separa o floema secundário (externo) do xilema secundário (interno, com os anéis de crescimento 1, 2 e 3). Fonte: Taiz e Zeiger (2006), Figura 10.2.

O que acontece quando o floema é retirado (anelamento)?

A remoção de um anel de casca ao redor do tronco retira o floema e interrompe o transporte de açúcar das folhas para as raízes, sem afetar o transporte de água pelo xilema (Taiz; Zeiger, 2006). Os açúcares se acumulam acima do corte. Se o câmbio também for removido, o floema não se regenera: as raízes, sem carboidratos, param de crescer e morrem, deixam de absorver água e a parte aérea seca. Esses experimentos estão entre as provas clássicas de que os açúcares viajam pelo floema (Taiz; Zeiger, 2006).

Como o xilema e o floema funcionam em conjunto?

O fluxo do floema depende da água do xilema: a água que entra no tubo crivado na fonte vem do xilema e volta para ele no dreno (Taiz; Zeiger, 2006; Braun, 2022). Por isso, a falta de água também prejudica a translocação de açúcares para grãos e frutos.

Os dois tecidos dividem ainda o transporte de nitrogênio: parte do que chega às folhas maduras pelo xilema é redistribuída pelo floema para frutos e folhas novas (Taiz; Zeiger, 2006). Tecidos em crescimento ativo são drenos fortes, e no período reprodutivo os frutos costumam se tornar o dreno dominante (Taiz; Zeiger, 2006). A competição entre drenos será tema do artigo sobre transporte de fotoassimilados e relação fonte-dreno.

Por que alguns nutrientes “não se movem” na planta?

Todos os nutrientes absorvidos pelas raízes se movem pelo xilema até a parte aérea. O que varia é a redistribuição (ou retranslocação) pelo floema: a capacidade de sair de um órgão já formado e seguir para outro. Nutrientes de baixa redistribuição chegam aos órgãos quase só pelo fluxo do xilema e, por isso, acompanham a transpiração (Taiz; Zeiger, 2006; Kerton et al., 2009). Os mecanismos de absorção pelas raízes ficam para o artigo sobre como as plantas absorvem nutrientes.

Por que o cálcio depende da transpiração?

O cálcio entra nos órgãos pelo fluxo transpiratório do xilema e praticamente não é redistribuído pelo floema. Assim, órgãos que transpiram mais recebem mais cálcio (Kerton et al., 2009; Montanaro et al., 2015):

  • Coentro: o cálcio se acumulou mais no centro das folhas que nas margens, enquanto o potássio se distribuiu de forma homogênea. Sob umidade alta, a transpiração caiu de 127,9 para 4,6 g de água/h/m², a entrega de cálcio diminuiu e o gradiente desapareceu (Kerton et al., 2009).
  • Kiwi: sob alto DPV, o cálcio do fruto acompanhou a transpiração acumulada (R² = 0,71); sob baixo DPV, a relação foi fraca (R² = 0,24), porque cerca de 60% da água do xilema foi usada no crescimento do fruto (Montanaro et al., 2015).
  • Pimentão: com a transpiração relativa dos frutos reduzida de 100 para 35, o cálcio caiu 47% (de 2,75 para 1,45 mg/g de matéria seca), o magnésio, 20%, e o potássio, 3% (Mix; Marschner, 1976, citados por Marschner, 2012).

Folhas transpiram mais que frutos e competem com vantagem pelo cálcio. O baixo fluxo transpiratório para frutos de tomate está associado a teores baixos de cálcio e à podridão apical (Ho et al., 1993, citados por Kerton et al., 2009), distúrbio em que a transpiração é um dos fatores envolvidos, não a única causa.

O boro aplicado na folha chega a outras partes da planta?

Chega, mas em quantidade que depende da transpiração. Em mamona, com umidade relativa de 70% ou mais, até 16% a 24% do boro aplicado nas folhas foi translocado para outras partes da planta. Com umidade mais baixa, ou seja, transpiração mais alta, não houve movimento significativo, e o acúmulo nas raízes só ocorreu com umidade de 70% a 80% (Eichert; Goldbach, 2010).

Os autores concluíram que a mobilidade do boro no floema dessa espécie não é constante e depende fortemente da transpiração (Eichert; Goldbach, 2010). O resultado vem de uma espécie, em ambiente controlado, e não deve ser extrapolado diretamente para a adubação foliar de outras culturas.

Quais nutrientes são redistribuídos pelo floema?

Nitrogênio, fósforo, potássio e magnésio se movem com facilidade de uma folha para outra. Cálcio, enxofre, ferro, boro e cobre são relativamente imóveis na maioria das espécies (Tabela 3).

Tabela 3. Classificação dos elementos minerais conforme a mobilidade dentro da planta.

MóveisRelativamente imóveis
NitrogênioCálcio
PotássioEnxofre
MagnésioFerro
FósforoBoro
CloroCobre
Sódio 
Zinco 
Molibdênio 
Elaborado pelo autor com a ajuda do Claude. Elementos listados na ordem de abundância na planta. Fonte: (Taiz; Zeiger, 2006).

A classificação ajuda no diagnóstico de campo. Sintomas de deficiência de nutrientes móveis tendem a aparecer primeiro nas folhas mais velhas, de onde a planta retira o elemento para as folhas novas. Os de nutrientes imóveis aparecem primeiro em folhas jovens e meristemas: a falta de nitrogênio amarela as folhas da base, e a de cálcio causa necrose em ápices de raízes e folhas jovens (Taiz; Zeiger, 2006).

A tabela é uma simplificação. “Imóvel” significa redistribuição baixa ou restrita, não ausência de movimento. Os sintomas de falta de enxofre, por exemplo, podem começar nas folhas velhas em algumas situações (Taiz; Zeiger, 2006), e o caso do boro mostra que a mobilidade também varia com o ambiente (Eichert; Goldbach, 2010).

O que acontece com o xilema durante a seca?

Sob seca intensa, a tensão na água do xilema aumenta tanto que bolhas de ar podem entrar nos condutos e romper a coluna de água. Esse fenômeno, chamado de cavitação ou embolia, reduz a condução de água até as folhas (Taiz; Zeiger, 2006; Lens et al., 2022).

As plantas fecham os estômatos para evitar a embolia, à custa de fotossíntese e crescimento. Se a seca persiste, a embolia se acumula e pode levar à morte de tecidos, órgãos ou da planta inteira. Em angiospermas, o ponto sem retorno é estimado em uma perda de cerca de 88% da capacidade máxima de transporte de água (Lens et al., 2022).

As culturas diferem na resistência à embolia. Dados não publicados do grupo de Cardoso, apresentados na revisão de Cardoso et al. (2025), mostram o potencial hídrico foliar em que ocorre perda de turgor e em que 50% da folha está embolizada (Tabela 4).

Tabela 4. Potencial hídrico foliar na perda de turgor e com 50% de embolia foliar em cinco culturas.

CulturaPerda de turgor (MPa)50% de embolia foliar (MPa)
Soja−1,11−2,01
Girassol−0,80−1,86
Feijão−0,80−1,41
Tomate−0,85−1,37
Caupi−0,85−1,36
Elaborado pelo autor com a ajuda do Claude. Dados não publicados de Moab e Cardoso, apresentados na revisão. Fonte: (Cardoso et al., 2025).

Nas cinco culturas, a murcha (perda de turgor) ocorre bem antes de 50% de embolia. A soja foi a mais resistente; caupi, tomate e feijão, as mais vulneráveis (Cardoso et al., 2025). Os efeitos da seca na produção e o manejo estão no artigo sobre estresse hídrico nas plantas.

Perguntas frequentes sobre xilema e floema

Qual a diferença entre seiva bruta e seiva elaborada?

A seiva bruta é a solução de água e nutrientes minerais conduzida pelo xilema, das raízes para a parte aérea. A seiva elaborada é conduzida pelo floema, das fontes para os drenos, e é rica em açúcares, principalmente sacarose, aminoácidos e hormônios (Taiz; Zeiger, 2006).

O xilema é formado por células vivas ou mortas?

As células condutoras do xilema, traqueídes e elementos de vaso, estão mortas na maturidade e restam apenas as paredes lignificadas. O xilema também tem células de parênquima vivas, que armazenam amido (Taiz; Zeiger, 2006; Agustí; Blázquez, 2020).

O floema transporta água?

Sim. A água é a substância mais abundante na seiva do floema e dissolve os açúcares e demais solutos. Ela vem do xilema na fonte e volta para ele no dreno (Taiz; Zeiger, 2006).

Por que as plantas transportam sacarose e não glicose?

A glicose é um açúcar redutor, com um grupo aldeído exposto que reage com outras moléculas. A sacarose é não redutora, menos reativa e mais estável no trajeto pelo floema (Taiz; Zeiger, 2006).

Por que a deficiência de cálcio aparece em frutos e folhas novas?

O cálcio chega aos órgãos pelo fluxo transpiratório do xilema e praticamente não é redistribuído pelo floema. Frutos e folhas em formação transpiram pouco e recebem menos cálcio que as folhas maduras (Kerton et al., 2009; Montanaro et al., 2015).

—

O transporte no xilema e no floema liga a absorção de nutrientes, a mobilidade de cada elemento, a resposta à seca e o enchimento de grãos e frutos. A Pós-graduação em Fisiologia Vegetal e Nutrição de Plantas da Agroadvance trata desses processos e de sua aplicação no manejo das culturas. Clique em SAIBA MAIS e conheça o curso:

Referências

AGUSTÍ, J.; BLÁZQUEZ, M. A. Plant vascular development: mechanisms and environmental regulation. Cellular and Molecular Life Sciences, v. 77, n. 19, p. 3711-3728, 2020. DOI: 10.1007/s00018-020-03496-w.

BRAUN, D. M. Phloem loading and unloading of sucrose: what a long, strange trip from source to sink. Annual Review of Plant Biology, v. 73, p. 553-584, 2022. DOI: 10.1146/annurev-arplant-070721-083240.

CARDOSO, A. A.; ANDRADE, M. T.; BUCIOR, E. R.; MARTINS, S. C. V. Plant hydraulic traits influencing crop production in water-limited environments. Plant Physiology, v. 199, n. 3, kiaf521, 2025. DOI: 10.1093/plphys/kiaf521.

EICHERT, T.; GOLDBACH, H. E. Transpiration rate affects the mobility of foliar-applied boron in Ricinus communis L. cv. Impala. Plant and Soil, v. 328, p. 165-174, 2010. DOI: 10.1007/s11104-009-0094-y.

KERTON, M.; NEWBURY, H. J.; HAND, D.; PRITCHARD, J. Accumulation of calcium in the centre of leaves of coriander (Coriandrum sativum L.) is due to an uncoupling of water and ion transport. Journal of Experimental Botany, v. 60, n. 1, p. 227-235, 2009. DOI: 10.1093/jxb/ern279.

LENS, F.; GLEASON, S. M.; BORTOLAMI, G.; BRODERSEN, C.; DELZON, S.; JANSEN, S. Functional xylem characteristics associated with drought-induced embolism in angiosperms. New Phytologist, v. 236, n. 6, p. 2019-2036, 2022. DOI: 10.1111/nph.18447.

LIESCHE, J.; PATRICK, J. An update on phloem transport: a simple bulk flow under complex regulation. F1000Research, v. 6, 2096, 2017. DOI: 10.12688/f1000research.12577.1.

MARSCHNER, P. (ed.). Marschner’s mineral nutrition of higher plants. 3. ed. London: Academic Press, 2012.

MONTANARO, G.; DICHIO, B.; LANG, A.; MININNI, A. N.; XILOYANNIS, C. Fruit calcium accumulation coupled and uncoupled from its transpiration in kiwifruit. Journal of Plant Physiology, v. 181, p. 67-74, 2015. DOI: 10.1016/j.jplph.2015.04.004.

TAIZ, L.; ZEIGER, E. Fisiologia vegetal. 3. ed., 1. reimpr. Porto Alegre: Artmed, 2006.

Sobre a autora

Beatriz Nastaro Boschiero

Especialista em Conteúdo na Agroadvance

  • Pós-doutora pelo CTBE/CNPEM e CENA/USP
  • Mestra e Doutora em Solos e Nutrição de Plantas (ESALQ/USP)
  • Engenheira Agrônoma (UNESP/Botucatu)
  • [email protected]
  • Perfil do Linkedin
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Como citar este artigo:

BOSCHIERO, B.N. Xilema e floema: o que são, diferenças e funções na planta. Blog Agroadvance. Publicado em: 03/11/2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-xilema-e-floema/. Data de acesso: 03 nov. 2026.

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