Você decide subsolar uma área de lavoura com base em quê? Numa leitura de campo (penetrômetro, por exemplo), na percepção de que “a lavoura está mais dura este ano”, ou num diagnóstico que confirma onde, e a que profundidade, o solo está de fato comprometido?
A pergunta importa porque a compactação é apontada como o principal processo de degradação física dos solos tropicais — e o problema é generalizado. Em um levantamento com 199 fazendas do Brasil e do Paraguai, entre 78% e 82% apresentaram resistência à penetração acima do valor crítico de referência mais usado na literatura (2 MPa), com picos entre 12 e 18 MPa (Souza, 2026).
O erro mais comum não é ignorar esse cenário, mas é reagir a ele do jeito errado. Subsolar ou gradear pesado com base apenas na leitura de campo, sem confirmação laboratorial, é uma decisão que carrega alto risco de diagnóstico equivocado.
A penetrometria isolada depende de fatores que o operador não controla, como a umidade do solo no momento da medição, e por isso pode indicar um problema onde não há, ou mascarar um problema onde há. O resultado prático é a aplicação de intervenções agressivas e caras em situações que, na maioria dos casos em solos tropicais, exigiriam apenas uma prática biológica direcionada à camada certa.
Na palestra “Práticas promotoras da saúde do solo e seu impacto na física do solo”, realizada no Simpósio Brasileiro de Saúde do Solo (SBSS), o professor Dr. Eduardo da Costa Severiano, do Instituto Federal Goiano, Campus Rio Verde, apresentou o protocolo de diagnóstico da compactação do solo usado por sua equipe em campo, além dos dados que expõem a escala do uso da subsolagem como resposta padrão para um problema que, na maioria dos casos, está a poucos centímetros da superfície.
A seguir, o protocolo completo em três etapas, o raciocínio por trás da crítica ao excesso de preparo profundo e o passo a passo do manejo escalonado conforme o grau de degradação diagnosticado.
Por que a compactação do solo é quase inevitável no Cerrado? (mas tem tratamento)
Compactação do solo é a compressão do solo não saturado sob pressão externa — provocada por tráfego de máquinas ou pisoteio animal —, considerada o principal processo de degradação física dos solos tropicais. Em levantamento com 199 fazendas do Brasil e do Paraguai, entre 78% e 82% apresentaram resistência à penetração acima do valor crítico usual (2 MPa), com extremos de 12 a 18 MPa (Souza, 2026).

A compactação é um problema estruturalmente inevitável nos solos tropicais. Os Latossolos do Cerrado estão entre os solos mais suscetíveis à compactação do mundo (Severiano et al., 2013), consequência direta da estrutura granular altamente porosa e interconectada que caracteriza esses solos. A mesma porosidade que os torna fisicamente exuberantes também os deixa mais vulneráveis a qualquer pressão externa.
Essa suscetibilidade, porém, não é uniforme entre solos tropicais. Um estudo com cinco Latossolos de texturas muito diferentes do Cerrado goiano (argila entre 150 e mais de 750 g/kg) mostrou que os solos argilosos e muito argilosos apresentam maior suscetibilidade à compressão do que os de textura média (Severiano et al., 2011). A pressão crítica que caracteriza compactação adicional reduz a macroporosidade a 0,10 dm³/dm³ — o limiar técnico usado para marcar degradação estrutural nesse tipo de solo.
Solos derivados de basalto se mostraram mais suscetíveis à compactação do que os de arenito e granito, nessa ordem. O teor de água no momento do tráfego também é decisivo: quanto mais úmido o solo (condição típica da estação chuvosa), maior a compactação adicional provocada pela mesma carga de máquina.
Trata-se, para Severiano, de uma condição comparável a uma doença crônica sem cura conhecida, mas com tratamento possível por meio das práticas de manejo.
O elo entre compactação e perda de produtividade é descrito como uma sequência quase hidráulica: a restrição ao crescimento radicular reduz o volume de solo explorado pelas raízes, o que diminui a absorção de água e nutrientes, reduz o metabolismo da planta e, por consequência, a produtividade agrícola.
No sentido inverso, em manejos que promovem boa saúde física do solo, o sistema radicular expressa mais o potencial genético da cultura, com maior acesso a água e maior produtividade resultante.
A compactação também é precursora de processos erosivos: quando a água deixa de infiltrar e passa a escoar em superfície, carrega nutrientes de adubação para os cursos d’água, contribuindo para assoreamento e poluição hídrica.
Para uma introdução ao conceito básico de compactação, veja Solo compactado: como identificar e corrigir?; para o panorama completo do evento de origem desta cobertura, veja Simpósio Brasileiro de Saúde do Solo 2026: cobertura completa.
Protocolo para diagnóstico da compactação do solo
O protocolo de diagnóstico da compactação segue três etapas em sequência: anamnese, triagem e diagnose confirmatória. Cada uma cumpre uma função própria, e nenhuma substitui a seguinte — pular uma etapa é um dos erros mais comuns no manejo da estrutura do solo.
O fio condutor das três é o mesmo princípio, repetido ao longo da apresentação: não é possível gerenciar aquilo que não se mede. A anamnese reconstrói o histórico da área; a triagem faz a primeira leitura de campo; a diagnose confirmatória traz a resposta laboratorial que sustenta a decisão de manejo.
Nas próximas seções, cada etapa é detalhada — o que ela mede, por que vem nessa ordem, e o que pode dar errado quando é pulada ou aplicada isoladamente.
Anamnese: por que ela vem antes da penetrometria?
Anamnese é a primeira etapa do protocolo de diagnóstico: levantar histórico de manejo, operações mecanizadas, umidade do solo durante o tráfego, produtividade histórica e a percepção do próprio produtor — antes de qualquer medição em campo. Pular essa etapa é um dos motivos mais comuns de insucesso no manejo da estrutura do solo.
Sem o histórico da área, a leitura de campo da etapa seguinte não tem como ser interpretada corretamente.
Uma mesma leitura de penetrômetro significa coisas diferentes num solo historicamente bem manejado e num solo com histórico de tráfego pesado em condições de alta umidade. É a anamnese que fornece o contexto para essa diferenciação.
Triagem: o penetrômetro sozinho é suficiente para diagnosticar?
Não. Um modelo de quatro quadrantes que cruza dados de campo (penetrometria) com dados de laboratório mostra que a leitura isolada do penetrômetro tem alto risco de falso positivo ou falso negativo, porque depende de fatores não controlados pelo operador — a umidade do solo no momento da medição, por exemplo. A penetrometria é assertiva para localizar onde está o problema, não para confirmar sua gravidade real.
Além da penetrometria, a triagem inclui avaliação visual e abertura de trincheiras. Quanto ao valor crítico de referência, 2 MPa é o número mais citado na literatura, mas a faixa real de valores críticos vai de 0,5 a 6,0 MPa, com 3,5 MPa funcionando como referência específica para áreas de plantio direto consolidado.
Fixar um único valor crítico sem considerar o sistema de manejo é um dos erros mais recorrentes na interpretação de diagnósticos de campo.

Uma referência básica de como medir compactação em campo está em Solo compactado: como identificar e corrigir?.
Diagnose confirmatória: o que o laboratório revela — e por que não é preciso recuperar 100%?
Diagnose confirmatória é a etapa final do protocolo: amostragem de solo com estrutura preservada, análise laboratorial e funções de pedotransferência que relacionam densidade do solo ao teor de argila. Ela também mostra que recuperar 100% da estrutura física não é meta obrigatória.
Recuperações parciais de 30% a 50% já aproximam o sistema do ponto ótimo agronômico, numa curva que penaliza tanto o solo excessivamente compactado quanto o excessivamente solto.
Esse comportamento é comparado, na palestra, ao da curva de disponibilidade de nutrientes: existe uma faixa ótima de estrutura física, e nem “quanto mais solto, melhor” nem “quanto menos compactado, melhor” descrevem corretamente a relação entre compactação e desempenho agronômico.
No projeto Regenera Cerrado, as 10 fazendas de agricultura regenerativa avaliadas estavam fisicamente degradadas abaixo da camada superficial (0–0,10 m) — mas, notavelmente, com o problema ausente exatamente nessa camada mais rasa, achado que antecipa a discussão sobre profundidade de intervenção do capítulo seguinte (Rezende, 2025).

Para os conceitos físicos de base — textura, porosidade, densidade — veja Propriedades físicas do solo.
Por que subsolar demais o solo pode ser pior do que não subsolar?
Porque, na maioria dos casos diagnosticados em solos tropicais, o problema está restrito às camadas superficiais. Intervenções profundas e agressivas, como subsolagem e grade pesada, aplicadas sem diagnóstico prévio, perturbam camadas que nunca estiveram comprometidas. Tecnicamente, essa prática equivale a uma reconversão ao sistema de preparo convencional — um padrão descrito na palestra como epidemia da subsolagem.
Porque, na maioria dos casos diagnosticados em solos tropicais, o problema está restrito às camadas superficiais. Intervenções profundas e agressivas, como subsolagem e grade pesada, aplicadas sem diagnóstico prévio, perturbam camadas que nunca estiveram comprometidas. Tecnicamente, essa prática equivale a uma reconversão ao sistema de preparo convencional — um padrão descrito na palestra como epidemia da subsolagem.
A comparação usada pelo professor é direta: artilharia pesada para eliminar um formigueiro. A intervenção revolve o solo em profundidade justamente porque a real localização do problema — raso, superficial — nunca foi medida nem diagnosticada.
Parte desse exagero de intervenção é associada também à propaganda de bioinsumos sem embasamento científico, frequentemente usada para justificar pacotes de recuperação que não correspondem ao diagnóstico real da área.
O mesmo raciocínio de intervir na camada certa — e não mais fundo do que o necessário — orienta a escolha das práticas de manejo escalonado apresentadas a seguir. Nem toda alternativa biológica ao preparo convencional entrega o mesmo resultado.
Um experimento mediu a recuperação física do solo conseguida por diferentes capins cultivados antes da soja, tendo o preparo convencional — subsolagem seguida de gradagem — como referência de 98%, já que revolver o solo mecanicamente é, por definição, a forma mais direta de recuperar sua estrutura física.
Tabela 1. Recuperação física do solo por capim cultivado antes da soja, em relação ao preparo convencional
| Manejo anterior à soja | Recuperação física (%) |
| Preparo convencional (referência) | 98% |
| Xaraés | 88% |
| Piatã | 69% |
| Marandu | 54% |
| B. decumbens | 54% |
| MG4 | 20% |
| B. ruziziensis | 7% |
| Plantas invasoras (sem manejo) | 7% |
| Sem cobertura (solo descoberto) | 7% |
É tentador ler esse número como recomendação: se o preparo convencional recupera mais, por que não usá-lo sempre? Mas o indicador mede só o resultado físico imediato — e revolver o solo mecanicamente é, por natureza, a forma mais bruta de obter esse resultado, não a mais eficiente. Ele não captura o custo operacional de repetir a intervenção, o fato de que a maioria dos problemas diagnosticados é rasa — dispensando revolvimento profundo —, nem os ganhos que só os capins entregam: bioporosidade construída por raiz e fauna, cobertura permanente do solo, ciclagem de nutrientes.
Os capins, por outro lado, entregam recuperação física relevante e sem esses custos: Xaraés chega a 88%, Piatã a 69%. Como visto no capítulo anterior, uma recuperação de 30% a 50% já aproxima o sistema do ponto ótimo agronômico; Xaraés, sozinho, entrega quase o dobro disso. Já a braquiária ruziziensis recupera apenas 7% (no mesmo patamar de deixar o solo com plantas invasoras ou totalmente descoberto) e o desempenho está associado à espécie escolhida, não ao manejo aplicado sobre ela (Flávio Neto et al., 2015).
Para os casos em que a diagnose confirmatória de fato aponta necessidade de intervenção mecânica, veja Escarificador ou subsolador: qual usar para descompactar o solo?.
Qual prática de manejo cabe em cada grau de compactação do solo diagnosticado?
O manejo recomendado é escalonado pelo grau de degradação confirmado na diagnose:
- estrutura degradada pede safrinha de boi combinada a planta descompactadora, ciclagem de nutrientes e haste sulcadora;
- estrutura alterada pede sistemas consorciados de menor intensidade;
- estrutura adequada exige apenas manutenção do que já vem funcionando.
O efeito de combinar práticas é potencializado pelo sinergismo entre elas. A adoção conjunta de duas práticas de manejo regenerativo tende a gerar um benefício maior do que a soma dos efeitos isolados de cada uma.
Como exemplo de prática isolada, um consórcio de gramíneas atuando em camadas rasas reduziu a resistência à penetração, aumentou a porosidade e elevou a permeabilidade do solo em 60%, com ganho de 36% na produtividade da soja (Rosa et al., 2026).
Já o mecanismo de abertura de sulco é onde o diagnóstico de camada rasa encontra a prática mais escalável. A troca de discos duplos por haste sulcadora, em áreas de plantio direto de longa data, gerou uma diferença agregada de aproximadamente 9 sacos por hectare na produção de soja (Ferreira et al., 2023; 2026).
O tamanho desse efeito fica mais claro quando o mecanismo é isolado em ensaio controlado.
- Com compactação induzida por 0 a 9 passadas de trator (84% a 99% de grau de compactação), a haste sulcadora estreita reduziu a resistência à penetração na camada 0–0,10 m em até 66% em relação ao disco duplo.
- O ganho médio de produtividade da soja com haste foi de +600 kg/ha; o disco duplo, no mesmo solo compactado, chegou a penalizar a produção em até -1.200 kg/ha (Ferreira et al., 2023).
- O mesmo estudo reforça a crítica à penetrometria isolada feita na etapa de triagem: a produtividade correlacionou mais com o Intervalo Hídrico Ótimo do solo do que com a resistência à penetração medida sozinha.
A profundidade de operação da haste também importa. Em Latossolo Vermelho Distrófico do Paraná, com 20 anos de plantio direto, operar a haste a 15 cm em vez de 10 cm reduziu a densidade do solo em aproximadamente 20% (Ferreira et al., 2026) — evidência de que o mecanismo de abertura de sulco não deveria ser padrão de fazenda inteira, e sim ajustado ao talhão com compactação confirmada.
Quanto à compactação do solo por pisoteio animal, segundo o professor, o efeito é associado predominantemente ao tempo de deslocamento do animal em busca de forragem — maior em pastagens degradadas — e não à pressão mecânica do casco em si. Os estudos que relacionam pisoteio animal e compactação do solo têm em comum a presença de pastagem degradada no sistema.
Tabela 2. Compactação por pisoteio animal em pastejo de entressafra (safrinha de boi) — percentual de amostras por faixa de compactação, ao longo de 4 ciclos
| Categoria | 1º Ciclo | 2º Ciclo | 3º Ciclo | 4º Ciclo | Total |
| Restritiva ao ambiente edáfico | 0% | 0% | 0% | 0% | 0% |
| Sem compactação crítica | 60% | 60% | 54% | 67% | 60% |
| Sem compactação | 40% | 40% | 46% | 33% | 40% |
Nenhuma das 144 amostras avaliadas ao longo dos quatro ciclos atingiu a faixa restritiva — resultado associado ao fato de o solo estar seco nesse período de entressafra, com maior capacidade de suporte de carga.
O estudo de origem desses dados é ainda mais categórico: apenas 14,59% das amostras do primeiro ciclo de pastejo mostraram alguma compactação adicional, e nenhuma amostra, em nenhum dos quatro ciclos, atingiu compactação crítica (Nascimento Júnior et al., 2023). A conclusão dos próprios autores é que o pisoteio animal, nas condições estudadas, não é responsável pela disseminação de degradação estrutural em sistemas de integração lavoura-pecuária — e pode até contribuir para melhoria física, via afrouxamento biológico do solo.
Sobre as plantas descompactadoras — cultivares Xaraés, Piatã e Paiaguás em comparação a Brachiaria ruziziensis — veja Braquiária e Braquiárias em sistemas de produção.
Fauna edáfica e recarga hídrica: os sinais de que o solo está se recuperando
A diversidade de organismos do solo — não a densidade populacional — é o indicador mais sensível de recuperação física: sistemas integrados preservam ou até superam a riqueza de morfoespécies do Cerrado nativo, mesmo com menor densidade total de organismos.
Recarga hídrica, além da retenção, depende também de terraceamento bem mantido, que reduz perdas por escoamento superficial em veranicos. Promover retenção de água disponível para as plantas sem discutir recarga hídrica é insuficiente — sem recarga, não há acesso efetivo à água armazenada no perfil do solo.
Como exemplo de bioporosidade citado na palestra, um ninho de abelha solitária construído a 2 metros de profundidade equivaleria ao serviço ecológico de ao menos 30 poros de origem pedogenética.
Já sobre terraceamento, um estudo conduzido no Rio Grande do Sul associou a presença de terraços a ganhos de 1.000 kg/ha de milho e 1.500 kg/ha de soja, em comparação a lavouras sem terraço (Hörbe et al., 2021).
Tabela 3. Densidade e riqueza de macrofauna do solo por sistema de manejo — a integração lavoura-pecuária chega a superar a riqueza do Cerrado nativo
| Sistema de manejo | Densidade (indiv./m²) | Nº de morfoespécies |
| Cerrado típico | 4.792 | 51 |
| Pastagem contínua | 1.653 | 38 |
| Lavoura contínua — preparo convencional | 501 | 4 |
| Lavoura contínua — plantio direto | 827 | 46 |
| Integração lavoura-pecuária | 3.456 | 52 |
A antropização reduz a quantidade de organismos, mas não necessariamente a diversidade: no sistema de integração lavoura-pecuária, o número de morfoespécies supera o registrado no Cerrado típico (Marchão et al., 2009).
Sobre fauna edáfica em geral, veja Macrofauna edáfica do solo; sobre porosidade e água, veja Porosidade do solo.
Quanto tempo leva a recuperação — e quanto vale a pena esperar?
Resultados consistentes de estrutura física em sistemas conservacionistas aparecem a partir de 5 anos de adoção, com maturidade plena entre 20 e 30 anos — referência de campo citada na palestra: uma fazenda em Ipameri (GO), com 20 anos de sistema integrado.
Em um experimento de 26 anos, a área sob plantio direto com pousio predominante (sem prática promotora de saúde do solo) ainda apresentava restrição hídrica, enquanto a área com integração lavoura-pecuária e Brachiaria brizantha manteve um perfil hídrico mais uniforme.
Para Severiano, a escolha de prática de manejo também é uma escolha de horizonte de tempo, não apenas de eficácia técnica. Cultivares modernos de braquiária — Xaraés, Piatã e Paiaguás — carregam quase 50 anos de melhoramento genético voltado ao clima tropical, e o resultado obtido com 12 anos de Brachiaria brizantha levaria de 10 a 12 anos a mais para ser alcançado com Brachiaria ruziziensis tradicional (Flávio Neto et al., 2015; Lima et al., 2023).
Quando a diagnose confirma estrutura física adequada, a recomendação se resume a manter as práticas que já vêm funcionando na fazenda, sem necessidade de nova intervenção.
O que você leva pro campo amanhã sobre compactação do solo?
- Meça antes de agir — anamnese, triagem e diagnose confirmatória, nessa ordem, sempre.
- O penetrômetro localiza o problema, não confirma a gravidade — cruze sempre com laboratório antes de decidir por subsolagem.
- Em solo tropical, compactação é, na maioria dos casos, um problema de camada superficial — trate a camada certa, não a mais funda.
- Você não precisa de 100% de recuperação física — 30% a 50% já aproximam o sistema do ponto ótimo agronômico.
- Escalone a prática pelo grau de degradação diagnosticado, não pelo hábito da fazenda vizinha nem pela última propaganda de bioinsumo.
- Dê tempo ao sistema: resultado consistente de estrutura física começa em 5 anos e amadurece entre 20 e 30.
Perguntas frequentes sobre diagnóstico da compactação do solo
O que é anamnese do solo e por que ela vem antes da penetrometria?
Anamnese é o levantamento do histórico de manejo, operações mecanizadas, clima e produtividade da área, feito antes de qualquer medição de campo. Sem esse contexto, a leitura do penetrômetro não tem como ser interpretada corretamente.
Qual o valor crítico de resistência à penetração (MPa) para considerar o solo compactado?
O valor mais citado na literatura é 2 MPa, mas a faixa real varia de 0,5 a 6,0 MPa conforme o sistema de manejo — em plantio direto consolidado, por exemplo, é comum usar 3,5 MPa como referência.
Penetrômetro sozinho é suficiente para diagnosticar compactação do solo?
Não. A leitura isolada de campo tem alto risco de falso positivo ou falso negativo, porque depende de fatores não controlados pelo operador, como a umidade do solo no momento da medição. Ela ajuda a localizar o problema, mas precisa ser confirmada em laboratório.
É preciso recuperar 100% da estrutura física do solo compactado?
Não. Recuperações parciais de 30% a 50% já aproximam o sistema do ponto ótimo agronômico — perseguir 100% de recuperação não é necessário nem, na prática, o objetivo mais eficiente.
Compactação por pisoteio animal (gado) é tão grave quanto compactação por máquinas?
Em pastejo de entressafra com solo seco, estudos de campo não registraram amostras na faixa restritiva ao longo de 4 ciclos de pastejo. O fator decisivo da compactação por pisoteio é o tempo de deslocamento do animal em busca de forragem em pastagens degradadas, não a pressão do casco em si.
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Procedência do conteúdo
Com base em: SEVERIANO, E. C. Práticas promotoras da saúde do solo e seu impacto na física do solo. Palestra apresentada no Simpósio Brasileiro de Saúde do Solo (SBSS), 2026.
Eduardo da Costa Severiano é professor titular do Instituto Federal Goiano — Campus Rio Verde, engenheiro agrônomo pela Universidade Federal de Goiás, com mestrado e doutorado em Ciência do Solo pela Universidade Federal de Lavras. É bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq desde 2018, coordena a Rede Goiana de Pesquisa em Ciência do Solo e integra o grupo de trabalho em física do solo da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. Suas pesquisas conectam solo, serviços ecossistêmicos e agricultura regenerativa, com foco em sistemas integrados, compactação e dinâmica da água.
Referências
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FERREIRA, C.J.B.; RIBEIRO, V.; TORMENA, C.A.; NUNES, M.R. et al. An alternative to mitigate soil compaction and improve crop yield under no-till systems. Geoderma Regional. v. 44, e01051, 2026. DOI: 10.1016/j.geodrs.2026.e01051
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SOUZA, I.R.M. Diagnóstico de compactação do solo em 199 fazendas do Brasil e Paraguai. Boletim Regenera Cerrado, 2026.
Sobre a autora:

Beatriz Nastaro Boschiero
Especialista em Conteúdo na Agroadvance
- Pós-doutora pelo CTBE/CNPEM e CENA/USP
- Mestra e Doutora em Solos e Nutrição de Plantas (ESALQ/USP)
- Engenheira Agrônoma (UNESP/Botucatu)
Como citar este artigo:
BOSCHIERO, B.N. Diagnóstico da compactação do solo: o protocolo que evita subsolagens desnecessárias. Blog Agroadvance. Publicado em: 15 Set. 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-diagnostico-da-compactacao-do-solo/. Data de acesso: dd MMM aaaa.



