Você já parou para pensar no que realmente mantém sua fazenda funcionando quando os preços caem? Com certeza é algo que muitos produtores olham menos do que deveriam.
Trata-se da margem: aquela diferença entre o que você recebe e o que realmente custa produzir, descontando cada centavo gasto.
No ano passado, em nossa Imersão presencial Produtores de Alta Performance, em Piracicaba (SP), Anderson Galvão, engenheiro agrônomo e fundador da Céleres, foi direto ao ponto durante sua palestra:
“Sou engenheiro agrônomo e até eu te ensinar a ganhar mais dinheiro, meu currículo não serve pra nada.”
A mensagem era clara: o que segura o produtor é o resultado real, e o quanto ele bota no bolso. Segundo ele, isso passa por entender que
“Meu propósito é falar de margem, não de preço”.
Mas aqui está o problema: a maioria dos produtores rurais ainda olha para o preço da soja, do milho ou do algodão como se fosse o termômetro da saúde do negócio. Isso está errado!
Preço é apenas uma variável, e nem sempre a mais importante. Enquanto isso, receita e custo oscilam bruscamente, mas despesa não. E é justamente nas despesas que a maioria dos produtores perde o controle.
Neste artigo, vamos explorar como a margem deve ser o verdadeiro norte da sua operação, como ela funciona na prática, e como você pode protegê-la mesmo em cenários desafiadores. Porque a verdade é simples: margem é o que mantém o negócio do produtor rural vivo, mesmo em tempos de preços baixos.
Antes de tudo, o que são custos, despesas e margem?
Para discutir margem de forma correta, é fundamental separar conceitos que, na prática, ainda se misturam na gestão de muitas propriedades.
O que são custos?
Custos são todos os gastos diretamente ligados à produção. Eles existem somente porque você produz. Se você aumentar a área plantada, eles aumentam; se diminuir a área, eles diminuem.
Exemplos:
- Sementes
- Fertilizantes
- Defensivos
- Operações mecanizadas
- Mão de obra diretamente ligada à lavoura.
O que são despesas?
Despesas são os gastos necessários para a fazenda funcionar, mas não variam diretamente com a produção. A operação continuaria mesmo se você produzisse menos, por isso são consideradas de natureza administrativa, gerencial ou estrutural.
Exemplos:
- Salários administrativos
- Depreciação de máquinas
- Arrendamento rural
- Manutenção estrutural
- Custos financeiros
E aqui está o ponto crucial: quando o preço da commodity cai, a receita cai, mas a despesa permanece! Se você tiver controle obsessivo sobre suas despesas, você consegue manter a margem mesmo quando os preços caem.
Anderson Galvão foi bem direto sobre isso:
“Receita e custo oscilam. Despesa não. Seja paranoico com o controle, conte os centavos.”
As despesas fixas — arrendamento, depreciação de máquinas, salários — não caem quando o preço da commodity cai. Elas continuam ali, esperando. Por isso, o produtor que domina a gestão de despesas consegue manter a margem viva enquanto outros têm dificuldade.
Como calcular a margem?
Margem é a proporção entre o que você ganha e o que custa produzir. Ou seja, é o quanto sobra de receita depois do pagamento de custos e despesas. Ela é um percentual, não apenas um valor absoluto.
Como exemplo prático: Você planta soja com custo total de R$ 5.000 por hectare (custo + despesa) e vende a R$ 6.000 por hectare (receita). Lucro: R$ 1.000/ha. Margem: 33%.
Em resumo, margem é o quanto sobra da receita após o pagamento dos custos e despesas. Ela mostra a “gordura” operacional do negócio e indica se a atividade está sustentando a si mesma.
E aqui, vale também uma definição e diferenciação entre os custos e despesas.
Crise de margem: ela existe, mas calma…
O cenário de 2026 mostra essa crise não é estrutural. Ou seja, não há falta global de demanda de alimentos. Pelo contrário. O consumo mundial de grãos e oleaginosas cresce, em média, 2,2% ao ano há mais de cinco décadas, segundo dados consolidados de FAO, USDA e Céleres (Figura 1).

Aqui está uma verdade incômoda que Anderson Galvão trouxe para a conversa: o agronegócio brasileiro não vive crise. Quem sofre é o produtor rural.
E aqui vai o principal motivo para isso: a demanda global por alimentos segue estruturalmente crescente, mesmo em tempos de crise. Diferente de outros setores, a alimentação é inelástica: quando a renda cai, o consumo não cai proporcionalmente.
Isso significa que, independentemente do que aconteça no mundo, há garantia de demanda pelo que você produz.
Parece contraditório? Não é. O setor como um todo continua crescendo. Mas isso não significa que todos os produtores estão ganhando dinheiro.
Na verdade, o que está acontecendo agora é que as fazendas vão mudar de dono. Os produtores que não souberem administrar caixa, controlar despesas e tomar decisões com base em dados vão sair do jogo. E quem vai ficar? Aqueles que entendem margem.
Galvão foi claro: “Não temos uma crise, mas não há espaço para erros.”
Isso significa que você não pode mais contar com preços altos para cobrir ineficiências operacionais. Não pode mais ignorar aquele custo que cresce todo ano. Não pode mais deixar a gestão financeira para depois.
A boa notícia? O Brasil segue como potência agroexportadora. As tensões geopolíticas entre EUA e China abrem oportunidades históricas para o país. A demanda global continua crescendo. Mas para aproveitar essas oportunidades, você precisa estar preparado.
O agro não é um jogo de plantar e colher. É um jogo de câmbio
Aqui está algo que muitos produtores subestimam: câmbio e geopolítica tem tudo a ver com o seu negócio.
Você planta soja pensando no preço em reais. Mas a realidade é que o preço internacional é em dólar. E o dólar não é estável — ele flutua com as tensões globais, as decisões dos bancos centrais, e as relações comerciais entre potências.
Anderson Galvão foi enfático:
“Tome sempre cuidado com a inflação do dólar. Muita coisa na agricultura brasileira é influenciada por ele. Somos dependentes da taxa de câmbio, acompanhe sempre o índice do dólar.”
Vamos a um exemplo prático:
Você tem uma safra de soja que custa R$ 2.000 por hectare para produzir. O preço internacional está em US$ 12 por bushel. Com o dólar a R$ 5, você recebe aproximadamente R$ 3.000 por hectare. Margem: 33%.
Mas aí o dólar sobe para R$ 6. O preço internacional continua em US$ 12, mas agora você recebe R$ 3.600 por hectare. Margem: 44%.
Parece ótimo, certo? Mas espera — há um problema. Muitos dos seus custos também estão atrelados ao dólar. Insumos importados, peças de máquinas, financiamentos em moeda estrangeira. Então quando o dólar sobe, seus custos também sobem.
E aqui está o verdadeiro risco: mesmo com preços em reais, a inflação do dólar corrói o lucro real do produtor.
Por isso, Anderson Galvão recomendava:
“É hora de planejar em moeda forte e controlar as despesas fixas — elas não oscilam como receita e custo.”
Isso significa que você precisa:
- Acompanhar o câmbio como parte da sua gestão diária: isso não é opcional para quem quer passar por ciclos de baixa com resiliência.
- Planejar seus investimentos em dólar: se você vai comprar uma máquina, considere o preço em moeda forte, não em reais.
- Proteger sua receita: existem instrumentos financeiros (como hedge) que você pode usar para se proteger da volatilidade cambial.
- Controlar despesas fixas com obsessão: porque elas não caem quando o câmbio piora.
E em um cenário onde o câmbio é o seu principal componente de margem, a geopolítica também importa. As tensões entre EUA e China abrem oportunidades para o Brasil, mas também criam incertezas.
Um embargo comercial, uma guerra comercial, uma mudança de governo, qualquer uma dessas coisas pode afetar os preços internacionais e, consequentemente, sua margem.
E aqui vai o ponto: produtor não deve se apaixonar por um lado ou por outro, mas sim deve saber navegar em qualquer cenário. Ele deve estar pronto e se antecipar a qualquer cenário!
A imersão presencial Produtores de Alta Performance tratou exatamente de expor a todo momento esta mentalidade de cenários. E aqui está o grande poder da educação e do conhecimento: te preparar para o que a maioria não está preparada.
O produtor que entende isso consegue se antecipar. O que não entende, sofre.
Seja OBSSESSIVO com as suas despesas
Já falamos, e vamos repetir, porque aqui está o ponto central de tudo que o Anderson Galvão ministrou em sua aula aqui conosco:
“Seja paranoico com o controle daquilo que não oscila com preço, conte os centavos.”
Deixa-me explicar por que isso é tão importante.
Recapitulando:
Receita é o que você vende.
Custo é o que você gasta para produzir.
Despesa é tudo aquilo que você gasta para manter a operação funcionando, lembrando que despesa não oscila (ou oscila muito pouco).
Então, quando os preços caem, a receita cai. Mas a despesa? Continua igual.
É por isso que o controle obsessivo de despesas é tão crítico. Porque é a única coisa que você realmente controla.
Enquanto a maioria dos produtores olha para o preço de tela da soja e fica discutindo o mercado, seria muito mais produtivo estar discutindo estrutura de despesas. Uma que permitisse a fazenda operar com máxima eficiência em tempos de crise.
Olhar preço e não margem significa, às vezes, se desestabilizar sem motivo:

Olhando para a Figura 2 e para ciclos anteriores, podemos ver que todos os segmentos de commodities estão em queda no ciclo 2024–2025.
Também temos sinais para acreditar que ainda estamos no meio de um ciclo estrutural de baixa. Produtores que esperavam uma recuperação rápida dos preços precisam entender que essa recuperação pode levar anos.
E enquanto isso? Quem controla margem sobrevive. Quem aposta em preço alto, quebra.
A lei de oferta e demanda em ação
Nesses momentos, é preciso respeitar a lei máxima da economia: a lei de oferta e demanda.
Entre 2000 e 2026, o preço da soja em Chicago subiu de US$ 14,1 para US$ 48,6 por bushel — uma alta de 244%. Parece ótimo, certo? Mas aqui está o problema: a área plantada no Brasil cresceu de 20 para 48,6 milhões de hectares no mesmo período.
A produção mundial de soja está em torno de 424 a 426 milhões de toneladas, e os estoques globais representam 60 a 70 dias de consumo. Isso é um nível confortável, mas não abundante. O que significa? Que não há escassez que puxe preços para cima. Há oferta suficiente, o que mantém preços sob pressão.
Preço bom como aquele vivido no ciclo de 2021/2022 também gera mais concorrência no mercado. Mais produção, mais pressão nos preços. Sobrevive quem controla margem, a concorrência cai e o preço volta a subir.
Produtor e dinheiro: essa relação precisa ser próxima
Anderson Galvão disse:
“Se banco fosse bom, chamava sofá, não banco.”
Isso é uma reflexão crítica sobre a dependência do produtor em instituições financeiras.
Controle financeiro é estratégico. Você não pode depender de crédito para cobrir ineficiências operacionais. Você precisa ser autossuficiente.
Isso significa:
- Conhecer cada centavo que sai da sua fazenda — não é paranoia se é isso que te mantém vivo na crise.
- Revisar despesas regularmente — aquele contrato de manutenção que você assinou há 3 anos ainda é o melhor preço?
- Negociar com fornecedores — você é cliente deles, use isso a seu favor.
- Investir em tecnologia que reduz custos — nem toda tecnologia é cara, e muitas pagam por si mesmas em poucos anos.
- Ter um sistema de gestão financeira — planilha, software, o que for, mas você precisa saber exatamente aonde o dinheiro está indo.
Falamos muito até aqui do controle de despesas, mas também é preciso ser inteligente na gestão de custos. Sobretudo se eles impactam a sua produtividade de curto e longo prazo.
DAP, TSP e ureia estão sendo negociados acima de US$ 1.200 por tonelada em 2025 patamares ainda elevados comparados ao pré-pandemia. Isso significa que seus custos de produção continuam altos, mesmo com preços de commodities em queda.
Isso significa cortar adubação? De jeito nenhum (pelo menos não deveria significar). Outro professor nosso, Rafael Otto, sempre diz o seguinte em suas aulas de fertilidade de solo: cuidado para não cair no ciclo da pobreza.
- Adubo aumenta o preço, você diminui adubação.
- Produz menos, tem menos dinheiro pra investir na próxima safra
- Consequentemente, precisa adubar ainda menos
- Produz ainda menos…
Veja como o ciclo do corte de custos é perigoso. Você estará cortando aquilo que te mantém no jogo.
Essa é a compressão de margem em ação: receita cai, mas custo não cai na mesma proporção. Se você quer entrar na guerra do corte de custos, entre com inteligência: aprenda a negociar melhor com fornecedores ou otimize com rigor agronômico o uso de fertilizantes.
Faça compras à vista, compre mix de produto solicitando melhores condições, feche pacotes… Tudo que possa te ajudar a ter uma “manga” em seus custos.
Mas não deixe de adubar na quantidade e qualidade certas!
Outra sugestão é pensar na relação de troca. Para cada hectare de soja plantado, você precisa trocar uma quantidade de sacas por insumos. Com fertilizantes, você troca 5 a 25 sacas por hectare. Com sementes, 4 a 7 sacas. Com defensivos, 10 a 60 sacas.
Isso significa que, antes de colher uma única saca, você já comprometeu uma quantidade significativa da sua produção. Se o preço cair, essa relação de troca piora ainda mais.
Juros e financiamento também são outra história, e entram nessa equação. O volume de crédito rural contratado está em queda por dois motivos: juros elevados e menor disponibilidade de recursos. Isso significa que nem todo produtor consegue financiar sua safra com facilidade.
Nessas horas, quem tem caixa forte consegue plantar. Essa é a razão pela qual reconstruir liquidez é tão crítico. Já quem tem garantias e lastro em ativos reais (terras próprias) consegue crédito com mais facilidade.
Segunda safra é questão de sobrevivência
Aqui está outra frase marcante de Anderson Galvão:
“A gente não planta safrinha porque gosta, planta porque precisa.”
E ele está absolutamente certo.
O Brasil ainda pode expandir até 60 milhões de hectares de produção agrícola. Mas há um problema: os problemas de logística e armazenagem só vão acabar quando essa expansão parar — talvez em 20 ou 60 anos.
Enquanto isso, a solução é a segunda safra — o milho safrinha, a soja de segunda safra, tudo aquilo que você planta depois da colheita principal.
Por quê? Porque sem a segunda safra, o sistema produtivo não se sustenta.
Mas aqui está o detalhe importante: a segunda safra exige profissionalismo, estratégia e preparo técnico para garantir a margem.
Não é simplesmente plantar qualquer coisa em qualquer época. Você precisa:
- Escolher variedades adaptadas ao clima local
- Planejar a rotação de culturas
- Gerenciar a umidade do solo
- Controlar pragas e doenças específicas da safrinha
- Ter máquinas e estrutura preparadas para duas colheitas
- Gerenciar o fluxo de caixa para ter capital de giro para duas safras
Produtores que dominam a segunda safra conseguem manter margens saudáveis mesmo em anos de preços baixos. Porque eles estão gerando receita de duas safras, não de uma.
E aqui está o ponto final: se você não consegue fazer a segunda safra com margem positiva, você tem um problema estrutural na sua operação.
O cenário global te diz algo… aprenda a interpretar
Anderson Galvão trouxe uma perspectiva importante sobre o cenário global:
“Comida é garantia. Nunca deixaremos de produzir por falta de demanda.”
Como já falamos aqui, a demanda segue crescendo.
A população mundial continua crescendo. O consumo per capita de proteína continua subindo, especialmente em países em desenvolvimento.
Mas há um detalhe: essa demanda não é uniforme. Há tensões geopolíticas que estão mudando os fluxos comerciais.
As tensões entre EUA e China abrem oportunidades históricas para o Brasil, mas também criam riscos. Se a China reduzir suas importações de soja americana e aumentar as do Brasil, isso é ótimo para o preço. Mas se houver um acordo comercial entre EUA e China, os preços podem cair.
O dólar hoje está estável em torno de R$ 5,36 a R$ 5,38, e há sinais de que os juros nos EUA podem cair, o que poderia valorizar o Real.
No entanto, os fundamentos domésticos podem limitar um cenário de maior valorização do real. Quando o Banco Central brasileiro iniciar o ciclo de cortes da Selic, a redução do diferencial de juros entre Brasil e EUA pode limitar o espaço para uma valorização do real frente ao dólar.
E aqui está o detalhe: estabilidade não significa segurança. Um movimento de 10% no câmbio — algo que pode acontecer em semanas — muda completamente a equação de rentabilidade da sua fazenda.
O Brasil, como potência agroexportadora, está no meio de disputas globais e está intrinsicamente ligado às decisões econômicas das potências que demandam nossas commodities. E isso pode ser uma oportunidade ou um risco, dependendo de como você se posiciona.
O produtor que entende geopolítica consegue se antecipar. Ele acompanha as notícias, entende as tensões comerciais, e ajusta sua estratégia de plantio e venda de acordo.
Mas mesmo com todas essas oportunidades, há um fato inescapável: o sucesso será de quem souber administrar o caixa, controlar despesas e tomar decisões com base em dados.
Preço alto é bom, mas não é garantia de sucesso. Preço baixo é ruim, mas não é garantia de fracasso. O diferencial é a gestão.
Profissionalização salva vidas
Aqui está a verdade que Anderson Galvão deixou bem clara:
“Quem dominar finanças, margem, mercado e geopolítica vai continuar no jogo.”
O agronegócio brasileiro está mudando. Não é mais aquele negócio onde você planta, colhe e vende. Agora é um negócio complexo, que exige conhecimentos múltiplos.
Produtores que investem em educação, em ferramentas de gestão, em consultoria, em tecnologia conseguem manter margens saudáveis mesmo em cenários desafiadores.
Planejar o ciclo inteiro, antecipar necessidades e evitar movimentos impulsivos não é falta de coragem, é maturidade. E é justamente essa maturidade que a Imersão Produtores de Alta Performance busca construir: um ambiente onde dados, método e estratégia se transformam em decisões práticas, possíveis e lucrativas.
O convite fica aqui: se você já entendeu seus riscos, agora chegou o momento de entender o caminho para agir. E a imersão existe para guiá-lo passo a passo — da leitura do mercado à execução dentro da porteira, com a clareza que ele nunca teve sozinho.
Anderson Galvão também deixou uma mensagem e um convite final que resume tudo:
“Como interessados em amplificar os resultados do agronegócio no nosso país, temos tarefas individuais como donos de propriedade em se profissionalizar”.
Margem é o que mantém o seu negócio vivo
Voltamos ao ponto de partida: margem é o que mantém o negócio do produtor rural vivo, mesmo em tempos de preços baixos.
Não é lucro. Não é receita. É margem. Quem proteger a margem, será protegido também pelo mercado. Veja por si próprio:
O agronegócio brasileiro gerou um superávit de US$ 91,6 bilhões em 2025, com exportações de US$ 141,6 bilhões. Soja sozinha respondeu por US$ 53,94 bilhões.

Esses números mostram a importância do setor para a economia do país. Mas também mostram que o Brasil é dependente do agronegócio para gerar divisas. Isso significa que o governo tem interesse em manter o setor forte, mas não necessariamente em manter cada produtor forte. Você precisa se proteger sozinho através da sua margem.
Porque margem é aquilo que você realmente controla. É a proporção entre o que você ganha e o que custa produzir. É o resultado de decisões diárias sobre despesas, sobre eficiência, sobre profissionalismo.
Preço você não controla. Câmbio você não controla. Clima você não controla. Geopolítica você não controla.
Mas despesa você controla. Eficiência você controla. Gestão você controla.
E é aí que está a diferença entre quem fica e quem sai do jogo.
Anderson Galvão foi claro em toda a sua palestra: menos teoria, mais resultado real. E o resultado real passa por entender que seu negócio não é sobre vender mais — é sobre ganhar mais com o que você vende.
Isso é margem.
Então, aqui está o desafio para você: comece hoje a olhar sua operação pela lente da margem, não do lucro. Analise suas despesas com paranoia. Acompanhe o câmbio como parte da sua gestão diária. Invista na segunda safra. Profissionalize sua gestão.
Porque em 2026, não há espaço para erros. Mas há espaço para quem souber administrar margem.
A Imersão Produtores de Alta Performance é uma experiência para quem quer viver tudo isso que falamos. É uma construção de conhecimento intensiva desenhada para transformar a forma como o produtor rural toma decisões de negócio.
Em dois dias, o participante mergulha em análises reais de mercado, gestão de margem, câmbio, risco, custos e estratégia operacional, sempre com foco em impacto diretamente no caixa da fazenda.
A imersão conecta produtores que querem sair do “modo sobrevivência” e entrar no “modo gestão profissional”, oferecendo ferramentas e benchmarks, onde números ganham contexto, decisões ganham clareza e o produtor volta para casa com um plano de ação pronto, baseado em dados.
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Sobre o autor:

Felipe Wohnrath
Coordenador de Comunicação na Agroadvance
- Engenheiro Agrônomo (ESALQ/USP)
Como citar este artigo:
WOHNRATH, F. Por que o produtor deve olhar margem e não o preço da saca na sua operação? Blog Agroadvance. Publicado em: 26 Jan 2026. Disponível em: https://agroadvance.com.br/blog-produtor-deve-olhar-margem-e-nao-preco/. Acesso em: 26 jul. 2026.



